Love and Choices
8 Capitulo 8
Notas iniciais
Winterfell
Tudo parecia estar se encaixando.
É como um sonho se realizando pensou analisando o anel na sua mão. Era tão grande e brilhante que tinha dúvidas se fora Jon mesmo que escolhera algo tão extravagante. Logo ele, que senão fosse por ela, andaria de jeans e camisa preta o dia inteiro.
— Ainda não cansou de olhar? — Jon lhe perguntou sentando ao seu lado do lado do avião particular.
— Claro que não — Respondeu enquanto ajeitava a cabeça em seu peito — É lindo
— Apenas o melhor para você — E beijou a sua cabeça
Ele lhe pediu em casamento logo após que começaram a dividir um apartamento. Eles estavam na cama, apenas vendo televisão quando ele lhe propôs e Jon não tinha um anel na hora, mas no dia seguinte aparecera com um, e a pediu de novo, como devia ser.
Estava nevando quando chegaram em Winterfell. Por mais que odiasse admitir, gostava um pouco do tempo frio e do clima aconchegante da sua cidade natal. O sinal de neve em King's Lading era raro assim como frio. Parte das suas roupas de inverno ficavam no guarda roupa para nunca ver a luz do dia.
Olhou para Jon do canto do olho e podia notar que ele estava nervoso. Uma vez perguntou o motivo e eles respondeu que uma coisa era ir como amigo da família e outra era ir como namorado da filha deles. Agora está indo como meu noivo e futuramente como meu marido... Sentia borboletas no estômago só de pensar.
—Está sorrindo sozinha de novo. O que foi?
—Só estou feliz – Respondeu sincera. Jon parou em frente a portaria e respirou fundo – Toca a campainha
—Deixa-me respirar um pouco – Jon literalmente respirou fundo mais uma vez e tocou a campainha.
—Sansa! — Foram recebidos de braços abertos pelos sua mãe seu pai. Abraçou sua mãe o mais forte, sentia tanta falta dela que não podia se conter.
—Mãe! Pai! — Sentia-se como uma criança que não via a familia a tempos. Quando chegou na sala encontrou seus irmãos arrumando a mesa – Chegamos na hora certa.
Vê-los a deixava mais feliz. Robb estava cada vez mais alto e bonito. Tinha certeza que Roslin Frey era uma garota de sorte. Assim como eu... Arya estava quase entrando para o time de futebol feminino da região e tinha um namorado chamado Gendry Waters, ou Touro, do time masculino de King's Lading ele não pode vir por causa do jogo, mas esperaria uma outra oportunidade para conhecê-lo. Bran estava estudando assim como Rickon, sendo que o mais novo entregou que Brandon estava saindo com Meera, filha de Howland.
Esperava que Jeyne pudesse visitá-la junto com a família, mas a amiga estava viajando com os pais e não estaria a tempo.
Um tempo mais tarde, todos sentaram-se a mesa para jantar.
— Gente, não estou me sentindo bem – Colocou a mão na barriga e fez uma cara de dor – Minha mão está doendo
—O que foi querida? — Seu pai perguntou preocupado
—Ah não! — Jon revirou os olhos. Desviando da sua conversa com Arya e Robb
—Minha mão está doendo porque o meu anel de noivado é muito pesado! — Falu sorrindo de orelha a orelha. Bran, Rickon e Arya reviraram os olhos. Sansa notou que seus pais forçaram um sorriso, mas não deu muita atenção
—Ela contou a mesma coisa 5 vezes durante a viagem. Não aguento mais
—Todos nós notamos que tudo que ela pegava, usava a mão do anel. — Robb completou – Você vai ter que aturar isso pelo resto da sua vida
—Isso é inveja – Respondeu sorrindo. Sua mãe forçava um sorriso e seu pai permaneceu sério. Algo os incomodava, mas não queria lidar com isso. — Vamos ter bolo de limão? — Mudou o assunto
Depois do jantar, ficou para ajudar sua mãe quando Ned e Robb chamaram Jon para conversar no escritório do seu pai. Estavam demorando tanto que resolveu ver o que estava acontecido. Não queria escutar a conversa atrás da porta, mas era um assunto que claramente se tratava do seu casamento...
— Senhor Stark — A voz do Jon era firme. Ele não falava com seu pai de menino para homem, mas sim de homem para homem — Eu amo a sua filha
— Jon... — Seu pai o interrompeu — Não estou questionando o seu amor por ela. Mas sim o fato que você é o herdeiro do seu pai e que vai assumir tudo quando ele morrer, o bom e o ruim. Não sei se isso é bom para Sansa. Tentei excluí-la o máximo dessa vida e esse casamento... Às vezes tenho que fazer algo que não gosto e Sansa, assim como os mais novos, não sabem disso... O problema não é você, mas sim a vida leva. Nunca quis isso para você, imagine para ela.
Eles me tratam como se eu fosse um bebê que não sabe o que está fazendo...
—Eu vou protegê-la, morreria por ela, se fosse necessário. — Escutou Jon responder – O senhor e o Robb sabem que sim... Tenho pessoas de minha confiança que a observam quando não estou por perto.
—É isso que não quero...
—Como se ela já não tivesse pessoas a observando antes de começar alguma coisa comigo – Jon retrucou — Robb e Tio... Tudo que peço, é que confiem em mim. Por favor...
Com certeza teve mais coisa que Sansa preferiu não escutar... Doía seu coração só de pensar que seu pai não era tão a favor da união o quanto pensava. Encontrou sua mãe no quarto, lendo algum livro
—Mãe? — Catelyn virou os olhos e lhe sorriu gentilmente – Posso conversar com você?
—Claro que sim. Entre — Fechou o livro e sentou na cama, estendendo a mão que sentasse do seu lado – O que foi?
—Você gosta do Jon?
Notou que sua mãe mordeu o lábio inferior e estava pensando antes de responder – Dele? Claro que sim. Cuidei dele como se fosse meu próprio filho. Porque a pergunta?
—Eu escutei papai e Robb conversando com ele no escritório e...
—Ah! É sobre isso... Tenho falado com seu pai sobre isso e pensamos a mesma coisa. — Sua voz estava meio cansada, como se o assunto a deixasse desconfortável. Respirou fundo e continuou — É o que ele vai fazer... Sansa, não é fácil. Seu pai e eu cuidamos para que vocês não vissem a parte ruim disso e esse casamento vai contra tudo que zelamos e queremos para você
—Mas é o que eu quero... Eu o amo. E conversei sobre isso com ele, vamos trabalhar para fazer diferente. Eu sei disso...
—E o trabalho? Você queria tanto trabalhar e...
—Não quero mais tanto isso. — Respondeu com sinceridade. Ela e Jon tinham conversado sobre isso também. Ele disse que a apoiaria, independente da sua decisão. E se ela quisesse trabalhar ele daria um jeito de colocar pessoas lá dentro. A ideia não lhe era muito agradável, mas como não era sua opção resolveu deixar por isso mesmo.
— Sansa — Sua mãe aproximou-se e segurou as suas mãos — Você tem certeza? A cuidar das pessoas era o que você mais queria
— Eu tenho mãe — Respondeu segura de si. Nunca tivera tanta certeza na vida — Eu quero ter os filhos dele e cuidar da casa. Como você e o meu pai...
Catelyn respirou fundo e começou a acariciar suas mãos. Sansa podia ver que ela não aprovava nada disso. Sua mãe não tinha nada contra o casamento, mas sim com a escolha que estava fazendo.
— Você sabe que sempre pode voltar para casa, certo?
— Sei sim — Respondeu.
Mais tarde daquela mesma noite, encontrou Jon sentado debaixo da árvore-coração. Jogava umas pedras no lago e estava pensativo. Ponderou rapidamente se deveria dizer que escutou a conversa dele.
Se ele quisesse que eu soubesse, teria me contado. Concluiu
— Jon? — O chamou receosa. Não sabia se ele queria ficar sozinho ou se queria companhia. — Tudo bem? — Ele concordou com a cabeça e abriu as pernas para que ela sentasse entre elas
— Sim -E ficou em silêncio. Claro que ele não está bem. Quando alguma coisa o incomodava, Jon tendia ficar silencioso e pensar. Pouco a pouco Sansa conseguia que ele falasse com ela, pois somente assim conseguiria ajudá-lo — Você tem certeza de que quer isso? — Levantou o corpo para que pudesse encará-lo — Esse casamento... Sua família não está muito feliz com isso.
— Sim — Respondeu rapidamente — Está mudando de ideia?
— Nunca... Não que-
— Eu sou uma pessoa adulta agora e posso tomar as minhas decisões. Eu quero isso e tudo mais. Porque sempre tem que ter um ''mas''? — Jon a encarava um pouco incrédulo — Você quer ou não?
— Eu quero você
— Então isso é o suficiente — Concluiu e voltou a encostar o corpo junto ao dele. Minutos depois sentiu as mãos do Jon em seu cabelo, fazendo carinho. Deveria dizer que estava incomodada com o fato de ser vigiada como um bebê, mas tinha acontecido tanta coisa naquele dia que resolveu deixar para trás. Ele quer me proteger... chegou a essa conclusão — Jon!
— Hum?
— Eu confio em você. — Sussurrou — Só queria que soubesse disso
— Eu confio em você também. — E beijou o topo da sua cabeça
Sansa estava sentia-se na ponta de um precipício e lá no final, Jon a aguardava com os braços abertos. Não perguntou como pularia e nem se ele a pegaria, apenas pulou, confiando nele.
E não se arrependia.
ALAYNE
Fazia 2 semanas que desde o acontecido no jogo mas ainda sim tinha pesadelos terríveis. Neles, Brynden sumia e nunca mais voltava. Acordava na mesma hora, suando frio e com o coração na boca.
2 semanas que ela e Harry também ajustavam seu relacionamento. Aos poucos ele entendeu que não podia contestá-la na frente do Brynden, assim como prometeu que não pediria mais que ela ficasse sentada enquanto ele resolvesse qualquer problema em relação ao seu filho. Alayne prometera também facilitar as coisas. " Deixar ele entrar " de acordo com suas palavras. Numa noite, quando Harry disse que a amava, ela respondeu que o amava de volta, mesmo não sendo algo totalmente verdadeiro.
Numa outra vida, tinha sido cega de amor por Jon. Foi algo tão forte e arrebatador que com Harrold, não era nada parecido. Gostava muito dele, mas não estavam no mesmo nível quando se tratava de sentimentos.
Mas ele gostaria de ouvir, então o respondeu da mesma forma.
— Mamãe — A voz infantil do Brynden a tirou dos seus pensamentos
— Sim?
— Desculpa — Os olhos dele estavam marejados — Pelo dia do jogo. Eu não vou fazer de novo
— Amor... Já faz duas semanas
— Mas você ainda não está vendo filme comigo e nem está falando comigo direito... — Isso quebrou seu coração. Era verdade, não teve muito tempo com Brynden nesse período, mas não tinha nada haver com o ocorrido e sim com o trabalho. Desejou que pudesse se multiplicar e estar em todos os lugares ao mesmo tempo
— Anjo — Pegou Brynden pela mão o e o colocou no seu colo. Ele encostou o rosto no seu peito e ela sabia que ele estava chorando — Não tem nada haver com isso. É que mamãe tem trabalho muito e volta cansada
— Você não está com raiva de mim?
— Não — Com delicadeza, ergueu o rosto dele para que ficasse a altura do seu — O que aconteceu no jogo, ficou para trás.
— Jura de mindinho?
— Eu juro de mindinho — Brynden abriu um sorriso largo. Ele era tão bonito e tão doce. Meu bebê...— Agora vamos para a escola?
— Sim — Levantou do seu colo e foi correndo pegar a mochila na sala — Eu amo você — Declarou antes de sair da cozinha
— Amo você mais — Respondeu. Alayne tinha lágrimas em seus olhos. Tudo que faz na sua vida, todas as escolhas, era o que achava que seria melhor para seu filho. Para ver o seu sorriso mais e mais vezes.
A recepção não estava cheia como tem estado nos últimos dias. Tinha um casal com uma criança pequena de colo e ambos pareciam preocupados. Achou por certo ir falar com eles.
— Tem alguma coisa que eu possa fazer?
— Não, minha senhora. Estamos apenas esperando o resultado — Alayne deu uma olhada para criança e não precisou de muito para chegar a uma conclusão
— Qual o seu nome? — Perguntou para menininha
— Alys... — Respondeu tímida. Um nome nortenho.
— Quantos anos você tem? — A pequena Alys fez um sinal de 8 anos. Um caso bem raro
Antes que pudesse continuar a conversa, o casal foi chamado e tiveram que se levantar. O local onde trabalhava não era especializado na doença que ela tinha e provavelmente teriam que ser encaminhados para outro lugar.
Alayne iria adicionar a pequena Alys na sua oração. Ela precisaria de força. Todos precisam...
Não muito tempo depois a família saiu. Pode ver todos estavam tristes e sentiu-se mal por não fazer nada para ajudá-los a não ser orar por eles.
— Minisa — Resolveu confirmar suas dúvidas com a sua chefe. Ao longo dos anos, tinham formado uma certa amizade mas ainda estranho chamá-la pelo próprio nome, mas Minisa fazia questão — Ela tinha a síndrome de Maccune Albright?
— A chance é grande, mas nada que eu possa confirmar aqui.
— As manchas na pele dela e notei a formação de seios. Só não posso confirmar a displasia...- Ia continuar quando foi interrompida. Quando deu conta de si, estava falando em alto.
— Alayne, como você sabe tanto sobre a Síndrome de Maccune Albright? — Sua chefe lhe perguntou encarando-a com os olhos arregalados
— Eu fiz uma pesquisa mais profunda na faculdade — respondeu — Muita coisa me foi perdida, mas ainda sei de alguns detalhes
— Faculdade? — Perguntou tentando esconder a cara de surpresa e Alayne apenas concordou — Você é formada e trabalha como recepcionista aqui? Porque não seguiu a carreira?
Por alguns momentos Alayne ponderou se deveria dizer a verdade ou apenas algo para acabar logo o assunto.
— Querida- A mão da sua chefe pousou na sua. Era reconfortante — Uma das coisas que mais prezo é a confidencialidade. Se não quiser me contar, tudo bem. Não é a primeira vez que a vejo falar de assuntos assim. Uma pessoa como você, não deveria estar aqui.
— Eu me apaixonei — Respondeu. Sua chefe abriu a boca e a fechou rapidamente. — E larguei tudo para viver com ele.
— Você deve se arrepender...
— Não. Estar grávida abriu meus olhos. — De repente tinham lágrimas em seus olhos — Se tivesse feito alguma coisa diferente, não teria meu filho mas também não teria liberdade — Nunca tinha falado isso em voz alta com nenhuma pessoa. Essa era uma das coisas que guardava para si mesmo, mas lhe dava um estranho alívio falar para alguém que não fosse si mesma.
Mais tarde naquela mesma noite, tinha planejado assistir algum filme ou começar a ler um livro, mas estava tão cansada que deitar na cama era a melhor ideia do mundo.
Abriu os olhos assustada com a campainha. Seu corpo estava pesado e demorou para que reconhecesse o seu próprio quarto. Acordou com um gosto amargo na boca e se recordara de ter tido um pesadelo o qual não se lembrava agora.
A campainha tocou pela segunda vez.
Alayne olhou para o relógio da cama e eram exatos 03:15 da madrugada. Myranda de novo? Recordou-se da vez quando a amiga apareceu de madrugada pois não queria aparecer em casa essa hora. Ela prometeu que não faria de novo. Pensou irritada
A campainha tocou pela terceira vez.
Pelos sete!
Deu um salto da cama e desceu as escadas correndo para atender a porta. De alguma forma, sentia o coração pesado, como se alguma coisa tivesse acontecido.
A campainha tocou pela quarta vez.
— Já vai — Gritou
Na pressa, abriu a porta sem olhar no olho mágico e desejou ter sido mais cuidadosa. Não...
Tormund estava num canto e Cetim estava no outro e nenhum dos dois a encaravam. Enquanto Jon estava no centro a observando. Num ato súbito de loucura, Alayne tentou fechar a porta e correr para a cozinha mas não deu nem dois passos quando sentiu o mão do Tormund em seu braço.
— Não faça isso — Falou tão baixo para que Jon não o escutasse.
Respire pensou. Pensar é mais fácil que fazer...
— Você vai fazer mais uma cena ou posso mandar o Tormund te soltar? — Jon perguntou entrando na casa. Ele não alterou nem um pouco o seu tom de voz, mas era o suficiente para ter medo.
Jon a olhou e então percebeu que esperava uma resposta — E-eu não vou fazer de novo — E como um robô, Tormund soltou deu braço.
— Espere no carro com o Cetim, não vai demorar muito — Os dois guardas saíram sem nem pestanejar e fecharam a porta. Pelo o que lembrava, Jon tinha uma equipe para ele, mas Tormund e Cetim eram os homens em que mais confiava. Por um longo tempo, teve Pyp e Grenn mas o primeiro morreu enquanto o segundo era um longa e triste história, a qual Alayne não se orgulhava — Então é aqui que se escondeu por 5 anos? — Perguntou passando os olhos pela sala
— Você vai me matar? — Perguntou antes que pudesse pensar
Ele a olhou e Alayne o viu sorrir com o canto da boca. Lentamente ele começou a circular pela sala, como se estivesse inspecionando alguma coisa. Tentou ver se ele tinha alguma arma, não achou nenhuma. Parou na frente da estante, olhando as fotos que a decoravam — Matar você? A ideia é tentadora, devo admitir, mas não faria isso. Vocês vão voltar comigo e seremos uma família feliz, como era para ser. Como você me prometeu... — A mão dele parou numa foto dela com o Harry. Eles estavam sorrindo.
A resposta ainda sim não a acalmou. Tinha algo no tom de voz dele que era ameaçador.
— Jon... — Antes que pudesse terminar, Jon parou na sua frente e segurou seu braço, e lhe deu um puxão tão forte que pensou que fosse quebrar. Tudo aconteceu tão rápido que não teve tempo de pensar
— Sansa ou Alayne ou qualquer outro nome a qual você se refira — Jon segurou nos seus braços e a arrastou para a estante da sala. Ele quer que eu veja as fotos percebeu apavorada por favor não. Sabia o que ele ia fazer — Essa daqui com os cabelos curtos dever ser a Mya né? Vive com a mãe e é filha única. Estou certo? — Voltou o olhar para ela. Sua voz era calma e baixa mas não menos ameaçadora. Ele sabe que sim. Quando percebeu que não iria responder, a sacudiu — Eu sei que não é surda. Eu te fiz uma pergunta e exijo uma resposta
— Eu... Ela... — Estou gaguejando como uma idiota. Jon apertou as mãos dele ao redor do seu braço — Sim... É a Mya
— E esse aqui é a Myranda? — Apontou o dedo para a foto de uma mulher baixinha. Sansa apertou os lábios, lutando para negar informações as quais eles já sabia da resposta. Sem alternativa, apenas concordou com a cabeça.
Então os dedos dele foram atravessando cada fotografia enquanto a outra segurava fortemente seu braço. Ela tentou se soltar, conseguindo apenas fazer com que ele apertasse mais contra o seu braço.
— E esse deve ser o Harrold, certo? Seu... amante — Ele segurou o porta-retrato, a foto em que sorriam, com uma mão e a olhou nos olhos enquanto erguia o porta retrato. Pensou que fosse jogá-lo na sua cara. Sansa lutava para segurar as suas lágrimas e Jon não precisou de mais nada, jogando a fotografia no chão — Você e Brynden vão voltar comigo. — Reafirmou
— Não, por favor... por favor. Nós vivemos aqui agora e-e-e estamos bem e vivos aqui
— Nossa vida? Esse buraco? — Sua voz era irônica. Ele a sacudiu mais uma vez — Você chama isso de vida? Passar o dia sendo recepcionista... Isso tem que ser uma piada
— Melhor que ser sua esposa — As palavras saíram da sua boca antes que pudesse controlá-las.
— Certo... — Olhando com calma, ela viu Jon flexionar os dedos da mão. O ar ficou preso na sua garganta e arregalou os olhos — Com medo? — Não conseguia responder — Não pretendo te machucar, contanto que coopere comigo e seja a Sansa doce com quem me casei
— Solta o meu braço — Pediu desesperada. Ele sabe que está me machucando...— Por favor...
— Pare de implorar — A jogou contra parede e pôs o seu corpo na frente, fazendo pressão — Aposto que não teve medo de fugir e levar o nosso filho contigo, porque se recolhe como uma covarde agora?
Jon a encarava enquanto usava o peso do seu corpo para mantê-la contra a parede. Ela tentou chutá-lo mas não conseguia mover as pernas e as mãos dele seguravam ambos os braços dela.
— Por favor — Tentou pedir novamente. Ela não queria morrer e deixar Brynden sozinho com ele... Estava tão feliz e tinha lutado tanto para acabar dessa forma — Por favor...
De repente sentiu as mãos do Jon abandonarem seu braço mas ainda sim ele a mantinha contra parede. Ele a olhava com uma fúria que nunca tinha visto antes.
Ela viu os olhos do Jon percorrerem o seu rosto. Ele não sorria, não tinha uma expressão de raiva. Seu rosto estava impassível. Então ela o viu erguer o braço, tremendo, fechou o olhos e esperou que ele a acertasse no rosto mas ele apenas passou o dedo em suas bochechas e tocou, com um gentileza surpreendente, a sua boca.
Então fazendo uma lenta viagem, as mãos dele pousaram em seu cabelo, e seus dedos se entrelaçaram em uma das mechas. Por um tempo ele a envolvia em seus dedos e murmurou uma coisa que ela não conseguiu entender mas no momento seguinte viu a expressão se escurecer e a raiva voltar. E em menos de um segundo a mão dele num punho e ela fechou os olhos e gritou.
Era como se o ar tivesse sumido naquele momento. Lentamente abriu os olhos e viu a mão dele contra a parede, centímetros dela.
As lágrimas desciam de forma descontrolada do seu rosto e Jon se importava, ela não sabia pois ele abaixou a cabeça e respirava de forma pesada.
— P-por-Por favor...
— Cala essa boca! — Interrompeu a sua tentativa inútil de implorar pela sua vida. Jon não encontrava os olhos dela e Sansa temia que ele estava preparando para matá-la ou surrá-la, mas estava apenas escutou o som da sua respiração e olhando com calma, viu a jugular movimentar-se, como se ele estivesse prendendo algo entre os dentes.
— Mamãe? — Como um anjo que caiu do céu, a voz do Brynden ecoou pela sala. Então Jon finalmente ergueu os olhos, encontrando os olhos dela. Sansa então percebeu que os olhos dele estavam marejados. Ele sabe de quem é essa voz...— O que está acontecendo?
— N-Nada — Respondeu tentando limpar as lágrimas. Jon tirou as duas mãos que a mantinham presa, mas não saiu da sua frente — Tudo bem? Devia estar na cama
— Eu escutei alguém gritando — Sua voz era sonolenta. Ele me escutou gritar percebeu — Quem é esse?
Ela olhou Jon do canto do olho. Ele estava tentando controlar a respiração. Jon a encarou por mais alguns segundos antes de falar. " Meu filho... " o ouviu sussurrar " Meu bebê..."
Pensou que ele fosse revelar tudo ali, agora mesmo, mas Jon apenas sorriu e foi em direção ao Brynden
— Jon — Esticou as mãos para apertar as do Brynden. Sansa podia ver que ele sorria. Se era verdadeiro, não podia dizer
— Eu sou Brynden — Seu filho respondeu estendo a sua. As mãos do Jon eram grandes ao ponto de cobrir as do Brynden. — O que você estava fazendo com a minha mãe?
— Estava conversando com ela — Jon respondeu rapidamente e com a voz firme e mas não menos calma — Desculpe se te acordei. Não foi minha intenção — Brynden tirou os olhos do Jon e a encarou. Precisou encontrar toda a força do mundo para sorrir de volta e acalmá-lo
— Amor, volta para cama. Eu prometo que antes de retornar eu falo com você — Interrompeu. Sansa tentava se segurar ao máximo pois sabia que se perdesse o controle de si mesma, iria cair em lágrimas e Brynden perguntaria o motivo e ela não teria resposta além da verdade. E Jon vai ficar com mais raiva...
— Harry está aqui? — Instantaneamente ela ouviu Jon respirar fundo. Não fale do Harry... Por favor. Ela negou — Posso dormir na sua cama hoje?
— Pode sim, agora vá. Por favor... — Brynden abriu um sorriso de orelha a orelha. Eu faria qualquer coisa para vê-lo sorrir dessa forma constatou e notou que Jon sorria também e seu corpo parecia mais relaxado
— Boa noite Brynden — Jon falou um pouco mais alto e sorriu quando recebeu a resposta
Se ele pudesse ficar assim, poderíamos sentar e eu imploraria o perdão dele, mesmo que não esteja errada. Sansa estava pronta para se ajoelhar e pedir perdão. Faria qualquer coisa... Qualquer coisa.
— Jon — Chamou com a voz calma. Era difícil quando Sansa queria gritar e lutar. Ele ficaria irritado e eu morta— Sente-se e vamos...
— Sansa... — Ele a interrompeu novamente e virou-se para ela — ... Tem 1 semana para arrumar as suas coisas. Meus homens ficarão te observando para garantir que você não faça nenhuma loucura e eu...
— Não... — Sansa não sabe como conseguiu força para falar e muito menos para negá-lo. Jon parou para encará-la com fúria em seus olhos — Eu não posso... Por favor — Eu e Brynden temos uma vida aqui e estamos bem
— Não perguntei se você queria ou não — A interrompeu — Vocês vão vir comigo. Agora se vai ser por bem ou mal, a decisão é sua. Se eu fosse você, aproveitaria essa oportunidade. Não vai poder tomar muitas decisões daqui para frente.
— E-e-eu... — Queria dizer não. Queria ter força suficiente para enfrentá-lo mas mesmo que um milagre acontecesse e ela o acertasse, Jon tinha homens lá fora, que a matariam antes que conseguisse piscar o olho. — Eu vou — Disse derrotada
Uma lágrima desceu dos seus olhos. Sentia-se tão fraca e estúpida. Como pude deixar acontecer?
— Virei aqui todos os dias. À propósito, devia agradecer ao Tormund. Se dependesse de mim, você e o Brynden já estariam dentro do avião, ele pediu que te desse um tempo para arrumar as coisas e chamar menos a atenção — Deu um sorriso cansado — Como se estivesse me importando com a atenção, mas enfim, estou contando que você não vai fazer nada estúpido e estragar tudo. Certo? — Jon perguntou próximo a porta. Ele está me ameaçando, percebeu. Sansa concordou — Bom. Mal posso esperar para sair desse buraco — Quando chegou na porta, virou-se e sorriu novamente — Querida, pare de chorar, você fica muito mais bonita quando sorri.
Quando Jon foi embora, Sansa sentou no chão próximo a parede e chorou.
Não quero voltar... Grande parte do que estava vivendo em Tree Hill, era baseado numa mentira. Mas era vida que ela tinha escolhido, a vida que passou a amar.
Não quero voltar...
Fale com o autor