Notas iniciais
Olá pessoal. Bom, eu adiantei o post em algumas horas pois amanhã e quinta não terei como postar! Agradeço a LaryT que me avisou do meu lapso de deixar a fic marcada como terminada. O fato é que eu sou extremamente distraido quando sou eu que posto as minhas fics... Bom, vamos ao capítulo.

Um casal?

E eles estavam ali, sentados no banco da varanda, enrolados em cobertores e aquele momento vergonhoso parecia que jamais teria fim, ela estava corada, envergonhada demais até mesmo para tirar sua mão da testa dele. Mais o que era aquele olhar? Por que o sentimento que eles revelavam faziam seu coração saltar em seu peito? E o mais importante, o que seu coração já sabia e sua mente desconhecia? O brilho alegre que estava naqueles olhos azuis de padrões fora do comum, é confortante, quente.

Mais os devaneios dela pararam quando ele segurou sua mão, a mesma que estava em sua testa, a levou para longe de seu rosto, mais não a soltou.

— Eu -

— Há! Ai estão vocês e... – Ele parou de falar quando percebeu o que estava acontecendo na varanda. – Opa, estou interrompendo algo?

Quando Gaara terminou de falar Sakura e Ino brotaram na porta em uma velocidade impressionante, olharam para os dois e para Naruto ainda segurando a mão de Hinata. E só nesse momento que ela recolheu sua mão o mais rápido que pôde. E o olhar ameaçador que Sakura e Ino mandaram para Gaara já foi suficiente para ele perceber que sim, ele interrompeu algo. E antes que ele pudesse se pronunciar foi empurrado por Sakura e Ino para dentro da sala outra vez.

— Eu... Eu estou realmente feliz sabe. – Ela o olhou curiosa. – Desde o primeiro ano que eu tento fazer algo sobre você sabe, desde o primeiro dia em que eu vi você na escola eu queria ir até você. Mais eu não consegui sabe, nunca tive problemas para me relacionar com ninguém. Mais eu não consegui chegar em você. E depois da pegadinha que você sofreu no primeiro ano, eu queria estar com você sabe, mais com o tempo você foi ficando cada vez mais triste e distante, eu queria fazer alguma coisa em relação a isso. Mais não consegui.

Ela nada disse, não conseguiu formular nem mesmo uma simples palavra, seu sorriso havia se perdido naquelas palavras e seu peito queimava, ele se importava tanto assim com ela? Não, deveria ser um mal entendido, um engano, não havia como ele gostar tanto de alguém como ela, de se preocupar com alguém como ela. Mais ele já tinha dito não? Que não era como os outros, que ela não deveria julgá-lo com base no que ele possui, e sim julgá-lo com base no que ele é, então o que deveria fazer? O que era aquele brilho todo em seus olhos? O que são aqueles sentimentos nos olhos dele? Aqueles sentimentos calorosos que fizeram seu coração disparar e sua mente embolar ainda mais? O que ela deve pensar? Sua mente continuava formulando todo tipo de situações e suposições enquanto ele apenas olhava para o líquido grosso e marrom escuro na sua caneca que continuava a fumegar e hora ou outra ele dava uma pequena bicada, e ela continuava ali, com a face rubro, as bochechas ardendo de tão coradas, o coração quase explodindo de tanta excitação e desejo. Mais pelo o que? Sua mente não lhe dizia nada de útil enquanto seu coração insistia em apenas gritar em seu peito, bagunçava ainda mais seus pensamentos, e o que dizer então dos seus sentimentos!

— Eu... – Ela arriscou, mais parou. Ele não a olhou, mais estava claramente a ouvindo com toda a atenção que podia dedicar.

Seus sentimentos. O que exatamente eles são? Nos últimos dias, aquele garoto de cabelos loiros e bagunçados que entrou tão bruscamente na sua vida agora ocupava um lugar que ela não podia tirá-lo, não conseguia separar seus pensamentos, em tudo que pensava ele estava presente, e nos últimos dias estava desesperada se perguntando o que aconteceria quando acabasse as aulas. Ele iria parar de lhe sorrir toda manhã? Eles não se veriam mais? Pensamentos como esse machucavam seu coração de uma maneira tão cruel que não conseguia nem mesmo manter a calma, nas últimas noites acordava sempre chorando, ofegante, entre soluços e pesadelos que envolviam nunca mais vê-lo. Ou vê-lo com outra pessoa.

°°°

Durante aquela noite, quando o sono finalmente veio e todos desistiram dos filmes, Sakura e as meninas foram para o quarto dela e os meninos se embolaram no quarto de hospedes. Mais enquanto Sasuke, Shikamaru e Gaara babavam e roncavam, Naruto permanecia acordado e incomodado, até que após vários minutos um sono fraco lhe veio. Sono tão fraco que o vez acordar com o primeiro barulho que lhe veio aos ouvidos, catou freneticamente seu celular perto de seu travesseiro enquanto um cansaço mortal abatia seu corpo, quase 4 da manhã, havia dormido por mais tempo do que imaginou que dormiria, mais os pequenos barulhos continuavam, e um tanto curioso levantou, colocou o grosso casaco e saiu do quarto, estava tudo quieto, estaria provavelmente imaginando coisas. Seguiu então para a cozinha sentia uma fome colossal. Mais parou completamente ao ver que já havia alguém lá. Lá estava ela, com o mesmo pijama lilás, as mesmas pantufas... Ela se assustou ao vê-lo.

— Naruto-kun?

Ela estava com os olhos levemente vermelhos e a face molhada de lágrimas, ele por um momento não controlou a si próprio e se aproximou dela a ponto de lhe tocar o rosto e limpar suas lágrimas, ela o encarou assustada pela atitude inesperada dele.

— Não, por favor... Não olhe para mim agora!

Já era tarde, ele segurava ambas as mãos dela que tentavam sem sucesso esconder seu rosto, e lá estavam, seus olhos, espantados, vidrados. Tinham certeza que não conseguiriam ocultar nada um do outro naquele momento, ambos os olhos diriam tudo que mais guardavam, como as mais largas e transparentes janelas, elas mostrariam tudo que estava no coração um do outro.

E agora eles estavam ali, encarando um ao outro de mãos dadas, e completamente corados.

— Desculpe, não posso ficar aqui.

Ela soltou as mãos dele e saiu da cozinha, e saiu de lá apressada, ele a seguiu e antes que ela seguisse pelo corredor para ir ao quarto de Sakura ele segurou seu braço e impedindo de continuar.

— Desculpe se estou sendo egoísta mais. Eu... – Ele parou e apenas largou o braço dela, mantinha o rosto levemente inclinado para baixo deixando seus olhos escondidos.

Ela não respondeu enquanto ele seguiu para o quarto.

°°°

Um ronco alto invadiu o quarto e depois um travesseiro voou em sua cabeça, o acordando na mesma hora. Ele levantou nervoso, mais todos ainda dormiam e ainda não tinha amanhecido. Catou novamente seu celular. Cinco em ponto da manhã. Levantou estressado, com o estômago roncando como se tivesse que alimentar um monstro, estava com fome, mal humorado e agora a ponto de matar Gaara que era o dono do tal travesseiro. Ao lembrar do encontro repentino com Hinata na cozinha durante a madrugada se sentiu a pessoa mais idiota do mundo, e ainda por cima mal tinha dormido essa noite. Mais ao sair do quarto, outro encontro inesperado, Hinata estava no sofá da sala enrolada em um cobertor e assistindo TV, e agora ela o encarava um tanto que desajeitada, ele olhou para ela, deu um breve sorriso e seguiu para a cozinha onde caçou alguns pães e fez chocolate quente, não só para ele, mais para ela também já que a mesma também estava com cara de quem não comera nada. E então ele seguiu para a sala, sentou-se ao lado dela e colocou a bandeja com os pães e as canecas de chocolate na mesinha de centro, ela olhou para ele por um minuto como se perguntasse se a outra caneca ela para ela, mais ele já olhava para a TV.

— Obrigado.

— Ah, sim, você também com uma cara de fome.

Poucos minutos depois a comida já havia acabado assim como os chocolates. Ele porem se sentia desconfortável, não por estar ao lado dela, mais por estar extremamente frio e ele estar descoberto. Até que ela percebeu isso e com a face mais vermelha que um tomate se desenrolou de seu cobertor e o jogou sobre os dois. Com o tempo estavam tão juntos um do outro que ficava desconfortável pelo fato de tentarem não se encostar.

Até que ele apenas moveu o braço por trás do pescoço dela e a trouxe para perto dele, a pegando de surpresa, mais para a surpresa dele, ela não disse nada, apenas pareceu congelar por alguns minutos, até que depois, agora para a surpresa de Naruto ela se aconchegou ao lado dele apoiando a cabeça em seu peito. Ele levou vários minutos para conseguir falar, mais quando conseguiu a respiração pesada dela confirmou o que ele já suspeitava, ela caíra no sono.

E ele continuou ali, parado, apenas a observando, os cabelos azuis, lisos e compridos espalhados pelo rosto. A face serena, a boca delicada. Ele levou a mão ao rosto dela afastando as mechas de cabelo azul do rosto imerso em um sono pesado, a textura de seus cabelos, a sensação que causavam nele ao espalharem pela sua mão fazia seu peito queimar. Ela parecia uma perfeita boneca de porcelana, e ali ele ficou, até sentir seus olhos pesarem e o tão aguardado sono chegar. Ele dormiu, um sono tão pesado que nada parecia chegar a seus ouvidos, nem mesmo os batimentos ainda descontrolados de seu coração ou os pensamentos que gritavam em sua mente. Tudo ficou calmo.

°°°

Horas depois Sakura foi a primeira a acordar, e ao ver Naruto e Hinata deitados no sofá, ela daria um pequeno grito de empolgação, mais Ino apareceu rapidamente atrás dela tapando sua boca.

— Sua idiota! Vai acordá-los! Fica quieta! Já quase matei o Gaara ontem por interromper e agora você quer botar todo nosso plano por água abaixo?

Ela continuou a tapar a boca de Sakura e arrastou a amiga para a cozinha.

— Desculpe, fiquei empolgada. – Se justificou Sakura.

— E sua empolgação quase colocou tudo a perder! Mais agora eu fiquei curiosa.

— Por?

— Como por sua lesada! Para que serve essa sua inteligência se ela não funciona nas horas cruciais Sakura?! Quero saber como eles chegaram naquela situação e – Ino ouviu a porta do quarto em que os rapazes estavam abrir e no mesmo momento ela e Sakura emitiram um brilho assassino no olhar e dispararam para o quarto onde eles estavam empurrando Sasuke que abria a porta, entraram e trancaram a porta.

— Mais que merda? Estão malu – Elas pularam sobre Sasuke tapando a boca dele.

— Cale a boca idiota! Fala baixo!

— Tá, tá! Mais pra que tudo isso? – resmungou ele se livrando das mãos de Sakura e Ino.

— Vem cá! – Sakura o agarrou pela gola da camisa e o mostrou o por que de quase matarem Sasuke de susto.

— Oho! Parece que ele não é tão lerdo quanto parece.

— Acho que ele teria sido mais rápido que o Gaara não tivesse se metido! – bradou Ino olhando feio para Gaara que apenas deu de ombros. – Queria saber como foi que eles chegaram nisso.

— Ah isso? – Disse Sasuke com certo interesse. – Naruto vem tendo insónia nos últimos dias, ele levantou umas duas ou três vezes nessa noite.

— Isso me deixou ainda mais curiosa. Sakura, tira uma foto deles!

— Já fiz isso! – Disse ela pegando a pequena câmera amarrada a uma correntinha em seu pescoço.

°°°

A medida que as horas passaram a nevasca do lado de fora ficava tão forte que o vento se chocando com a porta de vidro corrediço da varanda começava a emitir um barulho um tanto que irritante, e em meio a isso ele acordou. A visão embaçada, os olhos pesados. Ele olhou para a porta de vidro, e embora o vento e a neve lá fora indicassem que o frio dominava o clima, ele se sentia perfeitamente quente e confortável. Até que o causador de tal sensação quente e confortadora chamou sua atenção. Ele corou de maneira tão violenta que teria certeza que Sasuke o zoaria pelo resto da vida se o visse naquele exato momento. Ele estava deitado no sofá largo da sala, e ali, no cantinho do sofá, entre o encosto e ele, estava ela. Com a cabeça entre seu braço e seu peito, aconchegada em seu corpo, com um braço sobre seu peito perto de sua mão e uma das pernas sobre a sua.

Ela realmente estava ali. Não tinha sido um sonho afinal de contas, ali estava Hyuuga Hinata, agarrada a ele, imersa em um sono tão pesado que o quase pulo que seu corpo tentou dar nem mesmo a fez cogitar abandonar seus sonhos. Ela tinha as bochechas levemente coradas e o cabelo azul estava novamente espalhado por todo o lugar. Em qualquer canto que ele olhasse entre seu pescoço, o sofá e a coberta até certa altura, havia pelo menos um fio azul espalhado, ela respirava devagar, tão suave que era quase preocupante, ostentava uma expressão tão calma e alegre enquanto dormia ali aninhada entre Naruto e o sofá que o fez ter a vontade de permanecer naquele momento pelo resto de sua vida.

Mais então, ao olhar em volta novamente, um choque de realidade lhe subiu pela espinha tão rápido quanto o mais sombrio dos arrepios. Ele não estava em casa. Estava na casa de Sakura! Ele, Sasuke, Gaara e Shikamaru, Sakura e Ino! Estavam todos ali! Mas... Estava tudo terrivelmente calmo. A TV bem baixinha e um silencio preocupante, ficou vários minutos a espreita com os olhos correndo cada canto que era possível observar em se mexer. Mais não havia nenhum movimento, nenhum sinal de uma possível pegadinha. Até que seus olhos correram a mesinha de centro ao seu lado, havia um bilhete apoiado em alguma coisa, com as letras caprichosamente desenhadas de Sakura. E lá dizia:

“Fomos na rua, eu e Ino carregamos os rapazes conosco! Shikamaru irá para casa, iremos procurar algo diferente para jantar e alguns filmes que não vimos, só voltamos a noite!

PS: Vocês fazem um belo casal!”

No final do bilhete havia uma carinha sorridente com dois olhos em forma de estrelas, reconheceu na hora a mania compulsiva de Ino, ela desenhava aqueles smiles em todo o lugar possível, até mesmo nas provas da escola. Mas novamente sua face ficou rubro. “Um belo casal” aquelas frases fizeram seu peito queimar e seu coração acelerar de tal forma que ele jurou que teria um ataque cardíaco a qualquer minuto.

De repente seu coração saltou em seu peito, ela se mexeu de leve e soltou um pequeno “hum...” enquanto suspirava. E por algum motivo todo o brilho escapou dos olhos dele, seu peito foi invadido por um vazio tão grande que machucava, aquilo parecia congelar o sangue em suas veias, a realidade tinha invadido sua mente de uma forma tão cruel que chega a ser desumano. Hinata não era como qualquer garota inocente. Embora inocência, ingenuidade, meiguice e mais vários adjetivos que ele poderia usar para classifica-la fizessem parte do vasto repertório de sentimentos que a garota inspirava, ela era uma pessoa com uma coisa que não combinava com nada daquilo. Os machucados que ela tinha não eram do tipo que se curariam com apenas um “olá” quando ela acordasse. Ou mesmo com um “eu te amo”. Coisa que ele quase disse quando a segurou durante a noite.

Embora ela estivesse ali, reclusa a seu mundo de sonhos, ele não sabia qual seria a reação dela quando acorda-se, mas sabia de uma coisa. O medo que sentia de tal momento era tão intenso que apertava seu peito como uma prensa. Tudo parecia ter ficado cinza e sem vida ao redor dele enquanto apenas ela ainda sustentava a alegria daquele momento.

Mas ora, ele não podia prever nada disso, foi ela quem escolheu aquele momento quando aceitou que ele a abraçasse, então ele não tinha com o que se preocupar certo? Errado, aquela possibilidade inquietantemente viva dela se arrepender do que fez o fazia se sentir com tanto medo que apagava qualquer outro sentimento do seu corpo. E então nesse instante ele sabia exatamente o que eram aqueles sentimentos. Não tinha nenhuma certeza deles até essa noite, mais agora, eles estavam mais claros do que a água. Amava Hyuuga Hinata, amava ela de uma forma tão grande e inesperada que se tornava sufocante. E então o momento chegou, ele viu ela abrir de leve os olhos, ainda tonta de sono e tentando se orientar. Na mesma hora ele catou rapidamente o controle da TV sobre a mesinha de centro e voltou sua atenção para a TV tentando manter seu interesse na mesma, tentando fingir que não havia percebido o despertar da garota.

Ela por sua vez teve a mesma sensação de Naruto, embora o barulho do vento e da neve a fizesse imaginar seu corpo congelando e tremendo de frio, seu corpo estava aquecido, da cabeça a ponta dos dedos dos pés, estava completamente confortável e aquecida, aconchegada em... Em... E a verdade bateu em sua cara tão forte que se jogassem um ovo em sua testa, tinha certeza que ele fritaria de tanto que sua face esquentou de vergonha, ela estava ali agarrada a Naruto, como se ele fosse uma imensa almofada aquecida, cheirosa e macia.

Seus olhos percorreram toda a situação destapada pelo cobertor enquanto seu corpo tratava de deduzir o resto, via seu rosto aconchegado nele, apoiado no ombro dele, bem perto do rosto dele, seu braço sobre o peito dele assim como a metade de seu tórax, e uma perna em cima da dele, correu os olhos pelo rosto dele, ele ainda aparentava sono, mais o olhar sonolento estava completamente entretido com a TV. Ela apertou de leve o casaco dele, o aroma dos cabelos dele e o leve perfume de sua pele invadiam seu corpo que parecia inerte aquela situação vergonhosa, e seu coração não estava nem ai para o que seu cérebro julgava como vergonhoso, pelo contrário, estava completamente feliz, batia de uma forma tão rápida e alegre que ignorava completamente qualquer pensamento negativo que viesse em sua mente, parecia que pela a primeira vez, seu coração havia tomado voz em sua mente, gritando para ela que nada estragaria aquela alegria, nem mesmo o mais negativo sentimento, nada o faria parar de bater alegre, de ostentar o compasso feliz que não tinha fazia anos. A convicção de seu coração era tão intensa que por um momento ela pensou que fosse o coração de outra pessoa. Até que parecendo ter vida própria, ele a fez lembrar de como ela era antes de se fechar para tudo e todos, para todos os sentimentos que pudesse vir a criar por alguém. Havia dor naquelas lembranças, uma dor nua, crua e fria. Tão forte e intensa que poderia lhe congelar por inteira. Ou melhor quase inteira. Sabia que naquele momento, naquele pequeno momento, nem sua dor, nem o muro que construiu ao redor de si tentando impedir que qualquer um a encontrasse, nem mesmo aquela dor aguda poderia congelar seu coração e quebrar a felicidade que o fazia inflamar em um gostoso calor.

— B-Bom d-di-dia. – Ela gaguejou até não dar mais, e com os olhos ainda fixos no rosto dele, viu o mesmo ser pintado de vermelho quando ela falou.

— Bom dia. – Ele disse firme, tentando não mostrar sua vergonha, mais sabia pelo tom de sua face, que isso era em todos os sentidos, impossível.

Foi então que outro momento de completa e inegável vergonha se estendeu, ele virou o rosto para encará-la, mais as faces acabaram tão próximas que poucos centímetros separavam as duas, e naquele momento, ovos podiam ser fritados nas duas. Ele afastou o rosto na mesma hora olhando para a TV novamente enquanto tinha certeza que ela continuava a encará-lo completamente paralisada. Aquele momento parecia tão surreal que não sabia o que falar, e agora, nem mais como reagir a isso, apenas apertou o casaco dele e afundou seu rosto no peito do garoto.

— Desculpe se te deixei envergonhada. Mais você estava dormindo tão tranquila que não quis acordar você.

Tranquila? Podia contar quantas noites tranquilas teve nos últimos três anos. As noites conturbadas, recheadas de pesadelos, sono leve, e insônia eram tão frequentes que uma noite de sono tranquilo era tão raro quanto um milagre. Estava acordada as cinco da manhã por que estava tendo pesadelos e um sono terrivelmente instável, nas últimas semanas vinha revivendo as piores memórias que tinha em seus sonhos. Mais então por que dormiu tão tranquila ao lado dele? Não tinha como responder, nunca tinha tido uma experiência como aquela. Dormir agarrada a um garoto. E o mais vergonhoso, com o garoto pelo qual ela nutre sentimentos fortes e que ainda não conseguiu classifica-los de forma correta. Mais então antes de mais nada, seus olhos voltaram a pesar. Estava tão envolvida naquele momento que o aconchego que o corpo e o calor dele traziam ao seu corpo que o sono bateu em seu corpo tão forte que não conseguia manter os olhos abertos, sentiu a mão dele tirar as mexas de seu cabelo que tapavam sua face, e pode por um momento, ver que ele exibia um sorriso tão belo, tão carregado de sentimentos carinhosos para com ela, que sentiu seu peito doer de tanta felicidade. Não sabia o que era ser feliz desde que sua mãe morreu. Desde que entrou para aquela escola maldita, mais agora. Agora... Neste pequeno momento...

— Hã? – Ele se pegou de surpresa quando ouviu um leve gemido e ela voltou a agarrar o casaco dele. – O que foi Hinata? – ele perguntou preocupado com a garota que a dois minutos atrás dormia e agora se desmanchava em lágrimas agarrado a ele.

Neste pequeno momento, tudo é tão perfeitamente alegre e recheado de felicidade que cada pedaço do seu ser dói. Dói de uma forma inexplicável, os últimos anos de sofrimento que vem tendo parecem apenas um pesadelo agora que ela experimenta essas horas ao lado dele. Tudo é tão perfeito, em cada pequeno detalhe, que é extremamente doloroso, não consegue cessar suas lágrimas. Ela não consegue estancar essa dor aguda que é tão forte quanto as batidas de alegria de seu coração que permanecem inabaláveis.

— Ei! Hinata!

Ele afastou um pouco seu rosto e levou sua mão até o queixo dela levantando o rosto dela, ela a encarou, os olhos fixos nos dele, vidrados, afogados em grossas lágrimas.

— Desculpe! Desculpe, por favor, desculpe! – Ela repetia várias e várias vezes, como se estivesse sendo acusada do mais grave crime. Mais ele a surpreendeu mais uma vez ao não dizer nada, ele apenas a envolveu com um braço, e com o braço que antes segurava o controle, segurou sua mão entrelaçando seus dedos aos dela.

E dessa maneira, ela ficou ali, estática, vidrada, se afogando em lágrimas, com o coração ainda pulando com uma inexplicável felicidade e ao mesmo ferido com uma dor desumana. E vários e vários minutos se passaram até que finalmente as lágrimas afinaram e perderam quantidade.

— Não é um crime você ser feliz. – Ele parecia ler os pensamentos dela, mesmo sem olhar em seus olhos e ler cada pedaço dela como tinha certeza de que ele era capaz de fazer. – Você não está errada sendo feliz. Não é algo proibido, para se ter vergonha ou ser um motivo de punição.

Por mais alguns minutos eles ficaram em silencio.

— Eu não consigo Naruto-kun. – Sua voz saiu fraca, abafada pela dor que ainda a atingia. – Todo momento feliz para mim, sempre vem seguido de uma decepção ou de uma dor. E na maioria das vezes dos dois. Sempre sou punida a cada sorriso que eu formo, a cada brilho que eu sustento nos olhos. – Ela voltou a se agarrar nele que já havia largado sua mão e mexia nos seus cabelos. – E eu estou tão feliz! Tão feliz de estar aqui. Meu coração está cheio de tanta felicidade e alegria que tudo pelo que passei parece um pesadelo. Mais é como se ao mesmo tempo, meu corpo já esperasse pelo castigo. Por ter essa alegria! Eu não consigo suportar, é tão doloroso que não consigo suportar! Ter um sono tranquilo, me sentir confortável. Feliz, alegre, rir, sorrir. Me sentir querida. Eu não queria sentir nada disso pelo medo que eu tenho de experimentar a dor que sempre vem como cobrança pela escassa felicidade que eu experimento!

— Agora eu já sei o que tenho que fazer para lidar com todo o seu sofrimento. – Ela o encarou ainda mais espantada. – Tenho apenas que ficar ao seu lado não é? – Ele sorriu. – Se eu for capaz de suportar tudo isso, de te manter alegre e feliz, mesmo que não seja todos os dias, acho que eu vou conseguir fazer algo em relação ao seu sofrimento não é? Então eu vou apenas permanecer aqui. Vou sempre estar ao seu lado a partir de agora, então sempre que você se sentir triste ou sozinha, vai saber que eu vou estar do seu lado.

— O que você... – Ele a interrompeu.

— Te fazer sorrir. Te fazer feliz. Se eu puder ver o seu sorriso e a sua alegria, se eu puder ver seus olhos felizes, ver a sua alma feliz. Acho que suportar a sua dor, é um preço pequeno que eu pagaria com todo o prazer.

Ela permaneceu ali. Parada, agarrada a ele com medo de que aquele momento se desfizesse. E ele continuou a correr os olhos pelo rosto dela e a brincar com seu cabelo.

— Isso é sério? Tudo isso é sério?

— E eu pareço estar brincando?

Ela desviou o olhar, agora era ela que imersa em uma revoada de sentimentos, corria os olhos pelo rosto sereno que ele mantinha. E então ela escondeu o rosto no peito dele outra vez, se agarrando com força a ele.

— Isso não é uma brincadeira não é? Não é um sonho? – Ela perguntava, mais em um tom de súplica do que de uma simples curiosidade.

— Não. A menos que você queira voltar a dormir, isso não é um sonho. Você está aqui comigo.

Com ele! Ela esta ali com ele! A ultima frase dele ecoou tão forte em sua cabeça que deu outra súbita descarga de alegria em seu coração. Que por sua vez a obrigou a formular uma pergunta rápida e inesperada para ambos.

— Por que você está dizendo tudo isso Naruto?

A pergunta saiu cheia de curiosidade, mais absurdamente cheia também de um intenso carinho. E era a primeira vez que ela o chamava de Naruto, sem o –kun ou o tão chato e monótono Uzumaki-san.

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado! Desculpem por não responder a todos os comentários mais estou com o tempo apertado. Capítulo agora só Sabado ou Domingo.