Lumpus e Rapus
7 Descoberta sangrenta.
Notas iniciais
Bom proveito!!!
RAPUS E LUMPUS
Descoberta sangrenta
MAKA POV.
Acordei morrendo de frio esta manha. Acho que acabei dormindo enquanto eu e Soul estávamos vendo o por do sol. Ele devia ter me trazido ate em casa. Ele podia ter pelo menos colocado a coberta em cima de mim. To congelando com o ar frio que ta entrando pela janela.
Bom... Não precisei necessariamente de um banho quente para que sentisse meu corpo mais quente. Logo após levantar meu corpo se esquentou e uma tontura dos diabos me inundou. Tive que me apoiar na parede para recuperar o equilíbrio. Tudo dava voltas ao meu redor enquanto minha cabeça latejava pedindo que parasse.
Só tive que esperar alguns segundos para que voltasse ao normal e meu quarto parasse de girar. Mas isso não significava que minha cabeça havia parado de doer.
Fui ate o armário pegar um outro conjunto do uniforme da escola – já que o que havia usado ontem estava todo molhado – mas antes que eu pudesse encostar na porta, a palma de minha mão começou a pulsar, me causando uma imensa dor.
Deixei o braço cair ao lado de meu corpo tentando reprimir o grito que queria escapar de meus lábios por causa da dor, para não acorda ninguém, coisa que era difícil já que era como se minha mão estivesse dentro de lava.
Com a mão direita abri a porta do armário, pequei meu uniforme e fui disparada ate o banheiro para tomar um banho. Com certeza a água quente ia ajudar a melhorar essa dor. Pode parecer estranho, mas é que não consigo tomar banho com água fria. Posso ate nadar nela, mas tomar banho não.
Passei mais ou menos meia hora no chuveiro e nada da dor passar, pelo contrario, só havia piorado. Meu corpo todo agora parecia estar em chamas e os músculos contraindo e relaxando fazendo com que uma dor pulsante quase me impedia de andar.
Sentia-me tonta, a cabeça quase explodindo, o corpo queimando e a mão esquerda doendo. Se estava com febre essa era a pior que já havia tido.
Sentei-me na mesa da sala para comer meu café da manhã que era apenas leite e uma torrada.
Meus pais me miraram preocupados. Minha mãe se levantou e foi em minha direção. Eu apenas ficava de cabeça baixa comendo minha torrada. Era um milagre eles estarem acordados a essa hora e não terem ido para o trabalho.
- Filha você está bem? Ta meio vermelha. – comentou minha mãe colocando a mão em minha testa para medir minha temperatura. – Puxa! Você esta pelando! Não pode ir à aula hoje.
- Estou bem mãe – disse tirando a mão dela de minha testa – Não precisa se preocupar e eu vou para a escola sim. Sabe que eu não gosto de ter falta.
- Tem certeza? – perguntou levantando uma sobrancelha em sinal de desconfiança.
- Tenho. Agora se me da licença tenho que ir a escola. – disse friamente enquanto me levantava e caminhava ate a porta pegando minha mochila e batendo a porta atrás de mim fazendo com que a mesma desse um ruído estrondoso.
Minha cabeça estava latejando e meu humor era cada vez pior. Sentia-me cada vez mais irritada por não conseguir fazer a dor de minha cabeça e de minha mão parar. Era uma tortura.
Na escola passei o tempo todo tentando fazer com que o barulho que todos a minha volta faziam não me incomodasse, mas como eu já devo ter dito era inútil.
A dor só aumentava com o passar das horas e podia jurar que havia fogo em meu corpo, me queimando lenta e dolorosamente a cada instante, piorando cada vez mais rápido.
- Olha se não é a garota da marca de sol! – dizia Kim se aproximando de mim enquanto eu arrumava minhas coisas para ir embora para casa.
- Não enche Kim. – grunhi. Por dentro até eu me assustei com meu tom de voz. Parecia rouco e animalesco, dando um toque mais perigoso e intimidador. Parecia que não era eu que falava.
- Nossa! Parece que ela ta estressada hoje. – disse em um tom de deboche.
- Olha Kim, hoje eu não to com paciência nem humor para você, então por que não vai provocar outra pessoa – disse sem mirá-la e começando a andar ate a porta.
Kim segurou meu braço com força e gritou irritada – Onde você pensa que vai?!
Fiz com que ela me largasse em um movimento brusco que deve ter machucado seu pulso já que chiou de dor. Não me virei para encará-la, não tinha paciência para isso.
- Se ousar tocar em mim de novo não vou me conter – ameacei em um tom sombrio e ríspido que a fez recuar alguns passos.
Estava mais que furiosa, estava ao borde da insanidade e da carnificina. Sentia como se cada célula do meu corpo desejasse pular naquele pescossinho frágil e delicado e arrancá-lo da cabeça em um só movimento.
- Não tenho medo de você aberração! – gritou. Suas palavras eram duras, mas dava para notar o medo e o pânico por traz de toda aquela coragem e determinação.
- É mesmo? – grunhi novamente mostrando meus dentes que haviam crescido dentro de minha boca causando um pequeno desconforto. Principalmente os caninos.
A vi tremer de medo e começar a retroceder uns quantos passos. Seu rosto estava com uma mistura de surpresa e medo puro.
Ela saiu correndo para fora da sala enquanto eu tentava me acalmar e voltava a andar na direção da porta com os olhares incrédulos de meus colegas sobre mim, mas não me importava, tudo o que queria era chegar em casa e descançar.
Andava cambaleando pelas ruas de Death City. Não suportava mais a dor que sentia e meus sentidos se debilitando. Bom, pelo menos a visão começava a borrar os outros só se aguçavam ainda mais, me dando instintos assassinos que nem sabia que tinha.
Comecei a correr. Desajeitadamente, mas corria. Tinha que cegar em casa o mais rápido possível antes que pulasse no pescoço de alguma das poucas pessoas que estavam na rua.
Já estava anoitecendo, junto com minha ultima gota de sanidade.
SOUL POV.
Estava voltando de um pequeno passeio que estava fazendo no bosque só para aclarar meus pensamentos.
Desde a noite passada fiquei pensando no que sentia por Maka e descobri. A amava, a amava muito. Ela era meu medo e minha fraqueza, como também era minha alegria e minha existência.
Suspirei.
Não podia dizer a ela. Por quê? Simples, ela não deve sentir o mesmo. Ela só me considera um amigo e isso ela deixou claro ontem. Você é meu melhor amigo. Claro que isso era bom, mas eu queria ser algo mais!
Bom... Seja como for, vou continuar do lado dela e protegendo-la mesmo que ela não me corresponda, afinal, ninguém é obrigado a gostar de outra pessoa. Mas bem que pelo menos uma vez eu queria ter a chance de estar com ela de uma maneira que não fosse só de amizade.
Entrei pela janela do quarto de Maka. Estava aberto como havia deixado, mas seu quarto estava escuro, o que era estranho já que nesse horário já era para Maka estar em casa e ela normalmente ia direto para a cama para ler um livro.
Era difícil enxergar já que já era de noite e o céu estava nublado dando visibilidade zero.
Já ia acender a luz quando vi em um ponto do quarto alguma coisa tremendo no chão. Aproximei-me e o que vi me deixou em choque.
Maka estava sentada no chão tremendo, com as mãos na cabeça apertando com força seus cabelos soltos e com lagrimas escorrendo por seu rosto.
- Maka! O que houve? – perguntei enquanto me aproximava dela e me ajoelhava a seu lado.
- Dói. Dói muito. – dizia com dificuldade. – Por favor, Soul me ajuda.
- Calma Maka. – tentei tranqüilizá-la, mas parecia que a dor que ela sentia era muito forte.
- Soul, por favor, me ajuda. – rogava enquanto se encolhia mais no chão. – Não agüento mais tanta dor.
Não sabia o que fazer. Seus olhos estavam serrados com força e as lagrimas não paravam de sair deles. Podia ver a dor no rosto dela sem nenhum esforço, ela estava mesmo com muita dor, e mais do que eu imaginava.
A abracei com força enterrando seu rosto em meu peito. Ela segurou minha blusa com força e gritou a todo pulmão. Um grito cheio de dor e desespero que corroia meu coração.
Para mim era doloroso vê-la assim e não poder fazer nada para ajudar. Vê-la gritar sem parar se contorcendo contra meu corpo e apertando minha blusa era de mais para suportar.
Fechei os olhos com força e a apertei mais contra mim, esperando que a dor passasse. Mal sabia eu o que me esperava.
Maka deu um grito ainda mais auto e forte me fazendo abrir os olhos bem no momento em que apareceram duas orelhas e uma calda de raposa da cor loira acinzentados.
Arregalei os olhos. Aquilo era possível? Maka poderia ser...
A afastei um pouco de mim para ver seu rosto. Ela já havia parado de gritar e os cabelos tampavam seus belos olhos, sua expressão era seria e seu rosto ainda estava molhado por causa das lagrimas.
- M-maka? – perguntei espantado.
Uma espécie de sorriso se formou em seu rosto mostrando presas afiadas e brancas, feito à neve, com os caninos sobressaltando a boca.
Separei-me dela de um salto, mas não fui rápido o bastante. Uma das garras que Maka havia adquirido havia me atingindo, fazendo uma linha do ombro esquerdo ate o lado direito de meu quadril.
Muito sangue saía da ferida, mas não me importava. Continuava olhando fixamente para Maka que começava a se levantar ainda com o cabelo tampando os olhos e com o "sorriso" no rosto.
- M-maka p-por que f-fez isso? – perguntei entre arfados tentando recuperar o fôlego que havia perdido por causa da dor do ferimento em meu peito.
Ela não me respondeu. Começou a se agachar ficando de quatro no chão. Sua calda mexia agitada enquanto rosnados saiam de sua boca. Parecia um cão selvagem ou, como uma definição melhor, uma raposa prestes a atacar sua presa.
Um brilho azul a rodeou para logo depois desaparecer deixando no lugar de Maka uma raposa de pelagem loira acinzentada igual ao cabelo de Maka com presas e garras brancas como a neve e olhos verdes brilhantes que se destacavam na escuridão.
Comecei a me afastar lentamente na direção da janela para tentar escapar. Não parecia nada seguro estar ali principalmente com um ferimento como o meu, e Maka parecia estar mais do que fora de controle.
- M-maka... – comecei com a voz fraca e baixa por causa da dor – V-você tem que acordar. S-sei... Sei que está ai dentro dessa fera só precisa controlá-la.
Ela rosnava ainda mais e começava a dar passos lentos ate mim sem tirar os olhos dos meus. Aqueles olhos verdes que tanto me encantavam agora estavam ainda mais penetrantes do que antes cheios de desejo por carne fresca.
Parecia que tudo havia diminuído a velocidade quando aquela raposa dobrou um pouco os joelhos e saltou na minha direção.
Transformei-me em lobo no mesmo instante em que me esquivava do ataque e pulava da janela, conseguindo cair em pé e começar a correr guiando aquela raposa na direção da floresta.
Pelo menos lá eu teria vantagem.
Fui ate pelo menos no meio do bosque e me virei para encarar o que agora era meu caçador.
Os olhos verdes refletiam na escuridão formando um lindo brilho cheio do desejo de sangue, junto com o brilho das garras e das presas, tão brancas quanto à neve. O resto desaparecia em meio à noite.
Ela parou a alguns metros de distancia ainda rosnando com ferocidade. O contorno de sua calda balançava de um lado para o outro em movimentos ferozes e rápidos indicando a excitação que sentia no momento.
Não queria machucá-la. Não podia machucá-la. Mesmo sendo dominada por um animal selvagem ela ainda era a garota que amava.
Ela se lançou contra mim. Custei um pouco para desviar, era bem rápida e ágil. Ela tentava cravar as presas em mim a todo o momento e eu me limitava a apenas esquivar e pensar em uma maneira de trazê-la de volta.
Foi quando tive uma idéia surgiu em minha cabeça. Iria desacordá-la para ter mais tempo de pensar no que fazer.
Quando ela se jogo contra mim novamente, me esquivei e ao mesmo tempo a empurrei contra uma árvore. Não foi com muita força, mas o suficiente para que ela perdesse a consciência com o impacto.
Voltei a minha forma humana e fui correndo a até ela. Para minha surpresa ela também voltou à forma humana restando apenas à calda e as orelhas de raposa.
Seu rosto estava sereno e o cabelo solto o tampava um pouco. Sua roupa estaca meio rasgada e saía uma pequena gota de sangue pelo canto de seus lábios.
Afastei os cabelos loiros de seu rosto e limpei o sangue, para logo depois carregá-la e levá-la ate em casa.
Lá fiz um curativo improvisado em minha ferida e esperei que ela acordasse, se é que conseguiria esperar ate lá. Mas uma coisa era certa: tínhamos muita coisa para conversar e sabia que ela teria muitas perguntas a fazer, afinal não é todo dia que descobrimos que podemos nos transformar em animais.
Notas finais
Bjss e ate o proximo cap!!!
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