Luxúria
11 Fim
Notas iniciais
– Damon... – Elena resmungou baixinho, chamando o homem que parecia paralisado em sua frente, começando a se arrepender por ter se declarado daquela forma – Fala alguma coisa!
Aquelas eram as três palavras que Damon julgava que não ouviria tão cedo de Elena e, na verdade, ele ainda achava impossível ter ouvido aquilo vindo da namorada. Não que Elena não fosse capaz de ama-lo, de fato ele sentia que a morena nutria sentimentos fortes por ele e que iria demorar para que ela declarasse isso, mas como sempre sua morena o surpreendia cada dia mais. E isso o fazia ama-la ainda mais.
Ela o amava. Ele a amava. Nada mais importava – a não ser o pequeno bebê dormindo no berço.
Levando mais uns segundos para conseguir sair de seu quase transe, Damon acabou com qualquer distancia existente entre os dois, envolvendo a cintura da morena com seu braço direito puxando seu corpo contra o seu enquanto com o outro entrelaçava seus dedos nos longos cabelos da mulher, para só então atacar os lábios dela tão fervorosamente que a pegara desprevenida. Como um gelo derretendo lentamente no calor, a tensão dos membros de Elena foram se esvaindo até que ela correspondia o beijo na mesma intensidade, puxando-o para si com o braço ao redor de seu pescoço e emaranhando os fios negros em seus dedos da mesma forma que ele fazia com ela.
Era inexplicável, aliás, era sim possível de se explicar aquele beijo e “único” era a palavra que melhor descrevia aquilo. Único, excepcional, exclusivo e incomparável. Era intenso e apaixonado. Ardente e sutil. Uma combinação envolvente e deliciosa dos mais puros sentimentos até as mais luxuriosas sensações. O sinal mais claro de que os dois partilhavam do mesmo amor. Eles se beijavam como se aquele fosse o último beijo dos dois, como se nada mais existisse ao redor a não ser eles e o caminho até o quarto de Elena.
Os dois caminharam com pressa em meio a carícias e fazendo esforços para não interromper aquele beijo, as mãos de Damon acariciavam e alisavam as curvas voluptuosas do corpo de Elena a pressionando contra as paredes alcançar a pele macia do busto e do pescoço dela enquanto ela abraçava a cintura do rapaz com uma perna e rebolava em sua ereção. Era tempo demais sem sexo para conseguir conter o desejo, e a excitação sequer deixava que eles cogitassem em ir com calma.
Os corpos se roçavam libidinosamente sem querer desperdiçar um segundo sequer do prazer que podiam favorecer um ao outro. Damon massageava os seios de Elena por cima da camisola preta de seda que ela usava, agarrando-os e provocando os mamilos duros que se destacavam, torcendo-os com os polegares e beliscando sem muita delicadeza aquela parte sensível fazendo o sangue de Elena ferver de tesão. E claro, o dele também. Elena já estava mais do que pronta para recebê-lo, seu sexo pulsava de necessidade e umedecia o tecido de sua calcinha e a morena fazia questão de guiar a mão de Damon até sua intimidade e roçar-se em sua ereção quente deixando claro sua necessidade.
Palavras incoerentes eram sussurradas entre os lábios famintos e até o caminho da cama já desarrumada da suíte principal, as três peças de roupa que cobriam os corpos dos amantes faziam um pequeno rastro no corredor até que os dois caíssem completamente nus nos pés da cama. As mãos firmes do moreno pressionaram com força os quadris de Elena, ajeitando o corpo sem forças dela sob o seu, erguendo-a com o braço em volta de sua cintura e aconchegando-se entre suas pernas. Com cuidado para não depositar todo seu peso sobre o corpo delicado dela, ele apoiou-se com o cotovelo ao lado do corpo de Elena de modo que ficava na altura de seu rosto e que conseguia encarar os olhos castanhos cheios de tesão enquanto a penetrava. Não fora preciso nenhum tipo de preliminar naquela noite, a urgência de se unirem e dividirem do mesmo prazer era muito maior e o suficiente para levarem o casal insaciável ao limite da luxúria.
– Damon... – Elena gemeu baixinho por antecipação. Lentamente ela ergueu a perna direita acariciando a panturrilha definida e a coxa torneada dele com a sola do pé até chegar quase à altura de sua cintura, aumentando o contato de suas intimidades.
A cabeça inchada e macia do pênis do moreno arrastava-se pelo sexo úmido de Elena, provocando-a e testando seus limites até que ela mesma levou sua mão até o membro do rapaz e o guiou a entrada receptiva de sua intimidade.
– Me faça sua... – Elena pediu, encarando os olhos azuis cheios de desejo e paixão que sorriram com seu pedido. Não era preciso pedir duas vezes para que ele a fizesse sua com todo o prazer.
Damon sorriu carinhosamente e juntou as mãos dela junto às suas, entrelaçando seus dedos e erguendo as mãos entrelaçadas acima da cabeça de Elena e lentamente a penetrou, a sentido quente e receptiva o envolvendo, o comprimindo a medida que invadia o local apertado. Um gritinho abafado de aprovação escapara de Elena com a sensação de ser preenchida e com um aviso mudo de que queria mais, ela entrelaçou as duas pernas ao redor dele o deixando entrar mais fundo. Tão fundo que ela quase perdera o ar com o gemido alto de satisfação. Lentamente ele saiu de dentro de Elena afundando-se da mesma forma lenta, arrancando um suspiro de prazer de Elena que apertava os dedos de Damon e se arqueava em sua direção.
Eles não tinham a pretensão nenhuma de apressar aquilo, mesmo que não fosse o sexo que estavam habituados a fazer aquele momento único de total entrega entre os dois impedia que fosse diferente. Damon queria tomá-la para si com toda a calma que aguentasse e queria aproveitar, não só da conexão prazerosa de seus corpos, mas também da conexão tangível de suas almas. Sem aumentar o ritmo ele prosseguiu com as investidas profundas, olhando fundo nos olhos de Elena, sorrindo carinhosamente para ela e beijando sua boca com paixão, as peles suadas se roçando e as respirações descompensadas se misturando no mais claro sinal de prazer.
– Você é deliciosa, Elena! – ele sussurrou, olhando de relance o encaixe de seus corpos para em seguida livrar suas mãos para tomar o seio esquerdo e leva-lo a boca.
Ele chupava e estimulava o mamilo duro com a língua, comprimindo ele em sua boca morna sentindo o que seus estímulos causavam lá em baixo na morena.
– Damon! – ela gemeu em deleite, revirando os orbes e fechando os olhos de prazer. Toda aquela sensação de entrega, aquela calma, era completamente nova para Elena, ela nunca havia se sentido tão amada e tão desejada por nenhum homem como naquele momento. E também nunca havia se entregado a alguém daquela maneira. Era intenso demais para poder descrever.
Ela estava tão molhada e acessível que Damon conseguia preenchê-la por completo, saindo e entrando duro e forte. Indo fundo nela em investidas que ficavam cada vez mais intensas a cada segundo, levando os corpos a beira de um orgasmo como uma bomba relógio prestes a explodir. Os olhares não se afastavam por um segundo, nem mesmo quando Elena os revirava de prazer com as investidas certeiras do namorado. Entrando e saindo rápido e forte. Os dedos finos puxavam os cabelos negros úmidos de suor e arranhavam a nuca de Damon sussurrando o nome dele junto com pedidos por mais, totalmente entregue àquele instinto primitivo deixando que ele realmente a fizesse sua.
Sedenta por ele, a morena grudou a boca nos lábios de Damon, chupando e mordendo seu lábio inferior e invadindo sua boca com a língua faminta pelo contato da dele. O calor conhecido enchia seu ventre, levando espasmos involuntários para seus músculos internos que a faziam estremecer. Ela estava quase lá, podia sentir a sensação libertadora do orgasmo a invadindo.
– Mais babe, eu estou tão perto...
– Shhh... – subitamente ele parou de se mover, erguendo seu corpo para poder encarar o rosto de Elena – Não goza ainda, eu quero você no limite, amor!
– Damon, por favor! – ela choramingou, arqueando seu corpo sem muita força e remexendo seus quadris.
– Eu quero você implorando para que eu a deixe gozar... – a voz aveludada era áspera de malícia e só a rouquidão dela era o suficiente para fazer Elena pulsar lá em baixo.
– Eu imploro... Eu imploro!
– Não tão rápido, amor! – ele riu.
Uma onda de frustação e agonia inundou o corpo de Elena desesperado por libertação, ela queria empurra-lo para o lado da cama e cavalgar em seu membro até ambos estarem extasiados por um orgasmo intenso mas lhe faltava força para fazê-lo. O corpo de Damon pressionava firmemente o de Elena contra o colchão, ciente do desejo da namorada e só quando ela relaxou novamente que ele voltou a se mover. Lento e intenso, a torturando o máximo que conseguisse.
O clímax chegava mais rápido do que os dois esperavam, Damon sentia a boca de seu estômago queimar de ansiedade e ele se sentia pesar naquela região sensível que se contraía prestes a gozar. Mas assim como ela, ele não podia. As pernas de Elena já tremiam de fraqueza e seu interior se cumpria, engolindo o membro de Damon para dentro de si, guloso e ávido pelo alívio. Ela tentava de todas as formas se mover a seu favor, mas seus quadris eram fortemente prensados pelo corpo pesado de Damon, enchendo seu corpo de frustração e um prazer desconhecido.
Forte. Fundo. Entrando e saindo, tentando arrastá-la para um nível enlouquecedor de prazer.
– Caralho Damon, eu não aguento mais! – ela choramingou. Seus olhos encheram-se de lágrimas de desespero, chegava a ser doloroso ter evitar aquilo, as forças se esvaiam de seu corpo e cada célula, cada parte dela implorava por libertação. Era quase como pulmões clamando por ar após segundos consideráveis sem oxigênio.
– Você quer mais? É isso? – ele riu com malícia e com uma investida profunda fez Elena gritar com a combinação do prazer e angustia e do que aquela risada rouca e perversa que reverberava e atingia profundamente em seu âmago lhe causava – Só não goza, amor...
Elena já não pensava mais, seu corpo estava entregue a sensações e em sua mente em branco ecoava as ordens rígidas do namorado. E, puta merda, será que ele fazia ideia do que aquela voz de sexo causava nela? Ela podia claramente gozar com apenas as ordens e sacanagens sussurradas por ele.
– Por favor, Damon, eu não consigo... Ah... Devagar, por favor... – clamou ela, afundando a cabeça no colchão junto com seus calcanhares e descontando a frustração nas costas dele com arranhões fortes.
– É você quem está rebolando em mim, amor... – a sua voz era tão sacana que Elena tinha certeza de que era a única a estar enlouquecendo naquela cama. Ela sequer percebera que estava se movendo e os movimentos circulares que ela fazia com os quadris em meio aos movimentos dele faziam com que o membro ainda maior e mais grosso de Damon a alargasse e a acariciasse deliciosamente por dentro.
– Você está me enlouquecendo, Damon... – ela afundava seus calcanhares no colchão, mantendo as pernas afastadas para ele e sem forças de entrelaça-las em sua cintura. Seus dedinhos dos pés de contorciam de prazer e ela se obrigava a afastar o calor, duas vezes mais intenso, que tomava conta de seu ventre. Era como vulcão em erupção e o que ela mais queria era se queimar.
– Lembre-se, amor, você não é a única que está louca aqui! – ele lembrou, afundando-se com certa dificuldade agora em seu sexo ainda mais apertado que o normal. Ela estava quase lá...
E de fato ela não era a única, cada músculo do corpo de Damon estava tensionado em busca de controle e seu rosto era contorcido em uma expressão angustiada assim como Elena. O suor escorria por cada músculo torcido e definido deixando aquela situação tão erótica e sensual que a morena tinha certeza de que iria se lembrar para sempre daquela imagem e a sensação de tê-lo sobre si. Ele pulsava dolorosamente dentro dela, as veias ao redor de seu pênis inchando toda vez que ele controlava o gozo.
– Damon, por favor, me faça gozar... Me deixe gozar! – após ter certeza de que sua voz sairia com clareza, Elena sussurrou extasiada, sentindo as lágrimas escorrerem de verdade pelo canto dos olhos.
Um sorriso presunçoso iluminou o rosto contorcido de Damon e com um longo suspiro e alívio, ele levou a boca ao pé do ouvido de Elena, sugando seu lóbulo da orelha para em seguida contornar com a língua a veia saltada do pescoço da namorada, capturando o gosto salgado de seu suor e o cheiro de baunilha de sua pele.
– Goza, amor, dê para mim! – ele sussurrou com aquela voz de sexo rouca e sensual que fizera Elena gemer de triunfo.
A onda de prazer sacudiu o corpo da morena, esquentando e contorcendo todo seu ser. Toda aquela angustia e controle transformaram-se no mais intenso e extremo prazer, enviando correntes elétricas pelo seu corpo fazendo espasmos involuntários espremerem e crescerem na região abaixo ao seu ventre e cada um de seus músculos contorcerem. Ela se sentia caindo naquele precipício de prazer e satisfação, gemendo alto o nome de Damon e arranhando sua pele com o poderoso orgasmo que a atingia.
– Céus, Elena! – ele grunhiu, metendo pela última vez em Elena antes de se entregar e se derramar dentro dela. Seu abdômen tensionado, os dentes mordendo o lábio inferior e seus olhos fechados desfrutando da entrega daquele momento.
Era perfeito, era a sensação mais deliciosa que eles jamais haviam sentido. Elena comprimia toda a extensão de Damon, seu corpo relaxara sendo tomada por um êxtase profundo e perdendo o controle de seus membros, sentindo o orgasmo quente de Damon dentro dela.
– Eu amo você, Elena! – ele disse, olhando dentro dos olhos castanhos ainda mais escuros pelo prazer, antes de cair exausto sobre ela.
***
– Está tudo pronto, querida, aproveitei que a pequena dormiu e arrumei o quarto do jeito que pediu! – Cassandra anunciou com entusiasmo assim que Elena entrou em casa a deixando um tanto tonta com a recepção mais que calorosa – Está tudo tão lindo, o Senhor Salvatore irá adorar.
– Espero que sim! Muito obrigada Cassandra, você é demais! – o entusiasmo da mulher era tão grande que Elena não conseguia evitar de ser contagiada – Não vejo a hora dele chegar e ver...
– Quem que você não vê a hora de chegar? – a porta logo atrás das duas chiou ao ser aberta e a voz aveludada tão esperada soou atrás delas fazendo Elena sorrir abertamente com sua figura do homem segurando um blazer entrando em sua casa.
– Um rapaz dos olhos azuis e cabelos negros e que tem um sorriso tão lindo que faz qualquer mulher tremer... Eu costumo chama-lo que namorado, acho que você conhecê-lo – o tom de voz da morena era doce e manhoso enquanto ela o puxava para si, envolvendo seu pescoço com os braços.
– Hmm sortudo esse rapaz então, mas confesso que estou com ciúme! – ele respondeu do mesmo jeito afetuoso, envolvendo sua cintura com os braços para beija-la calorosamente sem ao menos se importar com a presença de Cassandra.
– Prometo não abusar dele enquanto estivermos juntos mas se te tranquiliza, eu tenho uma surpresa para você lá em cima...
– Você sabia que não estamos sozinhos, não é mesmo? – Damon perguntou em um tom divertido, desviando o olhar para a pequena plateia que se dirigia até a cozinha para dar aos dois mais privacidade.
– Como se você se importasse muito com a presença dela para essas coisas! – Elena o acusou semicerrando os olhos. Ela já havia perdido as contas de quantas vezes Cassandra já pegara os dois no flagra nos deslizes que eles cometiam de transar logo de manhã com a porta aberta, das vezes que eles adormeciam nus na sala de estar ou de quando ela os escutava do andar debaixo, sem dúvidas Cassandra não era mais um empecilho para os dois...
– Não se preocupem comigo! – a mulher, com um sotaque latino carregado na voz, gritou rindo da cozinha antes de fechar a porta atrás de si.
– Não me diga que você encheu seu quarto de pétalas de rosas e velas aromáticas e que você vai colocar uma daquelas suas lingeries minúsculas, me fazer uma massagem com seus olhinhos eróticos com aqueles perfumes que me dá tesão e então montar em mim daquele jeito que só você faz... – aproveitando do momento que estavam sozinhos, Damon pressionou o corpo de Elena firmemente contra o seu, acariciando suas curvas por cima da roupa e sussurrando com aquela voz rouca que, além de deixar Elena extremamente excitada, mostrava que suas intenções eram as piores possíveis.
– Hmmm... – Elena gemeu baixinho, mordendo o lábio em meio a um sorriso – A sua ideia é tentadora, sabia disso? Mas não querendo desapontá-lo, definitivamente minha surpresa não é essa... E não tem nada a ver com sexo.
– Ah não?!
– Não... Mas isso é uma coisa que podemos mudar depois que você ver minha surpresa. Venha! – ela insinuou, aproximando perigosamente sua boca à dele enquanto abria lentamente os primeiros botões de sua camisa.
– E você está esperando o que para me levar até ela? – Damon perguntou impaciente, abraçando a namorada com mais firmeza.
– Venha, vamos! – ela sorriu abertamente, sentindo uma inquietação no estômago de ansiedade.
Elena entrelaçou seus dedos aos de Damon e o puxou em direção as escadas, sorrindo docemente para ele como uma criança que puxa o pai para ver seu novo desenho. Ela estava tão ansiosa que até ignorara a vontade de satisfazer o desejo de Damon.
– Certo, assim que subirmos as escadas eu irei tapar seus olhos para que não veja onde estamos indo... Argh eu nem acredito que chegou hoje mesmo! – um gritinho de excitação fora abafado por uma leve mordida em seu lábio inferior e assim que eles subiram o último degrau da escada, Elena se colocou atrás de Damon para cobrir seus olhos – Vamos contar baixinho juntos... Um, dois, três, qua...
– O que foi Elena? Estou curioso! – ele grunhiu impaciente tentando livrar seus olhos das mãos delicadas da namorada.
Elena grudou-se nas costas de Damon com certa dificuldade devido a diferença de tamanho entre os dois, suas pernas se embolavam algumas vezes com os passos curtos durante o caminho mas a morena não tirava as mãos dos olhos do namorado. Era quase cômico ver uma mulher tão delicada e pequena tentando domar e guiar um homem do tamanho de Damon, Cassandra sem dúvida estaria dando boas risadas se presenciasse aquela cena.
– Fique quieto Salvatore ou então irá acordar Elise com a sua voz! Já estamos perto...
– Onde minha menina está aliás?!
– Dormindo tranquilamente e se você cooperar logo encontrará ela! Venha, estamos chegando!
Em meio a tropeços de seus pés se enroscando pela forma que eles seguiam abraçados até o quarto, os dois finalmente chegaram diante da porta onde Elena parou no batente e o virou de frente para ela juntando suas mãos com as dela.
– Eu espero que goste... – ela sorria abertamente, aquele sorriso de excitação que chegava a brilhar em seus olhos. O que quer que fosse a surpresa Damon já havia amado só pela forma que Elena sorria para ele.
A morena guiou o namorado para dentro do quarto sem desviar o olhar de seu rosto para ver sua reação e o que ela vira fora ainda mais gratificante do que esperava que fosse.
– Elena... – Damon exclamou maravilhado, olhando para a substituição feita no quarto de hóspedes.
O quarto, que uma vez tivera poucos móveis e uma decoração simples, contando com uma cama king size no centro do quarto e no meio da parede, uma cabeceira de cama maple que combinava com a cômoda de arquitetura antiga logo a frente sustentando uma televisão moderna de trinta e duas polegadas e mesinhas de cabeceira no mesmo tom claro de madeira sendo um pequeno gaveteiro, havia ganhado um significativo aumento. A cômoda passara para o canto isolado do quarto dando lugar a um enorme berço branco com dossel preso a parede lateral, uma cômoda grande o bastante para servir de trocador e ter um cesto de madeira, enfeitado com flores em um rosa envelhecido desenhadas, para guardar tudo o que era necessário para as mamadeiras noturnas. Era lindo, extremamente delicado e digno de uma princesa, o berço tinha um protetor com costuras na mesma cor que as flores do cesto, com babados enfeitando e bordado “Elise” em letras itálicas na guarda do berço. O pequeno jogo de lençóis, junto com a fronha, o sobre lençol e o cobertor combinavam com o restante do berço e tudo aquilo parecia deixar o cantinho de Elise extremamente confortável.
Damon sequer tinha palavras para definir aquele momento e o mimo do novo cantinho da filha.
– E então? O que achou? – Elena perguntou esperançosa, na expectativa examinando o rosto de Damon.
– É lindo, meu amor! – ele exclamou ainda extremamente surpreso e sem palavras – Eu não consigo nem falar o quanto estou feliz com isso.
– Eu sei que pode parecer demais mas não conseguia mais deixá-la dormindo naquele pequeno berço de vime, Damon, nada contra seu berço portátil mas ela merece dormir em algo assim e ter seu cantinho aqui. Não é nada tão grande como um quarto só para ela mas eu não sei como você ou Rebekah reagiriam se eu fizesse um quarto para ela na minha casa...
– É perfeito, Lena, não poderia pedir por mais que isso! Você não faz ideia o quanto significa para mim e para Elise, não tenho como agradecer por isso!
– E não precisa... Estou fazendo porque quero o melhor para vocês dois e Elise é apenas um bebê que não tem culpa de absolutamente nada que está acontecendo na vida dos pais. Ela veio para ser uma bênção e não um problema como está parecendo...
E era a isso que ela iria se apegar todos os dias. Elise não tinha culpa de absolutamente nada!
– Alguém trocou minha namorada esse final de semana, tenho absoluta certeza disso! – uma gargalhada gostosa encheu os ouvidos de Elena, que estapeou o peito do namorado fingindo indignação – Quando que você ficou tão compreensiva assim? – brincou ele, a provocando.
– Ah eu não sou compreensiva? Muito obrigada, Salvatore!
– Você entendeu o que eu quis dizer, mocinha, eu sei que é compreensiva mas não foi nesse sentido que eu me referi – Damon a aninhou melhor em seus braços, contornando as maçãs seu rosto com o torso de sua mão até chegar ao maxilar de Elena e parar ali.
– Como eu disse, ela é só um bebê e entre todos os envolvidos nessa história é a única que não tem culpa de absolutamente nada. Ela faz parte da sua vida e eu quero fazer parte dela também, não quero que Elise me odeie por ser a outra e quero ter uma relação boa com ela mesmo que seja sua filha com outra mulher. A última coisa que quero é te deixar dividido entre nós duas e eu já bem grandinha para conseguir encarar e aceitar os fatos... – os olhos de Damon brilhavam de fascínio, extremamente encantado com a mulher em sua frente. Ele sorria deslumbrado para ela, sem saber o que dizer e sem conseguir desviar o olhar daqueles olhos castanhos ardentes que o encaravam com entusiasmo.
Era tão irônico pensar que aquela mulher em sua frente, a mulher que estava completamente apaixonado, uma vez fora a mulher que usava uma placa de perigo ao redor do pescoço fria e sensual que ele julgava ter um coração impossível de adentrar. Se alguém lhe descrevesse Elena Gilbert como uma mulher apaixonada, calorosa e compreensiva, como ele passara a ver, há mais ou dois anos, certamente seria motivo de piada.
– Venha ver como ela está... – um sorriso excitado contornou os lábios levemente vermelhos pelo resquício do batom que ela usara, o puxando pela mão em direção a garotinha adormecida – Parece que ela gostou do novo cantinho.
No meio do berço, com a cabecinha deitada no travesseiro macio de fronha de algodão, Elise tirava um breve cochilo com os bracinhos erguidos repousando cada um do lado de sua cabeça.
– E quem não gostaria?! Ela está parecendo uma princesa em meio a esse dossel e todos esses frufrus! – ele exclamou deslumbrado, puxando Elena novamente para seus braços.
– E você? Gostou?
– Eu simplesmente amei, amor, não esperava que fosse isso! – ele afirmou ainda surpreso, estreitando seus braços em um abraçou forte e depositando um beijo no topo de sua cabeça – Quando comprou tudo isso?
– Hoje! — ela respondeu com descaso tentando esconder o sentimento presunçoso.
– Como isso? Quando comprei o berço para ela demorou quinze dias para entregarem!
– Eu tenho meus contatos... – e, claro, cifrões na conta bancária. A vantagem de ser uma arquiteta conceituada rendia a Elena ótimos privilégios em lojas de decoração e mobília, mas claro que ela não precisava contar do pequeno suborno e "abuso de poder" que lhe rendeu umas três horas do seu dia para que conseguisse que os móveis chegassem no mesmo dia.
– Oh eu imagino! – ele riu com sarcasmo – Contando que esses seus contatos não seja um tal de Elliot eu fico contente.
– Argh seu ciumento de marca maior, não é ele, ok? – com um soquinho ela empurrou o ombro dele em repreensão, espalmando suas mãos em seu peitoral para tentar se livrar do abraço firme de seus braços.
– Oh sim então eu estou muito mais contente agora! – Damon riu a imobilizando em seus braços de forma que a aninhava em seu peito, deixando um suspiro melancólico e alto escapar. Aqueles breves minutos de paz com Elena quase o fizera esquecer completamente do que acontecera naquela tarde, mais cedo.
– É algo que quer dividir?
– Eu só estou pensando em como será com Rebekah daqui para frente... Não quero que Elise sofra pela mãe.
– Hey, quem sabe ela mudou? Matt tem me dito que ela parece mais compreensiva em relação a filha...
– Não sei, pode ser que mude mas eu e você conhecemos aquela loira e sabemos o quanto ela pode ser difícil as vezes. Se nem os pais dela estão do meu lado para me ajudar a colocar um pouco mais de juízo na cabeça dela, o que eu posso fazer?
Infelizmente a lista de pessoas que vestiam a camisa “contra Damon” só fazia crescer e com isso a campanha não-quero-saber-de-Elise chamavam novos seguidores. Os pais de Rebekah eram adeptos ao discurso de que a filha sabia o que fazia e que não iria obriga-la a fazer algo que ela não quisesse, principalmente ter o bebê, e assinaram o contrato de “peço encarecidamente que não me chateie com essa criança”, abdicando totalmente de seus direitos como avós.
– Babe, se ela não mudar e não melhorar com Elise isso não será um problema – Elena reuniu um pouco de força para conseguir se virar no cárcere que os braços firmes do namorado formaram ao seu redor e então segurou o rosto dele com as duas mãos – Ela nunca vai sofrer ou não se sentir amada, ela tem você e eu, até mesmo meus pais se encantaram com ela... Nós iremos fazer de tudo para que ela não sofra.
Ao conhecer Elise e saber da relação dela com Rebekah e da família da loira com a menina, Grayson e Miranda não conseguiram se manter indiferente com a enteada da filha. Era inadmissível para os dois que uma mãe e que os avós renegassem um serzinho tão pequeno e indefeso como Elise e com o total consentimento de Damon, eles se propuseram a ajudar com a menina.
– Eu sei amor, eu sei, é só que... – ele suspirou fundo, sentindo aquele aperto no coração invadi-lo novamente – Rebekah me ligou e pediu que eu levasse Elise de volta para a casa dela.
“Traga minha filha de volta para minha casa agora, Damon” foram as palavras da loira. Após escutar uma conversa de Matt com Elena no telefone e ouvir que a morena estava se apegando a Elise, Rebekah simplesmente surtou alegado que Elena, não satisfeita em tomar somente seu marido, queria roubar sua filha também e no mesmo instante ligou para Damon para tirar satisfação. Claro que isso era algo que ele não iria contar ainda a namorada, afinal, ele conhecia Elena bem o bastante para saber que ela iria atrás de Rebekah para falar poucas e boas para ex-amiga.
– Ela o que? – Elena perguntou indignada.
– Ela quer Elise de volta... – a voz de Damon era repleta de dor e em seus lindos olhos azuis habitava uma aflição profunda ao falar sobre isso.
– E o que você disse a ela?
– Eu disse que iria pensar... Sei que deveria dar mais uma chance a Rebekah, mas eu estou com medo, Elena, e se ela surtar novamente e não querer alimenta-la? Cuida-la? Ela exige muita atenção e não posso confiar minha menina em uma pessoa tão inconstante como Rebekah. O combinado que eu e ela fizemos quando a gravidez foi descoberta era que o bebê ficaria comigo quando nascesse e eu me acostumei com essa ideia já, não quero ficar longe da minha filha.
– Ah, Damon! – Elena sussurrou com compaixão, puxando o namorado para seus braços, o envolvendo com todo o carinho que ele precisava naquele momento – Por que você não faz um teste? Deixe Elise por alguns dias com ela e vê como ela vai se sair...
– Eu pensei nisso e também cheguei a conclusão que irei entrar com o pedido de guarda. Quero ficar com Elise, não consigo mais confiar em Rebekah para cuidar dela, não depois das seguidas vezes em que ela tentou abortar e de ter surtado daquela forma. Sei que não será fácil mas não vou desistir!
– E você vai conseguir, meu amor, eu tenho certeza! Você não vai estar sozinho e eu esta...
Elena segurava o rosto de Damon entre suas mãos o obrigando a encara-la, ela estava disposta a falar que nunca o deixaria sozinho independente do que acontecesse, que ele era o melhor pai do mundo e que Elise teria orgulho de ser sua filha, mas antes que ela pudesse começar a falar tudo o que tinha em mente, Damon ataca seus lábios a calando com um beijo apaixonado. O olhar da morena valia mais do que todas aquelas palavras que iria dizer, o brilho nos olhos chocolate denunciavam o quanto ela o amava e lhe dava todas as forças que ele precisava para seguir em frente.
Não era preciso nenhum tipo de palavras para que eles soubessem, a forma harmoniosa e apaixonada com que se beijavam, a linguagem corporal dos dois e o jeito que eles se acariciavam em meio ao beijo era o lembrete perfeito do que os corações sentiam; amor.
***
Após um longo processo Damon finalmente conseguiu ficar com a guarda da filha, Elise tinha um pouco mais de um ano quando seu lar passou a ser o apartamento de Damon deixando a grande casa de Rebekah para os finais de semana e nos dias que ela quisesse visita-la quando ficasse mais velha. Com o passar dos anos era claro a preferência de Elise pela casa do pai e a cada visita nos finais de semana – e as raras vezes em que prorrogava sua estadia até terça ou quarta- feira -, na mãe não deixavam dúvidas na menina de que sempre moraria com ele. Era uma diferença gritante entre os dois lugares, mas o principal motivo da preferência de Elise pelo pai – além do próprio Damon, que a enchia de carinho e amor -, era a presença de Elena.
Lizie era extremamente carente de atenção de mãe e ainda que Rebekah tivesse criado o mínimo de juízo para virar uma mãe decente, ela deixava a desejar em muitos sentidos. As broncas, brigas e o descaso com a menina eram constantes e a falta de carinho e o amor forte de mãe fizera Elise encontrar tudo precisava em Elena. Ainda que Matt tentasse exaustivamente tentar criar um vínculo maior entre Rebekah e a filha, a loira não tinha nenhum pingo de insisto maternal e não pensava duas vezes em abdicar dos poucos dias que tinha com a filha para curtir com o novo marido ou então viajar com ele para diversos lugares. Nos feriados festivos ela nunca estava com a menina e enquanto Elise queria saber o motivo de sua mãe não ficar com ela no natal ou no dia de ações de graças, o passaporte de Rebekah ganha novos carimbos dos mais diversos lugares.
A noiva de seu pai, ou a madrasta como ela costumava a brincar, lhe dava a atenção que queria e todo o carinho que Elise precisava e facilmente se tornou a figura materna que a enteada precisava, era incrível o respeito e a admiração que a pequena cachinhos dourados – apelido dado por Elena devido aos pequenos cachinhos que se formavam nas pontas de seus cabelos lisos –, tinha pela madrasta e a relação das duas ia muito além do habitual. Claro que Rebekah odiava isso e passara a odiar ainda mais Elena, como sempre a morena tinha tudo o que queria e com sua filha não fora diferente, várias foram as vezes em que a loira tentara converter a cabeça de Elise contra Elena, denominando a ex amiga de bruxa para a filha, mas a cabeça da garotinha era dura e ela não se deixava influenciar pela mãe... Afinal, como ela poderia ser bruxa quando a tratava como uma verdadeira princesa?
Damon, comprovava a cada dia que era o melhor pai que Elena conhecia – com exceção do dela, óbvio -, ele tinha uma paciência que parecia infinita com as constantes artes da filha e a educava exatamente como uma princesa, lhe dava todo o amor que podia e tentava ao máximo suprir a falta que Rebekah fazia. Ele era infinitamente grato por Elena cumprir sua promessa de nunca o deixa-lo, e não havia nada que ele mais gostasse de fazer do que observar de longe ela e a filha brincando ou em seus momentos de carinho em que Elena fazia Elise dormir, ou que penteava os longos cabelos da enteada, ou quando assistiam juntas no sofá a um filme de criança.
Em meio a tantas conturbações e confusões a única coisa que se mantivera intacta fora a paixão de Damon e Elena pelo o outro. A cada dia era um novo desafio juntos e parecia que a cada novo obstáculo aquele sentimento forte de companheirismo e cumplicidade só fazia crescer – assim como aquela paixão que queimava dentro deles. Apesar das diferenças e das brigas, eles haviam se encontrado um no outro.
“Luxúria; s.f. Atração pelos prazeres carnais; comportamento desmedido em relação aos prazeres sexuais; lascívia, libertinagem, libidinagem, sensualidade”
“Amor; s.m. Grande afeição de uma a outra pessoa de sexo contrário. 2 Afeição, grande amizade, ligação espiritual. 3 Objeto dessa afeição.4 Benevolência, carinho, simpatia. 5 Tendência ou instinto que aproxima os animais para a reprodução. 6 Desejo sexual. 7 Ambição, cobiça.”
Luxúria e amor. Duas coisas completamente diferentes e que no fim acabam se tangenciando de alguma maneira, se completando de alguma forma. Não é como água e óleo que não se misturam ou como farinha e açúcar que facilmente se confundem em um, é como se fosse vários ingredientes de um bolo que quando misturados e bem aquecidos dão origem a algo totalmente diferente do que aparentava. Parece tão errado pensar que algo tão primitivo e carnal como a luxúria leve a um sentimento tão puro como o amor, da mesma forma que é um erro ignorar a influência de um sobre o outro. Há quem diga que o amor não tem pecados ou que nenhum amor verdadeiro nasce da luxúria, e outros dizem que ninguém ama sem pecar... Mas a verdade é que todos pecam, amando ou não e (in)felizmente essa é uma condição do ser humano. Afinal, quem nunca cobiçou? Quem nunca mentiu? Invejou o que era do outro e até mesmo desejou roubar o que não lhe pertencia? Claro que não são todos que assumem mas o desejo, o sentimento está lá, mesmo que ninguém mais saiba. Escondido em algum lugar dentro de cada um.
Ela o desejava, ela cobiçava, invejava e o roubara para si. Ninguém mais sabia a imensidão desse sentimento, somente ela. E somente eles entendiam o real significado dessas duas palavras. Somente eles entendiam o quanto se completavam.
Luxúria e amor.
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