Lullaby

19 Big girls cry when their hearts are breaking


Garotas grandes choram quando seus corações estão quebrando.

Caminhei por meia hora até finalmente chegar a casa de Lydia, onde eu dormiria por haver uma festa do pijama. Sua mãe me recebeu com abraços e beijos na bochecha, pedindo para que eu subisse para o andar de cima. Dei duas batidas na porta do quarto, aproveitando para arrumar meus cabelos com as pontas dos dedos. Quem abriu a porta não foi Lydia, e sim Kira, que logo me puxou pelo pulso para dentro. Avistei Lydia sentada na cama, com Kira ondo se justar ao seu lado depois de fechar a porta.

— Não entendo o motivo para fazer uma festa do pijama nessas horas, temos que salvar Isaac. – murmurei, sentando no chão do quarto. Cruzei as pernas e tentei novamente arrumar os cabelos, resolvendo prendê-los em um coque. Lydia se dirigiu ao seu enorme closet, trazendo do lugar um punhado de roupas, que logo jogou em meus pés e de Kira.

— É por isso mesmo que estou fazendo essa pequena reuniãozinha. – anuiu, parando de frente ao espelho do quarto para olhar-se. – Não é uma festa, solos amigas e estamos dando apoio para cada uma. Todas estamos passando por momentos difíceis. – completou, dando um suspiro. Percebi, tarde demais o quão Lydia estava pálida e com olheiras — o que era raro ja que a garota certificava-se de passar base todos os dias, e seu rosto cansado. – Todas... – sussurrou, tão baixo que Kira não pode ouvir, entretida demais em mexer nas roupas jogadas a seus pés.

Levantei do chão, retirando as roupas de cima de meu corpo e encaminhando-me para perto de Lydia. A ruiva, após perceber minha presença, me puxou pelos ombros para frente do espelho, colocando delicadamente uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.

— Olhe-se no espelho. – pediu, o queixo próximo ao meu ombro para que pudesse se ver também. – Você está satisfeita consigo mesma? – questionou-me, afastando-se algumas passos para que eu pudesse olhar-me sozinha.

Observei os olhos verdes, pareciam reluzir em um brilho único, ao mesmo tempo que pareciam vazios. O nariz arrebitado e lábios finos demais, comprimidos e em uma coloração quase roxa, mesmo que meu corpo estivesse quente. Rosto expressivo e oval, pálido demais para dizer que era algo saudável, quase doentio. Cabelos loiros, com raiz castanho escuro, presos em um coque no alto da cabeça e com mechas caindo em frente ao rosto, aquilo parecia ser a única coisa que dava o charme. Minha silhueta era esguia e alta, com curvas, porém deixava claro meu jeito desajeitado.

— Consegue gostar do que vê? – perguntou Lydia, retirando-me da analise. Voltei meu olhar para ela, negando de forma instantânea. A ruiva se aproximou, parando atrás de mim, com Kira levantando-se da cama e indo para minha esquerda.

— Se enxergue com outros olhos, Hay. – disse Kira, sorrindo largamente para mim. Tentei voltar minha atenção ao espelho, mas não entendia o que elas queriam que eu visse.

Então Lydia beliscou minha barriga, causando um riso em mim. E ao voltar meu olhar para o reflexo, percebi o que estava perdendo. Eu era bonita, diria linda. Meu cabelo era bonito, na coloração castanho escuro na raiz e loiro no resto, solto agora por ter sido solto do coque quando me inclinei para rir, caindo em frente ao meu rosto como uma cascata. Meus olhos brilhavam, revelando um verde olivia que eu nunca pensei ser possível. Minha pele, mesmo branca e pálida demais, contrastava contra os olhos e lábios arroxeados, deixando de alguma formas minhas bochechas mais avermelhadas e rosto mais expressivo. O nariz arrebitado e sobrancelha pequenas me deixavam mais madura, mesmo que meus lábios tivessem a sombra de um sorriso sacana. Percebi então porque Lydia queria que eu me visse com outros olhos, de alguma forma, ela sabia de meu envolvimento com Derek e estava me dando uma dica: Amor próprio. E aquele sentimento novo que me aqueceu, fazendo-me sorrir mais abertamente e não ficar constrangida mais comigo mesma me deu alegria, e de certa forma esperança. Eu estava me amando, e se Derek não conseguisse fazer o mesmo, eu sabia que teria amigas que me apoiariam e conheceria outro que o fizesse.

(•••)

Acordei com Kira agarrada as minhas pernas, e Lydia acertando um tapa em meu ombro ao virar-se para o lado. Retirei-me da cama, tendo que empurrar Kira para o lado para não cair. Fui para o banheiro, tomando um banho rápido e vestindo a roupa que Lydia insistiu em me dar: Uma blusa de botões branca, uma saia preta acima do joelho e sapatilhas de veludo vermelho. Fazendo um coque e passando batom, reparei o quão bem aquela reunião com as garotas me fez bem, eu me enxergava com outros olhos e podia me sentir mais leve por isso, menos vergonha. Ao entrar no quarto novamente, vi Lydia levantar-se e Kira tentar vestir sua típica calca leggin sem cair, o que foi em vão, pois no segundo seguinte tropeçou em seus próprios pés e foi ao chão. Prontifiquei-me a ajudar, enquanto esperava Lydia se arrumar para irmos ao hospital. Por ser sábado, não teria aula e poderíamos enfim elaborar um plano para trazer Isaac de volta, e eu aproveitaria a deixa para ver se Allison estava bem. De certa forma, eu tinha uma divida com Allison, tanto por ela ter se colocado a frente dos Onis e tanto por ser minha amiga, e por ser minha culpa que qualquer coisa a aconteça. Ja que Alex tinha deixado claro, se ei me aproximasse de Derek, todos sofreriam. Alexandra. O nome me causou repulsa, quase desmanchando o sorriso do meu rosto, mas o mantive firme ali, sem aparentar que o simples nome me afetava.

— Vamos? – Lydia inquiriu, rodando as chaves de seu carro entre os dedos. Kira passou por ela, descendo as escadas e indo na frente. Eu, por minha vez, fiquei ali. – Vamos Hayley? – perguntou novamente, dessa vez somente a mim.

— Aconteceu alguma coisa? – questionei, indo direto ao ponto. Queria perguntar deis do momento que cheguei, principalmente ao ver que ela não estava maquiada, algo que só fazia, pelo que reparei, quando não estava com cabeça para isso. E eu estava certa, vi Lydia abaixar a cabeça e suspirar, antes de erguer o olhar e brincar os dedos uns nos outros de forma nervosa. – Pode confiar, Lyi. – dito isso, a ruiva me abraçou, afundando seu rosto em meu pescoço e fungando. Sua ação me surpreendeu, mas tratei de retribuir o abraço.

— Eu estou com medo, Hay. – desabafou, fungando novamente contra meu pescoço. Senti seus dedos trêmulos apertarem minhas costas, e lagrimas molharem meus ombros. Aquilo, de certa forma, me deixou abalada, era a primeira vez que eu via Lydia assim.

— Todos estamos. – respondi-lhe. Lydia se afastou, limpando o rosto com os dedos e suspirando novamente, dessa vez parecia mais triste e profundo que os outros, o que me deixou em alerta. – Está escondendo algo, Lydia?

— Não estou com medo de quem sequestrou Isaac, e nem pelo que iremos enfrentar. – revelou, e puxou minha mão para a sua, apertando tão forte que controlei um gemido de dor. – Estou com medo por você. Estou com um pressentimento ruim, e sei que algo muito grave vai acontecer com você. Só não sei o que é e nem se é algo bom ou ruim.

Dizendo tais palavras, Lydia me puxou para outro abraço e depois saiu, avisando que esperaria lá fora. Fiquei alguns segundos parada, estática demais para conseguir até mesmo respirar. Desci as escadas com as palavras de Lydia em minha cabeça, o que raios poderia ser que iria acontecer? E percebi, que assim como Lydia, eu estava com medo.

(•••)

No hospital encontramos Scott, Drake e os gêmeos, assim como Alex, Derek e Chris Argent. Deaton também estava ali, conversando com a recepcionista. Aproximei-me de Drake, agarrando sua mão e beijando sua testa, fazendo questão de sorrir e acenar para Alex quando nossos olhares se cruzaram.

— Pelo jeito a reunião com Kira e Lydia te fez bem. – comentou Drake, espiando-me de canto de olho. Sorri para ele, vendo-o arquear uma sobrancelha para toda minha empolgação.

— Estou amando. – respondi-lhe, sorrindo ainda mais ao ver seus olhos assumirem um brilho malicioso. – A mim mesma Drake, antes que você pergunte. – cortei suas perguntas, ao ver sua boca abrir-se em expectativa. Dei um sorriso e voltei minha atenção para Scott, que agora estava posto a frente de todos.

Estávamos na parte mais afastada do hospital, próximo ao quarto de Isaac. Percebi, pelo jeito cansado e irritado de Scott, que não tinha feito as passe com Stiles e que estava brigado com Kira, só pelo jeito que a mesma desviou o olhar para o chão quando o olhar foi para ela. Dei um sorriso solidário a ela, murmurando em sem som que depois conversaria com ela.

— Todos os lobisomens irão ir até o quarto de Isaac procurar qualquer coisa que ajude, e os outros irão ao quarto de Allison checar se ela esta bem e encontrar qualquer coisa fora do lugar. – Deaton instruiu, indicando as respectivas portas dos quartos.

Fui até Scott com Drake ao meu lado, ainda entrelaçando nossas mãos. O lobisomem sorriu, logo voltando a expressão seria e cansada que estava.

— O que aconteceu? – perguntei, colocando uma mão sobre seu ombro. Scott me olhou, suspirando e afastando-se um pouco, o que fez tanto eu e Drake ficarem confusos.

— Briguei com minha mãe. – respondeu-me, sua voz neutra demais para ser o amigo que eu conhecia. Franzi as sobrancelhas, aceitando sua resposta e não falando mais nada.

— Sei como é. – Drake murmurou, envolvendo minha cintura com suas mãos.

Observei pelo canto de olho Derek me olhando, e sorri para ele, mantendo o contato visual por certo tempo. Vi um sorriso nascer em seu rosto, e ele abaixar o rosto e continuar sorrindo. Aquilo era fofo, se não fosse por Alex revirando os olhos e o puxando para um beijo, que não foi correspondido. Estava prestes a ir com Drake para o quarto de Isaac, quando vi Scott olhar para alguém atrás de mim e fechar os olhos, logo os abrindo e murmurando as palavras que eu e nem Drake esqueceríamos tão cedo:

— Não, você não sabe como é. Seus pais morrerem a muito tempo. Você não tem família.

Dito isso, só percebi que havia socado Scott quando vi seu corpo sendo jogado contra a parede do hospital, que foi rachada e quase despencou pelo forte impacto. Senti quando meus olhos oscilaram do verde para o branco, e finalmente para o vermelho. Em passos rápidos fui ate Scott, vendo Drake segurar Stiles e Kira que queriam vir na direção do amigo. De punho fechado, soquei o rosto de Scott com tanta força que ele se virou para o lado, cuspindo uma quantidade considerável de sangue. Chutei seu estômago, pouco importando-me com a parede que começava a rachar, e com as enfermeiras que corriam de um lado a outro, desesperadas. Vendo Scott no chão, encolhido e cuspindo sangue, não pude sentir outra coisa alem de pena. A pior coisa que eu poderia sentir. Estava prestes a chutar Scott de novo, quando uma adaga foi jogada contra mim, lançando meu corpo para longe pelo golpe. Coloquei as mãos sobre a cintura, no local onde havia sido atingido e ergui o olhar para saber quem havia jogado. Prendi a respiração ao ver Peter e Alex, junto de um garoto que eu não conhecia. Era alto e musculoso, possuindo cabelos castanhos escuros em um penteado jogado para o lado, uma barba pequena e olhos verdes, junto de um rosto quadrado e testa achatada, e um nariz reto, aparentando já ter sido quebrado outras vezes. Observei com certo ódio as adagas em suas mãos, e abri um pequeno sorriso.

— Vai mesmo querer brigar comigo, feto mal sucedido? – inquiri, debochando de suas habilidades. Vi seu rosto contorcer-se, até abrir um sorriso de lado.

— Eu iria adorar.

Em instantes eu já estava transformada, a adaga já tinha saído do meu corpo e o machucado tinha se curado. Vi Scott ainda encostado na parede, com Kira e Stiles o ajudando a se levantar e sair dali, ao mesmo tempo que olhavam com ódio para o garoto. Vi Drake posto ao meu lado, pronto para me ajudar com o que visse dos três, e Derek um pouco atrás, também transformado e pronto para ataque, os temos também estavam transformados em um só. Lydia estava bem mais ao fundo, olhando com os olhos marejados para mim.

— Pegue-o, Theo. – Alex ordenou, puxando as adagas da mão de Theo e jogando-as em minha direção.

Tentei ao máximo desviar de todas, mesmo na forma lupina isso ser um desafio. Depois voei sobre Alex, tentando atacar e morder seu pescoço, vi Derek atacar Peter e Theo não estava mais ali. Senti minha pele sendo rasgada, e logo o sangue manchou minhas patas, em um impulso sai de cima de Alex e fui para longe, rugindo tão alto que ela caiu sobre os joelhos com as mãos sobre os ouvidos. Drake se aproximou por trás dela, aproveitando a deixa com uma adaga em mãos, quando outra coisa me chamou a atenção.

Não sabia o porque Alex estar atacando em meio a um hospital, que agora parecia abandonado, e nem por Peter estar envolvido, ou até mesmo o garoto. Mas vi quando Theo se aproximou dos gêmeos, separando-os com as próprias garras, o mesmo estava prestes a atacar Ethan no chão quando eu me joguei, preocupada com o que ele fosse fazer ao ex namorado do meu irmão. Senti o soco em minhas costelas, mas fui forte o bastante para equilibrar sobre minhas pernas e ficar a frente de Ethan, protegendo-o. Vi um pequeno sorriso de gratidão de Ethan e Drake, que acarretou um pequeno aceno sutil em mim. Mas não esperava que ele atacasse Aiden, atravessando a mão sobre seu peito e puxando o coração por entre os dedos, jogando o corpo sem vida no chão. Aquilo causou um grito em Lydia, que fez minhas orelhas sangrarem e um uivo sair de minha boca. Vi Theo caminhar até Alex, e entregar o coração a ela, que o colocou no chão e jogou um pequeno líquido no mesmo, murmurando palavras incompreensíveis em seguida. Uma forte luz invadiu o local, silenciando o grito de Lydia, e fazendo todos tamparem os olhos pela claridade. Ao abrir os olhos, uma poça de sangue estava formada próxima a mim e uma silhueta feminina saia, respigando sangue para todos os lados. Percebi, horrorizada demais, que eu conhecia aquela mulher.

— Mãe? – perguntei, erguendo meu corpo do chão e coloca do uma pata a frente da outra. Respirei fundo, tentando detectar o cheiro que vinha da mulher: Era cheiro de cereja. Mesmo estando banhada de sangue, ainda tinha o mesmo cheiro de anos atrás.

— Olá, filha. – respondeu-me, retirando uma quantidade de sangue de seu rosto e sorrindo. Aquele sorriso foi o bastante para me destruir, e me fazer cair no chão.

Não é a minha mãe, repetia em minha cabeça, ela está morta. Comecei a duvidar de meus pensamentos, certa demais que aquela mulher, era de fato, minha mãe. E lembrei-me das palavras de Lydia. Algo grave vai acontecer. Minha mãe era isso, pelo seu olhar maligno e sorriso sacana, percebi que aquilo não seria bom.

Notas finais
Olha eu aqui, amores! Por pedido de varias leitoras, estou postado um capitulo mais cedo, e também por ter coisas importantes para falar. Alguns personagens da quinta e quarta temporadas irão aparecer, tais como Theo, Kate e Tracy. Enfim, alem desse pequeno aviso, tenho que falar outra coisa. Uma leitora me perguntou sobre minha mate de capitulo, e bom, eu não pretendo passar de trinta e cinco capítulos nessa fanfic, por isso, falta apenas dezesseis capítulos para a fanfic chegar ao fim. Não sei se haverá segunda temporada, tanto por não saber se dará certo e tanto por não ter a colaboração que eu quero. A fanfic tem mais de 60 leitores, mas apenas dois são leitores fixos e comentam em todos, e outros aparecem de vez em quando, e alguns leitores não estão comentando mais e isso desanima pois não sei se é algo errado com a fanfic ou não. É importante deixar comentários, principalmente agora que está acabando, e se você não comentou ou comentava mas virou leitora fantasma, deixe uma review para eu saber que leu, nem que seja apenas um " continua " ja fara a diferença. Entenderão, certo? Também queria pedir para todas que me acompanham dar uma olhada em outra fanfic que escrevo de Teen wolf, mas no shipp de Isaac Lahey e O.C. Espero ver todas la amores! Relembrando: Comentários deixam a autora feliz, e me motivam a escrever mais rápido, então não deixem de comentar, por favor ♥