Notas iniciais
Bom, como eu tenho bastantes capítulos escritos (embora esteja revisando e modificando a maioria) vou postar mais um para vocês!

Neve

Ele chegou em casa tarde, muito tarde. Tarde demais para qualquer explicação pegar. E ao deixar seu carro na garagem e ver o de Sasuke já parado lá, sabia que não poderia contar com ele para uma desculpa e que como o limite de hora que Jiraya deu foi 3 da manhã. Agora, as 4 e 20 da manhã, ele provavelmente, comeria o fígado, os rins, e qualquer outro órgão vital que conseguisse arrancar de seu corpo. E quando chegou em casa, ao ver aqueles cabelos branco-prateados nas costas do sofá, sentiu um sombrio frio subir pela sua coluna. Tentou ir em silencio e sem fazer qualquer barulho possível para o seu quarto. Mais, como previa, foi impossível.

— Parado ai mesmo! – ele levantou. Olhou bem para Naruto e a primeira coisa que percebeu foi agora que ele estava sem o smoking, a camisa social manchada de sangue com o cachecol enrolado no braço. – E o que diabos significa esse sangue?

— Me cortei! Só isso...

— Tá bom, por enquanto eu vou fingir que aceito essa mentira. Onde você estava? Eu fui bem claro não? Disse que o limite era 3 da manhã! São 4 e 20 e você me chega em casa ainda por cima com o braço ensanguentado!

— Eu tive que ajudar uma pessoa tá legal! Ela ia ser abusada em beco e –

— Espera ai! Você tá me dizendo que arrumou esse corte, brigando com estupradores em Tóquio?! VOCÊ ESTÁ BRINCANDO NÃO É? POR QUE DIABOS NÃO CHAMOU A POLICIA?

— Duas da manhã, em uma rua deserta de Tóquio? E ainda mais naquela área perto da escola?

— Naruto! Isso não é brincadeira! Eu sei que você luta bem, sei que tem uma força considerável, que é rápido e ágil! Mais enfrentar pessoas dessa laia! E armados! É sorte você ter apenas um corte!

— Eles eram uns idiotas... Dois deles nem viram o que aconteceu.

— Não interessa! E se eles não fossem?

— Ah velho, relaxa um pouco! – Sasuke apareceu na sala. – Cala a boca Sasuke! Se não quiser enfrentar a pior punição da sua vida vá para o seu quarto! – Ele levantou as mãos e voltou para seu quarto. – E você senhor Uzumaki! Sem carro, sem celular, sem internet! Sem NADA!

— VOCÊ NÃO É MEU PAI! – Ele gritou com Jiraya, estava irritado, nervoso demais para pensar nas palavras que iria usar, queria conversar com Jiraya, falar sobre tudo que estava na cabeça dele naquele momento, queria que ao menos ele percebesse tudo como sempre fazia. E aquela frase parece que abalara Jiraya mais do que Naruto previa.

— É... Eu sei que não sou Minato. E eu realmente lamento. Você sabe que eu daria a minha vida de bom grado pela a do seus pais e os do Sasuke. Mais você sabe que mesmo que algo como isso fosse possível, eu não valeria nem metade da vida de seu pai.

— Velho, desculpa eu –

— Deixe-me terminar, e depois você pode falar. Eu criei seu pai. Ajudei a criar Fugaku, dois garotos brilhantes. Minato sempre animado, otimista como você. E Fugaku... Bem, ele era carrancudo como o Sasuke. Acho que até mais se levarmos em conta que o Sasuke deve ser menos frio por causa da Mikoto... Mais... Aqueles quatro. Inseparáveis desde os 8 anos... Quando eles morreram, quando aquele acidente aconteceu... Quando fui acordado as 3 da manhã pela policia. Eu achei que morreria quando eles falaram. Mais saber que vocês dois, estavam vivos, dormindo em seus quartos. E que não sabiam de nada! Não sabiam que seus pais estavam mortos! Eu sai de casa de pijama, do jeito que estava, pensando em vocês, em como vocês reagiriam ao abrir a porta do quarto e ver todos aqueles policiais e seus pais ali no chão. Eu corri e cheguei lá o mais rápido. Eu tirei vocês dois ainda dormindo do quarto, os levei para o carro e só lá eu disse a vocês. – Ele parou, sentou no sofá, os olhos vazios, sem brilho algum, marejados, ele segurava as lágrimas o máximo que podia, era a primeira vez que Jiraya conversava sobre isso, e ele sabia que Sasuke estava encostado na parede do corredor — Sabe, eu vou entender se você quiser sua herança, vou entender se quiser ir embora, se achar que sou rígido demais e querer morar sozinho. Não vou te cobrar consideração, não vou dizer nada. Vou te entregar o que é seu e você pode partir. Não sou seu pai. Mais sabe que tenho vocês dois como meus netos.

— Não diga besteiras. Desculpe pelo que eu disse. Mais agora eu realmente preciso dormir. – Ele seguiu pelo corredor, passou por Sasuke e foi para seu quarto.

— Você sabe que ele disse aquilo no calor do momento, conhece ele. – Sasuke disso aparecendo na sala.

— Sim eu sei.

— Então por que disse tudo isso?

— Por que o seu irmão tem uma tendência imensa a confusões assim como Minato e Kushina. Tenho medo que ele faça algo realmente idiota. Afinal de contas, você sabe o que aconteceu? Vocês são mais unidos do que parece.

Sasuke deu um sorriso e olhou para Jiraya se sentado na poltrona perto do sofá.

— Se o que ele diz for verdade, ele foi ajudar Hyuuga Hinata.

— Hyuuga? Aquela menina que conseguiu a bolsa no Instituto?

— Ela mesma.

— Acho que ele está gostando dela. – Disse Sasuke com a voz mais simples do mundo.

— ELE O QUE? – Perguntou Jiraya se engasgando com o uísque que estava sobre a mesa de centro.

— Você sabe, ele é tapado demais para entender essas coisas com a velocidade de um ser humano normal, ou pelo menos com algum sinal de inteligência. Ma – e ZUM, novamente Sasuke abusou dos seus reflexos para desviar de um senhor livro que zuniu pela sua orelha e se espatifou na parede.

— SEU EMO DESGRAÇADO! QUEM É QUE NÃO TEM O MÍNIMO SINAL DE INTELIGENCIA?

— Tá, eu reconheço, você tem esse mínimo. – E antes que Naruto pudesse tentar assassinar Sasuke outra vez o mesmo já tinha desaparecido.

— Pare de tentar matar seu irmão! – Bradou Jiraya.

— Ah mais um dia eu ainda consigo!

— As vezes eu acho que deus está me punindo.

— Por?

— Para aturar vocês dois é claro! É incrível que ainda tenha alguma lucidez.

— E quem disse que você tem?

Ele se engasgou com o uísque, mais antes que Naruto sumisse, ele chamou pelo loiro.

— Tenha cuidado com o pai da garota.

— Por?

— Outra hora eu te explico.

°°°

Aquele sábado amanheceu especialmente frio, e julgando pela neve que começava a cair, o dia com certeza seria ainda mais frio. Mais ela não fez questão de sair de seu quarto, pegou mais uma coberta em seu armário e voltou para a cama. Seu peio dói, sua cabeça dói, por que de repente, tudo ao redor se tornou tão brilhante? Por que ele não sai da sua mente? Seu sorriso, seu olhar. Por que seu peito queima como se estive em brasas?

°°°

— Ei, velho –

— VELHO É O CA-

— Jiraya, palavrão...

— Ah! Sim... É que... – E então ele parou e percebeu que tentava dar explicações a um garoto de 18 anos.

— Ah! Que se dane! Agora fala criatura! – Disse apontando a faca para Naruto.

— O que você ia dizer sobre o pai da Hinata?

— Ah! – Ele franziu o cenho e mudou completamente o tom da voz. – Hyuuga Hiashi se não me engano. Era um dos sócios da empresa do seu pai.

Naruto deu um salto e Sasuke olhou para Jiraya surpreso.

— Então como ele pode estar naquela situação?

— Isso foi antes de você pensar em nascer! O escritório de advocacia Namikaze estava falindo já que seu pai não queria cursar direito, e quando ele terminou a faculdade de administração, ele mudou o nome e o ramo da empresa, Hiashi e o irmão gêmeo, Hizashi foram os primeiros sócios da nova empresa, Hiashi vendeu sua parte na empresa assim que seu pai casou com Kushina e a Uzumaki Financials comprou a empresa de seu pai, como o valor das ações subiram astronomicamente, Hiashi cresceu o olho. Vendeu sua parte e sumiu no mundo com o dinheiro. Hizashi porém ficou mais tempo junto de Minato, acho que um ano após você nascer que Hizashi vendeu sua parte para abrir a própria empresa. No ramo hoteleiro se não me engano.

— Tá mais como que ele torrou o dinheiro? E quanto que foi?

— Não sei ao certo, mais sei que deve ter chegado perto da casa dos milhões, isso se não passou. Bem, pelo que Hizashi me contou a uns dois anos, Hiashi torrou tudo com jogos, bebida e apostas. Quando a mulher ficou doente, o dinheiro já tinha acabado e ela acabou morrendo. Hoje pelo que sei ele trabalha em um restaurante de rámen, e segundo Hizashi, o irmão se afundou na depressão. Não sei que milagre ele ainda ter um teto para morar.

— Bom, acho que essa história explica em parte o por que da Hinata ser do jeito que é. – Disse Sasuke fazendo Naruto e Jiraya olharem para ele com uma cara de completa incredulidade. – Francamente será que vocês não conseguem deduzir nada? Se o Hiashi vendeu a parte dele antes de nós nascermos, vamos deduzir que ele levou certo tempo até se afundar nisso tudo, quando a Hinata nasceu ele ainda devia ter alguma coisa, ela deve ter crescido vendo brigas do pai e da mãe, situações que agente não imagina, anos depois assim que ela entra para o Instituto e sofre aquela pegadinha ridícula, a mãe falece, a irmã dela vai morar com o tio, e ela fica com o pai falido, depressivo. E ainda por cima estudando naquela maldita escola sendo ridicularizada todos os dias... – Ele deu uma pausa e bebeu mais café. – Será que você pode realmente Naruto, julgar as atitudes dela? – Mais uma pausa. – Nós sofremos perdas imensas também, é verdade, mais Jiraya sempre cuidou de nós, e digamos só hoje já que nunca mais diremos isso, sempre cuidou muito bem. Nós temos um teto, comida a hora que queremos, dinheiro, embora tenhamos que cumprir essas metas desumanas para consegui-lo. Mais e ela Naruto? O que ela teve todo esse tempo? Você não pode simplesmente abrir a porta da sua vida e convidar ela a entrar. Ela não vai. Mesmo que ela venha a gostar de você, ela não vai.

— Por que você acha isso?

— Você entraria? Depois dos anos de sofrimento que você teve, depois se sempre puxarem seu tapete, de sempre te derrubarem? Depois de te enganarem, te usarem para uma piada, você realmente iria ceder a segunda maravilhosa oportunidade que viesse? É lógico que não! Ela pode mudar um pouco é verdade, pode ser que as coisas que você disse ontem, mude algo, mais não vai muda-la por completo.

°°°

Após aquele café da manhã esclarecedor, Naruto pegou as chaves de seu carro e saiu antes que Jiraya tivesse tempo de proibir. Mais assim que entrou em seu carro ele observou algo brilhar sobre o banco do carona. Ele levou a mão até o brilho e uma correntinha estava ali, era dourada e tinha um pequeno pingente pendurado.

— Isso é? – Ele observou o objeto por alguns minutos, era curto demais para ser um cordão, até que ele percebeu que na noite anterior Hinata usava algo no pulso. – Hinata! – Ele olhou mais atentamente, e o pingente era um tanto estranho. Parecia quebrado. Ele olhou mais atentamente e o feche também estava quebrado. – Preciso fazer algo sobre isso... Mais, será que vai aceitar eu mexer nisso?

Ele ligou o carro e logo deixou a garagem do prédio em direção mais uma vez a casa de Hinata.

°°°

Assim que chegou, percebeu que era a primeira vez que vinha a casa de Hinata de dia, se perguntou se encontraria Hiashi, mais acabou que quando parou seu carro frente ao apartamento, acabou por despertar olhares demais, havia alguns pequenos comércios na rua, e todos pareciam interessados em saber o que acontecia, e vendo Naruto sair de seu carro, o interesse aumentava mais, ele estava com um pesado sobretudo preto, um cachecol no pescoço e nas mãos começava a colocar luvas, ele trancou o carro após apertar um dos botões da chave, e seguiu para o apartamento, pela a primeira vez percebeu que havia um carpete marrom no corredor e que as paredes eram de um branco também desbotado. Ele seguiu para a porta e tocou a campainha. Pouco depois, ouviu novamente os dois cliques e a porta abriu, ela apareceu, os cabelos azuis presos em um coque, de pijamas lilás e pantufas da mesma cor e secando as mãos em um pano. Ela corou ao extremo ao ver Naruto de pé na sua porta as 10 da manhã de um sábado de neve.

— Uzu... Uzuma – ele olhou feio para ela. – Naruto-kun?

— Desculpe aparecer aqui, mais encontrei isso no banco do meu carro. – ele mostrou a correntinha. Ela deu um gritinho e a agarrou – Obrigado! Obrigado! Pensei que tinha perdido! Passe a manhã inteira procurando!

— Desculpa a falta de educação, mais o que é?

— Ah! É uma cara metade.

— Ah! Isso explica o pingente quebrado. Bom, eu tenho que ir. Ah, outra coisa, eu notei que o fecho tá quebrado, já estava assim?

— Sim... Eu quebrei sem querer a um tempo atrás e ainda não tive como consertar.

Ele tirou um pequeno papel com letras douradas do bolso e a entregou.

— Fui em uma joalheria de um amigo do meu avô, eu ia colocar um feche novo, mais não sei se você iria aceitar eu mexer nisso. Por isso, se você quiser colocar um feche novo, só ir na joalheria que fica a duas quadras da escola, entrega a pulseira e o papel para o recepcionista.

— O que exatamente é esse papel? – Disse ela começando a ler.

— Um vale. Não se preocupe eu não paguei por ele, ganhei ele de presente.

Ela corou ainda mais, e balbuciou mais um “obrigado” a ele, que deu um sorriso e girou para ir em direção a portaria, mais parou antes que ela fecha-se a porta.

— Esqueci! – Ela tornou a abrir a porta. – Sobre as coisas que eu disse ontem, acho que você deve ter me interpretado mal, perco o controle da língua quando estou nervoso. O que eu quis dizer, é que o mundo, não tem somente aquela gente. Não pense que tudo se resume a somente esse tipo de gente. Tem muitas pessoas boas também. Como a sua mãe. – Ela arregalou os olhos e abriu a boca querendo dizer algo mais as palavras não saíram. – Eu e meu irmão tivemos sorte por termos nosso avô, mais se não tivéssemos, hoje provavelmente seriamos como você. Mais, realmente tem pessoas que querem o seu bem, abra um pouco os seus olhos e acho que você poderá enxergar. Não se trata apenas de dinheiro ou classe, mais de caráter.

Ele deu um tchau para ela e deixou o prédio, ela fechou a porta, estática. Sem acreditar no que acabara de ver e ouvir, trancou a porta e se atirou no sofá, o rosto ainda estava quente, corado, o coração saltava no peito a respiração estava pesada. Não era só por causa das palavras ou do significado delas, era por ele. Pela presença dele, por ele estar ali, perto dela, bonito como sempre. Mais as palavras dele pareceram estalar na sua mente, especialmente a ultima frase, já que Sakura e Ino, as duas garotas da sua turma que mais tentavam enturmar ela a convidaram para passear como sempre faziam. Ela achou que se sempre recusasse ou não respondesse, com o tempo elas desistiriam, mais mesmo assim todo fim de semana elas tornavam a mandar mensagem para o seu celular avisando, mais ainda não estava pronta para aceitar. Ainda não.

°°°

Nas semanas seguinte as coisas pareceram mudar bastante, tirando o tempo que continuava extremamente frio, nevando a toda hora e a TV já tinha anunciado que provavelmente o tempo continuaria assim por tempo indeterminado devido a uma inesperada massa de ar polar. Mais no Instituto Konoha as coisas mudaram bastante, agora que Naruto espalhou pela escola inteira que iria perseguir e espancar pessoalmente qualquer um que voltasse a velha rotina de ofensas a Hinata, eles parecem ter parado. Porém na turma 3 – F a mudança de comportamento de Hinata era mais nítida, pela a primeira vez ela aceitava as conversas de Sakura e Ino e as vezes até mesmo ria com as duas. E pela a primeira vez desde que ficaram na mesma turma a partir do segundo ano, ela agia normalmente com as duas e começava em fim, a demonstrar que confiava nas duas.

— Heim, afinal de contas, o que você disse para a Hinata? – perguntou Sasuke enquanto terminava de comer seu onigiri.

— Já falei pra tu que não é do teu bico! – Disse ele lançando um olhar mortal para Sasuke que deu de ombros.

— Bom, mais pelo menos, agora que você ameaçou a escola inteira a plenos pulmões e quase foi suspenso por isso, afinal, invadir o sistema de som da escola, foi algo bem insano! – Concluiu Shikamaru que ao invés de comer, estava deitado no chão do pátio com os outros sentados ou largados em volta. – Mais parece que surtiu efeito, afinal, agora todo mundo comprovou a tese de que você é louco.

— Pelo menos agora a Ino e a Sakura param de encher a paciência. – Completou Gaara. – Era um saco ouvir as duas reclamar todos os dias por que não conseguiam enturmar a Hinata.

— Hum, por falar em Sakura e Ino, — Disse Sasuke. – Essa semana elas querem fazer aquilo.

O clima em geral, parecia ter caído 10 graus quando Sasuke falou e ambas as caras se contorceram em puro terror.

— NÃO! Só pode ser brincadeira! – Gritou Naruto engasgando com o sushi.

— Aquilo o que gente? – Perguntava Gaara completamente perdido como se tivesse sofrido uma amnésia.

— Aquilo o que? A Ino tem razão em te chamar de AMEBA RUIVA! Aquelas malditas reuniões que elas fazem e ameaçam agente de tudo se não fomos? Esqueceu da ultima com o maravilhoso festival 6 horas seguidas de filmes de romance? Ainda tento esquecer os gritinhos de choro delas! – Disse Naruto tremendo como se um fantasma passasse pelo seu corpo.

— Ah droga... Logo esse fim de semana que eu achei que teria paz! Quando vai ser Sasuke?

— Começa hoje a noite.

— COMO? – Repetiram Shikamaru e Naruto.

— Espera, não vai dizer que...

— Sim, hoje a noite, amanhã até de tarde, depois sábado a noite e domingo!

— Sasuke, alguma chance de fugir antes que ela – Ele parou. Sasuke o interrompeu ao ver que Sakura já tinha dobrado o corredor e visto elas. – A merda, tarde demais. Ela já viu agente.

— Oi garotos! – Disse ela com um sorriso estranhamente radiante.

— Fala logo Sakura... – Concluiu Shikamaru. – O Sasuke já adiantou o papo. – Ela lançou um olhar para Sasuke.

— Bom, então é bom que poupa tempo, quero todo mundo lá em casa hoje a noite, as 19:00.

— Só uma pergunta Sakura. – Disse Naruto levantando um dedo. – Por que os quatro dias?

— Hinata também vai, eu e Ino finalmente conseguimos convencê-la, ela foi lá em casa ontem terminar o trabalho de Química. Bom, quem vai se candidatar a buscar ela? – Perguntou ela com um olhar malicioso sobre Naruto. E todos os garotos olharam para Naruto junto.

— Obrigado seus traíras!

— Traíras por? Todo mundo já percebeu Naruto, menos você mesmo eu acho, e a Hinata que é tão lerda quanto você para essas coisas tadinha.

Ele corou enquanto tentava retrucar, mais desistiu, estava mais que evidente nos últimos dias que ele estava claramente e inegavelmente interessado em Hinata.

— Bom, então você pega ela, como ela vai ajudar com algumas coisas, você passa lá as 17:30.

— Tá... Mais alguma coisa, ó usurpadora de homens inocentes?

— Inocentes? VOCÊS? – Ela apontou para cada um e começou a rir. – Naruto, nem que vocês vivam 30 vezes, conseguiram ser inocentes! Bom, estou indo, não se esqueçam, 19:00 lá em casa, e Naruto as 17:30 na casa da Hinata e depois direto lá pra casa!

°°°

Já passava das 18:00 quando o carro de Naruto parou na portaria, ele ia sair do carro mais viu que ela já o esperava com uma pequena mala na mão. Ele buzinou e destrancou a porta do carro e logo ela estava sentada no banco do carona com a malinha no colo.

— Desculpe pelo atraso. Tive que trocar os pneus, os outros não aguentam andar no asfalto congelado.

— Tudo bem.

Ele demorou mais do que o normal para chegar a casa de Sakura, não gostava de dirigir com aquele tempo.

Quando chegou porém, não teve nem tempo de sentar e Sakura já despachava ele e Hinata para o mercado.

— Que bom que você finalmente se enturmou.

— Sim. – Ela começava a corar. – Não tinha muita escolha não é?

— Não, se elas não conseguissem, eu não deixar você em paz.

— Elas são legais. Não são como as outras.

— Se fossem não seriam minhas amigas.

— Naruto-kun.

— Hum?

— É... Bem... Posso te perguntar algo?

— Pode.

— Aquela casa, onde a Sakura mora. Por que ela mora sozinha?

— Ah... Isso? Ela não te contou ainda?

— Não.

— Bom, pensei que ela já tinha se acostumado. Ela não tem facilidade em falar disso.

Ela olhou preocupada para Naruto que parecia perder o foco do olhar novamente, assim como quando falou de seus pais.

— Os pais dela morreram, algum tempo depois dos meus. Os pais da Ino a criaram.

Por algum tempo ela ficou calada. Até que o carro parou, haviam chegado no mercado.

— Bom, vamos nos dividir pra fazer isso mais rápido. – Ele entregou um papel para Hinata e levou o outro consigo.

Durante vários minutos eles zanzaram pelo mercado, hora se cruzavam, mais voltavam a se perder no meio das prateleiras e seções. Mais em uma das vezes, ele parou e se apoiou no carrinho fingindo ler o rótulo de um produto enquanto a observava. Tinha cortado um pouco o cabelo, estava mais curto, ela parecia pela a primeira vez, alegre. Parecia ter finalmente encontrado aquele brilho que lhe faltava, o sorriso que ela tinha não era mais aquele sorriso automático. E isso estava o deixando cada vez pior. Não por desejar mal a ela, mais pelas coisas que queimavam seu peito nesse momento, estava esgotando cada gota de sua força de sua força para agir normalmente ao lado dela, mais a cada minuto que ficava perto dela sentia que hora ou outra iria olhar nos olhos dela, coisa que evitou ao máximo nos últimos dias.

°°°

As horas passaram rápidas e logo todos já estavam reunidos na casa de Sakura, as garotas conversando e os garotos largados pela sala, Shikamaru entre o chão e o sofá, Gaara no tapete felpudo frente ao sofá. Sasuke enrolado em uma coberta na varanda olhando a neve cair e Naruto na cozinha cozinhando.

Tudo parecia um motivo de bagunça para eles, Sasuke agora ia periodicamente a cozinha para roubar comida e perturbar, o que ocasionalmente fazia Naruto querer matar o mesmo e obrigava Sakura a intervir.

Quando finalmente estava pronto já passava das 21:00 e o frio estava avassalador, mesmo a lareira acesa ao máximo no canto da sala e com os aquecedores ligados, o frio continuava intenso, o que obrigou todos a se apertarem em um amontoado de almofadas e colchonetes perto do sofá embaixo de quantos cobertores foi possível. Na TV frente a eles um filme de terror arrancava gritinhos das garotas enquanto Shikamaru babava em um travesseiro, Gaara variava entre dormir e acordar assustado com os gritos de Ino. Já Sasuke se concentrava em perceber os piores momentos do filme para provocar as garotas, sempre que elas esqueciam que ele iria pregar uma peça ele o fazia na próxima cena.

Até o atual momento Hinata permanecia espremida entre Sakura e Naruto, O coração dele batia mais rápido do que qualquer coisa, não por medo do filme, mais pela proximidade que estava de Hinata, por mais que estivessem embaixo dos cobertores, não estavam enrolados neles e volta e meia eles acabavam por encostar as mãos ou os braços.

Quando o primeiro filme terminou e Sakura percebeu que apenas Shikamaru estava literalmente morto, ela tratou de colocar outro filme, mais Naruto preferiu se retirar. Não aguentaria outra seção de horas ali, espremido ao lado de Hinata. Foi para a varanda, não importava o frio, a neve havia parado e em alguns pontos do céu diversas estrelas estavam visíveis. E ele se sentou ali, em um banco com almofadas macias e extremamente geladas, mais que aos poucos começavam a esquentar, ele se enroscou nos cobertores e minutos após ele ouviu a porta abrir, mais não olhou para ver quem era, apenas continuou a olhar para o céu e então viu uma caneca fumegando na sua frente.

— Está frio aqui.

Ela se sentou ao lado dele. Ele agarrou a caneca com ambas as mãos e fingiu que não dava atenção por ela estar ali.

— Aqui é lindo. – Ela não disse para ele, apenas observou.

— Sim é. – E ele percebeu que não conseguiu disfarçar nem um pouco o nervosismo em sua voz, ela olhou para ele, que tinha o rosto iluminado pela pequena luz da varanda e então ela percebeu que ele estava mais vermelho do que nunca. Mais para o total desespero de Naruto ela não entendeu nada, e levou sua mão a testa dele. – Você está bem?

Os dois se olharam, ambos os corações dispararam a ponto de quase explodir e então estavam ali, ambos corados, envergonhados e ela com a mão na testa dele.

Notas finais
Pessoal por favor desculpem erros, letras faltando ou coisas parecidas! Eu estou sem tempo viável para fazer uma revisão detalhada já que tenho outros projetos e etc... Próximo capítulo provavelmente sómente no final da semana ou se aparecer mais leitores, talvez na quarta.