Luxúria
1 Seduzindo
Notas iniciais
“Luxúria; s.f. Atração pelos prazeres carnais; comportamento desmedido em relação aos prazeres sexuais; lascívia, libertinagem, libidinagem, sensualidade” Seja qual fosse o significado ou sinônimos nada descrevia melhor o que Elena sentia por ele. Desejo, apetite sexual, atração física, tesão. E céus quanto tesão. Aliás, não era possível existir uma mulher no mundo que o conhecesse e não o desejasse de tal forma, porém, o que a morena sentia era ainda mais intenso e não existia algo que ela desejasse mais do que literalmente cair de quatro para ele.
Com um par de olhos azuis intensos, cabelos negros e compridos que chegavam a altura de suas sobrancelhas e encontravam-se sempre em uma desordem proposital, Damon Salvatore era o homem que mais Elena cobiçou nos últimos três anos e provavelmente em todos os seus vinte e seis anos de sua vida. Com um maxilar largo que deixava seu rosto ainda mais atraente, ele tinha lábios rosados que sempre quando a via formavam um sorriso sorrateiro e extremamente sedutor, que não chegava a mostrar seus dentes perfeitamente brancos mas era suficiente para formar uma sutil covinha no canto de seus lábios e deixar a moça tão afetada quanto ele pudesse imaginar. Ele não fazia ideia do quanto ela o desejava, do quanto ela ansiava em beijar aqueles lábios que em sua mente pareciam ser tão macios e saborosos e o quanto Elena odiava-se e sofrera ao longo desses trinta e seis meses por se sentir daquela forma em relação ao marido de sua amiga... Sim, Damon era casado com uma de suas amigas de longa data da época da faculdade Rebekah Mikaelson, uma das loiras mais mimadas e arrogante que ela conhecia e que feliz ou infelizmente ela chamava sua “amiga”.
Felizmente porque elas não eram tão íntimas a ponto de se considerarem melhores amigas, talvez próximas o suficiente para saírem juntas e com outras amigas com certa frequência e uma frequentar a casa da outra em encontros quase que quinzenais. Infelizmente porque as duas eram amigas de faculdade, encontravam-se frequentemente e porque Rebekah tinha o homem que Elena desejava mas não podia ter em nenhuma hipótese segundo as leis da amizade – se é que isso de fato existia. Mas a jovem dos longos cabelos castanhos e olhos chocolate não aguentava mais resistir tanto àquele sentimento tão forte que a apenas intensificou-se com o passar dos anos.
Tudo começou há quatro anos quando os três ainda estavam na faculdade, ele no último ano de direito sonhando em ser um advogado bem sucedido enquanto as duas tinham ainda mais dois anos pela frente para formar-se em arquitetura. Rebekah e Damon devido aos seus amigos em comum conheceram-se em uma festa da UCLA e desde então começaram a sair, e uma vez em que Elena e Rebekah faziam parte do mesmo grupo de amigas a morena conheceu Damon e desde então aquela calidez fez-se presente nela. No início ela julgou ser apenas uma curiosidade, uma pequena atração pelo novo namorado da amiga afinal Damon sempre fora maravilhoso, porém, com o passar do tempo e que sua presença ficava cada vez mais habitual entre as garotas, Elena começou a sentir-se mais e mais atraída pelo rapaz dos olhos azuis. Por mais que tentasse lutar contra aquilo o sentimento era muito mais forte, ela buscava em outros homens a satisfação e o desejo que via em Damon, e quanto mais conhecia e notava o moreno, mais insatisfeita e frustrada ela ficava por não encontrar em nenhum – e foram muitos deve-se frisar, o que ela imaginava que teria Damon.
Após a tão desejada formatura ter chego e as garotas estarem com seus diplomas de arquitetas em mãos, Damon propões Rebekah em casamento deixando a loira em um nível de felicidade imensurável enquanto certa morena sentia uma decepção sem tamanho. No fundo ela acreditava que o namoro dos dois fosse acabar, principalmente ao julgar o quanto eles se desentendiam e brigavam, e que ela iria finalmente poder aproveitar o status de solteiro do rapaz para poder jogar-se em seus braços – ainda que “ex-namorados” também tivesse um grande foco nas leis de amizades, porém, ela preferia pensar que sua situação seria amenizada se aproveitasse do desimpedimento do rapaz ao invés de cair em tentação enquanto ele ainda era casado com sua amiga. Mas infelizmente o tão desejado término nunca chegou e o casamento estendeu-se por longos três anos
Toda vez que Elena o via era sempre a mesma coisa, mãos suando frio e tremendo levemente, coração acelerado, uma mente cheia de perversidades e um calor que emanava por seu corpo concentrando-se em uma parte em especial entre suas pernas, e isso acontecia frequentemente. A maioria dos encontros quinzenais que Elena, Rebekah e mais três mulheres tinham normalmente eram na luxuosa residência Salvatore – como a própria Rebekah chamava e glorificava-se, e obviamente Damon que também morava naquele lugar por pelo menos uma parte da noite participava daquelas reuniões de mulheres, alimentando o desejo de Elena. Quando ele estava perto a morena não conseguia prestar atenção em outra coisa que não fosse ele, em sua voz e risada rouca que a fazia arrepiar-se por inteiro, em suas mãos másculas e fortes que ela imaginava apalpando seu corpo sem o mínimo de delicadeza e naquela boca magnífica que ela tanto ansiava provar e que desejava tê-la passeando por cada detalhe de seu corpo... Elena já não aguentava mais tudo aquilo, não era saudável para ela sentir algo tão intenso como aquele desejo e ela precisava dar um fim àquilo uma vez por todas.
O estopim que a fizera chegar a essa conclusão fora quando acordara ofegante e suada, após ter tido um sonho extremamente real com o marido de sua amiga em que ele a tomava para si no banheiro do quarto de hóspedes da casa enquanto todos encontravam-se na sala de estar a espera de Elena. A mulher, que julgava ser impossível ter sonhos mais pervertidos com aquele homem do que ela já tinha, acordou tão frustrada e excitada quanto o normal e fisicamente afetada pelo sonho vívido, era como se realmente tivesse ido para cama – ou melhor, para o banheiro, com aquele homem, e sonhar aquilo apenas contribuiu para sua curiosidade de se entregar a ele.
Daquela semana, ou melhor, daquele dia não iria passar. Elena iria usar de todas as artimanhas para seduzir aquele homem, faria tudo o que melhor sabia fazer para leva-lo a loucura e não se importava no que aquela tentação acarretaria, precisava tê-lo nem que fosse a última coisa que fizesse. Investiria em todas suas armas de sedução e não mediria esforços em usar seu glorioso corpo cheio de curvas a seu favor. Ela era uma mulher extremamente atraente e sedutora, e não havia um homem são no mundo que não desejasse leva-la para cama. Na faculdade e até mesmo após ter saído da mesma, a morena era cobiçada por onde passava e todos os caras que tiveram o grande privilégio de provar de seu corpo não mediam esforços em se gabar por tê-la tido em sua cama. Seu jeito sexy mas ao mesmo tempo meigo era apenas uma máscara para a mulher insaciável e sedutora que existia dentro dela.
– Com quem você está transando mentalmente, Elena Gilbert? – a voz afeminada de seu secretário ecoara por sua sala a arrancando de seus devaneios e lembranças recentes de seu sonho, fazendo a mulher encarar o rapaz que a olhava de forma divertida. Max era seu secretário de confiança e amigo para todas as horas que sabia dos mínimos detalhes da vida de Elena e que a conhecia tão bem quanto ela mesma. Um homem muito bonito, alto de olhos verdes que seria o sonho de qualquer mulher senão fosse gay.
– Com o único homem que consegue quase me fazer ter um orgasmo real com um sonho erótico... – respondeu a mulher, choramingando manhosamente de frustração.
– Elena, sinceramente, o que você está esperando para dar logo para esse homem? Não adianta me falar que não é certo com Rebekah por vocês serem amigas porque o fato de você estar gozando pelo homem dela em sonho por todo esse tempo já te faz a maior fura olho que existe!
– Max, não é tão fácil assim, ok? Eu nem sei se o sentimento é recíproco e se Damon me recusar, o que eu vou fazer? Com que cara irei encara-lo em todas os encontros na casa de Rebekah? – perguntou ela em desespero, mesmo que já estivesse certa do que faria ela precisava ouvir de seu amigo a verdade que ela recusava-se em acreditar.
– Com essa mesma cara linda que Deus lhe deu, oras! Se ele lhe recusar, o que eu duvido muito, você irá mostrar a ele tudo o que ele perdeu e ainda por cima de nariz empinado... Elena, Damon é homem e você é extremamente gostosa, se me permite dizer, acha mesmo que ele irá recusar uma boa noite de sexo e que prefere ficar com aquela sem graça da Rebekah? – um sorriso presunçoso apareceu nos lábios da morena ao ouvir seu amigo dar aquele leve empurrão que ela precisava para criar convicção no que faria – Falando em Rebekah, eu a vi ontem de noite com um cara loiro e alto, ela me viu mas fingiu que não me conhecia...
– Não vejo Rebekah há um pouco mais de um mês, ela tem faltado a todas reuniões que fazemos... – ela disse com descaso – Mas você disse loiro e alto? Tinha olhos claros e um rostinho de bebê?
– É, isso mesmo... Alto, loiro, olhos claros, rostinho de bebê, ombros largos de atleta, bem vestido... – assentiu Max, organizando as canetas no pequeno porta-canetas que ele tinha em sua mesa de trabalho.
“Alto, loiro, olhos claros, rostinho de bebê, ombros largos de atleta, bem vestido...” Matt? O que diabos Rebekah estava fazendo com Matt, seu ex-namorado de quase três anos, de noite? Um sorriso quase que maligno tomou lugar do atrevimento que antes iluminava seu rosto com a ideia perfeita que passou por sua mente perversa.
– Ohow, porque você está sorrindo como se estivesse prestes a armar um ataque terrorista?
– Por que de fato eu estou! – respondeu Elena vitoriosa e levantou-se de sua confortável cadeira de escritório – Max, ligue para todos meus clientes de hoje e os de amanhã pela parte da manhã e diga que eu tenho uma consulta médica ou um exame de última hora para fazer e avise meu pai que fui embora por estar passando mal de cólica, feito isso você tem o dia de folga!
Elena não fazia isso com frequência, mesmo que trabalhasse com seu pai, um arquiteto bem conceituado na Califórnia, ela sempre fora extremamente responsável com seu emprego e até mesmo com febre ia trabalhar mas naquela ocasião era diferente, ela finalmente iria sanar o maldito desejo que a perseguia por três anos.
***
Elena arrumou-se com a dedicação e cuidado de uma mulher prestes a se casar, porém, sua mente estava focada no que viria após, nos prazeres da lua de mel e na realização de finalmente poder ter o homem de seus sonhos. Por alguns segundos ela pareceu ter quinze anos novamente na noite em que perdera a virgindade com seu namorado da época, sentindo-se terrivelmente ansiosa por saber como aquela noite terminaria e talvez até ainda mais por não haver aquela expectativa e insegurança de como seria. Era com Damon que ela terminaria o dia entre lençóis, não tinha a mínima possibilidade de aquela noite não ser como ela esperava.
Com um vestido curto com mangas três quartos e extremamente justo ao corpo Elena investiu em um decote avantajado que sensualizava seus seios fartos presos por um sutiã de renda fina vermelho, e insistiu em deixar suas longas pernas a mostra pelo vestido curto que pareciam alongar-se ainda mais devido aos saltos alto, destacando tudo o que ela tinha de melhor com aquela roupa. Deixou seus longos fios com ondas bem definidas soltos, moldurando seu rosto e para finalizar, fez uma leve maquiagem que fora finalizada com um batom vermelho exatamente da cor de suas roupas intimidas e da forma que ela sabia que ele gostava. Nas noites de garotas em que Rebekah adorava se gabar pela vida que tinha, ela contava as amigas o quanto Damon adorava quando ela usava batom vermelho e o quanto enlouquecia quando a via de lingerie daquela cor, então porque não fazer a vontade do homem e seguir as dicas de sua própria esposa?
Além de encher a boca para falar de suas roupas caras e restaurantes bem conceituados que costumava a comer, Rebekah havia faltado as aulas de como ter um casamento bom e duradouro que ensinava a não venerar seu marido para qualquer que fosse a mulher, e nas conversas sobre sexo a loira adorava vangloriar o quão selvagem seu homem era na cama conseguindo deixar Elena em um estágio de inveja e frustração que a fazia querer chorar por ele não ser seu. Rebekah apenas instigava e provocava a amiga, como se soubesse que seu marido era objeto de desejo dela, mas o que a moça não sabia era que a morena juntava tudo o que Rebekah já havia contado de íntimo sobre Damon para finalmente poder usar a seu favor.
Com o barulho de seus saltos tocando o porcelanato do chão e seus passos confiantes e decididos, ela caminhou com a confiança de uma leoa pelo largo corredor do prédio comercial em direção ao escritório de advocacia onde trabalhava sua presa da noite. Ao entrar na sala onde havia uma placa escrito o nome do rapaz na porta, a morena fora recebida por um olhar gélido da secretária que a encarou dos pés a cabeça com desdém.
– Posso ajudar? – perguntou a mulher.
– Olá, estou procurando por Damon Salvatore, ele está? – respondeu Elena, usando seu melhor tom de superioridade para falar com a secretária mal humorada de seu homem.
– Tem hora marcada? – respondeu a mulher com outra pergunta, olhando a tela do computador diante de si.
– Receio que não, mas sou uma amiga antiga de Damon e só precisava trocar uma palavrinha com ele... – Elena insistiu, aproximando-se da mesa da mulher, inclinando-se sobre ela de forma que apoiava-se em suas mãos com os braços esticados.
– Olha querida, você não pode chegar aqui e querer falar com o Doutor Salvatore sem que tenha horário marcado, isso aqui não é festa! – a secretária rebateu, fuzilando Elena que não se deixou intimidar e ao invés disso, apenas jogou a cabeça para trás em uma risada.
– Oh querida, eu sei bem como essas coisas funcionam, tenho um escritório também e sei também que se eu deixar escapar para Damon que sua secretária destrata seus clientes essa cadeira passará a ser esquentada pela bunda de outra mulher nos instantes seguintes! – com um sorriso presunçoso e um sútil tom ameaçador, Elena inclinou-se na altura da mulher que arqueou a sobrancelha visivelmente amedrontada – Agora, se não for incomodo, poderia me informar se Damon está livre?
Sem desviar o olhar do de Elena, a mulher levou sua mão ao telefone, porém, sem que fosse preciso que ela se comunicasse com o homem da outra sala, a porta da mesma fora aberta e aquela voz rouca extremamente sexy fizera Elena sorrir em êxtase com o arrepio que percorreu sua espinha.
– Ashley, você pode me... Elena? – ele perguntou surpreso e com aquele sorriso de canto que a tirava o fôlego – Quanto tempo! O que faz aqui?
– Damon, hey! – ela sorriu presunçosamente, olhando pra a moça sentada de forma vitoriosa – Me perdoe por vir assim sem avisar mas eu não consegui achar seu telefone e nem falar com Rebekah para que ela pudesse me número...
– Sem problemas, eu estou livre mesmo! Venha, entre aqui para conversarmos melhor... – aconselhou Damon em uma proposta extremamente indecente que fizera a mulher sorrir abertamente e arrepiar com o toque da mão máscula do homem na base de sua coluna e com aquele perfume amadeirado que encheu suas narinas ao passar por ele.
Ela realmente havia virado uma adolescente de quinze anos totalmente alheia e vulnerável aos toques de um homem.
Assim que eles entraram no espaçoso e bem arquitetado escritório de Damon, a atenção de Elena fora focada exclusivamente na enorme mesa mogno onde o rapaz trabalhava e nas inúmeras formas que eles poderiam aproveitar dela. Porém, apesar de extremamente excitante a ideia de tê-lo tomando para si de todas as formas possíveis que aquela mesa favorecia, ela tinha outros planos para os dois e definitivamente uma “rapidinha” com a possibilidade da secretária ouvi-los não era algo cogitável.
– Sente-se, fique a vontade... – Damon sorriu, gesticulando em direção a sua mesa e aproveitando do fato da mulher estar de costas para fazer uma breve análise no corpo da mesma.
“Puta merda” pensou o homem, xingando-se mentalmente por não conseguir evitar olhar para a amiga de sua esposa que parecia estar ainda mais gostosa que o normal. Suas curvas estavam bem realçadas sob o tecido fino de seu vestido preto que ajustava-se a fina cintura de Elena e demarcavam seus quadris, o olhar de Damon percorreu toda a estatura mediana da mulher que estava um pouco mais alta devido aos saltos, correndo por suas longas pernas expostas e demorando um bom tempo na parte traseira de seu corpo perguntando-se o tamanho de sua roupa intima – ou se realmente usava uma, por não estar marcando no tecido da roupa.
“Puta merda!” pensou Damon novamente engolindo seco, lembrando-se do fato de ser casado e que Elena era amiga de sua esposa.
– Obrigada! – a mulher sorriu sentando-se ao local orientado, observando cada passo de seu advogado vestido formalmente – Mais uma vez, me perdoe por vir dessa forma, entendo o quanto é chato quando chega alguém no fim de seu expediente sem hora marcada querendo ser atendido – a mulher encolheu os ombros em uma falsa inocência e culpa, que fizera o rapaz sorrir mais uma vez.
– Não preocupe-se com isso, afinal, não somos tão formais assim, não é? – ele arqueou as sobrancelhas em um tom zombeteiro que era sua marca registrada e sentou-se em frente a ela – E então, espero que não seja problemas com a construtora que a fez me procurar...
– E realmente não foram, está tudo ótimo com a construtora, estamos a cada dia progredindo mais! – respondeu a mulher, ajeitando sua bolsa na guarda da cadeira onde estava sentada e rindo mentalmente pela forma com que ele havia começado o assunto. Se Damon ao menos desconfiasse sobre o que a fizera procura-lo...
– Que ótimo ouvir isso, você e seu pai juntos não teria como ter outro resultado, não é mesmo?! Rebekah me contou que você está construindo uma casa de dar inveja a qualquer um, verdade?
– Rebekah disse isso? – perguntou a mulher começando a colocar seu plano em prática – Na verdade, eu comprei uma casa, muito boa por sinal mas estou a reformando... Faz tanto tempo que não vejo ou falo com Rebekah que acho que ela ouviu a história por terceiros...
– Vocês são tão amigas assim a ponto de considerar uma semana muito tempo sem se ver? – Damon perguntou com um riso divertido, ajeitando-se em sua cadeira de forma despojada.
– Para ser sincera eu não falo Rebekah há um pouco mais de um mês, ela tem faltado nossos últimos encontros para ficar com você... A última vez que a vi fora ontem de noite porém ela fingiu que não me conhecia – respondeu a morena com descaso fazendo Damon franzir o cenho visivelmente incomodado e desconfiado – Enfim, eu não quero tomar seu tempo Damon, o que eu preciso é bem simples na verdade... – “você, nu em minha cama... Simples assim!” adicionou mentalmente.
– Ficarei honrado em lhe ajudar!
– Então, como você sabe estou me mudando então decidi comprar tudo novo para minha casa nova... Por internet... – ela franziu o cenho em desgosto – Há mais ou menos três meses comprei uma televisão e um notebook em uma loja virtual que deveriam ter chego duas semanas após a compra, porém, até hoje eu não vi a cor deles. Entrei em contato com a loja e fui atrás de minha entrega, porém, de nada adiantou...
–Certo! Você trouxe comprovante de compra, os dias certos que entrou em contato com a loja e o que foi dito? – perguntou sério o homem, apoiando seus punhos sobre a mesa fazendo uma onda de calor percorrer o corpo daquela mulher devido aquela forma responsável que ele havia adquirido, ele conseguia ficar ainda mais irresistível daquela forma.
– Trouxe sim... – assentiu a mulher, pegando de dentro de sua bolsa uma pasta com os documentos necessários.
Como Max havia dito e ela confirmado, aquilo literalmente era um ataque terrorista – contra o casamento de sua própria amiga, estava tudo milimetricamente planejado em sua mente e para sua grande felicidade tudo estava ocorrendo exatamente como desejado. De fato ela havia comprado uma televisão e um notebook há mais ou menos três meses que ainda não haviam chegado, mas a reforma de sua casa ainda não havia saído do projeto e ela não levaria seus eletrodomésticos novos para um ambiente em reforma, portanto, não tinha pressa em receber suas compras. Mas a morena não tinha como perder uma oportunidade de ouro como aquela de ficar sozinha com Damon para seduzi-lo.
Elena estava aproveitando cada segundo que passava trancada naquela sala com Damon e podia perceber o moreno caindo em todas suas provocações descaradas que pioravam conforme ele correspondia. Enquanto Damon, por sua vez, sentia-se extremamente incomodado com aquilo e com a ideia de não poder flertar com ela; cada vez que seus olhos pousavam no decote evidente da mulher; toda vez que ela passava a mão em seu pescoço “involuntariamente” ou que seu pé, que pendia no ar por ela estar de pernas cruzadas, acariciava sua panturrilha, ele amaldiçoava-se por ter nascido homem e ser casado. Era impossível controlar-se com uma Elena Gilbert trancada em seu escritório vestida daquela forma, praticamente esfregando seus seios fartos em seu rosto e provocando-o daquela forma, nem mesmo sendo o mais fiel dos homens. A cada palavra dita ele focava o olhar nos lábios vermelhos de Elena, imaginando como seria borrar aquele batom provando de lábios tão atraentes, beijar aquele pescoço que parecia tão perfumado e macio para então afundar-se em seu decote, preenchendo suas mãos com o volume dos seios da moça. Damon estava começando a desejar aquela mulher como se ela fosse água no deserto, porém, fugia da mesma como se nela tivesse veneno ou algo letal.
Era tentação demais para um homem ter a própria perdição diante de si. Damon conhecia a fama de Elena, seus amigos e colegas que já haviam ido para a cama com a mulher comentavam coisas incríveis a seu respeito e além disso, ele conhecia a morena, por ser amiga de sua esposa ele ficava sabendo de antemão sobre alguns fatos de sua vida e tinha consciência que quase nada que vinha de Elena Gilbert era muito virtuoso. Elena sempre fora um poço de sensualidade, parecia que aquela mulher exalava sexo e ele não podia negar a certa curiosidade que tinha naquela mulher, porém, seu estado civil, a amizade dela com sua esposa e o fato de realmente gostar da mulher com quem dividia a cama não o permitiam sanar tal curiosidade. Obvio que Damon achava Elena extremamente atraente e por algumas vezes em que a recebeu em sua casa imaginou como seria uma noite com ela, afinal, ele era homem e também não era cego, mas nunca havia a desejado como estava naquele momento. Até porque ela nunca havia o provocado tão descaradamente.
– Então Elena, pelo que me foi comunicado até semana que vem sua compra estará em sua casa e com alguns brindes de pedidos de desculpas... Caso ao contrário, você poderá voltar aqui e entraremos com um processo contra eles mas creio que não será preciso – Damon disse com um riso convencido e orgulhoso após longos quarenta e cinco minutos tentando resolver o caso de sua cliente.
– Oh, muito obrigada Damon eu... – a morena começou a falar mas logo fora interrompida pelo aparelho de celular do rapaz que tocou sobre a mesa por ele ter esquecido de colocar no silencioso após Elena ter chego.
– Me perdoe por isso Elena...
– Sem problemas, pode atender... – respondeu gentilmente a mulher, passando as mãos em seus cabelos tentando mostrar certo descaso.
– É mensagem de texto... – ele respondeu com frieza, de maxilar tensionado e cenho franzido em uma expressão de ódio – E pelo jeito você tem planos com as garotas para essa noite – adicionou com desdém.
– Perdão?!
– Rebekah acabou de me avisar que tem um encontro marcado com vocês na casa de Katherine... – o homem explicou engolindo seco com certa revolta.
– Hm Katherine está em Nova Iorque para o aniversário da irmã e que eu saiba as meninas estão ocupadas... – Elena disse dando de ombros e então sacou seu celular de sua bolsa para verificar se havia recebido alguma mensagem, ouvindo Damon soltar um riso anasalado e sem resquícios de humor.
– Elena, quando você viu Rebekah, ela estava só?
– Eu não consegui distinguir quem era, pelo que pude perceber ela estava com Klaus...
– Ela estava acompanhada por um homem? – ele perguntou, recebendo a resposta que tanto temia ouvir – Klaus está viajando a negócios e eu saberia se ela estivesse com ele... – murmurou o moreno, pensando alto – Matt Donovan ainda está na Califórnia?
– Está sim, nós saímos quase sempre! – ela assentiu, sorrindo mentalmente por ter conseguido causar o que queria em Damon – Porque a pergunta?
Sua intenção era deixar o rapaz desconfiado, queria insinuar de todas as formas que Rebekah o traia, mesmo sem saber se ela realmente fazia, enquanto fazia aquele joguinho de sedução para cima dele. Tudo estava saindo conforme planejado e a forma com que Damon acreditava na morena apenas confirmavam as hipóteses iniciais dela de que o homem já desconfiava da fidelidade de sua esposa, o que era uma grande surpresa já que Rebekah sempre mostrou-se louca pelo marido.
– Defina sair...
– Eu e Matt não transamos, se é o que quer saber Damon. Sempre fomos apenas bons amigos e nunca passou disso, nossos encontros resumem-se em uma conversa jogada fora e muitas doses de tequila ou taças de vinho... – explicou a morena com um tom debochado – Matt não faz meu tipo, eu prefiro os morenos... – ela adicionou, piscando maliciosamente para ele.
– Até parece! – Damon gargalhou alto – Desde quando Elena Gilbert tem um tipo especifico de homem?
– É, talvez você tenha razão mas o que eu quis dizer é que eu e Matt nunca tivemos nada mais íntimo que apenas um beijo quando estávamos bêbados... – ela respondeu rindo igualmente.
– Presumo que ele esteja solteiro ainda...
– Bom, Matt nunca está sozinho mas ele tem saído com uma mulher misteriosa há um pouco mais de um mês, porém, eu não sei de nada sobre ela...
Já cansada e impaciente de ficar sentada naquele escritório que parecia explodir a qualquer momento de tanta tensão sexual, Elena endireita sua postura na cadeira inclinando-se sobre a mesa, apoiando-se em seus braços, e mais uma vez investe em provoca-lo por debaixo da mesa, porém, realmente enroscando sua perna ao do homem.
– Mas chega de falar sobre mim ou Matt, vamos conversar sobre você... – ela sorriu sedutoramente, olhando fixo naqueles olhos azuis que ela tanto apreciava.
Damon, por sua vez, estremeceu visivelmente pelo contato de suas penas debaixo da mesa, e sob o tecido fino de sua calça social ele conseguia sentir a perna nua de Elena roçando-se as suas enquanto ela balançava a mesma e sem que ele tivesse mais forças para evitar, seu olhar pendeu sobre os seios extremamente convidativos que haviam ficado ao alcance de seus olhos por ela ter se inclinado daquela forma. Um desejo involuntário tomou conta de seu corpo ao imaginar-se perdendo naquele decote e tomando aquela mulher para si naquele escritório mesmo, sobre sua mesa, no sofá de couro preto no canto da sala ou até mesmo no chão do local. Por alguns segundos Damon esqueceu-se de seu estado civil, esqueceu-se de todos os contras, de seus votos de fidelidade e o fato de Elena e Rebekah serem amigas para focar unicamente naquele desejo carnal e libidinoso que havia se alastrado pelo seu corpo e na vontade de render-se a todos os prazeres que sabia que Elena podia lhe favorecer.
– Eu estive pensando, o que acha de irmos jantar essa noite para conversarmos melhor? – sugeriu Damon, com uma inocência proposital mas que exalava segundas intenções.
– Eu tive uma ideia melhor... Porque não vamos para minha casa onde conversamos melhor enquanto apreciamos um bom vinho?
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