Luxúria

8 Revelações


Notas iniciais
Oh meu deus, cheguei e com uma bandeira enorme branca pedindo paz e desculpas pelos dois meses de sumiço. Gente, muita coisa aconteceu depois que eu postei e ficou uma correria minha vida, fiquei de atualizar LS tmb mas tudo desandou e para compensar eu fui para casa da minha mãe e ainda inventei um especial de soho dolls para o natal (que aliás vou deixar o link nas notas finais para quem nao leu hue). Sei que nao tem muita justificativa mas desculpem gnt e espero que ainda tenham interesse na fic. O capítulo ficou enorme e como eu nao esperava isso tive que dividir os ultimos em dois entao teremos mais um ainda (ja nao sei quantas vezes falei isso aqui mas enfim), espero que gostem e que me desculpem. Beijos e boa leitura

O restante do dia de Damon arrastava-se como uma tortura, depois da visita de Rebekah tudo desandou para ele e sua concentração havia sido levada junto da loira que saíra revoltada pela porta. A notícia de que seria pai havia lhe pegado totalmente desprevenido, nenhuma das duas mulheres que havia se relacionado estava disposta a lhe dar um filho e o fato de que era Rebekah que estava grávida o deixava ainda mais inquieto. Parecia que sua ficha ainda não havia caído e assim que estivera sozinho em seu escritório, por muitos segundos ele ficou imóvel em sua cadeira encarando um ponto fixo em sua mesa repetindo para si mesmo que iria ser pai.

– Você vai ser pai, cara, e está completamente fodido! – ele repetia para si mesmo, mexendo nervosamente em seus cabelos.

Ainda que um de seus maiores sonhos estava sendo realizado, Damon tinha outro grande problema em mãos que não iria gostar absolutamente nada em saber que outra mulher estava a espera de um filho seu. Elena. Ele já podia imaginar o surto de sua atual namorada quando ouvisse a notícia que sua até então melhor amiga estava grávida dele. E essa era uma briga que ele não queria ter.

O bipe do telefone soou alto no canto da mesa, o fazendo pular na cadeira.

– Fale, Ashley – Damon respondeu apertando o botão que dava acesso ao autofalante do telefone.

– Doutor Salvatore, preciso lembra-lo de que em quinze minutos o Senhor tem a reunião mensal com o contador, Senhor Lermann, e ele ligou avisando que talvez se atrase uns cinco minutos devido a um acidente na Vermont. A Senhora Waldorf ligou enquanto sua esposa estava aqui e ela está desesperada porque o marido está ameaçando lhe tirar os filhos se ela continuar exigindo uma pensão tão alta e pediu para que o Senhor a ligasse urgentemente...

Encrencas e mais encrencas. Definitivamente aquele não era o melhor dia para uma reunião insuportável cheia de números e gráficos e muito menos para aturar uma mulher querendo dar o golpe no marido ricaço. Mas talvez seria melhor do que enfrentar Elena uma vez que ele estava convicto de que ela deveria ser a primeira pessoa a saber das novas.

– Tudo bem, Ashley – ele soltou um suspiro fundo – Obrigado!

– Ah e a Senhora Salvatore deixou um envelope em minha mesa e pediu para que eu entregasse ao Senhor, disse que esqueceu de deixa-lo com você.

Seus dentes trincaram com força com o descaso de Rebekah. O envelope, que no caso eram seus exames, ela iria precisar para começar com aquela bateria de consultas que uma gestação requeria mas obviamente ela queria tudo aquilo longe dela, tudo o que remetia àquela gravidez Rebekah queria distância.

– Esse envelope não é meu e ela deveria estar com ele. Me faça o favor de manda-los de volta a ela o mais rápido que conseguir e de preferência hoje mesmo, não quero ter o trabalho de entregar a ela pessoalmente.

– Mas...

– Sem mais, Ashley, faça o que eu disse e quando estiver saindo para providenciar me avise.

Sem esperar ela questionar, Damon desligou a ligação jogando-se para trás na cadeira. O relógio marcava apenas duas da tarde e seu dia estava apenas começando mas ele já estava exausto e precisando loucamente de um banho e uma boa dose de sexo com Elena para se acalmar. A segunda parte seria um tanto difícil de conseguir em visto do que ele precisava lhe contar mas a primeira o fazia querer sair daquele escritório e esquecer dos problemas no restante do dia.

Balançando a cabeça negativamente tentando afastar aquela aura negativa de seu redor, Damon sacou o celular para digitar uma mensagem para Elena perguntando se ela tinha planos para aquela noite e o que ela achava de um jantar na casa dela, e outra para Rebekah, um tanto quanto grosseira a mandando ficar com os papeis já que ela precisaria para os futuros exames. Antes mesmo que pudesse seguir para seu terceiro afazer com o celular, o aparelho vibrou mostrando que Elena havia respondido e aceitado a proposta do jantar com uma carinha sorridente no fim da mensagem, o deixando mais apreensivo para aquela noite.

***

– Damon, hey, chegou cedo! – Elena cumprimentou o moreno que entrava pela porta da frente de sua casa com a cópia das chaves que ela providenciará.

– É, decidi usar uma hora das milhões de meu banco de horas – ele falou rindo sem humor, bagunçando os cabelos em um gesto nervoso – Você também chegou cedo... – Elena ainda usava sua saia lápis preta um pouco acima dos joelhos que estava perfeitamente alinhada a sua camisa branca em sinal de que ela havia chego a pouco tempo não dando tempo ainda de se trocar.

– As coisas estavam tranquilas hoje apesar das reuniões com investidores... Estou com um projeto novo com meu pai de um mini shopping, um lugar para pequenos comércios de rua, que se der certo nos renderá alguns milhões e quem sabe uma viagem especial para nós dois... – Elena aproximou-se dele com aquele tom de voz sensual, passando as mãos em seu peitoral por cima da camisa branca perfeitamente no lugar apesar do dia de trabalho e aproveitando para se livrar o paletó do rapaz.

Era surpreendente o quanto ela estava adorando a ideia de ter algo fixo com Damon e era perceptível pelo brilho de seus olhos o entusiasmo quando o assunto era o rapaz. A mulher que sempre fora autossuficiente e caia de cama em cama com vários homens agora planejava viagens românticas com um especial e o recebia em sua casa, tirando seu paletó após um dia corrido no trabalho. O mundo realmente dava voltas.

– Parece ótimo, estou mesmo precisando de férias, não faço ideia de quando foi a última vez que tirei férias tempo o suficiente para relaxar. Espero que dê certo, estou torcendo por você! – respondeu com sinceridade, forçando um sorriso.

Seria ótimo se realmente fosse verdade já que nos próximos nove meses Damon não poderia tirar o pé de Los Angeles. Os próximos nove meses e quem sabe muitos mais.

– Estamos na expectativa também... Semana que vem teremos mais uma reunião para apresentar o projeto e então será questão de pouco tempo para a resposta definitiva.

– Mas como que um pequeno comércio pode render tantos milhões assim?

– Bom, não é apenas um pequeno comércio, é o pequeno comércio em West Hollywood! – a morena explicou com um sorriso presunçoso, abraçando-se ao pescoço do amante que já estava agarrado a sua cintura.

– Oh sim, agora entendo o seu ponto! Estou torcendo mais ainda agora!

– Obrigada, esperamos que tudo dê certo também talvez assim meu pai volte a falar comigo direito... – a morena se lamentou, soltando um suspiro melancólico. Ela sentia falta de sua cumplicidade com o pai e esse era o pior castigo que poderia pagar pelo que havia feito.

– Ele ainda está assim com você? Já faz tanto tempo Elena, não tem mais motivo para isso, já passou...

– Mas para ele não. Ele acha que você deveria estar com Rebekah ou então longe de mim, mas o Senhor Grayson não entende que eu tenho tudo o que quero...

– Quem sabe nós não marcamos algum almoço com eles para que pudéssemos nos conhecer melhor? Estamos namorando agora, afinal – Damon sugeriu acariciando as costas e o rosto dela tentando confortá-la.

– É algo a se pensar, prometo que irei planejar com cuidado e preparar terreno mas enquanto isso não vamos nos preocupar. E você, como foi o trabalho?

– O de sempre, problemas que eu preciso resolver! – ele disse ainda sem muito humor, o que fez a morena enrijecer contra ele.

– Vou abrir um vinho para nós antes de jantarmos, o que acha? – com o intuito de aliviar sua tensão, Elena percorreu os braços de Damon com as mãos aplicando certa pressão em seus músculos e em seus ombros tensos enquanto examinava de perto o rosto cansado de seu homem.

– Uma ótima ideia – ele suspirou aliviado, pressionando a cintura de Elena contra seu corpo.

– Você me parece tenso, aconteceu alguma coisa?

– Eu estou precisando de um banho, na verdade, minhas costas estão acabadas... Podemos conversar depois, o que acha?

– Porque você não passa essa noite aqui comigo? – a morena sugeriu, sem tirar as mãos dele – Podemos assistir alguma coisa deitados no futon ou quem sabe fazer amor gostoso em minha cama até não aguentarmos mais...

– Tudo é perfeito! E se eu não estivesse realmente precisando de um banho arrancaria suas roupas agora mesmo – o efeito das mãos de Elena eram instantâneos e o corpo de Damon respondia a cada carícia dela, relaxando sobre a delicadeza e maestria das delicadas mãos – Eu amo quando você fala assim comigo.

– Então vá logo para o chuveiro porque você me deixou morrendo de tesão e eu quero ter você aqui nessa sala, babe! – ela sussurrou no pé do ouvido, fazendo Damon sorrir extasiado.

E assim aconteceu; após sair do banho Damon e Elena transaram demoradamente no chão da sala sob uma manta que cobria tapete que já se tornará um frequente lugar para os dois é só depois de cair lânguido junto ao corpo delicioso da morena ele teve certeza de que precisava contar a ela o que descobrira naquele dia.

– Você continua tenso mesmo depois de todos os orgasmos dessa noite, o que está havendo Damon? – Elena perguntou, ajeitando a camisa do homem que havia vestido para que eles fossem comer.

– Lena, tem algo que eu preciso lhe contar e que você precisa ser compreensiva sobre isso... – ele começou, esfregando suas mãos uma na outra e em seguida em seu rosto tentando afastar seu nervosismo e pensar em uma maneira de contar aquilo a ela – Rebekah me procurou hoje...

– E o que ela queria?

– Dizer que está grávida... – ele disse por fim sem conseguir pensar em como ser menos direto.

O silêncio teria tomado conta da sala se não fosse pela respiração descompensada de Damon e os batimentos cardíacos acelerados dos dois. O lugar que antes estava repleto de luxúria e tesão agora era apenas tensão e que definitivamente passava longe de ser sexual.

– Mas grávida? – ela disse após um tempo significativo calada – Mas como isso é possível? Digo, eu sei como mas...

– Eu não acreditei de início também mas ela levou os exames e está tudo lá, a data gestacional, o exame positivo...

– E quais são as possibilidades desse filho ser seu? – Elena perguntou de cenho franzido, agoniada.

– Todas... – admitiu ele de cabeça baixa – De acordo com os exames ela está de sete semanas e há sete semanas nós...

– Ainda estavam juntos... – concluiu Elena, fechando os olhos vagarosamente como se algo tivesse lhe atingido em cheio no estômago.

– Eu não sei o que acontece agora mas precisava lhe contar o quanto antes, antes que você descobrisse por terceiros... Eu sei que é muito para assimilar, eu mesmo estou ainda em choque com a notícia, foi algo totalmente inesperado – Damon explicava-se tentando manter a calma enquanto Elena tentava engolir cada palavra dita por ele – Elena, fale alguma coisa pelo amor de Deus!

– E o que você quer que eu fale, Damon? – ela perguntou exasperada, jogando os braços para alto.

– O que você está pensando, não sei, esse seu silêncio me mata!

O que ela estava pensando? Ela estava pensando que Rebekah era uma vadia de marca maior, uma mulher vingativa baixa que estava jogando com todas as cartas contra ela até mesmo as que iam contra ela mesma. Rebekah sempre deixara claro que não tinha interesse nenhum na maternidade e de uma hora pra outra aparece grávida era mais que coincidência principalmente quando os papeis para o divórcio estavam a um ponto de ser resolvido.

– Tudo bem, você quer saber o que eu estou pensando então lá vai... Eu estou achando essa história muito mal contada e acho que Rebekah está fazendo de tudo para nos atingir, mas o que não me entra na cabeça é o motivo disso tudo já que ela deixou claro que quer distância de você. E eu estou achando que eu sou uma grande idiota, é claro!

– Ela disse que Matt a obrigou a me contar porque eu tenho esse direito, mas logo falou que iria tirar o bebê e que não era para eu me preocupar.

– Então porque você me parece tão tenso? Nada disso faz sentido, Damon! – Elena riu sem humor, levando as mãos aos cabelos em um gesto desesperado.

– Você está insinuando que eu deveria estar tranquilo porque ela quer matar meu filho? É por isso mesmo que eu estou tão tenso e contando tudo isso a você, Elena, porque eu quero esse filho e vou lutar por ele. Sinceramente não consigo acreditar que ouvi isso de você! – ele respondeu irritado, levando-se do sofá para ir atrás de suas roupas deixadas no quarto da morena.

– Hey, desculpe não foi isso que eu quis falar... – rapidamente ela se levantou indo atrás dele, o segurando pela mão – Vem cá, Damon, vamos conversar.

– Não Elena, foi isso mesmo que você quis dizer!

– Não foi não e você sabe disso! Que droga Damon, tente entender meu lado também, estou tentando ser compreensiva mas nada disso é fácil para mim – explicou-se encarando o homem se manifestar e como não houve resposta ela põe-se a continuar – Acredite quando eu digo que Rebekah vai tentar voltar com você por causa dessa gravidez, ela chegou a mencionar sobre o divórcio?

Levando em consideração o quanto ela e Rebekah eram parecidas, uma gravidez seria um dos meios que a morena usaria se estivesse tentando fisgar Damon e isso a deixava ainda mais apreensiva com aquele bebê que estava por vir.

– Você acha mesmo que eu vou voltar com alguém que está querendo matar meu filho? Por favor, Elena! – ele respondeu irritado – Eu pedi para você ser compreensiva mas se isso for pesado demais para você aguentar então eu sugiro que a gente acabe tudo agora mesmo!

Ela não sabia muito bem como reagir àquilo, já estava acostumada a lidar sob pressão e ameaças e sempre conseguia contornar a situação a seu favor mas naquele momento tudo dentro dela gritava para que ela aceitasse a sugestão de Damon e corresse para o mais longe que conseguisse dele. Elena nunca tivera interesse em ter filhos, principalmente filhos de um homem com outra mulher mas a situação era completamente diferente e Damon não era um homem qualquer. Damon era o homem que ela sempre sonhara em ter.

– Eu não sei, Damon, eu não sei, ok? – ela respondeu um tanto alterada, deixando as mãos que estavam em sua cabeça penderem rente ao corpo – Se coloque em meu lugar, imagine se eu estivesse grávida de outro homem e não venha me dizer que a situação é completamente diferente por é exatamente a mesma coisa. Você vai criar um laço eterno com Rebekah, Damon, vocês vão ter algo entre vocês que não vai deixar nenhum dos dois seguir em frente e esquecer o passado e eu vou continuar fazendo esse papel ridículo da outra mulher.

– Você acha que eu não sei disso, Elena? Eu passei o dia todo pensando, minha cabeça está explodindo, poderia muito bem deixar Rebekah fazer o aborto e então cada um iria para o seu canto mas é do filho que eu tanto quis que estamos falando e não simplesmente algo que possa jogar fora ou um empecilho – o estresse que pesava nas costas de Damon era visível assim como a agonia e tristeza em seu lindo olhar azul – Eu estou completamente sozinho nisso tudo e pensei que você fosse me apoiar nisso, Elena, mas agora vejo que estava extremamente equivocado... – Damon prosseguiu, dando as costas a Elena.

Ela não podia ser tão fria e durona a esse ponto. Um sentimento enorme de compaixão tomou conta da morena a fazendo ir atrás dele, o abraçando com força. Sem dúvidas a gravidez de Rebekah não seria algo que Elena iria aceitar facilmente mas só a ideia de se afastar de Damon a deixava aos prantos, mesmo que ela quisesse terminar tudo naquele momento devido a raiva que sentia sabia que no dia seguinte estaria devastada por ter sido tão impulsiva. Maldito seja Damon que a fizera amolecer dessa forma.

– Você não está sozinho nisso, Damon, eu estou com você! – Elena disse, acariciando os cabelos negros do homem que enterrava o rosto na curvatura de seu pescoço – Mas por favor não fique bravo comigo, é demais para eu captar tudo em um dia só. Prometo tentar me esforçar e pensar no assunto mas não me peça para aceitar numa boa o fato de sua ex esposa estar grávida de fato.

E de fato era mais difícil do que ela pensava, os dias se passavam e no fundo ela acreditava que tudo aquilo era mentira mas as evidencias da gravidez de Rebekah eram cada vez mais concretas. Após Damon oferecer dinheiro a ela para cobrir todo o acompanhamento durante os nove meses, o parto do bebê e mais uma quantia um tanto coercitiva para que ela abandonasse a ideia do aborto, Rebekah já estava mais conformada com a gravidez, não ao ponto de mudar de opinião sobre o bebê ser um atraso em sua vida mas sim que não poderia matar seu filho – gostando ela ou não.

Damon, por sua vez, enchia-se de alegria toda vez que se lembrava do bebê que estava por vir. Para ele a ficha estava caindo aos poucos e todos os exames, as ultrassonografias, as roupinhas que olhava incansavelmente nas lojas o fazia amolecer ainda mais por dentro. Era difícil para Elena conviver com aquela negação quando o homem ao seu lado era cheio de esperanças, seguidas foram as vezes em que ela cogitou terminar tudo com Damon devido a gravidez mas em sua mente ecoavam as palavras ditas por ele e o olhar desesperado por estar sozinho em sua face.

Ela estava mais apaixonada por ele do que pudesse imaginar e precisava passar por cima de seu ego de mulher machucado e ciúme de mulher apaixonada. Damon a fazia bem e não tinha como negar isso, ela se sentia completa ao seu lado e tão satisfeita que nunca imaginara que fosse se sentir assim por homem nenhum e ela não podia botar tudo isso a perder de jeito nenhum.

Com o decorrer dos dias o fatídico assunto era evitado com veemência e além dessa preocupação, Elena carregava também a briga com seu pai nos ombros e o almoço no sábado que havia sido combinado para que Damon fosse apresentado. Não tinha mais como evitar o inevitável e a mulher mantinha em mente o lema de sempre que quanto antes você lidar com seus problemas mais rápido eles se resolverão. Ou não, mas ainda assim era válido tentar.

A proposta para o almoço repercutiu da forma que ela imaginava; sua mãe não queria aquele encontro e seu pai menos ainda então a tensão permanecera desde o momento em que Damon e Elena puseram os pés para dentro da enorme mansão dos Gilberts.

O silêncio era constrangedor, a atmosfera entre aquelas quatro pessoas era tão pesada que chegava a pesar nas costas de Damon e Elena. Era ainda pior que aquele típico almoço de sábado onde a filha leva o namorado para conhecer os pais durões apenas com a diferença que Elena tinha vinte e seis anos e Damon era o segundo namorado sério que ela levara para casa – com o conhecimento dos pais –, desde os quinze anos e claro que o fato de que Damon traia a esposa com ela não cooperava em nada com tudo aquilo.

Ninguém se atrevia a manter qualquer diálogo que fosse e o único barulho que se ouvia era o tilintar dos talhares nos pratos, nem um ruído ou respiração a mais. Era tão constrangedor que chegava a ser incômodo. Os únicos que interagiam era Damon e Elena, sorrindo sorrateiramente um para o outro como se buscassem força nos olhares trocados e se consolassem com a situação do outro, o que não passava despercebido de Grayson e Miranda.

– Pai você pode me passar o sal, por favor? — Elena pediu com aquele tom de voz hesitante típico de criança que levava bronca e temia interagir com os pais.

– Está na sua frente Elena – Grayson respondeu friamente a fazendo suspirar derrotada. Era a terceira vez que ele respondia a filha daquele modo e ela tentava ao máximo se esforçar para agradá-lo mas a presença do moreno dos olhos azuis estava o deixando ainda mais irritado.

– Elena me falou sobre o projeto em West Hollywood, ela tem trabalhado duro no projeto e mal dorme durante a semana... – fora vez de Damon tentar uma brecha mais uma vez, falar de trabalho sempre facilitava qualquer aproximação e para um homem como Grayson supostamente não seria diferente.

– Então vocês já estão até morando juntos? – Grayson respondeu deixando os talheres sobre o prato e apoiando os cotovelos a mesa – Pelo menos agora ela passa as noites trabalhando... Ou pelo menos é isso que você acha.

A frieza de seu pai atingirá Elena em cheio como um soco na cara, era perceptível o nojo em sua voz e Damon controlava-se para não despejar uma resposta mal criada para o sogro.

“Tenho mais do que certeza de onde ela está, sempre a deixo ofegante e suada em sua mesa do escritório após transarmos no meio da madrugada.”

– Grayson... – Miranda reprimiu o marido com um sussurro baixo do outro lado da mesa.

– O que foi Miranda? Estou sendo franco! Vocês, aliás, não me responderam se já estão morando juntos...

– Ainda não Senhor, mas passamos boa parte da semana juntos, quem sabe mais para frente isso não aconteça depois que o bebê nascer! – Damon respondeu causando uma reação instantânea de choque em todos naquela mesa. Inclusive de Elena.

Como um jogo de dominó em que as peças caiam, os pares de sobrancelhas arqueavam-se em uma expressão incrédula.

– Bebê? – Miranda perguntou abismada em um misto de choque e esperança – Você está grávida, minha filha?

Sem saber como responder aquilo, Elena toma um grande gole de sua água antes de pensar em uma resposta. Ela ainda não havia contado aos seus pais sobre a gravidez de Rebekah e não planejava contar tão cedo.

– Elena! – Grayson a repreendeu friamente.

– Não, mãe, não sou eu quem estou grávida e sim Rebekah... – Elena respondeu por fim, encarando firmemente os pais.

– Rebekah? Sua ex esposa... – o pai da morena presumiu friamente.

– Sim... – Damon respondeu tateando a mão de Elena por debaixo da mesa – Ela está quase entrando no terceiro mês mas descobrimos quando estávamos separados.

– E mesmo assim vocês continuam separados? – Grayson perguntou instigado lançando um olhar gélido a Damon – Mesmo quando ela precisa tanto de você nesse momento?

– E eu estou aqui por ela, ou melhor, pelo meu filho, não a abandonei e se ela precisar estarei aqui.

– Uma mulher grávida requer muitos cuidados, rapaz, principalmente no início da gravidez.

– Estou bem ciente disso só não estou entendendo o seu ponto Senhor Gilbert, todos aqui sabemos que filho nenhum segura marido e uma vez que Rebekah quer distância de mim eu não vejo problema em estar seguindo em frente – Damon respondeu com naturalidade e aquele tom de superioridade natural de sua voz, ele era acostumado a lidar com todos os tipos de pessoas e principalmente caras exigentes e sérios que faziam de tudo para intimidar então Grayson não fora um desafio.

– Até consigo imaginar o motivo de Rebekah não querê-lo por perto, mas ainda assim você é pai do filho dela, é impossível que ela o queira tão longe assim! – Grayson rebateu. Ele não se conformava em estar almoçando tranquilamente com o cara que até um mês atrás era casado e traía a esposa com a filha. O passado continuava vívido em sua mente e ele tinha motivos concretos para tanto desgosto pelo que a filha havia feito.

– Na verdade é bem possível e posso assegurar ao Senhor que Rebekah não está tão realizada com a existência do bebê ou qualquer coisa que se arremeta a mim – o moreno argumentou friamente – Irei ajuda-la com a criança como qualquer pai apenas com a diferença de não serei casado com Rebekah, vários casais fazem isso hoje em dia. Elena é a única que vem me apoiando e eu sou extremamente grato a ela por isso.

Como se tivesse dado um basta no assunto, Damon prosseguiu a comer tranquilamente mas sem largar a mão de Elena por um segundo. Os olhos de Grayson continuavam rígidos na filha, porém, dava para perceber que sua mente vagava para longe estando presente apenas de corpo. Aquela tensão continuou entre os quatro assim como silêncio que voltara a reinar até que o barulho estridente do celular de Damon o obrigou a largar a mão de Elena. Na tela a foto junto com o nome de Rebekah brilhavam deixando o rapaz apreensivo pela ligação. Ela nunca ligava principalmente nos sábados.

– Eu realmente preciso atender, com licença – sem aguardar muito mais respostas, Damon saiu da mesa seguindo até o grande quintal nos fundos da casa longe o suficiente para atender a ligação.

– Eu estou ainda mais decepcionado com você, Elena! – Grayson disse friamente – Você destruiu uma família, Elena, entende a gravidade disso?

– Porque o Senhor simplesmente não esquece isso? Eu não destruí uma família, ela iria ser destruída por si só, Rebekah nunca quis filhos e isso não é novidade. Damon está tendo que dar dinheiro para ela continuar com essa criança – de cabeça erguida, ela desafiou o pai largando os talhares e seu guardanapo de pano em sinal de que não iria mais comer – Porque é tão difícil para o Senhor entender que eu e Damon estamos bem e que Rebekah está muito melhor com Matt, o cara que ela sempre gostou e que sempre gostou dela?

– Eu poderia até entender mas agora toda essa história me deixa revoltado com o que você fez. Fico me perguntando no que eu errei em sua criação, de onde tirou esses “valores” por ter seduzido um homem casado e casado com a sua melhor amiga – Grayson falava com a filha cheio de desgosto, colocando as cartas na mesa com tudo o que tinha engasgado para falar mas com a última grasse um olhar gélido foi direcionado a sua esposa – Eu olho para você, Elena, e não consigo ver aquela minha menina doce, a garotinha que respeitava a todos e sempre fora educada, a menina que eu dei a melhor educação e vida e que no fim usou dela para dormir com os professores da faculdade dentro da sala de aula e para fazer festas cheia de bebedeira em casa quando os pais não estavam.

A postura de Elena murchava a cada palavra dita e a tensão de seus ombros foi visível com a última frase do pai. Sem entender, ou melhor, entendendo mas não querendo acreditar ela encarou o pai franzindo o cenho. Como ele havia descoberto suas artimanhas da época da faculdade?

– Do que o Senhor está falando? – ela forçou a voz não querendo demonstrar a fraqueza e surpresa do momento. Orgulhosa como sempre, e claro manipuladora, afinal, iria negar até a morte tudo o que ele iria falar.

– De quando você transou com seu professor para ele não te reprovar e das diversas vezes que vocês transaram na faculdade, dentro da sala de aula, nos corredores ou então escondidos na piscina. Ou então de quando você estava no segundo ano do ensino médio e fez uma festa tão alta que os vizinhos chamaram a polícia e eu nunca soube disso. Das vezes que você mentia para mim que ia dormir na casa de amigas e ia para casa do namorado, com quinze anos, e logo em seguida traiu ele com o nosso motorista. Dentro do nosso carro. Preciso te lembrar também dos encontros em família que você sumia com seu primo Liam?

Em meio a sua mente nebulosa de lembranças, a figura de Rebekah aparecia a fazendo ter mais do que certeza de que aquilo era obra dela, afinal, a loira era uma das poucas pessoas que sabiam das coisas que ela fizera no passado e que também usaria isso contra ela.

– Eu não sei do que você está falando – Elena se defendeu.

– Ah não? – Grayson riu sem humor – Não adianta tentar desmentir Elena, tudo faz sentido na minha cabeça principalmente agora depois de ter feito o que fez com Rebekah.

A morena suspirou fundo, controlando-se ao máximo para não dar uma resposta mal educada ao pai. Ela só queria terminar com aquela discussão para ir embora e não voltar para aquela casa tão cedo, ainda que soubesse que havia errado com Rebekah ela era orgulhosa demais para receber um tratamento tão frio com o pai.

– Tudo bem, ok? Eu fiz tudo isso sim e talvez coisas bem piores mas já sou bem grandinha para ter que ficar aguentando sermão dos pais, tenho consciência dos meus atos e não preciso de ninguém para ficar me lembrando o quanto errei. E se você quer saber, não me arrependo um segundo de nada do que fiz, essa sou eu, tá legal? Com todos os defeitos que o Senhor sabe, só não entendendo porque passou a me odiar de uma hora para outra. Um mês atrás eu já tinha feito tudo isso e isso não o impedia de me chamar de “princesa do pai”, o que foi que mudou?

Elena estava furiosa e quando percebeu, já havia se inclinado na direção do pai apoiando-se a mesa.

– Não é preciso pensar muito para saber a quem puxou, você é igual a sua mãe Elena! – Grayson levantou-se de sua cadeira, imitando o gesto da filha enquanto Miranda estava encolhida, acanhada, sentada entre eles massageando as têmporas.

– Grayson, por favor! – a mulher se manifestou, olhando de forma gélida para o marido, erguendo o tom de voz.

– O que foi Miranda? Agora você tem vergonha de falar o que fez? Não vai contar para sua filha o quanto as duas são parecidas?

– Dá para vocês falarem o que está acontecendo? – Elena intromete-se, falando tão alto quanto os dois.

– A sua mãe me traia, Elena, me traia com um ex namorado! – ele respondeu descontrolado e o choque da confissão fora tanto que fizera Elena cambalear para trás.

Chocada, nada definia melhor o estado de Elena. Sua mente parecia ter dado um nó e seu estômago embrulhou quando seu olhar caiu em sua mãe que cobria o rosto com as mãos. Para ela seus pais eram o maior exemplo de cumplicidade e de que um casamento poderia dar certo, eram raras as vezes em que eles discutiam ou passavam mais de dois dias brigados e sempre quando isso acontecia seu pai fazia questão de enchê-la de buquês de flores para mima-la. Seu mundo pareceu ter desabado ao descobrir que aquilo tudo era só fachada.

– Não... Isso não é verdade! – ela gaguejou, segurando-se as bordas da mesa olhando em desespero aos pais.

– Já faz muito tempo e eu me arrependo cada dia da minha vida por isso, tudo bem? – Miranda defendeu-se, alisando a testa com a mão trêmula em um gesto de nervosismo – Seu pai era um homem muito ocupado e quase nunca tinha tempo para mim, eu só era uma mulher sozinha e carente que queria atenção!

– Quando foi isso? – Elena perguntou baixinho, observando cada reação dolorosa de seu pai com as palavras da mãe.

– Alguns anos antes de você nascer até seus dois anos... – a mulher respondeu, fazendo Elena agarrar-se com mais força a mesa.

De repente tudo ficou claro para Elena, o motivo de seu pai querer tanto sua honra, valorizar o casamento e uma vida a dois vinha da dor de ter sido traído no passado. A sua proteção e mimo com ela eram formas de evitar que ela fosse mais uma extensão de sua mãe e nada do que ele fizera adiantou. Em silêncio ela tentava absorver o que havia acabado de descobrir e tentar lidar com aquela informação e as inúmeras dúvidas que surgiam. Porque seu pai continuou com Miranda mesmo depois da traição? Mas antes que pudesse fazer a primeira delas, Damon voltou para a sala de jantar com uma expressão nada boa no rosto.

– Eu preciso ir, parece que Rebekah está no hospital... – ele anunciou preocupado tirando Elena de seu transe – Matt não entrou em muitos detalhes mas ela não está muito bem.

– Eu quero ir, mas preciso ficar Damon, você não fica bravo? – ela lançou um olhar discreto a sua mãe que continuava de cabeça baixa, explicando seu motivo.

– Não se preocupe, venho te pegar mais tarde, tudo bem?

– Claro! – ela assentiu baixinho, recebendo um beijo demorado nos lábios que a pegara completamente desprevenida – Vai dar tudo certo, me mande notícias ok?

– Fique bem, amor...

Assim que Damon justificou seu imprevisto e que se despediu brevemente dos pais de Elena, a tensão voltou para os três em sinal de que o assunto não havia acabado.

– Porque você sempre tem que trazer isso a tona, Grayson? Quantas vezes tenho que me desculpar por isso? – Miranda levantou-se da mesa, jogando seu guardanapo de pano para longe – Ela não precisava saber dessa maneira! – sem esperar respostas, ela saiu da mesa em passos firmes, subindo as escadas correndo chorando baixinho.

– Mãe, espere! – Elena disse alto, correndo atrás da mãe depois de encarar seu pai incrédula.

Rapidamente Elena tratou de seguir sua mãe ignorando a porta do quarto ter batido com força em sinal de que queria ficar sozinha. De dois em dois degraus a morena subia pela grande escada de mármore escuro com o corrimão grande em dourado até chegar ao largo corredor com as nove portas bem dispostas. O quarto de seus pais era o último do corredor, bem distante do seu que ficava na primeira porta a direita para que desse privacidade a ela e os dois, e cruzar aquele corredor comprido, cheio de fotos em porta retratos sob os aparadores a encheu de angustia para saber o final da história.

Era difícil escolher que lado ficar ao mesmo tempo que não conseguia julgar nenhum dos dois pelo passado. Da mesma forma que ela podia imaginar o remorso de seu pai, ela conhecia na pele o que era a traição. Claro que os motivos que levaram sua mãe a trair eram muito mais humildes que seu capricho e desejo que a levaram a seduzir um homem casado mas ainda assim ela podia imaginar a guerra interior que sua mãe travava dentro de si uma vez que ela mesma já fora cenário de uma por três anos.

– Mamãe... – Elena entreabriu a porta, colocando a cabeça para dentro e encontrando sua mãe encolhida na grande cama queen size que dividia com seu pai.

– Se veio aqui me julgar sugiro que dê meia volta, Elena... – Miranda respondeu fungando baixinho em sinal de que realmente estava chorando.

– Claro que não, mãe, sabe que eu nunca faria isso... – “mesmo que você fizera isso comigo ao descobrir sobre Damon.” Adicionou mentalmente – Eu só quero conversar.

Lentamente ela aproximou-se da cama onde se deitou ao lado da mulher e a puxou para os seus braços em um abraço acolhedor.

– Eu quero saber o resto da história...

– Primeiro de tudo, Elena, eu quero que você saiba que eu amo o seu pai, sou louca por ele e sempre fui. Não tem um dia que eu não o encare dormir que não desejo morrer por tê-lo feito sofrer daquela forma... – Miranda começou, sentando-se na cama – Mesmo que trabalhasse na construtora com seu pai, eram raros os momentos em que conseguíamos ter juntos e eram frequentes as vezes em que ele me deixava sozinha para trabalhar. Nós já erámos casados há alguns anos e eu o sentia cada vez mais longe de mim, não aguentava mais ficar sozinha e ser ignorada, era jovem demais para ter uma vida tão amargurada.

“E então, um belo dia, John reapareceu, ele fora meu primeiro e único namorado antes de seu pai e a vê-lo tanto tempo depois reacendeu uma chama adormecida em mim. Nós sempre nos demos bem então foi inevitável nos reaproximarmos novamente. Foi ai que as coisas entre eu e o seu pai pioraram, eu pedi para sair do escritório porque não aguentava meu marido me dando ordens o dia inteiro e ele concordou, já que também não estava muito confortável em me ter trabalhando com ele, e foi com essa brecha que eu permiti que John se aproximasse... Eu me odiava por deseja-lo daquela forma, sentia raiva de mim por me sentir mais leve, mais feliz com ele do que com meu próprio marido mas nossos encontros eram frequentes e então o inevitável aconteceu.

Eu jurava a mim mesma que seria por pouco tempo mas as semanas viraram meses, os meses anos, e quando percebi estava em meio a dois homens... E grávida.”

Elena ouvia a história da mãe atentamente, segurando suas mãos a encorajando a continuar. Era difícil para ela associar que aquela mulher que lhe contava a história de seu amante era a mesma mulher que durante vinte e seis anos penteara seus longos cabelos enquanto lhe dizia para crescer forte e confiante para honrar seu nome e construir uma família, que lhe orientava a manter distância de homens casados e se manter fiel ao marido. Era contraditório mas ao mesmo tempo fazia tanto sentido que doía em Elena ver sua mãe sofrendo pelos mesmos erros que a filha cometera.

– E foi ai que papai descobriu? Ou melhor, você não temia que eu fosse filha de John?

– Não, seu pai descobriu bem depois... Eu e John erámos cuidadosos ao extremo, essa era minha única exigência, mas claro que havia a possibilidade e eu temia a morte com ela. Quando você nasceu cheia de traços e semelhanças com Grayson foi como se o mundo tivesse saído de minhas costas e nesse momento decidi dar um fim a minha relação com John... – Miranda fez uma breve pausa, sorrindo com amargura pelas lembranças – Foi difícil, sabe? Nós nos dávamos bem e estávamos muito apegados mas eu precisava dar um fim naquilo. Bom, um ano se passou, John saiu da cidade e quando eu pensei que tudo estava acabado, ele voltou da mesma forma inesperada da primeira vez. Mais uma vez, o inevitável aconteceu e assim ficamos por mais um ano juntos.

“Foi ai que Grayson começou a desconfiar, eu contratei uma babá período integral para você e ela deu com a língua nos dentes falando que eu saia quase todas as tardes e voltava uma hora antes de seu pai estar em casa. Seu pai muito inteligente, colocou um detetive atrás de mim e então descobriu tudo. Foi horrível, ele ameaçou John, entrou com um processo para impedi-lo de ficar na cidade e então saiu de casa, mas você e ele sempre foram unha e carne e após um mês longe do seu pai você começou a adoecer por saudades dele. Grayson também não aguentava mais ficar longe de você e então ele voltou para casa.”

– Eu não consigo entender, mãe, porque ele voltou? Como ele conseguiu perdoa-la?

– Não foi fácil, por muito tempo dormimos em quartos separados e mal nos falávamos mas o clima pesado entre nós te atingia mais do que a separação em si então decidimos tentar de novo. Procuramos terapia em casal, conversávamos diariamente e aos poucos ele viu o quanto eu estava arrependida. Seu pai sempre esteve presente quando eu precisei, Elena, mesmo que nosso casamento tenha esfriado naquela época ele nunca me negou um abraço quando eu pedia, e bem, Grayson sempre fora louco por mim. Não foi fácil voltarmos ser o que erámos mas tudo isso serviu para nos unirmos ainda mais...

Não era preciso pensar muito para saber porque Grayson era tão apaixonado por Miranda, apesar de estar perto dos cinquenta ela continuava inteira e extremamente atraente. Os olhos em um tom de chocolate amargo eram extremamente sedutores e inteligentes, cobertos por uma espessa camada de cílios e um par de sobrancelhas arqueadas que fazia qualquer homem se apaixonar somente com aquele olhar. Sua boca era sensualmente delineada com lábios chamativos mas sem exagero. O rosto, traços delicados mas marcantes, era emoldurado por grossas ondas bem formadas de cabelos castanhos que caiam perfeitamente até seus ombros. Elena era extremamente parecida com ela, a beleza, aquela sedução implícita que mexia com qualquer homem.

– É por isso que seu pai está tão irado com você, ele vivia falando que sua Elena iria ser uma princesa, teria modos de uma e uma vida que se assemelhava a realeza. Ele conhece a dor de uma traição, Elena, e tem mais uma criança na história o que torna tudo pior. Ele sabe o que Rebekah sofreu e conhece o ódio dela por você, isso era tudo que ele menos queria para sua filha...

– Eu sinto muito, mãe... – essas foram as únicas palavras que ela conseguiu falar antes que as lágrimas inundassem seus olhos – Foi mais forte que eu. Eu... Eu...

– Você está apaixonada, minha menina, eu vejo nos seus olhos... – Miranda deduziu e sem conseguir responder Elena apenas acenou positivamente a cabeça, deitando nas pernas da mãe – Nós fazemos coisas loucas por amor, meu anjo, não vê seu pai? E agora você está fazendo por Damon, mesmo que não me orgulhe do que você fez eu fico admirada em ver você apoiando o rapaz com o filho de outra mulher... Filha, não desperdice isso tudo, apesar de tudo Damon é um cara legal e por mais que leve um tempo, seu pai vai perceber isso.

– Eu não acho que ele vá conseguir me perdoar, mãe, olha quanta sujeira ele sabe sobre mim...

– E quem é que não tem sujeira no passado, querida? É claro que ele vai te perdoar, os pais sempre perdoam os filhos! Dê mais um tempo para seu velho e então vocês conversam.

– Mãe... – ela choramingou, sentando-se na cama – Vocês estão com vergonha de mim, não é?

– Querida, eu sempre soube que de bons modos você não tinha muito só não gostei de saber sobre nosso motorista e nosso carro. Quando eu alertava Grayson que não era bom ter um rapaz tão jovem e bonito trabalhando para nós ele não acreditou então teve que sofrer as consequências...

– Ew mãe! – a morena falou envergonhada, sentindo seu rosto esquentar pelas bochechas ruborizadas.

Com uma risada baixa, Miranda puxou a filha para os braços e assim as duas ficaram conversando sobre todos os pontos em aberto em suas vidas como há tempos não faziam até que o celular de Elena apitasse com o aviso de uma mensagem de Damon.

Notas finais
Bom gente, fiz esse capítulo mais focado na Elena e na saga dela com a família, justifiquei um pouco o motivo do pai dela ter ficado tão irado e claro adicionei um pouquinho de drama afinal sou eu haha. Não sei se ficou claro mas a elena nao está tão certa assim da gravidez da rebekah entao algumas coisas podem acontecer no proximo capítulo (isso se a rebekah sair bem do hospital, nao é? hehe). E então gostaram? Estou perdoada? Comentários? (ah, e antes que eu me esqueça, o link do especial de natal de soho dolls para quem quiser ler; http://fanfiction.com.br/historia/578970/White_Christmas_-_Especial_Soho_Dolls/)