Love Comes When You Least Expect It
6 Chapter Six
Notas iniciais
Bem, esse capítulo ficou enorme ... Espero que tenham paciência para ler HASUHSAUHASHUA
Como sempre, muito obrigada pelos comentários *---*
Espero que gostem ~
– Você soube? Um novo Capitão vai chegar de tarde aqui – um marinheiro comentou, levando distraidamente o garfo até a boca.
– Sim, eu ouvi falar – seu companheiro concordou – parece que ele vai ficar com a jurisdição da ilha a partir de hoje.
Os dois marinheiros estavam sentados em um restaurante perto do porto. Era o horário de almoço, e eles tinham escolhido aquele estabelecimento para comerem.
– Pelo que me disseram ele não é tão rígido – o primeiro voltou a falar, inclinando-se um pouco sobre a mesa – fico aliviado em saber que Smoker-san não vai mais ficar aqui. Ele me dá arrepios!
O outro concordou, voltando a comer.
– Então que dizer que um Capitão está vindo para cuidar da ilha – um rapaz murmurou, parando de prestar atenção na conversa dos marinheiros que estavam sentados em uma mesa próxima à sua – e o Smokey vai partir em breve... Hum, acho que eu vou fazer uma visitinha antes que ele saia.
Um sorriso apareceu no rosto de Ace. Até que comer num restaurante pequeno tinha suas vantagens. O pirata podia escutar muito bem algumas conversas interessantes.
O homem que tinha anotado o pedido de Ace parou em frente à sua mesa. Ele já era um senhor de idade, seu cabelo era totalmente branco.
– Aqui está, senhor – falou, enquanto tirava vários pratos de um carrinho.
Colocando as comidas na mesa, os olhos verdejantes do garçom espreitaram o pirata, querendo descobrir se ele iria mesmo comer uma quantidade tão grande de alimentos.
O moreno esfregou as mãos, lambendo os beiços em antecipação.
– Itadakimasu – exclamou alegremente.
Assim que o velho colocava um prato na mesa, o mais novo atacava-o, comendo em segundos tudo o que tinha ali.
O garçom se apressava em colocar mais pratos na mesa do cliente, assombrado com a velocidade com que os alimentos eram devorados.
Logo o carrinho estava todo vazio e a mesa empilhada de pratos sem comida alguma. O velho homem que tinha servido o pirata estava arfando, cansado. Já Ace apenas bateu com o garfo e a faca na mesa, sorrindo.
– Pode trazer mais uma porção como essa, Ojisan?
O garçom arregalou os olhos, incrédulo.
– Claro – sussurrou, sem acreditar no pedido.
Depois de o homem empilhar todos os pratos novamente no carrinho e ir transmitir o pedido ao cozinheiro, o pirata suspirou, sorrindo satisfeito. Tal como o cheiro gostoso de comida que infestava o restaurante, o sabor dos alimentos também era ótimo.
Ace estava sentado do lado de dentro do estabelecimento, num canto um pouco afastado. As mesas próximas não tinham muitas pessoas, mas as do lado de fora do local estavam lotadas. Muitos garçons caminhavam apressadamente, alguns anotando pedidos, outros servindo as mesas ou limpando-as.
O dia quente tinha trazido muitos clientes para o restaurante. Apesar do sol de meio-dia, o calor não incomodava muito, graças a uma brisa fresquinha que vinha do mar.
O pirata puxou o chapéu novamente para cima de sua cabeça ao notar que os marinheiros de antes estavam observando os clientes do restaurante.
Sua sorte foi que nenhum dos dois homens pareceu reconhecê-lo.
Fazia apenas uma hora que Ace havia acordado, e ele francamente não queria chamar atenção tão cedo. Pelo menos, não antes de terminar sua refeição.
O moreno observou calmamente a saída de garçons da cozinha, esperando o velho homem que tinha lhe servido. Entediado, o rapaz lembrou-se que tinha que voltar ao hotel depois de visitar Smoker. Sua mochila verde ainda estava lá.
Um pequeno sorriso apareceu em seu rosto. Smoker deveria se sentir orgulhoso, já que dessa vez o pirata pretendia pagar pela estadia. Era uma melhora considerável em seu comportamento, uma vez que Ace sempre preferia deixar a conta em aberto e sair rapidamente da ilha.
No fim das contas talvez o comodoro pudesse estar sendo uma boa influência para si.
O mesmo garçom de antes parou, trazendo mais um carrinho lotado de comida. Quando o homem ia começar a distribuir os novos pratos na mesa, o moreno interrompeu-o.
– Não precisa, Ojisan – Ace pediu, puxando o carrinho para perto de sua cadeira e começando a comer tudo, ali mesmo.
O garçom estava observando a cena, de boca aberta. Tremulamente, ele apenas deu alguns passos até uma cadeira ao lado do mais novo, desabando ali.
– Você... Você come bastante, não? – murmurou.
O pirata interrompeu sua comilança, olhando para o homem.
– Ah, sim. A comida daqui é muito boa – comentou, de boca cheia.
Depois disso voltou a devorar os alimentos.
O velho apenas abanou a mão, pensando seriamente em se aposentar. Ele já tinha visto coisas inacreditáveis demais para uma vida toda, trabalhando ali.
Seus olhos captaram quando quatro homens mal encarados entraram no restaurante. Um suspiro escapou-lhe, ao reconhecê-los.
Todos eles se dirigiram para o balcão, e, mesmo de uma boa distância, o velho garçom pôde ouvir o que eles disseram à balconista.
– Ei, querida, nós queremos uma mesa para nós, sabe – o homem que parecia ser o líder da quadrilha pediu, sorrindo macabramente.
Ele era alto e musculoso. Vestia, assim como seus companheiros, calças pretas de couro e uma blusa vermelha, escondida por um moletom também negro. Seu cabelo ruivo e estava totalmente bagunçado. O rosto ostentava uma horrível cicatriz, que descia desde seu olho esquerdo até o queixo.
A moça que estava sentada atrás do balcão sorriu amavelmente.
– Claro. Tem várias mesas disponíveis, é só escolherem uma que um garçom já irá atendê-los.
– Muito obrigado, gracinha – o ruivo falou, se afastando até uma mesa onde alguns jovens comiam.
– Ei, molecada. Podem sair daí, porque eu quero sentar nessa mesa.
Um dos garotos que estava sentado levantou-se.
– Nós estamos sentados aqui, vai procurar outro lugar.
O líder sorriu malignamente.
– Acontece que eu quero me sentar nessa mesa, e se vocês, fedelhos, não derem o fora daqui, nós vamos tirá-los a força – com isso estralou os dedos.
Ace estava observando a cena, curioso. Seu olhar se dirigiu para os dois marinheiros, que continuavam a comer sem dar atenção aos mal encarados que tinham entrado.
– Ei, Ojisan. Por que ninguém está fazendo nada para impedir aqueles homens? – perguntou, depois de mastigar um pedaço de carne.
O garçom suspirou.
– Eles são uma quadrilha famosa aqui nesse lado da cidade. Pelo menos duas vezes na semana esses homens entram aqui no restaurante para causar confusão e procurar briga. São uns valentões, mas não costumam agredir as pessoas, então todos apenas os ignoram.
O pirata continuou olhando para os encrenqueiros.
– Então eles vêm sempre aqui?
– Hai, hai – o velho concordou – sabe, alguns meses atrás esses homens vinham aqui apenas para desafiar o Burgess, mas depois que ele foi embora, esses arruaceiros aparecem só para causar desordem.
– Burgess... – o moreno repetiu – ele trabalhava aqui?
– Sim, era um dos garçons. Ele tinha a aparência de um brutamonte, bem parecido com um lutador de luta livre. Um dia pôs esses homens para fora do restaurante e depois disso eles vinham sempre desafiá-lo. Pobres coitados, o Burgess dava uma surra neles toda vez.
O velho garçom levou a mão até seu cabelo, acariciando-o distraidamente.
– Mas um dia apareceu um homem aqui, um pirata. O Burgess o conheceu e acabou partindo com ele para o mar. – continuou, pensativo — Isso foi há uns dois ou três meses atrás.
– Huuuum – Ace grunhiu, não prestando muita atenção na história.
Aquela sopa de carneiro estava deliciosa.
– Como era o nome dele... Hum... – o garçom franzia a testa, concentrado – Ah, claro! Teach! Ele que convidou o Burgess para a tripulação.
O moreno tinha congelado, parando de tomar a sopa abruptamente.
“Teach?”
– Cá entre nós, acho que o Burgess enlouqueceu quando decidiu que queria ser um pirata. Quer dizer, o capitão dele era louco, ele estava falando algo sobre ser um Shichibukai, e-
– Você disse Teach? – Ace perguntou, depois de se recuperar do choque.
– Eh? – o velho olhou confuso para seu cliente – Sim, Teach. O capitão dos piratas do Barba Negra, como ele se denominava.
O jovem pirata desviou seu olhar para o garçom, encarando-o.
– Marshall D. Teach? Ele esteve nessa ilha?
– H-hai – o homem franziu a testa – você conhece ele?
Ace piscou algumas vezes, e então balançou lentamente a cabeça.
– Não, não. Apenas... Fiquei curioso – murmurou.
O moreno franziu a testa, levantando-se. Tal gesto assustou o garçom, que olhou surpreso para o rapaz.
– Já estou de saída. Obrigado pela comida, Ojisan – agradeceu, enquanto caminhava para fora do restaurante.
O Punhos de Fogo passou pela quadrilha de encrequeiros, que tinha se conformado em sentar-se em outra mesa, sem lhes dar atenção. Pouco depois já estava fora do estabelecimento, caminhando rumo ao centro da cidade.
O garçom que atendera o famoso pirata levantou-se, parando de tentar entender o que tinha acontecido. Só quando estava levando os pratos para a cozinha que se lembrou de algo importante.
– Espere! ELE NÃO PAGOU A CONTA!
Ace olhou para o alto edifício da Marinha à sua frente. Uma grande movimentação podia ser observada ao redor dele. Todos os marinheiros da cidade estavam ajeitando as coisas para a chegada de seu novo superior.
Já os marinheiros que eram da tripulação do Caçador Branco se encontravam preparando as coisas necessárias para sua partida.
O pirata deu a volta pela construção, indo para a rua lateral do local. Nenhum dos homens dali prestou atenção nele, uma vez que todos estavam bastante ocupados.
Localizando a janela aberta do quarto de Smoker, o moreno respirou fundo em antecipação. O rapaz usou os poderes de sua Akuma no Mi e parou no parapeito da janela.
Seus olhos castanhos observaram o interior do cômodo, à procura do comodoro. Mas a pessoa que ele procurava não estava ali.
Uma careta apareceu no rosto de Ace, seus lábios fazendo um beicinho involuntariamente. O rapaz estava desapontado por não encontrar o marinheiro em lugar algum.
Entrando no quarto, o pirata notou as roupas espalhadas pela cama. Ele reconheceu o inconfundível casaco de Smoker.
– Então o Smokey está mesmo se preparando para partir – o moreno murmurou, com um sorriso torto no rosto – bem, pelo menos ele não saiu da ilha ainda.
Passos se aproximaram pelo corredor. Ace entrou no banheiro, consciente de que a porta do quarto do comodoro estava aberta. Com certeza não seria bom se outro marinheiro o encontrasse ali.
– Smoker-san? – uma voz feminina chamou.
O pirata se inclinou cuidadosamente, verificando quem era.
Uma garota estava parada perto do guarda roupa. Ela tinha curtos cabelos negros e estava com um óculos vermelho em seu rosto. Os olhos indicavam um ar confuso, assim como sua expressão. Uma espada estava presa em sua cintura. Suas vestes não eram o uniforme tradicional de quem trabalhava para a Marinha, mas Ace logo reconheceu que ela era sim uma marinheira.
Tashigi.
A espadachin franziu um pouco a testa e se encaminhou novamente para o corredor, voltando a procurar por seu superior. O pirata ainda esperou mais alguns segundos até deixar seu esconderijo. Assim que o fez aproximou-se da porta do quarto e a fechou.
Ele estava decidido a esperar por Smoker, torcendo para que este último não se encontrasse em alguma captura que demoraria horas.
O moreno olhou entediado para o cômodo, tentando descobrir algo que poderia entretê-lo. A cama parecia muito convidativa. A possibilidade de sentir novamente o cheiro do marinheiro no travesseiro macio era verdadeiramente tentadora, mas o pirata se controlou.
Era perigoso se deitar ali com tanta agitação no edifício, uma vez que Ace poderia muito bem cair no sono.
Suspirando, o moreno começou a caminhar pelo quarto. Abriu algumas gavetas da mesa do comodoro, encontrando uma quantidade enorme de papéis. O rapaz franziu a testa.
Mas foi algo na última gaveta que lhe atraiu a atenção.
“Algemas Kairouseki, não?” Uma ideia divertida passou pela mente do pirata.
Ace pegou uma por uma as terríveis algemas, colocando-as no bolso de sua calça. Elas não iriam afetá-lo dali. Depois de guardar todas, fechou o zíper do bolso, ocultando totalmente seu conteúdo.
Um sorriso ainda estava em suas feições. Roubar algemas de Smoker era uma coisa bastante lucrativa.
Primeiro porque o pirata poderia usá-las, caso precisasse.
Segundo porque sumir com aquelas algemas impediria o comodoro de usá-las contra ele.
E terceiro, roubá-las iria fazer Smoker ficar com raiva, muita raiva.
O terceiro motivo era o que mais lhe agradava.
O moreno tratou de verificar também no guarda-roupa e nas roupas em cima da cama, ficando satisfeito ao não encontrar mais nenhuma algema.
Um barulho na fechadura atraiu sua atenção. A ansiedade invadiu o rosto do rapaz, sabendo que era o comodoro que iria entrar. Só ele iria entrar no quarto assim, sem bater.
Smoker caminhou calmamente até seu quarto. Finalmente a Marinha tinha escolhido alguém para cuidar da ilha. Agora o albino estava totalmente livre para sair dali, e pretendia fazer aquilo logo que seu substituto chegasse.
A sensação de estar com a barriga cheia novamente estava deixando-o de bom humor. Ele se sentia muito melhor.
Assim que sua mão tocou na maçaneta da porta de seu quarto, o marinheiro sentiu algo estranho. Era parecido com um mau presságio, como se algo ruim fosse acontecer caso ele entrasse.
O albino franziu a testa, mas decidiu apenas ignorar o pressentimento.
Smoker congelou assim que pôs o pé dentro do cômodo.
– Smokey! – um pirata gritou, feliz da vida.
O marinheiro continuou encarando o rapaz, sem acreditar.
Talvez aquele seu pressentimento estivesse mesmo certo. Definitivamente algo ruim tinha acontecido assim que o comodoro entrou no quarto.
Por fim, o albino estreitou os olhos.
– Portgas... Por que raios você ainda está nessa ilha? – murmurou.
– Eh? – Ace inclinou a cabeça para o lado, considerando a pergunta – Bem, eu vim te ver ontem, mas você estava passando mal. Então, depois que você dormiu eu decidi que ia ficar para te visitar hoje – sorriu, como se aquilo fizesse o maior sentido do mundo.
Smoker levou sua mão até a testa, ainda sem acreditar.
“Só pode ser uma maldição. Por que justo comigo?” Pensou, desolado.
Ele tinha tentado se convencer que Ace não tinha vindo ali na noite anterior. O buraco em uma das paredes resultante de um de seus golpes continuava ali, mas o comodoro apenas o ignorava, tentando realmente crer que o moreno não tinha estado em seu quarto.
Obviamente não adiantava mais fingir, não agora que encontrara o mesmo pirata no cômodo, novamente.
– Droga, Portgas – resmungou – não podia ter esperado mais um dia para vir me incomodar?
Ace olhou divertido para o marinheiro.
– Mas é claro que não! Você vai sair hoje da ilha, então eu teria que perseguir seu navio se quisesse vê-lo – respondeu sabiamente. Depois de alguns segundos acrescentou, sorridente – além disso, eu estava com saudades.
Smoker franziu mais a testa. O albino caminhou até sua mesa, abrindo uma determinada gaveta.
– Mas que diabos — exclamou, surpreso.
– Perdeu algo, Smokey? – a voz manhosa de seu invasor lhe atraiu a atenção.
Levantando seu olhar lentamente até o pirata, Smoker arregalou os olhos.
Um sorriso presunçoso estava estampado no rosto de Ace. Os olhos estavam com um brilho de pura diversão.
A mão direita do pirata estava levantada. Todos os seus dedos se encontravam abaixados, exceto um.
Em seu dedo indicador, uma algema Kairouseki estava girando desafiadoramente.
A mesma algema Kairouseki que deveria estar em sua gaveta.
O marinheiro cerrou os dentes. Seu corpo estremeceu, a raiva ameaçando dominá-lo.
– Você tem realmente muita coragem para me roubar assim – Smoker rosnou, tentando se controlar.
Ace riu, parando com o movimento e guardando novamente a algema em seu bolso.
– Então, Smokey. Já que você não tem nenhuma algema ou rede Kairouseki com você, que tal uma trégua? – o pirata propôs, sorrindo.
Cada vez mais fumaça saía pelos lábios do comodoro. Quando ele estava se encaminhando para seu guarda roupa, a voz do menor o deteve.
– Nem se preocupe em procurar. Eu confisquei todas elas, Smokeey.
O albino virou-se para o pirata, irritado.
– Sabe, eu odeio você, pirata maldito – grunhiu, cruzando os braços.
Ace fez uma expressão tristonha, fingindo estar magoado.
– Naaa, você é tão malvado – reclamou, fazendo beicinho – mas eu sei que no fundo você me ama! – e sorriu, novamente alegre.
– Só em seus sonhos, pirata – Smoker rosnou, ainda irritado.
O moreno não desfez o sorriso, apenas considerou aquela fala como uma confissão.
– E então, desistiu de me prender?
Notas finais
Para quem não se lembra ele é aquele cara enorme de cabelo roxo, que ama brigar ><'
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