Notas iniciais
Espero que vocês gostam. Eu geralmente coloco um prólogo, mas achei que ia ser muita enrolação, então esse é um capítulo curto de apresentação e início da história :)
Ohio, 23/01/2092
Desde o início dos tempos, a humanidade vêm sobrevivendo à base do amor, por mais clichê que isso soe. Cada indivíduo crescerá até seus dezoito anos de idade e, depois, não envelhecerá mais fisicamente até encontrar sua alma gêmea. Além disso, o nome e sobrenome de uma pessoa ficarão marcados em seu corpo assim que o mais novo do casal atingir a maioridade. Acredita-se que, antes do nascimento, todas as pessoas são designadas a outra perfeitamente. Dentre todas as histórias de amor geradas por tal fenômeno, devo admitir que tenho uma favorita…
Nova York, 08/05/12
Kurt Hummel nunca teve uma vida realmente boa, ele não sabia o que era chegar em casa e pensar, do fundo do coração: eu estou feliz, eu sou feliz. Ele tinha apenas dois amigos de verdade, sendo um deles seu namorado, Adam Crawford, e Quinn Fabray, os três haviam se conhecido no primeiro ano do ensino médio, no clube do coral, e foram inseparáveis desde então. Não é que Kurt era deprimido e triste. Não, ele gargalhava e tinha ataques de riso e dias bons e dias ruins como todo o mundo, mas sempre tinha aquela coisa mísera no fundo de sua mente que o distraía das risadas e de seus amigos.
Não era algo específico que sempre o deixava para baixo. Era mais algo que havia acontecido no dia, ou um pensamento ruim que cruzava sua mente e acabava se prendendo lá. Quando ele falou sobre isso com a conselheira da escola, ela apenas deu de ombros simpateticamente, dizendo: “talvez você devesse ver um médico sobre isso, Kurt”.
Depois, na frente de seu armário, Quinn lhe perguntou o que estava havendo e porque o castanho havia faltado os últimos dias de aula, e ele realmente falou que estava tão mal que tinha passado o tempo no quarto, chorando e comendo e assistindo tevê. A loira lhe disse:
– Kurt, acho que é porque você ainda não encontrou sua alma gêmea. Ou encontrou, mas está realmente ansioso e preocupado com o tempo passando. Deve ser algo assim, mas não perca seu tempo ou vai ganhar rugas antes da hora. – Ela brincou, mas Kurt apenas sorriu forçadamente e fechou o armário, livros nos braços, e saiu para a aula.
Ele estava com Adam há dois anos, desde o segundo ano do ensino médio. Eles estavam na mesma faculdade agora, a NYADA (New York Academy for Dramatic Arts), morando junto com Quinn e Brody, um menino da faculdade dos dois que topou dividir o apartamento dele (que era enorme, quatro quartos e três banheiros).
Todas as manhãs, Kurt saía da cama depois de deixar um beijo carinhoso na bochecha de Adam, e cruzava mais um dia de seu calendário. 19 dias até que ele completasse seus dezoito anos. 19 dias e poucas horas para que o nome de sua alma gêmea ficasse marcado em seu corpo para sempre. Ele ansiava para ter um local com duas palavras tão queridas para tocar, passar a ponta dos dedos e sentir o amor ali. Ele só temia uma coisa: ter conhecido sua alma gêmea, e ela não ser Adam, então seu nome apareceria e Adam terminaria com ele na hora, ele tinha certeza.
Nova York, 27/05/12
Blaine Anderson tinha uma vida muito boa para um gay com pais homofóbicos e sem uma casa. Morar nas ruas de Nova York realmente não era tão ruim. Claro, haviam os dias ruins, onde ele ganhava dez, quinze dólares no máximo, e conseguia apenas água e um cachorro quente de rua. Mas também tinha vezes onde toda sua cantoria e performance nas ruas fazia uma diferença: sessenta dólares, setenta com muita sorte. Aqueles eram os dias em que ele andava mais, indo da Quinta Avenida até a Times Square, depois Broadway, e Empire State.
Naquele dia, ele resolveu visitar o bom e velho Brooklyn, onde um dos caras de quem ele comprava algumas coisas (como maconha e bebida) morava. Quando o moreno estava prestes a chegar no prédio do tal homem, ele ouviu uma risada alta. Colocando o violão de pé apoiado em uma grade e deixando sua mochila do lado, ele se levantou e procurou a voz que agora falava animadamente com alguém.
Vinha da portaria do prédio da frente: um menino castanho que falava no celular, atrás do portão de um dos edifícios antigos. Um carro velho parou na frente e um outro cara loiro saiu do banco do motorista. O dono da voz saiu do prédio e desligou o celular, colocando o aparelho no bolso antes de tascar um baita de um beijo na boca do loirinho. Blaine sentiu ciúmes ao ver a expressão de amor e espanto ao receber flores e, em um sotaque britânico puxado o loiro disse:
– Feliz aniversário, babe! – E roubou um beijo do castanho. – Eu vou só estacionar o carro e já volto para irmos. – O moreno olhava a cena com um olhar intenso, e acidentalmente fez contato visual com o menino do telefone, que ofereceu um sorriso tímido e acenou. Dessa vez, Blaine sorriu, e acenou de volta.
Kurt estava tentado a ir até o moreno com a blusa pintada das cores do arco íris. Adam só estava estacionando o carro, então não demoraria, mas não mudaria a vida de nenhum dos dois (ou três) se ele fosse até o menino dar oi. Tentadoramente, ele foi até o outro lado da rua e parou na frente do moreno.
– Oi. – Disse o castanho, estendo a mão. Olhando de perto, Kurt percebeu a diferença de altura existente. Seus cabelos negros o faziam mais alto por estarem (des)arrumados em cachos grandes. – Eu sou Kurt.
– Blaine Anderson, prazer. – Como sempre cavalheiro, Blaine pegou a mão de Kurt e beijou o peito da mesma, fazendo Kurt corar. – Você mora por aqui?
– Bem ali, no prédio onde eu estava. – Uma pausa. – Eu nunca te vi por aqui, Blaine.
– Eu… eu não tenho uma casa, digamos assim…? É, é isso.
– Entendo. Você toca? – Ele gesticulou para o violão. Blaine assentiu. – Pode tocar uma música? Meu namorado só está procurando uma vaga, eu tenho certeza de que temos tempo.
– Claro, eu ficaria lisonjeado em poder te serenar… no seu aniversário, certo? – Kurt assentiu, seu sorriso diminuindo um pouco. – Me desculpe, me desculpe, eu não pude deixar de ouvir quando seu n-namorado te parabenizou.
– Ah, claro. Eu não quis parecer rude, mas essa vizinhança não é segura e, bom, toda aquela coisa de “não confie em estranhos”. – Kurt colocou as mãos nos bolsos e olhou em volta para checar que Adam ainda não havia voltado. Ele realmente queria ouvir aquele moreno cantando.
– Enfim, eu acredito que tenho uma música para tocar, certo? – Perguntou Blaine, retoricamente. O castanho assentiu, sentindo o olhar do músico fazendo-lhe corar. – Vamos lá, então. Você curte bastante coisa? – Outro aceno positivo com a cabeça. – Ok, se quiser pode me acompanhar. …E 1, 2, 3, vai. – Assim que Blaine começou a tocar, Kurt reconheceu a música e se preparou para cantar também.
“You’re only alone
‘cause everybody’s alone
skipping movies to the sad parts
it’s too hard
Forget about it, yeah, forget about it
And then you start getting old
and everybody you know
buries their past in the backyard
like track marks,
don’t ask about it, no
don’t even think about it
Time moves slowly, always chasing
something that you knew you left behind
Kids in love will do almost anything
kissing in the dark, scared to talk about anything
Kids in love with the girl on the tire swing,
Growing up now, growing up now quickly
There’s days that your home-“
– Kurt? – Adam os interrompeu. Blaine imediatamente parou de tocar. …E de sorrir. O inglês semicerrou os olhos e franziu o cenho, obviamente confuso e visivelmente irritado. – Quem é você? E por que vocês estavam cantando?
– Adam, amor, calma. – Tentou Kurt, em vão. Adam ainda estava bufando, respiração pesada. – Este é Blaine, ele mora… por aqui, e eu percebi que ele tocava. O pedi para tocar uma música e acabou que eu conhecia e comecei a cantar porque, bem, é o que eu faço. – Ele deus de ombros, seu namorado suspirou, massageando sua testa com os dedos.
– Me desculpe. Meu dia não foi exatamente bom e acho que ainda não me acostumei com caras dando em cima de você. Além do mais, hoje você completa dezoito anos e… pois é.– Blaine arregalou os olhos, quase engolindo com a própria saliva.
– Eu não estava dando- quer dizer, eu- não foi minha intenção-
– Não se preocupe, Bane. Kurt é bem bonito, eu devo admitir. – Ele piscou para o moreno, que abaixou a cabeça.
– O nome dele é Blaine. – Kurt disse, corrigindo o loiro.
– Isso… Blaine.
– Adam, eu esqueci o carregador do meu celular lá em cima. Pode buscar para mim e nós vamos? – O inglês respirou fundo e assentiu, entrando no prédio. – Me desculpe por isso, Blaine, eu juro que ele não faz por mal.
– Não esquenta, ta tudo bem. – Ele ofereceu um sorriso ao castanho. – Então… dezoito anos, huh?
– Hoje é o grande dia. Daqui a algumas horas, e um nome vai estar em meu corpo… eu espero. Adam já fez dezoito ano passado, em dezembro. Foi um alívio quando nenhum nome apareceu.
– Eu completei dezoito há um mês, mas acho que minha alma gêmea ainda não. – Ele deu de ombros. – De qualquer jeito, como é que eu a acharia numa cidade tão grande quanto Nova York?
– Ei, nunca perca a esperança! Nunca se sabe, Blaine, talvez ela esteja mais perto do que você pensa. – Kurt colocou uma mão em seu ombro e ambos sentiram um arrepio, dando um pulo pequeno para trás. – Eu- eu provavelmente deveria ir, mas que tal um jantar hoje?
– Eu adoraria, mas… – O moreno puxou seus bolsos, mostrando que estavam completamente vazios. Kurt abanou uma mão, sorrindo.
– Não se incomode com isso, de verdade. Me deixe te levar para jantar.
– Seu namorado não vai gostar que você saia comigo, Kurt, eu não quero causar nenhum alvoroço.
– Deixa disso, Blaine, Adam não pode mandar na minha vida. Além do mais, somos só amigos, eu e você. Ele não deveria estar preocupado! – Anderson assentiu, abaixando a cabeça quando viu o namorado do castanho saindo pela portaria. – Eu vou indo. Você tem celular?
– Deixe que eu anoto meu número no seu. – O castanho assentiu, e rapidamente o contato estava salvo. – Se eu não atender, provavelmente fiquei sem bateria, e estarei aqui.
– Tudo bem. Foi bom te conhecer, Blaine, você parece uma pessoa legal.
– Faço de suas palavras as minhas, Kurt. Prazer. – Nisso, Kurt virou as costas e deu um beijo rápido em Adam, acenando mais uma vez para Blaine antes de dobrar à esquina. O moreno pôde apenas observar e imaginar como seria o jantar dos dois.
Notas finais
Eu devo atualizar de duas em duas semanas, ACHO. Exceto na semana do dia 2/07 porque eu vou estar em provas!!!!!!!!!! Por favor não desistam da história juro que vai ser maneira!
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