Notas iniciais

Creio que este prólogo contém cenas fortes. Aliás, uma cena forte. Se tem problema do coração, Não prossiga. -Q

PRÓLOGO

A vida é um conjunto de acontecimentos sem razão. Acontecimentos sem ligação, só que, quando estes acontecimentos são ligados, a vida faz mais sentido.

Dezenove de Dezembro. Um dia que jamais será esquecido. Não por ser meu aniversário. Não pelos presentes. E sim, pelo o que aconteceu. Estava tudo bem, até quando meu pai chegou em casa. Ele passou o dia todo fora. Eu achei que ele estava trabalhando, mas não. Ficou o dia inteiro no bar. Bebendo como se fosse o último dia de sua vida. E acho que ele não estava errado.

Ele chegou em casa, bêbado. Minha mãe já fechou a cara, e foi discutir com ele no quarto. Eu estava no meu quarto, quietinho, lendo os livros que eu havia ganhado. Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse. Eu achava a história ridícula, mas já que não havia mais nada para fazer, resolvi lê-los. Eles na verdade eram das minhas irmãs. Eu os troquei por jogos de videogames. Enfim, enquanto eu lia, eu estava gritos e xingamentos vindos do quarto de meus pais. Mas uma coisa me chamou a atenção, um tapa. Meu pai nunca foi de bater em minha mãe. Por que ele bate nela? Justo no dia do meu aniversário. Era para ser um dia de alegrias, um dia de união. Minha irmã mais velha entrou no quarto, e começou a discutir com meu pai. Minha mãe estava chorando. E minha irmã também. Meu pai gritava com elas cada vez mais alto. Quando menos se espera, um som muito forte invade a casa agora silenciosa. Parece que tudo havia congelado, os sons ficaram mudos, tudo e qualquer coisa se moviam lentamente. O som era forte, muito forte. Parecia um trovão. Mas não era. Era um tiro. De repente, tudo voltou a se mover mais rápido. Minha irmã gritava, eu não sabia o que fazer. Ouvi vizinhos batendo no portão de casa, mas meu pai estava chorando, e não queria atender. Ele dizia: “Adeus, adeus”. Escutei o barulho das sirenes dos carros policiais, depois disto, não escutava mais nada. Eu estava afogado em meu choro, não queria nada. Gritos se misturavam com o barulho da TV, e da música vinda do computador. Eu não estava mais agüentando. Minha cabeça doía. Eu gritei, com toda força que eu tinha. E os dois últimos sons foram os de dois corpos caindo no chão. Os policiais arrombaram a casa, e quando chegaram ao quarto viram uma cena tão comum a eles. Três corpos estirados ao chão. Eu saí do meu quarto, e quando vi aquela cena, eu não agüentei. Disparei a chorar e a gritar. Eu sabia que isso não os traria de volta, mas na hora você na pensa nisto. Você só quer voltar no tempo, e fazer de tudo para aquilo não acontecer.