Notas iniciais
Nova York, 27/05/12, 14:39
– Kurt? – Adam perguntou, enquanto os dois estavam esperando que a pizza chegasse. O castanho levantou os olhos de onde brincava delicadamente com seu copo de cerveja e sorriu. – Você acha que eu sou sua alma gêmea?
– Eu não acho nada, biscoito. – Adam sorriu ao ouvir o apelido que lhe era tão conhecido. – Mas eu espero que você seja. É suficiente para você? – Ele abaixou o olhar, temendo a resposta do inglês.
– …Mais ou menos, para ser honesto. Eu sei que não seria o suficiente para você, também, e estou comendo minhas unhas de nervosismo. – Kurt suspirou, bebendo um gole calmo de sua bebida e colocando o copo na mesa com uma graciosidade única.
– Por que a gente está tão nervoso, Adam? De verdade, se nós fôssemos-
– Nós somos.
– Hipoteticamente não. De qualquer jeito, se nós fôssemos almas gêmeas, por que tanta dúvida? A gente não deveria pelo menos não ficar tão nervoso assim, concorda? – Adam sabia que concordava, e aquilo era o pior. Kurt inspirou fundo, estalou seu pescoço de um lado para o outro como sempre fazia quando tentava relaxar, e tomou mais um pouco da cerveja. – Vamos só terminar de almoçar e voltar para o prédio antes que tudo vá por água abaixo, está bem?
– Ok. Tudo bem. – O loiro levantou suas mãos na altura de seus olhos, em menção de se render. O castanho o olhou por trás do braço do garçom que lhes servia a comida. – Obrigado.
– Obrigado. – Eles agradeceram o empregado, que ofereceu-lhes um sorriso e voltou para a cozinha, provavelmente. – Amor… vamos lá, nós dois estamos nervosos. Me desculpe, também.
– Eu entendo, não se preocupe. Eu te amo muito, Kurt, e eu não quero terminar com você hoje.
– Nós podemos tentar-
– Comer a comida falando de outras coisas. Por favor. – Pediu ele gentilmente, fazendo o namorado assentir e pegar uma garfada generosa de alface do prato. – Você viu que Brody voltou para casa com duas pessoas ontem à noite?
– Não, eu já estava dormindo. Dois caras?
– Um cara e uma drag queen.
– Exótico. – Kurt levantou as sobrancelhas, silenciosamente agradecendo que ele já estava dormindo. Ele sentiu o pé do namorado acariciando sua canela por debaixo da mesa, porém rapidamente afastou-se do inglês.
– Pois é.
Nova York, 27/05/12, 14:53
Blaine dedilhava as cordas de seu violão preguiçosamente, sem nenhuma alma viva ali. Faziam duas horas desde que Kurt havia saído com Adam, e o moreno havia ido até a casa de Ron (seu… digamos, provedor de drogas ilícitas), comprado um pouco de maconha e seda e depois voltado para seu lugar na frente do prédio de Kurt para usar o bagulho. Ele começou a cantar baixinho, para si mesmo, uma melodia desconhecida e doce.
Ele olhava em volta, tudo acontecia um pouco mais devagar. Com outra tragada ao baseado que havia enrolado, Blaine soltou uma tosse seca, observando. Um cachorro por ali, o olhou, cheirou suas roupas e saiu andando. Logo depois, uma menina loira veio andando, seu casaco laranja voando devido à sua velocidade. Ela provavelmente não viu Blaine, pois tropeçou no mesmo e caiu de joelhos no chão. O moreno imediatamente se levantou e ajudou a loirinha a se levantar.
– Meu deus, me desculpe, eu juro que não te vi, me desculpe, um segundo. – Ela ia sair correndo, mas Blaine a segurou nem tão forte.
– Seu nariz está sangrando… aqui. Pegue. – Ele lhe ofereceu um lenço de pano amarelado pelo tempo, já com algumas manchas de sangue. A menina lhe olhou esquisito. – Eu não tenho nenhuma doença contagiosa, sério. Pode usar.
– O-Obrigada. – Ela secou o excesso e gritou: – Pereba! Pereba, volta aqui agora! – Alguns instantes depois, o cachorro que havia passado por Blaine voltou com o rabo entre as pernas e a cabeça baixa. – Obrigada pelo lenço.
– Não tem de quê. Eu sou Blaine! – Ele se apresentou, animado. A menina lhe sorriu, e ia falar alguma coisa quando teve de se apoiar no braço de Blaine para ficar de pé. – Você quer ajuda, moça? Quer que eu te acompanhe até em casa?
– Ah, eu moro ali em frente, não precisa… – Ela apontou para o prédio que Kurt morava, com uma respiração profunda. – Na verdade… você poderia levar só- só o Pereba? Ele é de um amigo meu que mora comigo, mas hoje é aniversário dele, e você sabe como são as pessoas que namoram: “eu e meu namorado isso, eu e meu namorado aquilo”. – Ela mais uma vez secou o nariz e que caiu. Blaine tinha a coleira do cachorro (Pereba) em suas mãos. – Eu sou Quinn! Me desculpe, esqueci de me apresentar.
– Tudo bem. Eu juro que não vou roubar nada, não se preocupe, de verdade. – Ele apagou seu baseado na calçada e ofereceu seu braço à Quinn. Os dois seguiram até o prédio, subiram dois lances de escada devagar e chegaram no apartamento da menina. – Uau, esse lugar é enorme!
– É de um amigo nosso. – Quinn respondeu, da cozinha. Ela voltou com um guardanapo funcionando como uma rolha em seu nariz e pegou uma foto de cima da mesa de centro. – Esse aqui, Brody é o nome dele. – Ela apontou pra um cara de cabelo espetado castanho claro, olhos verdes, onde tinham ela e mais dois outros homens. Blaine os reconheceu imediatamente.
– Espera, você conhece eles? Kurt e Aaron?
– Adam?
– Isso, Kurt e Adam! Você sabe quem são?
– Meus melhores amigos, ora bolas! Eu moro com eles! E você, conhece eles?
– Conheci hoje, sério! – Blaine estava meio estranho, sob o efeito da marijuana correndo por seu corpo. – Posso- posso me sentar por um instante? Acho que eu fumei muito, muito rápido.
– Claro, sinta-se à vontade. Eu vou só ver se Brody está em casa. – Ela desapareceu para dentro de um corredor aparentemente muito grade, e Blaine começou a coçar a cabeça do cachorro que estava a seu lado. Algum tempo depois, Quinn reapareceu na sala (ainda com guardanapos em seu nariz) e tirou a coleira que ainda estava no cão. – Você quer água, algo do tipo?
– Água seria bom. – Ela o guiou até a cozinha, o cachorro seguindo-os. – À que horas Kurt chega?
– Umas onze? Não sei, geralmente ele e Adam ficam fora por um bom tempo quando saem. – Naquele momento, a porta de abriu e puderam ouvir-se gritos:
– Eu não quero saber o que você pensa, Kurt! Você não tem direito de me ignorar desse jeito! – O par se entreolhou, assustado.
– Ah, então eu é que ignorei você o dia todo?! Me poupe, Adam, você estava despindo o garçom com seus olhos, que merda! – Blaine reconheceu a voz de Kurt, e então passos pesados ecoaram pelo apartamento. – Me solta! Eu já disse que eu não quero que você toque em mim!
– Foda-se, Kurt, foda-se! Eu sou seu namorado, sua alma gêmea, isso me dá o direito-
– Te dá o direito de me respeitar, porra! E quer saber, sinceramente? Eu não acho que você é minha alma gêmea, e eu não ligo! Nosso relacionamento está tão horrível que é melhor ficar sem você do que morar aqui e brigar todo o dia! – Alguma porta foi batida e Blaine percebeu o som de sapatos no piso chegando mais perto.
– Quinn, tem alguma porta aqui? – Ele perguntou, sussurrando. – Não é uma boa ideia eu ficar aqui.
– Tem, mas por que você precisa ir agora? Achei que você estivesse mal.
– Adam não gosta muito de mim.
– Porque você gosta de Kurt?
– Eu- eu não gosto de Kurt. Quer dizer, ele é um cara legal. Eu não gosto… gosto dele.
– Relaxa, cara-
– Ah, não! – A porta da cozinha se abriu. – Que merda você está fazendo aqui, hein, seu mendigo do caralho?!
– Adam, pare! – Pediu Quinn, colocando uma mão em seu ombro. O loiro rapidamente a retirou e a encarou profundamente. – Por favor.
– Não. Se. Mete! – Ordenou o inglês, a empurrando com força e fazendo a mesma desmaiar. Felizmente, Blaine conseguiu alcançá-la antes que atingisse o chão, e a colocou gentilmente sentada no chão de azulejos da cozinha. O moreno andou até Adam e estalou seus dedos, franzindo o cenho. – Olha ele! Todo engomadinho, huh, Shane?
– O nome dele é Blaine! – Kurt gritou, empurrando o namorado para o lado. Adam bateu o quadril na bancada e imediatamente colocou suas mãos no local, gemendo de dor. O castanho lhe deu um soco na maçã do rosto, e seus dedos fizeram um barulho que não deveriam fazer. – Merda. – Blaine, ao perceber o inglês desacordado, foi até o lado de Kurt e pegou sua mão cuidadosamente.
– Droga, você quebrou dois dedos. – Disse o moreno, reconhecendo o inchaço e o hematoma que se formavam nas juntas do indicador e do dedo médio de Kurt. – E ainda vai deixar uma marca no rosto do seu namorado.
– Ele não é mais meu namorado. – O castanho sussurrou, recolhendo sua mão para si mesmo e descansando-a contra seu peito. Blaine arqueou uma sobrancelha, confuso. Kurt suspirou e arregaçou a manga (com sua mão boa), revelando duas pequenas palavras perto de seu cotovelo: Blaine Anderson. O moreno engasgou na própria saliva, começando a tossir. Ele rapidamente começou a procurar o nome de Kurt, que o olhava, também buscando.
– Veja se tem nas minhas costas. – Pediu Blaine, retirando sua blusa e procurando em seu torso. Kurt viu nos lados do corpo do moreno, sem sucesso. – Calma, calma, eu tenho uma ideia. – Ele tirou os sapatos e abaixou para tirar as calças, sentindo uma mão em sua lombar. – O-O que foi? Você achou?
– Eu acho que… que está… bom, uh- na sua bunda. – Admitiu o castanho, e Blaine andou até o espelho grande que ficava na sala apenas de cueca e meias, e abaixou a parte de trás de sua cueca, olhando para a mesma e imediatamente vendo Kurt Hummel escrito em sua nádega esquerda. Ele suspirou aliviado.
– Eu achei que não tivesse aparecido em mim, por alguma razão. Que susto. – Kurt riu, olhando para os pés. Blaine chegou mais perto do castanho, pegando suas mãos e também seu olhar. – Então… almas gêmeas, huh?
– Pois é. – Concordou Kurt, balançando a cabeça.
– Escuta… se você quiser um tempo, sabe, porque você estava com Adam e de repente não está mais-
– Não é tão de repente assim, Blaine. – Explicou o castanho. – Quer dizer, é, mas pensando melhor agora… nós estávamos condenados. A gente brigava o tempo todo, e acho que Quinn percebeu, mas ela sabia que eu o amo.
Quinn chegou em casa pé ante pé, colocando suas chaves junto com as dos meninos em silêncio. Kurt estava chorando no sofá, enrolado num cobertor roxo e olhando para um ponto fixo. Ela suspirou e deixou a bolsa na poltrona antes de sentar do lado do melhor amigo, puxando sua atenção.
– Adam brigou comigo de novo. – Ele disse, simples. – Me fez dormir no sofá porque aparentemente eu não cumpro minhas promessas. – O castanho bufou, olhando para cima e engolindo o choro. – Talvez ele esteja certo, não é?
– Qual foi a promessa?
– Eu tinha prometido que não passaria o dia estudando hoje, mas acabou que a merda do meu professor de história da moda resolveu passar quilos de dever de casa e uma prova para amanhã. Não é a primeira vez que isso acontece, Q.
– Kurt… você não tinha como planejar isso. – Ela raciocinou.
– Eu sei, mas e Adam? Ele acha que eu estou inventando isso porque estou traindo ele e fico estudando porque estou cansado demais para fuder. – Kurt passou as mãos pelos cabelos. – Inacreditável. – Quinn pensou em falar naquele momento “termine com ele, Kurt, Adam não te merece”, mas o amor dos dois não era para se brincar. Então ela ficou quieta e abraçou o melhor amigo.
– Sinto muito. – Ofereceu Blaine, subindo uma mão até o ombro de Kurt.
– Não sinta, é provavelmente para o melhor. – O moreno assentiu, e sorriu. – O que foi?
– Tem duas pessoas inconscientes aqui, e eu estou de cueca e meia, e você… você é fantástico. – O castanho corou, olhando para seus pés. – Posso, por favor, te beijar?
– Claro que pode, bobinho. – Kurt sorriu e Blaine se aproximou ainda mais, conectando seus lábios. Foi um pouco estranho, captar o ritmo do outro e se posicionar, mas, uma vez que aqueles poucos segundos passaram, foi como se houvessem fogos de artifícil clichês ao redor dos dois. Quando eles abriram os olhos, os de Blaine estavam escuros com desejo, e Kurt estava com os seus arregalados. – Isso foi… muito bom.
– Concordo. – Um barulho foi ouvido na cozinha e os dois se separaram num pulo. Do cômodo, saiu Quinn, com mais sangue saindo de seu nariz.
– Quinn, vem, eu vou pegar um papel pra você. Já tomou seu remédio hoje? – A loira assentiu, pegando o braço que Kurt oferecera. – Blaine, espere aqui. Se Adam acordar… bom, eu não sei. Só ele consegue se parar de ficar irritado.
– Eu dou um jeito. – Assegurou o moreno. Kurt assentiu e sorriu, levando Quinn para dentro do apartamento. Blaine se vestiu rapidamente e sentou-se no sofá, imaginado o que diabos ele havia feito para acabar ali, com alguém tão maravilhoso como Kurt sendo sua alma gêmea.
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