Luz Na Escuridão

20 Revelações.


POV HENRY:

A decepção em seus olhos matou minha alma. Meu ser. Acabei com tudo o que havia entre nós. Fui contra os meus princípios e quebrei as regras de um bom dom. Mesmo sabendo que Carolyne nunca será uma submissa de verdade, eu a quis como nunca desejei outra mulher.

Saio da casa de Carolyne transtornado. Meu Deus! Como eu queria que fosse diferente. Não sei o que está acontecendo comigo. Será paixão? Amor? Não pode ser... não e não! Robert a beijou e ele disse que não vai desistir. Hoje quando ele me convidou para almoçar com ele, me arrependi. Nunca o vi tão determinado, tão disposto a lutar por alguém. Quando ele contou do beijo, tive vontade de jogar aquela garrafa de vinho na sua cara. Mas não podia... não posso fazer nada. Ele voltou por ela e não vai desistir. E o meu medo é que Carolyne acabe voltando para ele. Medo? Sim, medo. Mas nessa batalha, não posso lutar. Quando entro em meu carro, escuto algo quebrando dentro da casa dela, logo em seguida ela grita. Sinto vontade de voltar e toma-la em meus braços, mas não posso. Vou para casa irritado e sentindo ódio de todos. Principalmente de mim mesmo.

Acho que já bebi uma garrafa inteira de whisky. Quero a Carolyne... quero a Carolyne! Não consigo pensar em outra coisa que não seja ela. Seus beijos, seu fogo e sua rebeldia. Ah! Sua rebeldia... como eu preciso de minha grandona, da minha menina mulher. Subo para meu quarto, deito na cama e deixo a bebida fazer seu efeito em mim.

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Vou para a cozinha e jogo um copo na parede. Que raiva! Porque ele fez isso comigo? Estou tremendo e não consigo me controlar. Solto um grito monstruoso e solto palavrões no ar. A semana havia começado perfeita. Mas não sei porque estou assim, já que em minha vida nada dá certo mesmo. Vejo Henry ir embora e não me contenho, começo a chorar. Sento no chão da cozinha e choro, choro e choro.

Acordo com o telefone tocando. Acabei adormecendo de tanto que chorei. Levanto rapidamente e vou atender, esse barulho está me irritando.

- Alô! – Digo impaciente.

- Carolyne, o que aconteceu? – Bia está preocupada. – Passei na empresa te buscar e sua colega, a Camila, disse que você foi embora hoje transtornada e que ouviu uns gritos seus e de Robert saírem da sala dele. – Respiro fundo.

- Ele me tirou da viagem para o Egito. Disse que não consegue ficar longe de mim e ainda por cima me beijou... – Silêncio.

- Beijou? Como assim te beijou? Esse canalha, filho da puta, te beijou? – Bia fica irritada. – Você pediu a conta né?

- Pedi e ele não quis dar. Então saí de lá sem dar satisfação e não vou aparecer mais. Quem sabe daqui uns dias, para tentar acertar minhas contas. Pois preciso do dinheiro. – Digo.

- Dinheiro não é problema! Você sabe muito bem disso!

- Não quero seu dinheiro Bia! Por favor! Você já faz muito sendo minha amiga... – Tento segurar as lágrimas.

- Para mim é um orgulho ser sua amiga Carol e eu sei que você não quer meu dinheiro, mas se precisar... – Bia insiste. — Mais tarde passo aí e não chore, por favor!

- Tudo bem... estou te esperando. – Desligamos. Decido tomar banho e esperar minha amiga chegar.

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Já é sexta-feira, a semana demorou a passar. Bia me ligou todos os dias perguntando como estou e eu tentei parecer o melhor possível. Quando ela veio aqui e contei da briga com Henry, ela ficou irada. Ficou mais inconformada do que eu. Quis até desistir da viagem à praia com Roger. Achei um absurdo e mandei-a ser feliz, pois estava muito animada com essa viagem e não era eu, que ia estragar com sua alegria. Depois de resistir durante dois dias, Bia aceitou que eu ficasse sozinha, mas disse que me ligaria todos os dias. Hoje, ela e Roger vão embarcar e eu ficarei aqui, sozinha, sem saber o que fazer da minha vida. Robert também me ligou e mandou mensagens várias vezes, claro que ele sabe meu número, já que sou funcionária de sua empresa. Aliás, era sua funcionária. Segunda-feira vou lá acabar com essa palhaçada de uma vez. Claro que eu não o atendi. O máximo que fiz foi mandar uma mensagem mandando-o tomar “lá” naquele lugar e ele não me respondeu nada. Não me ligou mais. Graças a Deus!

Decido sair, correr um pouco. Preciso extravasar um pouco, tirar esse mal de mim. A manhã está linda e está um calor quase insuportável. Coloco um calção de moletom curtinho, um top com um blusão caído nos ombros, tênis, óculos escuros e faço um rabo de cavalo bem alto. Pego meu celular e meus fones de ouvido e saio, sem rumo.

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POV ROBERT:

Se ela pensa que vou desistir fácil, ela está enganada. Carolyne não me conhece, não sou mais aquele moleque. Sei que errei e quero consertar tudo. Nunca a esqueci, em todos os meus sonhos ela esteve comigo. No começo achava estranho, mas agora entendo que é ela a mulher da minha vida, é por ela que voltei e não vou morrer na praia. Liguei a semana inteira para ela e de nada adiantou. Ainda por cima, me desaforou. Preciso pensar em algo, no que posso fazer para reconquistá-la. Sorte que tenho meu primo Henry, conto tudo para ele, embora ele não dê palpites, é bom ter alguém com quem desabafar. Acho que vou pedir uns conselhos de homem para homem. Henry sempre teve belas mulheres ao seu lado, embora, quase nunca tenha namorado sério, deve saber como agradar uma mulher. Hoje é sexta, decido ligar e convidá-lo para almoçar.

- Pronto! – Atende meu primo.

- Fala primo! Tá afim de ir naquela churrascaria no almoço? – Pergunto e ele pensa um pouco.

- Tudo bem. Te encontro lá meio dia em ponto. – Sinto que ele não está muito bem.

- Está tudo bem cara?

- Sim. Agora tenho que desligar... até mais! – Desligamos.

Logo chega o horário que combinamos. Chego um pouco mais cedo para escolher uma boa mesa e aguardar Henry. Ele logo chega e senta-se a minha frente. Está diferente, inquieto e mal me olha. A barba está por fazer e nem se arrumou tanto assim. Nem parece o Henry, meu primo.

- Então... você não parece muito bem cara! – Digo, tentando puxar assunto.

- Problemas... – Limita-se a dizer.

- Entendo... mas se quiser desabafar... – Sou solidário.

- Nada de tão importante Robert. E você, o que conta de bom? – Ele muda de assunto.

- Cara, estou desesperado! Liguei a semana inteira para Carolyne e nada! Acho que ela não querer voltar mais para a empresa mesmo! O que eu faço? – Henry me olha durante alguns segundos e pensa numa resposta.

- Olha Robert... não sei o que te falar cara. Ele é muito magoada com você! Depois você beijou ela e ela sumiu... – Henry dá de ombros. – Será que vale a pena você insistir tanto assim? – Confesso que não era a resposta que eu esperava.

- Mas meu Deus Henry! Não é possível que depois de tantos anos, ela continue me odiando! Aquele dia na Star Bar, ela me defendeu e quis até saber se eu estava bem! – Digo.

- Mas ela disse que faria isso por qualquer um... – Sua resposta me deixa intrigado.

- Não sei o que pensar... não sei. Acho que vou na casa dela hoje a noite. Levar um bom vinho, um presente, sei lá. O que acha? – Henry muda sua expressão. Fica tenso e não para de se mexer na cadeira. Ele está muito estranho.

- Faça o que achar melhor Robert. Você é adulto! Só cuidado com o que for fazer lá, por favor... – Ele pede. Eu o encaro e não consigo segurar.

- Henry, o que está acontecendo cara? Está estampado na sua testa que não está nada bem! – Ele passa as mãos no cabelo e toma um bom gole de seu whisky.

- É a Carla... – Ele toma mais um pouco de sua bebida e fica quieto. Sim, a Carla. Sua ex-namorada louca. Que tentou se matar quando Henry terminou tudo com ela a um ano atrás. Eu não estava aqui, mas minha mãe me mantinha informado sempre.

- Ela tentou se matar de novo?

- Faz mais de uma no que terminamos. Ela ficou seis meses sem aparecer e agora ressurgiu do inferno para me atormentar. – Ele fica irritado.

- Carla é louca, mas é muito bonita. Não teve uma quedinha por ela? – Pergunto.

- Claro que não. Você sabe que nunca fui de namorar, ela foi um grande erro. Achei que gostava dela e no fim só me ferrei. Ela é desiquilibrada, precisa se tratar. – Henry está nervoso. Conversamos mais um pouco e esqueço de Carolyne por um tempo. Mas logo volto a falar dela. Henry não está com muita paciência. Mas tirando esse fato, o almoço foi bom e pude decidir o que fazer. Vou na casa dela fazer uma surpresa.

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POV HENRY:

Se já não bastasse meus problemas, Robert me convida para almoçar só para falar de Carolyne. Isso me mata. Fico desesperado quando ele diz que vai casa dela hoje a noite, mas não posso fazer nada. Agora tenho outro problema a resolver. Carla. Minha ex-namorada descontrolada que tentou se matar. Ontem eu estava indo dormir quando ela apareceu lá em casa. Disse que mudou e quer tentar de novo. Tentei explicar que não rola mais, mas não adiantou. Carla está cega igual Robert está por Carolyne.

Saio do restaurante e vou direto para minha academia, e para minha surpresa, vejo Carla na recepção com roupa de ginástica. Não acredito nisso!

- O que está fazendo aqui? – Definitivamente hoje não é um bom dia pra mim.

- É assim que você trata seus clientes? – Sínica.

- O que está fazendo aqui? – Ignoro o que disse.

- Me matriculei na sua academia. Preciso manter a forma e aqui é a melhor academia da região.

- Carla, por favor... – Ela me interrompe.

- Henry querido, juro que vou me comportar. Não se preocupe! – Ela diz e sobe para a sla das esteiras. Sinto vontade de gritar e socar a parede, mas contenho-me. Respiro fundo e vou trabalhar. Tento esquecer os problemas durante a tarde toda.

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Corri durante uma hora e meia e fui almoçar na casa de seu Zé e dona Tinha. Ela ainda está fraquinha, mas estamos muito positivos e não deixamos ela desanimar. Seu Zé fez o almoço e eu ajudei. Fiquei lá a tarde toda, o que me fez muito bem, já que pude esquecer por um tempo a droga da minha vida. No meio da tarde Bia ligou para avisar que havia chego e que a praia é linda. Fiquei feliz por ela. Bia queria saber se eu estava bem e eu disse que sim. Ela disse que a próxima vez eu vou junto e eu concordei. Vou para casa quando começa escurecer. Tomo banho e coloco uma camisola curta e preta. Pois ainda está muito quente. Abro uma cerveja e ligo o som. Coloco AC/DC e me jogo no sofá. Quando termina a primeira música “Back in black”, a campainha toca. Ai que inferno! Só falta ser um vizinho para reclamar do som, mas nem está tão alto assim. Pego minha cerveja e vou abrir a porta. Fico imóvel com o que vejo. Robert.

Ele está com um buquê e um vinho nas mãos. Sorri quando me vê e olha-me dos pés a cabeça quando percebe que estou apenas de camisola e descalça. Quando vou fechar a porta sem falar nada, ele consegue entrar.

- Sai daqui! – Digo, tentando manter a calma.

- Trouxe para você! – Ele me entrega o buquê e sorri. – E o vinho é para nós!

- Sai daqui! – Grito acima da música.

- Não faz assim Carolyne... deixa eu te provar o quanto sou apaixonado por você! – Ele diz enquanto passa sua mão pelo meu rosto. Dou um passo para trás e ele continua sorrindo. – Vamos tomar o vinho? – Sua calma me irrita.

- Pega esse vinho e enfia no... – Robert cola seus lábios nos meus e morde meu lábio inferior. O solta e dá um passo para trás.

- Querida, me dê uma chance. Por favor! – Estou possuída pelo ódio. Penso rápido e decido me vingar.

- Tudo bem... fica! – Robert parece não acreditar em minha resposta e sorri. – Mas para tomar o vinho apenas! – Digo.

- Tudo bem, tudo bem! – Agora eu vou mostrar com quantos paus se faz uma canoa. Vou me livrar desse peso e tentar me libertar enfim.