Lumpus e Rapus
11 Por um triz. Amor "quase" revelado.
Notas iniciais
LUMPUS E RAPUS
Por um triz. Amor "quase" revelado.
SOUL POV.
- MAKA! – gritei a todo o pulmão. Ela havia ido. Ela havia me deixado.
Mais lagrimas saíam de meus olhos. Esconde meu rosto em seu peito e chorei em cima de seu corpo inerte. Seu sangue manchava minhas mãos e minhas roupas.
Já não tinha mais motivos para viver. A única coisa que tinha... a única família... a única amiga e minha única felicidade haviam morrido.
E o pior de tudo é que a culpa era minha. Se eu nunca a tivesse conhecido, se ela continuasse sendo uma garota normal, sem saber o que era e dos seus poderes... Se eu nunca tivesse escapado ou se não tivesse ficado na casa dela isso nunca teria acontecido. Ela nunca teria morrido!
A culpa era toda minha! Era eu que devia ter morrido e não ela. Era pra ter sido eu!
Gritei novamente. E de novo e mais uma vez. Tudo para tirar a raiva e a tristeza que de dentro de mim.
Senti-me melhor depois disso, mas não consegui tirar toda a raiva e tristeza de dentro de mim. Era muita coisa para suportar, e a culpa me consumia por dentro.
Tinha que sair daqui. Provavelmente os guardas haviam ouvido os gritos. Mas não podia me mover. Também não queria soltar a Maka. Se eles aparecessem e se apiedassem de mim, tirando minha vida para poder estar junto de Maka, eu agradeceria eternamente.
Ouvi passos, vindo em nossa direção. Levantei cabeça para ver quem era, mas a única coisa que via era a mata que nos cercava. Apertei mais o corpo de Maka contra o meu enquanto sentia a presença de pessoas perto de nos.
- Tem alguém aqui? – exclamei mostrando minhas presas. – Se estiver saia antes que eu mesmo o faça!
De entre dos arbustos saíram sete pessoas, todas mais ou menos da minha idade. Eram três garotos e quatro garotas que vestiam roupas estranhas.
Os garotos usavam apenas uma calça marrom e uma bota da mesma cor que chegavam ate metade da canela. Seus corpos eram cheios de cicatrizes, mas nenhuma muito visível.
As garotas tinham um toper marrom que era suficiente para cobrir apenas os seios. Tinham também shorts, tão curtos que cobriam apenas um palmo da perna, ele também era marrom. Usavam também Botas da mesma cor que chegavam ate os joelhos e não tinham saltos. Não tinham tantas cicatrizes como os homens, mas mesmo assim tinham.
Todas as calças e shorts eram preparados para que não incomodassem as caudas que saiam por cima de ambos.
- Quem são vocês? – perguntei apertando um pouco mais Maka contra mim.
Eles se entreolharam para depois me mirarem atentos.
- Somos dos clãs Lumpus e Rapus. – falou uma das garotas. Ela tinha o cabelo loiro que chegava ate sua cintura, olhos azuis e uma pele rosada. Seu corpo era bem formado e belo, mas mesmo assim muito exagerado para mim. Acho que era porque queria tanto a Maka que seu corpo, ao meu parecer, era perfeito.
- E vejo que vocês também são. – falou um dos garoto. Esse tinha cabelos negros, olhos da mesma cor que o cabelo, a pele morena e um x branco pintado na cara. Seu corpo era musculoso o que indicava que fazia muito exercício. – E precisam de ajuda.
Olhei para Maka e não pude evitar que a tristeza voltasse. A visão de sua pele tão pálida e seu rosto de um jeito tão doente me partia o coração.
- Já é tarde pra fazer alguma coisa. – falei cabisbaixo.
Uma garota de cabelos rosa com algumas mechas sobressaindo às outras, olhos lilases, uma pele pálida e um corpo um pouco mais farto que o de Maka, mas não muito, se aproximou timidamente de mim e de Maka. Ela colocou dois dedos no pescoço de Maka e fechou os olhos levemente.
- Não. – falou se afastando um pouco de nos. – E-ela ainda esta v-viva, mas muito f-fraca. Precisamos l-levá-la daqui ate o Stein. E-ele p-pode salvá-la.
Levantei-me com sumo cuidado para não piorar o estado frágil de Maka e comecei a seguir os sete. Mas não confiava neles. Mantinha-me alerta a qualquer movimento que eles faziam. Se Maka estava viva e eles podiam ajudá-la não iria recusar a oferta, mas também não queria que a ferissem mais.
Chegamos ao que parecia um acampamento. Cheios de barracas e fogueiras. Havia pessoas tanto caminhando pelas áreas das barracas quanto saindo e entrando da pequena área em que se concentravam.
Quando passei com Maka em meus braços todos pararam o que estavam fazendo para nos mirar surpresos. Sentia-me um pouco incomodo com tantas miradas, mas as ignorei. Minha única preocupação agora era Maka.
- Stein! – gritou a garota de cabelos loiros longos quando chegamos em frente a uma barraca.
De dentro dela saiu um homem de cabelos pratas, pele pálida, mas que mudava de cor a cada pedaço separado por cicatrizes marcantes, olhos negros tampados por óculos grandes. Ele tinha um olhar sinistro no rosto que me fez duvidar que pudesse fazer algo bom em Maka.
- O que querem? – perguntou meio irritado. Ele voltou a ver Maka e para mim e seus olhos mostraram um brilho estranho.
- Ela precisa de ajuda. – falou o garoto de cabelos negros com três raias brancas em apenas um lado da cabeça, olhos dourado, uma pele pálida e corpo bem exercitado igual ao outro. – Você tem que fazer alguma coisa logo ou ela vai morrer.
Ele analisou bem a Maka, depois dirigiu seu olhar para mim, fazendo a mesma coisa que fez com Maka. Analisando-me de cima a baixo.
- Entrem. – falou serio.
Entrei com Maka na cabana. Não sabia se confiar ou não, mas se ele pudesse salvar Maka faria tudo para que o fizesse.
- Deixe-a no colchão, bem ali. – falou apontando para o que parecia um pequeno colchonete com cobertas finas e um pouco rasgadas.
A coloquei delicadamente no local que o tal Stein me mandou colocá-la. Não queria me afastar dela, mas Stein me obrigou a fazê-lo.
- Ela perdeu muito sangue. – falou olhando-a de cima a baixo. Um ódio imenso me inundou e uma vontade de mandá-lo parar me consumiu por dentro.
- Tem como salvá-la? – perguntei preocupado, sem deixar de mirar a Maka.
- Vai ser difícil, já que não temos aquelas transfusões modernas que tem nos hospitais da cidade. – começou a falar pensativo. – Mas posso tirar a bala e cicatrizar o ferimento para que não sangre mais. Mas não garanto que ela vá se recuperar.
- Desde que faça alguma coisa que possa ajudá-la, então tudo bem – falei quase com desespero. Ela tinha uma chance, mesmo que pequena, mas tinha. Isso já era o bastante.
- Preciso que saíam daqui, para poder dar inicio a "cirurgia" – falou sério colocando aspas em cirurgia.
Hesitei um pouco em sair da cabana e deixar Maka sozinha com aquele "medico". Mas acabei cedendo quando percebi que não havia outro jeito.
Quando estava fora da cabana o garoto de cabelos azuis arrepiados, olhos verde água, pele morena e corpo igual ao dos outros dois garotos, entregou-me uma calça iguais a que usavam.
- Pode vestir isso. – falou em um tom seco – Tem um riacho aqui perto que pode usar para se limpar de todo esse sangue.
Apenas pequei a roupa e fui na direção que havia me indicado. Não me interessava se gostava da minha presença aqui ou não. Talvez logo fosse embora. E se Maka melhorasse ela viria comigo.
Suspirei. Não queria acreditar que ela não iria suportar o que havia acontecido. Sem ela, eu não era nada. Sei que parece uma coisa dramática, e muito pouco cool, mas era assim. Desde que descobri a intensidade do que sentia por ela sabia que sem a presença dela as coisas nunca seriam iguais.
Quando cheguei ao pequeno riacho, que era escondido entre as arvores e o encontrei com muita dificuldade, me desvesti e entrei na água. Ela era fria e cristalina, mas nada incomoda.
Acho que me banhar no riacho foi uma ótima idéia. Todas as dores que sentia no meu corpo por causa da fuga foram embora, deixando apenas uma sensação de alivio. O sangue saia de meu corpo e descia rio abaixo.
Demorei um pouco ate sair de lá. Já deviam ter passado mais ou menos meia-hora desde que entrei.
Vesti-me o mais rápido que pude, já que queria ver como Maka estava. Peguei minhas roupas antigas para me livrar delas, já que não podia deixar nenhum rastro para aqueles guardas idiotas (N/A: E surdo pelo jeito ;P).
Mas quando tirei a roupa do chão algo acabou caindo do bolso da minha calça. Abaixei-me para ver melhor o que era e vi o pingente que havia surgido quando eu e Maka unimos nossas mãos junto com um pequeno cordão prata que havia achado no quarto de Maka e usado para pendurar o pingente.
Uma forte dor apertou meu coração. Ela estava em um estado critico por minha causa.
Peguei o pingente com cuidado colocando-o na palma da minha mão. O olhei atentamente recordando todo o tempo que passamos juntos. Nunca na minha vida havia sido tão feliz.
Fechei a mão e o apertei com força. Desejando que Maka ficasse bem e eu pudesse ver o sorriso dela de novo. Para que pudesse ver o rostinho infantil que fazia quando estava com raiva ou ver seu rosto ficar vermelho de vergonha. Queria vê-la viva!
De repente senti como um pequeno calor aquecia minha mão. A abri surpreso e curioso e vi como dentro do pingente de gelo uma pequena chama começava a se acender lentamente.
Não pude evitar sorrir com aquilo. Se aquele pingente havia mesmo pego um pouco da energia de Maka, e a nossa energia só desaparece quando morremos isso quer dizer que ela ainda estava viva.
Levantei-me em um salto e escondi minha roupa em uns arbustos, para logo sai correndo na direção do pequeno acampamento. Cheguei lá exausto, mas não liguei. Continuei andando ate a cabana onde estava Maka com aquele medico doido chamado Stein.
Lá, Stein já estava saindo da cabana sem nenhuma emoção no rosto. Aproximei-me dele e perguntei quase sem fôlego:
- Como ela esta? – minha voz saiu entrecortada por causa da respiração agitada.
- Ela esta bem. – falou mostrando um pequeno sorriso no rosto. – Já acordou, mas esta um pouco fraca e vai demorar algumas horas para poder se recuperar. No máximo um dia.
- Posso vê-la? – perguntei esperançoso. Ela estava bem, isso já me bastava.
Stein assentiu com a cabeça e deu espaço para eu passar. Não perdi tempo e entrei na cabana.
A primeira coisa que vi foi Maka deitada naquele pequeno colchonete, lendo um livro e com as cobertas tampando-a ate o peito. O que me indicava que não devia estar usando nada por baixo.
- Maka. – a chamei baixinho, mas o suficiente para ela ouvir.
Ela desviou os olhos do livro a sua frente e olhou diretamente em meus olhos. Um sorriso apareceu em sua face e um pequeno rubor nas maças do seu rosto.
- Tudo bem? – perguntei me aproximando dela ate sentar ao seu lado.
- Tudo. Só to um pouco cansada. – falou fechando os olhos levemente. Para logo depois voltar a abri-los e me mirar com ternura e preocupação. — E você? Esta bem?
Assenti com a cabeça sem deixar de mirá-la. Levei uma mão ate a sua e a segurei levemente. Com tanto cuidado que parecia que iria se romper com um simples tato.
- Você me deu um susto e tanto, sabia? – falei com um sorriso no rosto e acariciando sua mão fazendo círculos em suas costas.
- Desculpa. – falou desviando a mira envergonhada. Ah como eu adora quando ela faz isso. Fica tão terna! – Não queria te preocupar.
- Pelo menos agora já passou. – disse em um tom de alivio. – Ah, tenho uma coisa pra você. – falei ao me lembrar do pingente na minha mão.
- E o que é? – perguntou com os olhos brilhando de animação, igual a uma criança.
Ri baixinho para logo depois me aproximar um pouco mais dela. Seu rosto tomou um ligeiro tom avermelhado, mas não me importei. Coloquei o cordão com o pingente em seu pescoço com cuidado para não prender em seu cabelo.
Quando me afastei ela levou uma mão ate o pingente e olhou para baixo. Um sorriso apareceu em seu rosto logo depois de analisar o pequeno pingente que quase chegava na região entre os seios.
- Gostou? – perguntei ao ver seu rosto se iluminar.
- Eu adorei! – exclamou voltando a olhar para mim. – Onde você o achou?
- Por ai. – falei dando de ombros. Queria guardar a origem daquele pingente como um segredo por enquanto. – Achei que ia gostar por isso te dei.
- Muito obrigada Soul. Eu adorei! – falou com um sorriso cheio de ternura e sinceridade. Retribui-lhe o sorriso e continuei a acariciar sua mão.
O silencio reinou no lugar. Mas não era incomodo. Por alguma razão esse silencio havia me trazido uma paz que era difícil ate de explicar.
Segurar à mão de Maka, quente ao invés de fria, sentir a respiração dela junto com os batimentos cardíacos era a melhor coisa que podia desejar nesse momento.
- Soul. – chamou Maka quebrando o silencio que pairava a nossa volta. A mirei dando indicação que continuasse. – Onde estamos?
- Pelo que sei, no acampamento das tribos Lumpus e Rapus. – falei sem dar muita importância. – Ei Maka. – a chamei quando uma duvida assomou minha mente. – O que você queria me dizer antes de começar a gritar.
O rosto de Maka ficou tão vermelho quanto o próprio vermelho quando fiz a pergunta. Queria saber se era o que estava pensando ou não. Se fosse, seria finalmente o homem mais feliz da face da Terra.
- B-bom... e-eu q-qeuria d-d-dizer q-que... – começou a gaguejar. Isso era um bom sinal. Maka respirou fundo e colocou um olhar decidido no rosto. – Eu queria dizer que te...
Não pode continuar já que uma gritaria vinda de fora da barraca nos chamou a atenção.
- Calma Spirit. – falou um homem de voz esganiçada e engraçada. – Deixe um tempo para ela se recuperar.
- Não Shinigami-sama. – falou o tal Spirit, que tinha uma voz um pouco grossa e autoritária. – Se é ela mesma eu quero vê-la!
- Mas... – antes que o tal Shinigami pudesse terminar de falar um homem de cabelos vermelhos, olhos azuis, pálido e de um bom físico entrou na cabana com um olhar serio e determinado, mas ao nos ver mudou para uma de completa surpresa e incredulidade.
- M-maka? – perguntou em um tom surpreso.
Olhei para Maka tentando achar alguma explicação, mas ela estava do mesmo jeito. Totalmente confusa.
- S-seu nome é Maka? – voltou a perguntar o homem que supus ser o Spirit.
Maka apenas assentiu com a cabeça lentamente, mirando, desconfiada o homem na entrada da barraca.
Os olhos do sujeito se encheram de lagrimas. Ele se lançou contra Maka a abraçado apertado e me jogando para longe dela.
O mirei aturdido enquanto ele sacudia Maka de um lado para o outro dizendo "É você, é você" ou "Não acredito que esta aqui". Mas quando já ia dar-lhe um murro bem merecido na cabeça Maka me passou a frente acertando o livro bem no meio da cabeça dele. Fazendo com que ele a soltasse.
- MAKA-CHOP! – gritou ao acertar o livro em sua cabeça, deixando-o inconsciente no chão. – O que pensa que esta fazendo seu pervertido?
- Awn! É assim que você recebe seu pai? – perguntou esfregando a cabeça.
Meu queixo caiu junto com o de Maka. Ele havia acabado de dizer pai?
- O que você quer dizer com isso? – perguntou Maka se sentando e segurando a coberta para que ela não caísse e deixasse descobertos seus seios.
- É exatamente o que disse. – falou Spirit mostrando um sorriso extenso. – Eu sou seu pai.
- Bom... – falei chamando a atenção dos dois. – Acho que vou deixá-los a sós para discutir esse assunto tão intimo. Fui! – falei correndo ate a entrada da cabana deixando uma fumaça atrás de mim.
O assunto que falaria com Maka poderia ser depois. Agora ela tem um assunto para resolver.
E quem era eu para impedir uma reunião pai e filha?
MAKA POV.
Juro que mato esse homem, sendo ele meu pai ou não. Eu juro que o mato.
Tinha finalmente unido coragem o bastante para dizer a Soul o que sinto por ele e vem esse cara e atrapalha.
JURO QUE O MATO DA MANEIRA MAIS DOLOROSA!
Sei que muito precipitado da minha parte dizer a ele o que sinto, mas depois do que ele me falou antes que eu ficasse inconsciente, fez crescer uma chama de esperança que nem eu acreditava que poderia existir.
"Não quero que você morra Maka. Você é a pessoa mais importante pra mim. Por favor, não me deixe."
Essas palavras ainda retumbavam em minha cabeça, fazendo a pequena chama aumentar ainda mais.
Sei que ele pode ter falado isso por ele me considerar a única família que tem, mas havia também uma chance dele me amar. Isso já era uma grande noticia.
E também, como diz o ditado: "Quem não arrisca não petisca". Então eu falaria. Já havia me decidido. Confessaria a Soul que o amava com toda minha alma.
- Então? – perguntou meu suposto pai.
Estava tão perdida em meus pensamentos que nem notei que ele havia começado a falar.
- Então o que? – perguntei confusa fazendo-o suspirar.
- Sua mãe esta bem? – fiquei ainda mais confusa com a pergunta.
- Não sei. Pensei que era você que devia me responder perguntas sobre a minha mãe, já que você é meu pai e coisa e tal. – falei tentando parecer a mais simpática e calma possível. Mas não tava dando muito certo. – Por quê? Deveria saber como ela esta?
- Bom... Suponho que sim. – falou coçando a nuca nervosamente. – Já que vocês sumirão no mesmo dia pensei que estavam juntas.
- Não. – falei cabisbaixa. – Meus pais adotivos me encontraram na porta da casa deles com meu um bilhete. Nunca soube nada dos meus pais verdadeiros ate agora.
- Então ela não estava com você? – perguntou. Eu neguei com a cabeça e ele abaixou a sua. – Então eles devem ter a pegado.
- "Eles"? – perguntei curiosa. – Quem são "Eles"?
- Os homens. – falou com a voz um pouco raivosa. – Eles vêm aqui de vez em quando para capturar alguns de nós. Já levaram vários, tanto crianças como adultos. Pegam qualquer um que estejam a seu alcance e os levam para aquela prisão horrível.
- A prisão Baba Yaka. – sussurrei para mim mesma, mas Spirit conseguiu ouvir.
- Prisão Baba Yaka? – perguntou confuso.
- É a única prisão da cidade aqui perto. – falei em um tom pensativo. – Lá é onde eles deixam os prisioneiros mais perigosos de todos. Ela é muito admirada pela cidade e tem uma segurança quase impenetrável. Foi lá que conheci o Soul.
- Soul? O garoto que estava aqui antes?
- É. Ele mesmo. – falei com um pequeno rubor em meu rosto.
- E como ele saiu? – perguntou Spirit curioso. – Ninguém que eu saiba consegui sair de lá.
- Bom... – como iria explicar uma coisa que nem eu sabia direito. – Pra falar a verdade nem eu sei direito. Ele diz que eu o ajudei, mas não sei como. Quase que ele morreu tentando escapar, mas acabou que ele entrou no meu quarto e eu pude curá-lo antes que ele morresse.
- Ele entrou no seu quarto? – dessa vez Spirit ficou histérico e preocupado – O que ele faz? Violou-te? Se ele fez isso juro que o mato agora mesmo.
- Não ele não fez nada disso. "quase" – falei o ultimo em pensamentos. – Ele só entrou para se esconder dos guardas que o perseguiam. Não teve nada de mais.
- Unf. – exclamou Spirit tanto aliviado como tenso.
- Agora se não se importa quero dormir. – falei gentilmente – Tive um dia agitado e preciso descansar.
- Claro, filha. Já estou saindo. – falou para logo sair da barraca.
Antes de me deitar repassei toda a informação que pude na minha cabeça. Acabei me lembrando da nova discussão que tive com aquela raposa estranha dentro de mim. Mas dessa vez eu havia ganhado.
Enfureci-me quando ela falou que era fraca por ter sido pega tão desprevenida. Não ia deixar aquilo barato já que já havia tomado muitos insultos na minha vida inteira, e já estava prestes a explodir com mais um. A gritei que se eu era fraca ela era uma covarde por ter que me ameaçar e me depreciar para conseguir alguma coisa que queria. Se tanto queria meu corpo por que não lutava por ele? Gritei também que se ela quisesse se unir a mim e puder dividir o corpo eu estaria disposta a fazer, mas perder totalmente o poder sobre meu próprio corpo isso nunca. Afinal ele era meu.
Senti-me orgulhosa ao ver que a raposa havia ficado calada. E quando já ia dizer mais algumas poucas e boas para ela, acabei acordando, me encontrando com aquele cara de óculos enormes e um olhar sinistro.
Acomodei-me de novo no colchonete ignorando a dor insuportável em minhas costas. Levei uma mão ate o pingente que Soul havia me dado, passando meu dedo por cada detalhe que tinha com delicadeza e cuidado. Quando estivesse melhor iria falar com Soul o que sentia.
Isso eu garanto.
Notas finais
"Mostrando minha força.A fera controlada."
Vejo vcs no proximo cap. Bjssss
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