Love Story
167 Relacionamentos XXVII - “― Meu trabalho no Peru não acabou, amor.”
Notas iniciais
Como combinado, depois de deixar a sogra em casa, Sara seguiu pra sua própria para ligar novamente pro marido. Tomou um banho, se acomodou na cama e fez a chamada. Gil a esperava.
― Pronto, agora me explica direito o que aconteceu, porque eu fiquei perdido.
― Antes de explicar como foi minha semana, eu quero que você me explique o porquê de não ter falado nada sobre a Julia.- Grissom fez uma careta tipo “me lasquei”. ― Não fiquei brava por ter me dado o bolo e me deixado plantada na festa, foi um imprevisto, isso acontece. Fiquei brava pela omissão já que sabia que ela estaria lá.- Grissom escutava a bronca caladinho. ― Se tivesse me dito alguma coisa, eu não teria passado por aquele constrangimento.
Gil franziu o cenho.
― Como assim? Que constrangimento?
― Fora o fato da sua mãe não ter poupado saliva pra deixar claro qual nora ela preferia, a própria Julia fez questão de me dizer que você e ela foram envolvidos intimamente, no meio do interrogatório! Enfatizando o “intimamente”.
Grissom coçou a nuca imaginando a situação e se sentiu culpado, devia mesmo ter avisado.
― Poxa Gilbert, o que custava? Todo mundo tem um passado, tudo bem. Bastava só me dar um aviso.
Quando Sara terminou de bronquear, ele tratou de pedir desculpas.
― Perdão honey, eu devia mesmo ter dito quem era, mas eu esqueci completamente.- Sara suspirou. ― Apaguei Julia totalmente da minha mente, eu nem me toquei que ela estaria na festa. Desculpa mesmo.
― Tudo bem, apesar das desavenças, nos resolvemos. Ela é legal.
Grissom sorriu de lado e evitou concordar.
― Mas me conta, por que ela virou suspeita? Quem morreu?
Sara contou tudo pra ele que ficou sentido pela morte de Lambert e ficou preocupado por ela quase ter sido explodida duas vezes como disse.
― Levou pro lado pessoal, por isso achou que era ela né?- deu uma provocada com um sorriso escondido.
― Ah, fica quieto!- ela riu.
Grissom também.
― E minha mãe? Qual foi a bronca?
― Além do favoritismo que eu odiei, ela ainda disse que a culpa era minha por não saber que Julia é sua ex.
― Ué!- Grissom arqueou as sobrancelhas achando graça. ― Como assim?
― Sério, Gil, eu me segurei pra não dar uma resposta pra sua mãe naquela hora. Ela disse que se nós dois nos víssemos com mais frequência, saberíamos mais um sobre o outro.- Gil tapou o rosto com as duas mãos ao ouvir isso. ― Por que, em nome de Jesus, em doze anos de amizade, quase quatro de namoro e dois de casamento, eu ia querer saber das suas ex, Grissom??!
O ex supervisor fez aquele barulhinho com a garganta ao tentar segurar a risada, foi engraçado o jeito que ela falou, pistola.
― Depois veio falar mal do nosso casamento pela milésima vez, se colocando como exemplo. Eu sei que no tempo dela e do seu pai não era assim. Tentei explicar pra ela que o que temos funciona, que nos amamos, que somos uma família, mas perdi a paciência e disse que se ela não quisesse fazer parte disso, problema dela.
Gil arregalou os olhos e abriu a boca surpreso.
― Você disse isso?
― Disse, e deixei ela sozinha.- Grissom fez o mesmo barulhinho com a garganta. ― Não a vi até ela ir ao laboratório pedir desculpas. Acho que consegui convencê-la de que eu te amo mais que qualquer coisa no mundo. Agora está tudo bem.
Grissom sorriu com isso.
~ ♥ ~
Uma semana se passou, e nela, Sara e a equipe conheceram Glória, a ex esposa de Ray. Ela foi visitá-lo enquanto estavam investigando o caso de um pé e uma cabeça que foram encontradas em caixas de um brechó. Um homem foi asfixiado com as cinzas da esposa e depois esquartejado. Foi um caso chocante, mais ainda pela assassina ter sido uma criança.
Passando por isso, outra semana veio. Grissom ainda não tinha conseguido viajar e ao que parecia, eles não iam conseguir se ver naquele mês. Não era fácil seguir o conselho de Betty de se verem mais vezes, já que estavam em países diferentes.
Sara então se ocupava no trabalho, mas sem esquecer de ligar pra ele todo santo dia, sempre que dava uma pausa ou estava em casa. Era seu combustível, seu dia não era o mesmo se não ouvisse sua voz. Enquanto ainda estivesse funcionando e dando certo, dava pra levar.
A semana foi tensa, semelhante ao fim de setembro, muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Jason McCann voltou a aparecer e colocou uma bomba na casa de Nick que por pouco não foi morto. Langston teve um tribunal de guerra de nervos contra o serial killer Nate Haskell que no fim fugiu. Nick, Catherine, Vartann e Kip Woodman ― um cara do esquadrão anti bombas ― caíram numa armadilha de Jason e foram vítimas de uma explosão. Kip morreu, Nick e Catherine ficaram com feridas leves e Vartann foi gravemente ferido na perna. A equipe descobriu que Jason era o culpado pelas bombas no funeral, mas não conseguiram prendê-lo, pois ele acabou sendo morto ao tentar atirar em Nick.
Depois de ir até a casa de Nick jantar com ele junto com Greg, Sara foi até o hospital visitar Vartann e sorriu ao ver Catherine cuidando dele. Ele ia ficar de molho por um tempinho, mas ia ficar bem. Já Ray estava puto por Nate ter conseguido fugir. Estavam todos esgotados, mas Sara só descansou depois de ficar mais de uma hora na vídeo chamada com Grissom. O supervisor estava cada dia mais preocupado com ela e os amigos com tudo o que vinha acontecendo nos últimos meses, era perigo atrás de perigo, bomba atrás de bomba, machuca um, morre outro… Mas fez Sara prometer que tomaria todo o cuidado e que sempre o avisaria se algo tivesse acontecido com ela ou qualquer um da equipe.
A semana seguinte foi estranha, pois a equipe investigou dois caras mortos que não estavam mortos. Confuso? Dois cadáveres que estavam sem pulsação, simplesmente se levantaram e saíram andando, sumiram. Um deles quase fez David ter um treco, o coitado do legista desmaiou na sala de autópsia depois que se virou e o cadáver que estava em sua mesa, morto, apareceu em pé ao seu lado. O encontraram no chão. Mitchell também viu um cadáver, checou a pulsação, chamou Sara, e quando eles voltaram, cadê? Durante o caso, Ray e Sara acharam os eventos parecidos com o filme Viagens Alucinantes, e a morena mencionou que ela assistiu o filme com sua mãe, e que a mesma havia achado terapêutico e calmante, Sara até fez uma piada com esse fato “isso diz tudo”. Falando em sua mãe, lembrou em como ela estava melhor quando foi visitá-la em São Francisco, depois dela e Gil terem aproveitado o aniversário. Ficou feliz por ela estar se esforçando pra melhorar.
O caso foi resolvido e depois todos foram pra casa descansar, e como de costume, Sara relatou tudo para Grissom que riu ao imaginar Dave desmaiando.
~ ♥ ~
E finalmente, naquele fim de semana, Gil conseguiu voltar pra casa. Sara pegou duas semanas de folga e correu pra Paris encontrar com ele. Sara levou Hank e o deixou em casa pra ir buscar Grissom no aeroporto no horário marcado.
Quando o viu desembarcando, sorriu. Finalmente ele estava em casa! Ao vê-la, Grissom andou o mais depressa possível para abraçá-la.
Sara também foi ao seu encontro e abraçou seu pescoço com força. Assim ficaram por um tempinho.
― Estava com tanta saudade.- declarou ela ainda agarrada a ele.
― Eu também, honey.- lhe deu um beijo no ombro e a apertou mais em seus braços.
Passaram-se alguns segundos e Sara desfez o abraço apenas o suficiente para olhar em seus olhos e tocar seu rosto.
― Como você está?
― Eu estou bem.- sorriu de lado. ― E você?- tocou seu rosto da mesma forma e ela sorriu.
― Bem também.
Sorriram um pro outro e trocaram um beijo curto.
Sara o ajudou com as malas e juntos foram pra casa. Ah! O ar puro de Paris! Sentiu falta. Ao chegar em casa, Gil foi recepcionado por um cão alegre e enérgico.
― O garotão!- Hank pulou em seu colo, ficou rodeando ele todo feliz. Sara sorriu.
― Ele também sentiu falta do papai.
― Também senti falta de você, filho. Vem cá.- Gil correu pro sofá, se jogou lá e Hank fez o mesmo, lambendo o rosto dele sem parar. Grissom ria se divertindo e Sara observava tudo com um sorriso no canto dos lábios. Amava a família que tinha.
― Lar, doce lar.
Sara juntou-se a eles no sofá também e depois de muita brincadeira pra matar a saudade, Hank sossegou nos pés deles enquanto Gil fazia carinho em seu pelo e nos cabelos de Sara ao mesmo tempo.
― Como foram os últimos dias?
― Foram ótimos, mas… eu tenho que falar com você sobre isso.
― Falar o que?- perguntou preocupada e se sentou. Gil fez o mesmo e ficaram frente a frente. Hank ficou quietinho.
― Meu trabalho no Peru não acabou, amor. Vim passar essas duas semanas com você, mas eu voltar pra lá.
― Quê?- foi totalmente pega de surpresa. Achou que cinco meses tinham sido suficientes.
― É, eles disseram que me pagariam um pouquinho mais se eu ficasse mais uns meses, e sabe que eu não faço isso por dinheiro né? Nem no CSI foi assim, a gente ganhava mal pra caramba.- Sara deu um sorriso triste pelo que ele disse. Realmente o salário era ruim. ― Mas estava sendo tão legal fazer parte daquilo tudo que eu aceitei préviamente o segundo convite, mas disse que falaria com você antes.- Sara nada disse. ― Você se opõe?- ele perguntou ao ver que a reação dela não foi muito positiva.
― Ah… não… Se é o que te faz feliz, por mim tudo bem.
― Mesmo?- todo carinhoso, ele colocou uma mecha de seu cabelo atrás da orelha e prosseguiu. ― Não parece estar de acordo.
― Não, é que, a saudade aperta as vezes.
― Oh abelhinha…- ele a fez encostar a cabeça de lado em seu ombro e beijou a lateral de sua testa. ― Eu também sinto muito a sua falta. Olha, eu não preciso ir de novo, eu ligo pra eles e explico tudo.
― Não Griss…- ela desfez o abraço e o ficou como estava antes. ― Eu vou ficar me sentindo culpada se você não for por minha causa. Essas expedições no Peru estão te fazendo bem e… até está dando certo do jeito que está, é só a gente continuar se vendo e não fazer igual mês passado.
― Tem certeza?
A perita, mesmo não conseguindo disfarçar um pouco a tristeza de saber que a volta do marido não era definitiva, sorriu e assentiu.
O ex supervisor viu o quanto a esposa estava se esforçando para aquilo dar certo e fazendo o possível para apoiá-lo nessa decisão de trabalhar fora do país. Era difícil, mas eles conseguiriam.
― Tudo bem.- ele sorriu com o canto dos lábios e a puxou para seu abraço. ― Ai que saudade que eu senti desse abraço.- a apertou mais e conseguiu fazer Sara rir.
― Bom, já vamos colocar essas roupas pra lavar né?! Eu faço isso enquanto você vai lá tomar um banho. Deve estar exausto.
― Obrigado.- lhe deu um beijo e subiu pro quarto.
Enquanto colocava as roupas na máquina, Sara pensava. Queria que ele voltasse pra casa, mas não podia ser hipócrita, afinal, ela também estava longe de casa. Não podia exigir que ele ficasse em Paris se ela estava em Vegas. Então resolveu deixar como estava. Como disse, tudo ia ficar bem enquanto aquele casamento à distância estivesse dando certo.
Assim que terminou, deixou a máquina lá lavando, colocou Hank no quintal e subiu pro quarto. Grissom já estava saindo do banheiro já vestido com seu short do pijama e sem camisa.
O ex supervisor se deitou enquanto sara trocava de roupa, ela já tinha se banhado antes de ir buscá-lo. Assim que colocou seu pijama também, engatinhou na cama até ficar ao lado dele.
― E aí, como é que está todo mundo lá? Já faz uns dias que não falo com nenhum deles.
― Está todo mundo bem. Estão sentindo falta de você, como sempre.
― Semana que vem eu passo no laboratório para vê-los.- a abraço e deu um beijo em sua testa. ― E a Cath e o Vartann? Ainda é só você que sabe?
A risada de Sara foi clara pra ele.
― A Cath bem que queria que só eu soubesse.
― Sério?- perguntou achando engraçada a reação dela.
― Nem te contei. Hodges escutou uma conversa deles.
― Putz!- Grissom levou as mãos ao rosto e logo em seguida tirou. ― Ferrou! O laboratório inteiro sabe agora, né?
― É.- Sara riu. ― Tadinha.
― Ecklie não falou nada?
― Olha, que eu saiba, não. Mas ele não tem que falar nada. Primeiro que Vartann nem é CSI, é detetive, já começa por aí. Segundo que nós dois já fizemos essa regra sair do papel né, Griss.
― É mesmo?- sorriu.
― Claro. Duas pessoas se amam e não podem ficar juntas só porque são da mesma equipe? Ah, pelo amor de Deus! Mostramos que essa regra é ridícula.
Grissom deu risada.
― Você é maravilhosa, sabia?
Sara sorriu e lhe deu um beijo que foi correspondido com volúpia.
Beijo vai, beijo vem, as coisas foram esquentando e Sara logo subiu no colo dele.
― Apressadinha.- ele brincou, com seus rostos ainda colados.
Sara sorriu.
― Temos que manter nossa vida sexual saudável, não viu sua mãe dizer?!
Grissom também sorriu, maliciosamente, e tirou a roupa dela. A saudade era grande e eles ficaram na cama o resto do dia.
~ ♥ ~
Passaram uma semana mágica em Paris, como antigamente, e na seguinte foram pra Las Vegas, pois além de irem ver a casa que ainda queriam comprar ― independente de Gil continuar no Peru ou não ―, ainda tinha o jantar com Betty que Grissom prometeu quando voltasse.
Com Hank na coleira, eles passaram por várias casas e vários bairros, incluindo o de Nick e o de Catherine. Optaram por morar perto de Nick, umas duas/três ruas de distância, pois acharam o bairro mais tranquilo, sem muito movimento de carros, e mais barato também. Acharam a casa perfeita ali. Móveis mais rústicos, assim como o apartamento de Grissom, um bom espaço, sala grande, três quartos, escritório, lavanderia, quintal nos fundos, garagem, tinha até academia dentro da casa! Mas o que conquistou Sara foi a entrada, quase toda de vidro imitando uma estufa.
A morena se apaixonou. Gil, por ser biólogo, também. Então já disseram que estavam interessados e que só precisavam vender o apartamento antes de dar entrada na casa.
― Estou ansiosa.- revelou Sara assim que saíram do carro ao estacionarem em casa.
― Deu pra ver assim que entramos na casa e eu vi seus olhinhos brilhando.- Grissom sorriu e tirou Hank do banco de trás.
― A gente podia ir ver a Abby, né? Não temos nada pra fazer até a noite. Lembrou sua mãe que o jantar é as oito?
― Lembrei sim, mandei uma mensagem pra ela. E boa ideia, estou morrendo de saudade da Abby.
Voltaram Hank pro banco de trás do carro e se dirigiram até o lar adotivo de Martha.
Quando viu Grissom, Abby abriu um lindo sorriso, correu e pulou no colo dele abraçando seu pescoço.
― Oi princesa! Tudo bem?
― Tudo.- ela respondeu sorrindo e desceu do colo dele pra ir abraçar Sara onde se demorou mais. Depois, ela cumprimentou Hank que não parava de pular em suas pernas com ciúme dos donos.
Sara a encheu de beijos e como já tinha ligado para Martha pedindo permissão dela ― que deixou sem pensar duas vezes já que Abby amava passar um tempo com eles ―, propôs de irem passear juntos.
― Que tal irmos tomar sorvete?
― Obaa! Eu quero!
― Dona Martha deixou e Sara prometeu que não íamos demorar.- comentou Grissom. ― A sorveteria é perto daqui, podemos ir andando.
― Vamos lá?- a morena chamou empolgada recebendo a mesma resposta empolgada de Abby. ― Vem, sobe nas minhas costas.
― Honey, tem certeza?- Gil brincou fazendo Abby dar risada.
― Fica quieto, Gil, Abby não está tão pesada assim.- se inclinou um pouco e Abby pulou em suas costas agarrando seu pescoço. Sara a segurou pelas pernas e a ajeitou. ― Pronto, olha aí. Mas vamos logo porque pode ser que eu não consiga chegar na sorveteria.
Sara fez todos rirem e Martha se despediu brevemente deles. Gil conduziu Hank na coleira enquanto Sara levava a pequena nas costas.
O passeio foi muito divertido e proveitoso. O dia inteiro foi muito produtivo em geral pro casal, viram a casa, passearam com o cachorro, tomaram sorvete com Abby e fecharam a noite jantando com Betty.
Por falar nela, quando a senhora Grissom chegou ao restaurante no horário marcado, seu filho e sua nora já esperavam por ela na mesa. Acenaram quando a viram e acenando de volta Betty foi até eles com um enorme sorriso.
― Prazer em vê-la novamente, Betty.
― O prazer é meu, querida. Vocês estão ótimos.
― A senhora também.- os dois responderam e sorriram.
Os três se acomodaram, Gil e Sara lado a lado, e Betty na frente deles.
― Como vocês estão?
O papo começou assim, como eles estavam, o que andavam fazendo, como tinha sido no Peru, esse tipo de coisa pra irem se inteirando e passando o tempo enquanto a comida não chegava. Comeram quase que silenciosamente, pois não dava pra comer e falar ao mesmo tempo, mas logo depois que estavam satisfeitos, a conversa séria veio, lá pra quase no final do jantar.
― Mãe, eu sei que você e Sara já se entenderam, inclusive eu estou amando o entrosamento de vocês hoje. Estou muito feliz que estejam se dando bem de fato. Sei que já está tudo bem entre vocês, mas eu preciso te dar aquela leve bronca sobre a semana que Lambert morreu.
― Gil…- Sara tentou dizer que não era boa ideia, pois o clima estava agradável demais pra ficar voltando naquilo, mas Gil achou necessário.
― Tudo bem, honey…- sorriu pra ela e voltou a olhar pra mãe.
A bronca de fato foi leve, pois sua mãe já tinha pedido desculpas por tudo o que fez e elas estavam bem, mas fez questão de deixar claro que Julia era passado e que ele e Sara eram muito felizes juntos, mesmo com aquele casamento não convencional como ela estava acostumada. Também deixou claro que eles se conheciam há muito tempo e que Sara o conhecia talvez mais do que ele mesmo, jogando pro ralo aquele argumento que a senhora usou sobre eles se verem pouco e por isso não saberem “nada” um sobre o outro.
Betty, que já estava convencida de que o filho havia achado o amor verdadeiro e que as diferenças não eram um problema, como o fato de Sara ser bem mais nova, teve mais certeza ainda de que não importava se estavam longe ou perto, se os outros aprovavam ou não aquele casamento à distância, eles se amavam e passavam por qualquer coisa juntos. Apesar da bronca merecida do filho, o jantar agradável não foi afetado e terminou até num clima melhor do que começou.
~ ♥ ~
A semana seguinte veio, Gil voltou para o Peru e Sara continuou em Las Vegas com os amigos.
E lá estavam eles, no último dia de março, mais um turno se iniciava e com ele muita competitividade.
― O ciclo!- disse Nick ao perceber o que estava prestes a acontecer. ― Eu acabei de investigar um homicídio, eu acho que o Ray fechou um acidente há uma hora.
― E eu registrei o suicídio.- completou Greg.
― Tá aí! Suicídio, acidente, homicídio… Senhores, pra nós aqui do turno da tumba, só falta uma morte natural pra fechar o ciclo.
― Ah, não acredito. Você falou!- reclamou Henry.
― Qual o problema?- Nick riu.
― Se o jogo do cara está perfeito, não se diz que o jogo está perfeito! Sabe quanto tempo esse turno não fecha o ciclo?
Hodges chegou do nada.
― 4 anos, 7 meses, 13 dias, 2 horas e 10 minutos. Henry, somos homens da ciência, não da superstição. Olha aqui, meus companheiros, nós vamos fechar esse ciclo, eu tenho certeza. Eu tenho tanta certeza que eu proponho um pouco de ação.- Nick e Greg sorriram pra ele e ergueram as sobrancelhas animados. ― Uma aposta pra ver qual CSI trás a morte natural.
E assim começou, Hodges apostou em Nick, pra puxar saco como sempre, o laboratório inteiro estava apostando. Sara não gostava muito disso, mas apostou mesmo assim, porém sua aposta foi em ninguém. Ela e Catherine apostaram que não iam fechar o ciclo. A rivalidade maior era entre Greg e Nick, foram poucas as pessoas que apostaram nela, em Catherine ou Ray, que não estava apostando. Na autópsia, Greg toda hora perguntava se tal coisa poderia ser natural fazendo Sara pedir pra ele dar um tempo, pois estava irritando. Conheceram Kevin também, o novo assistente de Robbins transferido de Los Angeles, um porre!
Aquela morte acabou sendo acidente, mas foram chamados pra mais um caso, o que aumentou as chances de Greg. Um gamer foi morto, ele estava de fralda e era imenso. David chegou um pouco atrasado e infelizmente teve que levar Kevin. Ao perguntar se os dois CSI’s já tinham conhecido ele, Sara foi irônica e disse:
― Já, já tivemos esse prazer.- e sorriu.
Kevin não pegou a ironia e sorriu pra Sara como se tivesse dando mole pra ela. O sorriso de Sara sumiu na hora.
O novo assistente era assanhadinho, mas baixou a bolinha quando soube que ela é casada. Inclusive, Gil ligou pra ela quando ainda estava na cena, e Sara contou sobre o que estava rolando naquele turno e como Nick e Greg estavam disputando. Gil achava uma bobeira apostar pra fecharem o ciclo, mas estavam em Vegas, e era sempre emocionante quando pegavam um caso atrás do outro procurando uma morte pra fechá-lo, e geralmente era sempre a morte natural que ficava sobrando.
― Eu imagino a competitividade que deve estar por aí.
― Pois é, só se fala nesse ciclo agora.
― Não é pra menos, já deve fazer uns anos que não fecham. Em quem apostou?
― Acho que Warrick que fechou da última vez. E eu não apostei em ninguém. Já tem quatro anos que o ciclo não é fechado, Cath e eu resolvemos apostar que não fecharemos dessa vez também.
― Espertas.
Sara sorriu e Gil desejou boa sorte. Pediu pra ela ligar assim que tivesse um tempo.
Um tempo depois de ter voltado ao laboratório, Sara foi surpreendida por um buquê de flores. è, dava pra ver que alguém tinha apostado nela também. Ficou surpresa e agradeceu o presente. Era certo que o cara não teria essa coragem toda se Grissom ainda trabalhasse ali, mesmo sem ter interesse nenhum.
― Recebi flores de um dos caras do turno do dia.- Sara comentou com Greg assim que entrou na sala de evidências onde ele estava.
― Ele sabe que você é casada?
― Sabe. Estava me desejando sorte no ciclo.
“Ah, o Grissom vai ficar sabendo disso!” pensou Greg já querendo ver a cara dela.
O tempo passou, o turno estava quase no fim e Catherine e Sara estavam prestes a dividirem quase 4 mil dólares. Inacreditável que em um turno tivesse 5 homicídios, 2 suicídios, 3 acidentes e nenhuma morte natural. Maass… não tinha acabado ainda. Ao ir chamar Kevin pra finalizar os trabalhos, não conseguiu acordá-lo. Robbins checou a causa e foi aneurisma. Pimba! Uma morte natural nos 45 do segundo tempo. E como David achou o corpo, Robbins ganhou, pois tinha apostado nele.
― Não acredito! Nós fechamos o ciclo?- Sara perguntou chocada assim que Henry deu a notícia que o legista foi buscar o dinheiro que ganhou.
― Que droga!- exclamou Catherine. ― Perdemos essa, Sara.
― Eu sei quem está mais chateado.- Sara riu ao olhar pra Nick e Hodges que chegaram na sala de descanso decepcionados.
Catherine também riu.
― Grissom vai gostar de saber disso.
― Vou ligar pra ele.- Catherine abriu seu notebook e fez a chamada para o amigo. Não demorou pra ele atender. ― Oii!!
― OLá supervisora! O turno já acabou?
― Já, veterano, estamos prontos pra ir pra casa.- Sara correu pro lado dela pra ver o marido.
― Oie!!
― Oi linda! Já ia perguntar de você.- Sara abriu um lindo sorriso. ― E o ciclo? Fecharam?
― Fechamos. Perdi 100 dólares.
― E eu 200.- a ruiva completou. ― A lógica não foi boa dessa vez. Al ganhou.
― Aposto que Nick, Greg e Hodges estão radiantes.
Sara, Catherine e Henry riram, já Nick e Hodges nem tanto.
― Muito engraçado.- disse o texano. ― Geral está decepcionado comigo.
― Eu incluso.- disse Hodges fazendo Grissom rir.
― O que está rolando?- Greg perguntou ao chegar na sala de descanso e ver o alvoroço.
― Estamos falando com o Grissom.- respondeu a ruiva.
― Ah! Gil! Sabia que a Sara foi paquerada hoje?
― Greg! Não fui nada!- Sara bronqueou.
― Que interessante. Me conta essa história direito, Greg.
― Ai, eu mereço!- disse a morena massageando a têmpora. Catherine deu risada.
― Um dos caras do turno do dia deu flores pra Sara, eu fiquei sabendo.- comentou Hodges.
― Claro que ficou.- disse Grissom.
Sara riu disso.
― Flores, é? Não te conhece.- Sara riu de novo tapando o rosto. ― Se ele desse uma planta, eu ficaria puto.
― Ah claro, ficaria sim.- ironizou. ― Deixa de ciúme, foi só um “boa sorte no ciclo”.
― Ah, ele não sabe desejar boa sorte sem dar presentinho, né?
― Meu Deus, Gilbert!
Todos caíram na risada. Catherine estava quase chorando.
― Pessoal, é óbvio que eu estou exagerando, não sou ciumento assim. Ninguém supera a Sara.
― Olha só!- Sara se defendeu também rindo. ― Não vem querer reverter a situação. Vamos mudar de assunto.
Geral dando risada com o casal e assim ficaram, nesse clima divertido, por umas meia hora antes de irem pra casa descansar.
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