Love Is The Exception
2 Capítulo I
Capítulo I
O coração engana. O coração aperta. O coração finge.
Mas nunca deixa sua real função: amar.
Após o aquele acontecimento, fui morar com meus tios, e meus dois primos. Eu, que nunca fui muito sociável, me fechei mais ainda. Em uma nova escola, eu não tinha amigos. Quer dizer, tinha apenas um amigo. E não o considerava como amigo. Eu sentia mais que amizade por ele. Sim, eu gostava de garotos. Mas é algo que ninguém sabia. O nome dele era Alisson. E o conheci por acaso.
Eu estava indo para minha sala, após o recreio, e sem querer eu me esbarrei nele.
– Me desculpe! Eu... Eu estava distraído. – ele disse com uma voz suave.
– Não a culpa é minha. Eu devia ter prestado mais atenção.
– Você só anda de cabeça baixa. – ele sorriu.
– Como... Como você sabe? – eu estava assustado. Ninguém nunca havia reparado em mim.
– Eu tenho observado você há um tempo. Poxa, você é a pessoa mais triste e solitária dessa escola. Você tem algum motivo em especial?
Eu não gostava de falar sobre o que aconteceu com ninguém. Mas com ele, eu me sentia confortável, eu me sentia bem. A presença dele me deixava melhor... Deixava-me feliz. Então, contei a ele tudo o que aconteceu.
– Meu Deus! Isso realmente aconteceu? Nossa... – ele estava assustado. Não é uma coisa que acontece todo dia.
– Eu prefiro esquecer isto. – eu me sentei no chão, e encostei a minha cabeça na parede – Eu queria que nada disso houvesse acontecido.
– Você não pode mudar o passado, mas pode lutar para fazer um futuro melhor. – e riu.
– Nossa! Frase velha, e não funciona comigo. Eu desisti de tentar “fazer um futuro melhor”.
– Por quê? – ele se aproximou de mim, mais que o normal. – Você acredita que o amor pode mudar as pessoas? – ele estava tão perto que eu sentia sua respiração. Ele passou a mão em meu rosto, e aproximava o seu rosto do meu. Eu estava sem reação, estava paralisado. Mas consegui virar o rosto e me afastar. Levantei-me e comecei a andar.
– Preciso ir. Já estou mais que atrasado.
– Espera aí! – ele segurou o meu braço. – Eu nem sei o seu nome. E você não sabe o meu. Eu me chamo Alisson.
– Eu me chamo Victor. Adeus. – e fui para sala.
“Eu não quero isto!” – pensava comigo mesmo – “Não quero me apaixonar. Eu sei que eu vou sofrer. Mas uma coisa me intriga. Por que ele fez aquilo, sem saber se eu era gay? Era estranho, você não chega a uma pessoa sem nem saber nada sobre ela. Será que ele está sabendo de algo?”
Desde então, só pensava nele.
Na escola nova, eu era solitário, não conversa com ninguém, exceto Alisson, mas era sempre ele quem puxava papo comigo. Na hora do recreio, eu ia para a biblioteca, ficava no canto mais isolado, e escrevia meus textos em meu caderninho. Mas um dia, eu fui procurar meu caderninho, e eu não o achei. Alisson chegou perto de mim, estava suado, pois estava jogando futebol com o resto dos garotos da sala.
– Está procurando isto? – ele estava com meu caderninho na mão.
– Onde você achou?
– Uma vez você estava correndo, pois estava atrasado, e você deixou cair. Eu peguei, e li. E tem um texto que me chamou a atenção. – ele disse sorrindo. Isto explicava ele saber que eu sou gay. Tinha um texto sobre isto no caderno.
– Você não deveria ter lido. – Eu peguei o caderno da mão dele, e comecei a andar. Ele me puxou pelo braço. Ficamos frente a frente. Eu ofegava. Ele sorria.
Ele se aproximou de minha orelha.
– Então você gosta de garotos? – e a mordeu de leve.
Eu não sabia o que responder. Eu estava sem reação!
– Pois saiba, que eu também gosto. – Ele me soltou, olhou para mim, deu um sorriso e foi embora. E eu fiquei parado só olhando. Eu estava perdido em meus pensamentos, quando escutei um barulho. Parecia alguém. Eu não me importei para isto. Peguei minhas coisas e fui embora.
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