Love Of Friends
37 Capítulo XXXVII -Especial I
Notas iniciais
Thalia estava puta. Ao menos, tão puta quanto uma garota de oito anos pode ficar. Luke Castellan, um idiota, tinha esquecido de fazer o trabalho de Geografia e roubado o dela, que também não estava muito bom, mas pelo menos ela tinha feito.
–O que aconteceu, Lia? Porque você está brava? –Annabeth apareceu, carregando seu trabalho perfeito, que deveria ter apenas 3 páginas, mas tinha 15.
–O Luke é um bobão! Ele roubou meu trabalho, a professora vai brigar comigo! –Ela cruzou os braços, irritada. –Eu vou matá-lo!
–Mas você não pôs nome no trabalho? –Annabeth sentou do lado dela. Estavam no pátio, um lugar aberto com algumas poucas calçadinhas, bancos de madeira e árvores enormes que perdiam suas folhas no outono e forravam o chão de laranja. Faltavam 15 minutos para a aula começar, e todas as outras crianças brincavam no parquinho.
–Precisava pôr? –Thalia franziu as sobrancelhas. –Ah, não faz diferença.
–Precisava! E porque você não chamou alguém? Eu ia te ajudar! Agora, vai ser mais difícil pegar de volta.
–Eu chamei. –O semblante dela caiu.- Nico estava vindo. Mas a Calipso parou ele e puxou ele pela blusa pro outro lado. Ela sempre faz isso. Acho que ela gosta dele.
–A Drew me contou que ela tem uma foto dele no celular. –Annabeth reprimiu uma risadinha.
Calipso era a única garota da terceira série com um celular. Ela era meio metida, mas ninguém parecia ligar, e todos gostavam dela. E Drew era a melhor amiga dela. Fazia tudo que Calipso mandava, mas quando elas brigavam, Drew espalhava segredos da amiga para todo mundo. Segredos do tipo “ela ainda faz xixi na cama”.
Thalia pulou do banco, arrumou o shorts do uniforme e saiu bufando para o parquinho. Annabeth veio correndo logo atrás.
–Ei, aonde você vai? –Ela perguntou.
–É culpa do Nico! Ele não veio me ajudar! Vou brigar com ele!
–Lia, acho que não é culpa dele. –Annabeth tento advertir.
–É sim. Ele ficou com a Calipso em vez de me ajudar.
Annabeth parou de seguir a amiga, porque ela sabia que aquilo era errado. Mas não adiantava avisar Thalia, ela era meio teimosa. E burra. Resolveu que ia brincar com Percy até o sinal bater.
Nico estava agachado com Calipso perto do muro da escola, pegando joaninhas. Eles estavam rindo.
–Essa é a Sereia. –Calipso riu, mostrando a ele um inseto verde.
–Calipso, ela tá fugindo! –Nico segurou o bichinho.
–NICO! –Thalia segurou ele pela camiseta, e o puxou com força pra cima, o forçando a ficar em pé.
–O que foi, Lia-Lia? Calipso, ela vai voar! –Ele ainda não tinha reparado que Thalia estava vermelha de raiva.
–NICHOLAS! VOCÊ NÃO É MAIS MEU AMIGO! –Thalia gritou. Ela estava com vontade chorar. Mas não sabia porque. Não queria chorar, chorar era coisa de gente idiota.
Nico a olhou boquiaberto. –Mas... O-o que eu fiz?
–VOCÊ NÃO ME AJUDOU! Luke roubou me trabalho! A professora vai brigar comigo! Eu te chamei, por que você não veio?! –Ela tinha começado a chorar, e se odiava por isso. Nico parecia aflito. Calipso olhava Thalia com dó verdadeira.
–Calipso me chamou pra mostrar um joguinho novo no celular dela. –Nico disse culpado. –Lia, desculpa, eu ia te ajudar, mas...
–Talvez você prefira ser amigo da Calipso, agora. –Thalia o jogou com força contra a grade, limpou as lágrimas com as costas da mão e saiu. O sinal tinha acabado de bater, e ela havia perdido seu melhor amigo do mundo todo.
***
Thalia sentou no seu lugar com a cabeça baixa. A professora Michelle tinha acabado de entrar, e ela estava sorrindo radiante, embora fosse só uma máscara e ela odiasse crianças e aulas e seu trabalho e sua vida e tudo. Nico entrou na sala seguido por Calipso, e ambos estavam quietos e tristonhos. Luke entrou logo depois, com um sorriso sínico, e o trabalho de Thalia nas mãos. O sangue dela ferveu.
–Vou recolher os trabalhos na última aula, queridos. –A professora respondeu a pergunta de alguém. Thalia não estava prestando atenção. –Agora abram o livro.
E as aulas foram. Estava um tédio. Thalia ficava olhando pra Nico toda hora, e ele sempre estava conversando com alguém, o que lhe deixava irritada. Parecia que ela não estava fazendo falta.
Na hora do recreio, parecia que alguma coisa estava errada. E isso se dava ao fato de que Nico tinha sumido.
–PERSEEEEEEEEEU! –Thalia chamou. Percy saiu da quadra de basquete, todo suado, e veio em sua direção.
–Fala, Thalia. –Eles fizeram um toquinho.
–Viu o di Angelo?
–Tô procurando ele também. Aquele maldito. Disse que ia jogar no meu time, mas não apareceu.
–Certo. –Ela simplesmente saiu e o deixou falando sozinho. Thalia precisava achar Nico.
Passaram-se dez minutos e nada. Ela tinha perguntado pra todos, todos, onde Nico estava. E ninguém sabia. Foi aí que ela se sentou frustrada no corredor, e uma enfermeira passou correndo pra enfermaria. Thalia a olhou intrigada. “Será?”
Se levantou e correu até a moça.
–Moça! Moça! Você sabe onde o Nico está? –Ela perguntou, com os olhos marejados.
–Nico está na enfermaria. Ele está machucado...
–O QUE? QUEM MACHUCOU ELE?
–Shh, calma. Acho que você não pode ver ele.
Thalia fez uma careta e saiu correndo na direção da enfermaria.
–EI, VOLTA AQUI! –A enfermeira gritou, mas Grace já tinha entrado no quarto branco e triste. Um pedacinho de hospital na sua escola alegre.
Um garoto de jaqueta aviador e cabelos pretos estava deitado na primeira maca. Thalia ficou na ponta dos pés, e levou um susto ao ver Nico com o olho roxo, sangue saindo do canto da boca, e vários pontos vermelhos no rosto inteiro.
–Nico? O que aconteceu? –Thalia sussurrou assustada.
Ele olhou para ela. Seus olhos negros chamuscavam vívidos desde criança. Ele abriu a jaqueta em silêncio, e tirou de lá alguns papeis. Entregou a ela, e eles ficaram se fitando até a enfermeira chegar. Nico estava diferente. Ele parecia um zumbi. Thalia começou a chorar. Ele estava morrendo.
Nico fechou os olhos no momento que a enfermeira agarrava Thalia.
Thalia se debateu nos braços da mulher, sento arrastada para fora.
–ELE MORREU?! –Ela perguntou desesperada. –ME SOLTA! NICOOOOOO! NÃO MORRE!
A enfermeira a jogou no corredor.
–Ele só está descansando, sua pestinha. Vá embora. –E fechou a porta com um estrondo.
O sinal estava tocando. Mas Thalia não queria voltar pra sala. E ela não ia. Ajeitou os papéis que Nico tinha lhe entregado nas mãos, e correu para o pátio em meio a lágrimas.
Depois de sentada e acomodada no banco embaixo das árvores, ela respirou fundo e suas pequenas mãos desdobraram o maço de papéis. Era seu trabalho de geografia. Amassado, danificado, cheio de orelhas. Mas era ele.
Thalia olhou para trás. Luke Castellan estava parado do outro lado pátio. Ele tinha um único roxo no rosto, e um sorrisinho presunçoso.
–Você já era. –Ela cuspiu antes de levantar com toda sua fúria.
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