Luz da minha vida
33 Capítulo 33
Notas iniciais
Regina respirou fundo, sentindo-se em paz. Encontrar-se com Kathryn foi libertador, foi como se estivesse fechando um ciclo importante em sua vida. Claro que gostaria de ter conversado com Kathryn há muito tempo. Às vezes, se perguntava o que faria ou o que diria, porém nunca imaginou que voltaria a vê-la, ainda mais naquele momento. Bem, o universo conspirou e sabiamente colocou ambas frente a frente e Regina fez aquilo que seu coração ordenou, pois apesar de tudo, Kathryn havia sido uma pessoa muito importante em sua vida e, em nome de tantos anos de amizade, a morena desejou sinceramente que a mulher fosse feliz.
— Linda, aconteceu algo? — Swan perguntou, estranhando o silêncio de Regina.
— Não, meu bem. É apenas a sua filha agitada. — sorriu e tocou o ventre volumoso, sentindo sua menina oscilar.
— Essa molequinha está com fome, amor! — repetiu o gesto da namorada, adorava aquele contato embora ainda não pudesse sentir a movimentação do bebê. — Vamos, você escolhe o restaurante. Não quero ninguém aqui passando vontade.
Regina optou por um local onde a culinária agradaria a ambas. Assim, almoçaram tranquilamente no restaurante italiano, que além da comida deliciosa, tinha um agradável terraço gourmet que proporcionava aos clientes a vista panorâmica da cidade.
— Definitivamente não quero sequer sentir o cheiro de cannoli. — disse a morena afastando o prato em que haviam apenas farelos do doce.
Emma a olhou desconfiada, na verdade, surpresa, pois Regina havia devorado um prato generoso de tortellini, beliscado o risoto e depois se empanturrado de cannolis. Claro que a loira não faria algum comentário sobre, afinal tinha amor a sua vida.
— Tem certeza, linda? Podemos levar alguns doces para você comer mais tarde.
— Se continuar comendo desse jeito, vou sair rolando e culpa vai ser sua.
— Por que será minha culpa? — arregalou os olhos.
— Você sempre está pedindo comida para um batalhão, Emma.
— Mas, eu... — se interrompeu, era melhor não questionar — Hum... Quer ajuda para levantar, minha fofinha?
Regina estreitou os olhos e Emma engoliu em seco.
— Fofinha, Swan?!
— Apelido carinhoso, amor. Ficou chateada? — a morena a olhou seriamente.
— Não.
— Então me dá um beijo para provar. — moveu as sobrancelhas para cima e para baixo, conseguindo arrancar um meio sorriso da morena.
— Está brincando com o perigo, Emma Swan. — advertiu a loira, que sorriu marota. — Vamos, Emm. Vamos, pois hoje você está demais.
***
O chamativo letreiro colorido indicava uma grande loja de artigos infantis. Emma e Regina entraram no local de mãos dadas, entretidas com a infinidade de roupinhas, brinquedos, móveis e utilidades.
— Boa tarde, senhoritas. Posso ajudá-las?
Ambas encararam a solícita vendedora que parecia ter se materializado na frente delas.
— Sim, você pode. — Regina respondeu simpática. — Gostaríamos de ver algumas roupinhas, por favor.
— Já sabem o sexo da criança? — perguntou.
— É uma menina. — Emma esclareceu, observando alguns macacõezinhos organizados em uma prateleira.
— Ah, chegaram vestidinhos lindos. Por aqui, por favor. — a vendedora comentou, guiando Regina enquanto que a loira ficou distraída com as peças de roupas.
A morena encontrou várias roupinhas, todas em diversos tons de rosa e lilás, inclusive cheias de babados e laços. Regina gostou de algumas, mas torceu o nariz para aquela infinidade monocromática repleta de firulas. Procurava por peças coloridas e confortáveis para o seu bebê. Enquanto isso, a vendedora retornou para atender Emma que havia ficado encantada com uma coleção de roupinhas contendo estampas de super-heróis.
— Você teria um tamanho menor, mas na estampa do Batman? — perguntou Swan para a vendedora.
— Claro. — disse procurando a peça no cabide — Caso o macacãozinho não der, a senhorita pode trazer para trocar no prazo de quinze dias após a compra.
— Oh, o meu bebê ainda não nasceu. — sorriu.
— Entendo, a senhorita acabou de descobrir a gravidez então.
— Na verdade, minha mulher já está entrando no quinto mês. — indicou Regina, que caminhava em direção a elas, empurrando um carrinho de compras. A vendedora deu um sorrisinho forçado.
— Amor, separei esses conjuntinhos e alguns vestidos. — comentou Regina.
— Que tal esse macacão do Batman? — Emma mostrou para a namorada que acenou positivamente, havia adorado a roupinha. — Nossa garota vai ficar uma graça nele.
— Senhorita, devo lhe informar que essas peças não são de menina, são de menino. — falou a vendedora, taxativa.
— Sério?! Pensei que fossem de algodão. — Swan respondeu ironicamente, esperando que a mulher caísse em si, o que felizmente aconteceu.
Agora com uma postura mais profissional, a vendedora mostrou mais algumas peças de enxoval e também artigos de decoração.
Emma olhava tudo com brilho nos olhos, parecia uma criança em uma loja de brinquedos. Quando Henry nasceu, Swan era apenas uma adolescente que dependia financeiramente dos pais, portanto não teve condições de dar o enxoval dos seus sonhos para o pequeno, mas agora estava em uma situação diferente e poderia se dar ao luxo de oferecer o melhor para a sua princesinha.
— Meu anjo, você já encheu um carrinho inteiro com roupas. — comentou Regina ao ver a namorada mostrar um minúsculo vestidinho florido. Claro que a morena havia cooperado para lotar o carrinho, mas alguém tinha que tomar as rédeas da situação ou caso contrário levariam toda a loja.
— Mas, linda... olha o tamaninho, imagina nosso pinguinho de gente vestida nele. — disse toda dengosa.
— Tudo bem, mas só esse. — Cedeu, afinal era difícil resistir ao olhar pidão do seu amor — Ainda precisamos avaliar os móveis.
Regina, de forma alguma, abriu mão do bercinho de Henry restaurado por Emma, assim procuraram a mobília que fosse segura, funcional e que combinasse com o móvel. Embora não houvessem conversado sobre a temática do quarto, buscavam uma decoração suave, que trouxesse harmonia, aconchego e tranquilidade para o espaço.
— O que você acha dessa cômoda, Emm? — a morena indicou o móvel de madeira, tocando com a ponta dos dedos a superfície.
— Ela é no estilo que procuramos, amor. O problema que parece ser pouco funcional, não ficara na altura ideal para trocarmos o bebê. — respondeu a loira, analisando a mobília. — A outra cômoda é melhor, podemos apoiar o trocador, itens de higiene e ainda conseguiremos guardar roupas e sapatinhos.
Regina assentiu, concordando com namorada. A loira não era mãe de primeira viagem então tinha várias dicas e sugestões sobre o que precisariam comprar. Claro que, vez ou outra, Emma se empolgava quando via algo que era, segundo a xerife, a cara de sua pandinha.
Já era fim de tarde quando retornaram para casa. Curiosamente um sedan passou devagar em frente à casa, momentaneamente chamando a atenção de Regina, porém a morena se distraiu quando Henry apareceu para ajudar a descarregar as compras.
— Vocês vão abrir uma loja infantil? — Zelena foi logo comentando assim que viu a quantidade de sacolas que Emma e o sobrinho traziam.
— Quase isso, sis. Culpe a sua cunhada — Regina piscou para irmã, antes de se agachar para cumprimentar Lola que pulava em suas pernas.
— Como se eu não conhecesse seus exageros, Regina Elizabeth Mills. — disse a ruiva, descendo do balcão onde estava sentada.
— Deve ser de família... — Luccas comentou distraidamente, enquanto preparava guloseimas na cozinha.
— O que você disse, Ruby? — Zelena ergueu uma sobrancelha, encarando a namorada que arregalou os olhos verdes.
— Nada demais, amorzinho. Só perguntei se você queria ervilha. — sorriu amarelo.
— Ah, eu vivi para ver isso. — disse a loira, após uma risadinha debochada. — Já se percebe quem manda na relação, não é mesmo, Rubs!
— Claro que sou eu que... — se interrompeu ao sentir o olhar de Zelena perfurar sua nuca. — Ah... Hum... Alguém quer um petisco?
— Quem perdoa é Deus, eu anoto no meu caderninho da vingança. — Swan para provocar, ainda deu dois tapinhas no ombro da amiga.
— Também não vou te dar salgadinho, sua loira encardida. — ameaçou birrenta, Emma, a outra criança grande, respondeu com uma careta e saiu correndo da cozinha, desviando de um cubo de queijo arremessado por Ruby.
Quando a loira chegou na sala, Henry vinha descendo a escada animado.
— Mães, tenho uma nova proposta para vocês.
— Devo me preocupar? — Regina perguntou ao garoto que sorriu, negando com a cabeça.
— Espero que não seja mais uma daquelas “Mãe, posso usar a poupança da faculdade para comprar uma coleção de mangás?” — disse Emma, sentando-se no sofá ao lado da namorada.
— Vocês vão gostar dessa, ok?!
O garoto foi até a televisão e acoplou o celular ao aparelho, fazendo com que surgisse uma apresentação em power point. Regina sorriu. Estava acostumada com aquelas propostas de Henry, pois o garoto sempre a consultava mesmo antes de se mudar para Weston.
— Bem, o meu horário para chegar em casa durante os finais de semana é as 22h, certo? — o adolescente falava enquanto a animação de um relógio analógico passava na tela, ilustrando sua proposta. — Mas sabemos que a diversão só começa depois das 22h. Por exemplo, quanto mais tarde, mais legal fica a sessão de cinema ou as festinhas. Então proponho uma mudança de horário, no novo esquema eu passaria a chegar as 1h da madrugada na sexta feira e no sábado, já no domingo eu ficaria em casa, para uma noite em família. O que acham? — finalizou com um sorriso empolgado.
Emma e Regina se entreolharam, ambas segurando uma risada pela ideia estapafúrdia do garoto.
— Você fala ou eu falo? — Swan perguntou a namorada.
— Pode tomar a frente, amor. — gesticulou levemente para que prosseguisse.
— Bom, a resposta para essa ideia brilhante é... Obvio que não! Ficou maluco, garoto?! De jeito nenhum você vai ficar perambulando por aí altas horas da noite.
— Qual o problema, mãe? — disse aborrecido — Vocês não me deixam fazer nada! Todo mundo tem liberdade para sair, menos eu.
— Eu já disse que você não é todo mundo, garoto. — Emma se levantou, enfrentando-o — E cuidado com essa sua atitude, não vem crescer para cima de mim ou então vai ganhar logo um castigo de brinde.
O garoto bufou e saiu pisando forte, escada acima. Zelena e Ruby que haviam presenciado a conversa, vieram da cozinha trazendo os petiscos e as bebidas.
— Esse moleque vai aprontar, pode ter certeza. — Ruby afirmou, abrindo a garrafinha de cerveja e brindando com a namorada.
— Não acho que Henry seria capaz de nos desobedecer, Rubs. — Regina falou, preocupada.
— Pelo bem dele, eu espero que não. — a loira suspirou, sorvendo um gole da bebida.
Zelena sorriu zombeteira pela ingenuidade de Emma e Regina. Ela trocaria de nome se até sábado o garoto não arranjasse encrenca!
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