Luas de Sangue

8 Luas De Sangue Part. 1


Notas iniciais
Venha. Venha por favor. Não temos tempo a perder. Você tem de saber, e eu tenho de contar. Esqueça o café, o conha... o chocolate. Esqueça tudo e se foque em mim. Vou te contar a principal coisa que aconteceu para ela se tornar aquela mulher. Você vem não é? Vem aqui para saber como a fera ganhou da bela. Como a fera matou a bela... então venha baby, abra as asas...

Ela tinha longos cabelos negros que iam até sua bunda, uma bunda redonda e grande, pelo ângulo que estou vendo. Olhos de vidro verdes. Boca arredondada e carnuda. Seus seios eram fartos e se grudavam ao meus corpo. Ela era a mulher mais linda que já vi na vida. E algo dentro de mim gritou para se libertar. Para devora-la. Para devorar sua boca, seu corpo.

—Você está bem?

Sua voz, doce e aveludada incendiou algo dentro de mim. Fico olhando para ela. Para o monstro que todos temem e que olha para mim. Não consigo falar. Estou inebriada. Ela sorrir. Seu corpo nu ainda junto ao meu. Ela tenta se afastar. Eu a seguro, coloco meus braços na sua cintura.

—Estou muito bem sim, obrigada.

A bela mulher me olhou no fundo dos olhos. Eu e a fera a olhamos de volta, ambos com a intensidade que lhe era merecida. A cada instante a floresta ficava mais escura. E a cada momento os seus olhos verdes encantadores ficavam mais impressionantes. A bela mulher ficou ali comigo. Me olhando, avaliando-me da mesma forma que eu à avaliava. Estamos colocando uma à outra em parâmetros. Entretanto os meus parâmetros se foram, essa mulher não podia ser comparada, medida e nem nada. Ela era Afrodite em terra. E não se compara a deusa da beleza a meras mortais. Der repente ela abre um sorriso para mim, de canto, daqueles de quem esconde algo, um segredo.

—Então uma sereia não sabe nadar?

Sua voz era brincalhona. Uma cantada. Se essa cantada saísse dos lábios de qualquer outra pessoa eu ficaria ofendida, mas tudo que saia dos lábios desta mulher era poesia.

—Será que você cai no meu canto, marinheira?

É minha vez de sorrir, sorrir e me aproximar. A lua está regendo essa noite e ela me faz querer ser eu mesma, ela me faz querer ser a menina que nunca deixaram que eu fosse. Hoje é o dia de agraciar a lua, como comida, bebida e namoros. Estou apenas fazendo a minha parte. Seus lábios ficam a poucos centímetros dos meus, olho para cima e depois sorrio.

Ela é quem termina os centímetros restantes. Ela me beija. Sua boca é exigente, voraz. Ela me beija com fervor e eu devolvo. Ela morde meus lábios e puxa, arranhando-os. Seguro seus longos cabelos molhados, deixando-a mais perto, cada vez mais perto. Minha mão desce as suas costas, arranhando. Era respira fundo, me empurra. Estamos subindo, cada vez mais longe da água, estamos indo para a areia.

O ar me falta. Quero morde-la. Quero aperta-la contra mim até que não possa nos separar. Quero mostrar para ela o qual bom eu sou, o quanto a sua vida estava perdida sem mim.

A fera está com os hormônios fervendo, eu também. Estamos quase que inteiramente fora da água quando me afasto, segurando sua cintura, e olho seu corpo. Acho que estou sem palavras momentaneamente. Ela gargalha.

—Acho que vamos ter de corrigir essa injustiça.

Meus sapatos se perderam em meio a água. Meu vestido foi tirado com força, rasgado. A calcinha, uma de minhas preferidas, foi arrancada na boca. Violento, mas sem tirar o teor erótico. Eu sentia a fera em cada parte do meu corpo, ela era tão parte disso quanto eu, talvez até mais, de forma estranha, estamos como dois animais sedentos. Procurando avidamente os corpos uma da outra em meio a areia e ao rio. Mordidas, chupões, arranhões e de muitas outras formas meu corpo acabou marcado.

Meus dedos, minha boca, meu corpo estão nela, como o dela ficou em mim.

No fim estávamos nuas pela floresta, nos afastando do riacho. Beijos e caricias eram trocados em meio a brincadeiras. Parecíamos as duas adolescentes que éramos. Descobri naquele momento coisas sobre o tão temido sombra que não descobriria ouvindo os mais sábios dos lobos. Descobri que tinha 21 e um rebolado de tirar o folego, e no momento era o que eu queria saber. Seu nome era Ayla, que significa "a luz do luar". Eu gargalhei com tal ironia, ela me acompanhou com sua gostosa voz. Tentei faze-la dançar no meio da floresta, ela não quis me acompanhar, tive de rodopiar ao som da minha orquestra imagina solitariamente. Ela se encostou numa árvore e riu gostosamente.

Nossa diversão aparentava não ter fim, estamos agindo como crianças. Encostadas em meio as árvores nos beijando...

—NIKAIA!!!

A voz não estava tão longe, isso nos assustou. Nos afastamos. A voz masculina chamando está na direção opostas da que estamos seguindo.

—Até mais baby.

Não tenho tempo de ver ela se transformar. Vejo seu corpo correndo na direção oposta da voz. Deixo o corpo relaxar, a fera se apossar, ela não andou distante. Caio de quatro. As patas no chão de terra. A fera antes boba e excitada, agora está raivosa e alerta. Tiraram o doce de uma criança e ainda pensam em correr. Ando gingando até em direção ao lago.

Devagar... não tenho presa para ter minha presa. Chegou na hora certa. Estou faminto meu caro. Irei devora-lo num segundo.

Quando chego no lago vejo o dono da voz. O homem moreno que estava mais cedo junto a Luciam. Ele está olhando minhas roupas rasgadas. Seus olhos de sangue se depositam em mim. Um arrepio me tomou o corpo, senti que algo de ruim estava para acontecer.

—Vamos princesinha.

Sua voz foi aparentemente suave. O que me arrepiou mais ainda. É fácil identifica o perigo durante a noite, você fica alerta, mas durante um dia de sol, o que você espera estar espreitando ? Vou para trás, pego impulso para pular. Quase caio na água novamente, entretanto meu corpo se impulsiona para frente. O homem me olha uma última vez, se vira e segue andando. Eu o sigo, um pouco mais atrás. Distante o suficiente para observa-lo e para me preparar para qualquer coisa.

Não aconteceu nada durante o nosso trajeto. Quando o sol estava no alto chegamos em casa. Viemos devagar. Tia Kathy está na parte de trás da casa. Ela corre até nós. Abaixo minha cabeça, ela parecia estar preocupada.

—Antony, muito obrigada, irei dá sinal para que todos voltem. Muito obrigada, Antony.

Ela agradece fervorosamente o homem na minha frente. Ela ainda não olhou para mim, e eu não consigo focar nela muito tempo, para saber o que ela está pensando. O homem não fala nada, apenas sai dali altivamente. Ficou eu e ela. Fico com os olhos baixos, sinto seus olhos sobre mim. Eu não levanto os meus.

—Nika...

—Você está bem! Que bom, fico muito feliz com isso!

Pietro se mete na cena, bem no meio do que titia ia falar. Ele se ajoelha na minha frente, olhando em meus olhos, que estão baixos de mais.

—Entra! Os dois entrem!

Tia Kathy está com a voz controlada. Os dentes cerrados possivelmente. Ela começou a me dar medo. Olho para Pietro uma última vez e quase corro em direção a casa. Não acho que seja a hora correta para enfrenta-la. E nem tenho o motivo correto para isso. A cozinha está apinhada de comida, comida em abundancia, parece até que o espirito da gula se apossou daquele lugar. No tapeta da sala eu me transformo e então como até minha barriga aparentar se partir em dois. E então eu corro novamente, desta vez para o meu quarto. Fecho a porta e os olhos. Faço uma prece silenciosa para que ela esteja bem.

Linda! Seus olhos e cabelo. É baby, acho que achamos a mulher perfeita! Pode para de procurar!É ela sim, eu a escolhi! Tem o gingado e a sede de sangue adequada para nós.

A fera se contorce feliz no meu peito. Ela relembra a imagem de Ayla matando o caçador da última vez. Ele está extasiado. Prefiro jogar-me em minha cama com imagens da noite que passamos em vez disso. Eu não a conheço, mas ela mexeu comigo. Não nos falamos muito, entretanto o sorriso dela me tirou do lugar. Muitas coisas em mim nunca se encaixaram. Desde que me entendo por gente eu sou diferente, diferente dos rótulos e da forma que me colocam. Sempre formas pequenas, em especial na cabeça, pensamentos limitados, chegando até a serem primitivos. Se eu pudesse passar algo adiante ao mundo seria que por favor, faça um favor a si mesmo e chega de rótulos. São pessoas e não objetos em uma prateleira.

Minha cama está macia e eu estou cansada. Durmo como um bebê. O sono é difuso, tem muitas coisas acontecendo nele.

Estou correndo, algo está me perseguido. Me perseguido com sede de sangue. Sei que não serei mais rápida que ele, mas não posso desistir pois eu tenho de chegar até ela. Tenho de vê-la uma última vez. Tenho que pelo menos lhe dá adeus. Suplico que me deixe, digo desesperadamente que voltarei. Sei que ele pode matá-la junto comigo, mas sou egoísta de mais para parar. Ele está perto.... Meu pai está na sala com minha irmãzinha no colo, minha madrasta chegou na sala com sorvete e biscoito, eles são uma família feliz. Vejo isso pelo difuso vidro da janela. Estou para fora, na chuva. Não pertenço àquele lugar, ele estão felizes sem mim... Na escola tem um memorial em frente à minha estante de troféus. Troféus acadêmicos de olimpíadas. Matemática, português, ciência, química, astronomia, etc — sempre me punham para disputar todas essas coisas. Testes, eles diziam. Muitas pessoas olham para ele, algumas sorrindo, outras indiferentes. Eles não sentem a minha falta... Tia Kathy está na cozinha, Pietro entra com sua fome voraz. Eles comem felizes, discutindo sobre Luciam, o que arranca sorrisos de titia. Uma pequena família feliz, daquelas de comercial de margarina. Lindos como atores de novela das nove. E tão cheios de vida. Novamente eu olho distante, da porta. Os olhos deles decaem muitas vezes por lá, mas não me olham de verdade. Eu também não cabia ali... Corra, corra mais rápido... Algo está atrás de mim. Eu não consigo chegar até ela. Eu não consigo encontrá-la. Penso em desistir e então desisto da ideia, por que eu à vejo. Encolhida ao pé de uma árvore. Seus cabelos eram longos, iam até a bunda em uma traça bem feita e apertada. usava uma calça folgada e caqui. Sua blusa era de algodão, daquelas bem leve e folgada, que nunca demonstram nada. Seus tênis brancos estavam machados de poeira, mas era a unica coisa maculada no seu perfeito estereotipo de menina ideal e perfeitinha. Estava cabisbaixa, mas assim que me viu seu rosto se abriu em um sorriso, o que a tornou muito bonita. Ela se levantou e correu em minha direção, mas durante o trajeto ela parou. Ela viu o que me seguia, ela ficou com medo. Ela se virou e correu. Eu gritava para que ela não corresse para longe, mas sim que viesse para mim, eu queria ver ela, mas ela não me ouviu. Eu corri ao seu encontro, mas ela já não era eu, eu percebi. Eu parei e me virei rápido, de modo que meus cabelos cinza cortaram o ar. Olhei nos olhos da fera, eu e ela. Era o embate mortal...

—Levanta! Não tenho tempo hoje! Você tem de se arrumar! Está na hora! Vestido! Branco!

Ela está gritando. Não entendo o que aconteceu. Ela não é mais a mesma. Ela não fica muito tempo. Vejo seus quadris gingarem para fora. Ela vestia uma vestido branco. Não quero discutir, ainda não achei o momento certo. Tomo um banho caprichado, meus cabelos ainda tem folhas e ganhos. Abro sorrisos ao tira-los. Eram recordações. Tive de passar o shampoo para os cabelos. Eles precisavam estar cinza. Ao sair, seco os cabelos e os corpo com delicadeza. Procuro em minhas coisas um vestido branco. Quase tudo teve de ser jogado na cama, entretanto no fundo do guarda-roupa, estava um. Era uma vestido que ganhei de minha madrasta. Não era algo que eu usaria antigamente. Hoje ele ia me cair como uma luva.

Era branco perolado e ia até o chão. Colado até o começo da coxa, com alças grosas e um decote longo. Aparentava ser de algodão, mas era um tecido de uma textura mais parecida com veludo. Era um vestido de alto bom gosto. Era simples, e quando a minha madrasta me deu ela disse que ele era usado para acentuar a beleza de quem tinha beleza. Não tinha entendido, até agora. O vestido não tinha grandes detalhes o que deixa a mulher sem muito ornamento, e isso era o que estimulava que quem a olhasse visse à ela e nada mais.

Passo um batom vermelho e deixo os olhos delineados. O lobo tinha acordado comigo e estava alerta. Ele estava pronto para matar. O que não era bom. Não coloquei sapato e nem nada a mais. Estava me sentindo como uma deusa, apenas a beleza me faz de adereço.

Sou deslumbrante mesmo. Não olhe muito querida, você pode se apaixonar.

A fera pisca para mim. E temo que ela realmente esteja falando a verdade. No relógio de pulso, jogado no lado do guarda-roupa, são seis e meia. Acho que é hora de ir.

Tomo como preferência não pedir ajuda à ninguém. Sigo o fluxo de pessoas. Andamos pela floresta, me sinto como em um clã bruxo. E todos olham para mim. Não sei se pelo vestido, era uma das únicas a vestir branco, ou pela juventude. Não vi muitos jovens por lá. Os poucos que vi deveriam ter 18 ou 19 anos.

O local onde todos estão indo é uma clareira no meio da floresta. Nunca tinha avistado tal lugar. Era amplo, muito amplo, e no meio havia uma pedra, que tirava do solo aqueles que eram diferentes. Luciam e os outros quatro caras de olhos vermelhos estavam lá, e atrás deles tinha tia Kathy, Pietro e uma mulher que nunca tinha visto. Era uma ruiva muito bonita, que tinha olhos impressionantes e negros.

Pietro me chama acenando, de cabeça baixa vou até ele. Ele me ajuda a subir, para que não caia. De cima eu posso ver todos. Cada um daquele lugar me olha. Estão se questionando, querendo me ver quem é a garota nova.

Todos conversão e riem. Taças são entregues a todos, inclusive a mim. É um líquido viscoso, de um intenso tom avermelhado. E de um gosto intensamente familiar. Ao comando todos bebem. A lua está subindo. Tão bela quanto um deusa. Aparentava um cometa corando o céu de muitas estrelas. Todos estão ali para ver a dama da noite em seu véu de sangue. Luciam limpa a garganta e começa a falar:

—Hoje estamos reunidos para celebrar meus irmãos. A lua está quase no alto. Quando ela chegar lá, nós lhe saudaremos com um sacrifício. Um sacrifício muito especial. Um sacrifício programado a muito tempo. Banharemos a terra com o sangue de um traidor e daremos a lua toda a chama da vingança.

Todos bateram palmas. Eu bati junto, era muito contagiante. Ele cerimonialmente levantou as mãos, acalmando a plateia.

—Hoje faremos diferente, para celebrar o casamento de meu filho e minha sobrinha, faremos do sacrifício uma caçada.

Todos batem palmas euforicamente. Pietro passa o braço por cima de meus ombros, olho para seu rosto sorridente. QUE?

Princesa, se estava procurando um motivo para lutar você achou.

Olho para a pateia. Marcos está com uma cara fechada e revirando teatralmente seus olhos. Ele tem machucados perto dos olhos e na boca. Vestido de preto dá cabeça aos pés, assim como todos os outros. Alguns nos olhavam felizes, outro abismados e uns poucos tinha um olhar raivoso. Luciam pede novamente por silencio. O lobo em meu peito não atende seus pedidos e continua rugindo.

—Vamos começar, por que a noite é uma criança. Tragam o sacrifício.

Três homens, todos vestindo negro e carregando pesadas cordas estão vindo. Eles carregam junto de si um lobo. Um lindo lobo negro, que tem seus olhos verdes fechados e seu pelo manchado de sangue. Meu coração para, a fera para de rugir e solta um grito de agonia. Congelada em meu lugar, vejo soltarem Ayla no meio da clareira. Lhe tiram as cordas e ela abre seus olhos. Um dos homens coloca o pé em sua cabeça. Meu punho fecha.

—Esse é Sombra, um dos mais conhecidos lobos ômegas. Ele é um baderneiro e um perigo para todos nós.

Ele faz uma pausa cerimonial. Eu me afasto de Pietro e me aproximo mais um pouco da beira, em direção a Ayla.

—Doce lua. Aquela que comanda nossos caminhos. Estamos aqui para lhe agraciar com esse sacrifício. Que o sangue dele banhe as suas terras e lhe traga a fertilidade e beleza. Que o sangue dele lhe traga o que você deseja. Em baixo do mar de sangue que é a sua alma hoje, eu lhe entrego o meu sacrifício.

O homem retira os pés da cabeça de Ayla. Ela se levanta com dificuldade. Mas mantem em frente a todos um olhar altivo. Todos se afastam, dão espaço para que ela corra para a floresta. Para que tente fugir, mas ferida da forma que está ela não tem chance de fugir.

—Corra, se for capaz.

Luciam fala. Ela não é tola, apesar de orgulhosa. Ela se vira e mesmo com dificuldade ela corre. Não mais como uma caçadora, agora ela é a caça. Todos viram seu rosto para ver ela partir. O silencio desce como um véu sobre todos que estão no lugar. A Sombra corre, posso ouvir seus passos e eles estão sendo dados com dificuldade.

Luciam começa a contar. Meu coração acelera, não sei o que fazer. Ele chega a cinquenta, eu paro de ouvir os passos dela. Não sei se ela parou de correr, se caiu, se ela foi longe o bastante... meu coração está me carne viva, quero ela em meu colo novamente.

—Podem ir.

Todos correm, eu me aprumo para ir atrás dela pois todos estão correndo com sangue nos olhos, eles iram matá-la. O cara moreno segura-me o braço. Antony está me olhando, é o único. Todos os outros apreciam a caçada.

—Não vá atrás de seu amante. Você é comprometida agora.

Olho no fundo dos olhos dele. Vermelho para amarelo.

Mate-o. Corte a garganta. Quero ver sangue, por favor faça jorrar.

O lobo está quase incontrolável e eu não quero controla-lo, quero que ele rasgue, que ele mate, mas tenho uma prioridade com mortes. Tiro as mãos dele de mim com um puxão. Me jogo da pedra, transformando-me em meio ao ar.

Eu irei salvar a minha mulher!

Nossa...

Notas finais
obrigado por ler ♥