Notas iniciais
esse capítulo não tem 2000 palavras, que geralmente é meu mínimo, mas o final ficou mt meigo e fofo e enfim

Nova York, 27/05/12, 22:45

Blaine sabia que estava errado ao falar “eu te amo” para Kurt. Ele sabia. Mas o que ele fez? Óbvio que ele tinha que falar. Então ele não questionou Kurt quando o castanho o mandou sair, ele apenas se vestiu e foi. Contudo, no momento em que ele ouviu Kurt trancando a porta atrás de si, percebeu o quanto ele queria aquilo, e o quanto ele não podia deixar Kurt ir assim. Então ele se virou, e bateu na porta. Kurt perguntou quem era, ele respondeu, e o castanho disse que ele deveria ir mais uma vez. Blaine insistiu.

Nova York, 27/05/12, 23:02

– Blaine, eu não vou abrir a porta. – Kurt suspirou. Blaine estava há quinze minutos pedindo que o castanho abrisse a porta. – Vá embora.

– Kurt, por favor, não vai acontecer de novo! Eu- nós podemos esquecer que eu me sinto assim… por favor. – O moreno implorava, enquanto se deplorava ao mesmo tempo. Não fazia nem um dia que eles se conheciam e Blaine já tinha estragado tudo. É claro, de que outro jeito as coisas se sairiam para ele? Ele escorregou pela parede e sentou no chão, encolhido.

Kurt abriu a porta. Ele ainda estava sem camisa, mas havia colocado uma calça de pijama. E ele estava maravilhoso e Blaine apenas abraçou o castanho com todas as forças.

– Ok, me chame de babaca e me estapeie, mas… eu não- eu- quer dizer, tipo- – Ele grunhiu, colocando as mãos no rosto. – Você quer entrar?

– Eu quero, obrigado. – O moreno seguiu Kurt para dentro do apartamento e sentou-se no sofá, ao lado do anfitrião. – Então, por que eu te chamaria de babaca e te estapearia? – Questionou Blaine, e o castanho respirou fundo.

– Enquanto você estava ali fora, eu pensei e… e eu sou um cara medroso, Blaine. Hoje foi um mar de dúvidas e medos virando realidade… e sonhos! Sonhos também viraram realidade hoje. E eu não sei se tudo isso vai virar um pesadelo ainda maior… mas se virar, é bom que eu tenha você do meu lado. E eu quero saber uma coisa: você me ama de verdade? Ou foi só da boca pra fora? – Kurt ia continuar, mas o moreno não o deixou:

– Não! – Blaine foi rápido para corrigir. – Eu nunca vou falar algo tão grande assim se não for verdade. Nunca, Kurt.

– Eu- olha, por favor, não me interrompa. Eu não te amo. – Blaine engoliu em seco. – Mas eu estou chegando lá. Quero dizer… o amor não nasce em você, você aprende a amar. Eu sei que temos algo especial por sermos almas gêmeas e tudo mais, e eu acho aceitável que duas pessoas se amem ou que alguém ame outra pessoa depois de pouca convivência. Aí é que está: nós aprendemos a amar tão cedo, e quando conhecemos alguém, nos apaixonamos por esse alguém. Nem sempre, é claro. Mas então, nos apaixonamos, nem que essa pessoa que você ama seja passageira, se revele a ser outra coisa completamente diferente. Nós sabemos amar, nós podemos amar. Eu só fiquei com tanto medo, sabe? De ouvir você falando aquilo e pensar em tudo o que aconteceu e que pode ou vai acontecer, e eu fiquei com medo. É um motivo bem merda para expulsar alguém da minha casa, mas… me desculpe. Você pode me desculpar?

– É claro, é claro que eu posso. – Blaine lentamente fechou o espaço entre os dois. Foi um beijo demorado, porém suave.

– Blaine… onde você vai dormir hoje? – Perguntou Kurt, uma vez que o beijo acabou. Blaine respirou fundo, pensando.

– Acho que na frente do prédio.

– Você não quer dormir aqui? – Kurt olhou para seu colo, onde suas mãos brincavam entre si. – …tipo, permanentemente.

– Eu- Kurt, eu quero. Mas e se você mudar de ideia? E se você não quiser mais e tudo der errado?

– Blaine… quando eu disse que estava chegando no meu ‘eu te amo’, eu quis dizer: apesar de eu não te amar, eu gosto muito, muito mesmo de você. – Blaine não pôde impedir o sorriso que se abriu em seu rosto. – É sério. E se eu mudar de ideia, ou se você mudar de ideia… a gente desfaz. Não precisamos, sei lá, terminar, mas podemos só dar um passo atrás. Não tem problema. Pelo menos, não por mim. E por você?

– Nenhum sequer. Quero dizer, pelo menos nenhum agora. – Blaine respirou fundo. – Eu só… nós mal nos conhecemos. Eu não sei quase nada de você.

– E você vai aprender. Almas gêmeas têm uma conexão extraordinária, e eu posso estar falando muita merda, mas eu acho completamente plausível se apaixonar em um dia. Repetindo o que eu falei antes, no caso. – O moreno assentiu e Kurt pegou suas mãos. – Eu não te amo, mas eu sou apaixonado por você. Me apaixonei do mesmo jeito que se aprende a respirar: num abrir de olhos.

– Por que não num piscar de olhos?

– Porque eu ainda não fechei meus olhos. – Respondeu simples, dando de ombros. Blaine não resistiu e, gentilmente colocando suas mãos em cada lado do rosto de Kurt, o puxou para perto de si e os uniu em ainda outro beijo apaixonante e demorado. Ambos estavam ofegantes após o mesmo, olhando nos olhos um do outro. – Que horas são?

– São… espera. – O moreno tirou seu celular de sua mochila, revelando que agora eram onze e quarenta da noite.

– Eu… você vai me matar se eu disser que estou morto? – Kurt encostou no sofá, a cabeça virada para o teto no encosto do móvel.

– Se você estiver morto, não tem como eu te matar, bobinho. – Riu Blaine, tirando uma mecha de cabelo da testa do castanho. – Mas não, não tem problema em estar cansado.

– Vamos, eu te ajudo a se arrumar um pouco hoje. – O castanho se levantou e andou meio caminho até o corredor do apartamento.

– Nós vamos dormir na mesma cama? – Seu olhar cintilou em esperanças.

– Eu… eu estava pensando se eu tentasse dormir sozinho esta noite. – Os olhos de Blaine caíram, mas ele sabia que seria melhor daquele jeito. – Eu amei Adam, você tem que entender isso, e nós acabamos de terminar depois de tanto tempo juntos… não diminui seu valor! De jeito nenhum, só… me afeta, entende?

– Sim, claro, eu entendo. Eu nunca vou querer que você faça nada que não queira ou não se sinta confortável, ok?

– Idem para você. – Kurt andou até o moreno e o envolveu em um abraço, colocando um beijo gentil em seu pescoço. – Tem um quarto de hóspedes que nunca usamos, você pode ficar lá por enquanto. Tudo bem?

– Melhor impossível, Kurt. – Os dois compartilharam um selinho rápido e andaram de mãos dadas apartamento adentro.

Nova York, 28/05/12, 04:29

Kurt acordou quando Quinn e Brody se atrapalharam para dentro do apartamento gargalhando alto, há mais ou menos meia hora. Eles foram até a cozinha, provavelmente quebraram alguma coisa, bateram portas, cantaram… resumidamente, fizeram barulho. Então, quando todo o som havia aparentemente morrido dentro do apartamento, pequenos passos, quase que tímidos, vindo até seu quarto. Imediatamente seu pensamento pousou em Blaine, no mesmo momento em que o moreno abriu uma fresta da porta de seu quarto, de modo que apenas sua silhueta inconfundível pudesse ser vista. Nesse instante, Kurt abriu um sorriso.

– Eu estava torcendo que fosse você. – O castanho sussurrou, chegando para o lado e abrindo espaço para Blaine. Blaine, que antes parecera tão galanteador e confiável, agora era uma pequena criatura basicamente implorando com os olhos por algum carinho, alguma atenção. Seus cachos estavam ainda mais bagunçados do que antes e seus roupas estavam levemente fora do lugar. Blaine não hesitou em entrar debaixo das cobertas com Kurt. Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos.

– Ei, Kurt? – Perguntou o moreno, a voz pequena, quase sendo engolida pela luz escura da lua e pelo quase silêncio da madrugada.

– Sim, Blaine?

– Você… você quer namorar comigo? – Kurt sorriu, beijando o topo da cabeça do mais baixo, sentindo o corpo do mesmo relaxar de leve com o ato.

– Eu quero. – O castanho recebeu o peso do moreno em seu relaxamento com prazer. Ele fez carinho em seu cabelo, sentindo os dedos prenderem em cachos e nós. – Eu estou muito feliz que te encontrei. – Blaine emitiu um som concordando, enquanto enterrava sua cabeça na curva do pescoço de Kurt.

– Eu acho que isso vai dar certo. – Sussurrou o moreno, olhando nos olhos azuis de sua alma gêmea.

– Tem tudo para dar certo, não tem? – Retrucou gentilmente Kurt, sem retirar os olhos dos de Blaine, enquanto acariciava seu rosto. A luz da lua que conseguia quebrar a escuridão das pequenas janelas do quarto ressaltavam as maçãs do rosto do moreno, e acabavam por emebelezá-lo ainda mais. Era quase que um pecado ter aqueles olhos azuis e dourados e pretos com cílios negros que poderiam conquistar o mundo olhando de volta para Kurt, como se tentasse ler o mais alto, e o castanho se sentia nu. O melhor tipo de nudez é aquele que expõe seu ser, e ainda assim, que a vê, não vai embora.

E, pensou Kurt, que eu possa segurar a porta para quem quiser ir embora.

Blaine ficou. Ele não pestanejou. Ele não se afastou de Kurt. Ele ficou ali, olhando nos olhos do mesmo, lentamente abrindo um sorriso de realização, percebendo que Kurt também ficaria.

Então os dois fecharam o espaço ente eles, porque eles podiam, porque eles queriam e, além de tudo, porque eles precisavam.

Nova York, 28/05/12, 09:42

Kurt e Blaine haviam ido dormir há apenas duas horas, depois de passarem a maior parte da madrugada… bom, não é necessário dizer o que eles estavam fazendo. Blaine, de qualquer jeito, acordou cedo. Quer dizer, uma vez que se está acostumado com o chão duro contra seu corpo e o barulho dos carros e simplesmente do mundo ao seu redor para um bom dia… é estranho acordar em uma cama, coberto, com ninguém mais, ninguém menos que sua alma gêmea a seu lado. Bom, pelo menos bem próximo de Blaine. Bem próximo.

Kurt, quando acordou, percebeu que seu corpo havia começado o dia antes dele. E o de Blaine também. Sorrindo para si mesmo, o castanho escorregou nada graciosamente para baixo das cobertas, conseguindo retirar o pijama e a roupa íntima do namorado gentilmente e sem acordá-lo, logo o tomando em sua boca. Digamos que Blaine gostou bastante de acordar com aquilo.

Uma vez que os dois estavam aliviados e literalmente ao lado um do outro, ambos caíram na risada ao olhar um para a cara do outro. Riram por felicidade, acima de tudo. E riram bastante até o estômago de Blaine roncar e o de Kurt doer. Eles ainda riram um pouco durante o café a roubaram olhares e apenas foram, existiram um com o outro em silêncio e também no barulho. No amor de um e no desamor de outro, eles conseguiram ser.

Notas finais
obrigada por lerem! e desculpem o atraso (mas agora eu to de férias e vou atualizar durante a semana e pa)!!!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.