Notas iniciais
Olha quem voltou!!! O capítulo está maiorzinho para compensar a demora, hein. Muito obrigada pelos comentários! Espero que gostem do capítulo, foi feito com carinho.

Depois da pequena, mas um tanto acalorada discussão com as mães, Henry subiu para o seu quarto, irritado e decidido a ir à festa. Em sua cabeça adolescente guiada por hormônios e cheia de confusão, se achava o dono do próprio nariz, que poderia fazer tudo que desse na telha, na hora, onde e como quisesse.

Meia hora depois, o garoto descia pela sua janela com a ajuda de uma corda improvisada, feita de lençóis atados um ao outro pelas pontas. Estabanado, quase despencou durante a descida, mas conseguiu pisar em solo sem maiores problemas. Assim que se viu livre, encontrou com o Violet que o esperava escondida atrás de umas das arvores que ornavam as calçadas. Com o coração aos pulos e a adrenalina dominando seus corpos, correram até o carro que os aguardava no final da rua.

— Por que demoraram tanto? — Uma Dinah impaciente, reclamou ao abrir a porta do automóvel para que entrassem.

— Acabamos de chegar também, não liguem para ela. — Normani sorriu do banco de trás, cumprimentando-os.

— Amor, assim você tira toda a minha autoridade. — bufou a loira.

Ao volante estava a prima de Dinah, que reconheceu Henry. A mais velha parecia estar chateada e nada falou quando embarcaram, apenas deu partida no carro, seguindo para a residência onde aconteceria a festinha. Se bem conhecia Dinah, tinha certeza de que a amiga havia chantageado a prima para que os levassem até lá.

A música eletrônica poderia ser ouvida do lado de fora da casa, perceberam assim que deixaram a segurança do automóvel. Alguns adolescentes perambulavam pelo gramado ou formavam rodinhas de conversas animadas, sustentando cigarros e copos descartáveis com bebidas.

— Vocês têm certeza de que vão ficar? — pela primeira vez, a prima de Dinah abriu a boca.

— É só uma festinha, cara. — DJ rolou os olhos — Fala como se fossemos participar dos jogos vorazes.

— Beleza, vocês que sabem. — deu de ombros — Agora vou indo, não quero estar por perto quando a merda acontecer.

Em seu íntimo, Henry sentiu vontade de desistir e voltar para casa, mas já tinham ido tão longe, não deixaria que as palavras da garota o atingissem. Pegou na mão de Violet e entraram na casa, seguindo Dinah e Normani que já dançavam no ritmo da música. A medida que avançavam pelo o que parecia ser a sala de estar, constataram que ninguém de sua turma havia aparecido. Naquela confusão de música alta, luzes e pessoas aglomeradas só conseguiam identificar em sua maioria os alunos do ultimo ano e talvez houvesse até mesmo alguns universitários.

Dinah, com seu jeito extrovertido, logo conseguiu as bebidas com algumas garotas. Henry chegou a provar, mas descartou ao sentir o gosto do álcool e aconselhou as meninas a não ingerirem também. Pelo menos essa regra ele não quebraria.

Dançaram um pouco, porém não estavam se divertindo, afinal era intimidante estar no meio daqueles desconhecidos, principalmente quando surgiam focos de brigas. Começavam a temer por sua segurança no meio daquela bagunça. Em certo momento Normani e a namorada começaram uma discussão por ciúmes ou algo do tipo, resultando em Normani se trancando no banheiro e Dinah choramingando para que a namorada abrisse a porta.

— Por que elas têm sempre que fazer essas coisas? Na festa da Demi, Mani ficou uma hora emburrada no banheiro e Dinah ameaçando arrombar a porta. — Henry comentou, exasperado.

— Elas são o casal mais maluco que eu conheço. — Violet disse com um sorriso enquanto caminhavam para a área externa da casa, onde havia a piscina.

— Isso porque você ainda não conheceu as minhas tias. — o garoto falou, lembrando-se de Ruby e Zelena.

— Você poderia apresenta-las no jantar da minha avó. — sugeriu, sem jeito.

— Que jantar, Viv? — perguntou confuso, ajudando a garota a sentar-se na espreguiçadeira, em frente a piscina.

— Bem, então... Minha avó mencionou que vai convidar a sua família para jantar lá em casa. Ela disse que é para agradecer a cortesia das suas mães quando nos mudamos. — Henry assentiu. Suas mães tinham dados as boas-vindas aos vizinhos, os presenteando com uma torta caseira. — Mas eu acho que ela quer mesmo é ter certeza se estamos, você sabe... juntos.

— E você gostaria que a gente estivesse? — Henry perguntou, reunindo cada gota de coragem que havia em seu ser. O coração estava acelerado e tinha certeza seu rosto estava totalmente enrubescido.

— Bem, eu...

Quando a garota estava quase respondendo, um grupo de adolescente cruzou a porta que dava acesso a piscina, correndo e gritando. Logo a confusão estava armada, pois alguns oficiais apareceram rendendo todos que estavam por ali. A música foi desligada e só se ouviam as vozes dos policiais, colocando ordem e acabando com a festa.

Os minutos seguintes foram surreais. Quem não conseguiu fugir da festa foi detido e agora aguardava a chegada dos responsáveis na delegacia para que pudesse ser liberado. Obviamente que Henry também estava ali, encolhido e tremendo de nervoso, esperando que a qualquer momento a xerife aparecesse em toda a sua ira e o arrastasse pela orelha até chegar em casa, uma vez que, os avós de Violet já tinham feito um verdadeiro escândalo na delegacia antes de levar a neta embora. Pelo menos Normani e Dinah haviam conseguido escapar da confusão, concluiu já que não as tinha visto por ali.

O garoto prendia a respiração toda vez que a porta da delegacia se abria, temendo o momento que sua mãe loira chegasse para busca-lo. Os oficiais lhe direcionavam olhares de compaixão, sabiam o quanto a xerife era durona e não admitiria tal comportamento de seu filho. Um arrepio subiu-lhe a coluna quando, por fim, Swan chegou a delegacia. Diferente do que pensava, a mãe não gritou, xingou ou lhe deu uma surra ali mesmo. O adolescente ficaria mais tranquilo caso não tivesse visto a expressão fechada e os olhos sem brilho de sua mãe, indicando sua total decepção.

Sem dúvidas, ele estava muito, mais muito encrencado.

Emma assinou a papelada em silêncio, nenhum dos policiais também fez comentários desnecessários, afinal ninguém ali era estupido o suficiente para desafiar a xerife, exceto o garoto branquelo que de tão nervoso só faltava se fundir a parede onde estava encostado.

A volta para casa também foi feita no mais completo silêncio. Henry havia ensaiado em sua cabeça diversas vezes o pedido de desculpas, porém nada parecia ser o suficiente para tirar aquele semblante triste do rosto de sua mãe. O arrependimento era grande e crescia a cada minuto, o sufocando.

Quando Emma estacionou a caminhonete em frente a garagem de casa, o garoto aproveitou para iniciar um diálogo com Swan.

— Mãe, eu queria...

— Sabe, quando ligaram da delegacia eu achei que se tratava de uma brincadeira dos rapazes. — o interrompeu, olhando-o pela primeira vez desde a confusão — Que estavam apenas tentando me pregar uma peça, afinal nunca que o meu filho, o meu menino que eu eduquei para ser verdadeiro e responsável, mentiria daquela forma. Tem ideia do que eu senti quando assinei aquele documento?!

— Me desculpa, mãe. — murmurou, sentindo-se envergonhado e culpado.

— Estou muito decepcionada, Henry. — sua voz expressava todo o seu desapontamento — Simplesmente não te reconheço.

— Mãe, por favor, só me escuta...

— Agora quem não quer ouvir sou eu. — falou duramente — Entre em casa e suba para o seu quarto, imediatamente.

Ele se deu por vencido e fez o que a mãe pediu. Regina que acompanhava tudo da janela da sala, saiu para a varanda a tempo de ver o menino enxugar o rosto, denunciando um possível choro. Henry passou por ela feito um foguete e entrou em casa.

Dentro do carro, Emma tinha a cabeça apoiada sobre o volante. Regina suspirou, compadecida pela angústia que a namorada estava sentindo. Ela também se sentia decepcionada com filho, pois jamais imaginou uma atitude daquela vinda de Henry, seu pequeno príncipe.

— Vai lá ficar com ela. — a morena deu um pulo ao perceber a irmã ao seu lado, concentrada em acender um cigarro.

— E Henry? — capturou o objeto nocivo e o jogou no chão, amassando-o.

— Que merda, Regina! Vou comprar um narguilé, quero ver você amassar. — reclamou pela perda do cigarro — Acabei de ouvir a porta do quarto dele bater. Deixa que eu vou falar com o garoto.

— Tem certeza, sis? — Regina ponderou se era uma boa ideia.

— Confia em mim. Qualquer coisa desço o braço no moleque. — encolheu os ombros e a irmã a encarou seriamente — Ei, estou brincando.

Regina negou com a cabeça e foi em direção ao carro, consolar a namorada.

***

Zelena deu duas batidinhas na porta, antes de entrar no quarto do sobrinho. O garoto estava sentado próximo a janela, com o semblante tristonho e os olhos e nariz vermelhos devido ao choro. A ruiva xingou baixo. Ela se importava demais com aquele menino e lhe doía vê-lo daquela forma.

— Veio me passar um sermão, tia? — enxugou o rosto com as costas da mão.

— Eu tenho preguiça dessas coisas, garoto. — sentou-se ao lado dele — Isso eu deixo para as suas mães. Só vim conversar mesmo.

— Em um nível de 1 a 10, quanto você acha que eu estou encrencado? — perguntou após um suspiro.

— Eu diria uns 100. — disse prontamente — Que farra, hein, garoto! Valeu a pena o esforço?

— Com certeza não. Estou muito arrependido, tia. — ergueu o olhar lacrimejante para a ruiva. — Eu só estava cansado de ser tratado feito uma criança e queria sair para me divertir um pouco com os meus amigos, não pensei nas consequências.

— Esqueceu de dizer que queria se exibir para a sua namoradinha também. — ergueu uma sobrancelha, observando o rosto do garoto corar. — Não me olha assim, eu já tive a sua idade, já fiz muitas merdas, tantas que passaria a noite toda enumerando.

— Então você me entende.

— Entendo, mas não concordo com as suas ações. Se quer ser tratado diferente, haja com mais responsabilidade.

— E você disse que não me daria um sermão. — sussurrou.

— Se trata apenas de um conselho, moleque. — revirou os olhos — Você reclama atoa, Henry. Não faz ideia da sua sorte de ter mães maravilhosas, que estão dispostas a fazer tudo por você, te dão amor, atenção, carinho... Se minha mãe fosse assim, eu não teria me metido em tantas confusões.

— Eu as decepcionei, não foi? — disse cabisbaixo.

— Pior. Você quebrou a confiança que elas depositavam em você. — encarou os olhos verdes do sobrinho.

— O que eu faço, tia?

— Comece demonstrando arrependimento, espera a poeira baixar e vá pedir desculpas a elas. — arrepiou o cabelo dele — Agora vai dormir, amanhã vocês conversam.

— Obrigado, tia Zel. Você é demais! — sorriu francamente.

— Que seja, não vai se acostumando. E se contar isso para alguém, moleque, negarei até a morte. — fungou, ocultando um sorriso — Só uma curiosidade... Como você planejava entrar em casa sem fazer barulho?

— Pensei em entrar pela cozinha, poderiam pensar que eram os guaxinins.

— Henry, evite a cozinha de madrugada, vai por mim.

— Okay. —respondeu antes de soltar um bocejo —Boa noite.

— Boa noite, Romeu. — caminhou até a porta, mas parou. — Ei, eu não preciso de te cobrir e nem ler uma história, certo?

— Não, só precisa cantar Gatinho Macio. — disse fazendo referência ao personagem Sheldon Cooper da série The Big Bang Theory.

— Ah, vai se catar, moleque. — resmungou, arrancando algumas risadas do sobrinho.

A ruiva apagou a luz, deixando somente o abajur aceso, e saiu do quarto. Henry bocejou novamente e se organizou para se deitar, cansado diante de tudo o que sucedeu naquela noite. A única coisa boa havia sido seu momento com Violet, mas agora temia que a avó da garota e suas mães não os afastassem. Oh, droga... Suas mães! Seu último pensamento antes de dormir, foi buscar uma forma de se desculpar com as mulheres da sua vida.

***

A manhã seguinte estava levemente ensolarada, trazendo um calorzinho gostoso. Um ótimo clima para um domingo, Regina refletiu ao sentir os raios de sol tocarem a sua pele. Estava no quintal de casa, pegando um pouco de sol nos braços e no ventre, claro que sob recomendação da obstetra.

— Amor, olha o que ela já sabe fazer!

Emma chamou sua atenção, correndo e brincando com Lola pelo gramado coberto por folhas de plátano. A loira jogou a bolinha de borracha e a cachorra prontamente correu para pegar, mas ao invés de devolver para Swan, a peludinha deixou aos pés de Regina.

— Vejo que ela aprendeu direitinho. — morena disse, observando a animação da cachorra.

— Bem, acho que precisamos de mais alguns treinos. — a loira bufou, fazendo dançar uma mecha dourada que havia se soltado do rabo de cavalo.

Regina gargalhou e jogou a bolinha, fazendo uma Lola enlouquecida correr para pegar o objeto. Emma se aproximou e sentou-se ao lado da namorada no gramado.

— It malia... A bonequinha da mamãe está tomando sol. — Swan fez uma voz fininha, falando junto a barriga redondinha da namorada.

— Ela está calminha, acho que ainda está dormindo. — A morena comentou, retirando a mecha loira que caía displicente na face amada. — Opa, mexeu. Você sentiu?

— Oh, não. Onde foi que ela chutou? — perguntou animada.

— Aqui ao lado. — tomou a mão esquerda da namorada e pressionou levemente sobre o local em que havia sentido sua pequena movimentar. — Pode sentir?

— Nadinha. — respondeu, acariciando a pele morena e macia. — Mas tudo a seu tempo, filhote. Mamãe Emma pode esperar.

— Por falar em esperar... Quando pretende conversar com o nosso filho?

— Eu não sei, linda. — disse brincando com a dobra de sua camiseta — Quando surgir uma oportunidade.

— Que tal agora? — indicou com o olhar o adolescente que se aproximava todo desconfiado.

— Será que nós podemos conversar? — Henry perguntou timidamente, coçando a nuca.

Emma suspirou e pediu para que o filho sentasse, o que foi prontamente obedecido.

— O que gostaria de nos dizer, Henry? — Regina o incentivou.

— Mães, eu peço desculpas por ter mentido e quebrado a confiança que tinham em mim. Mas vocês também devem compreender que eu já tenho idade para fazer minhas próprias escolhas.

— Escolhas nada inteligentes pelo visto. — Emma se pronunciou, encarando-o seriamente — Não consigo acreditar que você foi tão irresponsável e egoísta ao ponto de fugir de casa tarde da noite e se meter numa festa dessas, sem qualquer vigilância!

— Não aconteceu nada demais comigo.

— Você claramente não faz ideia dos perigos que correu — Emma falou indignada — Tem muita gente má e distorcida lá fora, só esperando para fazer mais vítimas, Henry.

— Eu sei me virar, mãe. — disse constrangido — Você me ensinou autodefesa.

— Olha, Regina, ele sabe se defender. Aham... Diga-me o que você faria ao ser atacado por um grupo? E se estivessem armados? — Emma perguntou duramente, fazendo o garoto baixar a cabeça — Aposto que um estranho ofereceu bebida e você prontamente aceitou.

— Eu não bebi quando percebi que era álcool, mãe.

— Não deveria ter aceitado nem que te oferecessem água, menino! — Emma levantou a voz. Não acreditava na falta de senso de preservação do garoto.

— Por que você mentiu, Henry? — Regina perguntou o fitando seriamente.

— Eu só queria curtir com o pessoal e provar que sei me cuidar. Já que vocês não estavam me deixando sair, resolvi ir por conta própria.

— Nos nunca te impedidos de sair com seus amigos, desde que fosse em um horário aceitável e não te colocasse em perigo — Regina o lembrou — Foram várias as vezes que te levamos aos encontros e festinhas dos seus colegas.

— Vocês têm razão, mães. — disse com sinceridade, intercalando seu olhar entre ambas — Peço desculpas. Eu prometo que isso não vai se repetir.

— Eu espero mesmo que não, Henry. — Emma o advertiu, ainda sentida. — Você terá que se mostrar responsável e reconquistar nossa confiança.

— Eu sei, mãe. — murmurou — Qual vai ser o meu castigo?

— Além da prestação de serviço à comunidade, o senhor vai ficar uma semana sem o vídeo game e sem o celular. — Regina sentenciou.

— Eu posso aceitar isso. — disse compressivo.

— Sua mãe ainda não terminou, garoto. — Emma chamou-lhe a atenção — Ficará sem mesada até segunda ordem.

— Sem mesada? Mas, mães, eu preciso da minha mesada para comprar os quadrinhos. Eu tenho minhas despesas também.

— Já que se acha maduro o suficiente, pode batalhar pelo seu dinheiro. — a loira entregou o ancinho, que estava apoiado na cerca, claramente esquecido — Eu soube que os vizinhos estão precisando de alguém para limpar os quintais. Mas primeiramente poderia fazer uma boa propaganda com o nosso quintal.

O menino fitou a ferramenta com desagrado. Quem quer que tenha desejado que ele se ferrasse fez um bom trabalho!

Notas finais
Então é isso, pessoal. Espero ter agradado e atendido as expectativas de vocês. Eu poderia ter feito uma Emma virada no jiraya, mas acho que o lance foi grave e a decepção venceu a raiva. Enfim... me digam se gostaram e se ficaram satisfeitos com o castigo, tá? Até breve!