Notas iniciais
Olá gente linda! Resolvi publicar minha história aqui também. Quem ainda não leu, espero que goste e que acompanhe! Quem já leu, também é muito bem vindo ;)

Boa leitura!

A bela morena caminhava apressada pelos corredores da empresa onde trabalhava. O som dos saltos altos contra o piso anunciava sua passagem, fazendo com que todos ali apreciassem a figura trajando um vestido justo que lhe moldava as curvas sob o blazer de corte igualmente elegante. No entanto, Regina Mills era indiferente aqueles olhares, já que seu pensamento estava em tentar entender como o escritório havia se convertido naquela bagunça. Primeiro, sua secretária tinha esquecido de lhe informar sobre a reunião importantíssima com a diretoria, fazendo-a se dividir em três para resolver os problemas, depois seu computador havia resolvido quebrar e para completar todo o prédio tinha ficado sem energia por mais de uma hora. Que dia! O pior era o enjoo que não a deixava em paz.

Suspirou abandonando os papéis sobre a mesa ao chegar a sua sala, correndo para alcançar seu celular que tocava insistentemente.

― Regina Mills. — atendeu depressa, sem olhar o identificador.

— Oi, Regi.

Ouviu a voz grave do outro lado da linha e estremeceu de alegria. Apertou mais o aparelho relaxando na cadeira, sentindo um tolo sorriso brotar em seus lábios enquanto seu coração acelerava de uma maneira incrível.

— Emma!

— Como vai, minha rainha?

— Estou bem e feliz por você ter ligado. — retirou os óculos de grau, deixando-os sobre a escrivaninha — E você como vai, querida?

A loira no outro lado da linha não pôde deixar de notar a entonação preocupada na voz da amiga e sorriu.

— Entediada. Nenhuma chamada para resgatar gatinhos presos em árvores ou para apartar alguma briga de Leroy, parece que ele resolveu dar uma trégua ao fígado.

Regina sorriu. Emma Swan era xerife em uma pacata cidade com baixo índice de criminalidade, as chamadas se resumiam a lidar com pequenos furtos, discussão entre vizinhos e apartar as brigas do bêbado local.

— Então, quer dizer que eu sou seu passatempo? Bom saber, Swan. —disse irônica.

— Acredite em mim, linda, você nunca seria meu passatempo. — respondeu em um tom galante.

A entonação grave na voz da amiga fez com que Regina perdesse a fala por um instante, às vezes, Emma brincava de uma forma que a desconcertava.

— Escuta, Henry me falou algo sobre uma excursão. — a morena comentou se lembrar da mensagem que recebera na noite anterior.

— Ele está empolgado, só fala desse bendito acampamento que a escola resolveu programar.

Henry é o filho pré-adolescente de Emma. Um garoto adorável, além de maduro e esperto demais para sua idade.

— Poderia aproveitar e sair um pouco enquanto Henry estiver fora.

— Ah, qual é, Regina? Lá vem você de novo com essa história. — rolou os olhos — Eu não vivo apenas para Henry e meu trabalho. Só para constar, até mesmo fui àquela festa idiota que você passou a semana me enchendo para que eu fosse.

— Acho bom, Swan! Tem que tirar um pouco as teias de aranha.

A morena sorriu de lado ao ouvir a risada do outro lado da linha. Regina sempre insistia para que a amiga saísse, conhecesse novas pessoas ou apenas espairecesse, apesar da pontada de ciúmes que sentia quando Emma comentava que havia conhecido alguma mulher.

— Mas, e você? Como foi seu fim de semana?

— Trabalhando como sempre... Graham ainda está viajando então não tinha muito que fazer.

Emma fez uma careta ao ouvir aquele nome.

— Hum... — resmungou.

— O que?

— Nada. — disfarçou o desgosto — Apenas queria saber se teve tempo entre um e-mail e outro para ir ao médico. Estou preocupada com você.

— Não seja boba, deve ser apenas uma besteira.

— Regi...

— Fique tranquila, meu anjo. Já fui ao médico e também fiz exames. — olhou o relógio de pulso — Alias tenho que pegá-los no horário do almoço.

— Já está na hora. Vá buscá-los e me ligue, Mills.

— Sim, senhora! — ela sorriu — Até mais, Emm.

— Estou à espera, heim. Até, Regi.

A morena desligou o telefone sorrindo. Emma e ela sempre se comunicavam deste modo ou pela internet, uma vez que moravam distante e por incrível que parecesse não se conheciam pessoalmente. Tinham se encontrado há alguns anos em um chat, e no decorrer da conversa banal descobriram ter gostos e opiniões em comum, mesmo que morassem em lugares tão distintos. Desde esse dia a amizade apenas se desenvolveu, atravessando medos e preconceitos de se comunicar virtualmente. Eram as melhores amigas e confidentes, o mesmo sentimento de amizade se estendeu a Henry, já que Regina praticamente o viu crescer do outro lado da tela do computador.

Havia alguns dias que não falava com eles, e isso para ela parecia como semanas. Quando passavam pouco tempo sem se falar, ela já sentia falta das conversas engraçadas, dos conselhos e até mesmo das gargalhadas que soltavam juntas. Emma sempre fazia seu dia melhor.

Emma se escorou na viatura, após guardar o celular no bolso interno de sua jaqueta. Passou as mãos pelos cabelos loiros, afastando-os do rosto enquanto os olhos verdes observavam o belo dia ensolarado e a animação das pessoas na rua ao organizar um festival qualquer. Era incrível não ter percebido nada daquilo ao fazer a ronda, mas bastava falar com Regina para que tudo se transformasse a sua volta, pensou com um sorriso ao adentrar a delegacia. Cumprimentou os oficiais, que estavam conversando e tomando cafezinho próximos a máquina de café automática, e entrou em sua sala.

— Hey, Swan!

Ergueu o rosto para ver uma morena sentada em sua cadeira, colocando confortavelmente seus pés sobre a mesa. Ruby Lucas era sua amiga desde que a morena se mudara para Weston para morar com a avó, haviam estudado juntas o colegial e nunca mais desgrudaram.

— Mas é folgada mesmo! Tira essas patas de cima da minha mesa antes que eu as arranque daí. — ameaçou.

— Ui está nervosinha, xerife. — debochou.

— Não enche, Ruby.

— É assim que trata sua melhor amiga? — dramatizou pondo a mão sobre o peito esquerdo — E eu que trouxe com tanto carinho o seu lanche.

— Não seja mentirosa — riu do semblante de ofendido da amiga — Sei que só trouxe meu lanche para fugir das vistas da vovó.

— Droga, a mão na direção do coração me entregou, não foi?

— Nah, foi sua cara de pau mesmo. — sentou no sofá que havia ali e encarou o celular, verificando se havia alguma mensagem de Regina.

— Não aguentava mais ficar trancada naquele escritório, submersa em tanta papelada. — abriu a sacola de papel, retirando o lanche da amiga e colocando-o sobre a mesa.

— Foi para isso que você estudou administração, não foi? — perguntou antes de morder o saboroso sanduíche.

— Você sabe muito bem que eu me formei em administração por livre e espontânea pressão da minha avó. — suspirou, brincando com um lápis que havia por ali — Dona Eugenia não suporta a ideia que sua neta seja uma cozinheira, sequer me deixa entrar na cozinha do restaurante.

A avó de Ruby é a dona do restaurante mais movimentado da cidadezinha. Apesar de ter praticamente criado e educado a neta com o sustendo advindo do restaurante, dona Eugenia não admite que Ruby siga seus passos como cozinheira, então encarregou a neta de administrar o restaurante, deixando-a bem longe da cozinha.

— Ruby, vocês precisam conversar. — sorveu um gole de suco de laranja — Você é apaixonada por gastronomia! Dói a alma te imaginar longe da cozinha.

— Eu sei, eu sei...— passou as mãos pelos cabelos — Mas vamos mudar de assunto, por favor.

— Humm… só um segundo. — largou o lanche e pegou rapidamente o celular, verificando se a mensagem que havia chegado era de Regina. — Porcaria de operadora.

— Estava falando com a sua morena mais cedo e me arrisco a dizer que está esperando alguma mensagem dela. — Ruby afirmou com uma expressão conhecedora.

— Está tão na cara assim?

— O que você acha? Entrou aqui com aquela cara de pateta que só faz quando fala com ela, sem contar que não para de encarar esse celular. — negou com a cabeça — Já disse para resolver de uma vez.

— Ela é hetero, Ruby!

— Você não pode afirmar.

— Como não? — gesticulou, nervosa — Ela só saía com caras, além disso, está com aquele embuste.

— Deveria tomar uma atitude e assumir logo o que sente ou então esteja preparada para perdê-la para aquele babaca.

— Não é tão simples assim.

Nada lhe apavorava mais do que a ideia de confessar seu amor à amiga querida. Amava Regina mesmo nunca a tendo visto além das lentes de uma webcam. Se não fosse a maldita insegurança iria atrás dela e a conquistaria, nem o idiota que ela namorava iria impedi-la. Sentiu sua mandíbula apertar-se. O imbecil não a merecia. Por várias vezes Regina havia dado a entender que o namoradinho era ausente e não a apoiava em nada.

Ah, maldita insegurança! Tudo o que queria era ir atrás de Regina, mas então... a lembrança do que sofreu na adolescência vinha com força total a advertindo de quem era.

Como se lesse seus pensamentos, Ruby a encarou.

— Ela não é Ariel, Swan.

Ariel Fisher. Emma se apaixonara pela garota no colegial, passou quase um ano guardando esse sentimento para si. Estava confusa pela descoberta de sua sexualidade e ao mesmo tempo por gostar da colega. Até que em uma das festinhas que costumavam ir, embalada pelo álcool e pela adrenalina, ela resolveu confessar para Ariel o que estava sentindo. A reação da garota foi a pior possível, Emma não esperava que a menina fosse declarar amor eterno, mas a cara de nojo e o repudio por parte da outra partiu seu coração em pedaços.

Ariel nunca mais falou com ela. Mesmo que frequentassem o mesmo grupo de amigos, a garota cumprimentava a todos, exceto Emma. Entretanto o pior de tudo foram as mentiras preconceituosas que Ariel espalhara pela escola.

Perturbada pela recém-descoberta de sua orientação sexual e também por ser vítima das fofocas cruéis, Emma engatou um relacionamento com seu amigo Neal. Queria apenas se ver livre dos comentários maldosos e dos questionamentos de seus pais. Só não contava que fosse engravidar...

As coisas realmente se tornaram mais difíceis, porém seu filho Henry lhe deu a força necessária para seguir e finalmente assumir quem era. E a partir daí, vestiu uma armadura de segurança em que nada e ninguém poderiam atravessar, pelo menos foi assim até conhecer Regina.

Puxando o ar com força, observando um dos porta-retratos sobre sua escrivaninha onde aquela mulher linda e sexy segurava um elefantinho de pelúcia que Emma havia lhe mandado no natal do primeiro ano de amizade.

Sim, Regina não era Ariel. Ruby estava certa, ela precisava tomar coragem e assumir aquele amor de uma vez por todas.

Notas finais
O que acharam? Continuarei a publicar aqui dependendo da aceitação, ok?
Beijos!!