Luz da minha vida
35 Capítulo 35
Notas iniciais
No televisor da sala de estar terminava de passar uma propaganda de shampoo e Emma encarava a tela com desgosto, tentando entender como havia perdido o controle de sua própria televisão. Do outro lado da sala, bem à vontade, estavam Ruby e Zelena rindo feito duas hienas de outra propaganda idiota. A loira bufou e se mexeu incomoda no sofá em que estava deitada. Se não estivesse com tanta cólica daria um jeito de colocar as duas para correr dali.
Lola, solidária a sua dor, se aproximou, se encostando em seu braço e a encarando com aqueles grandes olhos brilhantes. A loira esticou o braço e acariciou o pêlo escuro, agradecendo-a pelo carinho.
— Eu não me assustaria se qualquer dia essa cachorra começasse a falar. — comentou Ruby, observando a interação das duas. Emma concordou. Lola era muito esperta.
— Já está melhor, meu anjo? — Regina perguntou, aproximando-se com uma bolsa térmica e um copo de água.
— Não, ainda está doendo. — disse com uma voz sofrida. Regina suspirou. Swan ficava muito manhosa quando adoecia ou sentia dores.
— Logo vai passar. — entregou um comprimido e o copo de água para a namorada, que ingeriu todo o conteúdo — Agora apoie em seu ventre essa compressa com água quente.
— Onde você vai? Fica aqui comigo, amor. — Emma pediu ao ver a morena ensaiar um retorno para a cozinha.
— Só vou deixar o copo, minha dengosinha.
— Não, depois você leva. — fez um biquinho — Senta aqui, por favor.
Regina assentiu, atendendo o pedido da loira e sentou-se no sofá. Swan aproveitou e deitou a cabeça no colo dela, recebendo um gostoso cafuné.
— Acabou o programa que estava assistindo? — Regina perguntou, afinal a namorada gostava de assistir shows sobre reforma de casas.
— Não, elas mudaram de canal. — disse a loira acusatória.
— Em nossa defesa... — Zelena começou — Ela perdeu no pedra, papel e tesoura.
— Não estou acreditando nisso... — Regina negou com a cabeça.
— Fui justo. Não temos culpa dela sempre colocar pedra. — Ruby esclareceu.
— Vocês não têm vergonha? Passem esse controle, agora! — a morena ordenou.
— Vem pegar, irmãzinha. — Zel, o amadurecimento em pessoa, enfiou o controle dentro da bermuda.
— Ficou bem dotada, amor. — Ruby falou, olhando o volume que havia ficado. O micro-ondas apitou e ela foi até a cozinha, levando o copo vazio.
— Deixa, linda. — abraçou a cintura da namorada, beijando o ventre onde sua filha descansava — Eu só quero que você fique aqui comigo.
Pronto, pensou a ruiva. Bastou a simples troca de carinho para que entrassem em seu mundinho particular, conversando entre si apenas através da troca de olhares. Emma e sua irmã eram tão grudentas! Nossa, ainda bem que Ruby não era assim, tanto mel dava até enjoo.
— Pimentinha, temperei a pipoca do jeito que você gosta. — disse Luccas, colocando o balde pipoca no colo da namorada.
— Obrigada, minha lobinha. — a ruiva agradeceu com vários selinhos e pulou para o colo dela, assim que a morena sentou. Sua namorada era incrível.
— Olha, vai começar. — Ruby apontou para a televisão.
“Bem-vindos a competição culinária mais importante do mundo. Bem-vindos ao MasterChef!”
A bela voz da apresentadora falando em português chamou a atenção das mulheres, que se concentraram no programa que iniciava. O idioma não era um problema, pois estava tudo legendado. Ruby e Zelena eram as mais empolgadas e tagarelavam sobre as provas, participantes e principalmente sobre os jurados.
Até que o programa era bom, pensou Swan concentrada na competição que se desdobrava a sua frente, porém deu um pulo do sofá quando Zelena gritou ao ver a apresentadora abraçar a chef.
— Meu ship, gente! — a ruiva disse emocionada. A namorada sorriu também, divertida. — Essas duas gostam de mexer com meu psicológico, não é possível.
— Ficou louca, sis? — Regina olhava aquela cena sem entender. Swan também tinha um ponto de interrogação acima da cabeça, mas não se deu ao trabalho de perguntar.
— Nos shippamos Pana, que é a união da Ana Paula, a apresentadora e Paola, a chef. — Ruby respondeu com os olhos verdes cintilando — Torcemos muito para elas ficarem juntas.
— E elas não estão? Achei que fossem um casal. — Emma se pronunciou dessa vez.
— Eu também acreditei. — Regina franziu o cenho — Elas têm muita química! Observem as trocas de olhares.
— Infelizmente elas não estão juntas. — Zelena esclareceu — Pelo menos é o que dizem, mas vai saber se não se pegam pelos camarins.
Continuaram a assistir ao MasterChef, que havia ganho duas novas telespectadoras. A prova de eliminação trouxe uma nova enxurrada de comentários, pois um dos participantes tinha esquecido de adquirir no mercado, disponibilizado pelo programa, o principal ingrediente de sua receita.
— Não acredito que ele esqueceu a ricota! — Emma comentou ao ver o desespero do rapaz.
— O que você faria nessa situação, Rubs? — Regina perguntou a cunhada, que analisava a situação.
— Bom, eu faria minha própria ricota! — respondeu sem titubear. — Claro que seria mais trabalhoso, o nervosismo também poderia me desestabilizar, mas eu tentaria.
— E tenho certeza seria a melhor ricota que esses chefs comeriam na vida, amor. — Zelena afirmou convicta. Não tinha dúvidas do talento culinário da namorada, tanto que havia se tornado uma de suas maiores incentivadoras.
“O que você faria, Paola?” Ouviram a apresentadora Ana Paula perguntar à Chef e sorriram quando a bela argentina respondeu o mesmo que Ruby.
— Viram? Mentes brilhantes pensam igual. —Luccas disse toda convencida.
— Psiu! Fica quieta, Rubs. — implicou Emma, jogando uma pipoca na amiga. Claramente já havia passado a cólica.
— Rude! Depois vem me pedir donuts. — revirou os olhos verdes.
O programa estava finalizando quando Henry apareceu na sala, vestindo pijamas. Foi automático verificarem as horas, afinal nem era tarde da noite e o garoto já se preparava para dormir.
— Vai dormi cedo, filho? — Emma questionou, estranhando aquela história.
— É o jeito! Vocês não me deixam sair com os meus amigos.
— As coisas não são assim, Henry, e você sabe disso. — a loira se levantou, encarando seriamente o filho.
— Tanto faz. — murmurou.
— Sabe, ao invés de ir se deitar, deveria pensar nessas suas atitudes. Quem sabe ficar sem o vídeo game ajude.
— Não, mãe! Desculpa. Eu só queria dar uma volta com a galera. — olhou para Regina que assistia aquela cena — Mãe, me ajuda, por favor?
— Pode ir se me prometer voltar até as 22h. — Regina disse tranquilamente — São as regras, querido.
— Vocês me tratam como se eu fosse um bebê!
— Que tal começar a se comportar com mais maturidade então? — Swan contrapôs.
— Vocês não me entendem! — reclamou raivoso, enquanto subia as escadas — E eu vou provar que eu sei me cuidar.
— Ok, alguém chama a Supernanny para esse garoto. — Zelena falou. Havia assistido a discussão em silêncio e agora tinha certeza que o sobrinho iria aprontar.
Algumas horas depois, a discussão já tinha sido esquecida. Os casais organizavam a sala antes de subirem para seus respectivos quartos quando o telefone tocou. Intrigada pelo horário da ligação, Emma atendeu.
— Alô... Boa noite... Sim, sou eu. — fez uma expressão preocupada —Não, nós não a vimos. Henry já está dormindo... Certo, se souber de alguma coisa entro em contato com a senhora.
— Quem era, amor? — Regina perguntou assim que a namorada finalizou a ligação.
— A avó da Violet. Parece que a menina saiu e até agora ainda não voltou. — suspirou.
— Deixe-me adivinhar... Ela queria saber se Henry estava com ela. — Regina afirmou.
— Exatamente. Ainda bem que nosso menino é responsável e jamais nos daria essa preocupação. — Emma falou orgulhosa.
— A inocência dessas duas me comove. — Ruby sussurrou para a namorada que sorriu.
— Aposto que ele fugiu usando a boa e velha corda feita de lençóis. — Zelena respondeu no mesmo tom da namorada.
Do outro lado da sala, Emma e Regina decidiam se acordavam ou não o filho, imaginando que talvez ele pudesse ter alguma pista do paradeiro de Violet. Nesse momento o celular da loira notifica uma ligação da delegacia.
— Boa noite, xerife Swan. — cumprimentou o oficial do outro lado da linha —Desculpe incomoda-la, mas acabamos de deter o seu filho em uma festa não autorizada.
Fale com o autor