Love Playing

14 CAPÍTULO 14- SOMBRIO


Notas iniciais
1- Oi pessoal... Então, como eu disse no post anterior, estou em provas e todo aquele esquema de escola que vocês sabem ou seja, provavelmente esse é o único post da semana.
2- Fiquei feliz com os comentários super positivos de vocês, sério, lindos demais.. Senti falta de algumas pessoas e fiquei feliz porque chegou gente nova ( Sweet bem vinda).
3- Sei que alguns vão achar que peguei pesado no pai do Gerard e no comportamento dele mas acreditem, existem e muito. E sério, esse capítulo... Nó no coração.
4- Acho que esse capítulo vai ser meio tediante pra vocês porque estão esperando o '' reencontro'' de G e F mas no próximo vocês conferem !
5- Espero que mesmo assim vocês gostem, ele é até curtinho...

'' Mas tudo tem seu lado sombrio, tem seu ponto extremo e sua outra face, a escuridão que nos possui e nos toma o ar , consumindo-se dentro de nós mesmos e nos tornando prisioneiro dela.''


Aquela noite tinha sido surreal, tanto que o medo que ela escorresse por meus dedos era grande e eu suspirava no sofá relembrando, já eram quase quatro horas da tarde e mais tarde eu sairia com Frank ou pelo menos assim eu pretendia. Estava esparramado no sofá e eu tinha dormido e acordado com a mesma roupa,o perfume do pequeno Iero estava infiltrando em minha blusa em uma mistura com o meu, era tão bom sentir aquela fragância, ás vezes me dava conta de quão patético eu estava pensando nele dessa forma contudo era difícil se controlar, além do mais, alguém tinha que saber daquilo e no momento não tinha ninguém com que eu pudesse compartilhar, só pioraria as coisas se eu o fizesse. Ouvi a porta da sala abrindo e uma figura muito familiar surgindo, meu pai de cabelos um pouco grisalhos e mantia a expressão séria e sem nenhum pingo de humor na face, se movimentou até mim e parou em frente á tv.

– Dá pra sair de frente da TV? — Resmunguei carrancudo.

– Gerard Arthur Way. — Disse pausadamente.

– Olha, parabéns, você sabe meu nome , já pode até fingir ser meu pai.

Ele desligou a televisão e seus olhos pareciam saltar de exaltação.

– Eu não estou brincando. Eu e sua mãe estamos cansados de aturar seus desaforos,você pensa que fará o que quer da vida, até quando? — Ele riu balançando a cabeça negativamente.- Você fala tanto de liberdade mas é apenas uma criança, Gerard. Apenas uma criança mimada que pensa saber o que é sustentar uma família.

Aquelas palavras fizeram meu sangue ferver e meu rosto aquecer, eu queria explodir em xingamentos, eu queria... Eu queria revidar todas aquelas palavras hipócritas.

– E você se acha muito mais esperto só por ter essa maldita empresa.Já disse que quero que você se dane, junto com ela. — Disse sem conseguir segurar minha raiva enquanto minha perna tremia descontroladamente.

– E você se acha superior ,pelo o quê ? Por aqueles desenhos? Ah , Gerard... Você é tão inescrupuloso, seu futuro será ser um grande merda se continuar assim, você tem tudo, uma empresa que estará em suas mãos e você dá as costas para isso !

– Eu não tenho empresa nenhuma. Quem tem essa empresa é você , eu nunca pedi por isso, quer saber, eu nunca pedi por nada disso. — Respirei fundo e tentei canalizar alguma força para não falar mais do que devia.

– Mas ela será sua e de seu irmão ! Você é o irmão mais velho, você deveria assumir, você deveria ter purso firme, você é tão... Fraco. Ontem eu e sua mãe pedimos para que participasse da reunião e você nos desobedeceu, você está sempre fazendo isso e ignoramos mas desta vez não. Já chega.

Fiquei o encarando por um bom momento e depois comecei a rir e revirar os olhos.

– Você escuta o que diz? Eu sou o fraco e você quem está me obrigando a entrar na maldita empresa. E quer saber mais o quê? Desista. — Ri ainda mais e me levantei. Eu já disse e repito que não me importo, quero que todo esse seu mundinho se exploda, tá legal?

Sua expressão pareceu ficar ainda mais séria, ele bufou e me encarou, depois subiu as escadas e eu fui atrás correndo, ele adentrou meu quarto escancarando a porta brutamente e procurando pela minha pasta de desenhos, ele a achou e eu cheguei a porta, ficando apoiado nela.

– Não se atreva ! Não, não , não! — Disse ofegante.

– É esse o seu problema, você nunca aprende. — Abriu minha pasta e retirou um desenho de lá e o observou.- Está vendo isso aqui? Isso aqui, não é nada Gerard, é somente desenhos de um garotinho revoltado que não tem valor algum pra ninguém, como você espera se sustentar com isso? — Ele rasgou o desenho na minha frente e parecia estar rancando minha pele fora junto, fique pasmo.

– Você não tinha esse direito ! Tire as mãos dos meus desenhos,agora! — Disse o fuzilando com os olhos e as mãos tremendo, os olhos lacrimejando mas se recusando á ceder.

Ele então começou a arrancar as folhas da pasta e rasgar todas, eu queria o impedir, avançar nele e o fazer parar mas algo me continha, eu não conseguia. Passou entre a porta parando e me fitando.

– Daqui por diante, as coisas serão diferentes. Eu espero que você entenda bem que já chega das suas birras e das suas contradições.Estou voltando pro trabalho e quando eu precisar de você, para o seu bem é melhor que faça. — Sorriu e saiu andando lentamente.

Fechei minha mão em punho e imaginava esmagar sua cabeça ali, corri para o quarto e fui pegar os restos dos desenhos, papéis picotados, amassados, as lágrimas caíram uma seguida da outra, sem cessar um segundo se quer, eu estava com raiva e estava triste,eu simplesmente não conseguia encarar aquela situação, ver todo o meu sentimento, toda a minha dedicação, todo o meu esforço jogado no lixo.

Meu corpo não parava de tremer e eu procurei por algum cigarro em qualquer gaveta do meu quarto, demorei mas achei, eu não era viciado em cigarros mas eu gostava do alívio que ele me dava quando eu estava em uma situação como essa, o acendi com a mão trêmula e o levei á boca, inalando sua fumaça e seu tabaco forte, depois deixando que a fumaça saísse por minha boca e então era tudo uma fundição, as lágrimas, a fumaça do cigarro , os papéis jogados no chão ou o que restara dele. Eu sabia que eu tinha a escolha de ceder mas aquilo era muito mais do que sobre meus princípios, aquilo era sobre... Eles simplesmente venceriam e tentariam me trazer pra aquele mundo sujo e idiota, eu teria que suportar todas aquelas reuniões insuportáveis com pessoas mais insuportáveis ainda e eu teria que ser outra pessoa, isso custaria tanto.

Mikey provavelmente me aconselharia a ceder, a tentar e depois me abraçaria como quase sempre acontecia e dessa vez eu teria que tomar uma decisão definitiva, ceder ou continuar firme e bem, aguentar todas as consequências. Minha cabeça girava e a dor parecia não caber dentro de meu peito, deitei na cama e deixei que as lágrimas continuassem a rolar.

Doroti adentrou o quarto e se sentou na minha cama, seu rosto parecia preocupado e ao mesmo tempo com dó.

– Ah querido, ele foi muito duro com você, não?

Eu suspirei, sentindo meu rosto molhado e marcado pelas lágrimas,soltei um pouco de ar e a fitei.

– Nada muito pior do que ele é.

– Oh meu anjo, ele rasgou seus desenhos? — Ela disse observando o chão e comentando caridosa.- Eles eram tão incríveis.

– Tão incríveis que tiveram esse incrível fim. — Ri sarcástico.

– Sinto muito , querido. Mas não seria melhor, daqui por diante, pegar um pouco mais leve? As coisas podem melhorar assim...

– O melhor seria que ele sumisse. Infelizmente ainda não tem essa solução e também creio que já pioraram o máximo.

– Por que você não tenta se entender com eles? Você pod...

– Por que eu o quê? — Respondi incrédulo e apontei pro chão. — Olha isso, isso era a porra de tudo o que eu tinha, durante anos e agora.. — As lágrimas tentavam me dominar mais uma vez e não aguentei ser forte.

– Vai tudo se ajeitar, filho. Sei que foi uma atitude imprudente mas relutar só vai piorar tudo, por favor, tente pelo menos. — Aconselhou e passou sua mão sobre meu rosto.

– Eu não sei Doroti, eu não sei. Sabe, eu fiz uma promessa pro Mikey e eu queria tanto cumprir. — Suspirei. Mas eram os meus desenhos. — Me levantei e me encaminhei até o banheiro do meu quarto. — E também não quero pensar nisso agora, tenho algo mais importante para hoje.

– Algo importante? — Ela indagou suspeitando.

– Talvez a salvação desse dia. — Suspirei e entrei no banheiro.- Ou da minha vida. — Murmurei baixinho.

Despejei água em meu rosto, com meus olhos enormes e vermelhos e depois fui para o banho,logo em seguida me trocando rapidamente e colocando o primeiro look que fosse apresentável,tudo o que eu queria era sair dali e encontrá-lo,eu precisava vê-lo .



Notas finais
1- Seguinte, eu vou TENTAR, NADA DE PROMESSAS, postar um outro capítulo até domingo afinal vocês estavam esperando o que aconteceria o pós-primeiro encontro...
2- Bem, esse capítulo é meio rápido, carregado de emoções e meio pesado e ao mesmo tempo tentei dar uma ponderada.
E aí, o que me dizem? Acham que o Gerard está certo?Que ele deve ceder? Que acham do que o pai dele fez? Gerard comentará algo disso pro Frank?
3- Ortografia, já sabem, fiz algo errado me avise que eu arrumo , esse acho que não tem, tentei dar uma revisada melhor. Anyway, i'm here.
4- Ainda estou achando esse capítulo não muito bom mas estou rezando pra vocês gostarem kkk
5- Até o prox. capítulo!