Love By Time: O amor que o tempo trouxe
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Caleb completava 16 anos agora, as pessoas estavam comemorando mais uma vez em sua casa. Não havia mais temas infantis ou algo assim, mas estava lotado de adolescentes aquela fez, que falavam muito alto e também colegas de seu ‘trabalho’. Ele fora chamado para ser modelo em catálogos de moda masculina adolescente, algumas garotas olhavam para o garoto com certas intenções mas Caleb era demasiado avoado para perceber ou ainda não cresceu ‘internamente’.
— Éramos desse jeito? – Alex perguntou a Chris, sentados ambos juntos em uma das mesas. Anne conversava com sua sogra, as duas viam algo muito engraçado em um smartphone Asus.
— Uhum... – Chris respondeu, virando um gole da latinha de cerveja que bebia.
Alex anotava algumas coisas em seu Galaxy Note, coisas para o Coffee Shop e não podia esquecer.
— Vamo lá? – Caleb disse para Alex, pipocando do nada, o cabelo todo bagunçado e muito animado. – No PlayStation.
Alex se inclinou um pouco e viu o PlayStation 4 lotado de adolescentes jogando algo de tiro, mais cedo estavam num jogo de dança.
— Acho que eu to muito velho pra isso. – Respondeu Alex confuso com o que rolava no lugarzinho do videogame.
— Ta nada. Vamos. Eu coloco um Tekken pra gente. – Caleb disse, com um sorriso preguiçoso igual do pai dele e Chris só observava, sua boca ocupada com a latinha de cerveja que ele segurava com os dentes ao bocal.
— Eu aceito o desafio. – Foi Chris quem respondeu, levantando-se rapidamente e deixando a latinha vazia cair no chão.
— Bora, velho. – Riu Caleb indo para o PlayStation.
— Ah, mas velho sou eu, né? – Reclamou Chris, rindo.
Alex acompanhou-os com os olhos, surpreendentemente ambos empataram em todas as partidas da luta. O que deixou todos realmente surpresos.
— Vocês vão estragar esse negócio! — Reclamou Anne pelo jeito que os dois moleques, seu marido e seu filho, usavam o controle fazendo tremendos “button smash” para aplicar combos.
Alex riu.
“Oi” – Recebeu uma mensagem de um desconhecido em seu smartphone.
Alex: Quem é?
? : Eu.
Alex: Nossa, não me diga.
?: Então não me pergunte. Rs
Alex: Sério, quem é?
?: Quanto tempo.
Alex: ...
?: Te vejo em breve.
Alex: ?????
Alex suspirou e guardou o telefone no bolso, era normal receber mensagens assim. Geralmente eram clientes da Coffee Shop ligando, perguntando as coisas, em horários totalmente inconvenientes e fora do expediente e alguns trotes e cantadas que sempre desligava na hora ao receber.
— Sua vez agora. – Falou Caleb, chamando Alex para se juntar aos demais.
— Mas eu realmente desacostumei. – Disse Alex, levantando-se de sua cadeira e indo até eles, pegando a um dos controles, o que Chris tinha usado. – Chris, me pergunto sempre o motivo de suas coisas que pega estarem pegajosas.
Chris deu de ombros e fez um bico e observou a partida.
Alex, “desacostumado”, venceu todas as partidas. Talvez a experiência com um PlayStation One há muito tempo atrás tenha ajudado, memória muscular talvez.
— Ah, dá isso aqui. – Chris pegou o controle de Caleb.
— Mais um pra melecar misteriosamente? – Debochou Alex.
E não deu outra, Alex também deu uma surra em Chris no jogo que só foi parar de tentar quando a molecada protestou querendo jogar também.
Alex riu e parou de jogar junto de Chris que ficou emburrado, ambos voltaram a suas cadeiras e os jovens ficaram na algazarra.
— Cheguei! – Disse uma voz feminina e ambos olharam, era Nishi.
Ela estava também adulta, os cabelos curtos e usava um terno feminino, pelo jeito chegou do trabalho.
— Ora, quanto tempo! Benvenuto! Foi você que me enviou umas mensagens ameaçadoras? – Alex disse e abraçou-a e Chris também o fez.
— Foi, desculpe ter assustado. – Ela disse, ela não usava mais aqueles óculos enormes, agora eram óculos meia-lua, pequenos e charmosos.
— Como foi na Itália? – Alex perguntou.
— Muito bem, obrigada, já acostumei com o ritmo de Milão. A gente entrega e a empresa prospera. – Sorriu Nishi.
— Verdade, está trabalhando em uma empresa de arquitetura, muito legal, Nishi. Incrível como está mais poderosa ainda. E tem algum... Acompanhante? – Chris falou, levantando a mão, mostrando o dedo com aliança.
— Não, ainda nada, mas deixo o rio seguir seu fluxo. Ainda encontro meu encaixe. Que sera, sera. Obrigada, querido. – Nishi disse, pegando uma latinha de cerveja da mão de Caleb que apareceu do nada, tentando furtar uma cerveja de seu pai e os demais adultos. Ele fez bico, Alex riu.
— Busted. – Alex falou para Caleb fazendo um sinal de arminha com a mão apontando para o rapaz.
Nishi puxou uma cadeira e sentou-se em frente aos rapazes.
— E vocês, como estão indo? Eu acompanho as postagens no Instagram, Alex. A Angel está linda e vi muitas boas avaliações. – Nishi comentava.
— Tudo bem na verdade, estamos sempre criando novas receitas e experimentando-as.
— Eu lá não tenho o que comentar. – Murmurou Chris, o mesmo adulto estava de gerência em um call center terceirado a serviço de uma operadora de telefonia e internet. Sua esposa Anne estava na matriz central dessa operadora, praticamente quase chefe dele. – Mas estou muito bem. Anne viaja bastante.
— Não temos mais aquele tamanho tempo livre de quando éramos crianças, não é? Eu sinto falta de vez em quando. – Nishi sorria nostálgica lembrando daquela época. – As pessoas acreditavam que vocês namoravam, confesso que eu ‘shippava’ muito vocês.
Chris ficou com o rosto entre os braços deitados na mesa, Alex sorriu e riu.
— É... Bem... Muita coisa muda. A gente tem outra cabeça quando ‘criança’. – Falou Alex e Chris moveu um pouco o rosto, um dos olhos fixados no rapaz após ele falar aquilo.
Anne aproximou-se do círculo, cumprimentou Nishi e disse:
— E falando em trabalho, como bem ouvi, vamos ter de ir até NY para reunião, Chris. – Disse e Chris levantou a cabeça preguiçosamente, que resmungou ‘quando?’.
— Amanhã e seus pais vão viajar também, como faremos com Caleb? Não vou deixar ele sozinho. – Falou Anne.
— Tudo bem, podem deixar que ele fica na minha casa. Estou de folga no dia seguinte de qualquer jeito e tenho horas extras. Só deixá-lo direto na Angel que após o trabalho de amanhã nós vamos ambos pra minha casa. – Falou Alex.
— Muito obrigada, Alex, vou deixar dinheiro para vocês comprarem comida, aliás. – Agradeceu Anne.
— Bobagem. Não precisa. – Sorriu Alex.
Anne foi falar com Caleb sobre isso que levantou os braços e falou alto: “Game e birinight (birita + noite) com o ‘titio’ Alex” e foi repreendido por sua mãe, Alex balançou a cabeça.
— Você pode ir também se quiser, Nishi. – Convidou Alex.
— Oh, eu vou ter que deixar pra próxima. Dei ‘match’ com uma mocinha no Tinder. – Riu Nishi.
— Mal chegou e já vai passando o rodo, mulher? – Riu Chris.
— Eu tenho muito chão pra esse rodo. – Ela riu sapeca.
— Não sabia que gostava de mulher, isso é novidade pra nós. – Falou Alex.
— A vida é mais gostosa quando você come de tudo. – Ela deu uma piscadinha e riu.
Alex balançou a cabeça e riu também, Chris acabava dormindo com a cabeça na mesa, do nada. Ele viu duas garotas muito bonitas conversando com Caleb que estava encostado numa parede, aparentemente meio perdido na conversa e mal sabia o que fazer, o que fez Alex rir e Caleb notar isso, corar e sair do meio das duas meninas apressadamente. Olhou para Chris e balançou a cabeça.
— Vamos realmente ter de ficar de olho nesse menino que é bem igual ao pai. Uma gota de álcool e já era, eu acho.
Nishi balançou a cabeça concordando e acendeu um cigarro.
— Eu já percebi que Caleb é muito igual ao Chris mas também é bem igual a Anne. E ela é bem responsável. Ele é igual mas é diferente.
— Como assim? – Alex perguntou.
— Logo você vai saber. – Respondeu Nishi.
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