Luz da minha vida
2 Capítulo 2
Notas iniciais
A morena permanecia parada em frente ao médico há mais de um minuto. Atônita, não tinha palavras para articular nada desde que o homem havia pronunciado a palavra “grávida”. Grávida! Deus do céu. Fechou os olhos puxando o ar para seus pulmões, ouvindo o arrastar de uma cadeira.
— Está bem, senhorita? — perguntou o médico, aferindo a pressão dela.
— E-eu...estou. — abriu os olhos segundos depois, vendo o olhar preocupado do médico — Apenas fiquei surpresa com a notícia.
— É compreensível — sorriu removendo o aparelho — Já presenciei pessoas desmaiarem quando anuncio a boa nova.
Regina sorriu fracamente pensando que não estava longe de desmaiar naquele momento. Saiu durante o horário do almoço no trabalho para pegar seus exames, esperando no máximo que o doutor dissesse a ela que estava com uma leve anemia ou algo do tipo, mas nunca que estivesse esperando um bebê!
— Tenho certeza que o pai vai ficar muito feliz.
Ao sair do consultório, Regina pensou sobre a menção do doutor a respeito do pai de seu bebê. Conhecia Graham há alguns anos, haviam se conhecido no aniversário de sua amiga Kathryn, ficaram amigos e alguns meses depois começaram a sair juntos. Regina não queria compromisso, porém, por insistência de Graham, assumiram um relacionamento recentemente. Apesar de gostar do namorado, Regina tinha consciência de que não o amava. A verdade é que estavam juntos apenas por comodismo, já que o sexo era satisfatório, mas não havia paixão, tanto que aquele bebê deveria ser o resultado de uma noite de bebedeira há dois meses, precisamente na véspera da viagem de Graham à Itália.
Foi desperta de seus pensamentos ao ouvir o toque insistente de seu celular. O visor indicava mais uma ligação de sua mãe, que foi, novamente, rejeitada, a última coisa que precisaria naquele momento eram as cobranças e as ironias de dona Cora.
Caminhou sem rumo pelos arredores do hospital e, quando se deu conta, estava próxima a um parque. Sentindo como se tivesse todo o peso do mundo em suas costas, sentou-se em um banco qualquer, sob a sombra de uma grande árvore.
Ainda se sentia em estado de choque, estava gelada, mal conseguia respirar e talvez estivesse prestes a surtar. A necessidade de desabafar, dizer a alguém sobre seu bebê aumentava a cada minuto. Porém, ela se sentia sozinha, não tinha mais o pai, o havia perdido há quatro anos, sua irmã estava há milhas de distância e a última coisa que queria era preocupar Zelena. Quanto a sua mãe… bem, não possuía nenhum apoio de sua controladora mãe desde que tinha se recusado a seguir os planos que Cora traçara para ela.
A morena passou as mãos pelo cabelo ao se lembrar da mulher. Crescera na alta sociedade e fora moldada por Cora desde cedo a ser uma dama e consequentemente se casar com um homem rico, de sobrenome influente. E, para total desgosto de sua mãe, Regina não queria nada daquilo que Cora tinha planejado! Apenas queria formar uma família e viver uma vida comum. Então lutou para receber uma parte da herança do pai, saiu de casa, cursou uma faculdade e posteriormente, por mérito próprio e contra a vontade de sua mãe, conseguiu o atual cargo na empresa da família.
Desse modo, não contava com mais ninguém além do namorado e poucos amigos. Sem perceber um nome querido adentrou sua mente... Emma. Pensar nela fez surgir uma breve sensação de segurança na mulher. A loira deveria estar preocupada com o teor de sua consulta ao médico, já que ainda não tinha ligado para ela como combinara. Sem mais, pegou o telefone discando o número que já lhe era tão familiar e mordeu o lábio ouvindo a voz da amiga.
— Então o que o médico disse, Regina?
— Bem… — suspirou, sentindo um bolo se formar em sua garganta — E-eu...
— Regi qual o problema? — a interrompeu, preocupada.
— Eu estou grávida. — mordeu o lábio, imaginando a reação da amiga.
— Grávida? Você está grávida?— Emma se apoiou na parede, incrédula, sem saber o que falar — Está tudo bem? Digo, você e a criança.
— O doutor disse que estamos ótimos, me receitou apenas alguns exames e vitaminas de praxe. Mas...
— Ainda está em choque, não é?
— Estou me sentindo perdida, Emm. — sua voz embargou.
— Calma, meu bem — a loira disse em um tom suave, como se falasse com uma criança assustada. — Essa sensação de estar perdida é absolutamente normal, acredite. Você acabou de descobrir então ainda precisa digerir a notícia.
— É errado se sentir assim? Estou me sentindo mal ao desejar que não fosse verdade. — Sua respiração ofegante e o rosto vermelho lhe denunciavam o choro contido.
— Querida, não vou te julgar. Não se sinta culpada por isso. Você só precisa de tempo para refletir. Chora, se quiser. Eu sei que é difícil acreditar, mas esse início é complicado mesmo. Daqui a pouco você estará melhor. — Emma fechou os olhos quando ouviu um soluço seguido do choro que veio livremente. A loira apenas confortava a amiga enquanto a ouvia desabafar.
— Não sei o que fazer, Emm. — disse um pouco mais calma.
— Só respira fundo e faz o que seu coração mandar. — suspirou. Queria tanto estar ao lado de Regina, a confortando, lhe garantindo que tudo ficaria bem. Infelizmente estava há quilômetros de distância e a morena tinha um namorado, o qual era o pai daquela criança.
— Regi, você já falou com Graham?
— Não, você é a primeira pessoa a quem eu conto. Mesmo porque Graham chega aqui aos Estados Unidos apenas na próxima semana.
— As coisas entre vocês vão bem, não é mesmo?
— Sim, claro! — a morena olhou para o chão.
— Regi? — ela se calou por um instante e a morena cerrou os lábios esperando ouvir mais.
— Está normal, Emma. É só que...
As palavras da amiga a fez pensar. Será que estava mesmo tudo bem? Tal questionamento fez arder uma pontada de angustia. Tirando o fato de que não amava o namorado, que o relacionamento entre eles estava morno e que Graham andava um tanto nervoso nos últimos tempos, embora ela acreditasse que deveria ser pelo excesso de trabalho e a proximidade da viagem para o exterior.
Lembrou-se que no dia anterior, Graham tinha ligado e dito que precisava falar algo muito importante, mas esperaria chegar aos Estados Unidos para conversarem. Agora pensando, veio a ideia de que ele poderia pedi-la em casamento, uma vez que havia dado tudo certo na Itália. Uma nova onda de pânico a invadiu.
— Minha rainha, sabe que pode falar tudo comigo. — encorajando-a.
— Eu acho que Graham vai me pedir em casamento.
Emma apertou o telefone com tanta força que por um momento achou que fosse quebrar o aparelho. Quando a ouvir dizer que tinha aceitado o pedido de namoro do embuste, Emma havia passado parte da noite acordada, sentada na cama olhando um ponto perdido na parede, enquanto em sua cabeça passava mil e uma imagens de Regina na cama com aquele canalha. E agora, ela estava grávida dele e em breve se casariam.
Fechou os olhos, sentindo algumas lágrimas rolarem pelo rosto. Regina teria um filho dele, se casaria com ele, seria feliz ao lado dele.
— Emm? Emma?
Oh droga, era necessário doer tanto assim? A loira pensou enquanto secava algumas lágrimas teimosas.
— Emma? Ainda está ai, querida?
— Oi, estou. — pigarreou esperando que a voz estivesse normal para falar.
— O que houve? — Regina franziu o cenho. — Você está bem, meu anjo?
— Sim, deve ter falhado a ligação. — disse de forma convincente — Então acha que ele vai pedi-la em casamento?
— Tenho quase certeza... — murmurou.
— Parabéns, linda. — tentou implicar alegria na voz, porém em vão quando queria deixar escapar de seus lábios um grito estrangulado e carregado de dor. — Sua felicidade me fará feliz também, e se, para encontrá-la, seja preciso que se case com ele, eu a apoio.
— Não, Emm. Você entendeu errado. Não irei me casar com Graham.
— Desculpe, mas achei que vocês… — Emma suspirou. Foi como se a vida fizesse sentido novamente.
— Eu ainda não sei o que fazer em relação ao bebê, mas de uma coisa tenho certeza, não quero um compromisso mais sério com Graham, afinal não precisa ser um casal para ser pai ou mãe.
— Você tem razão. Se não estiver segura para firmar um relacionamento, saiba que vocês podem criar o bebê de forma justa sem que exista a obrigação de morar juntos. Conversem, sejam sinceros um com o outro.
Regina assentiu mesmo sabendo que Emma não poderia ver. Respirou fundo, sentindo a angustia voltar. Aquele mau presságio vinha cada vez mais forte e nem a voz da amiga era capaz de afastá-lo.
— Obrigada. — achou que a voz saiu um pouco trêmula — Obrigada por tudo, meu anjo. Eu não sei o que seria de mim se não fosse você.
— Regi, não precisa agradecer. Sabe que sempre pode contar comigo.
— Sim, eu sei disso. Assim como espero o mesmo de você.
— Tudo bem, querida. — mudou de assunto — Escuta, já almoçou?
A morena abriu a boca para inventar alguma mentira, porém desistiu. Emma a conhecia, tão bem que conseguia saber quando estava mentindo.
— Dessa vez você vai escapar da bronca, morena. Agora, vá para casa, coma alguma coisa e descanse. — Regina sorriu.
— Obrigada mais uma vez, Emm. Amo você.
— Eu também te amo. Qualquer coisa me ligue, ok?
— Pode deixar!
Logo Regina se encontrou admirando as criancinhas inocentes brincando no parquinho. Em um gesto instintivo levou as mãos a barriga. Suspirou longamente e se limitou a ligar para a secretária, informando que não voltaria para o trabalho aquela tarde, tiraria um tempo para si, necessitava ponderar sobre sua gravidez.
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