Notas iniciais
Hey! Agradeço a todos que comentaram e favoritaram a história. Muito obrigada por interagirem comigo, fico muito feliz por ver que estão gostando!

Alguns dias se passaram desde que Regina havia descoberto sobre sua gravidez. O tempo trouxe serenidade à morena, que aos poucos aceitou a ideia de ser mãe. Com o apoio de Emma, encontrou grupos virtuais onde havia mulheres que passavam por situações semelhantes. Todo esse amparo foi fundamental para que se sentisse segura de sua decisão em manter a gravidez.

Agora, pensou ao afagar a barriga ainda lisa, mesmo não nutrindo um sentimento de amor por Graham e com pouco tempo de gestação, já amava aquela pessoinha.

As sacolas de uma loja infantil enfeitavam o banco do automóvel. Não havia resistido ao passar por uma vitrine e se encantar com as minúsculas roupinhas, passou mais de uma hora na loja escolhendo os primeiros mimos para seu bebê. Assim, seu horário de almoço foi esticado e quase no meio da tarde chegou ao prédio da empresa, a qual trabalhava. Pediu para que o motorista levasse as sacolas para seu apartamento e se dirigiu para a sua sala no oitavo andar.

Sentou-se em sua escrivaninha observando a paisagem da barulhenta cidade antes de voltar às tarefas. Os arranha-céus brilhavam tocados pelo sol, se olhasse para baixo sabia que poderia ver o movimento nas calçadas diminuir com as pessoas voltando para o trabalho.

Graham chegaria nesta tarde, assim, depois que saísse do escritório, iria até o apartamento do namorado. Estava ansiosa para contar a ele, queria resolver em parte esse assunto.

Ao sair do prédio, Regina se deparou com a confusão e o barulho de Seattle. Aquela era a hora mais agitada da cidade, a qual as pessoas andavam de um lado para o outro em meio aquele transito caótico de fim de tarde. Acomodada no banco traseiro de seu Mercedes, ouvia alguns motoristas impacientes que buzinavam sem parar como se todos os carros fossem desaparecer milagrosamente da frente deles por fazer aquele barulho infernal.

Minutos depois, o carro estacionava em frente ao prédio do namorado. Logo a morena desceu, pedindo para que o motorista a esperasse. Como o porteiro já a conhecia, deixou-a entrar após um cumprimento. Tirou da bolsa as chaves que Graham havia lhe dado e tratou de entrar no apartamento. A luz da sala estava apagada, assim como as outras no resto do local. Talvez ele estivesse dormindo, uma vez que estaria cansado da viagem.

— Graham? Você está ai?

Parou na porta do quarto ouvindo alguns gemidos. Franziu a testa. Deveria ser a televisão, já que o namorado gostava de dormir com o aparelho ligado. Abriu a porta com cuidado com medo de acordá-lo, no entanto, acabou por fazer o movimento brusco ao ver, estarrecida, o que se passava.

— Graham!

A batida da porta e o grito fizeram com que o casal pulasse da cama, e então mais um golpe atingiu Regina... Deus, a mulher que estava com Graham era Kathryn! Uma onda de náusea a atingiu.

— Regina! O que está fazendo aqui?

Falou colocando a calça enquanto a loira tentava reunir suas peças de roupa espalhadas pelo quarto, sempre mantendo o olhar baixo. Regina apenas balançou a cabeça com uma mirada de desprezo e saiu do quarto.

— Regina, olha não é... — ele começou, indo atrás dela pelo corredor.

— Não é o que estou pensando? Agora, além de ganhar um belo par de chifres, também vou ganhar um nariz de palhaço!?

— Me desculpe Gina, ok? Kath veio aqui e...

— E você não aguentou e a levou para a cama!

Olhava para ele e sentia a raiva dominá-la cada vez mais. Respirou fundo rezando para que aquele mal estar passasse, pedia aos céus para não desmaiar, não aguentaria mais essa humilhação.

— Podem continuar a festinha de vocês.

Agora a caminho de casa, ela tentava entender como conseguiu sair do apartamento, descer a escada e entrar no carro. Sentiu as mãos tremerem, respirou fundo tentando se acalmar. Sabia que não podia ficar nervosa, não faria nada bem ao bebê. Oh nossa, o bebê!

Desceu rapidamente do automóvel em frente ao estiloso prédio de quatro andares onde morava. Já abria a porta quando sentiu uma mão em seu ombro.

— O que quer aqui? Já parou a diversão?

— Escute, por favor!

— Agora não. No momento não consigo nem ao menos tolerar sua voz.

— Pare com isso, Gina. Deixe-me explicar!

— Vá embora!

— Não era para ser assim.

— E como deveria ser então? A idiota aqui levando chifres enquanto vocês riam pelas minhas costas?

— Eu realmente tenho que falar o que houve. Por favor, me deixa entrar, precisamos conversar!

Sem dizer nada ela abriu a porta e deu passagem a ele.

— Primeiro queria que soubesse que eu sinto muito pelo que houve, não queria que você tivesse descoberto daquela forma. Gosto muito de você, Gina. É uma pessoa especial para mim e nunca quis fazê-la passar por isso. — Disse encarando o olhar dela.

— Poupe-me dessa falsa devoção. Há quanto tempo vocês estão juntos?

— Desde a viagem! Kath embarcou comigo e ficamos juntos na Itália. — suspirou quando a viu cobrir o rosto com as mãos — Eu ia te falar, Gina! Por isso quis marcar para conversarmos.

Ela quase soltou um riso histérico pela crueldade dos fatos. Sentia-se uma verdadeira idiota por ter se preocupado pensando que o namorado a pediria em casamento.

— Logo com Katherine? Como se me trair não fosse o bastante tinha que ser com a aquela maldita que se dizia minha amiga, Graham?

— Sinto muito por isso, Gina.

— É só o que você sabe dizer?

— O que mais quer que eu diga? Me apaixonei por ela! Sinto que não tenha sido o perfeito príncipe encantado que você buscava, mas estamos no mundo real, Regina!

Ficaram alguns segundos em silêncio, apenas ouvindo o som dos carros que transitavam lá fora.

— Você quer saber agora o que se passa no mundo real? Estou grávida.

Ele ficou mais um tempo em silêncio enquanto erguia o olhar para ela.

— Eu sou o pai?

A pergunta foi tão ridícula que as palavras pareciam ter congelado na garganta. Ela balançou a cabeça enquanto lentamente se levantava, olhando para ele com repulsa.

— Realmente acha que sou mau caráter feito você?

— Ficamos dois meses separados.

— Essa criança é sua! — gritou indignada.

— Regina, eu não posso ter um filho! Não estou preparado, tenho minhas ambições e um bebê não faz parte dos meus planos. E creio que nem você está preparada para tal responsabilidade.

— O que quer dizer com isso?

— Que um filho agora apenas estragaria nossas vidas.

— Você não está insinuando que eu...— a bile mais uma vez subiu até sua garganta, precisou respirar fundo para controlar a vontade de vomitar.

— Estou pensando no que é melhor para nós. Seja sensata, essa criança não tem lugar.

— Calado, seu porco! Você não tem nenhum poder de decisão aqui. É o meu corpo, eu decido se quero ou não manter essa gravidez! — a veia saltada em sua testa evidenciava o quão raivosa ela estava ao defender seu filho, era o retrato de uma leoa protegendo sua cria — Eu terei essa criança você querendo ou não!

— Não quero essa criança e não darei nenhuma ajuda se agir com teimosia. — esclareceu com a expressão sombria. — Se concordar, prometo transferir para sua conta um montante para que resolva esse problema na melhor clínica do país.

A calma e a crueldade de Graham deixaram Regina enfurecida! O som da mão dela estalando no rosto dele ecoou pela sala. Pálida e chocada conseguiu caminhar até a porta para abri-la.

— Você realmente acha que eu preciso de seu maldito dinheiro? Olhe a sua volta e me diga. — fez um gesto com a mão abrangendo o luxuoso apartamento — Meu filho e eu não precisamos de um inútil como você. Saia da minha casa, suma da minha vida. Esqueça que eu existo!

— Isso ainda não acabou, Regina — a encarou com desdém — Veremos o que sua mamãezinha dirá.

— Saia daqui. — disse, trêmula de raiva — Saia!

Assim que ele se foi, Regina fechou a porta lentamente. Sentia-se como tivesse acabado de sair de um episódio do “Além da imaginação”. Encostou a lateral do corpo na porta ainda ouvindo as duras e desumanas palavras daquele homem que, de namorado, havia se convertido em inimigo. Um gosto amargo veio à boca. Não evitou as lágrimas que saíram soltas e assim chorou por ela, pelo bebê que ainda não tinha nascido e já recebia o desprezo do pai e também chorou pela traição de uma amiga.

Notas finais
Me digam o que acharam, por favor! Beijos!