Lumpus e Rapus
8 Origens.
Notas iniciais
Aproveitem o cap.
RAPUS E LUMPUS
Origem
MAKA POV.
Comecei a acordar lentamente. Minha cabeça doía um pouco, mas não era como antes, o que agradecia muito.
Olhei para todos os lados e vi que estava em meu quarto, deitada em minha cama, mas não me lembrava de nada alem de estar correndo pelas ruas para chegar o mais rápido possível em casa por causa da minha tremenda dor de cabeça e de um sentimento estranho de desejo por carne...
Uma onda de dor passou por minha cabeça ao tentar lembrar do que havia acontecido. Levantei minha mão e apertei minha cabeça com força para que a dor desaparecesse. Tudo era em branco na minha memória, mas podia ter alguns relances de quando cheguei em casa e me recostei em um canto do quarto porque não me agüentava mais em pé.
- Vejo que já despertou – disse uma voz fraca, mas que reconheci ao instante. Não dava para confundir aquela voz rouca que agora ouvia todas as manhãs e todas as tardes.
- Soul! – virei para o lado, onde ficava a porta, com um sorriso, mas o que vi fez com que meu sorriso sumisse e meu coração parasse. Isso não podia ter acontecido.
Soul estava com uma mão na porta para sustentar seu corpo que parecia pesado e débil. Estava sem camisa e tinha um curativo mal feito no peito que pingava sangue pelo chão. Tinha um sorriso débil no rosto e um olhar de cansaço e preocupação.
- O que houve com você? – perguntei histérica me levantando da cama ignorando a dor de cabeça e a tontura para ir ate ele. Não podia acreditar no que meus olhos me mostravam e tive que segurar as lagrimas que ameaçavam sair.
- Então você não se lem...bra? – sua voz sumiu enquanto começava a inclinar para frente mostrando que iria cair no chão.
Não sei da onde tirei força para segura-lo nem da onde tirei a velocidade para conseguir chegar ate ele antes que batesse a cara no chão, e nem me importava. Tudo o que me interessava agora era que ele estava em meus braços machucado gravemente e que precisava de ajuda.
- Vem. Vou te levar ate a cama para curar esse ferimento. – disse docemente tentando manter a calma.
O coloquei na cama e fui ate a sala pegar a caixa de primeiros socorros para logo depois voltar, quase correndo, pra curar logo aquela ferida, torcendo para que meu pouco conhecimento valesse a pena.
Sentei-me ao lado dele e tirei algumas vendas da caixa junto com um pano úmido para limpar o sangue. A ferida já tinha praticamente parado de sangrar e não era muito profunda, para o meu alivio.
Passamos o tempo todo em silencio, enquanto eu o enfaixava e ele me mirava intensamente o que me deixava um pouco, nervosa e constrangida.
Quando acabei e já ia me levantar para guardar a caixa de primeiro socorros ele segurou minha mão me fazendo ficar no meu lugar e olhá-lo com uma expressão confusa.
Seu rosto estava serio e preocupado. Não dizia nada apenas me encarava com aqueles olhos vermelhos penetrantes. Por alguma razão isso me dizia que tinha algo muito errado, não só por ele estar desse jeito.
Ele fez menção de tentar se levantar, mas eu o impedi.
-Não. Você não esta em condições de se levantar. Deite e descanse por um tempo. – disse colocando a outra mão em seu peito impedindo-o de se levantar.
- Tem certeza que não se lembra de nada? – perguntou curioso. Levantei uma sobrancelha sem entender porque toda essa insistência com minha memória.
- A ultima coisa que lembro é de estar correndo pelas ruas da cidade tentando chegar a casa o mais rápido possível porque estava com uma tremenda dor de cabeça. – respondi dando de ombros
- Entendo. – disse desviando o rosto para a janela.
Fiquei vendo-o sem entender do que se tratava aquela pergunta. Do que exatamente deveria me lembra? O que era tão importante?
- Maka... – sussurrou Soul. Com custo conseguir ouvir. – Vai... Vai ao banheiro e se olha no espelho.
- Eh? – agora sim não entendia nada. O que isso tinha a ver com o fato de eu não lembrar de nada depois de correr ate em casa?
- Não pergunte só... Só faça. – ele fechou os olhos e deu um pequeno suspiro, como se fosse difícil pedir aquilo.
Levantei-me e fui ate o banheiro como havia me pedido. Não sabia do que se tratava tudo isso, mas era melhor ver o que era.
Quando olhei para o espelho não pude evitar soltar um grito abafado. Bem na minha frente estava meu reflexo com orelhas de raposa na cabeça, da mesma cor que meu cabelo.
Levei a mão ate o ponto onde deviam estar às orelhas e a toquei com cuidado sem acreditar no que meu reflexo me mostrava.
Não podia ser real. Isso era impossível! Mas era real. Estava na minha frente à prova e eu a estava tocando com uma de minhas mãos.
Um pequeno vulto passou pelo espelho me fazendo virar o rosto para ver o que era. E se antes já estava assustada, agora estava mais que apavorada e confusa. Uma calda loira acinzentada saia de minha saía e balançava de um lado para o outro.
Minhas pernas não agüentaram mais e eu caí sentada no chão duro do banheiro com as mãos tampando com força a boca e com os olhos arregalados. Será que tudo isso era apenas um sonho? Não, não era um sonho e a dor de meu quadril mostrava isso.
Levantei-me um pouco tremula e sai do banheiro me apoiando nas paredes para não cair novamente.
Fui ate o quarto e olhei para Soul que estava deitado na coma com os olhos serrados com mais força. Ele pareceu perceber minha presença já que virou o rosto para me ver.
- Tenho que te dar muitas explicações, não é mesmo? – perguntou serio, mas com um toque de dor.
- É! Tem sim. E a primeira que quero saber por que você esta as... – não pude continuar. A imagem de Soul sendo cortado bem na minha frente passou por minha cabeça.
De novo minhas pernas fraquejaram e eu caí sentada no chão. Meus olhos se arregalaram mais do que antes e meu queixo ficou tremulo.
Eu havia feito isso com ele. Eu o havia ferido. Eu quase o matei.
Lagrimas surgiram em meus olhos e meu corpo começou a tremer feito uma gelatina. Encolhe-me perto da parede aprisionado minhas pernas contra o peito e escondendo o rosto entre os joelhos.
Havia machucado aquele que há pouco tempo chamei de melhor amigo. Com certeza era o ser mais desprezível da Terra, isso não tinha duvida.
- Maka... – ouvi Soul sussurrar.
- Eu... Eu te fiz... Isso. – murmurei com uma dor no coração. As lagrimas saiam sem controle de meus olhos que havia serrado com força.
- Não foi sua culpa – falou com carinho. Parecia estar mais perto.
- Claro que foi culpa minha! – gritei sem levantar o rosto para vê-lo – Eu... Eu te machuquei... Eu q-quase t-te m-matei.
As lagrimas saiam sem controle de meus olhos molhando minhas pernas e meus joelhos. A dor, a culpa que sentia me corroia por dentro me dando vontade de gritar a todo pulmão para tirar tudo de dentro de mim. Como se o fato de gritar pudesse dissolver tudo o que eu fiz.
- Você estava inconsciente. Não sabia o que fazia. – neguei com a cabeça sem levantá-la ou tira-la de entre os joelhos.
- Eu devia ter me controlado, devia ter acordado e parado antes de te machucar. Eu... – não pude continuar. Soul me abraçou com força contra seu peito enfaixado. Quando havia chegado tão perto?
Levantei minha cabeça lentamente para vê-lo nos olhos. Ele apenas sorria e voltava e colocar meu rosto em seu peito descoberto e começava a acariciar minha cabeça com carinho.
Isso era uma coisa que eu não esperava. Pelo menos não de Soul. Podia fazer pouco tempo que o havia conhecido, mas sabia que ele não era de fazer essas demonstrações de afeto. De acordo com ele isso não era nada cool.
Por que então me abraçava com tanta delicadeza e carinho? Sentia tanta pena de mim assim?
- Melhor começar a te explicar o que esta acontecendo. – sussurrou sobre minha cabeça. – Mas primeiro quero ver sua mão esquerda.
Não entendia o que isso havia de importância, mas mostrei minha mão do mesmo jeito.
Ele a virou para ver a palma da mesma. Seu rosto ficou um pouco sombrio, mas não deixava a preocupação de lado.
- Isso explica tudo. – disse em um suspiro – Você é uma Rapus.
- Uma... O que? – perguntei ainda mais confusa, se é que era possível ficar mais do que já estava.
- Os Rapus é uma tribo de pessoas que conseguem se transformam em raposas e tem uma habilidade bem peculiar de controlar e fazer fogo. – falou na maior tranqüilidade sem me olhar. Seus olhos estavam perdidos em algum ponto do teto.
Meus olhos se arregalaram ou ouvir aquilo. Sempre achei que era uma garota normal, como qualquer outra nesse mundo. Claro, me sentia estranha de vez em quando, quando estava perto do fogo por exemplo, mas nunca cheguei ao ponto de controlá-lo.
- Pensei na possibilidade de você ser uma deles desde que você me salvou daquela prisão horrível. – disse quase para se mesmo.
- Por que teve essa suspeita? – perguntei curiosa. Nem sabia que em realidade o havia ajudado a escapar. A única coisa que fiz foi colocar a mão no vidro.
- Porque quando você colocou a mão no vidro ele começou a esquentar, quase ficou insuportável pra mim. Não notou? Parecia estar sentido dor na hora. – ele voltava a me ver com uma cara de duvida e curiosidade. Seus olhos vermelhos me encaravam com tanta intensidade que não pude evitar corar.
- Na verdade, pensando bem, naquela hora eu senti minha mão queimar. – disse desviando o olhar para que não visse o tom rosado em meu rosto.
- E por que não me mostrou essa marca que tem na mão?! – gritou um pouco irritado. Não o culpava, também ficaria se a pessoa que me dissesse que me considerava sua melhor amiga não me contasse algo tão importante eu também ficaria brava. Mas...
- É que eu... – abaixei a cabeça deixando que meu cabelo tampasse meus olhos. – Quando era pequena e estava entrando na escola fui me apresentar para todos na minha sala eu levantei a mão direita para fazer um cumprimento e eles viram minha marca. Todos começaram a comentar e falar que era uma marca estranha. Eu tinha muito orgulho dela então falei que era de nascença.
Esperei para que Soul comentasse algo, mas ficou calado, então continuei:
- Todos me perguntavam da onde era, se meus pais tinham uma também ou se não era uma cicatriz que havia conseguido quando era bebê. E respondia sempre o mesmo: que eu era daqui, meus pais não tinha igual e que não era uma cicatriz. – respirei fundo – Todos diziam que era estranha por ter uma cicatriz igual aquela, mas tudo piorou quando fui segurar a mão de uma colega para ajudá-la a se levantar e ela se queimou com meu toque. Desde então ninguém fica perto de mim com medo de se machucar.
As lagrimas começaram a sair de meus olhos e não podia pará-las. Não conseguia deter a dor que havia dentro de mim por causa disso. Nunca gostei de ficar sozinha, mas era obrigada a esse ato. E agora que tenho um amigo não queria perdê-lo também.
- Por isso não te mostrei! – quase gritei. Era muito doloroso e parecia que se não falasse auto ele não ouviria que eu estava afundando naquilo – Tinha medo de que você também se afastasse e me deixasse só de novo. – continuava com a cabeça baixa, com o cabelo tampando os olhos. Não podia encará-lo. Não conseguia.
- Sua boba. – isso me fez levantar a cabeça e mira-lo sem que entendesse. Ele apenas sorriu e continuou. – Como poderia te deixar sozinha se eu sou a mesma coisa que você. – Ele me mostrou a palma de sua mão direita e nela tinha um desenho de uma lua. Arregalei os olhos e olhei para ele confusa. — Isso ai! Não somos tão diferentes.
Toquei suavemente a lua na palma de sua mão e a delineei com um dedo. Ele estremeceu um pouco, mas logo segurou minha mão, fazendo com a lua de sua mão encostasse-se ao sol da minha.
Vi de novo as luzes vermelhas e azuis saindo de nossas mãos – a vermelha da minha e a azul da dele – só que dessa vez elas se encostavam e bailavam no ar se misturando uma com a outra.
Observei maravilhada como as duas luzes bailavam no ar com tanta harmonia e doçura que deixaria qualquer um encantado.
Ouvi algo estranho. Como se alguma coisa estivesse sendo congelada. Soltei a mão de Soul e me levantei. As luzes desapareceram nesse instante. Logo depois de soltar a mão de Soul.
Ele me olhou confuso e fechou a mão em um punho. Eu lhe sorri e estende minha mão ate ele para ajudá-lo a levantar. Ele mirou minha mão para logo mirar a mim pedindo uma explicação.
- Não quer me ajudar a controlar meus poderes? – perguntei sorrindo ainda mais.
Ele devolveu o sorriso e segurou minha mão logo depois de guardar alguma coisa no bolso da calça.
- Com todo o prazer. – disse ao se levantar. Já ia sair pela porta quando ele segurou meu braço. O voltei a ver estranhada. Ele apenas sorriu. – E eu já tenho o lugar perfeito para isso. – de um golpe ele me puxou e me carregou nos braços com facilidade. – Mas, vamos do meu jeito.
De repente uma calda e um par de orelhas de lobo brancas apareceram. Era incrível como a luz do sol fazia com que aquele pelo branco brilhasse como um cristal.
Balancei a cabeça tirando esses pensamentos de minha cabeça e voltei a vê-lo. Ele me levava ate a janela e se pendurou na mesma sem me soltar.
- Para onde vamos? – perguntei olhando para baixo, vendo como o chão estava distante.
- Você vai ver. – sussurrou em meu ouvido para logo depois pular.
Dei um grito pelo susto e segurei firme o pescoço de Soul escondendo meu rosto em seu peito. Só conseguia me perguntar para onde estava me levando.
Notas finais
Bjsss
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