Notas iniciais
yay, capítulos

Nova York, 27/05/12, 15:32

Kurt voltou do interior do apartamento sozinho, limpando a mão em uma toalha branca. Ele olhou para Blaine e lhe lançou um sorriso tímido. O castanho se sentou ao lado de sua alma gêmea e colocou uma mão em sua coxa num ato inocente.

– Quinn está melhor? – Quis saber o moreno, passando um braço ao redor de seus ombros.

– Ela está, sim, mas preferiu ficar descansando no quarto. – Blaine assentiu, e Kurt se deitou no peito do mesmo como se fizesse aquilo há uma vida inteira. Porém, a porta da cozinha se abriu e os dois meninos se distanciaram, e ficaram tensos quando Adam bateu a porta e saiu do cômodo praticamente com fumaça saindo de seu nariz. – Adam, não chegue mais perto. – Alertou Kurt, com as mãos em gestos de “pare”. O loiro riu pelo nariz, porém sem humor algum. – É sério!

– Como se eu pudesse te machucar, minha bolachinha. – Adam deu um passo à frente e acariciou a bochecha do (agora) ex namorado, que o deixou fazê-lo por puro medo. Blaine se levantou com calma e colocou uma mão no ombro do inglês. – Vai fazer o quê sobre isso, Blaine? Ele é meu, desista. – O moreno sorriu de lado, virando-se de costas e colocando os polegares dentro de suas calças. – Oh, não, você vai me mostrar a bunda! E depois? Vai peidar? Patétic- – Adam parou, a voz morrendo no nó em sua garganta. – Kurt?

– É verdade, Adam. – O castanho novamente arregaçou a manga de sua camisa enquanto Blaine subia suas calças. – Veja, é a caligrafia dele, e minha caligrafia nele… eu- me desculpe. Eu sinto muito.

– Eu não ligo para as suas desculpas! Que merda, Kurt, você não vê o que está acontecendo aqui? Estamos juntos há uma baralhada de tempo e agora vamos terminar tudo por causa de um mendigo! Um mendigo!

– Não o chame assim, por favor. – Kurt pediu, com carinho. Blaine lhe lançou um olhar grato e andou até seu lado. – Blaine pode morar nas ruas, mas isso não é unidade de medida de caráter.

– Como não? Olha o que esse merda fez! Ele está chapado, bêbado, drogado, doidão! Um dia ele vai entrar aqui de madrugada e vai matar você e Quinn e Brody. – Blaine sentiu seu corpo tensionando, e ele fechou os punhos com força. – E olha essa sujeira toda? Você vai me trocar por um mendigo viciado que provavelmente tem AIDS de tanto dar o cu e- – PLAFT! Um tapa sonoro ecoou, Blaine apertou os olhos, pronto para receber o contra ataque, mas quem havia dado o primeiro golpe havia sido Kurt.

– Você não pode sair assumindo isso de qualquer pessoa, Adam! Esse sempre foi um dos seus piores traços! Deus, você não aprende que cada pessoa é diferente, não importa o ambiente em que vivem, pessoas são indivíduos, jesus! E se Blaine tiver AIDS? Heinz? Eu pelo menos vou estar do lado dele. E se ele se drogar? Bom, eu não ligo. Desde que ele esteja feliz. – O inglês bufou. – É sério. Esse deveria ser o papel de uma alma gêmea. Mas quem disse que você liga…

– Cala a boca! Cala. A porra. Da sua boca! – Gritou o inglês, levantando a mão para o ex, mas deixando que ela caísse contra sua perna, ajoelhando-se no chão e escondendo sua cabeça nas mãos. – Eu só… para onde eu vou? Eu não tenho nenhum lugar, Kurt! – O moreno viu Kurt lutando contra si mesmo.

– Eu sei que você tem dinheiro, Adam, e você tem bolsa integral na faculdade. Vá para um motel e, não sei. – O castanho suspirou. – Eu tentei te amar por muito tempo, eu tentei considerar nosso namoro mesmo sem você ser minha alma gêmea. – Adam olhou nos olhos de Kurt naquele momento, e se levantou com um olhar de raiva. – Se você me bater, Adam, se você encostar um dedo em mim de novo, eu chamo a polícia e você vai preso.

– E eu falo que seu namoradinho me bateu primeiro. Não adianta, Kurt.

– Adam, você devia ir. – Interrompeu Blaine, com os punhos prontos. O inglês começou a rir, apertando o estômago com as mãos. – O que foi?

– Você que brigar comigo, Anderson? Um chapado igual à você não consegue nem machucar um mosquito! – Ele parou de rir de repente, arregaçando as mangas do suéter. – Você quer brigar, porra?!

– Não, cara, eu não quero brigar. Eu quero que você vá. – Insistiu o moreno, se controlando.

– Eu vou, está bem! Mas eu quero que você saiba que Kurt me ama! Ele vai transar com você hoje, vocês vão foder loucamente e ele vai pensar em mim e você vai ser quem vai lavar a culpa dele com mais toques sujos e beijos fraudados! – Blaine estava quase avançando no loiro quando o mesmo parou por completo, e se virou para Kurt com o olhar mais dolorido e molhado que Blaine havia visto. E ele pôde ver Kurt relaxando os ombros e andando até Adam quando o castanho deu um passo, e doeu. Fisicamente doeu em Blaine, e ele se ajoelha no chão, engolindo o choro.

Então Kurt também para e corre até Blaine, o envolvendo em seus braços. E tem esse pedido de desculpas mudo saindo das lágrimas dos olhos azuis e Blaine quase que ouve Kurt se desculpando, e ele relaxa e se deixa chorar, tudo sob o olhar de Adam.

– Mas que porra está acontecendo aqui? – Brody perguntou, entrando em casa.

– Eu vou embora. – Anunciou Adam, indo para o quarto, provavelmente para arrumar suas coisas. Kurt apenas gesticulou um “te conto mais tarde” e o morador deu de ombros, adentrando para a área dos quartos na qual o inglês tinha acabado de desaparecer. As duas almas gêmeas ficaram ali, se olhando, e o coração de Kurt ainda batia forte, enquanto o de Blaine estava acelerado.

– Você- por que você- como você- naquela hora…? – Gaguejou Blaine, respirando fundo. – Por que você veio até mim naquela hora?

– Eu não sei. – Começou o castanho. – Quer dizer, eu senti você machucado, e eu só larguei tudo como se fosse uma necessidade parar sua dor. – Kurt deu de ombros, sorrindo. – Nós somos almas gêmeas, depois de tudo.

– Eu não sabia que era intenso assim… no início, sei lá. – Uma pausa se estabeleceu entre o par. – Você… você o ama?

– Não. – Kurt respondeu sem hesitar. – Eu parei de amar Adam há muito tempo, mas fui idiota o suficiente para me enganar… até hoje. Ele sempre me fazia pedir desculpas e… deus, olhando de fora… Quinn tentou me avisar, e eu não ouvi quando meu pai me ligou no meio da noite pedindo para que eu terminasse com Adam. Ele estava assustado, eu me lembro perfeitamente de sua voz “Kurt, meu filho, você não pode continuar assim, você está miserável!”, ele insistia, e eu “não, papai, são apenas as provas que eu tenho feito para entrar na faculdade, não se preocupe”. – O castanho sentou no sofá e apoiou a cabeça nas mãos. – Eu sou um estúpido! Estúpido! E agora eu nem tenho a chance de dizer que ele estava certo!

– Ei, não. – Confortou Blaine. – Eu tenho certeza que seu pai ficaria orgulhoso. Não é possível que alguém tão bom quanto você tenha pais ruins.

– Eu os perdi… – O moreno sentiu o peito de Kurt doendo, e sentiu o calor das lágrimas do garoto em seu braço, então o envolveu num abraço e beijou o topo da cabeça do mais alto. Ele pegou a mão do mesmo, porém o menino a retirou rapidamente. – Meus dedos…

– Ah, sim, desculpe. Seria bom nós irmos até um hospital, mas eu sei que você tem medo e eu conheço um cara que faz ataduras.

– Como você sabe que eu tenho medo de hospitais?

– Você nunca me disse isso?

– Uh… não.

– Intuição do destino. – Blaine lhe lançou uma piscadela e Kurt com certeza cairia no chão se estivesse de pé de tão trêmulos que seus joelhos ficaram. A porta do corredor se abriu e Adam saiu dali, uma mala jogada por trás de seu ombro. – Você tem um lugar para ficar?

– Por que você liga, huh, Anderson? – Indagou Adam, não fazendo contato visual com nenhum dos meninos na sala.

– Eu ligo porque sei como é ruim passar noites nas ruas. Tem um abrigo na quinta avenida, se você quiser eu te passo o endereço certo, só me dê seu número de celular. – Adam bufou e revirou os olhos, esbarrando o ombro no de Blaine em seu caminho para fora. Antes de fechar a porta, o loiro virou-se para o ex namorado por cima de seu ombro.

– Divirta-se, Kurt.

Nova York, 01/12/11, 21:07

Adam bateu a porta de casa e colocou a última caixa da mudança no chão. Kurt levantou o olhar de seu livro e sorriu para o namorado. Isto é, até ver o olhar de raiva que o loiro usava no rosto. Ele fechou seu livro e colocou o mesmo na mesa de café da sala, levantando-se e andando até o inglês.

– Baby, o que foi? – Perguntou Kurt, colocando uma mão no ombro do namorado, que foi rapidamente retirada por Adam, que foi para a cozinha. – Biscoito… volte aqui, vamos lá. Eu fiz alguma coisa?

– Não! Você não fez nada! Você nunca faz nada! – Acusou Adam, batendo na mesa da cozinha com punhos cerrados. Kurt deu um passo para trás. – O que foi, huh, Kurt? Está com medo- – Mais um soco na mesa. – que eu- – E outro. – te bata?! – E vários seguidos, ecoando pelo apartamento.

– Adam, você está bêbado. – Constatou o castanho, reconhecendo o comportamento agressivo do namorado.

– Eu estou bêbado pra caralho! É, porra, qual é a droga do problema?!

– Eu achei que você estivesse com Peter, da faculdade, trazendo as caixas para cima.

– Phil, da faculdade, trouxe uma garrafa de Absolut inteira para mim. – Kurt suspirou, porém não chegou mais perto do loiro. – Eu terminei aquela porra em três tempos!

– Por que você fez isso, bab-

Não! Não me chama assim, porra! – Berrou o inglês, pegando uma garrafa vazia de cerveja e jogando-a contra a parede, formando uma arma perigosa.

– Adam, ponha a garrafa na pia. – Pediu Kurt, com as mãos para o alto. O loiro fez como lhe foi pedido. – Eu vou chegar perto de você agora. – Adam sorriu e assentiu, relaxando a postura. No momento em que os dedos de Kurt tocaram seu cabelo, o loiro lhe deu um soco no queixo, fazendo o castanho cuspir sangue. – Mas que porra, Adam?! Você tá louco, porra?! – Hummel deixou a cozinha enfurecido e com lágrimas descendo por seu rosto junto de sangue.

– Kurt! Kurt, me desculpe, Kurt, por favor! – Adam o seguiu, e agarrou sua manga. – Por favor, baby, eu imploro! Não me deixe, por favor! – Ele abraçou as pernas do castanho, soluçando. Vendo-se preso, Kurt passou a mão pelos cabelos loiros que um dia havia amado.

Nova York, 27/05/12, 17:53

Kurt não percebeu que havia dormido até acordar. Seus dedos estavam imobilizados e havia risadas e um aroma de calabresa vindo da cozinha. Ele seguiu o cheiro e encontrou Blaine e Quinn rindo, enquanto Brody tentava morder uma calabresa de sua pizza com toda a concentração do universo, os três sentados à mesa.

– Bom dia, Bela Adormecida. – Falou Quinn, indo até o castanho e abraçando-o. – Como você está?

– Melhor, melhor. – Afirmou Kurt, sorrindo para a melhor amiga. – Blaine nos falou que você deixou uma obra de arte na bochecha de Adam.

– Maçã do rosto. – Corrigiu Blaine, enquanto cortava um pedaço de pizza. Seus olhos encontraram os de Kurt e eles compartilharam um pequeno sorriso.

– Brody e eu estávamos pensando em sair para comemorar. O que vocês acham? – Convidou Quinn, porém já sabendo que ganharia um "não" dos dois. – Se vocês não quiserem, não tem problema! Mas vamos sair de qualquer jeito.

– Me desculpe, Q, eu acho que vou passar dessa vez. – Respondeu Kurt, puxando uma cadeira entre Blaine e Brody e na frente de Quinn. A loira deu de ombros e se virou para Blaine.

– Eu vou embora daqui a pouco. Além do mais, não tenho dinheiro algum. – Justificou Blaine, e Quinn o olhou simpática.

– Eu até ofereceria para pagar a noite para você, mas não rola para mim também. – Brody explicou, e Blaine abanou uma mão como quem diz "tudo bem". – Quinn, você topa sair agora?

– Claro, deixe apenas eu me arrumar! – Respondeu a menina, animada. Ela saltitou para fora da cozinha e os meninos continuaram comendo.

Nova York, 27/05/12, 19:01

– Quinn, você está há literalmente mais de uma hora se arrumando! – Exclamou Brody, no momento em que a loira saiu do corredor vestindo um vestido curto e justo, além de salto alto e maquiagem. – Você está fabulosa. Vamos para o Wknds?

– Isso não é uma boate gay? – Perguntou Blaine, confuso.

– A vida é uma caixinha de surpresas, meu bem. – Quinn piscou, e puxou Brody para fora do apartamento. Kurt e Blaine, que estavam sentados lado a lado no sofá, se olharam.

– Então... como você quer fazer isso? – Perguntou o castanho.

– Eu não sei, nós nos conhecemos hoje. – Respondeu Blaine, dando de ombros.

– Eu estava pensando a mesma coisa... eu sinto sua dor. – Brincou Kurt, passando uma mão pelos cabelos.

– Ah, sente? – Indagou o moreno, numa voz pelo menos um tom mais grave, que assustou Kurt, porém o castanho assentiu. – E você estaria interessado em sentir... outras coisas?

– Eu- eu estaria. – O moreno começou a beijá-lo, e os dois se deitaram no sofá, intensificando o beijo.

Nova York, 27/05/12, 22:43

Blaine caiu de volta no sofá, limpando o suor de sua testa.

– Deus, eu te amo, Kurt. – Ele disse, sem pensar. Kurt levantou seu tronco rapidamente, arregalando os olhos. Quer dizer, eles haviam se conhecido naquele dia, apenas! – Merda, merda, foi muito cedo, vamos só- vamos fingir que eu não disse isso, por favor.

– Blaine, eu- eu acho que- eu acho que você deveria ir.

Notas finais
yay, capítulos?