Love, Lies And Smiles.
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Perdida.
Naquela noite a chuva estava absurda, a todos os momentos haviam avisos na TV sobre uma forte tempestade que provavelmente duraria a noite inteira. O apartamento de Naruto estava um verdadeiro silencio, pela hora Jiraya e Sasuke provavelmente já dormiam. Mas ele não conseguia pregar o olho. Agora que as provas finais tinham terminado, haviam mais duas semanas de aula pela frente e logo as férias de inverno chegariam. Após ela viria o vestibular do Instituto, mais isso era a menor de suas preocupações. Estava preocupado demais com Hinata e não podia entrar em contato com ela correndo o risco de Hiashi perceber. Ela também não disse nada além de “obrigado” quando ele a levou em casa. Sua cabeça ficava cada vez mais confusa. Ele levantou da cama, saiu do seu quarto e sentou no sofá na sala, começou a procurar o controle da TV mas logo tomou um susto com seu celular tocando, ele o pegou apressado, e quando viu o numero de Hinata ficou nervoso, ele atendeu o mais rápido que conseguiu mais a chamada só tinha um chiado alto, a chamada terminou e alguns segundos depois ele recebeu uma mensagem aparentemente pela metade. “Sai de casa, eu “
Ele deu um pulo do sofá, correu pelo corredores indo até o quarto de Jiraya mais ele não estava lá, ele voltou indo na direção do escritório, ele bateu na porta várias vezes e o chamou. Não obtendo resposta ele gritou.
— Estou saindo!
Mas antes que ele chegasse na porta, Jiraya apareceu no corredor.
— Parado ai mesmo! Onde você quer ir nesse tempo está maluco?
— Aquele Hiashi! Ele fez algo a Hinata, ele saiu de casa!
— Nesse tempo?!
Ignorando a ultima pergunta de Jiraya ele deixou o apartamento, pegou o elevador até a garagem, entrou em seu carro e logo deixou o condomínio. Ele tentou várias e varias vezes ligar para Hinata mas o celular estava desligado e a toda hora as chamadas iam para a caixa postal.
— Droga!
A chuva estava pior do que ele imaginava, mal conseguia enxergar o que tinha a sua frente e era obrigado a andar muito devagar. Ele levou quase duas horas para chegar frente a casa de Hinata. Agora ele teria que descobrir para onde ela foi, não tinha nada aberto, já era quase quatro da manhã e a chuva e o frio estavam fortes demais. Ele começou a rodar pelas ruas procurando por ela até que seu celular tocou. Era Sasuke.
— Encontrou ela?
— Não. Estou procurando nas ruas próximas a casa dela.
— Quando encontra-la venha direto para cá, vem pela rodovia principal que está em melhor estado. Eu busquei Sakura.
— Não seria melhor leva-la para um hospital? Se ela estiver muito tempo nessa chuva...
— Se ela estiver e você a levar para um hospital Hiashi será notificado e só vai piorar as coisas para ela.
— Certo, vou leva-la para casa.
Após rodar todas as ruas perto da casa dela, ele decidiu refazer o caminho que ela tinha que tomar para pegar o metrô que era um pouco longe. E quando ele estava quase chegando na estação, viu uma única pessoa andando na chuva, com passos lentos e desequilibrados, ele a reconheceu na hora, parou o carro, abriu a porta do carona e logo após a porta dele.
— Hinata! Sua idiota por que não me esperou em um lugar longe da chuva?!
Quando ele chegou perto dela, ela parecia estar alheia a tudo, o corpo dela tremia violentamente e ela estava muito gelada, na mesma hora ele a empurrou para dentro do carro e voltou para o mesmo, assim que fechou sua porta ele aumentou a potencia do aquecedor e pegou uma grossa coberta que estava atrás do banco e jogou sobre ela para logo após seguir em direção a sua casa.
— Naruto... kun?
— Sim, sou eu, quem mais viria buscar você nesse temporal maldito? O que você tem na cabeça para ter feito isso?
Mesmo ela não respondendo ele poderia saber logo de cara o por que dela estar na rua em meio a aquele temporal e todo aquele frio. As manchas roxas no rosto dela e no pescoço eram claras. Assim que ele entrou na rodovia e viu que poderia andar um pouco mais rápido agradeceu a Sasuke por ter avisado sobre isso. E após algum tempo finalmente entrava em seu condomínio e na garagem de seu prédio.
— Vem. Consegue ficar em pé?
Ela tentou sair do carro mais ainda tremia demais e estava com o equilíbrio pior do que antes. Ele passou o braço dela pelo seu pescoço e a pegou no colo, fechou a porta do carro com o pé e seguiu até o elevador. Ela continuava gelada como antes e tremendo violentamente em seu colo até que a tremedeira começou a parar.
— Hinata?
Não teve resposta e ele percebeu que ela olhava ao redor tentando se situar, estava claramente confusa. Ele se lembrava perfeitamente do curso de primeiros socorros, movimentos lentos e confusão indicam uma hipotermia de moderada a grave. Assim que o elevador chegou ao andar correto ele já gritou por Sasuke e Jiraya que abriram a porta para que ele entrasse direto, ele levou Hinata para o quarto de hospedes onde Sakura e também Ino esperavam, assim que ele a colocou na cama Ino o empurrou para fora do quarto e fechou a porta, ele seguiu para o escritório de Jiraya pegou a garrafa de uísque, encheu um copo, sentou no pequeno sofá e bebeu tudo de uma vez só.
— Ei, ei, ei! Ficou louco? – advertiu Jiraya – Isso é dos fortes, não é essas bebidinhas que você está acostumado a beber...
No mesmo momento o copo se quebrou espalhando os cacos pelo chão, as mãos dele estavam tremendo, ambas. Sendo que uma agora estava cheia de cortes.
— Continua o mesmo pirralho emotivo... – ele pegou um lenço que estava sobre a mesa e puxou sua cadeira para a frente de Naruto e o fez abrir a mão. – Respira devagar, se você inventar de ter um ataque nervoso agora eu vou te que levar você para o hospital e quem vai ficar com a garota?
Ele tentava respirar devagar e parar de tremer enquanto Jiraya tirava os cacos que ficaram em sua mão.
— Não é como naquele dia. Ninguém vai morrer. Você se lembra da promessa que nós fizemos um para o outro não é?
— S-Sim...
— Então se controle, respire de vagar, pare de tremer e seja forte como você sempre foi depois daquele dia. Agora vai, enrola esse lenço na mão, vê a garota e depois faça um curativo.
Naruto levantou, e antes de abrir a porta ele murmurou um obrigado e deixou o escritório, Jiraya logo após fez o mesmo mais parou ao ver que Sasuke estava encostado na parede ao lado da porta.
— Velho... Como ele está?
— No limite dele. Não sei se vamos conseguir adiar a próxima crise... Faz anos desde a ultima.
— É aquela garota.
— Hã?
— Hinata. Ela é a razão das advertências e dos problemas lá no Instituto... Ele nunca te contou?
— Não, você sabe que ele não conta... Aposto que você descobriu observando. – Sasuke riu.
— Desde o primeiro dia de aula ela foi ridicularizada por ser bolsista. Embora eu e Naruto e principalmente ele sempre achamos que ela é muito mais inteligente do que a maioria das pessoas naquele lugar, afinal ela venceu um concurso com milhares de pessoas praticamente gabaritando as provas. Ele tentou se aproximar dela no começo, mas depois daquele trote...
— Trote? Aquela bagunça que uns meninos fizeram no banheiro e terminou com vocês dois espancando eles o que lhes rendeu duas semanas de suspensão?
— Sim.
— Então as marcas no corpo dela...
— Nem todas. Quando todos começaram a perceber que tocar nela significava levar uma surra, os meninos começaram a deixar ela de lado e as garotas começaram a pegar pesado. Mas a maioria das marcas provavelmente vieram de Hiashi...
— Então ele chegou a esse ponto... Agredir a própria filha...
Quando entrou no quarto onde Hinata estava, ele a viu deitada na cama com vários cobertores em cima e em uma sacola o que deviam ser as roupas encharcadas dela.
— Como ela está?
— Melhorando... Ino e eu trocamos as roupas dela e estamos a aquecendo gradualmente.
— Não seria melhor um banho quente?
— Poderia causar uma arritmia ou coisa pior... Bom nós precisamos realmente dormir, você vai ficar aqui?
— Sim.
— Então assim que as mãos dela ficarem menos geladas coloque os outros cobertores sobre ela. Assim que ela acordar de algo morno para ela beber.
— Certo... – Ino deu um sorriso e deixou o quarto mais antes que Sakura saísse ele a chamou. – Pode dar uma ajuda aqui? – ele mostrou a mão com o lenço que agora já estava rubro. Ela o olhou feio mas abriu a bolsa com remédio e tudo o mais e sentou frente a ele no chão.
— Você está bem?
— Sim... Apenas não consegui parar de apertar o copo.
— Escuta... Ela está bem machucada... Eu passei uma pomada para aliviar a dor nos braços e nas pernas dela. Mas ela está realmente machucada... Ela apanhou bastante, não faça perguntas desnecessárias certo? E vai arder. – ela segurou a mão dele que reclamou quando ela derramou um líquidos nos cortes.
Após terminar os curativos ela deixou o quarto fechando a porta. E no momento em que ela fez isso ele sentiu seu coração disparar, respirar ficou difícil e a sua visão embaçou. Suas mãos tremiam sem controle algum.
— Naruto?
A voz dela saiu baixa e quase como um sussurro mais foi o suficiente para ele ouvir, logo após ele sentiu a mão dela agora menos gelada passar em seus cabelos e logo após procurar suas mãos. Mas no momento em que encontrou uma delas ela tentou se levantar ao perceber o quanto ele tremia.
— Naru –
— Não precisa levantar. Logo vai passar... Vai passar...
Como a voz dele saiu carregada e tremida de nada adiantou ele pedir que ela não levanta-se pois foi o que ela fez e ficando de joelhos frente a ele foi que ela percebeu o que acontecia. A outra mão que estava livre e enfaixada permanecia na testa dele enquanto a camisa que ele usava estava molhava na altura do peito com tantas lágrimas, e ele não conseguia respirar direito.
— Quer que eu chame alguém?
— N-Não... J-Já vai passar.
Após terminar a frase ele fechou os olhos e desmaiou, ela estava pronta para chamar Sasuke mas ele entrou no quarto antes disso. Ele se aproximou e apenas colocou a mão na testa de Naruto.
— Um pouco de febre... Não vai precisar de cuidados médicos.
— O que houve Sasuke-san? – a voz dela estava claramente preocupada.
— É tipo um colapso. É um trauma que ele desenvolveu quando os pais morreram. Jiraya já o levou a todos os médicos possíveis e fez todos os exames recomendados mas nunca nada foi encontrado, uma médica que é amiga de Jiraya diagnosticou isso como um trauma mental que ele tem... – ele encarou Hinata fazendo questão de frisar a frase a seguir – Isso acontece quando alguém importante a ele corre o risco de morrer, ele começa a relembrar o dia em que nossos pais morreram e não consegue se controlar. Na primeira vez que isso aconteceu ele fugiu do hospital e Jiraya só foi encontra-lo horas depois frente ao tumulo dos pais dele, ele disse que não queria voltar para casa, que queria ficar sozinho para sempre para não perder ninguém. Jiraya prometeu para ele que jamais deixaria ele perder alguém importante. A promessa funcionou já que ele era apenas uma criança mais mesmo hoje em dia a promessa funciona.
Ele levantou Naruto e o colocou na cama, logo após foi a direção a porta.
— Se você puder ficar de olho nele eu agradeço.
Logo após ele deixou o quarto deixando Hinata completamente corada enquanto olhava para Naruto. Depois de alguns minutos ela voltou para a cama e deitou-se ao lado dele, sua cabeça estava confusa enquanto seu coração voltava a sentir aquela felicidade de dias atrás quando estava na casa de Sakura com ele. Ele disse a amar... Ele foi procura-la quando ela precisou e agora Sasuke confirmava que para ele, ela era especial. Ela era importante. Ela sorriu por um momento, por um momento ela o permitiu acesso para aquele local onde ela imaginou que ficaria vazio para sempre, desde que sua mãe morreu, desde que entrou naquela maldita escola ela jamais voltou a sorrir sinceramente e de forma espontânea como aquela, não houve uma vez nos últimos anos em que estivesse feliz ou sentisse vontade de estar perto de uma pessoa. E isso era exatamente o que sentia quando estava com ele, de uma hora para a outra ele simplesmente entrou na sua vida sem pedir licença ou se importar com as barreiras que ela impôs para ficar protegida. E ele atravessou cada uma dessas barreiras como se elas fossem feitas do mais fino papel. Ele estava lá, gravado em seu coração, impresso em sua alma de uma forma tão forte que ela não tinha mais defesa alguma contra ele.
Estar com ele era como se as diferenças sociais entre eles fossem algo inexistentes, era como se ao estar com ele tudo que importasse era apenas isso, estar com ele. Ela começou a rir sozinha enquanto levava uma mão aos olhos por debaixo dos grossos cobertores. Ele estava acordado quando ela ligou, se ele estivesse dormindo não teria atendido tão rápido, não teria lido sua mensagem e não teria ido busca-la. Ela chorava a medida que as coisas ficavam mais claras, ela conseguia mais estar longe, os dias após aquele fim de semana na casa da Sakura foram um inferno, não poder falar com ele por proibição de Hiashi e por vergonha dos machucados em seu corpo... Mas ela parou de pensar quando sentiu ele se mexer na cama e no segundo seguinte ele entrou embaixo dos cobertores a encarando com um sorriso.
— Aquele emo idiota veio aqui e te contou tudo não foi?
— Sim... Como você sabe?
— É típico dele... Então você já sabe o por que de eu ter tido um colapso correto? – ele levou a mão enfaixada até os cabelos dela.
— Sim... Me desculpe eu... Eu fiquei preocupada, eu estou confusa demais, eu não sei nem o que dizer.
— Apenas me prometa que não fará uma idiotice dessas outra vez, eu não quero perder você.
— Tudo bem... Eu quero me desculpar por não ter falado com você todos esses dias. Eu estava com vergonha, não queria que você me visse como estou agora...
— Não tem problema. Bom eu vou para o meu quarto e deixar você descansar. – ele iria se virar para sair da cama mais ela segurou seu pulso impedindo que ele soltasse seus cabelos.
— Eu não quero ficar sozinha... por favor. – ele iria dizer alguma coisa, mas apenas sorriu e a abraçou. – É provável que eu faça coisas que você não vai entender. É possível que eu fuja de você, é possível que eu tente afastar você. Eu ainda não consigo organizar meus sentimentos, ainda não consigo dizer o que sinto por você. E também não consigo esquecer todos os machucados que estão no meu corpo e no meu coração... É possível que eu também tenha medo de você... Mesmo sabendo disso tudo você ainda irá continuar comigo?
Ele soltou os cabelos dela e levantou seu queixo, ele a beijou, de forma simples. Sabia que qualquer coisa além daquele gesto não seria suficiente para usar como resposta. E logo após ele caiu no sono a fazendo rir e depois de se ajeitar aconchegada nele, fez o mesmo.
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