Lullaby
18 Don’t Stand So Close to Me

Não esteja tão próximo de mim.
A principio, Stiles demorou alguns minutos para engolir o choro, e foi requerido mais minutos para seu rosto voltar a coloração normal. Depois entrou em seu jipe, sem antes me dar um beijo na bochecha, em uma área bem próxima aos lábios, causando um rubor no garoto. Foi fácil inventar uma desculpa de que estava com sono a Drake, mesmo que eu tenha falado de forma convincente, percebi que ele sabia que eu queria um tempo e por isso não disse nada. E agora, olhando a lua e as estrelas sobre o telhado do Loft de Derek, estava quase sucumbindo ao meu desejo de gritar. O que me levava a outra pergunta que eu ainda não tinha resposta, por que eu me sentia tão frágil quando existia uma fera dentro de mim capaz de causar uma carnificina? Em meio aos meus pensamentos, não percebi a porta do lugar sendo puxada e invadida por Derek e Alexandra, mas por estar sobre o telhado foi impossível saberem que eu estava ali, e só minha audição melhorada foi o que me permitiu ouvir o que acontecia lá dentro.
— O que foi? – Ouvi a voz lixada e Alex, fazendo meu estômago embrulhar, como somente a voz de alguém conseguia ser irritante? – Ainda gosta dela, certo? – inquiriu, o tom passando de neutro a irritado. Fiquei em alerta sobre o que falavam, juntando os joelhos para sentar direito, e consequentemente, raspando a sola do sapato sobre o telhado, um ruído mínimo que apenas um lobisomem poderia ter escutado.
– Eu nunca deixei de gostar dela. – Derek respondeu, soando ríspido e seco como sempre, porém senti a pequena amargura em sua voz. Ouvi passos vindo até próximos ao telhado, parando em frente a janela, escutei um suspiro seguido das palavras baixas e quase inaudíveis. – Nunca. – pelo seu tom de voz calmo e sereno, sabia que ele não falava mais com Alexandra mas estava dizendo a mim, sabendo que eu estava ali.
Sem pensar duas vezes, levantei do chão e corri para longe. Como com apenas algumas palavras Derek conseguia mexer comigo, por que a vontade imensa de abraça-lo me atingiu? Mas controlei, sabendo que Derek não era meu, sua escolha tinha sido Alex, e eu respeitaria.
—X–
Na manha seguinte, acordei mais cedo que de costume e fui a escola, nem esperando Drake. Encontrei Scott na frente do meu armário, que logo tratou de vir na minha direção quando me viu.
— Eu sinto muito pelo que houve ontem, Hay. – Scott colocou suas mãos em meus ombros, fechei os olhos imediatamente ao ouvir o apelido, não percebi que necessitava tanto de um gesto de afeição até recebe-lo. – Stiles é meu irmão, assim como Drake é o seu, e eu realmente não queria brigar com ele. – concluiu, soltando meus ombros. Esperei segundos para abrir os olhos, para não deixar claro o quanto eu estava mal e que não estava com cabeça para conversa, e depois sorri, o mais largo e forçado que meus lábios e bochechas permitirão.
— Deve desculpas a Stiles, não a mim. Aliás, não deveria nem estar pedindo desculpas, sua cota foi paga com o soco de ontem. – lembrei, soltando um pequeno riso ao lembrar do incidente. Mas fiz questão de arquear uma sobrancelha, deixando claro que não era um pedido de desculpas, e nem seria. – Onde está Stiles, por falar nisso?
— Na sala de história, passou direto por mim. – murmurou como resposta, chutando o chão e baixando o olhar, ouvi um suspiro e involuntariamente encolhi os ombros. Sentir-me machucada era uma coisa, mas ver uma pessoa sofrendo era outra.
— Irei conversar com ele, mas não prometo nada. – dito isso, me virei e comecei a andar. Conversaria com Stiles, mas não o forçaria a voltar a conversar com Scott, até porque Scott está errado.
Parada em frente a porta, estava prestes a girar a maçaneta quando alguém o fez primeiro. Vi Ethan sair da sala, com tanta raiva que quase me derrubou ao passar por mim, ouvi seu suspiro antes de desaparecer. Dentro da sala estava Drake, com a mão a boca para conter os soluços e lagrimas, indo aos poucos agachando até estar sentado ao chão. Fechei a porta atrás de mim e tranquei, correndo na direção de Drake e puxando seu corpo para meu colo.
— O que houve? Por que Ethan estava assim? – questionei, mantendo meus braços em torno de seus ombro, enquanto minhas mãos acariciavam seus cabelos. Agora Drake chorava copiosamente, tendo que respirar fundo para tomar fôlego. – Por favor, diga.
— Ethan terminou comigo. – começou, voltando a chorar sobre meus braços, limpei cada lagrima de seu rosto antes de beijar sua testa. – Estava vendo ele e Aiden jogar lacrosse, tinham acabado de entrar no time, e um garoto veio falar comigo. Ele era goleiro do time, chamava Otávio, e começamos a conversar. Ethan, como sempre, teve uma crise de ciúmes e começou a discutir com Otávio, chegando a socar o rosto dele. Ele acabou ficando afastado do time por duas semanas. – seus dedos entrelaçaram nos meus, fazendo Drake sorrir em meio as lagrimas ao ver a forma perfeita como pareciam interligar-se. Depois me olhou, respirando fundo e fechando os olhos. – Ethan terminou comigo, alegando que queria focar no lacrosse e que eu estava distraindo-o. – Eu tenho certeza que nunca amei ninguém como amo o Ethan.
Dizer aquelas palavras deveria ser difícil para Drake, principalmente pelo fato de ele não pensar que amor poderia ser medido.
— Me prometa uma coisa, irmão? – pedi, respirando fundo e ajustando minhas pernas sobre sua cabeça. Comecei a acariciar seus cabelos em movimentos circulares, limpando vez ou outra uma lagrima que caia de seus olhos.
— Qualquer coisa. – respondeu, dando ênfase ao final. Sorri minimamente, deslizando a ponta do dedo deis de sua clavícula ate seus cabelos novamente.
— Prometa que vai juntar esses cacos e colocar em um pote, e se conhecer alguém não vai abrir a tampa logo de uma vez. Mas que vai abrindo aos poucos e vivendo cada momento sem querer pular nenhum. Talvez o erro seja começar algo com muita intensidade. Lembra disso: O amor só é vívido intensamente por quem ama na hora certa e de verdade. E o começo de um relacionamento não é a hora certa. – aconselhei, respirando fundo ao ver que as palavras fluirão por vontade própria, começando a chorar junto de Drake. Vi um sorriso surgir em seus lábios, e seu choro aumentar, enquanto sussurrava palavras incompreensíveis contra meu peito.
Drake envolveu minha cintura com as mãos tremulas, chegando a colocar o rosto na minha barriga e molhar o tecido da camisa fina. Assim como ele, senti meu coração aperta-se e os olhos ficarem úmidos, tanto por sentir a dor de Drake e por ter minha própria dor ao vê-lo naquele estado. Não sei ao certo o que me trouxe de volta a realidade, mas pensei ter ouvido alguém sussurrando: Compartilharei do seu sofrimento para fazer você ficar bem. Com as simples palavras, a memoria do dia que Jonathan pairou sobre minha mente, assim como o beijo de Derek, e mesmo estando em um estado ruim emocionalmente, lembrar daquele acontecimento me deu forças. Forças para puxar Drake com toda força para um abraço, forcas para sorrir e dar conselhos, forças para gargalhar ao interagir com meu irmão. Forças para fingir que estava tudo bem.
(•••)
O resto dia foi seguido ao lado do meu irmão, dando forças e não saindo de perto um segundo sequer, chegando a arrasta-lo para o banheiro feminino. Acabando a aula fomos para a o loft de Derek, em busca de um plano para resgatar Isaac de onde quer que esteja e descobrir o sequestrador com os lençóis que foram pegos do hospital. Avistamos Scott em frente ao local, e me limitei a dar um sorriso pequeno ao ver ele vir na nossa direção. Kira apareceu alguns minutos depois, junto de Lydia, os gêmeos e Stiles, vi quando Drake olhou para o ex namorado e apertou forte minha mão, chegando a quase quebrar meus ossos.
— Então, vamos entrar. -– sugeri, quebrando o silencio e arrastando Drake a porta comigo. O sorriso que habitava em meus lábios muchou-se aos poucos ao ver Alex rindo perto de Derek, que mantinha o olhar distante, mesmo estando perigosamente perto dela.
Senti cada parte do meu corpo contrai-se, sendo minha vez de apertar forte a mão de Drake. Recebi um sorriso como resposta, dando-me a força suficiente para sorrir junto e sentar-me próximo a eles.
— Bom, quero que todos farejem os lençóis do hospital, qualquer cheiro estranho, falem. – Scott entregou uma parte do tecido a cada um dos lobisomens ali presentes.
Aproximei meu rosto e inspirei fundo, fechando os olhos para concentrar. Senti cheiro de chiclete, o típico cheiro que somente Isaac possuía, produtos químicos e um perfume cítrico de framboesa. Inspirei mais uma vez para ter certeza e dessa vez pude sentir o cheiro de menta, o que me fez imediatamente abrir os olhos e olhar para Alexandra. Era o cheiro dela. Pelo pouco tempo que passei próximo a ela ja tinha reparado que sempre usava perfume de framboesa, e que seus cabelos tinham o cheiro de menta. Fiquei a olhando por breves instantes, prestes a contar a descoberta para o grupo quando ouvi um pequeno assovio, todos estavam concentrados demais para notarem além de mim. Desviei o olhar de Alex, que se encontrava sentada e olhando o chão, para a porta do Loft, vendo Derek apontar sutilmente para fora. Mesmo que meu cérebro formulasse varias razoes para que não fosse até la, meus pés já estavam mexendo por conta própria até ele. Passei direto, indo até a parte de fora do prédio para poder me virar em sua direção. Primeiro tentei ficar em seu rosto, a pele branca e lisa, os cabelos pretos curtos e bagunçados, os olhos verde-musgo fixos em meu rosto, o pequeno sorriso de canto que se abria. Ele parecia estar com a mesma intenção de decorar cada detalhe meu, chegando varias vezes a sorrir do nada e voltando a ficar sério.
— Queria dizer alguma coisa, Derek? – inquiri displicente, mesmo que minha maior vontade fosse tomar seus lábios contra os meus. Para conter o pensamento, fui obrigada a baixar o olhar e encarar meus pés, algo que eu nunca faria a alguns dias atrás.
— Devo um pedido de desculp... – interrompi sua frase com um riso, baixo o bastante para somente ele ouvir. Sentei-me sobre o capô de seu carro estacionado ali, embolando meus dedos no couro cabeludo e mantendo o olhar fixo no chão.
— Sabe, pensei em tudo hoje. Sobre nós. Cada detalhe eu pensei, tudo mesmo. Pensei no quanto eu gosto de você, no quanto eu me sinto bem e as vezes mal por ter um sentimento tão nobre por você. Por que não é apenas um amar, é todo sentimento bom envolvido, por mais que as vezes eu sinta vontade de socar a sua cara. – comecei, engolindo todo meu orgulho e o no do estomago para fazer as palavras saírem, mantendo o olhar no chão a todo instante. – Mas o sentimento bom sempre prevalece. Hoje, vendo Drake falar que ama Ethan como nunca amou ninguém me fez pensar, eu tinha muitas dúvidas sobre dizer isso porque não acredito que o amor possa ser medido.
— O que quer dizer, Hay? – questionou o moreno, aproximando-se ligeiramente até estar perigosamente próximo de meu corpo. Mantive meu controle, concentrando nas palavras.
— Eu não sei se já cheguei a falar "eu amo você como nunca amei ninguém" porque como disse, não acho que o amor pode ser medido. Mas eu pensei em tudo, tudo mesmo. E tenho certeza que nunca amei tanto alguém quanto eu amo você. – conclui, sorrindo para o chão, sem coragem suficiente para erguer o olhar. – Seu sorriso me destrói, não tenho forças quando você aparece, seu cheiro é a única coisa que eu posso sentir por horas sem enjoar, e seu beijo, o dia em que Jonathan morreu e você me beijou, mesmo tendo um momento trágico, seu beijo, a musica da minha mãe e Drake conseguiram ser minha âncora. Eu me acalmo somente quando lembro do beijo, eu me acalmo somente quando lembro de você.
Dito isso, Derek avançou sobre mim, prensando seu corpo sobre o meu e pousando suas mãos uma de cada lado do meu rosto, depois puxando minha cabeça para frente e tomando meus lábios. Foi diferente, senti meu estômago embrulhar, minhas pernas ficarem bambas e meu corpo não reagir, meus lábios repuxaram em um sorriso durante o beijo e Derek sorriu junto, roubando um selinho e mordendo meu lábio inferior em seguida. Mesmo com toda me vontade continuar, empurrei alguns centímetros seu corpo para longe, deixando minha mão entre nós dois para que não tivesse chance de ocorrer outro beijo.
— Você esta com a Alex, e eu não irei esquecer disso. – murmurei, erguendo o olhar para seu rosto, vi suas mãos caírem ao lado de seu corpo e seus olhos assumirem um tom frio. Encolhi os ombros involuntariamente, um gesto que estava tornando-se muito comum. – Não faça isso novamente.
Dei espaço para Derek passar, e o mesmo passou depois de minutos em silêncio. Fiquei chutando o chão por vários instantes, chegando a xingar a mim mesma varia vezes. Ouvi galhos sendo quebrados, revelando o corpo de Alexandra em seguida, vindo em minha direção.
— Lindas palavras. – elogiou, abrindo um sorriso exageradamente largo, como raios alguém ficava feliz por outra mulher ter se declarado ao seu homem? – Pena que não irão fazê-lo ser seu.
— Sabe do que estou sentindo cheiro? Estou sentindo o mesmo cheiro dos lençóis de Isaac, e de excremento. – murmurei, mudando meu tom para risonha e sarcástica. – Mas estou certa que o excremento seja você.
— Sabe onde consegui essa aliança? – inquiriu, ignorando meu comentário e estendo a mão sobre o ar. Observei a mesma aliança de rubi da noite anterior, porém encima da aliança existia uma igual, do mesmo tamanho e modelo. – Roubei do seu pai a alguns dias. – revelou, sorrindo largamente ao passar o dedo sobre o anel. – E essa outra eu arranquei do dedo da sua mãe quando a matei.
Entrei em choque, demorando alguns segundos para processar o que me foi dito. Minha mãe tinha sido morta por caçadores, Alex era uma caçadora, de fato, mas por que ela a mataria? Observei a garota a minha frente, não percebendo que minha raiva era tanta ate minha mão fechar em forno de sua mandíbula, derrubando-a no chão com a forca do golpe. Mesmo ao chão, sorriu e gargalhou da minha expressão.
— Eu estava la, vi sua mãe morrendo e agonizando na minha frente. Sabe as ultimas palavras dela? Ela orou para que você ficasse bem, enquanto você estava preocupada demais para preocupar-se somente consigo. – decretou, balançando a cabeça negativamente para os lados, chegando a rir e cuspir uma pequena quantidade de sangue. – Vou avisando, saia de perto de Derek, ou o próximo a ser sequestrado vai ser Drake.
Voei sobre ela, socando seu rosto repetidas vezes e puxando seu cabelo, batendo sua cabeça contra o chão. Soquei mais vezes seu rosto, até me levantar e chutar seu corpo, observando ela contorcer-se e rir.
— Nunca mais ameace meu irmão, nem pense em relar a mão nele, senão eu mesma arranco sua cabeça, o único motivo para não fazê-lo é porque você vai falar a verdade para Derek, e mostrar esse seu lado a ele. – sentenciei, depositando outro soco em seu rosto antes de puxá-la para ficar de pé, agora seu rosto estava sangrando e com ferimentos graves, alguns cicatrizariam e outros iriam necessitar de pontos. — Agora!
— Não vou fazer isso, e você não vai me obrigar porque tenho Isaac nas mãos, assim como Allison, ou você esqueceu dela? – indiquiriu, gargalhando alto ao ver meu rosto avermelhado.
Juntando toda minha paciência, aproximei meu rosto para mais proximo de Alex, sorrindo largamente para ela.
— Não vou desistir de Derek, e vou arrancar sua máscara. Assim como em um jogo de xadrez, a rainha sempre defende seu rei. – sussurrei, abrindo mais meu sorriso e passando direto por ela.
Ouvi seu xingamento, mas me contive para não soltar um também. Agora, alguns metros mais longe, pude gritar o mais alto que pude, a única coisa que aliviou meu estresse. Algumas horas atrás estava sorrindo, e agora olhava as estrelas como um pedido de resgate, porque eu iria precisar ser resgatada, estava perdendo-me em algum lugar e não fazia ideia de como me encontrar novamente.
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