Luna - INTERATIVA
15 Capítulo XV
Notas iniciais
Massimiliano andava em passos rápidos e seus sapatos ecoavam no castelo. Ele tentava secar o cabelo o mais rápido possível esfregando uma toalha desesperadamente na cabeça. Antes de entrar no Salão de Refeição, jogou a tal toalha num banco qualquer. Pediria para um criado pegar depois, ou pegaria ele mesmo. O que tomasse menos tempo.
Quando abriu as portas do Salão e adentrou o mesmo, todos, naturalmente, se viraram para ele. Seu cabelo molhado o deixava absurdamente mais atraente, e as selecionadas fizeram o que podiam (de tomar suco a “acidentalmente” derrubar um garfo no chão e pegá-lo) para disfarçar a clara distração que a aparência do príncipe era. Vicento caiu na gargalhada, percebendo a situação das meninas. E, obviamente, Mass não percebeu.
— Desculpem-me. Estou muito ocupado essa semana, devido aos preparativos para a viagem a Luna. Por favor, não parem de comer por minha causa – soltou um risinho, e foi sentar-se. Ao passar pelo lugar de Elisa, ele sussurrou em seu ouvido: – Gostaria de almoçar comigo hoje?
Ela virou seu olhar para ele, e concordou com a cabeça. Ela não esperava o cheiro de sabonete do cabelo de Mass. Afinal, ele era o príncipe, não é? Não deveria cheirar como lavanda ou algo assim?
Massimiliano sentou-se no seu lugar, ao lado de seu irmão do meio. Depois de cinco minutos, algo como um estalo atingiu Mass e ele virou-se repentinamente para Vicento. Todos da Família Real se assustaram, e a Rainha levou a mão ao coração por impulso.
— Quase esqueci! Caterina está no telefone.
Vicento afastou a cadeira com força, mas depois se recompôs, lembrando-se que sua família não sabia de seu segredo. Só Mass.
— Qual? – Falou com a voz mais controlada que pôde conseguir.
— O do lado da foto de nonna.
E lá se foi ele, em passos largos atender o telefone. Massimiliano tentou disfarçar o claro interesse exagerado de seu irmão pelo telefona, colocando um waffle na boca e dizendo:
— Faz tempo que eles não se falam, não é? Vamos esperar que eles não estejam planejando nenhuma pegadinha para o Natal.
— Massimiliano tire esse waffle da boca! Onde já se viu esses modos? Um pedaço por vez, por favor. – Ufa ele pensou. Mamma está brigando comigo, significa que ela não estranhou nada.
♛
— Perdoe-me, juro que normalmente não cuspo as coisas desse jeito. – Mass ria muito de uma história que Elisa havia contado, e acabou por cuspir tudo que tinha na boca (que, por sua vez, era suco. De novo, Massimiliano?).
A selecionada ria muito também.
— Sem problemas. Eu acredito em você.
— Mas, sem brincadeiras, seu irmão realmente pisou num bueiro no meio de Nova York, caindo? – Eles ainda falavam em meio de risos.
— Sim! Foi hilário!
— Imagino... – Mass havia conseguido se recompor e chamou um garçom. Assim que ele chegou com uma bandeja coberta com um abaulado de prata, deixou-a lá e foi-se.
— O que é isso?
— Bom, você disse que gostava de experimentar coisas diferentes e exóticas, então eu pedi para meu pai trazer algo de sua recente viagem à Nova Arábia. – Mass retirou o que cobria a bandeja. Vários insetos – mortos e fritos – estavam ali.
Os olhos de Elisa se arregalaram e o príncipe achou que havia errado na escolha de prato. Até que ela abriu um largo sorriso.
— Eu sempre quis experimentar insetos! Mas nunca tive a oportunidade!
Foi a vez de Mass sorrir.
Depois de comerem os insetos e chegaram à conclusão de que os grilos tinham gosto de frango e de que as formigas pareciam salgadinhos, de contarem mais histórias engraçadas de suas viagens, o príncipe disse:
— Sabe, temos tantas experiências diferentes e histórias para contar, deveríamos fazer uma história de nós dois. Tipo... viver uma experiência juntos.
— Claro! Não conheço muito o castelo... o que há de misterioso por aqui?
— Bom... em todo pôr-do-sol é possível ver um brilho dourado no lago. Já rendeu as mais loucas histórias. Quer tentar descobrir o que é?
— Só se for agora!
Caminharam juntos até o lago, e tiraram os sapatos para entrar. Ainda era de dia, então seria possível ver as coisas facilmente. Só quando a água já estava no quadril de Elisa e na cintura de Mass que ela pisou em algo que definitivamente não era uma pedra, e ela mergulhou para pegar a tal coisa. O príncipe sorriu involuntariamente diante da atitude da garota, e sorriu mais ainda quando ela voltou para a superfície, molhada.
— É um brace... o que foi? – Perguntou quando percebeu que ele sorria para ela.
— Nada. Continue, por favor.
— É um bracelete de ouro, olhe.
O príncipe pegou o objeto dourado da mão da selecionada e viu as inscrições, já bem gastas: A.S.
— Não pode ser... – sussurrou.
— O que?
— Diz “A.S.”. America Schreave. Isso pertence à antiga rainha de Illéa, uma amiga de minha mãe. Mas... ela perdeu isso há anos.
— Deve ser o que causa o brilho! O sol deve bater no bracelete, e ele reflete.
— Provavelmente. Kaden não vai acreditar nisso!
— Kaden? Kaden Schreave? Por quê?
— Quando éramos pequenos, ele e a família estavam aqui, e Aaren havia derrubado algo no lago, e foi buscar. Quando tia America viu... bom, ela saiu correndo e não pensou duas vezes em entrar na água para pegar o filho. Lembro até hoje dela dizendo que havia perdido a pulseira no lago.
— Temos que devolver para ela, então.
— Sim. E você foi muito espontânea de mergulhar para pegar o bracelete. Você sempre mergulha em lagos reais?
Ela riu.
— Não, só de vez em quando.
Antes que pudessem falar outra coisa, um guarda chamou a atenção deles e pediu que saíssem da água. Mass pegou Elisa no colo e começou a andar em direção ao castelo.
— Massimiliano!
— Você está molhada. Vamos chegar mais rápido assim.
— Está me chamando de lenta?
— Estou.
Ela jogou água nele, e ele saiu correndo assim que saíram do lago. Em meio a gritos e risadas, eles chegaram no castelo do modo menos discreto possível.
♛
— Você é louca, Elisa. – Lara ria do encontro da amiga – história sobre o qual ela estava ouvindo – enquanto tirava sua saída de banho branca, revelando um biquíni verde-água. A loira passou um pouco mais de protetor-solar em spray na pele que antes estava coberta.
— Como se você não fosse! – E riram juntas novamente.
Vicento, do outro lado da piscina, observava as meninas e se inclinou para falar com o irmão mais velho.
— Mass, você tem tanta sorte!
Massimiliano bateu-lhe na cabeça. Caminhou até a garota mais próxima – Natalie Wounderworld – e começou a puxar conversa.
— Então, Natalie. Como vai?
— Vou muito bem, e Vossa Alteza?
— Massimiliano, por favor. E vou bem também.
— Massimiliano. Okay, entendi. E...
— Nat! Não tinha suco de uva, então pegamos uma limonada para você tamb... Opa. Hora ruim. – Marina Orletti deu meia volta, puxando a outra Marina com ela, que vinha logo atrás.
— ‘Que que é isso, menina? Me solt...
— Mari, vem.
Marina Mattedi finalmente entendeu o que estava acontecendo.
— Aaaah. Okay.
— Não, não, por favor. Fiquem. – Mass segurou a outra mão da árabe, que estava quase enlouquecendo com tantas pessoas a tocando. Quando a italiana tentou se opor, o príncipe disse: — Não, por favor. Estou falando sério.
Quando as amigas concordaram em ficar, Natalie não pôde evitar ficar bem decepcionada por não ter um momento sozinha com o príncipe.
— O que as senhoritas estão achando da ideia de ir para Luna?
— Um pouco assustadora, mas muito animadora! – Disse Natalie.
— Sim! Quero muito ver como é a dinâmica lá. Se eu chegar à Elite, obviamente – completou Marina Orletti.
Marina Mattedi se limitava a concordar com a cabeça. Não era muito de falar, porém estava muito feliz com as amigas do palácio. Antes de saírem para pegar as bebidas, conversavam sobre roupas. A outra Marina usava um biquíni que era, na parte de baixo, de cintura alta, listras e botões, com um estilo bem marinho. A parte de cima, sem alças, era rosa-claro e lembrava conchas – como uma sereia. Já Natalie vestia ambas peças azul-escuro, com alça e com uma pedra grande de mesma cor na parte de cima, o que a lembrava bastante do estilo usado na Nova Arábia. Casa ela pensou. Parece tão longe.
— E você, Marina? O que achou da nova atividade?
— Bem interessante. Normalmente não me dou muito bem com trabalho grupal, porém sei que as meninas aqui são bem gentis, então imagino que tudo irá correr bem. – Ela deu um pequeno sorriso.
— Fico muito feliz de saber que estão se dando bem. Com licença, senhoritas. Aproveitem a piscina.
Mass andou até o outro lado do espaço, para perto do bar. Lá, com os pés na piscina, estavam uma ruiva e uma loira. Elizabeth e Megan. Okay, é uma boa oportunidade para se desculpar pensou. Mas se desculpar do quê? Sei lá! Ah, cala a boca, Massimiliano!
Megan usava um biquíni de cintura alta e alças, branco, estampado com rosas vermelhas. Suas queimaduras se faziam visíveis, e Mass se perguntou se já era seguro que ela entrasse na água. Elizabeth, ao seu lado, era o total oposto. Loira e não ruiva. Calma e doce, não pegando fogo e apimentada. Mesmo assim, tinha – assim como Megan – sua própria misteriosa mágica. Algum dia eu ainda entendo como essa mágica das pessoas funciona. A loira usava um maiô preto, shorts jeans, um cardigã branco e um gorro preto.
Quando estava na metade do caminho para chegar nas meninas, o príncipe percebeu que ainda não tinha entrado na água, e que, com todas as câmeras lá, pareceria que ele não estava se divertindo. Ele conhecia bem os apresentadores de entretenimento da Itália. Sabia como eles distorceriam as coisas. Decidiu então tirar a regata e entrar na piscina, espirrando água. Quando emergiu e tirou o cabelo do rosto – o que era extremamente atraente – ele viu que as meninas mais próximas eram Hadassa e Rebecca, com quem ainda não havia falado naquele dia. Rebecca tinha seus óculos de sol nos cabelos ainda secos. A selecionada usava um biquíni que consistia numa parte de baixo preta e a parte de cima, no corte “cortininha”, nos tons do preto ao branco e estampada. Já Hadassa vestia um traje de banho que ele nunca iria imaginar uma garota tão doce como ela usando. Era um maiô rosa pink com fendas por todo ele: na barriga, na área das costelas e em ambos os lados do quadril. Não que ela ficasse feia com aquela roupa, pelo contrário. Era apenas surpreendente. O arco de flores que ela usava na cabeça o fez sorrir, ao lembrar do encontro deles. Ele já deveria ter entendido que Hadassa é uma mulher de surpresas.
— Olá, senhorias.
Rebecca deu um pulo.
— Desculpe, Vossa Alteza. O senhor me assustou.
Ela começou a rir e Hadassa a acompanhou, assim como Mass.
— Sem problemas. E chame-me de Massimiliano, por favor. A senhorita já sabe disso.
Rebecca corou um pouco.
— Perdão, Vossa... Massimiliano.
Ele lhe deu uma piscadela.
— Então, as senhoritas estão gostando da piscina?
— Sim! Muito! – O rosto de Hadassa se iluminou.
— Seu irmão aparentemente também gostou muito – Rebecca riu e apontou para lago atrás de Mass com a cabeça. Ele virou-se para encontrar Vicento com um olhar apaixonado – que, no caso dele, era muito fácil de confundir com seu normal olhar “faminto”. Seguiu tal olhar e ele olhava para um grupo de selecionadas, mas Mass sabia em quem ele realmente estava pensando.
— Acredite, ele não está nem um pouco interessado em nenhuma de vocês. – Mass se virou de volta para as meninas. – Com licença, preciso conversar com as outras selecionadas. Boa piscina para vocês.
Ele se dirigiu para Megan e Elizabeth que ainda estavam no mesmo lugar. Ele apoiou ambos os braços na borda da piscina, cruzados, ao lado de Elizabeth.
— Olá, Vossa Alteza. – Elizabeth, ao falar com o príncipe, fez Megan perceber que ele estava lá. Ela automaticamente virou a cabeça para o outro lado.
— Senhoritas – cumprimentou. – Como estão?
— Bem – obviamente, quem respondeu foi só Elizabeth.
— A senhorita não está com calor?
Elizabeth arregalou os olhos e fechou seu cardigã com as mãos.
— Não, não. É... eu sou muito friorenta.
Mass não acreditou, mas levantou uma sobrancelha e preferiu deixar por aí mesmo.
— Com licença, Elizabeth, mas a senhorita se importaria se eu falasse com a senhorita Adams por um minuto?
— De forma alguma. Tchau, Megan. – A loira saiu da piscina.
Megan o encarou com um par de olhos castanhos furiosos.
— Você esqueceu de perguntar se eu me importaria. – E saiu da piscina.
Mass foi atrás dela, mas Megan se enfiou nos altos arbustos perto da piscina. Ela aparentemente não estava animada para brigar em público como normalmente. Ele passou pelos arbustos, e atrás deles havia uma área sem árvores, com alguns bancos.
— Vá embora, Massimiliano.
— Não. Megan, por favor. Eu preciso pedir-lhe desculpas.
Ela virou-se abruptamente. Ela estava quase... chorando? Megan chorava?
— Ah, é? Então vamos lá. Peça-me desculpas.
— Desculpe-me. Por falar mal do seu primo... e qualquer outra coisa que eu tenha feito. Odeio te ver brava comigo.
— Bom, então isso é uma pena, pois eu sempre vou estar brava com você.
Ela havia andado em passos pesados na direção dele e estava com o dedo na cara dele.
— O quê? Por quê?
— Porque eu gosto de você, seu idiota!
Ela arregalou os olhos, percebendo o que tinha falado. Começou a andar em direção aos arbustos, se xingando em voz alta. Mass estava petrificado. Ele... gostava dela. AH NÃO, MASSIMILIANO, SÉRIO? Traidor. Ele se virou e segurou o braço dela, antes que ela pudesse sair. O olhar furioso havia voltado.
— Eu... eu também gosto de você.
— Não! Não goste. Não.
— Sim.
Puxou-a para perto e fez, provavelmente, a coisa mais estúpida de sua vida. Ele a beijou. E ela também. Ah, Deus. O que está acontecendo?
— Eu achava você burro, mas não a esse ponto – Megan disse quando se separaram, sorrindo.
— Obrigado pela sinceridade. – Eles riram. – Você sabe que isso vai estar em todas as capas de revista amanhã, certo?
Ela concordou com a cabeça, e voltou para a piscina.
Fale com o autor