Love and Choices
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Ilha das Caras....
Levantou-se da cama e caminhou em direção a janela, para fechar um pouco mais as cortinas do quarto, não queria que nada atrapalhasse o sono do Jon.
Ele tem passado por tanta coisa pensou com certa tristeza. Fazia o máximo para tentar apoiá-lo, mas temia que não era o suficiente. Desde que seu pai morreu, Jon não fazia outra coisa a não ser trabalhar e isso os afastou por alguns meses, mas Sansa não queria que o relacionamento deles fosse mais uma coisa para ele se preocupar, então preferia não falar nada. Ao invés disso, sugeriu que os dois tirassem uns dias de férias para descansar, Jon claramente foi contra, alegando não estar cansado. Foi preciso muita conversa e insistência para que ele cedesse.
Não está cansado pensar nisso trouxe um sorriso aos seus lábios. Jon sempre acordara primeiro, mas nesses dois últimos dias, levantou da cama quase na metade do dia.
Prendeu o cabelo num rabo de cavalo e desceu as escadas em direção a cozinha. Tinha resolvido caminhar pela cidade e conhecer a vizinhança.
Talvez cozinhe alguma coisa.
Quando o café ficou pronto, sentou à mesa e preparou seu lanche. Era uma rotina a qual estava começando a ficar acostumada. Antes de Rhaegar morrer, costumavam tomar café juntos, mas agora, Jon dormia muito tarde e acordava muito cedo. Tentou o acompanhar, mas desistiu logo em seguida.
— O que acontece de bom aqui? — Falou para si mesmo enquanto abria o jornal local. De acordo com suas pesquisas, a Ilha das Caras era um lugar pequeno e tranquilo e isso a fizera escolher esse lugar — Nada de interessante — O que esperava Sansa? Por isso que escolhi esse lugar.
Terminou o café fora se arrumar para passear. Escolheu uma roupa de caminhada, já que iria andando até a cidade. Não era muito longe, de acordo com o que viu passando de carro.
Antes de sair, escutou o barulho de um celular vibrar. Correu achando que era o seu, mas na verdade era o de Jon e ele tinha o deixado em cima da mesa da cozinha.
Será que devo atender? Sansa sempre fora a favor da ideia de cada um ter o seu espaço pessoal. Ela não gostaria de ver Jon mexendo nas suas coisas. Mas o número ligou mais de uma vez, talvez seja importante pensou encarando o celular.
— Alô? — Contra todos os seus instintos, atendeu o celular, apenas para não ouvir nada do outro lado da linha — Alô?
— Jon? — Era uma voz feminina e falava tão baixo, como se fosse ninguém a ser ela para escutar — É você?
— Não é -
— Pelos Deuses! — E então desligou.
Sansa encarou o celular confusa. A mulher do outro lado da linha parecia assustada. Estranho
Esperou alguns segundos para ver se o celular tocaria de novo e nada. Resolveu deixar um bilhete avisando da ligação e onde iria.
Visitou as lojas, passou na feira e conversou com algumas pessoas. Sansa fazia amizade fácil e passava um tempo conversando com pessoas que acabara de conhecer na rua. Quando chegou na orla, ficara encantada com a visão, o mar era de um azul cristalino que combinava com o sol que brilhava forte no céu.
Uma pena que tenho que voltar pensou encarando a vista. Aqui é quase tão bonito quanto o bosque de Winterfell, apesar de serem diferentes, como o sol e a lua.
Sacudiu a areia do corpo e retornou para a pequena casa que tinham alugado. Era uma longa caminhada, devido ao lugar afastado que escolheu.
— Jon? — Chamou assustada quando percebeu que havia barulhos no andar de cima. Ainda era cedo, Jon devia estar dormindo.
— Sansa! — Desceu correndo as escadas. Sansa não pode deixar de notar que ele vestia uma calça jeans e uma camisa branca — Onde estava? Acordei assustado quando não te vi
— Deixei um bilhete — Respondeu colocando as compras em cima da mesa — Na verdade dois. Um do lado da cama e outro na estante. Estava indo aonde?
— Procurar por você — Realmente Jon estava com a cara de quem tinha acabado de acordar e colocado a primeira coisa que viu — Não faça isso de novo, sabe como fico
— Pode relaxar?
— Sansa -
— A ideia de virmos para cá foi para que você pudesse dormir e esfriar a cabeça. Nada disso vai adiantar se ficar arrumando motivos de estresse — Aproximou-se dele e segurou seu rosto em suas mãos — pode fazer isso?
— Não gosto que saia sozinha — Era verdade. Quando estavam em casa e Sansa precisava sair, tinha que levar alguém com ela. Odiava isso, mas se era uma problema a menos, aceitava sem reclamar
— Relaxar, tudo bem? — Reafirmou quando Jon a abraçou. Sansa resolveu ignorar a arma na cintura do Jon. Mais briga e mais estresse — E pare de me abraçar, estou suada.
— Ótimo — Sabia o que vinha a seguir — Eu posso te dar um banho — Jon disse com um sorriso enquanto a guiava para o banheiro — Espere! Quase esqueci de te avisar
— O que foi?
— Alguém ligou para o seu celular hoje e eu atendi e--
— Quem ligou? Falou o que? — Jon arregalou os olhos e soltou seus braços.
— Não sei. Era um mulher. Ela ligou e desligou rapidamente — Justificou
— Sans, sobe enquanto eu retorno a ligação — Num pulo Jon desceu as escadas em direção ao celular. Sansa achou estranho, mas fizera o que ele pediu.
Cansada de esperar, fora tomar banho e trocou de roupa sentindo-se um tanto idiota. Estarei sendo chata se dizer a ele? Talvez sim. Olhou-se no espelho. Mas... Não quero ser um problema e nem ser um peso a mais
Quando desceu as escadas, encontrou Jon sentado na mesa, pensativo.
Caminhou em seu direção, pronta para saber o que aconteceu. Seu marido a viu e saltou da mesa, rapidamente mudando suas feições
— Desculpe-me — Pediu enquanto a abraçava — Acabei demorando mais que o esperava
— O que aconteceu?
— Nada — A assegurou — Tudo bem — Sansa o encarou nos olhos por alguns minutos. O olhar preocupado que encontrou descendo as escadas fora substituído rapidamente por um sorriso nervoso — Que tal sairmos hoje à noite?
O restaurante era um lugar bem simples e aconchegante. Não estava cheio, na verdade, estava com poucas pessoas. Do local em que estavam sentados, Sansa podia ver alguns casais e um grupo de adolescentes, provavelmente comemorando alguma coisa.
— Você está muito bonita — Jon disse chamando a sua atenção — Esqueci de falar quando saímos
— Estou sempre bonita — Brincou com um sorris nos lábios.
Sansa ainda não sabia o que tinha dado nela, mas estava tão feliz naquela noite. Era como se os problemas não existissem mais e ela apenas Sansa e ele apenas Jon.
— Coloque sua cadeira perto da minha — Pediu delicadamente e Jon franziu a testa — Você está longe de mim e te quero perto — Significava muito mais do que tinha falado. Desde a morte de Rhaegar e a ascensão do seu marido, eles pouco falavam. Era como se Jon estivesse se distanciado dela e hoje à noite tudo o que menos queria era distância
Será que estou sendo boba por ficar feliz com um pouco dessa atenção?
Jon fez o pedira e colocou sua cadeira próximo a dela. Num restaurante normal, as pessoas olhariam estranho, mas aqui, onde cada casal estava preocupado com si, era como se nem existiam.
— Eu quero me desculpar de novo — Jon pegou no seu queixo e aproximou seus rostos — Por hoje de manhã e pelos últimos meses. Sei que não tenho estado próximo, mas ainda sim...
Ele se importa! Pensou quase não conseguindo esconder o sorriso
— Tudo bem — Reafirmou. Na verdade, não estava tão bem assim, mas Sansa não viu necessidade em falar
Jon sorriu aquele sorriso que só dava para ela e a beijou. Era um beijo que misturava paixão e doçura. As pessoas costumavam dizer que depois do casamento, o desejo ia embora com o tempo, mais ainda sim Sansa o queria da mesma forma que o quis quando ainda faziam faculdade.
— É-É-É... Senhora e senhor? — o Garçom atrapalhou o momento e Sansa sentiu pena dele, pois sei rosto estava muito vermelho — Já decidiram o que vão pedir?
Os dois sorriram, metade felizes e metade envergonhados...
... Mas não a ponto de pararem. Tiveram que pedir desculpa uma outra vez ao mesmo garçom quando ele trouxe o jantar. E novamente quando perguntou se queriam alguma sobremesa.
— Jon, porque não pediu a sobremesa? Vai ficar me olhando comer a noite toda? — Perguntou saboreando o bolo de morango. Infelizmente eles não tinham bolo de limão
— Você é minha sobremesa — Ele disse se aproximando próximo ao seu ouvido e sussurrou — Eu te observo agora e você vai me observar depois enquanto saboreio você — Sentiu um calor entre as suas pernas, aquela adorável sensação.
Sentindo-se fora se si naquela noite, deslizou sua mão e o apalpou por debaixo da mesa, o bolo esquecido a tempos. Não era loucura e nem uma tentativa de chamar a atenção, apenas paixão. As pessoas costumavam dizer que o desejo sumia ao longo dos anos, mas sentia por Jon, a mesma coisa que sentia quando ainda namoravam. Era como se a paixão não tivesse sumido, apenas aumentado.
— Eu amo você — Sussurrou fazendo um caminho com sua mão até o rosto dele. Jon apenas fechou os olhos e beijou a palma da sua mão
— Amo você também. Não duvide disso, por favor — Respondeu beijando-lhe.
E esse fora diferente. Era aquele beijo cheio de promessas e sentimentos. As mãos de Jon desceram até pousarem na sua bunda e o sentiu dando um pequeno aperto. Era como se o mundo em volta deles não existisse.
— Eu quero ir embora agora — Falou tentando recuperar um pouco de consciência, mais um tempo ali e acabariam dando um show para as pessoas que estavam no local
— Garçom, a conta por favor!
O céu estava escuro e estrelado. Eles se comportavam como dois adolescestes que tinham acabado de descobrir a magia do sexo. Sansa sentia um desejo quase que incontrolável, talvez isso que a impulsionou a tirar os saltos e sentar no banco de trás
— O que você está fazendo? — Jon perguntou a encarando do retrovisor
— Apenas dirija — Ordenou. Sansa tinha certeza que algum demônio se apossou dela naquela noite para ter coragem de fazer o que estava fazendo.
Levantou o vestido até a cintura e abriu as pernas, encostando a cabeça no banco. Estava exposta, completamente exposta para Jon.
— Você não está usando... — Ela lhe observou com seu olhar mais malicioso. Tinha saído de casa sem calcinha — Pelos deuses!
— Se soubesse que estava sem calcinha, não teríamos nem chegafo ao restaurante. Agora foco na estrada — Brincou — Não quer perder o controle né? — Sorriu inocentemente. Jon xingou alguma coisa que não escutou
Tocou-se bem naquele ponto onde tinha certeza que clamava pelo toque do seu marido. Fechou os olhos e deixou-se levar pelo sentimento. Demorou para perceber que o carro tinha parado no canto da estrada.
— Sansa — Abriu os olhos para ver Jon em cima dela. Aqueles olhos cinzas a encarando com tamanho desejo e loucura. Sua mão posou por cima dela e começou a tocá-la. Eu sei me tocar pensou mas não tenho dúvidas que ele faz melhor — Prometa-me que vai se comportar ou irei parar agora
— Eu — Não conseguia formar uma frase, não agora. O toque dele ficava mais lento e menos firme — Prometo, por favor — Implorou e Jon voltou os trilhos. Não demorou muito para explodir em suas mãos
Ainda tentando recuperar os sentidos, o encarou. Jon tinha os seus dedos na boca. Provando-a
— Agora vamos para casa na paz ou você vai ter problemas — Jon falou sorrindo, malícia nos seus olhos — E você é uma lady, não pode ser punida.
— E se eu não quiser ser uma lady hoje à noite? — Falou sorrindo e Jon acelerou o carro.
Chegaram em casa num tempo recorde. Antes que pudesse subir as escadas, sentiu Jon puxando-a pela cintura e beijando-a — Aonde você vai?
— Esperar você no quarto-
— Muito longe e muito tempo — Jon respondeu colando seus corpos. Não soube como, mas quando deu por si, estavam no chão da sala.
Entre as mãos dele no seu cabelo, Sansa sentiu algo sendo puxado do seu pescoço. O pequeno tinha arrebentado.
— Desculpa — Jon pediu beijando seus seios — Eu te compro outros 10
— Não quero outros 10 — Isso chamou a sua atenção. Seu marido parou e a encarou por alguns segundo — Vou querer um colar de pérolas para repor esse perdido — E sorriu de forma maliciosa
— Colar de pérolas? — Jon parou de falar, entendendo o que tinha acabado de dizer — Sua coisinha maléfica — Ele sorriu e voltou a beijá-la. Seus quadris erguiam-se involuntariamente, como se sabiam o que estava por vir. As mãos dele alcançaram o seu centro, tocando-a.
— Nem começamos e você já está encharcada — Jon murmurou tocando lentamente. Queria xingá-lo por estar brincando com ela
Ele estava quase chegando lá com a boca dele quando o celular tocou. Sansa tentou ignorar, mas o aparelho tocava incessantemente.
— Jon -
— Deixe tocar, não é importante — Respondeu quando o barulho parou. Sentiu -se grata por isso...
... Apenas por alguns segundos, pois voltou a tocar novamente.
— Por favor, quebre essa coisa! -
— Ignore! — Pediu gentilmente enquanto ficou de joelhos e abriu sua perna — Foque... — Pediu erguendo seus pés e beijando a ponta dos dedos — ... em mim — completou, traçando um caminho de beijos ao longo da sua perna.
Estava pronta para ignorar quando voltou a tocar. Não precisou pedir novamente, Jon a encarou e foi atender
Sansa sentou e o encarou. As feições de Jon mudaram. Poderia ver que ele estava preocupado
— Espere um momento — Jon lhe pediu e saiu da sala. Tentou ignorar a curiosidade que sentia, mas era demais.
— ...Dê dinheiro e diga para não se preocupar. E não se esqueça de desculpar por mim. — E desligou o celular, encarando a janela
— Dinheiro para quem? — Perguntou adentrando. Jon deu um salto do local onde estava
— Ninguém que você deva se preocupar — De repente ele estava na sua frente, beijando seu pescoço — Vamos voltar?
Está tentando me distrair...
— Não — Manteve firme e tirou as mãos dele do seu corpo — Dinheiro para quem?
— Você não deveria ter escutado — A repreendeu
— Não vire isso para mim. Dinheiro para quem Jon? Porque você está se desculpando?
— Ninguém Sansa — Gritou. Está ficando agressivo para desviar a atenção
— Gritar não vai adiantar nada. Te fiz uma pergunta simples e espero uma resposta simples.
— Sansa, por favor! Deixe isso para lá
— Vou deixar quando me dizer o que está acontecendo — Explicou — Uma mulher liga de manhã e desliga de repente. Você me deixou de tarde esperando terminar a ligação e agora está falando com alguém sobre dinheiro e desculpas. O que está acontecendo?
— Nós estávamos tendo uma noite maravilhosa, porque arruinar isso? — Jon tentou se aproximar novamente, apenas para Sansa afastá-lo
— Podemos continuar tendo uma noite maravilhosa, depois de me dizer a verdade — Cruzou os braços
— Não podemos mais
A resposta dele a deixou chocada. Foi preciso todo o esforço do mundo para manter o rosto erguido e cara imóvel
— Boa Noite — Despediu-se e foi para o quarto. Mais tarde naquela mesma noite, fora acordada por Jon, sussurrando palavras doces e pedidos de desculpa quando pediu a verdade, ele ficara irritado e desceu para a sala, provavelmente para dormir lá.
Já era quase 10 horas da manhã quando finalmente resolveu levantar da cama. Estava com olheiras gigantes devido a noite mal dormida.
Desceu as escadas determinada a tomar o seu café da manhã e sair. Tinha colocado o biquíni e preparado sua bolsa. O dia estava lindo demais para ficar em casa e irritada.
— Aonde você vai? — Escutou Jon perguntar da porta da cozinha. Ignorou — Estou falando com você — A chamou novamente — Deuses! Para de se comportar como uma criança
— E você pare de mentir — Retrucou ainda de costas
— Sansa -
— Eu ignorei, sabia? Você trouxe uma arma para cá, e fingi que não tinha sentido. No mesmo dia, me deixou plantada no banheiro esperando por você, ignorei — Estava quase gritando. Respirou fundo e reorganizou seus pensamentos rapidamente — Quer saber de uma coisa? Não vou brigar com você. Só precisa saber que vou sair. Fique sozinho com seus segredos. — Jon iria falar alguma coisa, mas não lhe deu chance de continuar. — Você arruinou a nossa noite ontem, não vai fazer isso hoje.
Ele pareceu chocado com suas palavras. Bom pensou orgulhosa. Deu as costas novamente e focou em terminar de preparar seu café.
— Desculpa — O ouviu dizer — De verdade... — Virou-se para ele
— Não quero desculpas, quero a verdade. O que está acontecendo?
Esticou a mão para ela. Relutantemente, Sansa pegou. Ele a acompanhou para mesa e puxou a cadeira para ela sentar. Jon sentou -se na frente dela.
— A garota que me ligou, o nome dela é Chataya, e ela trabalha num bordel que parte dos seguranças que trabalham comigo frequentam — Jon deu uma longa pausa e antes de continuar — Sansa, estou investigando a morte do meu pai.
— Mas você disse para mim que foi parada cardíaca
— Eu menti — Confessou. Sansa podia ver a culpa em seus olhos — Não queria que você tivesse alguma coisa haver com isso.
— Jon, não sou feita de porcelana -
— Eu sei -
— Não, você não sabe. Se soubesse, teria me contado tudo o que estava acontecendo e não escondendo de mim — Falou de forma cortante — O que essa Chataya tem haver com isso?
— Eu a contratei para aquecer a cama de qualquer homem próximo a Robert Baratheon e tentar conseguir alguma coisa — Jon desviou seu olhar do dela. Encarando a mesa antes de continuar. Fora o necessário para Sansa — E-E-Ela fora pega e bem... — As palavras sumiram da sua boca. Ele estava com vergonha de olhar para ela. Ela fora estuprada constatou. — Com sorte, meus homens a encontraram antes que pudesse ser morta. Ela agora está bem
Sansa não sabia o que dizer nem o que sentir. Queria gritar com ele, chamá-lo dos mais terríveis nomes, mas nada disso adiantaria e nem aliviaria o peso no seu coração
— O que vai fazer para ajudá -la? Se isso ainda for possível...
— Foi o que você escutou ontem. Vou lhe dar dinheiro e arrumar um lugar afastado e calmo para ela.
Não acredito. Quando atendi o telefone, ela provavelmente estava pedindo ajuda as peças começavam a se encaixar na sua mente. Jon atendeu o telefone de tarde e recebeu a notícia... E ele me levou para jantar!
— Só isso? Ela foi estuprada e quase morta na mesma noite que você me levou para sair — Levantou da mesa tão irritada, que quando percebeu, a cadeira estava no chão. Jon levantou, tentando segurá-la — Estávamos jantando e nos beijando e esse tempo você sabia o que estava acontecendo
— O que esperava que fizesse? — Sansa nem se deu o trabalho de responder. Apenas deu as costas e subiu as escadas, sendo parada por Jon — O que vai fazer?
— O que nós vamos fazer. — O corrigiu — Vamos fazer a mala e você vai me levar nessa mulher. Essa viagem acabou.
Sansa
Tudo estava diferente.
A casa que passara meses planejando e organizando não nem a sombra do que um dia fora. Paredes onde haviam fotos, flores que ocupavam as mesas e objetos que decoravam as estantes estavam no lixo, perdidos para sempre.
Um lugar que era o meu -nosso- conforto virou a minha prisão
Jon nunca dissera com todas as letras que ela era sua prisioneira, mas Sansa sabia que não era necessário. Podia caminhar pela casa sem ser vigiada, mas se quisesse ir sentar próximo a piscina, teria que ter alguém próximo, a vigiando para que não tentasse fugir.
Pelo pouco que pode perceber, nunca era a mesma pessoa que a vigiava. Um dia tinha sido Cotten e hoje era Cetim, que não lembrava nada o jovem de 16 que conheceu anos atrás. Nenhum deles era autorizado a falar com ela.
Não teria coragem de deixar Brynden com você quase falou em voz alta quando Jon disse-lhe o motivo de ter alguém com ela no jardim, mas preferiu ficar quieta, evitando outra briga.
Nem mesmo Maria, que ajudara tanto anos atrás. Algumas vezes ficara tentada a perguntar se alguma coisa tinha acontecido, mas temia não gostar da resposta, então sempre resolvia deixar para lá.
Maria era como uma família para ele pensou Ele não a machucaria.
Ele ameaçou matar a sua uma voz sussurrou no seu interior porque não machucaria alguém que nem de sangue é?
Família... Nunca sentira tanta dor como sentia agora. Se não tivesse ido, eles estariam vivos pensou mas você seria uma prisioneira uma voz sussurrou
— Eu não sou uma prisioneira agora? — Completou para si mesma.
Sansa tentava não pensar na sua família, mas era difícil demais. Qualquer coisa que visse, a fazia lembrar de uma situação engraçada. No dia anterior, quando estavam se preparando para tomar café, ouviu no noticiário sobre a equipe de futebol e não pode se esquecer da sua irmã. Perdera a fome na mesma hora.
Talvez eu pudesse ir me despedir a ideia estava passando na sua cabeça havia um tempo, mas não tinha coragem de pedir para Jon. Hoje faria diferente. Ele não me negaria a chance de ver a minha família...
Levantou-se da borda da piscina e caminhou de volta para casa, com Cetim a acompanhando de longe com o olhar. Mesmo com Jon dentro de casa, ainda precisava ter alguém para vigiá-la quando ele não podia.
Respirou fundo e caminhou em direção a sala do Jon, quando não estava trabalhando, passava os dias ali, longe o suficiente dela, e por isso, Sansa agradecia. O único momento que trocavam alguma palavra era na hora de jantar, momento em que Jon fazia questão que todos comessem na mesa, fingindo estar tudo bem.
— Posso entrar? — Pediu parada a porta, estar ali novamente era um sensação estranh. Jon ficou em silêncio por um longo tempo, até finalmente permitir. Sem fazer movimentos bruscos, sentou na cadeira esperando que ele lhe desse atenção
— Não veio para olhar para a minha cara, o que quer? — Jon perguntou sem nem erguer os olhos das papeladas
— Gostaria ver onde minha família está enterrada — Pediu
— Eu acho que devo ter alguma foto na pasta -
— Não! — Pediu desesperadamente. Controle-se Sansa — Eu quero ir lá, por favor
Uma longa pausa. Sansa pode ver que Jon fingia estar lendo a papelada, pela forma como seus olhos estavam fixos no mesmo ponto
— Não — Foi a única coisa que disse. Sentiu seu sangue ferver de raiva, mas lutou contra a vontade de gritar
— Porque? Não precisa ir comigo e duvido que queira, poderia ir com um dos seus-
— Você está brincando né? — Isso finalmente chamou a atenção dele.
— Como? — Não tinha entendido o que havia falado de errado.
— Depois do ocorrido com Sandor, ainda tem coragem de perguntar o motivo? — Ergueu sobrancelha. Fazia meses que não pensava nele.
— Você o matou? — Perguntou com um nó na garganta. Outra pessoa que ele tirou de mim...
— Não — Sansa sabia que não mentia, Jon estava constantemente procurando motivos para fazê-la chorar — Quando o encontrei, ele já estava morto e levou o irmão junto. Sorte a dele, teria o torturado antes e depois de encontrar você — Porque está sorrindo?
Isso trouxe uma pequeno alívio. Outras pessoas ficariam horrorizadas por estar feliz com a morte de um amigo, mas Sansa sabia a verdade.
" Minha única felicidade matar meu irmão passarinho. Morreria feliz se isso acontecesse " Lembrou-se de Sandor confessando um noite enquanto conversavam.
— Porque era isso que ele queria — Sansa desejava para o seu amigo uma vida feliz e em paz, queria que ele tivesse ido com ela buscar uma vida nova, mas Sandor tinha ódio demais para desejar ter uma vida tranquila enquanto o irmão respirava o mesmo ar.
— Deve ter morrido feliz mesmo, matou o selvagem do irmão e ainda te levou para cama — Disparou
— Nós nunca- Como pôde pensar isso?
— Acha que sou algum idiota? Sandor era um dos meus homens mais leais. Confiava nele a ponto deixá-lo como seu segurança. Mas parece que a lealdade não existe quando se tem uma buceta em jogo, principalmente a sua — Você está errado pensou.Sansa nunca iria se esquecer do dia em que Sandor a encontrou chorando no banheiro, com a maquiagem jogada no chão. Sandor nunca pediu por nada....
— Você enlouqueceu — Retrucou sem pensar. Era falar isso ou passar horas defendendo-se de acusações falsas
— Sua culpa — A acusou. Ele perdeu a noção ou a memória?
Respirou fundo, era uma briga que não estava disposta a lutar.
— Eu só quero ver minha família, qual o problema nisso?
— E eu quero que você tire essa cor do seu cabelo e use a aliança, não vejo nada disso agora -
— Eu faço — O interrompeu — Eu pinto meu cabelo, uso a aliança, seguro a sua mão, só deixe eu ver a minha família
— Eu poderia ter tudo isso e você ainda não veria sua família
— Eu poderia fazer isso sem que brigássemos — Era sua ultima esperança — Sem estresse e com um sorriso no rosto
Jon parou por um momento a encarando, estava tão desesperada que faria o que ele quisesse, mesmo se fosse sexo.
— Eu vou pensar nisso — Finalmente respondeu. Sansa agradeceu e levantou-se da mesa, tinha ganhado, mas não sentia como uma vitória — Sansa — Ouviu a chamar — Sua vida poderia ser muito mais fácil se não lutasse. Você sabe muito bem que de uma forma ou de outra, vou ter do meu jeito — O encarou e concordou com a cabeça, não tinha motivo para arrumar mais briga.
Subiu as escadas correndo e foi em direção ao espelho, encarando pela última vez as cor negra que cobria o ruivo.
A cor do meu cabelo era uma das poucas formas de resistência e perdi isso pensou tristemente O que mais irei perder?
— Ele sempre vai ter as coisas do jeito dele — Disse para si mesma enquanto uma lágrima escorria — Quando vai ser a minha vez de ganhar?
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