Luz da minha vida
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Ela ainda dormia quando Emma abriu a porta do quarto. Parecia uma menininha, deitada daquela forma, de lado com os cabelos jogados. Aproximou-se colocando a badeja na mesinha de cabeceira e sentou-se ao lado dela, levando sua mão até o rosto calmo, sereno e delicado, lhe colocando os cabelos de ébano para trás da orelha. Abaixou seu corpo roçando seus lábios por toda a face da amada, que suspirou curvando os lábios em um terno sorriso para, então, abrir lentamente os olhos. Virou seu corpo colando as costas na cama e a encarou com um sorriso sonolento.
Emma sentiu seu peito transbordar de emoção. Durante muito tempo havia imaginado como seria acordá-la aos beijos e como seria poder dizer que a amava.
— Se você ao menos imaginasse o quanto eu sonhei com o dia em que eu entraria nesse quarto e te encontraria na cama, saciada de tanto fazermos amor.
A voz rouca e emocionada de Emma fez-lhe franzir a testa, emocionando-se junto com a loira. Apesar de um tanto confusa com a declaração, Regina sorriu e ergueu o corpo sentando-se na cama, segurando o lençol contra seu peito. Deslizou a mão pelo rosto alvo de Emma que sorriu fechando os olhos, para logo abri-los e encará-la de forma firme, intensa e apaixonada.
— Eu amo você!
Regina sentiu como seu coração parava de bater por uns segundos e então, de simples assim, voltava a bater com toda a rapidez e intensidade que poderia. Seus olhos arderam da mesma forma que seu nariz que já avermelhado, em sua garganta um soluço se prendeu e ela pensou que não poderia ser capaz de respirar, principalmente quando viu Emma respirar fundo e continuar a falar.
— Sei que pode parecer estúpido, afinal quem se apaixona por alguém que não convive diariamente, por alguém que está há milhares de quilômetros de distância, mas aconteceu, sabe? Poucos meses depois de te conhecer eu já estava apaixonada por você.
Swan sorriu sem graça, encarando suas próprias mãos apoiadas na cama e Regina engoliu a seco pensando nas coisas que lhe havia contado, sobre sua relação com alguns homens, sobre o quanto estava envolvida com Graham. Oh droga, havia lhe contado sobre todos os seus casos de uma noite. Suspirou. Com certeza não havia sido nem um pouco fácil parar Emma ouvir tudo aquilo calada. Então sorriu. Aquilo era passado, ela estava com a loira agora e isso era o que importava. Sua mão deslizou pelo braço dela até chegar ao seu rosto, o acariciando e sorriu ainda mais vendo como Emma fechava os olhos e suspirava sentindo sua carícia. Aproximou seu corpo e encostou sua testa na dela lhe encarando nos olhos.
— Por que nunca me disse?
— Eu...eu não sei. — sorriu sem graça — Teve o Graham, além disso você sempre se envolveu com homens e...
— Isso interfere em nada, Emm. —disse carinhosa.
— Eu sei, agora eu sei, mas naquela época foi tudo muito estranho. Eu não conseguia entender como tinha me apaixonado por você tão rápido daquela forma e... Nós morávamos em cidades diferentes, com vidas diferentes. — balançou a cabeça suspirando — Eu nem sequer sabia como te falar o que sentia.
— Não importa agora. — roçou seus lábios rapidamente nos dela — O que importa é que estamos juntas. O que importa é que você me ama e que eu te amo.
O tom doce e um tanto manhoso deixou Emma praticamente sem ar, o sorriso que se formou em seus lábios lhe tomou o rosto todo. Regina a amava. Por Deus, havia sonhado noites e noites com ouvi-la lhe dizer aquelas três palavras tão simples e tão carregadas de sentimentos e felicidade. Sua garganta se fechou por conta de tamanha emoção.
Nada mais foi dito, não era preciso.
Emma lhe segurou a nuca colando seus lábios em um beijo intenso e repleto de amor. Ambas gemeram quando suas línguas se tocaram, seus braços rodearam a cintura da morena, fazendo com que o corpo da mesma se chocasse contra o dela, dando-lhes a gostosa sensação de sentirem mais uma vez pele contra pele, já que Regina havia deixando seu lençol escorregar no momento em que circundou seus braços em volta do pescoço de Emma, puxando-a ainda mais contra si.
Um choramingo acompanhado de um latido ecoou, fazendo ambas se separarem ofegantes. Emma sorriu ainda mais enquanto Regina arregalava os olhos assustada com aquele som. Logo o roçar de uma patinha na porta entreaberta se fez presente junto com mais um choramingo e Swan gargalhou tanto pelo som quanto pelo semblante confuso de sua mulher.
— Tenho um presente para você.
Ela, mesmo sem entender lhe sorriu elevando o lençol contra o próprio corpo e dessa vez o prendeu estrategicamente para que não caísse outra vez. Viu como Emma virava o rosto em direção a porta e soltava um baixo riso.
— Pode entrar agora, sua chorona.
No mesmo momento Regina enxergou o pequeno filhote adentrar pela porta com a língua pendurada para fora e correr em direção a loira, pulando em suas pernas repetidas vezes, já que por seu tamanho não conseguia subir em seu colo. De forma rápida, Emma pegou o filhote no colo e o segurou de forma que ficasse de frente para Regina.
— Então? Gostou?
De pronto se ouviu um gritinho histérico saindo da boca da morena que rapidamente tomava entre os braços aquele filhotinho que já latia abanando o rabinho, sabendo que sua dona havia gostado dela. Emma negou com a cabeça, aí estava sua resposta.
Regina a apertou contra si para logo colocá-la sobre seu colo e então acariciou o topo da cabecinha com os olhos brilhando de tal forma que lhe fazia parecer uma criancinha quando ganha seu primeiro cãozinho. Emma admirava a cena com o olhar vidrado naquela mulher que era sua razão de viver. O sorriso besta brindava em seus lábios enquanto se perguntava como uma pessoa podia amar tanto a outra como ela amava aquela morena. Se perguntando como alguém podia ser tão mulher e, ao mesmo tempo, tão menina quanto Regina era.
Observou-a subir o olhar, lhe encarando com aqueles olhos brilhosos e o sorriso infantil nos lábios, encantando-a cada vez mais. A mão morena correu por seu rosto lhe acariciando e então ela juntou seus lábios em um beijo delicioso, porém curto já que a cadelinha rompia um latido e pulava no colo da dona exigindo atenção. Ambas gargalharam e Emma acariciou atrás da orelha dela vendo como a mesma se refestelava no colo de Regina com o carinho.
— Ela parece tão confiante e feliz. Em nada se parece com aquela bolinha suja e maltratada. — Sentiu o cheirinho gostoso que exalava da cadelinha — Foi o melhor presente que já ganhei, meu anjo. Obrigada! —sorriu ternamente para Emma.
— Não foi nada. Vi como ficou triste quando Ruby levou aquele pulguento de volta para casa! —Regina ergueu uma sobrancelha. Emma era inacreditável! A loira que havia se debulhado em lágrimas por causa de Byron. — E também você me disse que queria um cachorro desde criança. — deu com os ombros sorrindo.
— Eu disse isso na primeira semana em que conversamos. — disse um tanto pasma por Swan lembrar-se.
Emma sorriu timidamente, abaixando o rosto para brincar com a cadelinha enquanto Regina ainda seguia olhando fixamente para ela, maravilhada. Oh céus, aquela mulher não existia!
A morena se moveu aconchegando seu corpo para perto do dela e suspirou sentindo como Emma a abraçava, seus lábios roçaram por todo o rosto e pescoço daquela mulher que lhe fazia tão feliz e soltou uma risada, vendo a cadelinha pular na cama latindo mais uma vez por atenção.
— Ela precisa de um nome. — a loira comentou, estreitando os olhos verdes.
— Hum...que tal Duly, Nana ou Perry? Oh, espere... Toty? — fitou-a. Emma apenas torceu o nariz em uma careta engraçada enquanto a pequena latia alto demonstrando claramente que não havia gostado nem um pouco dos nomes também, fazendo Regina soltar uma alta gargalhada. — Está bem, esses nomes foram péssimos.
— Devo me preocupar com o nome da nossa filha?
— Não seja boba. É a pressão do momento, então deixe-me pensar. — fez um biquinho de lado enquanto encarava a cadelinha que lhe devolvia o olhar com expectativa. — Ah, já sei! O que acha então de... Lola?
Emma sorriu balançando a cabeça e a pequena tombava a cabecinha para o lado, com a língua pendurada para fora e soltava baixos latidos saltitando em cima das duas. Bom, ela havia gostado do nome.
— Agora, sua monstrinha, desce da cama e volta para o seu cantinho. Mamãe tem que se alimentar e alimentar nossa princesinha.
Falou com a cachorra como se ela fosse lhe entender enquanto levava a mão ao ventre de Regina, o acarinhando. Lola latiu e pulou para fora da cama, pousando sobre um travesseiro, correu em direção à porta e sumiu pela mesma. A morena tinha a boca entreaberta e os olhos ainda fixos a porta, e apenas despertou de seu estado incrédulo quando ouviu uma gostosa gargalhada de Emma se romper pelo quarto.
— É uma mocinha inteligente. — deu com os ombros como se aquilo explicasse o fato de um animal obedecer e entende-la daquela forma.
— Se nota. — negou com a cabeça. Recebeu a bandeja que Emma puxou de volta para seu colo.
— Pronto, madame. Agora coma tudo porque minha princesinha já deve estar com fome. — mais uma vez Emma acariciou o ventre crescido, fazendo a morena sorrir ternamente.
Swan tocou seus lábios nos dela em um rápido beijo. Logo se levantou da cama para, em seguida, voltar a sentar-se, porém dessa vez atrás de Regina, deixando-a entre suas pernas e com suas costas apoiadas contra seu peito. A morena suspirou de plena felicidade e começou a comer. Encarou rapidamente a janela e o sol um tanto fraco por conta do clima brilhou pela fresta entre as cortinas. Ela sorriu fechando os olhos por alguns segundos.
Era um novo dia.
Era uma nova vida.
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