Notas iniciais
oin gostaria apenas de dizer que as pessoas realmente mudam e me desculpem se estiver uma bosta e me odeiem, de verdade porque é uma putaria eu fazer isso com vocês mas eu vou fazer sim então, só tentem ver o meu lado não shippo mais Thalico, feeling is dead

Seis meses.

SEIS FUCKING MESES.

POR SEIS FUCKING MESES EU ESTIVE PROCURANDO UM FUCKING CACHORRO. E cadê? Cadê essa desgraça?

Bem, Eva está depressiva. Eu com pernas invalidadas de tanto andar atrás desse cachorro. Nico está certo que o bicho morreu, mas enfim. Zeus já disse e não mudou uma vírgula: só aceita o namoro se acharmos o cachorro.

E SE O CACHORRO ESTIVER MORTO?

Bem, daí temos que comprar outro e convencer Eva de que é o dela. Mas não dá, porque o cachorro era velho, e ninguém tem um Chihuahua velho pra vender. Mais especificamente um Chihuahua de quinze anos.

Sobre o que ocorreu durante esses seis meses, algumas poucas coisas. As pessoas dizem que eu estou mais madura e responsável, talvez seja verdade. Nico conseguiu uma bolsa pra Yale mais próxima, ficamos orgulhosos. Percy e Annabeth firmaram namoro e tem ido bem, embora ele não consiga aceitar de jeito nenhum o intercâmbio que ela vai fazer daqui alguns meses para a França.

Calipso voltou da Jamaica, e ela e Rachel adquiriram o estilo hippie-zen-BobMarley de vida, com aquelas âncoras no pescoço e touca da maconha. Rachel inclusive está namorando Luke. Não tenho tido mais problemas com eles.

Isso pode soar estranho, mas eu não tenho tido problemas com ninguém. Eu e Sra. Dodds resolvemos nossas diferenças telepaticamente, eu e Hera até conversamos agora, Mabel virou minha amiga. Me sinto uma pessoa diferente, uma pessoa que estuda pra entrar na Yale e não enfia carros alheios em postes.

E como em todo sábado à tarde, eu e Nico fomos ao Starbucks de sempre, tomar um café e conversar sobre nossas possíveis vidas futuras. Gostávamos de fazer isso e ter uma noção do que nos esperava, tínhamos consciência de que a vida adulta chegava cadê vez mais rápido na nossa geração.

Desculpa se eu estou assustando você, mas, bem, as pessoas mudam.

Jessie deu um sorriso caloroso quando nos viu entrar, eu retribuí alegre. Nos sentamos na mesa perto da janela, e ela nem saiu do balcão pra nos atender.

–Ei, casal 20, o de sempre? -Perguntou, já sabendo a resposta.

–Sim ou claro? -Ri.

Ela balançou a cabeça em concordância e foi preparar nossos pedidos costumeiros.

–Conversei com o Sr. Guilbert de novo. -Ele crispou os lábios. Nico estava mais maduro também. Ele tinha uma barba por fazer que o deixava sexy e uma recém adquirida simetria no maxilar.- Sem discussão, ou eu pego a bolsa completa ou não pego. Não há como fazer mudanças.

–Que droga, amor. -Franzi as sobrancelhas. Ele queria retirar a atividade extracurricular de basquete e colocar qualquer coisa relacionado à plantas, mas realmente não seria possível. Então eu tive uma luz.- Faz por fora! Quando chegar lá se inscreve nesse negócio de plantas aí sem relação com a bolsa ou a estadia.

–É a única opção. Vai ficar bem mais caro, só que é o jeito, né?

Eu ri do jeito melancólico dele, e depois estávamos conversando sobre as minhas aulas de piano. É, piano. Achei em mim uma paixão imensa pelo instrumento e um pouquinho de talento também.

Cinco minutos e Jessie entregou nossos pedidos na mesa. Às vezes ela se sentava pra conversar conosco, quando o movimento estava fraco, e não, não tirava a privacidade nem nada. Ela era uma menina muito agradável.

–E as novidades, Jess? -Perguntei, enfiando um colherada de café quente na boca. Certos hábitos não mudam, e eu gostava de tomar coisas quentes com colher.

–Ah, lembram do pinscher que eu comentei que apareceu por aqui há alguns meses? Então finamente tive tempo de levá-lo no veterinário. Na verdade é um chihuahua.

Eu e Nico trocamos um olhar.

–É? Quantos anos ele tem? Parece ser velho? -Nico indagou fingindo indiferença, como se fosse um assunto banal.

Não era um assunto banal.

–Sim, sim. Não sabemos ao certo, mas o veterinário chutou 13 ou 14 anos. -Ela deu de ombros, brincando com o cardápio.

O café que estava na minha boca voou na mêsa.

–Jess, podemos ver o cachorro? Acho que pode ser o da minha irmã, aquele que fugiu há seis meses, lembra? -Levantei afobada, pegando a chave do carro (que eu ganhara há uns três meses) e puxando Jessie comigo.

–-*--

Eva quase morreu de tanto chorar e me agradecer e repetir esses gestos infinitas vezes. É, era o cachorro dela. Eu e Nico chegamos em casa com o maior sorriso, e ele inclusive se sentou na mesa e jantou conosco, e Zeus o tratou bem, como eu nunca imaginei que trataria.

Quando ele foi embora, eu aproveitei que estava no quintal e mexi nas correspondências. Uma carta de Yale caiu aos meus pés, e meus olhos se encheram de lágrimas.

–NICO! -Berrei para ele, que ainda virava a esquina.

Nico voltou e deu aquele sorriso lindo de lado, me abraçando fortemente e sussurrando um parabéns ao ver a carta em minhas mãos trêmulas.

Nós íamos pra Yale.

Nós íamos juntos pra Yale.

Acredite, se alguém me dissesse isso à seis meses, eu riria e chegaria à conclusão de que o ponto máximo na minha vida ia ser trabalhar no McDonald's. Mas olhe onde eu estou agora. Não me arrependo de nenhuma das merdas que fiz, vendo onde eu estou agora. Na verdade, fico extremamente feliz em lembrar que já fiz sexo em uma biblioteca, xinguei a professora, bati um carro e culpei o poste, agredi uma desconhecida com um casaco e fiz mais algumas idiotices.

Eu vivi cada momento do jeito que eu queria ter vivido.

Não se esqueça de mim, sua desnaturada.

Notas finais
obrigada por tudo, vocês são incríveis. ANNY VAI MANDAR NUDE NO GRUPO
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!