Love Story
8 Photograph
Notas iniciais
P.O.V Calypso
Caminhávamos pelo parque de mãos dadas. Leo estava falando sobre algo que eu sinceramente não prestava muita atenção. Eu estava olhando fixamente para nossas mãos. Os dedos entrelaçados, assim como deve ser. Eu não estava acreditando, mas finalmente aconteceu. Eu estava tendo um romance de contos de fada. Meus deuses, como aquilo era bom. Era bom ter uma alma em que você confiava para tudo, melhor ainda ter alguém que te confia tudo. Eu pensava constantemente no meu passado. Como eu pensei que já tinha amado, as na verdade, eu nunca tinha amado. Como diz uma frase que eu gosto muito, se o amor acaba, quer dizer que ele nunca existiu. Então, o que eu tinha sentido pelo Percy, pelo Ulisses, e por todos os garotos da Grécia (mas só os que sentaram na minha frente), tudo isso não passava de uma simples paixão, ou apenas gostei de alguns. Isso me fez pensar em algo: tenho que tomar mais cuidado com as minhas palavras. Eu falei a frase: “Eu te amo” para muitos meninos, mesmo sem amar de verdade. Se eu pudesse voltar no tempo, não teria dito nada para ninguém. Teria feito o intercambio antes para conhecer o Leo antes. Ou melhor, teria convencido o meu pai a aceitar uma proposta de emprego que ele recebeu aqui em NY quando eu tinha cinco anos. Aí eu teria conhecido o Leo na pré-escola. Teríamos sido amigos, e com o tempo o amor vinha.
Sentamos na grama para ver o pôr-do-sol. Apoiei minha cabeça em seus ombros e voltei para meus pensamentos.
Mas talvez, se nós tivéssemos sido amigos, não tivéssemos nos apaixonado. Quer saber? Vou parar de reclamar. Assim está bom. Está ótimo, na verdade. Não mudaria nada. Minha vida está perfeita. Exceto por...
Nesse momento eu comecei a chorar. Uma coisa forte bateu dentro do meu peito. Isso se chama saudade. Saudade de casa. Da minha família. Foi a primeira vez na vida que senti falta do meu pai. Quando eu era pequena, nós dois costumávamos ir ao parque e ver o sol se por. Como era bom aquele tempo, em que tudo era tão simples. Mas eu nunca dei valor. Nunca liguei para o pouco tempo que passava com ele (cinco horas por mês para ser mais exata). E a minha mãe. Como eu sentia falta dela. Eu a vi pouquíssimas vezes na minha vida. Mas ela sempre que aparecia, demonstrava muito amor. Ela era ocupada demais com o emprego dela, que na verdade não sei qual é. Ela tentou me ver mais vezes, mas eu não quis. Hoje eu me arrependo. Me arrependo de não ter dado valor à família. O nosso tesouro mais precioso. Naquele momento eu estava chorando tudo o que não chorei a minha vida inteira.
–O que aconteceu? Não chora! – ele disse em uma voz acolhedora, me abraçando para mais junto a si – Vai ficar tudo bem. Eu estou aqui com você.
Nesse momento, ele fez algo que me surpreendeu. Começou a cantar baixinho uma música, tão linda no meu ouvido:
Loving can hurts
Loving can hurt sometimes
But it's the only thing that I know
And when it gets hard
You know it can get hard sometimes
It is the only thing that makes us feel alive
Amar pode doer
Amar pode doer às vezes
Mas é a única coisa que eu sei
Quando fica difícil
Você sabe que pode ficar difícil às vezes
É a única coisa que nos mantém vivos
Então nós começamos a cantar juntos.
We keep this love in a photograph
We made these memories for ourselves
Where our eyes are never closing
Hearts were never broken
And time's forever frozen still
So you can keep me inside the pocket
Of your ripped jeans
Holding me close until our eyes meet
You won't ever be alone
Wait for me to come home
Nós mantemos este amor numa fotografia
Nós fizemos estas memórias para nós mesmos
Onde nossos olhos nunca fecham
Nossos corações nunca estiveram partidos
E o tempo está congelado para sempre
Então você pode me guardar no bolso
Do seu jeans rasgado
Me abraçando perto até nossos olhos se encontrarem
Você nunca estará sozinha
Espere por minha volta para casa
Então ele me beijou. Depois, levantamos e fomos para a minha casa daqui. Nos despedimos, ele fez uma carícia no meu rosto e eu entrei. Disse que à noite mandava uma mensagem para ele.
Quando eu entrei no quarto, fui direto colocar meu celular pra carregar, queria falar com meu pai. Precisava falar com ele. Apesar de tudo, ele era meu pai.
Depois que o celular finalmente ligou, fiquei impressionada com o número de chamadas não atendidas. As três primeiras eram de Thalia, duas de Annie, uma de um número desconhecido e umas vinte do meu pai. Do meu pai! Mas por quê ele ligou para mim só hoje? E o que deve ser tão importante? Vou retornar agora mesmo.
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Secretária- Escritório do Sr. Atlas. No momento ele está ocupado, mas eu posso anotar o recado.
Caly- Oi Molly. Tudo bem, eu ligo depois. Deixa, foi besteira.
Secretária – Calypso! Seu pai tentou te contatar a tarde inteira. Ele disse que se você ligasse era para falar imediatamente com ele. Acredita que ele falou para eu dizer para todos que ligassem que ele estava ocupado? Acho que você deve dar umas liçõeszinhas para ele. Vou passar a ligação agora.
Atlas- Alô?
Caly- Oi pai...
Atlas- Filha ainda bem que você ligou. Pra que eu te compro um celular se você não me atende quando preciso?!
Caly- Tava sem bateria. Mas para que você me ligou?
Atlas- Filha. Sua mãe está morta.
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