Luna - INTERATIVA
16 Capítulo XVI
Notas iniciais
Elizabeth Vicent estava lendo calmamente próxima à janela da Biblioteca Real. Mesmo tendo ido diversas vezes lá, o lugar lhe arrancava suspiros todas as vezes. Na noite anterior Marina Mattedi havia sido eliminada, simplesmente porque ela e o príncipe não tinham “química” isso fez as coisas parecerem muito mais reais. Lógico que outras meninas já haviam sido eliminadas pelo mesmo motivo, mas nunca havia convivido muito com as outras.
Todas as outras selecionadas estavam dormindo, e ela se permitiu ir sozinha (e isso, infelizmente, nunca significava sem o seu guarda Adam) ler um livro. Levantou os olhos para ver o que havia bloqueado o sol e encontrou o príncipe Massimiliano a alguns metros da janela. Ele deu um “tchauzinho” em sua direção e ela virou-se para ver com quem ele estava falando, mas não havia mais ninguém na biblioteca além de Adam folheando um livro qualquer, fora do campo de visão de Mass. Ela voltou-se para ele e apontou para si mesma, para ter certeza de que ele estava falando com ela. O príncipe concordou com a cabeça e ela acenou de volta, tímida. Ele deu meia volta e Elizabeth não podia mais o ver. Mesmo achando meio estranho, voltou a ler o seu livro. Um ou dois minutos depois, ela sentiu alguém sentar a seu lado. Preparando-se para iniciar uma conversa com Adam, a selecionada se assustou com o príncipe a sua frente.
— Vossa Alteza! O senhor me assustou! – Disse Elizabeth com uma mão no peito.
— Perdão, não foi minha intenção. E terei que insistir uma vez mais para que me chame de Massimiliano.
— Claro. Massimiliano será então.
Eles trocaram sorrisos.
— Então... – Mass olhou na capa do livro da selecionada. – Romeu e Julieta, hum
— Ah! Sim. Já li diversas vezes. Gosto muito! E o senh... você? Já leu?
Ele se sentou ao lado dela.
— Sim. Meu tutor me fez lê-lo uma vez. Gostei bastante, mas nunca me apeteceu ler novamente. De qualquer forma, não tenho tempo. Já tenho coisas demais para ler e pouco tempo para estas, imagina para mais. – ele riu, e ela sorriu. – A senhorita gostaria de fazer um passeio de bicicleta comigo?
O coração de Elisabeth pulou uma batida.
— Eu... eu estou com o joelho meio machucado. Mas você pode andar de bicicleta. Eu posso ir a pé.
Novamente, ele não acreditou. Mas não quis contestar.
— Sinto por seu joelho. Mas de forma alguma deixarei que a senhorita ande ao meu lado enquanto ando de bicicleta. Eu posso levá-la.
— Mas aí você que terá de andar.
— Não me importo. De qualquer forma, o seu joelho irá doer mesmo com você andando.
Ela não sabia mais como contestar, mesmo não gostando da ideia de ele ter que andar enquanto ela apenas seria levada.
— Tudo bem. É uma boa ideia.
Ele abriu um sorriso e tomou-lhe o braço.
— Adam, volto já. – O guarda abriu a boca para protestar. – Está tudo bem. Vossa Alteza irá me ajudar a andar.
E saíram da biblioteca.
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— É tão lindo aqui!
Elizabeth estava fascinada com a beleza da floresta real.
— É mesmo. É um de meus lugares favoritos no palácio. Aqui.
Ele indicou uma árvore de folhagem avermelhada. Então esse era o lugar do qual ele havia falado enquanto empurrava a bicicleta na qual estava Elizabeth. O príncipe abriu uma cesta de piquenique que continha doces.
— Você havia me dito que gostava de doces, então...
— Você lembrou! Obrigada!
Ele sorriu.
Eles passaram a hora seguinte comendo doces e conversando. Então arrumaram as coisas (sob o comentário de Elizabeth de que não era justo que os criados limpassem a bagunça deles) e voltaram ao castelo, todos sujos de açúcar.
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Marcus Weigley era um astronauta escocês que morava atualmente em Luna, e estava treinando as selecionadas para a viagem que – algumas – fariam. Ele e sua filha, Jenna, eram alguns dos maiores treinadores de astronautas do mundo.
— Muito bem, Lara. Mantenha as pernas assim, nesse ângulo.
Marcus e Jenna instruíam as meninas nas simulações de giro, que eram bem mais do que elas passariam na nave de alta tecnologia que as levaria para Luna, mas que eram necessárias caso um acidente ocorresse.
— Okay, garotas. Podem tomar uma água. Passaremos para o próximo exercício em dez minutos. – Jenna dava as direções para as meninas enquanto passava desligando os simuladores individuais, até que parou no último. A tela mostrava certos dados da situação física da selecionada, mas, aparentemente, para os olhos de quem entendia do assunto os números daquela máquina estavam ruins. – Pai! Traga uma maca! AGORA! – Um grupo de paramédicos se aproximou enquanto Jenna tirava a selecionada do simulador. – Selecionada Elisa Clark. Pressão alta.
Um médico colocou uma lanterna nos olhos dela.
— Ela vai desmaiar.
Retiraram Elisa do simulador e a colocaram na maca, levando-a para a Ala Hospitalar. Lara se aproximou de Jenna.
— Ela vai ficar bem?
— Provavelmente. Vamos, temos outro exercício para fazermos. – Lara não se mexeu. – Não há nada que possamos fazer. Esse castelo em ótimos médicos ela está em boas mãos. Vamos, eu te pego um copo d’água.
— Muito bem, vamos para a simulação de cápsula. Este exercício serve para que vocês vejam como seria caso seja necessário despachá-las em câmaras individuais, em situação de risco. Também é a sensação dada em algumas pessoas na decolagem e no pouso. Colocaremos primeiro vocês nos espaços individuais do tamanho normal onde vocês ficarão na nave, depois num menor.
As selecionadas foram instruídas para dentro das cápsulas. De repente, um dos simuladores emite um barulho alto. Rebecca havia apertado o botão de pânico. Saiu de lá ofegante e tonta, não conseguindo andar sem apoio.
— Eu não consigo. Não consigo fazer isso.
Mass correu para ajudá-la, mas Marcus o parou enquanto Jenna a socorria junto com dois médicos.
— Ela está tendo um ataque de pânico. Dê-lhe um pouco de espaço. Ela vai ficar melhor.
— Esses testes são muito intensos. Vocês... vocês vão acabar.
— Esses testes são exatamente o que pode acontecer na nave. Você quer que isso aconteça no meio do Espaço?
Massimiliano cedeu e se afastou.
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Os exercícios haviam acabado á mais ou menos meia hora, e Massimiliano fora ver como Elisa estava. Ela já estava acordada, mas estava sob observação.
— Como você está?
— Sinto-me meio tonta, mas estou melhor, obrigada.
— O que os médicos disseram?
— Nada ainda.
Um homem de jaleco se aproximou com uma prancheta e seguido de Marcus e Jenna.
— Senhorita Clark, Vossa Alteza – ele fez uma leve reverência. – Eu sou o Dr. Rawn e eu realizei os seus exames enquanto a senhorita estava inconsciente.
— Bom, como ela está? – Mass estava levemente impaciente. Ele estava em pé ao lado de Elisa e tenha uma mão em seu ombro.
— Tenho uma boa notícia e duas más. Uma das más notícias é de que a senhorita foi diagnosticada com Hipertensão Arterial.
— Que é...?
— Sua pressão está constantemente alta. Eu já tinha notado ela levemente acima do normal no check-up da semana passada, creio que a senhorita se lembra. – Elisa concordou com a cabeça. – A boa notícia é que, com os medicamentos e acompanhamento médico corretos a sua vida não irá mudar muito. Só requer disciplina.
— Mas... o que causou essa Hipertensão? Eu nunca tive esse tipo de problema.
— Provavelmente o stress da competição, tendências genéticas e seus hormônios estão levemente alterados, o que não é grave, mas pode ter impulsionado a sua condição.
— E por que ela está com os hormônios alterados? Isso é permanente? – Mass estava ficando seriamente preocupado.
— Não, não é permanente. É comum em algumas mulheres. As vezes os níveis de estrogênio se alteram por um período de tempo, mas não é nada grave.
— Não quando não causa Hipertensão... – murmurou Elisa. — E a outra má notícia?
Dr. Rawn, Jenna e Marcus se entreolharam.
— O que foi, per l'amor di Dio?
— Você não poderá viajar para Luna.
— O quê?
— Querida, se você ultrapassar a atmosfera terrestre, o seu coração irá explodir – explicou Marcus.
— Vocês não sabem disso!
— Você atingiu 20/14 de pressão. Isso é absurdamente alto. E isso porque você estava sob a pressão arterial terrestre. Tudo é diferente lá em cima. É pior. – Jenna soava absolutamente seria dizendo isso.
— Mas...
— Elisa, não podemos correr o risco de você morrer. – Mass tomou-lhe a mão, delicadamente. – Eu realmente não queria te eliminar, mas... – O príncipe sentiu um aperto no peito ao dizer isso.
— Eu entendo. Antes eliminada que morta – Elisa deu um risinho forçado. – Vossa Alteza poderia me dar licença?
— Cla... Claro. – Mass depositou um beijo em sua testa – Melhoras. Eu realmente sinto muito.
Ele saiu da Ala Hospitalar para dar de cara com Rebecca.
— Massimiliano, eu posso falar com você rapidinho?
— Claro. Você está melhor?
— Sim, obrigada. Mas... eu não sei se conseguirei viajar. Hoje me descobri seriamente claustrofóbica. Tenho certeza que terei ataques de pânico constantes lá em cima. Só de pensar já me desespero. Não sei se você já pretendia me eliminar, e eu não queria sair a essa altura da competição, mas... não posso fazer isso.
— Eu realmente não pretendia eliminar a senhorita, mas se é o que você quer... eu posso aceitar.
— Obrigada, Vossa Alteza.
Ele a abraçou apertadamente. Não conseguia acreditar em duas eliminações das quais ele não gostava no mesmo dia.
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Melie havia convencido Mass numa longa video-call de que um encontro poderia tirá-lo de suas preocupações. E, como sempre, ela estava certa. Ele descobriu que Lara era uma pessoa fantástica e que sua fascinação com cada pequena coisa de um dia ensolarado.
— O sol sempre corta assim por dente as árvores?
— Sim. – Ele não conseguia parar de sorri com essas pequenas perguntas dela. – Não há nada disso em Luna, não é?
— Normalmente não. Ficamos sempre em lugares fechados. Quando há sol, não podemos sair devido à radiação. E as estufas são ambientadas, mas não é a mesma coisa. Você deve estar muito triste de ter que deixar tudo isso.
— Para falar a verdade, eu nunca pensei nisso. – Mass deu uma mordida numa maçã verde.
Uma borboleta começou a voar em volta de Lara, que se assustou.
— Eu pensei que haviam borboletas em Luna.
— Há. Mas elas ficam em grande quantidade numa estufa própria, então evitamos entrar lá. Para não afetar o ecossistema delas, sabe?
— Agora eu sei – riram. – Você precisa me contar mais dessas coisas. São muito interessantes.
— Você precisa conhecer a minha mãe! Ela projetou as instalações de Luna. Ela ficaria super feliz de te explicar absolutamente tudo!
— Creio que você não entendeu. Eu gostaria que você me explicasse. Se a senhorita quiser, óbvio.
Lara corou. Como ela poderia ter sido tão lerda?
— Ah, claro! Perdão, eu sou muito inteligente para algumas cvoidas, mas para outras...
Eles riram.
— Veja! O pôr-do-sol!
E ela estava vidrada em mais uma coisa da natureza, e ele em sua reação.
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Aja estava quase tendo um ataque do coração com o fato da selecionada Marina Orletti estar de tênis. Mas, graças a tudo que é mais sagrado, haviam outras coisas para ela se preocupar. E Marina estava bem feliz com seus tênis vermelhos, da mesma cor das rosas em seu vestido azul-claro e de seu pingente, também de rosa. Ela tirou a jaqueta branca quando percebeu que o estúdio do Jornal Oficial estava bem quente. Sua franja presa para trás amenizava um pouco o calor.
Ela foi se sentar com Natalie. Que tamborilava os dedos na saia do vestido rosa-claro, a mesma cor de seu salto e que combinava lindamente com a coroa de flores que ela usava.
— Como você está?
— Desesperada! Por que eu fui escolher justo o vestido da mesma cor do da rainha?
— Você só está nervosa pelo anúncio da Elite. Tenho certeza que a rainha nem percebeu.
— Espero que você esteja certa.
— Venha, vamos tomar uma água.
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Megan usava um vestido curto azul-claro, que contrastava totalmente com seus cabelos ruivos, que estavam soltos. Sua sandália e suas pulseiras dourados lhe davam um toque único de realeza. Mamãe estaria orgulhosa.
Ela estava sentada com Elizabeth, e elas riam de alguma coisa. Ambas estavam – como sempre- totalmente diferentes. Parecia que tinham trocado de papel. Enquanto Megan estava delicada com seu vestido esvoaçante, Elizabeth usava um vestido longo, preto e todo ornamentado. Sua bengala era um charme, e as cores pesadas da roupa contrastavam com a delicada coroa de flores.
— Não pode ser verdade!
— É sim!
E riram mais uma vez.
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— Hadassa! Finalmente te achei!
Lara estava procurando a amiga – de quem ficou próxima após a eliminação de Elisa – há mais de vinte minutos. Ela trajava um vestido longo esvoaçante rosa, sandálias da mesma cor e em volta de sua cabeça, duas tranças estavam presas.
— Uau! Suas criadas se superaram! Você está linda!
Hadassa abriu um sorriso tímido.
— Obrigada.
Seu vestido branco com flores cor-de-rosa lembrava um jardim, e seu sapato alto e brincos prateados ressaltavam seus olhos.
— Vem! Já vai começar!
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Ainda bem que Donatello existia. Se não, após o discurso do rei, todas as selecionadas e – principalmente – Mass teriam tido um ataque do coração. A boa coisa é que a voz do apresentador era muito convincente. Ele poderia vender um copo d’água ao mar.
— Muito bem, Itália! Como se sentem esta noite? Nem parece que há alguns meses nem sabíamos quem eram as Figli di Italia, não é mesmo? E agora iremos anunciar a nossa Elite! Porém antes, queremos demonstrar nossos desejos de tudo do melhor às selecionadas já eliminas, e, além disso, de melhoras de saúde às candidatas Elisa Clark e Rebecca Allen Chermont. Bom, agora às linda senhoritas que vão à Luna!
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