Luas de Sangue

10 O fim de um novo começo


Notas iniciais
Se quiser ficar de pé tudo bem. Ou sente-se se preferir. Pegue o que quiser tomar. Entretanto limpe os ouvidos para que posso me ouvir. Pois, meu caro amigo, todo começo tem um fim e o fim dela começa aqui. Se terminará ou não você terá de me ouvir para saber. Vai ter que me ouvir para entender como a fera matou a tão bela donzela. Para saber como a donzela se matou por amor.

A escuridão está me enchendo. Pleonástico dizer que não enxergava anda. Eu estava morta. Ou pensei estar, mas se estou pensando temo não estar, ou estou... ? Não sei... A tão falada e temida luz no fim do túnel me apareceu. Eu queria encontrar com Ayla novamente, então sem medo eu me atirei na luz...

A primeira coisa que eu percebi foi a dor. Uma dor intensa. Eu queria me mexer, contorcer, entretanto meu corpo não obedecia aos meus comando. Eu poderia ouvir vozes, mas não identificava o que falavam. Muita coisa aprecia acontecer ao meu redor. Muita movimentação. Eu sentia isso, apesar de não entender o que estava acontecendo. Minha ultima memoria era de morre ao lado de ayl...

—AYLA.

Minha voz nunca esteve mais rouca, parecia que mil navalhas haviam cortado minha garganta. E ela doía como tal. Abro meus olhos para o clarão. Estou na sala de minha casa e existe muita gente ao meu redor. O doutro, a moça que o ajuda, Antony, o alfa de cabelos ruivos e o alfa mais novo... eles eram os principais por ali, eles enchiam a minha nova visão. E eu morri de medo, eles eram as últimas pessoas que eu esperava ver. Cadê titia? Pietro? Ayl...

—Ayla.

Onde está minha mulher? Eles não podem deixar seu corpo jogado naquele lugar. Eles não podem. Começo a ficar agitada. Tento me mexer apesar de meu corpo parecer pesar uma tonelada. A dorque sinto é excruciante.

—Acalme-se, você não pode ficar muito exaltada.

O doutor tenta colocar a mão no meu braço, mesmo esse mínimo contato manda um corrente de dor que me faz gritar em agonia.

—Acalme-se, por favor. Você ira se machucar mais se ficar assim tão agitada.

O doutor desta vez não tentou me tocar.

—Ayla. Por. Favor.

Todos se olharam, não estavam entendendo muita coisa. Lembrei vagamente que ninguém a não ser eu a conhecia por esse nome. Tentei mais uma vez obter informações.

—Sombra.

Minha voz ainda estava rouca de mais e a garganta doía como se ferro em brasa se passasse por ela. Todos se entreolham. Não sabem como contar alguma coisa. O alfa mais novo, que vestia uma camiseta puída do linkin park, entrou mais no meu campo de visão.

—Eu irei te contar.

Sua voz era como uma música que eu esperava muito tempo para poder ouvir. Eu estava avida por notícias queria saber sobre ela. Queria saber sobre o meu amor. O alfa começou a me contar o que aconteceu e eu estava como um bêbado querendo beber cada uma de suas palavras.

***

O que eu posso lhe dizer, caro amigo, é que ninguém contará a história da forma que ela realmente aconteceu, pois cada pessoa tem o seu ponto de vista, cada um tem o seu lado a escolher. Por isso, eu irei lhe contar o que aconteceu, sem que ninguém coloque seu lado nem partido.

Depois que Nikaia desmaiou Antony colocou ela e sua companheira em cima dos alfas ao seu lado. Os três olharam uma última vez para os dois companheiros mortos e partiram. Os três alfas estavam com os pensamentos a mil e com muitos receios. Nenhum dos três sabia exatamente o que fazer. Era uma situação cujo o sentido não era muito bem achado.

Uma loba recém nascida, matará dois dos grandes alfas mundiais. Luciam e Victor. Os três pensavam em como dariam a noticia para seus familiares. Stark e Carlos agradeceram por Antony ser o único capaz de falar. Era ele quem contaria que a loba quase morta era a nova responsável pelo comando de duas das principais alcateias mundiais. Ela seria submetida a muita coisa assim que acordasse. Eles caminharam o mais devagar que puderam, entretanto ainda sim, não demorou muito para que os três chegassem até a clareira apilhada de lobos. Lobos e homens. Kathyna estava em pé no palanque. Antony caminhou até o centro da clareira. Todos se afastaram, formando um círculo. Os dois alfas colocaram os dois corpos no centro.

—Doutor, pelo visto o senhor é mais homem que fera. Poderia me ajudar?

O doutor rapidamente se aproximou dos dois lobos em pé. O lobo ruivo apresentava algumas feridas, que não demorariam muito a cicatrizar, nada a se preocupar. Pietro, o lobo castanho claro mais a frente, olhou para trás de Antony procurando o pai.

—Não eles doutor. Os outros dois lobos.

O doutor, deu dois passos para trás. Todos ao redor se agitaram, o alfa queria que um renegado e uma loba rebelde fossem atendidos e tratados. Alguns lobos rosnaram, outros se afastaram. Os homens ficaram abismados. Levantaram as mãos, tentaram argumentar, mas não era tantos para compor um coro tão alto.

—Antony, eles são traidores. Mesmo Nikaia sendo minha sobrinha, ela traio a alcateia. Não deveria se preocupar com isso. Eu entendo que ela deve morrer, eu e meu filho entendemos as regras.

Kathyna tinha se aproximado de Antony, o mesmo não ligou para a sua aproximação e fingiu que a mesma nem falado havia. Ele deu um passo à frente, em direção ao lobo marrom claro que estava rosnando enlouquecido. Ele se sentia especialmente traído por Nikaia, afinal o seu pai havia lhe prometido a mão dela.

—Calem-se!

Sua voz foi doce e calma, e mesmo assim inspirou respeito em todos, mesmo no lobo semi enlouquecido que Pietro estava se tornando. Ele abaixou a cabeça como todos os outros, entretanto continuou com os dentes arregaçados.

—Vocês não querem matar a nova alfa de dois continentes inteiros. Querem ?

Suas palavras novamente foram calmas, mas desta vez atingiram com mais violência que dá última vez. Cada lobo naquele lugar se calou e tentou assimilar as palavras de Antony. Olharam para o grupo de três alfas, e olharam para a floresta na tentativa de ver os outros dois. O doutor foi o primeiro a se movimentar, ele começou a testar o batimento e ver as feridas que estavam nos dois lobos.

—Como ? Antony como?

Kathyna fervorosamente se colocou na frente do alfa. Ela olhava para os três grandes lobos na sua frente e para os dois caídos. Sua mente não conseguia colocar logica no que havia sido dito. Para ela, e para todos os presentes, aquilo era impossível.

—Foi você não foi? Você não queria ir. Você os matou e está colocando agora a culpa na criança! Como pode fazer isso?

Ela gritava a plenos pulmões, estava transtornada e pedia a lua para poder se transformar, para poder se livrar daquele homem na sua frente. Antony estava com o rosto leve, como se ela não estivesse falando com ele. Para ele ela não era mais que uma mosca em seu ouvido. Ele nunca deu muita atenção para Kathyna. Mas ela não era a única a pensar daquela forma. Muitos outros lobos começaram a rosnar e os em forma humana a reclamar.

—Doutor as leve daqui.

As ordem de Antony sempre eram obedecidas, mesmo que alguns contrariassem. Ele tinha muita autoridade. O doutor chamou dois lobos próximos e com ajuda de mais um homem colocaram os dois lobos caidos no lombo dos outros lobos, entretanto quando estavam preste a partir. Pietro, que tinha se mantido escondido das vistas dos três alfas por trás da saia bufante da mãe, pulou sobre o corpo da loba cinza. Ele estava transtornado, acabará de saber da perda de seu pai por sua suposta amada. Se sentia o próprio Romeu.

Entretanto, assim como no livro esse Romeu não foi agraciado com a vida longa. Com os instintos apurados Carlos previu o ataque, ele se jogou com os dentes cravados na lateral do lobo castanho claro. Pietro urrou de dor, todos pararam. Os momentos seguintes se passaram como se em câmera lenta. Pietro tentou arranhar o rosto de Carlos, para fazê-lo sair. Uma das unhas pegou na lateral do pescoço, uma dor latente pegou o lobo marrom escuro inesperadamente. O que o fez urrar de raiva. "Como uma criança pensa em ferir um alfa?" Ele pesou enquanto encravava fundo os dentes na carne quente do lobo jovem. Os dois lobos se largaram no chão. O alfa com a boca suja de sangue se colou em frente dos seis corpos paralisados. Dois humanos, quatro lobos, dos quais dois tinham os olhos fechados. O lobo ferido estava rosnando e com muito sangue saindo da ferida lateral.

Der repente todos começaram a se mover. Alguns se afastando e outros se aproximando de Pietro. Uma mulher de cabelos curtos e loiros tentou tocar em Pietro, não se sabe se para acalma-lo ou para saber como estava a ferida. Pietro atacou a sua mão, mordendo-a com força. Ele estava com a adrenalina e a violência da disputa em alta no corpo. A loira gritou muito forte, puxou a sua mão e chorando ela se colocou perto de outros. Muitos outros lobos se afastaram de Pietro.

—Mate-o.

A ordem de Antony foi bem executada. Stark pulou sobre Pietro, como era grande ele o prendeu no chão. Carlos o atacou no pescoço, mordendo e sacudindo até quebrar. O barulho do osso se partindo passou por todos, cada um naquela clareira silenciosa ouviu o barulho e se arrepiou. Kathyna que até agora estava calada, soltou um grito de agonia que quebraria o coração do mais durão dos homens. Ela atacou Antony batendo com os punhos fechados em seu peito.

—Como pode? Você matou os dois! Matou os meus dois homens! Você os matou!

Lagrimas caiam desesperadamente pelos olhos de Kathyna. O alfa moreno ainda fingia que a mulher batendo em seu peito não era nada. Ele olhou para todos os outros.

—Siga doutor. Leve-os daqui.

O doutro olhou para os lobos na sua frente. O caminho se abriu para ele nenhum dos lobos se colocou em seu caminho. A lobo loira, cuja a mão sangrava muito, seguiu junto com ele. Todos os outros o olhavam silenciosamente, ninguém queria se colocar em seu caminho.

—A loba estava transtornada e se jogou para a morte, mas levou junto dois dos maiores alfas. Não podemos deixar isso passar. Ela ganhou, ela é a alfa. Não foi uma disputa tradicional, entretanto ela venceu. Os dois alfas morreram em dia de lua sangrenta. Eles se tornaram sacrifício. Eles sabia que em toda luta se tem a perspectiva e morte e mesma assim lutaram. Não podemos fazer nada. Apenas respeitar nossas próprias leis.

Kathyna esmurrava o peito de Antony e gritava a todo pulmão que ele tinha os matado. Todos estavam abismados. Antony se irritou. O mosquito zumbia de mais. Ele a bateu. Um tapa forte que a levou ao chão. Ela estava chocada. Nunca imaginou que ela a bateria. Ele respirou fundo.

—Todos devem respeitar. Isso é uma ordem.

Os outros dois alfas rugiram.

—É uma ordem nossa.

Todos se colocaram em posição de defesa. Os alfas olharam para cada um dos presentes. Era um ordem dos alfas mundiais. dos três únicos alfas mundiais.

—COMO PODE? VOCÊ OS MATOU! VOCÊ ME BATEU! VOCÊ...

O alfa não poderia aceitar que alguém menor que ele lhe desafiasse dessa forma. Ele segurou seu pescoço e com a força de seus braços o quebrou em um instante. Seu corpo caiu mole na grama. Seus olhos abertos fitavam o espaço vazio.

—Podem ir. Amanhã é o dia das consequências. Estejam prontos.

E falando assim ele seguiu junto aos outros alfas até onde o doutor estivera. Logo logo o sol nasceria, mas enquanto isso ainda não aconteceu Antony pensou em ajudar o doutor um pouco. Afinal a lobo era preciosa.

Os três seguiram para o pequeno consultório onde o doutor tomava conta dos dois corpos desfalecidos. Todos estava a mil. A transformação estava acontecendo de forma muito lenta. Antony mandou que alguns de seus lobos fossem buscar os corpos. Era necessário uma cerimônia para homenagear os mortos, afinal não eram mortos normais. Os dois outros alfas se transformaram ao nascer do sol. E juntos foram ajudar o doutor e receber a surpresa da face tão misteriosa que os muito os intrigava. A bela face feminina. a face bela da companheira de um grande alfa.

—Preparem o fogo. A cerimonia será feita ao anoitecer.

Antony seguiu dando ordens até que levaram a menina alfa para a casa dela. Com o sacolejar da viajem ela estava se mexendo, até que acordou.

***

Quando ele terminou de falar eu estava chocada. Como ? Não poderia estar certo. Minha tia. Meu primo. Minha nova família. Todos mortos. E eu? Alfa, uma manda chuva.

Eu disse, nascemos para governar baby. Nascemos para ser grande.

Eu ri internamente. Meu corpo não deixava que eu fizesse isso de forma normal. Ele Não me importava as alcateias.

—Não quero ser alfa. Pode ficar com os seus comandos, não quero nada.

Os três me olharam. Acho que não esperavam outra resposta. O lobo em meu peito reclamou, mas mesmo ele não estava esperando resposta diferente. A única coisa que conseguíamos pensar era nela, eles não me deram informações sobre ela. Ayla.

Eles não podem deixar seu corpo lá. Ela merece. Merece ficar comigo. Merece ficar.

Nossas vozes tinham quase o mesmo tom. Tínhamos um objetivo comum. Tínhamos um amor para nos unir.

—Ayla.

Minha voz ainda rouca não deixou aquele desejo de lado. Queria saber dela. Eu a queria. Nós a queríamos.

—Na clínica. Ela está na clínica.

Com a dor tomando todo o meu corpo eu tentei me levantar. Nada me faria ficar longe dela. Nem que fosse seu corpo. Os três alfas tentaram me parar. Olhei para eles com sangue nos olhos. O alfa mais novo tinha o rosto mais dócil, e foi ele que me acalmou.

—Nós a traremos para cá.

Sua promessa me deixou relaxar. Ele e o ruivo se retiraram. Foram atrás do nosso amor. Nós nos acalmamos. Não era mais nós. Era eu e eu era nós. Confuso? Sim, entretanto o lobo parou de ser diferente no momento que me mostrou que me amava e a amava como eu.

Aceite donzela...

Notas finais
qualquer erro deixe nos comentários obrigada por ler. @fada_do_luar