Luz da minha vida
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Regina acordou cedo, o relógio indicava que havia passado um pouco das 6 horas. Girou o corpo e encontrou o espaço vazio ao seu lado, provavelmente Emma já tinha levantado para sua corrida diária, apesar do friozinho matinal. Deu bom dia para a bebê e levantou-se cuidadosamente, já esperando ser atingida pelo enjoo, mas soltou um suspiro contente ao perceber que estava livre do desconforto aquela manhã. A medida que a gravidez avançava, os episódios de enjoo tornavam-se mais escassos.
Depois de um banho quentinho, colocou uma lingerie confortável sob uma meia calça preta, acompanhada por uma botinha de salto baixo e o vestido mais folgado que possuía, afinal, a maioria de suas roupas já estavam ficando apertadas, principalmente na região da barriga. Fez uma anotação mental de marcar um dia para ir as compras com Emma e Henry, compraria roupas de gestante e também algumas coisas para a bebê.
Assim que saiu do quarto, encontrou Emma no corredor, segurando uma trena métrica e olhando fixamente para a escada que dava acesso ao sótão.
— Bom dia, meu anjo! — disse, chamando a atenção da loira que agora media o vão da porta.
— Oi, linda! — deixou a trena de lado e deu um breve beijo em Regina. — Bom dia!
— Nossa, só ganho um beijinho de nada?
— Oh, meu bem. — falou em tom de desculpas — É que eu estou toda suada enquanto que você está linda e cheirosa.
Regina sorriu e empurrou-a para trás, colando seu corpo no dela ao prensá-la contra a parede.
— E quem disse que eu me importo com isso? — perguntou com sua boca perto da dela. Emma sorriu e deu-lhe um beijo demorado.
Elas ficaram trocando carinhos ali mesmo, até que as mãos da loira começaram a ficar mais atrevidas. Swan deslizou os lábios para o pescoço dela, deslizando também as mãos da cintura para suas nádegas, massageando-as. Regina acariciava os cabelos loiros e gemia de prazer. No entanto, se separaram bruscamente quando Byron soltou um miado altíssimo e passou por elas correndo.
— Que susto! O que foi isso? — falou ao ver o bichinho descer as escadas.
— Não faço ideia. Esse gato tem um parafuso frouxo igual à dona dele.
Depois da interrupção, haviam perdido o clima, então Emma resolveu acordar o filho para que o garoto pudesse se arrumar para a aula. Deu duas batidinhas na porta e entrou no cômodo, porém Henry já não estava no quarto.
— Que milagre aconteceu para esse menino já estar acordado? — comentou a loira ao ver a cama de Henry arrumada.
— Ele já deve ter descido para o café. — disse Regina ao ver que o banheiro estava desocupado.
— Pode ser, mas não o vi na sala quando voltei da corrida. — falou enquanto desciam as escadas.
— Você entrou pela porta da frente? — a loira assentiu — Então ele deve estar na cozinha preparando o café.
Emma olhou para a morena e soltou uma risada, imaginando que seu filho, um adolescente, que praticamente se arrastava da cama todas as manhãs, acordaria cedo para fazer o café. Contudo, sua risada cessou ao ver a mesa posta com um farto desjejum. Henry estava em pé, apoiado ao balcão e esperando por elas.
— Regina, pega o termômetro. — disse se aproximando do filho e tocando a testa dele. — Esse menino só pode estar com febre.
— Mãe! — o garoto reclamou, sorrindo de lado. — Gostaram?
— Eu adorei, querido. — Regina respondeu carinhosamente — Parece que está tudo uma delícia.
Emma olhou em volta, percebendo que o menino havia caprichado. Capturou uma fatia de bacon e experimentou.
— Huuumm! — saboreou o alimento — Realmente está muito bom. Obrigada, filho.
A loira observou o menino assentir satisfeito. Ela sabia que aquela gentileza toda era resultado da discussão da noite passada. Henry queria se desculpar e, ao mesmo tempo, ser liberado para ir a tal festa. Trocou um olhar com Regina, percebendo que a morena também havia entendido o que se passava.
Serviram-se de ovos mexidos, torradas, bacon, iogurte e suco de laranja. O café havia sido abolido desde que Emma e Regina tiveram uma pequena discussão por causa do líquido. Enquanto comiam, Henry as observava, esperando o momento certo para abordar o tema da festa. Porém esse momento nunca chegou, pois, uma certa morena de olhos verdes invadiu a cozinha.
— Bom dia, família que eu amo demais!
Ruby abraçou Regina, beijou a testa de Henry, mas quando foi falar com Emma torceu o nariz e roubou a torrada que a loira estava prestes a morder.
— Acho que eu vou mandar colocar uma cerca elétrica nessa casa. — Emma resmungou. — O que faz aqui tão cedo, sua louca?
— E desde quando eu preciso de um motivo para visitar minha família preferida? — disse de forma dramática. — Credo, eu já fui mais bem tratada nessa casa. Você está vendo como são as coisas, Regininha?
— Não ligue para ela, Ruby. — Regina sorriu da implicância das duas. — Toma café conosco?
— Olha, eu não vou bancar a fina. — falou se servindo de uma boa quantidade de ovos mexidos — Essa comida está com uma cara ótima.
— Mérito de Henry. — Regina elogiou — Ele nos surpreendeu com essas delicias.
— O que foi que o moleque aprontou dessa vez? — Ruby apontou com o dedão para Henry que revirou os olhos.
— Por que todo mundo acha que eu fiz algo?
— Henry, por favor, você está falando com Ruby Lucas. Eu praticamente inventei esses esquemas. — disse a morena de olhos verdes. — Preciso te ensinar uns lances.
— Você não vai ensinar nada para ele, Ruby. — a loira se pronunciou. — Filho, você já terminou? É melhor você ir escovar seus dentes, pois daqui a pouco o ônibus chega.
— Mãe, mas eu preciso falar com você.
— Pode ser mais tarde? — o garoto assentiu — Vocês podem passar na delegacia depois das compras.
— Tudo bem. — saiu depressa, subindo as escadas, mesmo com Regina gritando para que não corresse.
— Qual é a do garoto? — Ruby perguntou pegando Byron no colo. O gato dava cabeçadinhas carinhosas em seu ombro.
Depois que ouviram a porta da frente bater, indicando que Henry já havia saído, Emma contou toda a história, intercalando com algumas falas de Regina. Ruby ouviu tudo em silêncio, ela era brincalhona, mas sabia se comportar quando o assunto era sério.
— Agiu certo, loira. — a morena de olhos esverdeados opinou — Mas eu concordo com a Regininha sobre dar mais uma chance, caso ele se desculpe e aceite seguir suas regras.
— Sim, vamos ver como ele se comporta. — deu uma piscadinha para Regina e se levantou, retirando a louça suja. — Então, vai dizer o motivo da ilustre visita?
— Eu te falei ontem que viria buscar meu filhote, tapada. — acariciou Byron — Já está na hora de voltar para casa, não é, bebê?
— M-mas… Mas já? Poderia deixá-lo mais alguns dias, ainda deve ter muita poeira, sabe como é. — a loira tentou argumentar. Regina apenas ergueu a sobrancelha observando aquela cena. Emma reclamava todos os dias de Byron e agora parecia não querer que o gato voltasse para casa. — Os felinos são sensíveis, principalmente o Byron.
— Fica tranquila, fiz uma geral ontem a noite. — sorriu, brincando com o gato.
— Certo, mas lembre-se de que tem os fogos da noite de Halloween. Talvez ele se sinta mais à vontade aqui do que em um lugar novo.
— Loira, se eu não soubesse, diria que está tentando me impedir de levar meu gato. — franziu o cenho.
— Não seja ridícula. — pigarreou para disfarçar a voz embargada — Então, a conversa está muito boa, mas eu tenho que me arrumar para o trabalho. Linda, você quer ficar com o carro? Eu posso pegar uma carona com a Ruby.
— Eu sabia que você estava a fim de andar na garupa da minha bike. Só não vai me alisar, ok? — soltou uma risada exagerada, fazendo Regina sorrir do jeito dela — Tem que segurar a caixa do Byron.
— Onde está seu carro, idiota? — Emma revirou os olhos — Agora está com essa mania de sair por aí empoleirada naquela lata velha.
— Dá licença que eu estou cooperando para salvar o planeta.
— Emm, preciso comprar um carro. — disse Regina — É o cúmulo te deixar a pé.
— Conheço uma concessionária em Hartfort que faz um preço bom. — Ruby comentou, servindo-se de mais suco.
— Não, obrigada. — a loira torceu o nariz — Da última vez fiquei a ponto de levar preso aquele conhecido da sua avó que quis me empurrar a pickup toda remendada.
— Até hoje ele tem pavor de você. — Ruby sorriu se lembrando do velhote picareta.
— Enfim, você pode ir para o seu compromisso no Centro Social, meu bem. Eu sei que você não suporta atrasos. — Emma falou para a morena ao seu lado — Depois eu pego uma carona na viatura.
— Nada disso, eu te levo para o trabalho, passo para te buscar no fim do expediente e ponto final. — Mills disse taxativa.
Não houve alternativa para Emma a não ser aceitar. Lógico que Ruby não deixou passar a provocação, imitando com a boca um som de chicotada.
***
Após as aulas, Henry estava no estacionamento da escola, contando para as amigas que a mãe tinha barrado sua ida para a festa.
— Não acredito que você não vai, Henry! — Camila lamentou da mesma forma que a namorada.
— Espera, quem te disse que os nossos pais autorizaram sem antes falar com a mãe da Demi? — Lauren perguntou, estreitando os olhos verdes.
— A Dinah! Ela falou ontem.
— E você acredita no que maluca da DJ diz?! — Camila riu da cara de tacho do garoto e sentou no colo da namorada.
— Ótimo, fui burro o bastante de acreditar na Dinah e brigar com a minha mãe.
— Se eu faço isso com a minha, eu teria sorte que ela me deixasse sair de casa até a maioridade. — Lauren comentou, enquanto abria a embalagem de um pirulito para a latina. — Aqui, Camz.
— Obrigada, Lolo. — Agradeceu com um beijinho nos lábios.
O menino observava a interação e o contraste das duas. Lauren, a mais tímida, fazia o estilo rockeira, mas era incrivelmente sensível e carinhosa enquanto que Camila era gentil e bastante extrovertida, os vestidos e lacinhos ocultavam uma criatura travessa e atrapalhada. Não havia dúvidas de que faziam um lindo casal, assim como Emma e Regina, pensou o garoto.
— Nós podemos falar com a Sra. Swan se você quiser. — sugeriu Camila, mas o menino negou na hora, prevendo que Emma não gostaria daquela história.
Ouviram o som de uma buzina e focaram a vista na morena, dirigindo a caminhonete.
— Olha, a sua outra mãe já chegou. — Lauren indicou com a cabeça. — Ela é legal, talvez possa te ajudar.
Henry assentiu. Se existia alguém capaz de convencer sua mãe, esse alguém era Regina Mills.
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