Love Story
7 I'm a mess
Notas iniciais
Ooh I'm a mess right now inside out searching for
a sweet surrender but this is not the end
I can't work it out, how?
Going through the motions
Going through us
Oh eu estou uma bagunça agora, dentro e fora em busca de
uma doce rendição mas este não é o fim
Eu não posso resolver isso, como?
Pensando nos sentimentos
Pensando em nós
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P.O.V Calypso
Estava deitada na minha cama, olhando para o teto e pensando na vida. E como ela estava boa. Eu estava no país que sempre quis morar, estava aprimorando meu inglês, tinha me reconciliado com a minha host Family, as minhas amizades estavam cada vez mais fortes e...
Tinha o Leo...
O Leo...
A coisa mais doida, estranha, problemática e maravilhosa que aconteceu na minha vida...
Claro, no começo foi muito estranho. Depois do nosso segundo beijo, aquele lá na casa de Thalia, tudo foi muito estranho...
FLASHBACK ON
Nos separamos contra a nossa vontade, mas dessa vez nós permanecemos bem perto, com os corações batendo em sincronia.
De repente, eu pensei: Meus deuses e agora? O que ele vai pensar de mim, será que ele gostou... espera... eu acabei de admitir que estava apaixonada por ele! E nós nos beijamos depois, e de novo! Mas e agora, eu era o quê dele? O que nós íamos falar um para o outro? Eu não sei onde enfiar a cara de tanta vergonha. Ameacei falar alguma coisa, mas ele foi mais rápido, colocou o dedo nos meus lábios, em sinal de silêncio. Ele não queria que palavras estragassem aquele momento. Eu também não queria palavras. Palavras eram tão vazias, nada poderia explicar aquilo. Aquele calor gostoso, aquela sensação de que só havia nós dois no mundo, o resto não importava. Eu me sentia tão bem...
Comecei a me lembrar de todos os meus amores frustrados e não correspondidos. Sempre que eu me declarava, o menino não queria ficar comigo. Sempre preferia outra. Sempre falava que não daria certo. Eu era sempre rejeitada. Meu coração doía. Eu chorava. Nunca achei que alguém fosse gostar de mim. Mas agora era diferente. Eu fui correspondida. Existe outra pessoa que se importa comigo. Outra pessoa que estará sempre lá. Me ajudando, me apoiando. Me amando. Sem nem mesmo perceber, comecei a chorar.
–Calma, não chore. – disse ele com voz doce e preocupada – Por que você está chorando? Você não gostou, eu fiz algo errado?
–Não. – respondi com firmeza – Você fez tudo certo.
E por uma terceira vez, nossos lábios encontraram o caminho um do outro. Depois disso, saí correndo.
Não sei bem o porquê disso. Simplesmente não conseguia mais ficar ali. Corri pelas ruas, e chorava. Chorava de alegria, confusão e por outro motivo que não sei bem ao certo o que é.
Cheguei na porta de casa, mas antes de bater, parei e pensei: “o que é que eu acabei de fazer?! Consigo tudo o que mais desejo, tenho o garoto dos meus sonhos nas minhas mãos, e simplesmente saí correndo. O que eu tenho na cabeça?!?”.
Eu nunca pensei que ia ser desse jeito. Quando me imaginava encarando o garoto perfeito, pensei que ia contar a história da minha vida, nos beijar (é claro) e fazer coisas de casalzinho, mas não, eu saio correndo que nem uma retardada mental. Que idiota.
Bom, sábado e domingo eu sumi do planeta, fiquei só em casa, com minha host Family. Acabei me aproximando mais deles, eles eram tão legais! Faziam de tudo para me agradar, me senti uma princesa! Não sei como eu não me importava com eles antes. Acho que eu sou uma tola. Tudo o que é bom eu consigo estragar.
Na segunda feira, tentei evitar o Leo o máximo que pude. Eu não conseguia olhar pra ele sem pensar na besteira que fiz pra ele. Mas ao mesmo tempo, eu queria tanto falar com ele, para esclarecer o que aconteceu. No começo, a gente tentava falar um com o outro, mas nós dois sempre ficávamos corados e confusos, e aquilo era muito estranho. Até que eu decidi que era mais fácil evita-lo.
E por muitos dias ele tentou falar comigo de todas as formas, mas eu não dava abertura nenhuma, simplesmente não conseguia. Até o dia em que ele parou de tentar. Até o dia em que ele cansou de tentar. Até o dia que ele desistiu. Desistiu de mim. E eu fiz isso de novo, afastei pessoas. Mesmo antes de eu nascer eu consegui afastar o meu pai e a minha mãe, agora estou afastando o garoto que eu amo. Eu sou um desastre.
Aí eu percebi que não podia viver sem ele. Sem ver seus olhos, e cada vez que eu o encarava e ele me ignorava, revirava os olhos e me desprezava, eu morria por dentro. Não aguentava mais.
Na saída, eu puxei-o pelo braço e disse:
– Ei, você não pode me ignorar pelo resto da sua vida.
– Você também não devia.
Senti uma facada no peito.
– Desculpa Leo, eu estava com medo e...
–Você acha que eu também não estava? Olha, você é a primeira garota que me admite do jeito que sou, e que realmente gostava de mim. Que não me deu um fora e se preocupa comigo. Pelo o menos, eu achava. E você não vai me fazer de bobo, como todas as outras fizeram.
Com isso ele saiu. Gente isso tá parecendo um daqueles filmes bem clichês, que a gente assiste a pensa: que idiotas! Se perdoem logo e pronto! Que história mais chata e óbvia.
Bom, sinto em lhe dizer mais na vida real, não é nada disso. Parece bobo, mas quando você está realmente envolvido e ainda não entende seus sentimentos, o problema é bem sério.
Corri atrás do Leo, pensando em palavras boas para lhe convencer da minha atitude, mas nada vinha na minha mente, então falei a primeira coisa que pensei.
– Leo! – ele virou para mim – Você também é o meu primeiro.
– Seu primeiro o quê? – ele responde com voz de tédio, mas com um pouco de curiosidade.
– O primeiro garoto que me admite do jeito que eu sou, e que realmente gosta de mim. Que não me deu um fora e se preocupa comigo.
Ele ficou me encarando por um tempo, depois disse:
– 19h, no parque. Te vejo lá.
Isso era bom. Mais do que bom, é fantástico. Agora terei uma chance com ele, de conversarmos e resolvermos o que está acontecendo.
17h
Não sei com que roupa ir!
17:35
Vai ter que ser com essa
17:48
pensando bem, acho que vestido não...
18h
Melhor eu me arrumar primeiro, depois eu escolho a roupa. Fazer uma maquiagem bem suave e discreta, que combina com tudo, cabelos levemente bagunçados, bem eu.
18:30
Vai com essa mesmo. Afinal de contas, é o Leo. Ele não vai se importar do jeito que eu estou vestida. Eu acho.
18:43
Estou pronta. agora só falta andar até o parque que é bem perto de casa. Avisei Alison (minha mãe americana) que ia sair e voltava antes das 22h.
Cheguei ao parque e já sabia onde ele estaria. Andei até a ponte que dava vista à um laguinho. Ele estava sentado em cima das grades, observando o sol se pôr. Sentei-me do seu lado, sem dizer palavra alguma. Mais uma vez, o silêncio falava por nós.
Fiquei olhando aquela grandiosidade. As cores do céu, o reflexo do sol na água, o clima perfeito. O lugar perfeito. A hora perfeita. O casal perfeito. Era tanta perfeição que eu duvidava que era real. Era tanta magia no ar, como uma aquarela que acabou de ser pintada, e os tons criam uma atmosfera de calor e beleza.
– Caly, — ele disse – aconteceram muitas coisas esses dias.
Concordei levemente com a cabeça, para não atrapalhar sua fala.
– Nosso primeiro beijo foi... uau... – ele suspirou, ainda sem olhar pra mim – a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Mas aí, você saiu correndo. Na segunda-feira, você me evitou, assim como em todos os outros dias. Isso quebrava meu coração. Cada pedacinho dele. E eu via os pedaços jogados no chão, e a cada dia você os espalhava mais. Até o dia em que eu cansei de tentar juntar os pedaços, mais aí você aparece de novo, com olhar de cachorrinho e segurando todos os caquinhos de vidro. Então eu fiquei confuso. Eu estou confuso. Ninguém nunca mexeu tanto comigo, do jeito que você mexeu. Como disse o Ed Sheeran: “Eu não posso resolver isso. Como poderia?” concordo com ele. Sabe, eu estou apaixonado por você. E isso eu não posso controlar.
Lágrimas já se formavam em meus olhos. Então ele sentia o mesmo. Eu não aguentava mais aquilo. Precisava dele.
Ele olhava fundo nos meus olhos, assim como eu nos dele. Eu fui me aproximando devagar, e ele também. E quando nossos lábios se colaram, o mundo pareceu mais colorido, e eu senti que tudo estava bem, que tudo ia ficar bem. Eu podia sentir o amor dele por mim. Eu demonstrava meu amor por ele. A terra e o céu pareciam um só. O infinito parecia tão próximo. O impossível era inexistente. A única coisa que existia era eu e ele. Nós dois. Bem ali. Naquele momento. Naquele lugar. Naquele beijo...
Quando nos separamos, senti que faltava uma parte de mim. Então ele sorriu e me abraçou. O sol já havia quase desaparecido, deixando apenas um tom alaranjado no ar, e aquela cena era linda.
– Leo – eu disse, com a maior certeza – eu prometo nunca te deixar, eu prometo me apaixonar cada dia mais por você, eu prometo ser só sua. Você promete que será meu?
– Só seu – ele respondeu antes de me beija novamente.
Se era um pouco cedo para falar isso? Era.
Estranho? Só para quem nunca teve essa sensação.
Mas eu estava ligando? Não mesmo.
Afinal, o que a gente não faz por amor?
O amor.
Um sentimento que, até mês passado, eu achava que conhecia. Mas na verdade, eu não fazia a menor ideia do que é.
FLASHBACK OFF
Dali pra cá, eu e Leo começamos a sair. E muito. Fazíamos tudo juntos, lição de casa, trabalhos, almoço, janta, passeios, sorvete e muito mais, e nunca nos cansávamos.
Parecia perfeito. Era mais que perfeito: Era espetacular, maravilhoso, completamente inacreditável, gostoso, e muitas coisas que não tinha como descrever.
Ouço o barulho do meu celular. Era uma mensagem, do Leo. Ele estava avisando que estava chegando na minha casa para me buscar. Respondi que já estava descendo.
Peguei minha bolsa, desci as escadas e me despedi de Allison (minha mãe de NY). Abri a porta antes que ele tocasse a campainha. O abracei e despejei um selinho em seus lábios.
– Vamos? – perguntei.
– Claro apressadinha.
E assim nós caminhamos pelo parque, de mãos dadas, conversando sobre coisas banais, mas que faziam um clima muito bom.
E continuamos andando, sem um destino certo, só sentindo a companhia um do outro.
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