Luta Pela Vida
2 Parte I
Notas iniciais
Boa leitura!
E lá estava ela.
Meu coração acelerou, era a única vez no dia que eu me sentia quase vivo, era nesses breves instantes que podia observa-la de longe.
Ela viria até mim sorriria, me beijaria, ela faria isso se eu a merecesse. Mas eu não a mereço, não mais. Não depois de tudo que falei para ela, não depois de descobrir o que eu tenho.
Como se tivesse sido atraído por um imã seu olhar encontrou o meu rapidamente, logo ela desviou quando viu que eu que a encarava.
O que eu podia fazer?
Admira-la de longe era a única coisa que eu podia fazer, nunca mais eu sentiria seu toque, seus lábios colados aos meus, seu gosto, nunca mais teria seu amor.
Nunca mais.
Ela virou de costas para mim entrando na escola, observei ela parar e falar com Alice, sua melhor amiga, a baixinha me fuzilou com os olhos, mas foi puxada para dentro da escola. Limpei uma lágrima que escorreu solitariamente pelo meu rosto, sentindo meu coração doer.
Nunca me esqueceria dos momentos que vivi ao seu lado, a época mais feliz da minha vida, e como eu machuquei a pessoa mais especial para mim, nesse mundo.
O que me consolava era saber que ela não sofreria muito quando chegasse a hora. Eu estava com os dias contados não viveria muito, era o que eu acreditava. E por esse motivo não queria que ela vivesse com alguém que não poderia dar vida a ela, apenas sofrimento, dor e morte.
Se eu estava fadado à morte, porque ainda estudava?
Simples, era o único lugar onde eu podia vê-la, poderia ao menos sentar ao lado dela, sofrendo em silêncio, enquanto ela parecia sempre ser indiferente a mim ali, apesar de ultimamente eu ter faltado muito.
Ao longe ouvir o sinal bater me obriguei a me locomover, passei a mão em minha cabeça sentindo a touca que eu me obrigava a usar, ninguém precisava ver como eu era uma aberração.
Suspirei passando em frente ao carro dela ouvindo sua risada em minha mente.
Isabella Marie Swan.
Era o nome dela.
Nós nos conhecemos quando há dez anos eu me mudei para cá com meus pais adotivos Esme e Carlisle Cullen, tenho um irmão Emmett (alto e muito musculoso, cabelos encaracolados pretos e olhos azuis) ele também foi adotado, mas já faz semanas que não nos falamos direito. Ele não aprova o que estou fazendo, afastando-se dos nossos amigos, não contando a verdade a eles.
Na mesma semana que nos mudamos conhecemos Alice Brandon uma baixinha, de cabelos curtos escuros, replicados e de olhos dourados, Jasper Whitlock alto, de cabelos mais compridos que o normal, loiro de olhos azuis, Rosalie Hale alta, loira, de olhos castanhos e Bella, a menina de cabelos castanhos e olhos cor de chocolates que mudou minha vida. Nós seis formamos um pequeno grupo, fazíamos tudo juntos e começamos a namorar também juntos. Aos doze anos de idade, é claro que nossos pais só souberam alguns anos mais tarde.
Me lembro muito bem como foi estranho na época. Descobrimos o que era puberdade e de onde realmente viam os bebes, os meus sentimentos antes inocentes por Bella, se tornaram intensos e verdadeiros e eu percebia isso acontecer ao meu redor, os primeiros a se rederem foram Alice e Jasper, depois Emmett e Rosalie e finalmente, eu e Bella. Nós namorávamos escondidos, mas sempre suspeitamos que nossos pais sabiam, só aos quinze anos se tornou oficial.
Era tudo perfeito, mas não existe perfeição e eu não era perfeito como todos imaginavam.
Lindo, inteligente, educado, cavalheiro, o garoto que tinha uma bela namorada, mas de que vale isso tudo se não se tem tempo para viver?
Descobrir a algumas semanas atrás que tenho leucemia. Leucemia mieloide aguda. Isso acabou não só comigo, mais também com meus planos, o amor pela vida que eu sentia, pela esperança, criou muros e me deixou fraco.
Eu fiquei atordoado depois que meu pai me deu a noticia do exame, ele era médico.
Depois de muito pensar decidir me afastar dos meus amigos e da minha namorada, seria mais fácil para eles quando eu partisse definitivamente. Eles sofriam menos. Minha família, meu médico e a enfermeira da escola eram as únicas pessoas que sabiam. Eu fazia quimioterapia uma vez por semana, mas mais por obrigação do que por eu querer de verdade, iria morrer e isso já era fato.
Terminar com Bella foi à decisão mais difícil que eu já fiz em minha vida a dor que senti não foi nada comparado a todo sofrimento que sentia por causa da doença, mas o que me doía mais foi a ver chorar ali na minha frente e que acreditou em cada palavra que eu havia dito, mesmo depois de tantas vezes que eu proclamei meu amor a ela, somente ela.
Flashback
— O quê? — Bella repetiu parecendo não ter entendido direito.
Por dentro meu coração doía, sangrava, porém a mascara de indiferença no meu rosto continuava intacta.
— Eu não te amo mais, Bella. Acho que confundir as coisas, é melhor nós terminarmos aqui. — eu repeti, minha voz era convicta, verdadeira, o treinamento havia valido para alguma coisa, parecia realmente verdade. Lágrimas começaram a rolar pelo rosto dela, eu controlei a minha língua para dizer que tudo era mentira e que eu precisava muito dela agora, mas não podia fazer isso. Eu odiava vê-la chorar.
— Vo-você não me ama mais?
— Não. — apenas isso. Eu não conseguia dizer mais nada, mas tinha que ser forte, por ela. — Na verdade, eu acho que estou gostando de outra garota. — eu falei isso, sabendo que seria o golpe fatal para ela.
Mentira, eu te amo, não acredite em mim. Eu te amo, eu te amo, eu te amo, nunca vou deixar de te amar, minha mente gritava desesperada.
— Seja feliz — eu disse, respirando profundamente, sentindo seu cheiro inebriante, por um momento quase desisti de tudo, mas não podia fazer. Tinha que ser forte. Aproximei-me dela que parecia uma estátua e dei um leve beijo em sua testa, o ultimo que eu daria nela.
Eu te amo, pensei mais uma vez, Perdoe-me.
Virei às costas e sair dali o mais rápido que consegui, meu coração ficando para trás.
Eu estava despedaçado, fraco, sem rumo, sem vida e o pior sem esperança, sem fé.
Fim de Flashback
O sinal bateu e eu me obriguei a entrar na escola. Minha primeira aula era trigonometria, fui um dos últimos a chegar à classe. Vi Jasper sentado conversando com Ben Cheney, o Edward feliz se encaminharia até eles faria alguma gracinha, o Edward infeliz fingiu nem perceber que um dos seus melhores amigos estava presente na sala. Eu me encaminhei até a cadeira mais longe e me sentei.
O professor chegou e me obriguei a prestar atenção na aula. Meu próximo horário era com Rosalie, mas eu fiz como ultimamente e fui indiferente à namorada do meu irmão sentada na minha frente.
Os outros horários passaram lentamente e tortuosamente. Cheguei ao refeitório atrasado, meu estomago estava embrulhado, não tinha apetite comia sempre para deixar meus pais felizes, mas eu não tinha vontade de nada. Ouvi a risada ruidosa de meu irmão e me virei. Eles estavam lá. Os cinco sentados em nossa antiga mesa do refeitório, agora eram só deles, rindo, brincado, se divertindo, eles recebiam alguns olhares invejosos afinal eram os mais populares da escola, enquanto eu recebia alguns olhares de curiosidade por quererem saber o porquê de nunca mais ter sentado com eles e alguns de desejos. Eu ignorava todos.
Eles nem me olhavam mais quando eu entrava. Jasper e Rosalie foram os únicos que tentaram saber o que tinha de errado comigo, mais eu fui tão duro com eles na primeira tentativa que nem havia tentando outra vez, eu sabia que Alice estava com raiva de mim, mesmo ainda não tendo uma certeza do motivo.
Era insignificante ali. Encaminhei-me a mesa mais distante, onde me sentava agora sozinho, ao lado da mesa dos excluídos, me sentei de frente para as costas dos meus amigos assim poderia observa-los à vontade sem correr o risco de ser pego em flagrante. Meus olhos não se desviaram um minuto das costas de Bella, peguei o caderno de couro que meu pai havia me dado e com um suspiro comecei a escrever. Era o que eu sempre fazia no horário do almoço.
Seattle, 25 de abril de 2002
Tigresa,
Hoje está sendo um daqueles dias que tudo que eu mais quero é correr para seus braços e abraça-la com força. Meu coração dói tanto. Ultimamente tenho me perguntado se o que estou fazendo é o certo, tem que ser. Eu não quero ninguém com pena de mim, não quero ver ninguém sofrendo por culpa minha, já basta meus pais e Emmett. Acabo de ouvir sua risada é esse som que mostra que o que eu faço é o certo, você esta feliz. Isso é o que mais importa. Agora não quero perder nenhum detalhe. Vou ficar de olho em você, te amando de longe. E me preparando para enfrentar uma hora, sentado ao seu lado na próxima aula.
Estava bom por enquanto depois eu escreveria mais para ela. Desviei meu olhar rapidamente quando vi Emmett se levantar e todos olharem em minha direção, fingir nem perceber. Não demorou muito e ele estava em minha frente tampando minha visão.
— Até quando você vai levar isso, Edward? — Ele perguntou. Suspirei pesadamente.
— Hoje não Emmett — falei mal humorado.
— Você está fazendo todos sofrerem agindo assim, mas do que eles sofreriam se soubessem a verdade.
— Eu acho que você está errado — eu respondi com a voz tremula hesitante.
— Você esta magoando todos agindo assim, Edward, principalmente Bella — cada palavra que ele pronunciou foi como sentir um ferro em brasas na minha garganta.
— Eu tenho que tomar meu remédio — disse com a voz embargada.
— Você está fugindo — ele acusou — Eu nunca imaginei que você fosse um fraco covarde, se entregando assim tão fácil, me decepcionei não por você ser doente, mas por você não lutar.
Ele saiu sem falar mais nada. Não precisava. Minha visão embaçada encontrou os olhares dos meus amigos e do amor da minha vida.
Por favor, me leve logo, eu pedi mentalmente, mas apenas a dor aumentava, o buraco sugava tudo dentro de mim.
Minha expressão com certeza não era uma das melhores. Bella pareceu fazer menção de levantar, mas eu sair dali o mais rápido que pude.
Corri para o estacionamento entrando no meu carro e deixando as lágrimas escorrerem, não sei como cheguei a minha casa vivo.
— Querido — ouvi minha mãe dizer quando eu passei pela porta jogando minha mochila no chão de qualquer jeito.
— Eu não aguento mais isso mamãe — eu falei soluçando, deixando meu corpo cair no chão, às costas apoiadas na porta da entrada— Eu quero morrer logo, eu não consigo mais viver assim.
— Edward pare de falar assim — ela me repreendeu me abraçando e chorando também — Você escolheu viver assim querido. Você que escolheu se afastar de todos. — ela me lembrou sem ser rude. O buraco em meu coração aumentou.
— Eu não quero que eles sofram.
— Eles estão sofrendo mais ainda assim. — ela falou sabiamente acariciando minha cabeça careca.
— Eu os amo tanto — disse a abraçando apertado, como se ela pudesse transmitir para mim a força que precisava.
— Eu sei querido.
— Ela...eles não vão me perdoar.
— É claro que eles vão Edward. Eles também amam você.
Não sei quanto tempo fiquei ali chorando nos braços da minha mãe. Só sei que quando eu acordei na minha cama e já estava de noite. E com uma decisão tomada, eu iria contar a verdade a eles.
O outro dia amanheceu nublado, eu estava me sentindo nervoso. Tomei um longo banho, mas não relaxei. Quando desci encontrei meus pais e Emmett tomando café, desde que eu havia me descoberto com leucemia nunca mais havia tomado café com eles, por isso fingir não perceber a cara de espanto deles quando me sentei depois de cumprimentá-los, não sentia fome, mas mesmo assim sabia que tinha que comer alguma coisa. Peguei umas torradas, vendo pelo canto do olho minha mãe sorrir.
Servi-me com cereais e leite menos de que eu comia antigamente, mas mais do que eu estava acostumado a comer ultimamente.
— Você vai hoje para a quimioterapia? — Meu pai perguntou quebrando o silencio que havia se instaurado.
— Sim, eu vou — falei decidido, a ultima eu não havia ido.
— Você quer que eu o acompanhe meu filho? — Minha mãe perguntou. Eu respirei fundo antes de responder.
— Não precisa, eu vou contar e ver se meus...amigos querem ir comigo — eu falei, sem olha-los diretamente.
— Finalmente maninho — Emmett falou sorrindo abertamente, meus pais me olharam felizes. Fazia tempo que ele não me chamava assim.
— Você acha que eu possa ser aceito de volta?
— Seu lugar sempre foi ao nosso lado, nós não somos completos sem você.
Eu o olhei pedindo desculpa e ele apenas deu de ombros.
— Na verdade eu fui rude com você Eddie não sei o que faria se fosse eu no seu lugar — Ele falou seriamente, ás vezes ele conseguia não parecer uma criança.
— Eu agi errado espero que possa me perdoar.
— Não há o que perdoar. — Ele disse e nós nos abraçamos.
Soltamo-nos e olhamos nossos pais que estavam emocionados.
— Eu quero pedir perdão a vocês também eu estou muito ranzinza ultimamente.
— Não se martirize assim querido— minha mãe falou amavelmente. — Você esta passando por um momento difícil, mas o importante é que você lute por mim, por seu pai, seu irmão, seus amigos, Bella, mas principalmente por você.
— Eu vou lutar — prometi — Mas se eu morrer...
— Não diga isso, filho. — Carlisle falou. — Você sozinho é fraco, mas com sua família e amigos, você é forte. Tenha fé.
Cheguei à escola atrasado, percebi o carro de Bella do outro lado do estacionamento, mas não vi sinal dela decidir ir para sala. Arrumei minha touca saindo do carro, ao chegar à sala encontrei Jasper sentado sozinho, engolindo meu orgulho e minha fraqueza, fui até ele. Limpei a garganta.
— Esse lugar está ocupado? — Perguntei. Ele me olhou por um longo tempo parecendo não acreditar que era eu ali.
— Edward? Er... não, pode se sentar... se quiser.
Eu puxei a cadeira e me sentei ao seu lado. Porque eu estava tão nervoso?
Não sabia explicar. Esfreguei minhas mãos em meu rosto, habito que adquiri depois que não tinha mais cabelo para puxar.
— O que houve com você Edward? — A pergunta súbita de Jasper me fez olhar para ele.
— Eu... Posso conversar com você e o resto da turma na hora do intervalo? — Perguntei apreensivo.
— É claro que pode. Er... Bella está inclusa?
— É claro que estar. Ela é a que mais merece saber de toda a verdade.
— Eu não entendo porque terminou com ela posso sentir que você ainda a ama.
— Eu a amo mais que tudo nessa vida Jasper — falei intensamente. Ele abriu a boca para falar algo, mas o professor interrompeu chamando nossa atenção para a aula.
Na próxima aula, Rosalie fez uma cara engraçada quando eu a cumprimentei e sentei ao seu lado, me surpreendi quando foi ela que perguntou o que o que eu queria conversar com eles. Emmett. Suspirei e lhe respondi que logo mais ela iria saber. Nem sabia como Emmett não havia contado a verdade para ela. Eu não tinha aula com Alice e com Bella era só depois do intervalo, mas parecia que alguém lá em cima queria me ajudar, pois eu esbarrei com a baixinha no corredor.
— Alie — falei me abaixando e a ajudando a arrumar nossos cadernos que havia se espalhado no chão.
— Eddie — ela falou com desdém o apelido que sabia que eu odiava, mas eu nem me importei.
— Será que eu podia conversar com você...vocês no almoço?
— Não — ela respondeu na lata — A partir do momento que você machucou o coração da minha melhor amiga você quebrou todos os laços que podia ter comigo Cullen, você não sabe o que ela passou. Eu não tenho nada para falar ou ouvir de você.
Toda a confiança que eu havia adquirido sumiu com as palavras de Alice.
— Eu só fiz o que achei melhor para vocês, e parece que tomei a decisão errada. — murmurei — É melhor eu ir agora.
Eu passei pela minha sala, mas não entrei fui direto para o estacionamento entrando no meu carro.
A dor que sentia era grande e transbordou por meus olhos em lágrimas e eu chorei, sofrendo sozinho a minha dor.
Depois de cerca de meia hora, eu peguei o diário precisando escrever.
Seattle, 26 de abril de 2002
Bella, meu amor,
Eu acordei decido que iria contar a verdade a vocês.
Mas eu encontrei agora pouco com Alice, não sei mais se essa é a melhor decisão a tomar.
Eu estou com medo, confuso, fraco.
Não sei o que fazer, nem meus cabelos eu tenho mais para puxar.
Mas eu sei que tenho que lutar, finalmente parece que eu estou sendo mais forte que o buraco negro que me consome.
Eu tenho que ser forte.
Não sei como vai reagir, se vai querer se afastar de mim, ou se vai ficar ao meu lado, não sei qual dos dois é pior eu não quero ver você sofrendo e muito menos que se afaste de mim. Essas semanas que passamos separados estão sendo os piores da minha vida, não por causa da doença, mas simplesmente porque eu não tenho meu coração comigo, porque falta um pedaço de mim. Preciso de você para ficar completo.
Eu vou parar por aqui. Tomar coragem para falar com vocês.
Mas nunca se esqueça de que amei, amo e sempre vou amar você, nunca deixei de te amar.
Eu te amo, meu amor.
Eu te amo
Perdoe-me, por favor.
Eu sabia que tinha que ser forte. Eu precisava acabar com isso e contar tudo logo para eles. Esperava que eles, principalmente Bella me perdoassem e pudessem me aceitar de volta. E foi só por causa dela que eu conseguir sair do carro depois que o sinal do intervalo bateu. Eu precisava contar a verdade a ela, conseguir seu perdão aí sim eu conseguiria descansar em paz, se assim fosse à vontade de Deus. Olhei-me no retrovisor do carro, meus olhos estavam vermelhos e um pouco inchados, mas não seria isso que me faria desistir. Ou eles me abraçariam ou fugiram logo de mim, pelo menos teria certeza e não uma incerteza com que me preocupar.
Segui para o refeitório transparecendo uma confiança que não tinha. Minha cabeça estava levantada, olhava para frente à porta do refeitório estava aberta e eu entrei, meus olhos procurando automaticamente a mesa que antes eu me sentava.
Meu coração parou.
Minha boca se abriu em choque e meus olhos se arregalaram levemente.
O buraco negro sorriu perversamente para mim.
Ali não estavam somente as pessoas que eu queria que estivessem. Bella estava em pé e tudo que eu conseguia ver era a boca de Mike Newton colada a dela.
O meu pior medo se confirmou.
Bella não me amava mais, ela havia me esquecido. Engoli em seco e desviei meu olhar enquanto eles continuavam se beijando profundamente.
Encontrei os olhares de Emmett, Jasper e Rosalie, eles me olhavam com pena, tudo que eu não queria ver no olhar de ninguém. E meu próprio irmão estava me olhando assim. Alice ao contrário sorria para mim.
— Edward não... — ouvi meu irmão me chamar mesmo ele estando longe, fazendo o casal se separar, não quis olhar nos olhos dela e não ver o amor que tinha antes ali, agora ele era de outro.
Balancei minha cabeça deixando minhas lagrimas caírem livremente outra vez. Não me importava com mais nada e nem com a pessoa que eu esbarrei ou muito menos com as minhas coisas que caíram no chão.
Sai dali o mais rápido possível sem conseguir enxergar muitas coisas, eu via, mas não as distinguia. Só havia um lugar que eu queria estar e foi para lá que eu dirigi meu carro tentando não pensar em nada, eu apenas pedia que Deus me levasse logo dali.
Edward, não. Ela ouviu Emmett dizer e isso foi o bastante para ela separar-se do menino que beijava. Enojada. Virou a tempo de ver ele, o amor de sua vida, com a expressão torturada e lágrimas escorrendo por seu lindo rosto, isso a deixou mais confusa ainda.
— Droga— ela ouviu Emmett praguejar e correr atrás do irmão.
— Vem cá gatinha ainda não acabamos — Bella ouviu a voz de Mike dizer, controlou a vontade de vomitar que sentia.
— Agora não Mike — ela falou tentando esconder uma careta, precisava urgentemente desinfetar sua boca. Ele não insistiu e saiu dali, mas com um sorriso grande no rosto, afinal havia acabado de beijar uma das garotas mais bonita da escola e na frente de todo mundo.
Bella se sentou de volta com seus amigos agradecida por ninguém a olhar com reprovação pelo o que ela havia feito. Todos ficaram conversando amenidades até que Emmett chegou com uma expressão triste.
— O que foi ursão? — Rose perguntou abraçando o namorado.
— Edward... — Ele falou com um suspiro, colocando as mãos na cabeça — Meu irmão... ele...
— Ah... Emm fala sério — Alice falou indignada rolando seus olhos dourados. — Seu irmão terminou com Bella porque quis. Ela está livre para ficar com quem quiser.
— Alice não fale assim — Bella pediu já arrependida de ter ficado com Mike. Não deveria nunca ter feito isso, mas ela precisava arrancar Edward de seu coração e mesmo depois desse beijo apenas teve a certeza que nunca conseguiria amar outra pessoa. Apenas ele, mesmo que ele não a amasse mais, sempre seria ele.
— Ahh qual é Bella? Edward está bem grandinho! Não tem nada haver ele ficar chateado por você seguir em frente.
— Você não sabe de nada Alice. — Emmett falou surpreendendo todos, seus olhos estavam vermelhos por lágrimas não derramadas, mas não foi isso que os surpreendeu. Era a primeira vez em sua vida que ele a chamava pelo nome sempre se referia a ela por apelidos desde a primeira vez que eles haviam se conhecido. Ele saiu dali. Rose olhou para todos confusa e seguiu seu namorado.
— Alguma coisa aconteceu a Edward — Jasper falou, depois de algum momento.
— Sim falta de vergonha na cara — Alice falou rolando seus olhos, escondendo que havia se chateado por Emmett nem mesmo ter a chamado por um apelido implicativo ao seu tamanho.
— Não Alie — ele disse suavemente entrelaçando sua mão na da namorada. — Hoje ele veio falar comigo, pedir desculpas e disse que queria falar com agente, explicar o que aconteceu.
A dor das lembranças de quando ele terminou com Bella vieram à tona. Era de mais para ela. Levantou-se saindo dali com rapidez, milagrosamente sem conseguir tropeçar Jasper impediu Alice de segui-la, sentia que a amiga precisava ficar sozinha e Alice não iria ajuda-la em nada agora.
— Bella. Bella— ela ouviu uma voz a chamar. Parou limpando as lagrimas que ameaçavam surgir.
— Sim, Ben? — ela disse com um sorriso que não chegavam aos seus olhos.
— Será que poderia entregar isso a Emmett, Edward deixou cair quando esbarrou em mim, ele nem percebeu.
Tudo que Bella não queria era ficar com algo dele, mas mesmo assim ela assentiu e pegou o caderno de capa de couro preta.
Bella apenas jogou em sua bolsa, amanhã entregaria para Emmett. Agora tudo que ela queria era ir para casa sentia tão suja por ter beijado alguém que não amava, sentia que havia traído Edward mesmo não estando mais com ele, se odiava por se sentir assim, odiava ainda amar ele.
Ao chegar a sua casa escovou sua boca três vezes querendo tirar o gosto ruim de Mike.
Decidiu ocupar sua cabeça com alguma coisa e procurar um dever de casa para fazer. Abriu a sua mochila pegando o livro, mas o que acabou em sua mão foi o caderno preto de Edward. Ela nunca havia visto aquele caderno nas coisas dele e sua mão coçava com vontade de abrir. Sem pensar duas vezes ela abriu e viu de cara que estava endereçado a ela, sem remorso começou a lê-lo, a tristeza, culpa, arrependimento, amor, medo sentimentos conflituosos a dominava a cada palavra lida.
Notas finais
E aí gostaram desse capitulo? O que acharam da narração do Edward?
Eu eu tinha tantas coisas para falar aqui, mas eu estou triste agora porque eu levei bomba em matemática...
:(
Digam-me o que acharam, por favor, então não esqueça de deixar o sua review. Deixo meus recadinhos no proximo capitulo.
Beijos, ótima semana para vocês. Até segunda!
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