Luxúria
10 Vínculos
Notas iniciais
Elena havia se tornado uma confusão de sentimentos. Enquanto Damon pegava as coisas que precisava em seu apartamento, ela e Elise permaneceram no carro para que a menina não inalasse o cheiro forte de tinta do local e naqueles breves momentos Elena se permitiu refletir sobre a situação que havia se envolvido. Era difícil dizer o que sentia quando raramente conseguia olhar Elise, do mesmo modo que uma enorme compaixão lhe abatia, uma resistência, um tipo de hesitação lhe incomodava. Ela queria, precisava se acostumar com Elise mas simplesmente não conseguia. Mesmo que se esforçasse em pensar ao contrário, sua mente insistia em apontar que algo estava errado, seus instintos de proteção apitavam furiosamente para que ela corresse para o mais longe que conseguisse de Damon, era doloroso demais ver o homem que amava cuidando de uma pequena garotinha gerada no casamento fracassado do namorado. Contudo, sua força de vontade para se afastar sequer tinha força para fazê-la cogitar no termino para ele.
– Eu sinto muito, menina, prometo que vou me esforçar... – Elena disse baixinho, encarando fixamente o rostinho da menina que dormia no bebê conforto – Prometo que não vou deixar seu pai sozinho também e que nos daremos bem. Tudo vai dar certo, pequenina! – por impulso ela ergueu a mão até o rostinho de Elise onde acariciou com a parte de trás de seu indicador o rostinho delicado da bebê.
***
A pequena garotinha dava mais trabalho do que o casal esperava, os choros de madrugada, durante o dia, todo o cuidado que um recém-nascido requeria estava esgotando Damon. Elise chorava frequentemente pela falta da mãe e por cólica devido fórmula que a pediatra indicara para substituir o leite materno e várias foram as noites em que Damon passou em claro tentando acalentar a filha. As expectativas estavam sendo facilmente superadas com todas as dificuldades que os dois enfrentavam e tudo havia mudado naquela casa...
As madrugadas eram agitadas para Damon e Elena poderia jurar que um enorme buraco estava se formando em seu tapete belga de tanto que Damon cruzava o corredor para ver a filha. De repente os cestos de lixo da casa da morena passaram a ser trocados com ainda mais frequência pelas várias fraldas que enchiam o cesto. A cozinha de Elena estava repleta de mamadeiras de diferentes formas e bicos, chupetas e para completar um esterilizador caseiro onde colocava água fervida e as mamadeiras – coisas que somente um pai de primeira viagem e extremamente cuidadoso tinha –, a lava roupas e secadora estavam constantemente ligadas trabalhando nas roupas e panos de boca sujos durante o dia e o silêncio havia se tornado sagrado toda vez que Elise dormia.
Cassandra, por sorte, não pensara duas vezes em aceitar a proposta de ficar com a menina enquanto Damon trabalhava e até mesmo Elena estava ajudando com a “enteada”, aprendendo a trocar fralda ou a preparar uma mamadeira. Os pais de Damon sequer se comoveram com a situação da neta ao saber de tudo o que havia acontecido e ao invés disso, quem se sensibilizou com a situação, surpreendentemente, fora Grayson. Assim que ouviu o choro que Elise no telefone enquanto conversava com Elena, o senhor se impressionou com a atitude da filha e perguntou se algum dia eles poderiam conversar novamente e conhecer a menina. Grayson sempre fora louco pela ideia de ser avô e independentemente de ser ou não de sangue, fora impossível conter a excitação por ter uma criança por perto, pois sabia que Elena não tinha o mínimo interesse em engravidar. Damon, por sua vez, carente de atenção junto com a filha não pensou duas vezes em aceitar o convite para apresentar a pequena à família de Elena. O que o rapaz mais precisava naquele momento era de apoio e ele agarraria com as duas mãos toda ajuda e carinho que recebesse.
Desde o sábado em que Elise fora embora junto a Damon, Rebekah entrava em contato apenas por mensagem de texto para saber como a filha estava enquanto Elena falava frequentemente com Matt. De acordo com o que Donovan dizia, Rebekah havia aceitado fazer terapia depois de muita insistência e aos poucos a loira estava mais conformada com a filha e até mesmo sentindo falta da menina, comprovando o que todos ali já sabiam; por mais triste que soasse, Rebekah precisava de um tempo para ela, para conseguir clarear a mente longe de Elise. Era tudo muito novo para ela e embora tivesse tido os nove meses para concretizar a ideia de ser mãe, a revolta e as constantes tentativas de aborto resultaram em uma verdadeira aversão com a filha. E consequentemente uma aversão de Damon com a ex esposa.
Os dias na casa de Elena passaram rápido e quando o casal se dera conta já fazia uma semana que dormiam e acordavam na mesma cama e cuidavam de uma pequena menininha que dormia no quarto ao lado. Damon era o pai mais atencioso e cuidadoso que ela já vira – que não fosse seu próprio – e não se recusava a ficar com a filha mesmo após um longo dia de trabalho e independentemente do quão cansado ele estava. Apesar de todas as dificuldades que apareciam e a mudança drástica de vida, era inquestionável o que diziam sobre a presença de um bebê mudar a completamente a atmosfera da casa, as discussões haviam sido substituídas por risadas pelas caras e bocas que Elise fazia enquanto dormia e sons de adoração pela garotinha.
– Damon, você pode me alcançar uma travessa? Eu não consigo alcança-las no armário – Elena estava concentrada picando uma cebola, de costas para o namorado que a fazia companhia apoiado a ilha da cozinha bebericando um vinho.
– Você tem certeza de que não quer pedir alguma coisa para jantarmos? Será bem mais rápido e não fará sujeira... – ele perguntou pela terceira vez, hesitante com a ideia de Elena cozinhando para eles naquela noite – A última coisa que precisamos é desperdiçar o tempo que poderíamos estar suados em sua cama comigo entre suas pernas!
Era sexta-feira um pouco mais de oito horas quando os dois resolveram dar uma folga a Cassandra de seus afazeres do jantar e curtir um tempo somente os dois. Damon já havia dado banho na filha e a colocado para dormir em seu pequeno berço de vime improvisado, deixando apenas a babá eletrônica ligada para avisa-lo caso ela chorasse, deixando calculado até mesmo os segundos que teria com Elena até o horário que ele achava que a filha fosse acordar. Desde o dia que Elise chegara as noites do casal não passaram de amassos e poucas preliminares, a garotinha parecia ter um timing perfeito para acabar com o momento dos dois e na maioria dos dias Elena sequer tentava alguma coisa a mais percebendo o cansaço do namorado. Os dois nunca haviam passado mais de dois dias sem sexo e obviamente nunca deixaram de transar quando estavam juntos, era indiscutível Damon querer aproveitar cada segundo para se acabar no corpo de Elena naquela noite. E claro, querer comer um jantar que não fosse lhe atacar o estômago mais tarde.
– Tenho certeza, pare de ser teimoso! É apenas um macarrão, não vai demorar e não tem nenhum segredo para preparar. É apenas água... – a morena revidou sem desviar a atenção da faca afiada que tinha em mãos – Não iremos desperdiçar nenhum segundo, prometo que irei recompensar todos esses dias perdidos!
– Ah, eu tenho certeza que sim! – um sussurro malicioso ao pé do ouvido e um beijo demorado na região sensível atrás da orelha fizera o corpo de Elena arrepiar e esquentar com o contato do corpo seminu do namorado em suas costas – Está aqui sua travessa, amor – ele continuou, observando os braços arrepiados de Elena que estavam estendidos.
– Damon, você está me distraindo, vou acabar me cortando desse jeito! – a voz de Elena era uma espécie de gemido que tinha a intenção de soar como um resmungo, mas era impossível contestar quando o corpo quente de Damon a envolvia calorosamente.
– Então esqueça essa ideia de cozinhar e vamos pedir algo para comer, podemos esperar os pedidos chegarem ali no chão da sala, ou nesse balcão da cozinha ou onde você quiser... – as mãos másculas pressionavam os quadris estreitos de Elena, pressionando seus próprios quadris nas nádegas da moça enquanto sussurrava em seu ouvido com aquela voz docemente maliciosa.
– Damon... – ela ofegou baixinho perdendo as forças e lutando contra o peso de suas pálpebras. Seus seios pesavam dentro do sutiã preto em sinal de excitação – No meu celular tem um aplicativo com os restaurantes próximos daqui, você faz os pedidos!
– Ótimo! – Damon sorriu vitorioso e extremamente aliviado, não apenas porque teria mesmo uma boa dose de sexo com Elena naquela noite mas também porque tinha certeza de que não iria ter de ser cobaia dos experimentos da namorada na cozinha.
Damon traçou uma linha de beijos pelo pescoço da morena em recompensa, inalando seu perfume com o misto perfeito do cheiro único de sua pele para então se afastar e pegar o celular que estava sobre a ilha onde ele estava encostado há alguns minutos. Antes de desbloquear a tela o rapaz não pode evitar de ver que uma mensagem havia chego para ela há dois minutos, controlando-se para não lê-la sem que ela soubesse.
– Tem uma mensagem para você aqui... – Damon anunciou receoso, ainda segurando o celular tentado a ler e desbloquear o aparelho.
– Leia para mim, estou com as mãos sujas – ela pediu ainda sem se virar, guardando os ingredientes que já havia picado em um pequeno pote para Cassandra usar outro dia. Damon pigarreou forçando a voz e levou uns segundos para lê-la de voz alta, não contendo a curiosidade.
Péssima escolha, aliás. No mesmo instante sua excitação encheu-se de cólera, apagando qualquer vestígio de desejo de seu corpo.
– “Olá querida Elena, aqui é Elliot, espero que se lembre de mim fizemos um projeto juntos há alguns meses. Estive tentando te ligar há alguns dias mas seu celular está sempre ocupado, queria saber se não quer sair para jantar comigo amanhã a noite. O que acha de repetirmos aquela noite? Temos alguns assuntos pendentes, querida!” – o tom de voz debochado enchera os ouvidos de Elena enviando descargas de adrenalina pelo seu corpo que ficou tenso no mesmo instante – Você gostaria de me explicar o que significa isso?
Ela realmente gostaria de explicar o que aquilo significava se ao menos ela soubesse do que realmente se tratava.
– Hmm... É um convite para um jantar, certamente – Elena respondeu com descaso tentando não fazer alarde com a situação. Rapidamente ela tratou de lavar suas mãos e enxuga-las em um pano próximo para apanhar o celular de volta.
– Isso eu percebi, não sou tão burro como você pensa Elena! – Damon respondeu amargamente, segurando com força o celular em mãos – Quem é esse Elliot?
– Um cliente, como ele disse, mas não consigo me lembrar exatamente dele! – seus ombros murcharam em culpa e ela tomou o aparelho das mãos do namorado, olhando para a única mensagem que aquele número a enviara.
– Como assim não se lembra? Não se faça para mim, Elena! – o rapaz rebateu, com os olhos firmes em Elena que olhava a mensagem de cenho franzido – Senão me falha a memória, há alguns meses, nós já estávamos juntos...
Como se uma lâmpada tivesse sido acesa na mente de Elena com um clique das palavras de Damon, ela rapidamente lembrou-se do remetente daquela mensagem, quase revirando os olhos com a cena daquela noite há vários meses. E não apenas alguns. Esse homem precisava de um calendário com urgência!
– O que você está insinuando, Damon? Que trai você? Que sai com outro cara enquanto estávamos juntos? – ela perguntou furiosa, cruzando os braços na defensiva e ignorando qualquer explicação para aquela mensagem.
– É, na verdade é isso mesmo! Quem é ele, Elena? – Damon insistiu.
– Eu já falei Damon, é um cliente que me pagou uma grana preta para que eu fizesse uns cômodos na casa dele. Nós saímos para jantar uma noite e foi só isso.
– Só isso? Por que eu não consigo acreditar nisso? “O que acha de repetirmos aquela noite? Temos alguns assuntos pendentes, querida!” – novamente sua voz se enchera de sarcasmo e nojo ao citar as palavras escritas na mensagem. O corpo de Damon havia sido tomado por uma fúria quente que borbulhava dentro dele, como lavas de um vulcão em erupção que por onde escorria fazia um caminho de decepção.
“Claro, quem mandou você confiar nela, seu otário!” sua mente gritava.
– Eu também não sei o porquê de você não acreditar em mim, se eu tivesse te traído ao menos teria o número do homem em meu celular ou então ter pelo menos trocado alguma mensagem com ele! Você não acha?
– Não sei, me responda você! – ele retrucou.
– Que eu me lembre, quem traiu em toda essa história foi você e nós trocávamos muitas mensagens por dia! – a morena respondeu com um riso sem humor – Por que você está dando tanta importância a essa mensagem? Nenhum homem que prese manda uma mensagem de texto para a mulher a convidando para um jantar romântico, no mínimo é mais um jantar de negócios e ele quer conversar sobre algum projeto!
– Olha Elena, se em sua visão um convite de jantar de negócios venha implícito uma ida a um motel então eu ficarei extremamente intrigado a partir de hoje! E quem é que tem um jantar de negócios no sábado a noite? Só um tolo não percebe que esse idiota está querendo te comer. De novo, pelo jeito.
– Pare de fazer cena, pelo que eu sei Elliot está noivo e não tem chances de ter segundas intenções nesse jantar!
– Como se isso fosse um problema, pelo menos não pareceu se quando você foi para cama comigo!
– Cala boca Damon, você está me tirando do sério! – Elena grunhiu controlando os tremores de suas mãos e então seguiu para a sala de estar.
– Eu estou te tirando do sério? Qual é o seu problema, Elena? – o rapaz a seguia, tão furioso quanto ela, não apenas pela mensagem que a namorada recebera mas também por aquela briga inútil entre os dois.
– No momento o meu problema é você! – ela respondeu, virando-se subitamente de frente para ele – Se você vier bancar o namorado ciumento e controlador acho bom parar nesse momento ou então iremos acabar tudo agora mesmo.
– Como você quer que eu reaja quando um homem está te chamando para jantar amanhã com uma mensagem cheia de segundas intenções?
– Você deveria confiar em mim, Damon! Pela milionésima vez, é só um jantar de negócios, ele já foi meu cliente uma vez e deve estar querendo que eu faça algum projeto para ele de novo!
Os olhos de Damon se estreitaram em desconfiança, cruzando os braços firmes sobre seu peitoral. Em sua mente uma pergunta o aborrecia cuja resposta ele não tinha certeza se queria saber.
– E ele é só seu cliente mesmo ou além de seu cliente ele já visitou algumas partes do seu corpo? – o tom de sua voz era sério e frio e seus olhos azuis eram implacáveis a fitando.
Era compreensível a desconfiança de Damon quanto Elena, ele conhecia a namorada, sabia de seu jeito aventureiro com sexo e tinha consciência de que Elena poderia não ser a mais fiel das mulheres. Infelizmente o passado de Elena a condenava e naquele momento colocava em perigo não apenas a confiança de Damon com ela mas também o relacionamento dos dois.
– Isso é ridículo! – ela riu sem humor, descrente da pergunta do namorado.
– É, eu acho que isso responde minha pergunta... Se não fosse pela sua falta de profissionalismo em ir para cama com seus clientes, certamente não estaríamos tendo essa discussão!
Mas o que Damon não sabia era que Elena nunca havia tido nenhuma relação íntima com nenhum dos homens que a contratava. Para ela sexo e negócios nunca poderiam se misturar em hipótese nenhuma e essa era sua única exigência quanto aos homens com que ela dormia.
– Você não falou isso, Damon! – seu trabalho e sua carreira era o que ela mais presava e não havia nada que doesse mais a ela que ouvir críticas de seu profissionalismo – Se você confiasse ao menos um pouco e mim e me conhecesse um pouco mais saberia que eu não transo com nenhum dos meus clientes e nem mesmo em meu escritório.
– Sinceramente Elena, eu não sei se acredito nisso. Pelo jeito vocês tiveram uma noite inesquecível há alguns meses enquanto eu acreditava em você – Damon estava fora de si, seu maxilar tensionado o deixava com aquela cara de homem nervoso e descontrolado e seus olhos pareciam estar ainda mais azuis com um brilho obscuro de um sentimento que Elena nunca havia visto neles.
– Eu não transei com ele Damon! – Elena repetiu pausadamente já sentindo seus olhos cheios de lágrimas com a falsa acusação – Você não confia em mim, não é mesmo?
De fato ela não havia dormido com o rapaz, Elliot fora um dos caras que ela saíra quando ela e Damon estavam separados após a primeira noite dos dois em que ele a evitara por dois meses. Fazia muito tempo e nada mais que um beijo acontecera naquela noite entre os dois.
– Não agora que você só me dá motivos para desconfiar de você! – ele revidou.
– Você sabe que as únicas pessoas com quem eu tenho saído é Max e Katherine e mesmo assim eu prefiro ficar com você! Esse jantar aconteceu há muito tempo, depois da nossa primeira noite juntos em que você me evitava como a morte – as lágrimas teimosas afetavam diretamente a voz da morena, criando uma espécie de nó em sua garganta com o choro que ela reprimia. Elena detestava a ideia de chorar na frente de alguém principalmente quando o motivo era um homem, mas era impossível controlar a dor da desconfiança do homem que ela amava — Nada além de um beijo aconteceu entre nós, Damon, se você não quiser acreditar em mim, tudo bem, mas lembre-se de que eu estou abrindo mão de muitas coisas na minha vida por você para que eu simplesmente saia te traindo. Seria muito mais fácil simplesmente terminar com você para sair com outro homem.
Os olhares se uniram por alguns segundos dando fim naquela discussão. Não havia nada mais a ser dito e Damon podia ver a ressentimento nos olhos de Elena, enchendo-os de lágrimas que escorriam pelo seu rosto. Não havia nada pior para Damon do que ver Elena chorando, sua amante cheia de vida e forte não combinava com o choro que deixava seus olhos vermelhos e tristonhos, a sua pequena mulher calorosa que lhe enchia de felicidades não merecia algo como aquilo, aquela vulnerabilidade e fraqueza. Sua vontade era toma-la em seus braços e abraça-la forte até que aquele choro cessasse para só então pegar cuidadosamente seu rosto e lhe dizer que acreditava e confiava nela, e especialmente, que a amava. Que a amava como nunca amou alguma mulher antes, nem mesmo sua primeira namorada e nem mesmo Rebekah.
O arrependimento pela discussão fora refletido nos olhos de Damon, mas era tarde demais, Elena apenas balançou negativamente a cabeça, secou as lágrimas e então seguiu em direção as escadas.
– Elena...
– Me deixe, Damon, eu quero ficar sozinha! – ela pediu sem diminuir o passo e de dois em dois degraus subiu até o andar de cima.
Assim que ela pusera os pés no segundo piso seus olhos encheram-se de lágrimas novamente e antes que Damon a seguisse até ali, Elena foi a passos largos até o seu escritório onde pode dar fim ao grande nó que a sufocava. Ela sabia que cedo ou tarde a verdade viria a tona; Damon não confiava nela, e isso lhe doía mais do que pudesse imaginar. Afinal, quem seria o idiota que confiaria nela?
Elena tinha todos os motivos para que alguém desconfiasse dela, seu caso com Damon, a lista comprida de homens que já fora para cama, sua inexperiência com relacionamentos... E ela tinha consciência de cada um de seus defeitos que afastava qualquer confiança que pudesse ser estabelecida, porém, isso nunca fora um problema. Até agora. Saber que Damon não confiar nela a devastara principalmente porque ela nunca havia dado motivos diretos para tal desconfiança, Elena havia se entregado 100% àquele homem de uma forma tão plena que nunca julgou ser possível. Seu corpo, sua alma, seu coração, tudo pertencia a ele. Porém, nem mesmo a sua confiança ela possuía. O sexo, o desejo, o corpo dele certamente possuía a Elena mas infelizmente a confiança que ele tinha em Rebekah era algo que dificilmente a morena iria conseguir.
Maldita seja Rebekah! Até mesmo com outro homem ela conseguia enfurecer Elena.
As horas passaram lentamente e cada segundo dentro daquele quarto para ela era uma tortura quando tudo o que mais queria era estar com Damon fazendo as pazes com ele, mas Elena não fazia ideia de quando iria conseguir encara-lo novamente. Os dois estavam de cabeça quente e muito provavelmente aquela discussão se estenderia à níveis mais sérios, então o melhor que ela poderia fazer era continuar onde estava.
Enquanto isso, no quarto ao lado, Damon contemplava o sono da filha com o coração partido e pesado de culpa. Ele sabia que não deveria ter pegado tão pesado com Elena principalmente quando a namorada estava se esforçando para mudar e sendo o ponto de apoio que ele tanto precisava naquele momento, mas ao ler a mensagem fora impossível se controlar. Em sua mente um quebra-cabeças fora montado com as peças que ele tinha, criando um cenário, uma imagem completamente diferente da realidade e naquela situação a fantasia não fora nada gratificante. Era completamente compreensível ele ter reagido daquela forma, ciúmes é algo incontrolável principalmente por alguém como Elena, mas ainda assim não justificava ele ter reagido daquela forma e ter subentendido que não confiava em Elena.
O peito do rapaz pesava de remorso, ver os olhos desapontados de Elena fora como levar um soco no estômago daqueles que lhe roubavam o ar. Tudo o que ele menos queria era magoa-la ou fazê-la sofrer, mas infelizmente fora tudo o que fizera e naquele momento ele tinha certeza de que tinha acabado com tudo. Tal pensamento causara verdadeiro desespero no rapaz, ele não queria perder Elena de jeito nenhum, ele não podia perdê-la. Quem iria brigar com ele todas as vezes que ele perdia suas roupas pela casa nos momentos íntimos? Quem iria dormir aconchegada a ele com aquele cheiro de hidratante de baunilha? Quem iria acorda-lo com beijos ou então com sexo quase todas as manhãs? E melhor, quem iria ficar com ele agora que tinha uma filha tiracolo para cuidar? A morena havia se tornado tão importante para ele quanto Rebekah um dia fora e a dor de perdê-la seria quase insuportável. Senão insuportável de fato.
Seus olhos se fecharam com força com a ideia e apenas o barulho de algo caindo e esparramando no chão fora capaz de fazê-lo criar coragem o suficiente para ir até o cômodo ao lado tentar conversar com ela mesmo que fosse inutilmente.
Três leves batidas na porta do escritório arrancaram Elena de seu mar de pensamentos melancólicos, tirando sua atenção de seus rabiscos em uma folha borrada de lágrimas.
– Elena? – ele a chamou sutilmente e o ranger da porta fizera pesar o coração de Elena mas a manteve tensa e de costas para o rapaz. Qualquer movimento em falso a faria correr para os braços de Damon novamente e não era isso que ela queria – Amor, vamos conversar, você precisa comer...
– Não estou com fome, Damon, e amanhã nós conversamos... – ela respondeu quase que friamente, lutando contra os efeitos que ele a chamado de “amor” e que sua presença no mesmo cômodo a causava. Parecia que Elena sentia o calor de Damon mesmo que de longe, aquela atmosfera quente e pacifica que seu ser exalava e sua presença marcante. Ele estava relativamente longe mas era como se estivesse bem atrás dela a ponto de conseguir sentir seu corpo e seu calor em suas costas.
– Tudo bem... – Damon suspirou fundo, derrotado – Venha se deitar comigo, então, eu não estou conseguindo dormir sem você ao meu lado.
– Damon, não dificulte as coisas, por favor... – seu pedido era um sussurro baixinho que a obrigara a fechar os olhos devido a dor que era renega-lo naquele momento.
“Não dificulte as coisas, por favor...” porque aquele pedido não soava bem após o “amanhã conversamos”?
– Boa noite, Lena – a porta atrás dela fora fechada levemente e naquele momento Damon tivera certeza de que ele havia acabado com tudo entre eles.
Entre todas as discussões – frequentes, por sinal – do casal, Elena nunca havia se afastado ou pedido espaço, independente de quantos minutos ou horas eles passavam discutido os dois sempre conseguiam se perdoar e em muito menos de dez horas já estavam na cama se reconciliando novamente. Com os olhos cheios de lágrimas, Damon voltou para o quarto de hospedes para checar Elise novamente e então seguiu para o quarto da morena, onde não segurou o choro e acabou adormecendo um tempo depois abraçado ao travesseiro de Elena.
***
Já se passavam das três e quinze quando o exemplar surrado de “Diário de uma paixão” em que Elena dormia abraçada caiu no chão a fazendo estremecer de susto e gemer baixinho com seus músculos rígidos. Depois que Damon fora chama-la para jantar, ela se levantou e seguiu até o divã de couro preto ao lado das prateleiras de livro onde pegou o melhor de seus calmantes e ali ficou lendo as setenta primeiras páginas até que caísse no sono abraçada ao livro com a capa um tanto amassada. Suas costas estavam rígidas mas apesar das dores musculares pela forma desconfortável que ela adormecera, Elena tinha de admitir que uma dose do romantismo de seu casal literário preferido havia tido ainda mais efeito que os calmantes que sua mãe parecia colecionar e ao se levantar parecia mais certa do que precisava falar a Damon no dia seguinte.
Elena caminhou no escuro até seu quarto, atravessando o corredor um tanto sonolenta para que não estivesse tão desperta ao chegar, mas assim que a morena parou sob a batente da porta todo seu esforço para mantar-se relaxada fora em vão ao se deparar com a imagem de Damon dormindo apenas com uma cueca box preta e coberto parcialmente pelas pernas. Ele dormia um sono pesado e silencioso, suas feições estavam completamente relaxadas como se ele estivesse tendo um sonho bom e a serenidade de seu rosto transmitia uma paz tão grade que ele não parecia ser o mesmo homem furioso e enciumado de algumas horas atrás. Era somente Damon, o Damon que a fazia rir com suas piadas ruins e que arrancava dela um sorriso sincero com suas doces palavras. O homem que fazia seu perto torcer de tanto amor e carinho.
Nas pontas dos pés Elena adentrou pelo quarto e sem que percebesse – ou conseguir resistir a tentação –, ela para ao lado dele e leva a mão aos seus cabelos afastando os fios rebeldes que caiam sobre seus olhos inchados em sinal de que ele havia chorado. O peito de Elena instantaneamente pesou com aquela constatação, aquela discussão não precisava ter se estendido tanto. Com um beijo demorado no canto dos lábios do rapaz adormecido, ela suspirou fundo e então moveu-se até seu lado na cama abraçando com força o travesseiro que tinha aquele cheiro amadeirado e marcante conhecido impregnado na fronha uma vez que Damon roubara seu travesseiro para dormir. Claro que dormir abraçada ao travesseiro de Damon e ao lado de seu corpo seminu seria um desafio ao seu autocontrole mas a sonolência estava a seu favor e inalando o cheiro unicamente de Damon, rapidamente ela adormeceu.
Assim que seu corpo relaxou sobre o colchão junto com sua mente cansada, um resmungo baixinho vindo da babá eletrônica sobre a mesa de cabeceira ao lado de Damon a despertou, a fazendo apertar o travesseiro com mais força nos braços a espera de alguma movimentação de Damon. O leve grunhido que indicava que Elise havia acordado aumentou gradativamente para um choramingo onde virou um choro um tanto quanto alto, porém, o movimento esperado vindo de seu lado não aconteceu e ao invés disso Damon continuava a dormir profundamente. Normalmente ele acordava no primeiro resmungo da filha, temendo que o choro acordasse Elena – o que quase nunca acontecia -, mas Damon estava tão exausto que a morena poderia trazer uma bateria para tocar ao seu lado que dificilmente ele acordaria.
As luzinhas vermelhas da babá eletrônica brilhavam forte até o último quadradinho que media o nível do choro e com a lembrança angustiante de Elise chorando aos prantos quando Rebekah se recusara a amamentar a filha atormentando sua mente, Elena levantou-se da cama e antes de sair do quarto desligou o aparelho de onde vinha o choro para que Damon pudesse dormir mais e fechou a porta atrás de si. Ela não era capaz de deixar Elise chorar daquela forma e a ideia de acordar Damon era totalmente descartada, ele merecia um longo descanso depois de passar a semana inteira acordando em média duas vezes por noite para atender a filha.
Ao chegar no quarto de hóspedes Elena ligou o abajur meia luz do canto do quarto e então seguiu até o berço de vime que rangia com os movimentos do bebê.
– Hey, o que foi garotinha?! – ela falou em um tom quase doce, prendendo seus cabelos em um coque alto para que não atrapalhasse enquanto tentava atender a menina.
Os olhinhos atentos de Elise seguiram o som da voz de Elena antes de voltar a chorar, balançando suas perninhas e braços como um pedido para que fosse pega no colo.
– Não chore, não chore!! – ela pediu aflita, dando leves tapinhas no corpinho de Elise como se a ninasse sem saber o que fazer – Você deve estar com fome, não é? Tudo bem, a Lena aqui vai preparar a mamadeira para você, só não chore, tudo bem? Seu pai precisa dormir, querida.
Um tanto atrapalhada, Elena foi até o trocador da menina que servia como uma cômoda improvisada onde ficavam as mamadeiras, o pote da fórmula em pó e a térmica com a água morna para misturar. Damon já deixava tudo preparado com antecedência para facilitar seu trabalho na madrugada então o único trabalho que a morena teria era colocar a dosagem certa da tal fórmula (que não passava de um leite em pó especial para recém nascidos) e a quantidade exata de água.
– Certo Elena, uma colherinha dessa a cada trinta MLs... Cento e cinquenta são cinco medidas dessa – ela orientou a si mesma, visivelmente desajeitada e nervosa por estar cuidando da menina completamente sozinha pela primeira vez.
Com rapidez ela pegou a lata de metal da fórmula, franzindo o nariz pelo cheiro característico que vinha dali. Não era atoa que a menina tinha cólicas, aquele leite tinha um cheiro horrível. Colocou as cinco medidas, raspando a parte de cima na lata de forma que deixava o conteúdo rente a medidora e então encheu de água a mamadeira até a marca de 150mls. Provou a temperatura do leite no torso da mão daquela forma extremamente antiga e voltou para o berço de Elise.
– Oh Elise porque você tem que ser tão pequena? Parece que vou quebrá-la tirando do berço! – refletiu alto mais uma vez, estudando em desespero a pequena estatura da garotinha e recebendo em resposta um choro mais alto – Ok ok tudo bem, me desculpe. Venha, sua mamadeira está pronta.
Com o máximo de cuidado Elena a tirou do berço com as duas mãos e então ajeitou o corpinho um tanto instável em seu braço direito enquanto pegava a mamadeira cor de rosa com lilás com a mão esquerda. A boquinha rosada rapidamente se abrirá virando o rostinho em direção ao seio de Elena, entendendo que aquela era a posição em que ela mamava e sem demorar a morena guiou o bico da mamadeira nos lábios dela que logo trataram de sugar o leite sem intervalos. Ela realmente estava com fome.
– Pronto, querida, só tenha um pouco mais de paciência comigo... Você é o primeiro bebê que eu cuido na vida! – ela riu baixinho, assistindo a garotinha que mamava seguidamente em seus braços.
Os pequenos olhinhos azuis não desgrudavam do rosto de Elena, bem abertos eles examinavam a "madrasta" com cautela como se estivesse a reconhecendo, estudando seus traços como era feito com ela. Era como se Elise quisesse ver a alma de Elena, olhando firmemente nos olhos da namorada do pai em uma conversa silenciosa, uma troca de olhares tão intensa que parecia criar uma conexão com ela. Uma conexão tão forte que a Elena não conseguia desviar o olhar das duas bolinhas de gude azuis, tão forte que ela só conseguia sentir uma grande afeição pela menina. Ela era tão pequena e tão indefesa, tão serena e transmitia uma paz tão grande, um amontoado de sentimentos bons, bem diferentes de toda aquela apreensão que ela costumava a sentir. Era como se a pequena garotinha implorasse pelo afeto de Elena.
Naquele momento todas suas hesitações, seus medos, aquele "bloqueio" que tinha em relação a menina se transformaram em pó, em um grande absurdo. Elise estava longe de ser um problema, um empecilho ou qualquer coisa ruim que pudesse vir acontecer. Com seus olhos azuis cobalto levemente puxados e gateados cobertos por uma camada longa de cílios claros, um narizinho pontudo, as bochechinhas já bem mais cheias e o inchaço de recém-nascido não existir mais, Elise já tinha os traços bem definidos não restando dúvidas a morena de que ela era filha legítima de Damon. Ela era tão parecida com o pai que parecia que ele havia sido o único a fazê-la, uma perfeita miniatura feminina de seu namorado – apenas com os cabelos loiros e lisos da mãe.
Os longos dedinhos branquinhos ergueram-se em direção a mamadeira e se fecharam ao redor do indicador de Elena, não tomando nem metade do tamanho dele com sua mão pequenina. O calor da mão da bebê e a maciez de sua pele fizeram a morena sorrir deslumbrada e sem conseguir se conter ela inclina-se até conseguir depositar um beijo em cada pequeno ossinho de sua mão, sentindo o cheirinho típico de neném e da loção que Damon passava nela após o banho.
O ditado de que tudo acontecia por um motivo nunca fizera tanto sentido para Elena naquele momento; se Rebekah não tivesse se recusado a cuidar de Elise e se Damon não estivesse tão cansado após a briga dos dois, ela não estaria ali segurando Elise e se sentindo extremamente culpada por ter quase renegado a menina. Se ela pudesse voltar no tempo teria evitado pelo menos um terço do sofrimento dos últimos meses e teria estado junto a Damon cem por cento de seu tempo.
Os minutos pareceram voar, Elena estava tão compenetrada naquele momento que horas poderiam ter passado que o tempo havia parado enquanto ela observava Elise adormecer. Os olhinhos bem atentos demoraram pra se fechar, era como se ela quisesse ficar o máximo que conseguisse com Elena e aproveitar aquele momento das duas mas o sono era muito mais forte que a menininha de quatro quilos e quando ela adormeceu, a “madrasta” continuou a nina-la, sem a mínima vontade de coloca-la novamente no berço.
– Elena? – a voz aveludada um tanto atordoada ecoou pelo quarto assustando Elena que sequer percebeu que tinha mais uma companhia. Ao perceber o quão profundo havia dormido e que o relógio marcava um pouco mais de quatro horas da manhã e que a babá eletrônica estava desligada, Damon acordou desesperado para checar Elise e a cena que presenciou o fizera ter que piscar algumas vezes e se certificar de que não estava sonhando.
– Damon, que susto!! – exclamou a morena apertando Elise contra seu peito.
– Desculpe, não queria assusta-la... – ele respondeu apreensivo, procurando as palavras para falar com ela – Eu ahm... É... Pode me dar ela e voltar a dormir, eu só... – Damon ergueu as mãos em direção a filha, tentando de alguma forma tira-la do colo de Elena para perguntar o que havia acontecido e se desculpar por não ter acordado.
– Hey, não se preocupe, eu posso fazer isso... – Elena respondeu tranquilamente, sem entender tal reação atrapalhada do namorado.
– Eu sinto muito, deveria ter acordado para atendê-la mas eu estava tão cansado que acabei desmaiando na cama e para ajudar a babá eletrônica estragou...
– Não precisa se desculpar e a babá eletrônica não estragou, fui eu quem desliguei ela para que você pudesse dormir mais. Você está exausto Damon, não tive coragem de acorda-lo quando Elise chorou... – ela acariciava com delicadeza a cabecinha da “enteada” que repousava em seu busto.
– Eu nem a ouvi chorar, desculpe Lena, não quero incomodar você com ela.
– Mas isso não é incomodo, eu quero ajudá-lo com ela a partir de hoje... Você está muito cansado, Damon, e isso não é bom – a morena anunciou, encarando o rostinho delicado e recebendo um suspiro aliviado de Damon. “Eu quero ajudá-lo com ela a partir de hoje” pelo que parecia ele não havia acabado com tudo.
– Ela não dá tanto trabalho assim, só preciso de alguns dias até pegar o ritmo de acordar. Muitas mulheres fazem isso sozinhas, posso dar conta, Lena.
– Muitas mulheres sozinhas e que na maioria das vezes estão de licença a maternidade, você não tem mais sua licença a paternidade e não está sozinho! – ela lembrou, enfatizando os “nãos” da frase.
– Faz tempo que ela dormiu? – definitivamente aquela não era a melhor hora para se ter tal discussão e Damon realmente estava cansado demais para rebater contra os argumentos válidos da namorada.
– Mais ou menos, para ser bem sincera eu não reparei nisso...
– Tudo bem, mas vamos coloca-la no berço que você deve estar cansada.
Elena assentiu sem contestar mas ao invés de cansaço, a morena sentia uma inquietação desconhecida por estar perto dele novamente. Tudo o que ela mais queria naquele momento era deixar Elise em seu berço e então abraça-lo o mais forte que conseguisse. Toda aquela convicção de que precisavam conversar havia sido esquecida ao encarar os olhos azuis inchados de choro de Damon e acordado ficava mais evidente de que, de fato, ele havia chorado.
Com cuidado ela colocou a garotinha adormecida no berço e Damon, sem aguentar aquela distância entre os dois, a tomou em seus braços a envolvendo contra si enquanto os dois contemplavam o sono de Elise.
– Ela é linda, Damon... – Elena disse após alguns segundos em silêncio, aninhando-se melhor aos braços e ao calor envolvente do namorado.
– Sim ela é, nem parece que fui eu quem fiz!
– Na verdade parece que você foi o único a fazê-la, inclusive! – ela corrigiu encolhendo os ombros – Durante todos esses meses eu imaginei como reagiria vendo uma criança com os seus traços e os de Rebekah juntos mas agora eu olho para Elise e a única coisa que me faz lembrar de que ela é filha de Rebekah são seus cabelos loiros. Ela é inteiramente você...
– E isso é bom ou ruim?! – ele perguntou com certo divertimento, abaixando sua cabeça para apoiar seu queixo no ombro de Elena.
– É ótimo! Ela é uma mini você só que menina, é impossível não se apaixonar por ela – Elena admitiu com sinceridade, suspirando fundo para tomar a coragem que precisava e sentindo seus batimentos cardíacos acelerarem enquanto se livrava dos braços do rapaz para encarar seus olhos – Damon, eu nunca transei com Elliot ou com qualquer outro homem desde que começamos a sair. Não tem outra pessoa com quem eu queira estar que não seja você, babe. Nunca me importei com o que as pessoas pensavam ou falavam mas com você é diferente... Eu me importo e até mais do que deveria com o que pensa e saber que não confia em mim acabou comigo. Sei que é difícil de acreditar e criar uma confiança, afinal, quem em sã consciência confiaria sabendo de tudo o que eu fiz mas eu nunca fiz nada para que você desconfiasse de meu comprometimento contigo e...
– Hey hey! – antes mesmo que ela pudesse concluir seu pensamento, Damon leva as suas mãos ao rosto delicado de Elena onde o segura com delicadeza – Eu confio em você. Foi um erro imperdoável eu ter falado daquela forma com você mas não consegui me controlar quando vi aquela mensagem em seu celular, eu deveria ter pensado na hora, respirado fundo e percebido que não havia motivos para desconfiar uma vez que me confiou seu celular. Eu confio em você, Elena, e sinto muito, amor.
As últimas palavras soaram como um sussurro pesado, uma súplica sutil que transmitira toda a dor da separação e da briga com apenas o tom de voz.
– Me prometa que não iremos mais brigar por isso...
– Nós sempre iremos brigar, amor, é inevitável... Mas eu sempre irei voltar para você! – ele respondeu, acariciando a bochecha dela com o polegar enquanto ainda segurava seu rosto.
– Eu amo você, Damon...
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