Notas iniciais
Hey gente, peço perdão pela demora eu me enrolei um pouco para escrever e consegui sentar para finalizar o capítulo só hoje. Bom, era para ser apenas um capítulo mas eu decidi dividir ele em dois porque senão iria ficar muito grande então isso nos dá mais dois capítulos para finalizar a fic (continuo nao sabendo se é bom ou ruim isso mas enfim haha). Bom, espero que gostem da fic e nos encontramos nas notas finais.

– Hey, você está bem? – perguntou Damon preocupado, aproximando-se de Elena e levando sua mão fria, provavelmente devido a adrenalina e nervosíssimo do momento, a face avermelhada que a morena escondia atrás de seus cabelos.

– Estou sim... – assentiu ela de olhos fechados, inclinando seu rosto contra o toque acolhedor de Damon – Você...

Não que ela estivesse bem de fato, talvez um tanto em choque e ferida – não apenas fisicamente, mas naquele momento seu bem-estar não era algo que importasse.

– Sim, só um pouco nervoso ainda – ele respondeu, acariciando por alguns segundos o rosto dela para então suspirar fundo e prosseguir – Por favor me diga que você não tem nada a ver com isso...

Com pêsames em sua voz, Damon perguntou contra seu próprio gosto enquanto questionava-se se realmente gostaria de receber a resposta... Ainda que estivesse se odiando por estar desconfiando de Elena daquela forma era inevitável suspeitar de sua participação e contribuição no flagra de Rebekah, uma vez que a morena mostrava-se tão impaciente para o fim do casamento dos dois.

– A ver com o que? – perguntou ela instigada, abrindo os olhos no mesmo momento – Com Rebekah?

– Sim... Me diga que isso não foi uma armação sua para que ela nos descobrisse...

– Você ficou louco? – perguntou ela retoricamente, exaltando-se – Claro que não! Porque eu faria isso?

– Eu não sei, talvez porque você quisesse que eu me separasse logo dela! – respondeu com descaso e naquele momento Elena permitiu-se de perder a cabeça.

– Olha Damon você sabe que eu tenho coragem e confesso que cogitei muitas vezes fazer isso mas sabia que se fizesse você ficaria louco comigo e provavelmente as chances de continuarmos juntos depois da separação seriam nulas então não, eu não fiz isso!

Um tanto descrente do que a mulher falava, Damon não consegue evitar de franzir o cenho em uma expressão carrancuda e ao mesmo tempo desconfiada, encarando o chão sem coragem de olhar para os olhos chocolates da mulher em sua frente. Ele sabia muito bem o quanto sua amante conseguia ser destemida e ousada em vários quesitos e isso apenas aumentava sua dúvida.

– Você não acredita, não é? – prosseguiu Elena – Porque é tão difícil acreditar em mim? Você acha mesmo que eu iria ocasionar uma cena dessas e ser agredida depois de ter lhe dado uma chance de se separar dela? Não faz sentido, Damon!

– Desculpe ok? Eu só estou tentando entender o motivo de Rebekah ter vindo até aqui sendo-se que ela nunca vem me ver... Alguma coisa deve ter acontecido – Damon se explicou, levando uma de suas mãos aos seus cabelos bagunçando nervosamente seus fios.

– Talvez ela lhe procurou porquê... – como um clique em sua mente, de repente tudo se encaixou para a morena que ficou praticamente imóvel – Eu sei o que e porque ela veio aqui...

– O que? – ele perguntou.

– Matt contou a ela! – respondeu ela revirando os olhos em indignação – Antes de eu vir para cá ele ligou a minha procura no escritório e lhe disseram que eu não iria trabalhar essa manhã então ele me ligou para me convidar para almoçar mas eu disse que não podia, ele insistiu e eu tive que dizer a verdade sobre vir lhe ver...

Era como se um quebra cabeça havia acabado de ser finalizado resultando em uma gigante ira em Elena, tudo fazia sentido desde as ameaças e brincadeiras dizendo que iria ajudar Elena com a separação de Damon e Rebekah (que ela também brincava, mas nunca de fato cogitou colocar em prática os planos diabólicos de seu amigo), até a quase revolta de Matt pela manhã quando ela deixava de sair com ele pela segunda vez consecutiva para ver Damon.

– Elena! – Damon a repreendeu severamente – Então como você me diz que não tem contribuição nisso?

– Como você queria que eu adivinhasse que isso iria acontecer, Damon? Sinto em lhe informar mas minha bola de cristal não está funcionando para ver as intenções de Matt – ela respondeu em deboche, encarando o homem incrédula pela acusação.

– Mas você melhor do que ninguém sabe que Matt é louco por Rebekah, era de se esperar que ele fosse dar de língua nos dentes!

– Oh sim agora você acredita em mim! – Elena debochou mais uma vez – Damon, eu não fazia ideia de que ele fosse contar a ela, ele mesmo já havia nos visto antes juntos ou já presenciou você indo até minha casa no sábado de manhã e nunca contou a Rebekah, porque diabos eu iria pensar que ele faria isso agora?

– Eu não sei, ok? – Damon gritou – Eu não sei, mas você nunca deveria ter contado a ele sobre nós olhe só no que deu!

Talvez Damon tivesse razão sobre Matt e sua revolta com a possibilidade de ele ter contado a Rebekah sobre seu caso com Elena mas ele não podia esconder que, assim como a morena, ele não deixou de contar aos seus amigos mais próximos sobre seu caso com ela, afinal, não era sempre que se tinha Elena Gilbert em sua cama com aquela frequência. Porém, ainda que a vaidade dos dois fosse enorme nesse sentido o orgulho de Damon era maior ainda, principalmente em deixar-se admitir que também tivera culpa em toda aquela situação.

– Como se você não tivesse contado aos seus amigos sobre nós! – rebateu ela – É hipocrisia sua poder contar aos seus amigos sobre nós enquanto eu não posso fazer o mesmo, quais são as garantias de que eles não fariam o mesmo ou então aproveitariam de nosso caso para tentar se aproximar de Rebekah?

– Porque eles não são como você, Elena! – Damon respondeu friamente fazendo Elena encara-lo ainda mais incrédula – e magoada.

– Tudo bem então – ela suspirou fundo, erguendo seu rosto e os olhos a sua altura enquanto em passos largos e firmes caminhava até onde havia deixado sua bolsa – Mas não finja ser melhor do que eu ou até mesmo melhor que Matt quando teve uma enorme contribuição para o que está acontecendo!

Sem que Damon pudesse ao menos responder, Elena fuzilou o moreno com o olhar antes de sair pela porta de seu escritório deixando para trás apenas o barulho da madeira chocando-se contra a soleira, de seus saltos em atrito com o chão com seus passos firmes e a secretária assustada com o baque. A mulher sentada olhava abismada a figura de Elena esperando o elevador, desde o primeiro momento em que a morena colocou seus Louboutins para dentro daquele escritório ela sabia que suas intenções com seu chefe eram as piores possíveis e que Damon estava metendo-se em uma grande encrenca. Por várias vezes ela cogitou em contar a Rebekah sobre as frequentes visitas do marido e as mentiras que ele a fazia contar a ela para encobrir seu caso, porém, ainda que tivesse um grande afeto pela loira que a empregara, a secretária sabia que estaria no olho da rua caso ele sequer desconfiasse de seu envolvimento naquilo então não lhe restavam escolhas a não ser escutar muda aos gemidos e conversas indecentes de seu chefe com sua frequente visitante.

Os elevadores demoravam a chegar, parado no décimo quinto andar a morena esperava impaciente aquela mágica cabine chegar ao trigésimo para tirá-la daquela agonia que era ter o olhar julgador da secretária queimando em suas costas. Por alguns segundos ela pensou em responder a curiosa intrometida mas arrumar mais confusão era o que ela menos queria naquele momento então com respiração desigual, Elena observou os números em vermelho aumentarem até que a campainha da chegada do elevador a fizera suspirar aliviada.

Da mesma forma decidida Elena adentrou pela porta que abrira, agradecendo mentalmente por estar sozinha ali e encostada a parede metálica a morena permitiu-se fraquejar; seu lábio inferior tremulava conforme o nó em sua garganta aumentava e seus olhos enchiam-se cada vez mais de água naquele sinal de fraqueza que havia se tornado frequente quando em relação a Damon. Ela finalmente havia conseguido o que queria, Damon e Rebekah separados e seu homem livre para ela, então porque ela se sentia daquela forma? Tão vazia, tão inútil, tão fraca? Porque ela sentia como se algo fosse desabar a qualquer momento diante dela? Sem que ela percebesse, pelo canto de seus olhos duas lágrimas escorriam sorrateiramente a fazendo morder com força o canto de sua boca... Ela não podia chorar, pelo menos não ali e não naquele momento, havia algo que tinha de fazer e para isso ela precisava estar integra pois sabia que se permitisse desabar em lágrimas como fizera em seu carro há alguns dias, ela não teria condições em fazer o que tinha em mente.

Assim que o elevador parou no térreo, a mulher colocou seus óculos escuros e de cabeça erguida cruzou o saguão luxuoso do prédio comercial que Damon trabalhava até chegar onde havia estacionado seu carro. Com as mãos firmes em volta do volante, Elena fez o caminho conhecido até o restaurante que melhor conhecia e que melhor a conheciam naquela cidade e sem que fosse preciso todas as cerimonias, ela fora levada de encontro ao chefe de cozinha e dono do local.

– Você tem cinco minutos para se explicar! – ela disse furiosamente, inclinando-se sobre a grande mesa onde o rapaz loiro de branco se encontrava estudando algumas planilhas.

– Ah, olá Lena, já acabou sua rapidinha com seu advogado? – Matt desviou sua atenção do que fazia e perguntou com cinismo, encarando a amiga com um riso debochado.

– Você é um cínico! – ela grunhiu entredentes, de maxilar tencionado e um olhar que seria o suficiente para fazer qualquer um tremer de medo... Qualquer um menos Matt.

– Uh não foi bom pelo jeito... – ele riu com descaso ainda fingindo desentendimento até sentir a mão delicada de Elena em colisão com seu rosto.

– Você é louco! Porque diabos contou para Rebekah sobre Damon e eu? O que você tem na cabeça, Matt?

– Eu lhe ajudei a se livrar de Rebekah e é assim que me agradece?

– Eu odeio tanto você nesse momento que você não faz ideia! – ela grunhiu entredentes, sentindo suas mãos tremerem de raiva e descontrole – Eu não queria ajuda para me livrar de Rebekah, em nenhum momento eu pedi para você se meter em um assunto que não era seu, Matt! Eu e Damon estávamos quase nos acertando mas você estragou tudo! Eu odeio você, odeio!

– Pare de drama Elena, vocês estavam juntos há meses e ele estava apenas te enrolando, eu lhe fiz um favor! – Matt respondeu revirando os olhos realmente irritado com aquilo.

Era muito fácil para ele explicar o motivo de ter armado para Elena e Damon, na verdade ele apenas esperava o momento certo para aquilo. Fora tudo calculado, desde o início, porém, o rapaz não contava que sua amiga fosse enfurecer-se daquela forma ao invés de lhe agradecer por ter lhe ajudado. Obviamente ele não se importava com o fato de Damon estar enrolando Elena e que no final ele acabaria largando sua amiga para ficar com a mulher de sua vida e fora pensando exatamente nisso que Matt pegou o telefone e ligou atrás de Rebekah naquela manhã.

– Favor? Favor teria feito se tivesse ficado calado! – Elena respondeu quase aos berros – E dai se Damon estava me enrolando? Você não tem absolutamente nada a ver com isso, isso tudo é apenas sobre Damon e eu, mais ninguém! Como pode ser tão baixo Matt? Eu pensei que fosse meu amigo!

– Eu sou baixo? Quanta hipocrisia! Eu sou seu amigo, Elena, mas estava apenas pensando a meu favor, algo que aprendi com você! – ele riu em deboche com um olhar acusador – Você está fazendo drama demais, pare para pensar que agora Rebekah odeia Damon e você pode tê-lo só para você enquanto eu fico com ela para mim, sem nenhum ressentimento!

– Escute bem o que eu vou lhe falar Matthew Donovan, se algo der errado comigo e Damon eu terei o prazer de fazer a mesma coisa entre você e Rebekah... Você está me entendendo?! – com o indicador apontando para ele em um gesto ameaçador, Elena aproxima-se ainda mais do amigo que a encarava e assentia a sua ameaça com um ar de divertimento.

Era extremamente novo para ele ver a tão insensível e fria Elena agindo tão irracionalmente por causa de um homem.

– Ótimo! – ela disse friamente por fim.

– Você irá me agradecer um dia Elena! – Matt adicionou a assistindo dar as costas para ele.

– Eu espero! – respondeu Elena, antes de sair pela porta do escritório do restaurante de seu amigo.

Enquanto isso, Damon tentava incessantemente entrar em contato com a loira que saíra descontrolada há alguns minutos dali. Ele precisava falar com ela e era inevitável não preocupar-se com sua ex esposa ao julgar o estado que saíra de lá, porém, ela se recusava a atender... A última coisa que ela queria era falar com Damon e ouvir a sua voz de cafajeste fingindo-se de arrependido, a raiva e a mágoa da mulher traída eram imensuráveis assim como a tristeza que havia se apossado de seu peito e a única coisa que ela queria era manter a distância do dono dos olhos azuis que agora só lhe traziam sofrimento. Elena era outra que recusava suas ligações e nem mesmo em seu escritório o rapaz conseguia encontra-la, porém, ele sabia que antes de se acertar com sua amante primeiramente precisava resolver a situação com a esposa.

“Rebekah, por favor, precisamos conversar... Eu imploro que me ligue!” com o último recado na caixa de mensagens da esposa, Damon deixou de lado seu celular tempo o suficiente para pedir a sua secretária que cancelasse todos os seus compromissos do dia e enquanto ele arrumava suas coisas para ir atrás de Rebekah, o aparelho sobre sua mesa apita alto em sinal de que alguma de suas mensagens fora recebida.

“Me deixe em paz, Damon, você me deve isso! Nós não temos nada para conversar, eu não quero ver você, falar com você ou saber de você, pelo menos não agora! Suas malas já estão sendo feitas então só pegue suas coisas e vá embora, ok? Eu ligo em breve para falarmos sobre o divórcio.”

A mensagem fora lida seguido de um suspiro melancólico e quase aliviado, se era um tempo que Rebekah queria ele iria respeita-la, afinal, como ela mesma dissera ele a devia isso.

– O que veio fazer aqui, Damon? – perguntou Elena, olhando o rapaz cabisbaixo e visivelmente cansado diante de sua porta.

– Podemos conversar? – ele pediu tranquilamente, tirando as mãos de seus bolsos.

– Veio para esfregar na minha cara o quanto eu sou uma pessoa ruim, não confiável ou alguma outra coisa que esqueci de mencionar?

– Eu não vim para brigar, Elena, só quero conversar e me entender com você... – Damon pediu novamente com um tom cansado e Elena percebia que ele realmente estava sendo sincero até porque sua feição cansada, sua roupa social fora do lugar com os primeiros botões da camisa branca abertos e um tanto abarrotada assim como as mangas dobradas até metade do braço.

– Entre... – ela disse dando-se por vencida e permitindo que o homem adentrasse pela porta – Então...

– Bom, Rebekah sumiu desde aquela hora, me pediu um tempo para ela e disse que iria me procurar para conversarmos sobre o divórcio... – ele começou recebendo um acenar para que prosseguisse – Desculpe-me, ok? Eu não quis falar aquilo, não era minha intenção magoa-la ou ser tão rude daquela forma, eu realmente falei sem pensar. Sinto muito mesmo, Lena, eu só... Eu só não estou em condições de brigar ou discutir, depois de ter passado o dia arrumando minhas coisas você foi a primeira pessoa que eu pensei em procurar, nem mesmo meus pais foram uma opção...

– Rebekah colocou você para fora de casa? Pensei que a casa fosse sua, Damon...

– E você está certa mas eu pouco me importo com a casa, se Rebekah quiser que fique com ela, eu só não quero criar mais discórdia por coisas supérfluas... – ele se explicou dando de ombros – Eu vou entender completamente se não me quiser aqui mas será que posso ficar por uns dias até encontrar um lugar para ficar?

– E você ainda tem dúvidas disso? – respondeu Elena, acabando com a distância entre ela e o rapaz em um abraço forte que o fizera suspirar fundo de alívio.

Não que era como se Damon tivesse algum tipo de poder sobre Elena que a fizesse ceder a seus pedidos e imposições mas era óbvio que ela o aceitaria em sua casa, principalmente quando o rapaz encontrava-se livre dos laços de seu matrimônio. Parecia que a morena sentia um prazer a mais em tê-lo ali, se recebê-lo pela primeira vez enquanto ele ainda era casado com sua amiga fora bom, tê-lo com ela, ali em seus braços em um abraço tão firme e livre, separado de Rebekah, conseguia ter um gostinho de vitória e satisfação muito maior que ela pudesse descrever. Ele finalmente poderia ser dela, exclusivamente dela.

– Já está tarde e você deve estar exausto, porque não toma um banho quente para nos deitarmos? – disse Elena massageando os ombros tensos de seu homem – Se quiser eu posso fazer uma massagem...

– Seria ótimo! – Damon assentiu afastando-se de Elena o suficiente para levar suas mãos ao rosto delicado da morena e selar seus lábios demoradamente – Obrigado, de verdade, amor.

***

O sol já brilhava forte no céu quando Elena obrigou-se a levantar da cama, fazia um pouco mais de uma hora quando o moreno que dividia o colchão com ela se despedira para ir trabalhar a deixando sozinha nos lençóis que naquela noite pela primeira vez ela os dividiu até a manhã seguinte. Após a chegada inesperada de Damon na noite anterior, os dois uniram-se a cama da morena onde exaustos dormiram abraçados, dividindo por toda a noite a cama pela primeira vez. Normalmente o rapaz ia embora depois que os dois tinham seus corpos saciados de prazer mas daquela vez fora diferente; sem sexo, sem despedidas, apenas o abraço reconfortante de Damon e corpo pequenino de Elena modelado ao seu durante a primeira noite livre dos dois.

Lentamente a morena se levantou, seguindo ao seu banheiro onde rapidamente se trocou e fez sua higiene para descer a cozinha. A mesa para o café da manhã estava posta, como sempre estava quando ela acordava, porém, ao lado de seu prato havia um pequeno post it com a letra conhecida de Cassandra avisando que havia ido ao mercado mas que não demoraria. Sem a companhia de sua fiel escudeira no dejejum daquela manhã, Elena liga a televisão para quebrar um pouco do silêncio da casa e antes mesmo de começar a comer o que havia servido em seu prato a campainha de sua casa é tocada alto desviando sua atenção do café da manhã.

Mas que infernos Cassandra insistia em esquecer-se de suas chaves?

Preguiçosamente Elena arrastou-se até a porta da frente, gritando um “já vai” em meio ao caminho e assim que abriu a porta deparou-se com a figura de uma mulher alta, loira e bem arrumada que nunca pensara em encontrar por ali.

– Rebekah? – perguntou a morena completamente abismada. Como diabos ela havia conseguido entrar em seu condomínio sem o consentimento dela?

– Surpresa! – respondeu a loira com um sorriso repleto de sarcasmo e maldade. Naqueles olhos azuis havia algo que estava longe de ser amigável e que indicava que aquela visita definitivamente não tinha bons fins, pelo menos não para Elena.

– O que diabos você está fazendo aqui, Rebekah? E como foi que conseguiu entrar? – perguntou mais uma vez, sem conter a indignação por ela estar ali. Definitivamente o maldito porteiro que a permitira entrar estava um tanto quanto encrencado e na pior das hipóteses despedido.

– Para ser bem sincera foi muito fácil entrar aqui, a ganancia do porteio contribuiu bastante assim como todos os nossos anos de amizade – respondeu Rebekah com descaso.

Não fora preciso mais que cem dólares e algumas desculpas esfarrapadas de que a loira queria fazer uma surpresa a amiga para que ela conseguisse entrar pelo condomínio, e como Rebekah tinha cadastro de visitante por já ter visitado Elena anteriormente, facilmente o porteiro permitiu a entrada da mulher.

– Não vai me convidar para entrar, querida?

– Não, eu não quero você na minha casa! – Elena respondeu severamente fazendo Rebekah rir em deboche.

– Mas isso é uma pena mesmo porque veja só onde eu estou... – Rebekah deu de ombros e pegando Elena desprevenida, empurra com força a porta aproveitando da fraqueza da morena para adentrar por sua casa.

– Rebekah, saia daqui agora ou então eu vou... – exasperada, Elena segue atrás da loira que caminhava por sua sala de estar examinando os detalhes do local minuciosamente.

– Ou então o que? Você vai chamar seu pai? Vai contar para Damon? – riu com desdém.

– Não, vou chamar os seguranças do condomínio! – respondeu.

– Não se dê ao trabalho, Lena, o que eu vim fazer é breve! – explicou virando-se para a “amiga” – Eu fui procura-la no escritório mas seu pai e aquele viado que eu não vou com a cara que você chama de secretário me disseram que você tirou a manhã de folga... E de fato, a vadia está em casa, as vezes eu me esqueço de que você é filha do chefe, que tem a vida ganha e pode fazer o que bem entender...

– Algo que você sempre teve inveja, por sinal! – a morena cruzou os braços em sinal de superioridade.

– De fato eu sempre tive, mas não mais do que você de meu namorado e marido!

– Você tem razão, mas veja só a diferença, você nunca poderá ter minha vida ou meu pai mas por outro lado eu tenho agora o seu marido, que sempre invejei! – com aquele mesmo cinismo que Rebekah usava, Elena respondeu ela usando também o melhor tom presunçoso que apenas intensificou a raiva que a loira sentia daquela mulher.

“Eu tenho agora o seu marido” a frase ecoava pela mente de Rebekah enchendo de forma inevitável os olhos dela de lágrimas. Não era apenas tristeza que a loira sentia, era um misto de raiva, de decepção, ela estava inconformada com aquela traição e o fato de Elena, alguém que ela julgava ser sua amiga, ter sido responsável por isso apenas a enfurecia mais. Sem conseguir adiar o propósito de estar ali, Rebekah leva com força sua mão ao rosto de Elena, descontando mais uma vez sua fúria na face da morena em um barulho seco que ecoou pela sala. Instantaneamente Elena leva a mão ao rosto machucado, curvando-se em proteção e trincando os dentes de raiva.

– Eu odeio você, Elena! – murmurou Rebekah, fungando para controlar as lágrimas de raiva.

– Acredite que no momento esse sentimento é reciproco! – respondeu Elena reerguendo o rosto ainda parcialmente escondido devido ao tapa – Vá embora Rebekah ou eu realmente vou chamar os seguranças!

– Eu já lhe disse que serei breve! – relembrou Rebekah com frieza, aproximando-se de Elena em passos firmes.

Sem saber o que fazer e estando encurralada naquela situação, Elena apenas revira os olhos xingando-se mentalmente por ter batido a porta da frente antes de ir atrás da loira intrusa enquanto perguntava-se onde Cassandra havia se metido já que ela não estava por ali para salva-la do que viria. Era de esperar que Rebekah reagisse daquela forma, mas em nenhum momento Elena considerou que de fato ela fosse vingar-se fisicamente dela, mas pelo visto a loira era tão sem juízo quanto Elena pudesse julgar.

– Eu sempre soube que você era uma vadia, Elena, mas nunca pensei que pudesse ser tão baixa a esse ponto! Ir para cama com o marido da amiga... – Rebekah começou, aproximando-se cada vez mais de Elena que persistia em manter sua postura, não querendo mostrar-se vulnerável – Se ao menos soubesse o que falavam de você e o que passaram a falar depois que eu contei o que aprontou, no mínimo se mudaria de cidade. Oh sim, antes que me pergunte eu tratei de contar a todos sobre sua façanha e adivinha só, pela primeira vez todos estão ao meu lado... Digo, todos menos Katherine que é tão vadia quanto você, mas o ponto é; ninguém mais quer saber de você Elena, todos agora temem pelos seus casamentos e futuros relacionamentos com você por perto.

"Eu sei que você não se importa agora mas o que será de você mais tarde sem nenhum amigo? Sem ninguém ao seu lado para lhe apoiar, para lhe fazer companhia... O que será de você quando Damon decidir lhe deixar? Quando ele enjoar de você e encontrar outra mulher assim como fez comigo? Será que seu ego gigantesco vai lhe fazer companhia? Pense bem, ele será o suficiente para toda a sua autossuficiência?"

Não era como se Elena não soubesse ou não previsse tudo aquilo que Rebekah falava, ela tinha total consciência de que uma vez que seu caso com Damon fosse descoberto nada mais seria o mesmo mas de fato não se importava com isso. Ela gostava de seus amigos e da posição de sua vida social, mas a morena gostava ainda mais de Damon e de sua vida com ele, era como se ela realmente tivesse conhecido uma nova realidade da qual valia a pena lutar e arcar com todas as consequências de suas atitudes irresponsáveis... Pelo menos Katherine, sua única e melhor amiga continuava ao seu lado.

–Querida, se a sua intenção era tentar me deixar culpada e arrependida por ter ido para cama com o seu marido, você perdeu a sua viagem. Não será com todo esse discurso de "você acabará sozinha" que fará eu me redimir. No final de tudo eu ainda terei Katherine e Damon! – Elena respondeu atrevidamente, cruzando os braços sob seus peitos.

Em resposta, Rebekah acaba com o espaço entre as duas levando uma mão até os cabelos de Elena enquanto livrava-se de sua bolsa no canto do sofá e com força puxou os fios que tinha em mãos obrigando a morena a encara-la enquanto ela a guiava até seu sofá.

– Você deve estar adorando me ver no fundo do poço, não é mesmo? Tudo isso aqui deve ser um divertimento para você, afinal, você conseguiu Damon Salvatore, você conseguiu ter o brinquedo da amiga. Mas eu vou lhe dizer querida, Damon não é uma pessoa fácil e ele está longe de ser o homem extremamente carinhoso que toda a mulher sonha. Você para ele é apenas um corpo atraente para saciar os desejos dele e lhe proporcionar prazer, assim como eu fui por muito tempo, mas eu duvido que ele consiga amar uma pessoa como você, eu duvido que você conseguira fazê-lo gostar de você de verdade como eu fiz! – ainda com os cabelos de Elena emaranhado em meio aos seus dedos, Rebekah falava a poucos centímetros de distância do rosto contorcido de dor da “amiga” que debatia-se sob ela – Seria uma pena eu estragar esse rostinho lindo ou esse corpo que roubou meu marido de mim, não acha?

Mais uma vez, Rebekah golpeou com uma força o rosto de Elena fazendo aquele cheiro férreo e específico enjoar a morena enquanto o sangue escorria pelo seu nariz devido ao anel grande que Rebekah usava ter atingido a parte sensível de seu nariz. Porém, Elena recusava-se a redimir-se para ela, estar apanhando de Rebekah já era bastante humilhante naquele momento.

– Se segurar um homem não é seu forte, quem dirá brigar ou se vingar! – Elena disse entredentes controlando os resmungos de dor no nariz e em seu coro cabeludo enquanto amparava o local que sangrava com a mão.

– Oh querida, posso não ser tão promíscua quanto você mas sei me vingar, tanto é que, como disse quando cheguei aqui sobre ter ido lhe procurar no escritório, aproveitei e integrei seu pai sobre seu caso com Damon... Agora ele sabe o quanto sua princesinha pode ser uma vadia – Rebekah sorriu presunçosamente fazendo Elena erguer instantaneamente seu olhar a ela.

– Você fez o que? – ela perguntou incrédula.

– Isso mesmo que você ouviu, você que sempre foi o orgulho da família agora está sendo motivo de vergonha pelo seu adorado pai... Acho que seu relacionamento com Damon não será aprovado tão cedo!

– Você é ridícula, não precisava ter feito isso e colocado pessoas que sequer fazem parte de toda essa situação, isso só prova que você não sabe lutar com suas próprias armas e precisa de segundos e terceiros para se dar bem ou conseguir alguma coisa – Elena encara Rebekah seriamente nos olhos reunindo todo o orgulho que lhe restava para desafia-la.

– Eu espero que você acabe sozinha, Elena, uma velha solitária e melancólica que sofra por todas suas atitudes. Eu espero que Damon te largue ou então que lhe traia com Katherine ou até mesmo com a secretaria dele e espero que você sofra o triplo do que está me fazendo sofrer! Eu odeio você, Elena, odeio!

– Será que você não percebe que tudo isso é uma forma inútil de tentar erguer seu ego ferido? Que desejar meu mal ou me bater dessa forma não vai lhe fazer mais feliz, ou melhor, não fará Damon voltar para você? – a morena disse com amargura, encarando com ódio a mulher que a agredia – Mas por outro lado, eu realmente desejo que você seja feliz com Matt ou com qualquer outro homem porque eu tenho certeza de que tudo de ruim que me desejou voltará em dobro para você.

– Você é patética, Elena, porque é tão difícil de admitir que você perdeu?

– Será mesmo que quem perdeu fui eu, Rebekah?

Sem conseguir encontrar uma resposta, Rebekah puxa com ainda mais força os cabeços de Elena antes de praticamente joga-la no sofá a deixando finalmente levar ambas mãos ao nariz ferido.

– Eu disse que seria breve...

Notas finais
Como eu disse, mais barracos viriam e posso dizer que eles ainda não acabaram (claro que nao teremos mais sangue porradas e etcs mas discussões viram E uma grande descoberta além de o ultimo hot da fic).Enfim, quem vai ser a linda que vai recomendar a fic e me animar para postar o proximo capítulo?? ):