Luta Pela Vida
3 Parte II
Notas iniciais
Boa leitura e leiam a nota lá embaixo!
Eu dirigi por um tempo controlando as lágrimas que queriam sair, não sabia a onde estava indo. Tudo que eu via na minha mente era a imagem de Bella beijando Mike, se eu o odiava antes pelos olhares que ele dava para ela estando ao meu lado o que eu sentia por ele agora beirava a loucura. Mas eu não tinha o direito de ficar assim. Ela era livre, eu a havia deixado livre, ela podia ficar com quem quisesse beijar quem quisesse. Agora eu tinha a certeza que ela havia me esquecido.
Eu a conheço bem o suficiente para saber que ela nunca beijaria alguém que não a amasse.
Podia ver o futuro deles todo a minha frente. Eles se casando, tendo filhos, tudo que eu nunca poderia fazer com ela.
Mas porque logo ele?
Ele não a merece, eu não a mereço.
Pare com isso Edward, se ela o ama, o importante é que ela está feliz.
Feliz, feliz, ela está feliz.
Mas não é comigo, eu quero ela a meu lado.
Pare de ser tão egoísta.
Ela não te quer mais
Você a machucou
Você não a merece
Você é doente
Você vai morrer
Minha mente brigava comigo.
Eu sair do carro sem me importar a onde estava.
Sentia-me sufocado.
Não tinha mais ar. Ele agora era de outro, não mais meu.
Andei, querendo fugir. Seria melhor assim, para todos.
Tinha algum dinheiro no bolso, poderia ir para uma cidade pequena e morrer longe das pessoas que eu amava, pelo menos eles não sofreriam ao meu lado.
Mas eu não tinha forças para nada.
Olhando ao redor eu sabia realmente onde eu precisava ir.
Sem me preocupar entrei na floresta escura que tinha ali facilmente achando a trilha.
Seria uma boa maneira de ir para o inferno, se é que eu já não estava nele.
Não sei ao certo o quanto andei, mas sem saber como, cheguei a onde queria.
A clareira
A nossa clareira.
O nosso lugar magico.
O nosso paraíso.
Era o lugar perfeito para morrer.
Tirei a jaqueta que usava jogando-a no chão. Fechei meus olhos sentindo o sol que estava quase sumindo aquecer minha pele mais branca que o normal.
Respirei fundo, o cheiro dela me atingiu.
Bella
Um sorriso brotou em meus olhos.
Nossos lábios se encontraram e nos beijamos.
— Eu te amo, Edward — ouvi a voz dela em meu ouvido perfeitamente
Sua mão quente na minha.
— Eu nunca deixei de te amar, anjo — disse olhando em seus profundos olhos de chocolates.
Eu me inclinei para beija-la novamente, mas a imagem dela não estava ali.
Ilusão. Delírio.
Meu corpo inerte caiu de joelhos ao chão.
Lembranças.
Todos os momentos que passei com Bella foram revividos em minha mente. Quando nós nos conhecemos na praça da cidade, nossos olhares desde inocentes aos maliciosos, os primeiros toques, declarações, o primeiro beijo, eu nunca iria esquecer.
FLASHBACK
— Feche os olhos, anjo — um Edward de cerca de doze anos pediu a linda menina em sua frente.
— O que você vai fazer? — ela perguntou desconfiada, dando um sorrisinho.
— Er.. eu... — eu decidi abordar de outro jeito o assunto, não querendo ser rejeitado por ela — O Emmett e a Rosalie estão namorando, né?
— Você sabe que sim Edward — ela respondeu parecendo esperançosa. Será que ela queria mesmo alguma coisa comigo? — Você gosta de alguma garota? — ela perguntou diretamente.
— Sim, eu gosto muito, muito, muito, muito, muito de uma. — eu respondi pegando na mão dela.
Senti meu coração acelerar. Será que isso era normal?
De repente fui tomado por um medo de que essa menina não me quisesse.
— E... quem é ela?
— Você — eu falei simplesmente a olhando profundamente.
— E-eu? — a menina gaguejou, sem impedir o imenso sorriso que apareceu em seu rosto.
— Quem mais seria, boneca? É claro que é você.
— Oh, Edward. — ela falou me abraçando fortemente — Eu também gosto muito, muito, muito, muito, muito mesmo de você — ela falou olhando dentro dos meus olhos verdes.
Eu sorri, meus braços rodando a cintura fina dela inocentemente. Ela gostava de mim. Sentir-me o menino mais feliz do mundo. Mais feliz até de quando eu ganhei do Emm e do Jasper na lutinha. Não, a felicidade que eu senti ali não era nada comparada a que eu sentia agora.
— Então... você quer namorar comigo? — eu perguntei com um lindo sorriso torto.
Como ela poderia resistir a ele?
— É o que eu mais quero — ela falou sorrindo beijando a minha bochecha demoradamente, senti um calor enorme percorrer meu corpo, junto com uma vontade enorme de provar seus lábios.
— Agora nós somos namorados, então podemos nos beijar...na boca?
Bella corou e assentiu levemente, mordendo seu lábio inferior, um gesto que ela fazia sempre que estava nervosa apreensiva ou ansiosa.
Minhas mãos acariciaram a bochecha dela levemente. Nossos olhos não se desviavam.
— Eu... eu não sei beijar na boca — ela falou envergonhada.
— Eu também não. — respondi sem graça. — Mas... nós podemos aprender juntos.
Bella não me respondeu, mas ela fechou seus olhos e eu entendi isso como um pedido mudo para que eu prosseguisse. Tirei minha mão de seu rosto, mas entrelaçando nas mãos dela, mesmo sentindo que elas estavam começando a suar de nervosismo.
Inclinei minha cabeça delicadamente, entreabrindo meus lábios, sua respiração quente bateu no meu rosto me deixando esquisito, sentindo coisas estranhas, mas que eu gostei do que senti.
Nossos lábios se encaixaram e o mundo não existia mais para mim, apenas a linda menina que fazia meu coração acelerar. E mesmo eu tendo apenas doze anos eu sabia que ela era meu mundo, meu tudo, minha vida.
FIM DE FLASHBACK
As lembranças de como começamos com singelos beijos, para beijos mais ousados e deliciosos. A nossa primeira briga tudo por causa de Mike, tinha que ser ele. Esse garoto sempre quis Bella, mas nunca a teve, pelo menos não enquanto ela me tinha. Quando contamos aos nossos pais que namorávamos, como ela chorou quando seu pai, Charlie, casou-se com Sue. As nossas caricias de baixo do edredom quando assistíamos a um filme com a turma na minha casa, nossos amassos gostosos quando estávamos sozinhos e mais experientes, mas nós nunca chegamos aos finalmente e nunca chegaríamos pelo menos não eu.
Mudei meus pensamentos rapidamente, não seria nada legal pensar nela fazendo isso com outro cara, então me obriguei a lembrar da primeira vez que viemos aqui.
Nós amávamos fazer trilhas.
Ou melhor, eu amava fazer trilhas.
Comecei quando tinha quinze anos, gostava de pensar, andando sozinho, quando não estava com ela. Um dia eu me distancie da trilha e encontrei essa clareira, era linda. É claro que meu primeiro pensamento foi trazer Bella para cá.
Demorou um pouquinho até convencê-la, depois de muitos beijos, bicos e palavras, ela veio comigo e se apaixonou pelo lugar que se tornou nosso lugar secreto.
Sempre víamos para cá nos sábados de manhã, fazíamos piquenique, conversávamos ficávamos apenas em silêncio, abraçados.
Nós nunca fizemos amor, ao contrário do que nossos pais pensam. Já havíamos conversado muitas vezes sobre o assunto, eu queria fazer isso só quando estivéssemos casados, é o certo, mas Bella não via nenhum problema de fazermos antes, mas ela não se sentia preparada para isso, eu não insistia é claro. Aconteceria no momento certo.
Ou melhor para mim...
Tá Edward para de pensar nisso.
Rolei meus olhos eu era tão idiota ás vezes. Que pessoa que fica falando consigo mesma?
Mas pelo menos a dor no meu coração e no meu corpo havia sido esquecida. Mas só foi pensar nisso e eu me lembrei.
Eu iria morrer.
Estava condenado a isso.
Chutei uma pedra com força sem me importar com a dor que senti em meu pé.
Minhas costas bateram em um tronco, passei a mão em minha cabeça, sentindo a touca.
Não tinha mais cabelos para puxar.
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Bella
Tudo que eu precisava era dela.
Se ao menos ela me amasse, se, ela ao menos, me perdoasse.
Não sei quanto tempo passou não me importava. Só sei que foi depois do crepúsculo, que eu ouvi passos arrastados, eu os reconheceria em qualquer lugar do mundo.
Meu coração acelerou.
Será que era o meu anjo que veio para me salvar? Ou a morte para me levar de vez desse inferno?
A primeira coisa que eu consegui enxergar foi à luz de uma lanterna, meus olhos doíam um pouco, eu me sentia exausto. Minha garganta estava seca, ardia, pedindo agua, minha cabeça doía.
Entretanto, quando meus olhos encontraram o rosto dela tudo pareceu ir embora, nada importava.
O que ela fazia aqui?
— O que você faz aqui? — perguntei alto o bastante para ela ouvir, me colocando com dificuldade em pé. Sentia-me tão fraco. Ela estava a dez metros de mim.
E eu tinha a certeza que nunca a veria correr com tanta rapidez sem cair, ela jogou a mochila em suas costas no chão antes de chocar seu corpo ao meu.
Seus braços envolveram meu pescoço, minhas mãos automaticamente envolveram sua cintura.
O cheiro dela me invadiu.
O calor de sua pele me fez perceber que era ela realmente ali e não mais uma ilusão minha.
— Edward... — ela disse o meu nome soluçando. Ela chorava. Chorava? Mas por quê? Porém a próxima reação dela me surpreendeu.
— Seu idiota, estupido, porque não me disse? — ela começou a me bater no peito, suas mãos em punho, deixei meu corpo cair ao chão recebendo os socos e os xingamentos dela ainda sem consegui esboçar uma reação. — V-vocee d-deeve-eer-rria t-tee-er m-ee dii- diitto — ela gaguejou chorando me abraçando novamente, respirando fundo. Eu estava paralisado — Você não deveria ter escondido isso de mim, da gente. — ela falou olhando nos meus olhos.
Como ela havia descoberto?
Seus olhos. Eles estavam vermelhos e um tanto inchados. Limpei as lágrimas deles.
— Por isso — eu respondi controlando meu choro — Eu não quero que você sofra Bella — eu respondi.
— Eu merecia saber, Edward. Por favor, não me deixe, por favor, eu não... consigo.. eu... preciso de você. Não me deixe.
— Eu não tenho controle sobre isso — falei com a voz embargada e com um pouco de raiva. Não era algo que eu podia escolher.
— Mas você nem lutando está. Você abandonou tudo. Você desistiu. Você desistiu da sua família, dos seus amigos, de mim, você desistiu. Abandonou-nos, nos fez ter raiva de você. Você não lutou. Por favor. Lute Edward, lute. — ela implorou.
— Bella, eu não quero que todos sofram principalmente você.
— Eu nunca pensei que você fosse um covarde fraco — ela falou. Aquilo me atingiu em cheio.
Burro, idiota.
— Me perdoe Bella, eu não sei o que fazer, eu não quero que ninguém sofra, eu mereço morrer, eu...
— Pare de falar isso Edward. Se alguém nesse mundo merece viver esse alguém é você. — ela me interrompeu indignada. — Eu sei que em algum lugar dentro de você está um homem que eu conheço muito bem. Você é tão bom Edward. Cadê o Edward que subiu naquela arvore imensa com apenas dez anos para salvar o gatinho da velhinha que nos odiava quando estava tendo uma ventania forte? Aquele Edward que deu seu briquedo favorito a um menino que não tinha nada? E depois disso passou sempre a comprar brinquedos e doar para as crianças carentes? O que aprendeu a fazer sopa apenas para poder dar para as pessoas pobres? O que amava a vida, seus amigos... sua namorada? Eu sei que ele está aí — ela botou a mão em cima do meu coração — aqui dentro. Só que está com medo de lutar. Você não é assim Edward. Você é forte, lute. Não se entregue tão fácil. Deixe seus pais, seu irmão, seus amigos, eu lhe ajudar, por favor. Você não conseguirá sozinho, mas com agente ao seu lado você vencerá.
— Bella — eu falei chorando — Mas e se eu morrer?
— Você então morrerá como um lutador e não como um fracassado, mesmo que doa eu pensar nisso, então é melhor você não me abandonar não me deixar aqui, porque ainda temos muito que viver.
— Você me perdoa?
— Sim, eu te perdoo, Edward, porque acima de tudo eu amo você — ele respondeu, meu coração acelerou, uma pequena luz na escuridão surgia para mim — mas com uma condição.
— Eu faço qualquer coisa.
— Você tem que prometer que vai lutar e não desistir.
— Eu prometo. Eu vou lutar. — eu prometi, fazendo outras promessas mentalmente.
Nós paramos de chorar e sorrirmos um para o outro.
— Você me perdoa mesmo... por tudo?
— Perdoo, eu não sei o que faria no seu lugar — ela foi sincera, podia ver isso.
— Bella, eu preciso perguntar — eu comecei, uma parte de mim temendo a resposta — Você ainda me ama, mesmo realmente? Depois de tudo que eu fiz? Do babaca, covarde que eu fui?
Bella me olhou profundamente e intensamente, isso bastava para eu saber a resposta.
— Eu nunca deixei e nunca vou deixar de te amar, Edward.
— Então porque você f...
— Fiquei com Mike? Eu também estou querendo saber isso. Mas eu pensava que você não me queria e bem eu estava realmente empenhada em tentar seguir em frente e Alice não parava de encher meu saco.
— Você não gosta dele?
— É claro que não — ela negou com a cabeça.
—Eu menti para você — falei.
— Eu sei — ela rolou seus lindos olhos e com um sorriso no rosto, como eu sentia falta disso.
Bella se levantou rapidamente, eu me sentei apoiando as costas no tronco da arvore.
— Ben pediu para entregar isso. — ela falou colocando um caderno que eu conhecia muito bem em minhas mãos. — Você deixou cair.
Engoli em seco.
— Você leu? — perguntei nervoso.
— Não tudo, não aguentei ler completamente, mas se você me permitir eu quero ler o resto.
— Eu estava escrevendo para você Bella, mesmo sem saber se você iria lê-lo um dia. Apenas me entregue quando você terminar para eu poder acrescentar outras coisas.
Ela assentiu o guardando de volta na bolsa, voltou sentando ao meu lado, sem aguentar, puxei-a suavemente colocando-a em meu colo.
— Eu ia contar para vocês no almoço — eu falei — Emmett meio que abriu meus olhos ontem.
— Mas você desistiu quando me viu com Mike não é?
Assenti.
— Argh. — ela fez cara de nojo — Não me lembre de que eu fiz isso — pediu.
— E-ele beija bem? — tive que perguntar, vai que ele beija melhor que eu?
— Você beija melhor — ela falou e eu respirei aliviado — Bom, pelo menos beijava não sei se você ainda beija tão bem, acho que terá que me beijar para eu saber se continua bom ou se está melhor.
Eu me inclinei para ela um pouco, suas mãos acariciando meus braços como ela sabia que me relaxava.
— Então... Eu posso te beijar?
— Se eu ficar mais um segundo sem sentir seus lábios nos meus eu enlouqueço — ela disse rapidamente, soprando seu hálito no meu rosto.
Não esperei um segundo aviso, minhas mãos pegaram seu rosto delicadamente colocando ele entre elas, sem nunca desviar meu olhar do dela. Nós nos inclinamos ainda mais para o outro.
Nossos lábios se encaixaram perfeitamente.
E as sensações que eu pensei que nunca sentiria, estavam ali percorrendo meu corpo, fazendo meus hormônios adolescentes acordarem.
Não tinha como ser uma coisa delicada, era saudade demais e desespero, esse foi o nosso beijo.
Nossas línguas se acariciavam mutuamente indo o mais profundo que conseguíamos, minha boca sugava os lábios dela alternando entre os lábios inferior e superior. Nossas mãos se encontraram e se entrelaçaram, em um sinal mudo de união.
Pode ter se passado segundos, minutos, horas, dias. Eu não me importava com mais nada, só sei que nos beijávamos sem conseguir parar, separávamos rapidamente apenas para expirar o ar que se era necessário, mas logo estávamos com as bocas coladas novamente.
— Não anjo — eu falei ofegante quando eu sentir que ela ia puxar minha touca.
— Por quê? — ela sussurrou beijando minha orelha, meu corpo estremeceu. — Eu quero ver como você ficou.
— Eu estou horrível, Bella. — falei sem conseguir ficar com mau humor, não quando ela estava aqui, comigo, nos meus braços.
— Isso é impossível Edward. Você sempre será o mais lindo para mim e quem tem problemas de autoestima aqui, sou eu não você.
— Você diz isso porque você gosta de mim.
— Gosta? Eu te amo.
— Eu também te amo, anjo. Mais do que você pode imaginar. —eu disse e tirei minha touca.
Bella me olhou demoradamente, antes de subir seus olhos para minha cabeça careca.
Ouvir um suspiro vindo dela.
— Eu sabia que você ficaria lindo — ela falou com a voz embargada. — Mas te ver assim faz com que percebemos é mesmo real.
— Shii... —eu falei a abraçando e a acalmando. — Eu nunca mais vou te deixar amor, nunca mais. — prometi.
Ela assentiu e me abraçou fortemente.
— Eu senti tanta a sua falta. — ela sussurrou.
— E você pode imaginar como eu me senti. — eu disse — Mas agora eu estou aqui e você está aqui também, não vamos mais sair de perto um do outro. Desculpe-me, me desculpe por tudo.
Nós nos beijamos novamente.
— Nós temos que ir. — eu falei vendo que o céu já estava estrelado.
— Eu não quero me separar de você. — falou me apertando ainda mais.
— Nós não vamos — falei — Vou para casa e depois... se você tiver de acordo eu posso ir para a sua que nem fazíamos antes.
— Eu adoraria isso Edward.
Eu sorri.
— Você veio de carro para cá?
— Não de táxi, não estava me sentindo segura para dirigir.
— Isso é bom assim nós podemos voltar juntos... Mas como você sabia que eu estava aqui?
— Eu senti — falou simplesmente.
Eu apenas pressionei meus lábios aos dela suavemente.
Eu tentei me lembrar do caminho por qual eu vim, até que foi fácil, andei na frente dela empurrando as plantas, uma mão entrelaçada a dela e outra segurando a lanterna.
— Como você andou isso tudo? — Bella perguntou depois de quase uma hora quando finalmente pode avistar o carro.
A nossa caminhada foi preenchida por perguntas de Bella que ainda tinha algumas dúvidas e curiosidades. Eu também fiz algumas perguntas, mas era muito difícil para nós falar sobre o tempo que estivemos separados, doía.
— Eu não sei, eu meio que estava fora de mim naquele momento. — respondi sinceramente abrindo a porta do volvo para ela entrar.
— Me perdoe por ter ficado com ele — Bella disse franzindo sua testa.
— Não há o que perdoar, você ...é livre para ficar com quem quiser — eu falei com uma dor no peito.
— Sou?
— Você quer voltar para mim? — perguntei — Mesmo sabendo de tudo que eu tenho e que eu possa mor...
— Eu quero — ela me interrompeu colando nossos lábios rapidamente.
— Eu te amo tigresa, você nem imagina o quanto.
— Eu te amo mais fofinho.
Eu rolei meus olhos. Ela nunca entenderia a dimensão do meu amor por ela.
— É melhor irmos logo, está tarde.
— Seu pai não vai brigar com você? — perguntei preocupada quando chegamos a casa dela meia hora depois.
— Eu vou ter que explicar a ele, será que você...
— Pode contar amor, assim ele não vai me matar se me encontrar sempre ao seu lado, nesses últimos dias.
— Não fale assim Edward, ainda vai viver muito. Não estranhe se meu pai mesmo assim quiser te matar quando te ver — ela falou parecendo casual.
Eu apenas sorri, sem conseguir dizer outra coisa.
— Você vai voltar?
— Você quer que eu volte?
— Por mim você não sairia do meu lado — ela me abraçou fortemente, eu retribui com a mesma intensidade.
— Em uma hora vou está na janela do seu quarto. — prometi.
Ela assentiu, com um longo beijo nos despedimos.
Fazia tempo que eu não me sentia tão feliz. Eu podia até assoviar. A noite parecia ainda mais bela.
Bella.
Bella.
— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH — eu gritei dentro do carro rindo.
Eu venceria.
Eu tinha Bella a meu lado.
Deus não permitiria eu morrer assim.
Sou forte, eu posso.
Eu consigo
Eu quero
Eu vou vencer
Nós vamos.
Parei meu carro de qualquer jeito na frente de casa.
— Onde você estava Edward? — foi à primeira coisa que eu ouvi ao fechar a porta de casa.
— Oi para você também pai. — falei sarcástico.
— Edward — ouvi Emmett me chamar.
— Onde você se meteu filho? Nunca mais faça isso com a gente — Esme falou me abraçando forte.
— Eu estou bem, me perdoem — falei suspirando aspirando seu cheiro de mãe.
Não importa o que meu sangue dizia, eles sempre seriam minha família.
— Eu precisava ficar um pouco sozinho.
— E conseguiu? — Emmett falou me dando um cascudo na cabeça.
Eu podia ver que pelos olhares deles que eles sentiam que eu estava diferente.
Eu abri um enorme sorriso.
Eles parecerem ficar espantados. Eu rir mais ainda.
— Na verdade não — falei andando para cozinha, sentindo eles me seguirem, bebi um grande copo da agua bem gelado, depois mordi uma maçã.
— O que aconteceu? — minha mãe perguntou curiosa e dando um sorriso por me ver comendo algo de livre e espontânea vontade.
— Bella apareceu — falei dando de ombros como se não fosse nada de importante, o que era uma enorme blasfêmia.
Bella era tudo de mais importante para mim.
— E...? — Emmett faltava pular querendo saber mais.
— Nós nos acertamos, ela meio que descobriu tudo. — resumi.
— Edward isso é maravilhoso — Esme falou sorrindo emocionada.
— Finalmente — Emmett disse me dando uns tapas nas minhas costas.
Meu pai não disse nada, ele não precisava eu sabia o que ele sentia.
— Pai, tem outra dia para eu ir a quimioterapia? — eu mudei de assunto.
— Eu vou ligar para o Dr. Eleazar e ver com ele. Fico muito feliz por você filho.
— Eu sei pai, eu vou tomar um banho — falei dando uma última mordida na maçã.
— Você vai jantar com agente?
— Claro que sim, mãe.
Dei um beijo nela e sai.
Nunca tomei um banho tão revigorante na minha vida.
A agua que escorria pelo meu corpo nu levava todo o resquício do covarde que fui.
Sentia-me um novo antigo Edward.
Vesti um moletom confortável.
Peguei meu celular em cima da cabeceira.
Tinha 21 ligações não atendidas. Dos meus pais, Emmett e uma dela.
Disquei rapidamente seu número.
— Oi tigresa — falei assim que ela atendeu.
— Edward — ela suspirou do outro lado da linha — Você vai vim mesmo?
— Vou sim anjo, em quarenta minutos vou está ai, só vou jantar com meus pais, devo isso a eles. Você contou ao seu pai?
— Na verdade não ele saiu para jantar com Sue.
— E Seth? — era o meio irmão de Bella ele tinha onze meses de idade.
— Está na casa da mãe da Sue.
— Então vai ser só agente?
— Sim, pode vim pela porta da frente.
— Ah, eu estava com saudade de pular sua janela.
Bella apenas riu levemente.
— Eu te amo, Bella. — falei com medo de cair a qualquer momento no chão morto e ela não percebesse como eu a amava realmente.
— Eu sei fofinho, eu também te amo.
Eu ri com o apelido, ela me chamava de fofinho e eu a chamava de tigresa. É, eu aceito qualquer coisa que ela queria, devo ama-la mesmo para deixar ser chamado de fofinho, que gay isso. Até hoje ainda tenho que aturar as gracinhas de Emmett e Jasper.
— Estarei aí o mais rápido que eu conseguir, tigresa.
Com mais algumas palavras desliguei o telefone. Descia as escadas apressado, já ouvindo Emmett gritar o meu nome, tinha a certeza que minha mãe havia falado para ele me chamar e ele apenas gritou como o brutamonte que é.
— Já estou aqui, esfomeado. — falei me sentando ao lado de minha mãe de frente para ele.
— Ainda bem — ele falou passando a mão na barriga.
— Tome, querido. — minha mãe falou colocando um prato cheio na minha frente, eu lambi meus lábios com fome.
Fazia tempos que eu não sentia tanta fome assim já que falta de apetite era um sintoma da doença. Eu sabia que minha vontade de comer tinha um motivo. Bella.
— E a minha? — Emmett perguntou com o prato vazio na mão.
— E a nossa? — meu pai corrigiu, eu ri.
— Vocês já são bem grandinhos e podem colocar a comida.
— Edward é só quatro meses mais novo que eu — Emm falou fazendo bico.
— E eu sou seu marido.
— Vocês têm mãos, use-as. — minha mãe falou firmemente.
Eles bufarem e rolaram seus olhos em sincronia.
Eu comi rápido é claro, mesmo conversando com eles, eu sabia que eles se sentiam feliz por saber que eu iria lutar.
— Eu vou para a casa de Bella — falei quando terminei de comer.
— Não pode esperar nem a gente terminar de comer Eddie.
— Não cabeção — falei o provocando.
— Cuidado filho e antes da meia noite eu quero você em casa. — meu pai falou. Eu assenti dando um beijo nele e na minha mãe, dei um soco no Emm, ele fez uma careta engraçada.
Sorri arrumando minha touca na cabeça.
— Emm a louça é sua. — ouvi minha mãe dizer.
— O QUÊ? Mas...
Eu gargalhei alto para que ele pudesse ouvir.
Em menos de vinte minutos minha mão bateu levemente na porta da casa dela.
Ouvi barulhos altos de passos apressados, pisquei meus olhos, foi o tempo exato que eu tinha Bella nos meus braços. Seus braços finos e quentes enlaçaram pelo pescoço, seu corpo magro pressionou-se no meu, seus lábios macios se encaixaram nos meus me beijando afoitamente, levou alguns segundos para eu perceber algo estranho.
— O que aconteceu? — eu perguntei preocupado, limpando as lágrimas de seu rosto vermelho.
Ela negou com a cabeça me abraçando com força.
Eu andei com ela agarrada a mim, entrando na casa, fechando a perna com o pé.
Parecia que eu estava ali ontem nada havia mudado.
Sentei-me colocando ela no meu colo notando o diário aberto no canto do sofá.
— Você estava lendo ele, não é? — adivinhei.
— Sim — ela falou no sussurro soluçando.
— Você quer falar sobre isso agora? — Perguntei.
— Não — ela sussurrou balançando a cabeça — Mas saiba que nem por um momento que estivéssemos separados, eu te odiei Edward. Eu te amo e nunca deixei de te amar. — ela falou me olhando profundamente.
— Eu sei — eu falei, acariciando seu nariz com o meu.
— Vamos subir para meu quarto, eu quero me deitar — ela pediu se levantando.
Eu assenti. Subimos as escadas sem pressa, eu me lembrava da época em que eu pulava a janela do seu quarto e ficávamos juntos na cama abraçados. A casa de Bella era de dois adores, no primeiro tinha uma sala, cozinha, área de serviço, banheiro, em cima tinha dois quartos, uma suíte de Charlie e Sue e outro banheiro.
Assim que entrei no seu quarto e ela acendeu as luzes eu notei as diferenças. O quarto antes era todo decorado com fotos minhas e dela, alguns adesivos nas paredes e várias outras coisas que eu havia dado a ela, mas agora não tinha nada.
— Você jogou fora as coisas que eu te dei? — perguntei hesitante.
— Eu tentei — ela admitiu depois de um momento mastigando seu lábio — mas não consegui, está tudo dentro de uma sacola no armário, depois eu as coloco no lugar.
Eu apenas assenti, falar de quando nos separamos ainda causava dor e uma certa tensão estranha no ar. Esperava que com o tempo, pudéssemos falar sobre isso sem eu me sentir culpado.
Sentei na cadeira de balanço, era incrível como ela a tinha desde bebe, mas eu entendia o porquê, sua mãe que havia escolhido. A mãe de Bella, Renée Swan, havia morrido em um acidente de carro quando Bella tinha apenas um ano, ela cresceu criada por Charlie que se mudou de Forks, onde morava, por causas das lembranças e veio para Seattle. Antes de me mudar para Seattle eu morava em Chicago, mas não lembro muito como era minha vida lá, ela começou verdadeiramente aqui em Seattle, quando encontrei Bella e nossos amigos.
— Não, deita aqui comigo — ela pediu se sentando na cama. Eu assenti sentindo falta de seu calor.
Deitei-me mantendo meus pés com o calçado para fora da cama, ela deitou sua cabeça em meu peito ouvindo meu coração, minha mão acariciava suas costas e outra estava entrelaçada a dela em minha barriga.
Não falamos nada por um momento, perdidos em nossos próprios pensamentos, mas era angustiante não saber o que ela pensava, eu precisava saber.
— O que você está pensando? — eu perguntei em um sussurro com medo de quebrar o silêncio.
Ouvi-a respirar fundo, antes de apoiar seu corpo com a mão no colchão fazendo nossos rostos ficarem de frente um para o outro.
— Em você — ela respondeu simplesmente.
— O quê sobre mim? — perguntei curioso afastando seu cabelo de seu rosto.
Ela mordeu seus lábios piscando seus olhos e eu sabia que isso significava que ela não queria dizer a resposta, não insisti.
— Porque você não tira essa touca? Isso deve incomodar. — mudou de assunto.
Isso era verdade, essa touca me pinicava e muito.
— Você não vai se importar?
— É claro que não, eu gosto de você careca — falou dando um risinho puxando a touca da minha cabeça, suas mãos acariciaram minha cabeça careca, seu corpo se deitando em cima do meu.
— Amor, amanhã você tem alguma coisa importante na escola? — comecei suavemente.
— Como o quê?
— Um trabalho, ou teste para entregar, algo assim.
— Não, por quê?
— Eu queria que você me acompanhasse na quimioterapia, vai ser de manhã no horário da aula, você pode ficar comigo até acabar e depois ainda voltar à escola. De qualquer jeito eu vou ficar de um jeito nada agradável.
— É claro que eu vou com você e ainda passarei o dia inteiro contigo.
— Tem certeza? Eu não quero ....
— Tenho — ela respondeu me silenciando.
— Obrigado.
— Não precisava agradecer, você faria o mesmo se eu tivesse no seu lugar.
— Eu faria de tudo por você tigresa — disse sinceramente — Mas se eu vomitar em você não brigue comigo, ok?
Ela riu.
— Eu li a parte em que você escreveu que vomitou no Emmett deve ter sido hilário.
— Sim, foi engraçado, mas eu não estava em um humor legal para rir disso.
— Agora você está?
— Com certeza.
Nós gargalhamos juntos, eu ria mais por ouvir a risada dela, era como música para meus ouvidos.
— Eu te amo tanto — falei parando de rir roçando meus lábios nos dela.
— E eu a você — ela falou sorrindo.
Nós nos beijamos lentamente no começo, mas parecia que a saudade nunca ia acabar, ou por saber que qualquer beijo podia ser o último, se tornou desesperado, a ponta de sua língua contornava meus lábios e eu fazia o mesmo com os dela.
Suas mãos acariciavam meu peito fazendo sensações de prazer e um pouco de dor percorrer meu corpo, eu desci uma mão pela lateral do seu corpo apertando sua coxa tentando manter ela mais próxima de mim, mas sem pressionar meu quadril no dela, não seria nada agradável isso.
Eu aprofundei ainda mais o beijo pressionando seu peito no meu, sentindo seus seios, contive um gemido.
Separamo-nos ofegantes ouvindo um barulho de celular tocando.
Bella respirou fundo algumas vezes antes de se levantar para pegar o celular eu me arrumei na cama me sentindo frustrado.
Era seu pai eu pude perceber, ela falou com ele rapidamente enquanto eu observava suas feições.
— Eles já estão chegando — ela falou desligando o telefone.
— É melhor eu ir então — falei ficando de pé.
— Me avise quando chegar lá — ela pediu me beijando delicadamente.
— Pode deixar tigresa.
— Eu te amo, fofinho.
— Eu te amo muito mais Isabella.
Eu não conseguir dormir muito bem à noite. Sentia-me apreensivo, ansioso, com medo, esperançoso, feliz.
E se eu morresse?
Pensamentos positivos, Edward, eu me obriguei a pensar.
Eu desliguei o despertador antes que pudesse tocar.
Não eram nem seis horas ainda, mas mesmo assim tomei banho e me arrumei, vesti um jeans uma blusa branca e uma jaqueta preta por cima.
Na cozinha não tinha ninguém, bebi agua, já que não estava com fome.
Liguei a TV deixando baixa, não prestava atenção em nada que passava, meus olhos rodaram a sala e pararam no piano branco no outro lado.
A melodia que estava em minha mente desde quando eu havia acordado ontem de manhã voltou com força total, meus dedos coçavam, fazia tanto tempo que eu não tocava.
Peguei umas partituras brancas no meu quarto e fiz algumas notas como resumo, elas saíram muito boas no piano, continuei com a melodia, em menos de uma hora eu terminei minha terceira música de piano, isso me causou uma sensação incrível. A primeira eu havia feita para minha mãe nos dias das mães quando eu tinha doze anos, a outra foi aos dezesseis um presente de aniversário a menina que estava se tornando mulher, Bella, eu havia aperfeiçoado melhor elas, mas essa era sobre mim, sobre minha doença. É claro que não havia uma letra, a melodia já dizia tudo que eu queria e sentia.
Comecei a toca-la novamente do começo, fechei meus olhos já decorando as notas.
A melodia começava triste, depois ia para esperançosa e terminava com vida.
Eu sentia a música ao meu redor enquanto tocava, ela acabou e uma lagrima solitária escorreu pelo meu rosto.
Ouvi uma salva de palmas, senti meu rosto quente e encarei meus pais, meu irmão e Rosalie emocionados. Ela parecia dormir mais aqui do que na casa dela, meus pais não reclamavam, eles preferiam que fizessem debaixo do nariz deles, do que em um lugar imundo e os dela viviam viajando a trabalho.
Sem dizer nada eu comecei a tocar a da minha mãe vendo meus pais sorrirem e rodopiarem pela sala ainda vestido de pijamas, Emmett e Rosalie se beijarem apaixonadamente.
Bella. Como eu a queria ali agora.
Quando eu me levantei Rosalie me abraçou apertado dizendo que tudo ficaria bem, eu sorrir agradecido por ela não me julgar, entendendo que Emmett havia contado tudo a ela. Pedi que não contasse ainda para Jasper e Alice, eu queria contar a eles.
Nós tomamos café, eu só tomei uma vitamina, não tinha apetite.
Rosalie me perdoou e me entendeu, só queria que fosse tão fácil assim com Alice, sabia que não seria nada fácil faze-la me perdoar. Eles saíram mais cedo que o normal, já que ainda passariam na casa dela para ela se trocar, pois ela não veio preparada para dormir aqui, Perguntaram se eu queria que me acompanhasse na quimioterapia, respondi que não, Bella estaria lá, ela era tudo que eu precisava, sem querer desmerecer eles.
Eu ajudei minha mãe a lavar a louça, nós tínhamos condições de pagar uma empregada, mas minha mãe gostava de fazer serviços de casa e só vinha uma diarista três vezes por semana, quando ela ia para loja, minha mãe tinha uma pequena loja de decorações de interiores.
Ouvir a campainha tocar como eu estava ajudando mamãe, papai que lia um jornal na cozinha se levantou para atender eu sabia que só podia ser uma pessoa. Sorri ouvindo a risada deles aproximando da cozinha.
— Mal ela chegou e o senhor já quer rouba-la de mim, papai — falei brincando vendo-os entrarem de braços enlaçados.
Meu coração acelerou quando nossos olhos se encontraram, seu sorriso aumentou ainda mais.
— É melhor tomar cuidado filho, uma mulher assim não aparece duas vezes para o mesmo homem — ele falou sério, mas sorrindo.
— Pode deixar não vou deixar o senhor rouba-la de mim.
— É bom mesmo, eu não quero ter que chutar sua bunda e a de Bella para fora dessa casa, Carl — minha mãe falou me entregando a última vasilha, sequei-a rapidamente e aguardei no armário.
— Bom dia tigresa — falei finalmente tocando sua pele na minha, a famosa corrente elétrica percorreu nosso toque.
— Bom dia fofinho — ela falou apertando minha bochecha levemente.
— É bom ver você de novo, querida. — minha mãe falou levemente sem querer interromper nosso momento.
— É bom estar de novo aqui.
Fiz uma careta para ela, pela palavra.
Bom?
Era maravilhoso, sensacional, esplendoroso.
Ela rolou seus olhos sabendo o motivo da minha careta.
— Ainda faltam vinte minutos — meu pai começou — vamos deixar as crianças sozinhas Esme.
Ele a levou dali. Não os esperei nem passarem pela porta para poder colar meus lábios aos dela com fervor. Imprensei seu corpo contra a bancada a beijando com desejo, ela correspondeu da mesma forma me deixando mais entusiasmado.
— Edward... — ela meio que gemeu enquanto eu descia meus lábios pelo seu pescoço.
— Desculpe — falei respirando fundo, tentando achar meu controle. — Vamos para a sala.
Eu sentei no sofá colocando ela sentada entre minhas pernas com as costas apoiadas em meu peito, nossas mãos juntas em sua barriga.
— Fofinho? — ela me chamou delicadamente.
— Hum.. .?— murmurei cheirando seus cabelos.
— O meu pai descobriu — ela falou delicadamente observando minha reação.
— Como assim descobriu? — perguntei engolindo em seco.
— O diário ficou na sala em cima do sofá, hoje ele o encontrou e bem você sabe que puxei essa curiosidade dele.
— Ele leu. — não foi um pergunta, mas ela assentiu — e como ele reagiu?
— Bem foi meio estranho, eu acordei com ele no meu quarto chorando, com o diário nas mãos disse que se tivesse alguma coisa em que ele pudesse ajudar ele faria. Nós sabemos que ele sempre implicava com você mostrando a coleção de armas dele, fazendo ameaças e nunca o deixando chamar de Charlie, mas ele realmente gosta de você apesar de ele ter querido te matar nas últimas semanas, ele mesmo disse isso.
— Agora eu me supreendi — eu falei realmente surpreso — Mas ele leu tudo? — perguntei meio envergonhado das coisas que tinha lá.
— Não, ele não quis invadir sua privacidade assim — ela respondeu — Ele chorou mais porque disse que você lembrava Renée... e falou que se...você morresse não era para eu ficar sofrendo pelos cantos.
— Ele está certo Bella — falei acariciando seu rosto — Prometa para mim se eu morrer você vai ser feliz, mesmo que doa pensar em você com outra pessoa, me prometa que você vai se apaixonar novamente, se casar, ter filhos.
— Eu não posso prometer isso, Edward. Eu não sei viver sem você.
— Ao menos prometa que vai tentar Bella — pedi.
— Eu prometo tentar, mas eu não vou garantir nada, até porque quando eu me casar vai ser com você.
— É o que eu espero tigresa.
Nós ficamos abraçados e em silêncio, nos beijando delicadamente algumas vezes.
Fomos no carro de Carlisle para o hospital, eu e Bella no banco de trás de mãos dadas.
A especialização do meu pai era neurocirurgia o doutor que eu me consultava tinha que ser um hematologista. Era o doutor Eleazar, ele podia já ter um lugar no céu apenas por aturar um paciente tão chato como eu, mas agora eu prometo melhorar.
— Edward, que bom vê-lo— ele falou quando eu entrei em sua sala.
— Oi doutor — apertando sua mão, dei um sorriso.
— Oh, não acredito que isso é um sorriso — ele falou impressionado, eu rolei meus olhos, ouvindo o riso de Bella, a olhei. — Aposto que você tem algo a ver com isso e já que ninguém nos apresenta. Eu sou o Doutor Eleazar.
— É um prazer conhece-lo, eu me chamo Bella — ela se apresentou educadamente.
— O prazer é todo meu, Bella. — ele falou sorrindo.
Fiz uma careta.
— Vamos começar logo com isso doutor? — eu falei meio enciumado.
— Vamos sim.
Ele nos acompanhou até a enorme sala que eu conhecia muito bem, ela era cheio de leitos divididos por cortinas, onde vários pacientes faziam tratamentos.
Tinha uma maca preta e duas cadeiras, eu me deitei na maca, obedecendo às ordens do médico. Minha quimioterapia era via endovenosa, onde eu recebia os medicamentos pela veia, ele mediu minha pressão, fazendo alguns exames rápidos, antes de iniciar o procedimento. Durou cerca de uma hora e alguns minutos.
Meu pai teve que ir atender seus pacientes logo quando começou o tratamento, minha mãe ficou ali com Bella que não largou minha mão um minuto.
Eu realmente me sentia péssimo, não me sentia horrível porque ela estava o meu lado.
Meu estomago estava embrulhado e me sentia tonto.
Já na minha casa Bella não saiu um minuto do meu lado, enquanto eu oscilava, entre vomitar, dormir, vomitar, dores. Eu realmente perdir a noção do tempo.
Eu acordei no outro dia me sentindo uma merda. Estava cansado, me sentia enjoado e com dor, mas me sentia bem melhor que ontem. Não encontrei Bella quando acordei, já eram mais de nove horas, eu consegui tomar um banho rápido, minhas pernas e juntas doíam e eu tive um sangramento leve no nariz, mas isso era efeito da doença. Bella provavelmente deveria ter ido embora de noite.
Sair do quarto enrolado em uma toalha, corei ao encontrar os olhos dela encarando meu corpo de cima a baixo e logo me lembrei dos hematomas no meu peito.
— Me desculpe, pensei que tivesse ido embora — eu falei me desculpando pelos meus trajes, ou pela falta deles, mas feliz por ela está aqui.
— O que foi isso? — ela perguntou se levantando observando as marcas roxas no meu peito.
— Não é nada de mais, é..eu... só... — não conseguia mentir para ela, não mais, nunca mais.
— Fui eu? — ela perguntou espantada colocando a mão na boca, se lembrando dos socos que me deu na clareira.
— Não é nada de mais Bella. — eu falei sinceramente — É mais por causa da doença, qualquer aperto em mim e fica roxo.
— Droga, olha o que eu fiz? Porque você não me falou antes?
Respirei fundo.
— Vamos deixar isso, para lá, ok?
— Me desculpe, eu não...
— Está tudo bem agora, meu bem. — falei a abraçando.
Ela respirou fundo, ficamos em silêncio durante alguns segundos.
— Você está melhor? — ela perguntou sorrindo francamente.
Era tão estupido que me coração acelerasse assim.
— Um pouco — falei sinceramente — Você dormiu aqui? — perguntei.
— Dormir no quarto de hospedes, mas fiquei ao seu lado até Emmett me tirar adormecida daqui —então não foi um sonho eu ter sentido a presença dela durante a noite. — Vou sair para você se vestir — ela falou rápido.
Sorri sem graça me lembrando da minha quase nudez, eu deveria está horrendo, do jeito que estou magro e ainda careca.
— É melhor mesmo, não quero que você fuja de mim. — falei brincando seriamente.
— E porque eu fugiria?
— É só olhar para mim — falei dando de ombros procurando uma calça de moletom e uma boxers para eu vestir. Tentei controlar os pensamentos que queria me invadir.
Bella era tão linda, ela merecia um homem tão bonito como ela, não eu feio, magrelo, careca e...doente.
— Edward, você continua lindo para mim — ela falou olhando dentro dos meus olhos verdes.
— Se você diz — falei dando de ombros não queria começar uma discussão agora com ela.
— Olhe para mim — ela falou colocando meu rosto entre suas mãos — Você é lindo Edward, mas você está doente é normal o que está acontecendo com seu corpo por causa do processo que está passando. Mas seus olhos Edward ilumina todo o resto e eu conheço você, conheço sua alma, seu caráter, seus conceitos, você é lindo por dentro e por fora acredite em mim.
Eu não sabia o que dizer Bella sempre foi melhor nas palavras do que eu, logo eu a puxei para mim, colando nossos lábios gentilmente, a beijando com carinho e intensidade, mostrando para ela o quanto estava grato por tê-la ali comigo.
— Eu te amo — sussurrei me separando dela com alguns beijinhos, era difícil me controlar, os meus hormônios adolescentes pareciam que iriam explodir, por isso eu tentava manter seu quadril longe do meu. Era tão bom o contato de suas mãos em minhas costas desnudas.
— Eu sei — ela disse.
Eu pisquei e fui para o banheiro trocando de roupa rapidamente.
Quando sai, Bella ainda estava lá, ela arrumava minha cama, colocando minhas roupas suja no cesto.
— Não precisava fazer isso — falei.
— Precisava sim, fofinho. Agora vamos descer porque você ainda não tomou café.
Fiz uma careta. — Não estou com fome, além do mais acho que nada vai parar no meu estomago.
— Pode até ser, mas mesmo assim você precisa comer.
— Tudo bem — eu concordei, sabia que ela estava certa.
Nós descemos as escadas de mãos dadas, eu andava parecendo uma lesma, escutei algumas exclamações vindas da sala e sabia que era Emmett e meu pai assistindo algum jogo de basebol.
— Bom dia — eu murmurei para eles.
— Bom dia, filho. Como você está? — meu pai perguntou desviando rapidamente os olhos da tevê.
— Um pouco melhor — respondi sinceramente.
— CORRE LOGO, IDOTA— ouvir Emmett gritando, pulando do sofá.
Eu ri, ele olhou para mim e meu de língua, rolei meus olhos.
Na cozinha encontrei minha mãe, ela segurava uma caderneta e mexia nos armários.
— Bom dia, mamãe — falei.
— Querido — ela falou me abraçando amavelmente. — Separei seu café da manhã. Está se sentindo melhor?
— Um pouco, não sei se vou conseguir comer tudo.
— Oh, meu filho. — ela me abraçou mais apertando — eu vou ao mercado comprar algumas coisas, sei que você estará em boas mãos — ela falou sorrindo para Bella.
— Pode deixar que eu cuido dele Esme. — Bella prometeu.
— Tchau, meus amores. Qualquer coisa me ligue. — ela falou beijando o rosto de cada.
— O que você vai querer? — Bella perguntou olhando para a mesa da cozinha que estava repleta de várias coisas.
— Acho que só vou tomar um suco de laranja e torrada, não acho que meu estomago vai aguentar mais que isso. Você já tomou café?
— Não estava te esperando — ela falou acariciando meu rosto delicadamente, nós nos sentamos lado a lado — Mas vou te acompanhar no suco e na torrada.
— Com geleia de goiaba? — eu falei rindo fracamente sabendo que ela ama geleia de goiaba, eu passei a gostar por causa dela.
— Com certeza. — ela falou sorrindo.
Nós tomamos café em silêncio, mas cheio de olhares cumplices, caricias e pequenos beijos. Quando terminamos fomos para o meu quarto, eu estava com dor de cabeça e não queria ficar na sala com meu irmão gritando.
Eu me deitei na cama puxando Bella para se deitar ao meu lado.
Ficamos em silêncio por alguns minutos deitados lado a lado, nossos rostos na mesma altura e tão próximo que eu podia sentir seu hálito que estava com gosto de goiaba, uma mão minha estava na cintura dela e a outra entrelaçada a dela. Não resisti e me inclinei pressionando meus lábios aos dela suavemente.
— Me lembrei de uma coisa — falei comigo mesmo me separando dela.
— O quê? — ela perguntou curiosa.
Inclinei meu corpo e peguei uma caixinha dentro do criado mudo ao lado da cama.
Eu abri mostrando para ela nossas alianças de namoro.
— Você ainda as tem? — Bella perguntou parecendo sem graça, mas feliz. Ela havia jogado a sua aliança dentro do meu armário na escola.
— Sim, eu não podia simplesmente joga-la fora — eu falei — Você quer usa-la de novo? Se não quiser eu posso comprar novas, ou...podemos ficar sem nenhuma.
— Edward —ela suspirou meu nome pegando na minha mão — É claro que eu quero usar de novo. Mesmo depois de tudo isso que aconteceu, eu sempre sentir que estamos conectados, mesmo distantes, não vamos encarar o tempo que ficamos separados como um final, foi apenas um momento de reflexão... amadurecimento, você precisava de um tempo para pensar, eu não sei o que teria feito se fosse eu ali, você pode ter errado e ter sido egoísta, mas eu sei que foi um momento e que nunca deixou de me amar. Nós escolhemos essas alianças ano passado e lembra o que você disse?
— Eu disse que elas ficariam até que eu pudesse substitui-la por alianças de noivado e depois de casamento. — falei sorrindo me lembrando do momento.
— Exato e nós vamos esperar isso para substituirmos elas.
Bella pegou a minha aliança e colocou no meu dedo.
— Eu prometo sempre está ao seu lado nos melhores e piores momentos — ela disse.
Eu sorrir pegando a dela e a colocando em seu dedo.
— Eu prometo que nunca mais vou deixar você de fora na minha vida novamente — eu falei sem conseguir encontrar melhores palavras para dizer o que sentia.
Ela sorriu para mim, mordendo seu lábio inferior, nós nos beijamos delicadamente, nossas línguas se entrelaçando com paixão e desejo. Droga eu tinha que me controlar. Mas era impossível, eu queria Bella de todas as formas possíveis.
Suas mãos desceram do meu cabelo para as minhas costas, eu aprofundei o beijo, sentando ela em meu colo, sem conseguir conter minhas mãos que foram parar em suas coxas.
— Edward.... — ela sussurrou meu nome ofegante com seus lindos olhos chocolates brilhando.
Droga. Eu tinha que me controlar. Não sei da onde tirei forças, mas conseguir separar meus lábios dos dela, espalhando singelos beijos pelo seu rosto.
Coloquei-a de volta, sentada na cama, no mesmo instante em que ouvi um celular tocando.
— É a Alice — Bella falou tirando o celular do bolso.
— Não vai atender?
— É melhor não, não quero ter que mentir para ela.
Eu assenti sabendo que se ela atendesse Alice iria enche-la de perguntas e não seria legal contar isso por telefone.
— Você acha que ela vai me perdoar?
— Acho que sim, ela vai entender.
Eu ia dizer algo, mas a ânsia de vomito subiu pela minha garganta e eu só fui capaz de correr para o banheiro.
Bella foi embora apenas à tarde, no domingo eu já estava bem melhor e fui para a casa dela. Eu conversei com Charlie e pedi desculpas a ele que me disse que estava tudo bem, mas que era para eu lutar, não desistir.
Passei o dia todo lá, com Bella e Seth, Charlie aproveitou e levou Sue para um passeio a dois.
Aproveitamos quando Seth dormiu depois do almoço e eu e Bella “assistimos” ao um filme na tevê, mas ainda bem que Charlie e Sue chegaram, apesar dele quase ter nos pego em uma situação ruim, eu não sei se conseguiria me controlar se continuássemos assim.
— Eu venho te buscar amanhã, tudo bem? — falei a ela enquanto nos despedíamos.
— No horário de sempre?
— Aham... — falei roçando meus lábios aos dela.
— Eu te amo.
— Eu também, meu amor.
Nós nos beijamos durante longos minutos, até que eu infelizmente, me separei dela e me obriguei a ir embora. Mas eu fui com um sorriso no rosto, porque eu sabia que estaria com ela amanhã de novo.
Eu desliguei o motor parando na frente da casa dela, sai do carro acenando pra Charlie que acabava de sair com seu carro de policia. Nem meio minuto depois Bella saiu com sua mochila no ombro, ela vestia uma calça jeans, tênis cinza, um suéter azul marinho com gola V, seus cabelos estavam soltos, seus olhos brilharam enquanto ela sorria para mim.
— Bom Dia tigresa — falei beijando sua testa, nariz, bochecha e, finalmente, seus lábios levemente.
— Bom Dia fofinho, você está bem? — ela perguntou enquanto eu segurava sua mochila.
— Ótimo e você?
— Agora sim — ela disse com um sorriso beijando meu pescoço.
Abri a porta para ela entrar e dei a volta colocando sua mochila com a minha no banco de trás.
Dei a partida no carro entrelaçando a mão dela na minha, Bella ligou o som, colocando em uma estação qualquer, parecia que nada havia mudado.
A escola ficava a apenas três ruas da casa dela, então não demoramos muito a chegar. Desci do carro pegando a mochila dela e a minha, abrindo a porta para ela, havia poucas pessoas no pátio, ainda faltava cerca de vinte minutos para a aula começar, nós sentamos no mesmo banco que sempre sentávamos antigamente.
— Ai, droga! — murmurei colocando a mão no bolso.
— O que foi? — ela quis saber.
— Eu esqueci meu celular no carro, me espere aqui que vou lá buscar. — falei rapidamente me levantando.
— Tudo bem— ela disse e eu me inclinei plantando um rápido beijo em seus lábios.
Fui rapidamente para o carro pegando meu celular que estava no painel, quando estava chegando perto da onde estávamos, percebi que Bella não estava sozinha e que tinha uma baixinha em pé na frente dela, Jasper estava ao seu lado em silêncio Aproximei-me com cuidado, Alice poderia reagir bem ruim a isso.
— Isso não explica o fato de você não ter retornado minhas ligações nenhuma vez, Bella. — Alice disse colocando a mão na cintura, Bella olhou para mim por um instante, fazendo Alice se virar e me encarar com raiva. — O que você quer aqui? — ela falou hostil.
— Bom Dia para você também, Alice. — falei educadamente. — Jasper — acenei para ele que retribui o gesto.
— Alice será que podemos conversar? — Bella perguntou ficando de pé.
— É isso que eu estou querendo, mas alguém nos interrompeu — ela falou me fuzilando com os olhos.
— Alie, Edward está incluso nessa conversa — Bella falou ficando ao meu lado e pegando na minha mão.
A baixinha nos encarou durante alguns instantes.
— Eu não acredito que você voltou para ele, Bella — ela falou.
— Alice...
— Cala a boca que eu não estou falando com você — ela me interrompeu.
— Alie, não fale assim com o Edward — Bella me defendeu — Você não sabe o que aconteceu.
— Não, ele que não sabe como eu tive que te ver quando você estava sofrendo por ele.
Emmett e Rosalie chegaram.
— É melhor irmos para o jardim — Emmett falou e eu percebi que tinha alguns curiosos nos encarando.
Alice bufou e saiu em direção ao jardim com Jasper ao seu lado.
— Vai ficar tudo bem — ouvi Bella dizer.
Eu apenas assenti.
— Eu não acredito que você voltou com ele, Bella, que mentira que ele precisou te contar? — Alice disparou assim que chegamos lá, sendo seguidos por meu irmão e Rose.
— Nenhuma Alie, não fale assim comigo que eu não sou uma criança. — Bella revidou com raiva.
Ela ia começar a falar, mas eu a interrompe.
— Alice presta atenção, me escute, por favor — eu falei respirando fundo e depois meu olhar passou por todos eles — Eu devo desculpas a todos vocês, fui eu que errei, achei que me separando de todos iria ser mais fácil vocês enfrentarem isso depois...se eu morrer.
— Edwa...
— Não, Bella deixa eu falar — falei delicadamente a ela. — Eu realmente fiquei doido quando descobrir o que eu tenho e não fiz o certo em me afastar de todos vocês, agora eu vejo isso, mas se vocês estiverem dispostos a me perdoarem eu quero enfrentar isso com vocês, eu...preciso de vocês, por mais egoísta que eu seja pedindo isso. Perdoem-me, por favor.
—O que você quer dizer com isso? — Alice perguntou percebendo pela primeira vez, que tinha algo errado.
—Eu descobrir que tenho leucemia, fadinha — disse sorrindo tristemente ao dizer seu apelido — Por isso terminei com Bella e me afastei de vocês.
— Deus! — Alice disse colocando a mão na boca — Droga Edward! — ela disse com raiva e correndo para me abraçar — Tanta coisa que eu pensei de você, eu fiquei realmente furiosa quando você terminou com Bella, enquanto você... você...
— Shi... Alie está tudo bem agora — eu disse a abraçando beijando seus cabelos enquanto ela soluçava no meu peito.
— Edwaard.... —Bella sussurrou me abraçando forte, senti os braços de Emmett e Rose também me envolverem, não demorou muito e senti os de Jasper também.
Ficamos abraços nós seis, me sentia tão amado e isso era bom, afinal.
Eu precisava disso.
Amizade, amigos, amor. Fé. Esperança.
Ficamos assim até que o sinal bateu nos recompomos e fomos para a sala.
As aulas passaram rápidas, eu sempre ia atrás de Bella e levava até sua próxima aula, podia sentir olhares curiosos e invejosos sempre que estávamos juntos.
O almoço foi diferente, nós parecíamos mais unidos que tudo, parecia que nada havia mudado e nenhum deles me olhavam com pena como imaginei, a principio. Aproveitei ao máximo o momento, já que podia morrer a qualquer momento.
Quando bateu o sinal e estávamos indo para a sala de biologia Mike Newton veio falar com agente.
— Bella, o que você está fazendo com ele? — Mike perguntou, controlei minha vontade de soca-lo.
— Edward é meu namorado, Mike — Bella se limitou a dizer.
— Mas eu pensei que agente... hum...
— Pensou errado, franguinho — o cortei puxando Bella dali — Argh, idiota — eu resmunguei abraçando Bella que sorriu sem graça.
— Nem me lembre de o que eu fiz com ele, tive que lavar minha boca três vezes — ela falou com uma careta.
Eu suspirei, controlando meus ciúmes, mudamos de assunto rapidamente para um que nos deixava mais confortável. Nós chegamos à sala e sentamos na cadeira de costume, coloquei-as mais próxima possível e peguei a mão dela de baixo da mesa.
O sr. Banner chegou ele empurrava uma estante de rodinha que tinha uma tevê e um DVD com a ajuda de Mike.
— Bom dia, turma — o professor falo ligando a teve — Hoje vocês irão assistir ao um documentário sobre nosso próximo assunto, quero que façam anotações das coisas que acharem importantes e me entreguem no final da aula.
Eu fiz um muxoxo, assim não poderia nem conversar com Bella, assistimos ao filme em silêncio, escrevendo nossas próprias anotações, apenas com uma mão, a outra estava entrelaçada a dela ainda debaixo da mesa.
O horário passou rápido, andei com Bella para a sua próxima aula que era Ed. Física, a minha era de espanhol com Emmett.
Nós não dissemos nada enquanto parávamos em frente ao ginásio, eu apenas dei um sorriso torto e acariciei sua bochecha com a costa da minha mão, dei um leve beijo no local, virando as costas e saindo em direção a minha sala.
Eu sempre era o ultimo a chegar, a escola era grande e às vezes a aula de Bella era longe da minha sala, mas eu fazia questão de leva-la em cada aula, eu não queria perder um momento perto dela.
A aula de espanhol era um tédio eu já sabia a língua desde quando tinha onze anos, então a professora nem chamava muito minha atenção, ela sabia que eu falava melhor que ela, até. Na verdade eu fazia português, mas a professora tinha saído da escola e não haviam conseguido outra para substitui-la, o jeito era ter que ficar no espanhol.
Sentei-me ao lado de Angela, namorada de Ben, Emmett estava atrás de mim, sentado ao lado de Rosalie. A Sra. Goff começou a explicar a matéria, não demorou muito para eu ver uma bolinha de papel cair em minha mesa, olhei para Emmett que indicou que eu abrisse o papel.
Eu te disse, nerd. Você tem que aprender a ouvir seu irmão lindão aqui.
Estava escrito na letra engarrachada dele, eu rolei meus olhos, Emmett estava procurando algum motivo para não assistir a aula, ele sempre fazia isso, parecia absorver o conteúdo por osmose, já que ele nunca estudava em casa, quase nunca prestava atenção nas aulas e mesmo assim tirava notas quase tão boas como as minhas. Eu sabia que ele não colava nas provas, ele não era esperto o suficiente para isso.
Você sabia que “eu te disse” tem um irmão que se chama “cale a boca”, cabeção?
PS: E quem te disse que você é lindão? Está precisando de um espelho.
Escrevi rindo, me lembrando de um episódio dos Simpsons que havia assistido com Bella, joguei o papel de volta para ele quando a Sra. Goff foi escrever na lousa.
Rolei os olhos quando ouvi a gargalhada ruidosa de Emmett ecoar pela sala, todos se viraram para olhar para ele.
— Sr. Cullen algunos problema? — A sra. Goff perguntou arrumando seu óculos em seu rosto gordinho.
— Lo siento Sra. Goff, acabo de recordar… una broma— Emmett falou meio embolado.
— Es posible que desee compartir con nosotros — ela o desafiou. Eu conti meu riso.
— Na verdade não, fessora — ele falou, de um jeito engraçado, coçando a cabeça, fazendo alguns alunos rirem.
Finalmente a aula acabou, eu encontrei com Bella na metade do caminho para o ginásio, ela estava ao lado de Jasper e Alice.
Aproximei-me deles sorrindo, abraçando Bella por trás dando um beijo em seu pescoço.
— O que nós vamos fazer agora? — ouvir Emmett perguntar se aproximando de nós junto com Rosalie.
— Não sei... — dei de ombros, faria qualquer coisa só queria Bella perto de mim.
— Podemos ir para minha casa — Rose sugeriu — Meus pais nem vivem lá mesmo — acrescentou dentro de ombros indiferente, mas seu olhar era triste.
— Ursinha...
— Tudo bem, Emm... — ela o interrompeu — Eu tenho você isto basta. — eles se beijaram.
— Argh, eu acho que vi a língua deles — Jasper falou com uma careta, fazendo agente rir.
Emmett e Rosalie finalmente se separaram.
Nós seguimos para a casa de Rosalie, Alice foi na moto com Jasper, Emm em seu carro com Rosalie e eu e Bella no meu volvo.
O pai de Rosalie era empresário, vivia viajando a negócios, a mãe sempre o acompanhava querendo conhecer o mundo todo. Rosalie cresceu criada por seus avós maternos, mas eles morreram quando ela tinha doze anos, os pais dela quase a botaram em um internato, mas ela conseguiu deixa-los ela viver ali e emanciparam-na quando ela fez dezesseis anos. Eles sempre voltavam uma vez a cada seis meses mais ou menos.
Nós nos encaminhamos para a sala de Rosalie. Emmett se sentou confortavelmente puxando ela para sentar ao seu lado, Jasper e Alice sentaram no chão em cima do tapete bege felpudo, eu me sentei no outro sofá, puxando Bella para se sentar no meu colo.
Não me lembro direito quando começou, mas quando percebi nós estávamos conversando sobre minha doença. Eles fizeram várias perguntas e eu respondi todas era o mínimo que eu devia a eles. Nós seis choramos juntos, emocionados quando eu mostrei minha cabeça careca e contamos como Bella descobriu através do diário, contando resumidamente tudo.
Mas logo eu tratei de espantar aquela tristeza e chamei os meninos para irmos comprar pizza para lancharmos. Nós podíamos pedir uma, mas eu queria sair um pouco, respirar ar puro.
Nós fomos no meu volvo, milagrosamente eu deixei Emmett dirigir, para o espanto dele e de Jasper. Fomos em uma pizzaria perto mesmo, encomendamos duas pizzas e refri. Ficamos conversando enquanto aguardávamos, colocando o assunto em dia. Confesso que fiquei surpreso quando Jasper confidenciou para mim que ele e Alice haviam tido sua primeira noite de amor, nós conversávamos abertamente sobre isso, mesmo com Emmett fazia suas piadinhas sem graça.
— É brow, agora você é o único virgem do pedaço... — ele falou dando um tapinha na minha nuca — Se não fosse por Bella eu iria achar que era gay.
— Larga de ser idiota, Emm — falei rolando meus olhos.
As pizzas chegaram e não conversamos mais sobre isso.
Chegamos à casa de Rosalie e encontramos as meninas cantando no controle e pulando enquanto passava na televisão o clipe de A Thousand Miles. Era tão bom ver Bella feliz.
Nós entramos silenciosamente, então elas não perceberam nossa chegada e se surpreenderam quando batemos palmas e assoviamos para elas, eu só tinha olhos para Bella. Deixei o refri que carregava no chão e no segundo seguinte seu corpo leve estava em frente ao meu, nossos lábios colados. Ela. Eu tirei o cabelo de seu rosto a segurando pela nuca, acariciando levemente o local , aprofundando o beijo o máximo que conseguia.
E me separei dela respirando com dificuldade.
— Eu te amo tanto tigresa — sussurrei colando minha testa a dela, seu rosto entre minhas mãos.
— Eu também te amo muito fofinho — ela sussurrou sorrindo lindamente.
Nós sorrimos olhando em volta observando que todos nós estávamos na mesma situação.
Rimos nós seis juntos, eu sentia tanta falta disso, esperava nunca mais perder esses momentos que tínhamos com nossos amigos.
Eles comeram pizza com refri, eu por insistência de Bella tomei agua, ela não quis me deixar tomar refri, comi apenas dois pedaços, não sentia fome. Depois, nós meninos, fomos jogar vídeo game, enquanto as meninas ficaram conversando sobre coisas de menina. Às vezes eu queria poder ler os pensamentos das pessoas, ou pelo menos poder me transformar em uma mosca para poder ouvir o que elas estavam sussurrando do outro lado da sala. Meu irmão e Jasper não percebiam, mas eu percebia muito bem que elas olhavam para nós e sussurravam com sorrisinhos.
Quando deram umas oito horas, nos despedimos de Rosalie e Emmett. Alice e Jasper seguiram por um caminho, eu e Bella para a casa dela.
Sue foi educada como sempre, Charlie ainda não havia chegado a casa. Ficamos namorando na sala e brincando com Seth esse menino estava cada dia mais esperto, recusei o convite para jantar falando que jantaria em casa. Bella me olhou desconfiada e eu tive que prometer que comeria algo em casa.
Despedimo-nos com um longo e profundo beijo na frente de sua casa e foi meio constrangedor, já que Charlie nos interrompeu. Nem havíamos percebido que ele havia chegado, mas ele apenas sorriu e foi direto para casa.
— Me avise quando chegar? — ela pediu não querendo me soltar, eu também não queria.
— Vou avisar quando eu estiver na cama bem quentinho e de banho tomado — prometi beijando sua testa.
Ela assentiu me beijando mais uma vez.
Quando cheguei a casa conversei com meus pais rapidamente, minha mãe me obrigou a comer ao menos uma fruta e eu acabei comendo uma maçã.
Fui para o quarto verificando se tinha algum dever, tomei um banho rápido e vesti minha calça de moletom e uma blusa velha que Bella havia me dado no nosso primeiro aniversário de namoro, era incrível como ainda servia em mim, acho que ela havia comprado grande de propósito, pra durar mais. Era branca e tinha escrito para o melhor namorado do mundo, era infantil, mas eu amava.
Finalmente peguei meu celular para mandar uma mensagem para ela, não pude deixar de sorrir digitando a mensagem vendo ela no meu plano de fundo.
De: namorado com saudades
Para: tigresa amada
Prontinho, aquecido e morrendo de saudades suas, anjo.
Fazendo o que de bom?
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De: namorada sorrindo como uma boba
Para: namorado curioso
Eu também já estou com saudades de você...
Estou lendo seu diário...
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Eu ri lendo o de e o para, nós sempre fazemos essas brincadeiras.
De: namorado mais curioso ainda
Para: a namorada mais linda do mundo
Que parte você está lendo?
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De: namorada corada
Para: namorado bobo
A parte em que você vai à clareira depois que seu cabelo cai. =/
Depois eu continuo lendo o resto.
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De: namorado apreensivo
Para: namorada que gosta de ler
Se quiser ler, eu não me importo, depois agente conversa.
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De: namorada rolando os olhos
Para: namorado idiota
Não, vamos conversar.
Você está bem?
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De: namorado agora rolando os olhos
Para: namorada preocupada
Estou ótimo, meu amor. Não há nada com que se preocupar.
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De: namorada não mais preocupada
Para: um ótimo namorado
Bom saber. Amanhã vamos fazer algo? Depois da escola? Só eu e você?
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De: namorado sorridente
Para: minha tigresa
Claro, meu amor. Tudo o que você quiser. A onde você quer ir?
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De: namorada feliz
Para: namorado fofinho
Hum... Não sei ainda... só sei que quero ficar com você... só nós dois...
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De: namorado gostosão e não fofinho
Para: namorada carente?
Isso soa ótimo para mim, só quero estar com você, meu anjo.
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Eu suspirei enviando a mensagem, Bella. Droga, eu comia na mão dela, faria tudo que ela quisesse.
Nós ficamos trocando mensagem por cerca de uma hora antes do sono nos tomar, nos despedindo e eu quase que imediato cai em um sono profundo, sonhando com a minha pequena.
Eu me sentia vivo novamente.
Notas finais
Bom, sobre a fic, eu só queria avisar que não vai ter muito drama na parte da doença do Edward, eu não consigo fazer eles sofrerem muito, vai ter drama mesmo quando eles passarem por algo que vai ser pior que a doença ao meu ver... então aguardem... Sim deixando vocês apenas curisosos,rss.
Mas sobre o proximo capitulo, acho que vai surpreender vocês. A fic realmente não está indo para o lado que eu imaginei, mas eu gosto do que aconteceu.
É realmente dificil para eu escrever em primeira narração, as vezes quando eu percebo estou em terceira pessoa aí tenho que apagar tudo e colocar em primeira rss...
Muito feliz com as duas recomendaçõs, nunca imaginei que receberia duas assim sem nem um mês de fic... isso me inspira e motiva muito.
Então comentem e me digam o que acham sempre, ainda mais agora que eu sei as pessoas que tem a fic no favorito, mas não comentam...ruum!
Bem acho que é só...
Beijo e uma ótima semana e mais ainda um ótimo feriado para vocês.
Até segunda!
Ps: Algum palpite do que vai acontecer no proximo capitulo..
Eu deixar um Spoiler, mas vou esperar para surpreender vocês...
^^
lalac
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