Lumpus e Rapus
9 Treinamento.
Notas iniciais
RAPUS E LUMPUS
Treinamento
SOUL POV.
Carregava a Maka há alguns minutos e ainda não havíamos chegado onde queria. Na verdade não me incomodava estar assim, era ate cômodo tê-la tão perto de mim.
Mas me incomodava o fato dela ser uma Rapus. Não que eu não goste dos seus poderes ou odeie essa tribo, só que não queria que aqueles guardas viessem atrás dela e a fizessem passar pelo o que eu passei.
Agora que pensava bem acho que não seria tão mal ela ser uma Rapus, afinal, agora podíamos compreender mais um ao outro. E eu não estaria sozinho de novo, muito menos ela.
Suspirei. Ainda tinha que saber o que era aquela coisa que havia surgido depois que eu e Maka estávamos de mãos dadas. Não eram as luzes que me preocupavam e sim o que havia surgido depois.
Parei de pensar logo depois de chegar ao mesmo local onde ela havia me dito que me considerava seu melhor amigo. Aquele lugar que se tornou tão especial para nós.
Ela olhou em volta confusa para logo depois voltar sua atenção para mim com uma interrogação na cabaça.
Eu lhe sorri e baixei-a de meus braços a colocando no chão. Ela cambaleou um pouco, me fazendo segura-la para que não caísse no chão.
- É aqui que vamos treinar? – perguntou logo depois de recuperar o equilíbrio.
- Isso mesmo. – disse sem tirar os olhos dela.
Ainda não podia acreditar que ela era uma Rapus. E o pior de tudo era que se ela não conseguisse controlar seus poderes e acabasse os usando em publico ela ia ser levada para aquela prisão horrível que eu havia ficado desde que me conhecia por gente.
Sem perder tempo ergui minha mão e fiz com que uma parede de gelo grossa aparecesse na frente de Maka, assustando-a um pouco.
Ela voltou a ver-me confusa. Sua calda mexia com graça de um lado para o outro em um ritmo compassado. Eu apenas lhe sorri e andei ate ela.
- Vamos começar! – falei – Tudo que você tem que fazer é concentrar sua energia na palma da mão e lançar fogo por ela para que derreta a parede de gelo, entendeu?
Ela assentiu com a cabeça e respirou fundo.
- Ótimo – me posicionei atrás dela e com uma mão segurei seu braço esquerdo, erguendo-o, e com o outro segurei sua cintura. Senti como se estremecia com o contato. – Agora só precisa se concentrar.
Enquanto estava atrás dela pude perceber o quanto pequena ela era comparado a mim, e como seu corpo se encaixava perfeitamente no meu. Ela batia um pouco abaixo de meu ombro se encaixando perfeitamente em meu peito, como se fizesse parte de um quebra-cabeça.
Quando vi que ela fechava os olhos para se concentrar a soltei de vagar e comecei a me afastar lentamente, parando a mais ou menos um metro de distancia dela. Se ficasse muito perto dela poderia acabar atrapalhando-a ou ate mesmo me machucando.
Pude ver claramente a energia fluindo por seu corpo e se concentrando em sua mão erguida.
Senti como algo se esquentava em meu bolso. Coloquei a mão dentro do mesmo e tirei aquele pequeno pingente em forma de coração com duas orelhas de felino e uma calda. Ele era totalmente feito de gelo e brilhava com uma simples luz, sem falar que parecia ser bem firme.
De repente uma luz vermelha começou a surgir dentro do pingente. Em primeiro lugar não entendi, mas depois que olhei para Maka e vi seu poder aumentando no mesmo ritmo que a luz do pingente, compreendi tudo.
Aquele pequeno pedaço de gelo havia guardado a energia de Maka, que ainda estava conectada a ela, o que fazia com que pudesse ver a força de seu poder.
Voltei a ver a Maka bem no momento em que ela lançava uma grande bola de fogo que destruiu completamente a parede grossa de gelo.
Ela abriu os olhos e, ao ver o que havia feito, começou a dar saltos e gritinhos de alegria. Não pude evitar sorrir com essa cena, parecia ate mesmo uma criança comemorando a vitoria.
- Muito bom – falei guardando o pingente em meu bolso. – Agora o próximo passo.
- E qual é? – perguntou entusiasmada.
- Terá que suportar o fogo. – ela me olhou confusa. – Tudo que tem a fazer é encostar-se ao fogo e não se queimar ou sentir qualquer desconforto. Tem que se sentir confortável com ele.
Ela olhou para as pequenas chamas que ainda haviam restado do golpe que deu um pouco duvidosa, mas logo depois começou a se aproximar das pequenas chamas devagar ate chegar ao ponto de se ajoelhar de ante delas.
Meu coração se apertou ao vê-la aproximando a mão do fogo. Mas quando já ia correr para impedi-la já era tarde. Ela já havia colocado a mão toda no fogo fechando os olhos como se não tivesse feito nada.
Assombrei-me no inicio, mas logo fiquei calmo e comecei a me aproximar de Maka inconscientemente. À medida que me aproximava podia perceber as mudanças de suas feições ate chegar a uma de dor.
De repente ela deu um gritou e pulou para trás caindo sentada e segurando a mão que estava no fogo com força enquanto seu rosto tinha uma expressão de pura dor.
Corri atá ela e me ajoelhei a seu lado preocupado. Ela olhava fixamente para o fogo a sua frente que trepidava mais forte que antes e havia aumentado consideravelmente, de uma maneira estranha.
- Esta bem? – perguntei segurando seus ombros com delicadeza.
- Acho que sim. – respondeu sem me encarar. Sua atenção estava toda no fogo na sua frente. – Mas isso foi estranho.
- O que aconteceu? Parecia estar indo tão bem.
- Não tenho certeza. Mas acho que tem alguma coisa errada. – disse pensativa.
Não entendi o que quis dizer então me concentrei em sua mão que havia colocado no fogo.
Para minha surpresa não havia nenhuma queimadura ou coisa parecia. Sua mão estava normal, um pouco vermelha, mas sem nada de se surpreender.
Toquei de leve sua mão esquerda. Sua pele macia estava um pouco quente. Não pude evitar tocar com mais intensidade sua mão ao sentir o doce contato com aquela pele tentadora.
Quando dei por mim já estava segurando sua mão com força, mas parecia que Maka nem se dava conta. Estava perdida em pensamentos tão profundos que parecia ate ter dormido.
- Bom... – disse enquanto me levantava e chamando sua atenção. – Vamos continuar o treinamento? Ainda temos muito que aprender, e podemos deixar esse para depois se quiser.
Ergui uma mão até ela oferecendo ajuda para se levantar. Ela me sorriu e segurou minha mão com delicadeza. Dei apenas um pequeno puxão e ela se levantou ao instante.
Ficamos o resto do dia treinando, desde o controle dos poderes ate o domínio de artes marciais. E devo admitir que ela ia aprendendo os ensinamentos muito rápido. Em pouco tempo ela já se equiparava a mim.
De vez em quando, enquanto lutava, eu conseguia derrubá-la e ela vinha com uma carinha de desgosto para cima de mim. Depois, quando ela me derrubava, era minha vez de fazer cara de desgosto e dizer "não é nada cool ser derrubado por uma garota". E ela caia na risada.
Aquela risada doce e harmoniosa, que ao atingir meus ouvidos me fazia sentir a pessoa mais sortuda do mundo por estar ouvindo um som tão lindo.
Acho que essa coisa de estar apaixonado por uma pessoa te faz adorar tudo nela. Pois, não importa o que Maka faça sempre me agrada. Tudo nela me agrada. Principalmente quando ficava atrás dela para mostrá-la como ficar na posição certa e podia sentir seu corpo estremecer e sua calda balançar contra meu corpo com tanta excitação que chegava a me fazer casquinhas.
Quando terminamos e já estava anoitecendo Maka sugeriu uma corrida ate em casa. Não estava muito seguro já que tinha medo de ir muito rápido deixando-a para trás e ela se perder no bosque.
Mas quando ela usou o comentário de que eu tinha medo de perder para uma garota com menos experiência do que eu, não pude evitar dizer um aceito à competição. Esperei ate ela dizer "já" para começar a correu.
Não podia nem acreditar que,quando começamos a correr, ela me acompanhava com toda a tranqüilidade. Ate me copiou quando saltei nas arvores e fui pulando de galho em galho ate chegar a casa dela.
Acabou que a competição virou uma brincadeira. Quase na metade do caminho começamos a tentar atrapalhar o outro e rir por cada erro que o outro cometia.
Entramos pela janela do quarto de Maka, rindo e respirando com dificuldade. Estávamos tão sem fôlego e atordoados por causa das risadas que Maka acabou tropeçando. Segurei-a com o intento de impedir que caísse, mas acabei me desequilibrando e caído em cima dela na cama.
Nossos rostos ficaram muito próximos dando para sentir a respiração um do outro. Podia sentir também seu peito subindo e descendo debaixo do meu em uma velocidade lenta, profunda e irregular.
O rosto de Maka tinha um ligeiro tom rosado e seus olhos estavam semi-fechados. Suas mãos estavam em meu peito e suas pernas entrelaçadas as minhas. Enquanto as minhas estavam se apoiando na cama do lado de seu corpo e podia jurar que também estava um pouco corado.
Meus olhos estavam se fechando devagar, com receio de deixar de ver aqueles preciosos jades que estavam a centímetros de distancia de mim.
Nossos rostos foram se aproximando mais. E a cada aproximação meu coração acelerava mais e minha respiração ficava mais profunda.
A felicidade crescia em meu peito. Saber que iria beijá-la de novo e que os dois estavam querendo era a melhor coisa que ia acontecer no dia inteiro!
Mas tudo o que é bom, dura pouco.
Quando estava prestes a encostar meus lábios nos de Maka ela começou a me empurrar delicadamente, me afastando de seu corpo. Isso me irritou, mas não podia fazer nada. Apenas me deixar ser empurrado para longe.
Abri os olhos e vi que ela me mirava com timidez, vergonha e... Tristeza? Por que tristeza?
- Pode sair de cima de mim, Soul? – perguntou com uma voz fraca que tentava esconder uma dor estranha que parecia estar sentindo. – Estou com fome e queria ir ate a cozinha pegar alguma coisa pra comer.
Assenti desanimado e sai de cima dela sentando na cama logo depois.
Maka se levantou e foi ate a porta. Era impressão minha ou Maka começou a andar de uma maneira mais... Elegante? Parecia andar rebolando, como se realmente se tratasse de uma raposa. Principalmente com a calda mexendo no mesmo compasso que seus quadris.
Fiquei encantado com a cena e pude jurar que meu nariz começava a sangrar em uma pequena hemorragia nasal.
Quando estava prestes a abrir a porta virou o rosto na minha direção e perguntou:
- Que alguma coisa?
Já ia responder quando meu estomago roncou alto fazendo Maka rir e sair do quarto ao mesmo tempo em que materializava seu rabo e suas orelhas para que seus pais – que já deviam ter chegado – não vissem o que ela era.
Quando a porta se fechou pude ouvir os gritos da mãe de Maka que parecia estar muito preocupada. Não a culpava. Maka estava muito mal ontem e hoje acabou faltando à escola por minha culpa.
Suspirei enquanto me deixava cair deitado na cama de Maka. O que aconteceu agora mostra claramente que ela não sente nada por mim alem de uma simples amizade.
Como eu desejava que fosse ao contrario.
MAKA POV.
Quando fechei a porta do meu quarto ainda rindo fui surpreendida por dois braços femininos que me envolveram em um abraço sufocante.
- Maka! Oh minha Makita, estava tão preocupada com você! – dizia minha mãe com lagrimas saindo dos olhos e me sacudindo de um lado para o outro me deixando sem fôlego.
- Mã-mãe, es-esta me sufo-cando! – disse com dificuldade sentindo meus pulmões arderem pela falta de oxigênio.
- Oh! Desculpe.
Quando ela me soltou pude dar uma bocada grande de ar e recuperar o fôlego.
- Esta bem filha? – perguntou meu pai preocupado se posicionando do lado de mamãe. – Nos ligaram da escola dizendo que você não tinha ido.
- Ah! – droga! Havia me esquecido totalmente da escola. – É que... Bom... Acabou que não me senti muito bem e não consegui me levantar da cama hoje. Então decide ficar em casa. – menti.
Meus pais se entreolharam por um momento, meio desconfiados, mas antes que pudessem fazer mais alguma pergunta os impedi:
- Se não se importam estou morrendo de fome, já que não comi nada o dia inteiro. Então vou ate a cozinha pegar alguma coisa pra comer e levar para o meu quarto.
Sem falar mais nada fui ate a cozinha e pequei dois pedaços de bolo que tinha na geladeira e esconde um prato debaixo do que havia colocado os pedaços de bolo. Pequei um copo de leite, escondi um pacotinho de Todinho entre os braços e pequei duas colheres.
- O que houve com seu uniforme? – perguntou minha mãe me olhando de cima a baixo.
Olhei para mim e vi que meu uniforme estava todo sujo e rasgado. Minha saía, que antes era de um azul escuro, virou uma mistura de marrom e azul desgastado. Sem falar que havia se encurtado ainda mais do que já era. Minha blusa branca já estava completamente marrom e havia rasgados em toda parte. Minhas botas já era uma causa perdida.
Voltei a olhar para minha mãe e comecei a rir nervosa tentando achar uma desculpa para explicar meu estado. Quando uma idéia cruzou minha mente.
- É que ontem acabei caindo na terra lá na escola. Não tirei o uniforme porque cheguei a casa exausta e acabei dormindo com ele e hoje não pude tirá-lo já que nem conseguia sair da cama. – falei um pouco nervosa, torcendo para que eles acreditassem.
Meus pais voltaram a se entreolhar. Meus nervos estavam me matando. Primeiro porque odeio mentir para meus pais, segundo porque se descobrissem à verdade não sabia como podiam reagir e terceiro porque não sabia se eles iam acreditar ou não.
Quando voltaram a me ver e assentiram levemente, dando a entender que aceitavam minha desculpa, quase dei um grito de alegria. Mas consegui me conter e apenas sorrir para eles e entrei no meu quarto fechando a porta atrás de mim.
Estando dentro do meu quarto me sentia mais segura e relaxada. Tanto que soltei um suspiro e me deixei escorregar pela parede ate o chão.
- Foi tão ruim assim? – perguntou uma voz roca que não tardei em reconhecer.
- Não que fosse um interrogatório muito pesado, mas... – disse enquanto me levantava do chão e me dirigia ate a cama sentando ao lado de Soul – é só que não gosto de mentir para os meus pais.
Soul me mirou curioso enquanto eu colocava um pedaço de bolo no prato que havia escondido e lhe entreguei junto com o copo de leite.
Começamos a comer em silencio. Soul continuava a me mirar intensamente enquanto eu me perdia em pensamentos. O que havia acontecido hoje de manhã quando toquei no fogo foi... Sinistro.
- Oye Maka.
Girei-me quando Soul me chamou e quando o vi ele tinha um olhar curioso que demonstrava claramente que iria me fazer uma pergunta.
- O que foi Soul? – perguntei
- Eles não são seus pais de verdade, são? – perguntou apontando para a porta.
Suspire. Um dia ia ter que contar.
- Não. – confessei – Eles me acharam na porta de casa e me adotaram. Mas nunca me preocupei muito com isso já que eles me tratam como se fosse sua verdadeira filha.
- Entendo – murmurou Soul pensativo. – Isso explica muita coisa.
- E quer saber? – perguntei olhando distraída para meu prato. – Não reclamos por ter eles como pais, nem odeio que seja que me abandono. Gosto de pensar que fui deixada aqui por causa de algo importante e que meus pais atuais me cuidaram mesmo não precisando.
Não pude evitar sorri quando dizia isso. Também não pude perceber a mirada de Soul sobre mim. Apenas fiquei olhando para meu prato lembrando de todos os momentos bons que passei com meus pais adotivos.
- Queria poder ter pais, igual a você. – sussurrou Soul em um tom tão baixo que mal pude ouvir.
O olhei surpresa. Sua cabeça estava baixa demonstrando claramente que estava triste.
- Você não tem pais? – perguntei um pouco confusa.
- Se tenho não os conheço. – declarou ainda de cabeça baixa – Cresci naquela prisão, sozinho. Nunca soube nada de meus pais ou de algum membro da minha família. A única coisa de que me manterão informado era o que realmente era. Um Lumpus.
Senti-me muito triste. Algo dentro de mim apertou quando Soul disse aquelas palavras.
Sentia-me culpada por estar falando de meus pais com tanto orgulho enquanto Soul nem tinha conhecido os seus. Era realmente uma idiota por ter feito ele se sentir tão triste.
- Não tenho família. Nunca tive.
Quando ele falou aquelas palavras não pude para o instinto que me veio de abraçá-lo. Antes que pudesse perceber, meus braços já estavam envolta de seu pescoço apertando-o fortemente contra mim.
- Não é verdade. – falei delicadamente em seu ouvido. – Você tem uma família. E essa família sou eu. Você tem a mim e não vou te deixar. É uma promessa.
Soul parecia surpreendido no inicio, mas logo retribuiu o abraço, rodeando seus braços em minha cintura e afundando seu rosto na curva do meu pescoço.
Podia sentir sua respiração fria chocar contra a pele quente do meu pescoço. O que fazia com que milhões de descargas elétricas passassem por meu corpo
- Eu sei. – sussurrou apertando mais seu abraço me aproximando mais de seu corpo. – Eu sei.
Ficamos assim por um tempo ate que finalmente o sol se pós e eu fui tomar um banho e colocar meu pijama. Soul foi logo depois que sai.
Enquanto ele estava no banho, deitei em minha cama e observei o seu azul escuro iluminado pela estrela e pela lua.
Sem que me desse conta, acabei dormindo. Mas antes que perdesse completamente a consciência senti uma leve caricia em meu rosto e um ligeiro beijo de uns lábios frios e macios, que me eram ligeiramente familiares.
Fale com o autor