Love, Lies And Smiles.
2 Capítulo 2
A bolsista.
Ao chegar em casa, Naruto percebeu que dera toda a sorte do mundo pois no momento em que o táxi parou frente a seu apartamento, ele viu o carro de Jiraya entrar na garagem. Correndo o mais rápido que podia ele entrou na portaria dando um oi para o porteiro e seguiu pelo elevador, quando chegou em casa encontrou Sasuke sentado no sofá assistindo TV, e antes que ele perguntasse algo, Naruto berrou indo para o seu quarto. “Cheguei com você e estava dormindo!” E então entrou no seu quarto indo direto para seu banheiro.
Demorou o máximo que o tempo lhe permitia, ria sozinho ao pensar em toda a loucura que se meteu o dia todo. Mais quando saiu do banheiro calçando um par de sandálias e uma calça comum e secando os cabelos, encontrou Sasuke deitado em sua cama lendo um livro e com o fone nos ouvidos. Ao ver o irmão, o mesmo parou de ler e tirou os fones.
— Pensei que tinha morrido ou virado algum tipo de peixe.
— Nossa, agora você faz piadas? – Perguntou ele irônico abrindo o armário e procurando uma camisa.
— Vai me contar ou vou ter que te ameaçar usando o velho? – ele perguntou curioso.
— Encontrei a Hinata saindo da escola, acabei por discutir com ela e após uma conversa que no começo não foi nada agradável, acabei levando ela em casa.
— Nossa, já levou a garota no papo? – E ele teve que abusar de seus reflexos para desviar de um livro que voou na direção de sua cabeça. – Certo, certo... Retiro o que eu disse!
— Só a levei em casa por que ela não se aguentava em pé.
Eles se olharam por alguns minutos, e logo ele achou a camisa que procurava, a vestiu e se jogou na macia cadeira que ficava frente ao seu computador. A rodou algumas vezes até parar olhando para Sasuke.
— Depois de conhecer ela, acho que eu odeio ainda mais aquela escola.
— As meninas comentaram comigo e com os outros. Disseram que não aceita ajuda, não tenta se enturmar com ninguém.
— É, eu imagino o por que....
— Mais e então, você agora vai virar algum tipo de cavalheiro de armadura brilhante? – Perguntou Sasuke segurando o riso e Naruto virou para procurar algo pesado sobre a mesinha do computador. – Tá bom tá bom! Retiro o que eu disse!
— Você sabe que metade das nossas detenções é por que batemos em caras como aqueles que humilharam a Hinata hoje!
— Sim, mais e dai? Você conheceu a história triste dela e se comoveu? Não estou criticando mais, te conheço bem, você tem um olhar e tanto para ver através das pessoas.
— Ela é como nós. – Ele endureceu o tom. – Digo, o olhar dela, era como o nosso, naquela época. Sem alegria, sem brilho, sem rastro algum de felicidade.
Sasuke permaneceu quieto e encarou o teto.
— Nós ainda somos assim em alguns momentos, não é? Mais, nós conseguimos encontrar amigos, Jiraya também faz tudo que pode por nós... Tivemos 10 anos para nos acostumar com a dor. Mais e ela? Você deve saber então que provavelmente, os machucados dela, são maiores que os nossos. Você não pode simplesmente chama-la para ser nossa amiga e pronto! Ela não confia em ninguém, não aceita nada. Duvido que se não estivesse com dor, ela teria cedido os momentos que cedeu hoje.
— É eu sei. Mas...
— Mas?
— Mas me interessei nela, quero dizer, acho que eu não vou sossegar enquanto ela for igual a nós. Sorrindo, com amigos...
— Você e sua compaixão extrema! – Bradou Sasuke em tom de brincadeira levantando da cama e saindo do quarto de Naruto, mais parou na porta. – Qualquer coisa, só falar.
°°°
Nos dias que se seguiram Hinata não apareceu em dois deles, provavelmente incapacitada de ir a escola, mais no terceiro dia assim que Naruto entrou na sala ainda praticamente vazia pode reconhecer os cabelos azulados a sua frente.
— Bom dia Hinata.
— Ah. Bom dia. – Disse ela seca.
Ele não olhou para ela, que também não olhou para ele, mais o sorriso no rosto dele era evidente.
— Sorridente logo de manhã? – Perguntou Gaara bocejando.
— Digamos apenas que tenho razões para isso.
— Ah, eu acho que já sei, iria te zoar com isso, mais Sasuke já me disse para não fazer já que eu corro o risco de ter algum objeto pesado atirado em minha cabeça.
Naruto encarou o amigo por alguns segundos como se tentando descobrir se aquilo era uma provocação ou apenas uma observação de Gaara já que traduzir os sentimentos do amigo era algo quase que impossível.
— Ah, o baile está chegando...
— Baile? Que baile? – Perguntou Naruto com desdém.
— O baile em comemoração aos 50 anos da escola.
— Ah saco...
— Fiquei sabendo que será obrigatório para todos os alunos.
— Obrigatório do tipo que rende detenção? – Perguntou ele esperançoso.
— Não, obrigatório do tipo que perde pontos!
— Gaara, como você consegue sempre saber das coisas primeiro?
— Ah, isso? Eu durmo embaixo da janela da sala dos professores, é um cantinho escondido atrás do jardim, como ninguém nunca me acha lá, eu sempre tiro um ronco ali. Tem uma passagem de ar da ventilação, dá pra ouvir claramente tudo que é dito lá dentro.
°°°
Nos dias que se seguiram até o baile ouve certo alvoroço na escola já que a disputa por um par para o baile foi ferrenha. Naruto e Gaara recusaram seus convites, Shikamaru disse que na hora via alguém, e Sasuke foi ameaçado por Sakura se não aceitasse ir com ela.
No dia do baile enfim, o alvoroço na escola foi imenso, o baile como esperado foi na área de festas da escola, uma área que os alunos raramente tem acesso e que apenas os mais abusados tem coragem de entrar, a área em si parece ser do tamanho da escola, um imenso salão que agora ostentava pomposas mesas, uma pista de dança imensa no meio e um palco no fundo onde ficavam os equipamentos de som, do lado de fora do salão há uma imensa e extensa varanda, com várias arvores, bancos, mesas. Há também um parapeito bem fresco na opinião de Naruto, mais que dava uma bela visão da cidade. E foi para lá que ele escapou sorrateiro enquanto o diretor falava ao microfone no salão. Mais para a sua surpresa o lugar já tinha gente, uma única pessoa para falar a verdade, Hyuuga Hinata estava sentada ali, olhando perdidamente para o céu estrelado. O cabelo azul solto sobre os ombros, vestindo um vestido com um leve lilás, simples. De pés descalços e os sapatos próximos.
— Ora, não sou o único que fugi do falatório. – Disse ele chamando a atenção dela enquanto ele ia na direção do parapeito olhar para a cidade. – Ninguém merece aquele velho, todo ano ele fala a mesma coisa nessa data.
Ela o observou por um tempo, estava mais belo do que nunca, sapatos sócias, calça social, uma blusa social com os botões abertos até a altura do peito, um smoking preto. E a gravatinha na mão.
— Eu odeio essa gravatinha. – Disse ele a jogando pelo parapeito. – Mais e você? Parece que seu tornozelo ainda não está bom. – Ele apontou para os pés da garota.
— Ainda dói um pouco.
Fez se silencio entre eles por vários minutos.
— Está sozinho? – Perguntou ela secamente olhando para o céu.
— Ah sim. Eu nem viria se não fosse obrigatório.
Ele não falava mais do que o necessário e isso de certa a instigava a puxar assunto, ele parecia totalmente diferente do dia que a levou em casa, tinha um brilho curioso nos olhos, ela por sua vez as vezes não resistia e perguntava alguma coisa, que ele logo respondia para depois se calar novamente.
Por quase duas horas ele ficou em pé olhando perdido para a cidade, até que sentou no mesmo banco que ela, levou as pernas até o cercado da árvore ao lado do banco e as esticou ali, depois espreguiçou e olhou para o céu. O baile continuava barulhento lá dentro, mais pelo jeito a hora já tinha corrido mais do que ele esperava, já que o ritmo da música não mais as valsas do começo, e sim todo o tipo de música de uma festa Rave.
— Eu já vou, boa noite. – Ela disse enquanto calçava seus sapatos e sumia de sua vista sem dar chance para ele responder.
Ele por sua vez olhou no relógio que marcava quase uma e meia da manhã. Foi até o parapeito novamente e olhou para o portão da escola, havia alguns carros parados, mais nenhum que fosse simples para indiciar que o pai de Hinata a esperava.
— Ora, como ela vai embora?
Apressando o passo ele deixou o salão de festas, cruzou o pátio os prédios das salas até chegar na entrada na escola onde ela passava seu cartão e saia pela roleta. Ele fez o mesmo e saiu, mais para sua surpresa ela não estava ali fora quando ele saiu.
— Cadê? – Ele olhou para as duas esquinas e pensou um leve brilho lilás mais a frente e seguiu até a rua em um passo mais apressado, mais para a sua surpresa a sua visão na rua escura não era bem o que ele esperava.
— Princesinha né? – Perguntou um homem em tom irônico para ela tapando sua boca e lhe apontando uma faca.
Ela olhou aflita ao redor, tentando gritar mais com a mão abafada pelo homem, havia mais dois atrás dele com sorrisos evidentes, ele passava a outra mão em sua cintura chegando perto de seus seios.
— Que corpinho bonito! O que será que vou encontrar embaixo desse vestido? – E ela achou o primeiro olhar conhecido naquela rua, ele estava ali, de pé na esquina observando tudo, os olhos emitindo um brilho raivoso.
— Larguem ela! – Ele gritou a plenos pulmões fazendo o homem que segurava Hinata bufar irritado e olhar para Naruto com desdém.
— Vai chamar o papai vai neném... – E ele movimentou as mãos mandando Naruto ir embora.
Os outros dois riram, mais antes que pudessem perceber, Naruto já estava entre eles socou o rosto de um duas vezes e depois socou sua garganta com força fazendo o primeiro cair no chão sufocado, o segundo levou um chute no estomago e antes que levantasse levou uma joelhada a plena força no nariz, mais um foi ao chão.
— Ah, sabe brigar né?
Ele empurrou Hinata para o chão e correu até Naruto esticou o braço com toda a força que encontrou tentando esfaqueá-lo, mais ele desviou do golpe, segurou o ante braço do homem e o socou no cotovelo, de baixo para cima quebrando o mesmo. Ele gritou indo ao chão, Naruto porém segurou Hinata com certa força pelo braço e a puxou saindo da rua, ele andava com passos largos a fazendo tropeçar, até que pararam frente a um carro preto, ele pegou a chave apertou um dos botões desligando o alarme, abriu a porta do carona e colocou Hinata no carro, fechou a porta e correu para a do motorista, e então poucos segundos depois eles já se distanciavam da escola.
Hinata permanecia absorta a tudo, visivelmente abatida, apenas quando Naruto passou mais uma marcha e acelerou o carro fazendo o motor aumentar o giro e consequentemente o barulho do mesmo foi que ela pareceu acordar, estava ali, sentada no banco de tecido macio e confortável, olhou mais atentamente, o interior do carro era todo em couro negro com costuras douradas enquanto o painel exibia detalhes em fibra de carbono. Ela olhou para o lado, um Naruto nervoso dirigia com certo tremor nas mãos, até que ele começou a diminuir e deu uma freada ligeiramente brusca parando em uma vaga de estacionamento frente a uma loja de conveniência 24 horas.
— Desculpe, estou nervoso. – Ele disse com a voz tremida.
— Uzum – Ele a olhou. – É... Naruto... –kun. Esse carro é seu?
— Sim, desculpe se te machuquei a trazendo aqui pra dentro, mais queria sair de lá antes que eles levantassem ou aparecessem mais deles...
— Obrigado... Mais, foi algo perigoso...
— Ah, é... – Ele tirou o braço esquerdo do volante deixando o outro braço visível onde um corte ficou a vista. – Seu braço! – Ela gritou apontando para o mesmo já que era um corte feio e sangrava bastante manchando sua roupa. – Ah, isso. – Ele disse despreocupado, abriu o porta luvas a frente de Hinata e tirou algo como um grosso cachecol e o amarrou sobre o corte.
— Você está bem? Não está ferida? Eles fizeram algo com você? – Ele perguntou rápido demais a fazendo piscar várias vezes tentando entender o que ele falava.
— Bem, não... Você chegou na hora...
— Ótimo.
— Mas e o seu braço!
— Vai ficar bem, assim que chegar em casa eu cuido dele. Mais se bem que ah... – Naruto perdeu a voz e a cor, seu rosto empalideceu... – Ah droga, o velho vai me matar com certeza! Hinata, espere aqui, vou ali na loja comprar água, preciso beber alguma coisa. Quer alguma coisa?
Ela a olhou, e ele espremeu os olhos como que já condenando a atitude que ela tomaria de não aceitar nada.
— Algo com bastante açúcar por favor.
Ela permanecia corada, não pela atitude de Naruto ou por algum momento anterior, mais pelo simples fato de ele a chamar de Hinata. A chamar pelo primeiro nome com tanta tranquilidade e sem timidez alguma. E pelo que ela percebeu todos da roda de amigos dele faziam isso sem problema algum. Mais chamar a ela, a bolsista, a pobre garota que não tinha dinheiro nem para arcar com uniformes novos... Ele o rico herdeiro de uma grande empresa do ramo financeiro, dono de um carro como aquele, passou o olho novamente pelo interior do veículo, no centro do volante e no porta luvas a sua frente tinham duas inscrições com as letras ZR1, continuou a procurar, até achar o nome Corvette sob o relógio no console central. Um esportivo americano, nunca tinha entrado em outro carro a não ser a velha perua do seu pai que agora permanecia quebrada na oficina. Mais por que ela estava ali? Dentro daquele carro? Na companhia dele? Um garoto bonito como ele. Ele deveria querer brincar com ela, para depois ridicularizá-la na frente de toda a escola. Não! Não teria como, ele não era como os outros, eles não teriam arriscado se machucar feio para enfrentar três assaltantes. Não para ajudar alguém como ela. A bolsista.
— Voltei.
Ele disse em um tom mais alegre, menos nervoso, e sentou no seu lugar entregando a ela uma latinha de refrigerante enquanto ele bebia algo como um energético. Ela bebeu seu refrigerante quieta, mais quando chegou no meio da lata, não conseguiu mais. Suas mãos tremiam, sua cabeça estava invadida de pensamentos embaralhados, confusos, ofensivos. Todo tipo de coisa passava por sua mente, e seu coração agora insistia em bater acelerado, angustiado, ofendido por ela pensar aquelas coisas sobre Naruto. Mais por que ele estava assim? Ofendido por ela duvidar de Naruto? O que acontecia com seu próprio corpo?
— Por quê? – Foi a única palavra que saiu da sua boca.
— O que? – Ele respondeu confuso enquanto se engasgava com seu energético.
— Por quê! Por que eu? Por que você me ajuda? Por que faz isso tudo por mim? Onde você quer chegar? O que você quer realmente fazer?! – Ela gritava o rosto já encharcado de lágrimas, e pela a primeira vez Naruto a encarava espantado. Ela havia conseguido tirar o ar de inabalável dele. – Eu sou apenas a bolsista não sou?! A pobre que invadia a sua escola! A bactéria! A escória! – Sua voz continuava alterada. – Por que? Por que me ajuda? Por que me defende? Você deveria ter me deixado lá! Ter me ridicularizado enquanto eu olhasse aflita implorando sua ajuda! Deveria ter estimulado eles! Deveriam ter gritado para abusarem de mim como quisessem pois era isso que eu me –
— CHEGA! – Ele gritou. Ela deu um salto no banco e olhou assustada para ele. – CHEGA DESSA BABOSEIRA!
Ela olhava incrédula para ele que bufava. Por algum tempo eles ficaram calados enquanto Naruto passou a olhar para a lata já vazia em sua mão.
— A sua vida se resume nisso Hinata? Esperar que alguém venha e a humilhe? Que abusem de você? Que a agarrem em um beco escuro e façam o que bem entender com você? MAIS QUE MERDA! – Ele bateu no volante do carro. – Que merda de vida é essa? O que você acha que é? Algum tipo de doença contagiosa? PARE DE SER IDIOTA!
Ele ligou o carro e logo estavam andando novamente. Se não fosse pelo barulho do carro eles estariam em um completo e agonizante silencio e quando chegaram no meio do caminho a chuva voltou a cair, maciça, mesmo com o carro devagar e o limpador de para-brisas ligado não era possível ver a pista, Naruto foi para o acostamento e deixou o pisca alerto ligado.
— Desculpe mais não tenho como dirigir nesse tempo, mal consigo enxergar o que está na frente do carro.
— Tudo bem.
— Sabe. Faltam dois meses para o fim do ano. Dois meses para a formatura, o que você pretende fazer? – Ele tentava disfarçar a própria raiva, raiva pelo comportamento de Hinata.
— Não sei ainda. Acho que talvez alguma coisa relacionada a administração ou direito.
— Hum...
Por mais meia hora eles continuaram em silencio, apenas o barulho da chuva era nítido agora. Até que finalmente ela começou a diminuir e Naruto voltou a andar. Após mais quinze minutos de estrada ele parou em frente ao prédio onde Hinata mora, ele pediu que ela esperasse, pegou um guarda chuva no banco de trás, desligou o carro e saiu. Abriu a porta do carona e a levou até a portaria, mais quando abriram a porta, deram de cara com aquele senhor de cabelos grisalhos de antes, ele estava aflito.
— Hinata! São quase 3 da manhã! Eu... Eu estava desesperado! – Ele não conseguia falar direito enquanto olhava para Hinata com um aparente desespero. – E o que você faz com esse jovem pela a segunda vez?!
Ela pensou em dizer algo, mais todas as palavras de Naruto passaram pela sua cabeça, e ela apenas desviou do pai e correu para casa.
— Hinata! – Ele olhou para Naruto. – E o senhor, Uzumaki-san! Exijo uma explicação! – Naruto olhou para o homem, e viu no corredor uma Hinata o olhando desesperado.
— Desculpe senhor, foi minha culpa, eu e Hinata ficamos conversando um pouco e ela perdeu a hora, dei uma carona para ela, mais a chuva nos pegou no meio do caminho, tive que esperar ela diminuir pois não conseguia dirigir. Mais agora realmente preciso ir embora, meu avô ficará tão irritado quanto o senhor.
Ele deu uma leve referencia a Hiashi e deixou a portaria, mais antes que a porta fechasse e Naruto abrisse eu guarda chuva, ele sentiu que Hiashi o seguiu e fechou a porta para ter certeza que Hinata não ouviria o assunto.
— Desculpe Uzumaki-san, mais preciso realmente conversar. – Ele pareceu aflito de certa maneira, mais escolheu as palavras com cuidado, e Naruto parou, voltou e sentou no murinho que ficava protegido pela marquise.
— Seja breve por favor Hyuuga-san.
— Eu serei, eu serei... Bem, eu não sei quais são as suas intenções, as suas reais intenções. Veja bem. – Ele passou a falar mais sério agora e encarava Naruto. – Eu me arrependo de ter deixado Hinata entrar para essa escola. Realmente me arrependo. Em três anos. Eu nunca vi minha filha ser tão humilhada! Em três anos, é raro eu ver Hinata sorrir. A irmã dela, elas não se falam direito a tempos por que Hinata não consegue ligar, tem vergonha de dizer a irmã as coisas que ela passa, e ao mesmo tempo ela não consegue mentir. No primeiro ano, um rapaz fez as mesmas coisas que você. Fingiu ser amigo, fingiu gostar de minha filha. Apenas para humilhá-la! – Ele parou de falar, não conseguia continuar, tentava segurar as lágrimas com os dedos pressionando os olhos. – Eu percebo Uzumaki-san, sou pai dela, a entendo. Ela não confia mais nas pessoas, ela não consegue mais ver alguém se aproximar sem lembrar do que aconteceu no primeiro ano dela naquela escola! Ela tinha apenas 14 anos! – Ele parou novamente e assim como Naruto, se sentou no murinho. – Tinha acabado de perder a mãe. Minha esposa sofreu de uma doença rara, uma doença muito cara para ser tratada ou mesmo atrasada.
Naruto se levantou, pegou as chaves em seu bolso e por um momento observou seu carro. A revoada de pensamentos que passavam pela sua cabeça era perturbante.
— Hyuuga-san. Eu sei dessas coisas. Sei da mãe dela. Sei do idiota que fez isso com ela no primeiro ano. E já percebi nesses poucos dias de contato que tenho com sua filha, que ela está arrasada de uma maneira que eu nunca vi. E eu sinceramente não sei se posso fazer algo para ajudar, mais quero tentar...
— Você... Como sabe da minha esposa? – Ele estava surpreso demais.
— Eu vi vocês no cemitério. Tinha pouco tempo de aula, acho q só algumas semanas, mais reconheci Hinata no cemitério. Depois que todos foram embora, eu passei por onde vocês estavam e vi a lápide...
— Você? No cemitério? Eu não entendo...
— Meus pais morreram tem 10 anos senhor. Naquela época eu ia quase diariamente no cemitério.
— Seus pais... – Sua mente deu um estalo. – Espera! Você é filho de Uzumaki Kushina e Namikaze Minato?
— Sim. – Respondeu ele surpreso.
— Mais por que o tumulo dos seus pais está naquele cemitério simples?
— Meus pais nunca gostaram muito de luxo. Meu avô optou por enterrá-los lá. Mais agora eu realmente tenho que ir.
Ele abriu o guarda chuva e começou a descer os degraus.
— Mais afinal, por que tanto interesse pela a minha filha? – Ele perguntou curioso e confuso.
Ele continuou a andar, e quando abriu a porta de seu carro, olhou ao redor para ver se ninguém passava, e olhou para o corredor para ter certeza que Hinata não ouvia.
— Quem sabe? – Ele deu um sorriso, mais sabia que naquele momento, aquele velho senhor sabia muito mais dele, só de olhar em seus olhos ele sabia que qualquer pessoa experiente como o pai de Hinata, saberia o que ele realmente queria dizer.
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