Luz da minha vida
24 Capítulo 24
Notas iniciais
O casal entrou em casa tarde da noite, em meio ao maior amasso. As luzes completamente apagadas davam a elas a privacidade desejada para beijar, tocar e extravasar aquela paixão. Quando aos tropeços se aproximaram da escada, a luz de um abajur de repente se acendeu, revelando um Henry sentado na poltrona, de braços cruzados e uma expressão indecifrável no rosto. Era a figura de um pai aguardando a filha adolescente chegar em casa de madrugada.
— Muito bonito, moças. Será que podem me explicar o que está acontecendo aqui?
— Henry, filho... Eu... — Emma não dizia nada coerente, ainda estava surpresa pelo flagra.
— Acredito que precisamos conversar, querido. — Regina disse suavemente.
— Concordo. Sentem-se, por favor. — indicou o sofá a frente dele. Emma ergueu uma sobrancelha admirada pela audácia do garoto. Só para ver onde aquela história resultaria fez o que o filho pediu.
— Muito bem, garoto. — se acomodou ao lado da morena, querendo rir da carinha séria do seu bebê — Diga o que quer saber.
— Primeiro, gostaria de saber quais são suas intenções com a Regina.
— Acho que você deveria perguntar para ela, filho. De acordo com sua tia Ruby, eu sou a trouxa da relação. — deu de ombros. O rapazinho então encontrou o olhar risonho de Regina.
— Minhas intenções com sua mãe são as melhores, meu anjinho. Até mesmo a pedi em namoro. — entrelaçou seus dedos aos da namorada, mostrando para o garoto as alianças reluzentes.
— Que maneiro! Minhas mães estão realmente juntas.
O menino deu um salto na poltrona e correu para abraça-las. A pequena família era só sorrisos. Nesse interim Ruby desceu com um semblante preocupado, porém não houve tempo para questionamentos, pois a morena de olhos verdes se despediu rapidamente das amigas e foi para casa.
— Eu não sei, mãe. Desde cedo ela estava em uma discussão com a namorada. — respondeu o garoto ao ser questionado por Swan.
A loira mandou uma mensagem para a amiga e logo Regina subiu para o quarto. Emma permaneceu ainda na sala conversando com o filho e contendo Lola que havia acordado devido ao movimento na casa. Cheia de energia a pequena corria pela casa inteira, brincando com Henry que jogava uma bolinha de borracha para ela.
— Bom, eu já vou dormir.
Henry a olhou com uma expressão engraçada, como se estivesse duvidando das palavras da mãe. Emma fingiu não perceber, mas resmungou algo sobre o garoto estar andando muito com a Ruby.
— Boa noite, mãe.
— Boa noite, filhote. Vê se não dorme muito tarde, hein.
Ela deu um beijo na testa do rapazinho e rumou para o seu quarto. Ao chegar notou a ausência de Regina e imaginou que a namorada estava no banheiro da suíte. Sentou na cama, ocupando-se da tarefa de retirar os saltos. Não tinha ideia como algumas mulheres conseguiam passar o dia inteiro com aquele tipo de sapato, pois usou durante algumas horinhas e já estavam lhe matando. Distraiu-se olhando a movimentação dos dedinhos do pé, agora libertos, então apenas ouviu a porta do banheiro ser aberta.
— Amor, eu não sei... — as palavras foram se perdendo à medida que seu olhar subia pelo tentador corpo moreno.
Regina surgiu coberta apenas por uma diáfana camisola vermelha, luxuosamente rendada. Emma ficou muda diante de tanta beleza e sensualidade.
Pobre Afrodite, não teria chance ao concorrer com a morena.
— Você não acreditou que a nossa noite havia acabado, não é?! — Com o controle em mãos, a morena ligou o aparelho de som. — Afinal, eu tenho uma aposta para cumprir.
Sob o olhar embasbacado da loira, Regina caminhou lentamente até o meio do quarto, ficando de frente para a cama enquanto se deixava ser envolvida pelas batidas sensuais da música. Ela estava tão...
— Gostosa! — Emma deixou escapar, para o deleite de Regina.
— Que tal se eu acrescentar algo mais nessa aposta? — disse a morena com um sorrisinho lascivo. Enviou uma piscadinha para Swan e suavemente baixou a alça esquerda da camisola, deslizando-a pelo ombro. Em seguida, Regina deu atenção a outra alça, que escorregou, fazendo a camisola fluir até o chão, revelando sob as luzes dos abajures, o belo corpo que a cada dia ganhava mais contornos.
— Morena, não me provoca desse jeito.
— Provocar? Oh, amor... eu só estou começando.
Emma engoliu em seco. Estava literalmente de boca aberta com tamanha sensualidade que sua namorada exalava. Fascinada, livrou-se do vestido e se aproximou da morena, iniciando um beijo intenso que as deixou sem fôlego. Tinha ânsia de explorar cada pedacinho daquele corpo, porém Regina tinha outros planos.
Com um leve empurrão, a morena a sentou na cama, subindo em seu colo logo em seguida. Suas bocas se encontraram de novo, e colaram seus corpos suados e extremamente excitados com a provocação. Emma soltou um gemido abafado ao sentir os lábios da namorada em seus seios e uma das mãos deslizando para o seu sexo molhado.
De repente o celular da morena começou a tocar initerruptamente. Tentaram ignorar, mas aquela insistência estava minando com o clima entre elas.
— Vida, acho melhor você atender. — disse em abandono, observando a namorada sair de seu colo e cobrir-se com um penhoar, antes de alcançar o telefone.
Ao verificar o celular, Regina notou assustada a quantidade de notificações e chamadas perdidas da irmã, já que havia deixado o aparelho em casa para que nada atrapalhasse o encontro delas. Deu um pulo quando mais uma vez o celular tocou.
— Zel? O que houve...?
— Eu quero saber por que caralhos você não atende essa droga de telefone, Regina! — a morena fechou os olhos pelos gritos do outro lado da linha. — Na verdade, eu quero mesmo saber onde você está, já que fiquei plantada na porra da porta do seu apartamento! — berrou a última frase — E o porteiro relatou que faz meses que você saiu com algumas malas e nunca mais foi vista.
— Sis, eu posso explicar... Por favor, fica calma, ok?
— Não me pede para eu ficar calma, porra! — Regina revirou os olhos.
A morena ouviu uma conversa ao fundo da ligação. Franziu o cenho.
— Senhorita Mills, mantenha a calma, por favor. — dizia a voz de um homem, praticamente implorando. — Se continuar exaltada terei que chamar a segurança.
— Cacete! Chame até a SWAT se o senhor quiser, mas deixo claro que se alguém se atrever a me tirar daqui eu ponho esse edifício inteiro abaixo!
— Zelena, não faça escândalo no meu prédio, idiota! — ralhou com a irmã, preocupada com a confusão que a ruiva estaria fazendo na portaria.
— Me diz onde você está, Regina! Eu juro que pego o primeiro carro e vou aí dar na sua cara estupida.
— Bem, acho que você vai precisar pegar um voo para isso.
Regina passou os próximos minutos tentando explicar para uma Zelena extremamente alterada o que aconteceu. Claro, que ela omitiu algumas coisas, que preferia falar pessoalmente e quando a irmã estivesse mais calma, pois a ruiva surtaria quando ficasse sabendo da gravidez.
Emma, sem a esperança de dar continuidade à noite delas, resolveu oferecer privacidade a namorada e desceu para a cozinha. Lá ocupou-se organizando a bagunça que Ruby e Henry tinham deixado no cômodo.
— Eu vou te contar, viu! — resmungou enquanto raspava os restos de comida dos pratos e os colocava no lava louças. — Zelena e Ruby deveriam dar as mãos e se casarem porque eu nunca vi gente para empatar tanto feito aquelas duas.
— Mãe! — Henry a chamou de repente, fazendo a loira dar um pulo de susto.
— O que foi, garoto? Já era para você estar dormindo!
— Você também. — deu de ombros — Enfim, aproveitando que você está aqui, quero fazer uma reclamação: Lola estragou meu tênis! — disse apontando para a cadelinha que correu em sua direção e pediu colo.
— Sério?! — o garoto assentiu e enviou um olhar acusatório para a mascote — E como foi que ela fez isso, já que o seu calçado deveria estar guardado longe das vistas dela?
— Ah, então... Talvez eu tenha esquecido de guardar. — coçou a nuca.
— Estava jogado no meio do corredor. — cruzou os braços — Se dê por satisfeito por não ficar de castigo, garoto. Você já pensou na gravidade da situação se a Regina tropeçasse neles?
— Foi sem querer, mãe. — fez uma carinha de arrependimento.
— Aposto que a Lola também adotou essa mesma desculpa. — apontou para a cadelinha que os encava com os olhinhos brilhantes. Henry seguiu o olhar da mãe e acabou levando um lambeijo.
— Ei, não adianta me agradar, ainda estou chateado com você, monstrenga.
— E eu com você, garoto. Agora, fora daqui os dois!
— Mas e o meu sapato? Era o meu tênis preferido, mãe.
— Você pode usar os outros, Henry. Não é como se você fosse uma centopeia. — falou passando o pano no balcão para limpar os restos de comida — E, não. Não vou comprar tênis novos porque você não teve a responsabilidade de zelar pelas suas coisas.
O adolescente sabia que a mãe estava certa, mas isso não o impediu de subir as escadas resmungando, tendo uma Lola em seu encalço. Emma guardou as embalagens de comida chinesa no refrigerador, junto com o suco e pegou o mesmo caminho do filho. Porém se houvesse olhado para o chão não teria tropeçado em certo tênis e provavelmente evitaria o baita tombo.
— Henry!!!
No quarto, o menino sentiu um frio subir-lhe a espinha e a certeza de que ele estava encrencado, muito encrencado.
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