Luz da minha vida
32 Capítulo 32
Notas iniciais
A hesitação de Ruby fez soar um alarme na cabeça loira. Swan respirou fundo, se preparando para uma possível situação de estresse.
— Olha, Rubs se foi o idiota do Neal que apareceu por aqui para... — se interrompeu ao ver que a amiga negava freneticamente.
— Antes fosse aquele embuste. — inclinou o corpo, se apoiando no balcão de modo que poderia ver uma vista da sala de estar, onde estavam a namorada, a cunhada e o sobrinho. Certa de que não estavam ouvindo-as, encarou a amiga que a olhava curiosa — Bem, quando disseram que fariam uma reunião de ex-alunos, eles não estavam brincando. Fizeram o favor de chamar toda a turma, incluindo o pessoal que saiu há muitos anos de Weston.
— Nada mais justo, ué. — franziu o cenho sem entender onde Ruby queria chegar com aquele rodeio todo — O que tem de mais?
— Emma, você é burra ou o quê? — disse impaciente — Estou tentando te dizer que a Ariel está na cidade.
Ruby, esperava que a loira se afetasse com aquela noticia, porém ficou surpresa ao perceber que Swan continuava encarando-a com um semblante tranquilo.
— Não vai dizer algo? — Luccas questionou.
— O que eu deveria dizer, Rubs?
— Ah, sei lá. — brincou com o copo que tinha em mãos — Não tem receio que a presença dela mexa com você?
— Vamos deixar uma coisa bem clara aqui. Ela foi apenas uma paixonite juvenil, você sabe muito bem disso. — encarou seriamente a amiga — O encanto passou e ficaram as consequências do que ela fez. Durante anos carreguei magoas e inseguranças, não vou mentir, mas hoje sou indiferente a ela e a tudo de ruim que aconteceu. — falou com toda a sinceridade, sanando qualquer dúvida que Ruby poderia ter em relação ao assunto.
— Posso saber como se operou esse milagre? — perguntou com um sorriso satisfeito. — Ah, não, espera! Pela sua cara de trouxa ao olhar para a bunduda eu já imagino.
— Melhor ficar quieta porque todo mundo sabe que você come nas mãos da ruiva pirada.
— Que merda, loirão. — choramingou — Estamos ferradas.
Ao ouvir a risada rouca e gostosa de sua mulher reverberar pela casa, Emma suspirou. Sim, elas estavam muito encrencadas nas mãos das irmãs Mills.
E por falar em encrencada...
— Ruby, aconteceu um fato curioso. — levou o indicador ao queixo — Essa manhã encontrei a treliça quebrada e o canteiro de flores pisoteado, sabe algo a respeito?
— Eu? Imagina! Que absurdo esses vândalos causarem tamanho prejuízo.
— Concordo. O mais interessante é que as testemunhas disseram ter visto uma mulher morena despencar feito uma jamanta da janela de Zelena.
— Isso é uma calunia! — disse em falsa indignação. Marchou até a sala e pôs as mãos na cintura — Mulher, você está me traindo?
— Amor, eu já te falei que com o vibrador não é traição. — Zelena respondeu calmamente.
Emma e Regina fizeram uma expressão de desgosto e Henry suspirou, murmurando que precisaria de terapia futuramente.
— Ok, informação desnecessária. — Swan comentou — Ruby, porque você não assume logo a culpa e paga o conserto da treliça?
— Porque estou sendo vítima de mentiras. — Luccas dramatizou — Onde estão as provas?
— Linda, pode me passar o celular? — Regina sorriu e entregou o aparelho, sob olhares curiosos. — Bem, Rubs, serve essa prova?
A loira ligou a televisão da sala e conectou ao aparelho celular, de modo que a tela reproduzia todo o vídeo gravado naquela manhã. A medida que a gravação avançava, mais gargalhadas eram ouvidas. No entanto, quando Emma ameaçou compartilhar no grupo da família, Ruby pulou nas mãos da loira para tomar o celular e apagar o vídeo, porém Swan não cederia fácil e a partir desse momento começou a confusão.
— Crianças... — Henry negou com a cabeça, assistindo a tia e a mãe rolarem pelo chão, lutando pelo aparelho enquanto que Zelena instigava, Regina tentava interromper e Lola pulava em cima das mulheres — Se precisarem de mim, estarei na casa da Vi.
Do lado de fora, o garoto ainda ouviu o grito vitorioso da tia Ruby. Sorriu. Ele amava demais a sua família.
***
O shopping Center da capital era o melhor lugar para se encontrar tudo o que os moradores da pequena Weston precisavam. Portanto, Emma e Regina não hesitaram em fazer uma curta viagem de carro até Hartford.
O local já estava decorado para as festividades do Dia de Ação de Graças e trazia boas promoções, principalmente nas lojas e departamentos de artigos para o lar. E foi em uma dessas lojas que o casal iniciou suas compras, tratando logo de substituir a torradeira, é claro.
Poucas horas e muitas sacolas depois, as duas saíram de uma loja especializada em roupas de gestantes. Passaram próximas a praça de alimentação e Regina sentiu a boca salivar, imediatamente observou o relógio de pulso, percebendo que fazia algum tempo que tinham se alimentado.
— Amor, podemos parar um pouco? — acariciou o ventre distraidamente, lendo o letreiro de um bistrô. — Acho que nossa filha está com fome.
— Oh, então vamos tratar de alimentá-las. — sorriu satisfeita. Adorava mimar a namorada. — Enquanto você escolhe o que quer, vou até o carro guardar as sacolas.
A morena assentiu e entrou no restaurante que havia chamado sua atenção. Um garçom a guiou até uma mesa e lhe entregou o cardápio. Regina pediu apenas um suco de frutas e uma entrada, deixaria para fazer os pedidos quando Emma chegasse.
— Regina?
O som hesitante da voz conhecida, a fez petrificar e quase derramar todo o suco. Se visse um fantasma talvez não ficasse tão assombrada! A figura loira a encarava com a relutância de uma tímida garotinha de cinco anos.
— Que surpresa a encontrar aqui!
— Realmente, Kathryn. — quis sorrir ironicamente, mas apenas a encarou com o olhar duro.
— Fizemos uma escala aqui em Connecticut, o voo sai daqui a duas horas. — Regina assentiu, Kathryn era comissária de uma importante companhia aérea — Posso me sentar?
— À vontade, já estou de saída. — falou retirando algumas notas da bolsa.
— Não, Regina, por favor, eu... — parou de falar ao observar o ventre dilatado da morena — Então era verdade...
— Sobre meu bebê? Sim, é verdade. Vejo que aquele porco lhe contou.
— Por favor, vamos conversar.
— Não tenho nada para falar com você. — disse friamente — Não suporto olhar sua cara.
— Graham me contou. — comentou, ignorando o que a outra havia dito — Sinto muito, Regina.
— Tenho certeza que sente...da mesma forma que sentiu ao transar com meu namorado quando dizia ser minha amiga? — sarcástica.
— Terminei com ele. — levou a ponta do guardanapo ao rosto, enxugando uma lágrima.
— Ora, bom para você.
— Eu não sabia, Regina! Na época ele tinha me falado que haviam terminado. Lembra-se da discussão que tiveram na boate? Então, Graham disse que haviam rompido quando nos encontramos no voo para a Itália.
— Assim não perderam tempo. Enquanto a estúpida aqui confiava em você. — a loira abaixou a cabeça — Mas sabe o que foi pior? Receber um cheque para me livrar da minha filha. Tem ideia do tamanho da humilhação que passei?!
— Por isso foi embora...
— Vim procurar uma luz, um caminho e encontrei um amor verdadeiro... Encontrei alguém que mesmo com suas dificuldades me ama ao ponto de amar minha filha como se fosse sua.
— Que bom, Regina. Apesar de não acreditar em mim, fico feliz por você, e espero que vocês sejam felizes. — encarou os olhos cristalinos — E também que espero que um dia você possa me perdoar.
— Você era a minha melhor amiga desde o ginásio, me deu força nos piores momentos, lhe tinha como uma irmã — engoliu as lagrimas — O que você fez machucou demais, você não tem ideia...
— Eu sei...eu sei. —passou as mãos pelos cabelos, desolada — Perdão, Regi.
— Não quero carregar magoas comigo, não faz bem. Sinta-se desculpada, apesar de tudo, sua traição me trouxe uma vida melhor. Só não me peça que volte a ser sua amiga, a amizade já não cabe entre nós.
Kathryn assentiu tentando inutilmente controlar as lágrimas.
— Se um dia você mudar de ideia sabe onde me encontrar.
— Adeus, Kathryn.
Kathryn viu se afastar lentamente entre as mesas a mulher que um dia havia sido sua amiga, aliás sua melhor amiga, pois Regina talvez tivesse sido sua única amizade verdadeira. Oh, como estava arrependida! Estava tão fascinada por Graham que se deixou levar por todas as mentiras, fechando os olhos e enganando a si própria. Quase enlouqueceu de remorso quando soube da gravidez de Regina. Nunca em toda sua vida havia sentido tanto nojo de alguém quanto tinha sentido de si mesma. Compreendia todo e qualquer sentimento ruim da outra, pois se estivesse na mesma situação não agiria diferente.
Diante da desesperança de reatar a amizade, Kathryn só esperava que Regina realmente estivesse feliz e sua resposta veio em seguida, quando uma bela loira se aproximou de Mills, cumprimentando-a com um selinho. Ainda pôde ouvir a voz empolgada da desconhecida. “Amor, você não vai acreditar! Encontrei uma loja que vende aquelas roupas no estilo Mãe e filho. Nos temos que comprar algumas para a nossa pandinha e para o nosso menino. Imagina como eles vão ficar adoráveis.”
Swan desandou a falar e Regina apenas a ouvia, com um sorriso no rosto, olhando para a mulher como se a loira fosse o seu mundo.
— Seja feliz, Regi!
Kathryn murmurou para si mesma e se levantou, deixando o restaurante também, mas agora tinha a sensação de ter tirado um grande peso dos ombros.
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