Foi um dia muito frio aquele seguinte do aniversário de Caleb.

Como combinado, Caleb apareceu na Angel e ficaria até o fim do expediente. Ele foi novamente com seu grupo de amigo e havia um novo integrante: Mais um de olhinhos puxados, cabelos descoloridos de loiro e dividido como uma espécie de variação do cabelo de Leonardo DiCaprio no filme Titanic.

— Então... Esse rapaz novo, quem é? – Alex perguntou a Caleb no fim do expediente, a coffee shop já estava vazia. Alex desligara todas as máquinas com exceção do freezer, ele não desligava o freezer de noite como alguns chefs incompetentes que viraram meme.

— Ele é Jimin. Veio da Coréia do Sul. – Respondeu Caleb, vestindo seu grosso agasalho azul.

— Ah, direto de lá. Percebi que era tão quietinho. Embora nem todos são, lembro de um bem agitado. – Disse Alex lembrando de Jeon, que viajou anos atrás e perderam contato um com o outro.

— Ele é só avoado, na verdade. Parece arrogante, mas é só cabeça de vento. – Riu Caleb, colocando sua touca rouxa com uma bola de pompom amarela em cima.

— Então encaixa bem contigo. – Falou Alex brincando, abrindo a porta de entrada, saindo junto com Caleb e fechando-a em seguida com um pequeno estalo, trancando-a e ativando o alarme com um pequeno dispositivo que ficava no chaveiro.

— É, bem... E... O que? Ei! – Reclamou Caleb quando caiu a ficha, franzindo o cenho.

— Nada nada. – Riu Alex e começando a caminhar e o rapaz indo junto.

— O que vamos fazer de bom? – Caleb perguntou a uma certa altura enquanto ambos andavam para a casa de Alex.

— Matemática, química e quem sabe física. – Brincou Alex.

— Ah, não amola. Estou de férias e sabe disso. – Reclamou Caleb ao lado dele.

“ Esse rapaz tá crescendo muito rápido” – Pensou Alex ao olhar para o guri de cenho franzido que relaxava aos poucos, o mesmo estava com as palmas das mãos encostadas na nuca, os braços pra cima assim e dobrados aos cotovelos.

— Vamos pedir alguma coisa, eu acho. E eu tenho meu videogame então vamos jogar bastante. – Falou Alex, sorrindo para ele. – Ah, tenho de montar a árvore de Natal, ainda não o fiz.

— Beleza! Vai ser muito divertido! Tem cerveja? – Sorriu Caleb para Alex, um sorrisão sem vergonha e brincalhão.

— Claro que não, eu nem bebo essas coisas também. E minha mãe não permite isso embaixo do teto dela. – Riu Alex, subindo uma das sobrancelhas.

— Ah, entendi. Ela estará lá então...

— Na verdade, não. Ficou de plantão pela noite, ela está trabalhando de enfermeira fazem alguns anos já. – Disse Alex e quando viu, pequenos flocos brancos delicados caiam do céu. – Oh, neve, enfim.

— Enfim? Já me sinto um cubo de gelo. – Caleb esfregou os braços com as mãos. – Esfriou mais ainda.

— Vou acender a lareira em casa. Já é quase Natal, aliás. Que incrível seus pais terem de ir para New York logo nessa época. – Disse Alex.

— Você não viu nada. Esse trabalho, mesmo parecendo algo simples, tira-os bastante de mim... Digo.. Ocupa bastante o tempo deles. – Falou Caleb, devagar, meio pensativo.

Ao chegar em casa, foram recepcionados pela temperatura menos fria de lá. O suficiente para removerem os agasalhos mais pesados.

Caleb gemeu, tinha se assustado com os adereços religiosos que ficavam bem no hall de entrada, sempre se assustara e achava bastante creepy.

— Dessa vez eu vou ficar sem meu peru. – Disse Caleb se jogando ao sofá macio de Alex.

— O que? Seu peru? Como? – Alex ergueu as sobrancelhas.

— Peru de Natal, oras. Que mais peru existe? – Caleb deu de ombros enquanto ficou esparramado folgado no sofá marrom, arrancando os tênis usando os pés, empurrando os calçados.

— Que eu saiba você não gosta de peru, gosta do tender. – Alex respondeu, fazendo um bico.

— É... É... Deve ser isso mesmo. – Caleb respondeu, pegando uma almofada e abraçando. – Vai acender a lareira?

— Ah sim, antes que a gente congele. – Alex se adiantou, como se tivesse tido um pequeno tranco, agachou perante a lareira e a acendeu.

— Iiiiiiiiisso. – Exclamou Caleb ao sentir seu corpo ser agraciado pelo calor que emanava do fogo na lareira que iluminou a sala que Alex nem precisou acender mais luz alguma. O garoto até mesmo abriu as pernas.

Alex riu, sumiu por uns instantes e voltou com algumas caixas, depositando-as ao chão, um tanto afastado da lareira e abriu-as. Eram os enfeites de Natal.

— Vamos ver... Hmm... – Murmurou, pegando as partes da árvore falsa e rapidamente a montando, tinha esquecido que aquele pinheiro falso era tão alto, um pouco mais de 2 metros. – Acho que vou precisar de um banquinho.

— Baixinho. – Riu Caleb.

— Baixinho é você! Bananinha minion. – Retrucou Alex.

— Já estou quase te alcançando. – Caleb levantou-se do sofá, agachou perto das caixas e ficou fuçando no conteúdo.

— Falou certo. Quase. – Alex dizia, soltando uma risadinha, pegando algumas pequenas bolas vermelhas e douradas.

— Assim? – Caleb disse, em cima do sofá, segurando a estrela dourada que ia no topo da árvore. Alex olhou para ele e riu.

— Essa peça vai por último, lembra?

— Regras são feitas para serem quebradas! – Riu Caleb, que se adiantou, estando em cima do sofá, tentando colocar o adereço ali na ponta. – Vai, carvalho!

“Carvalho? Ah... Boa manobra pra evitar um xingo” – Alex pensou e um milésimo depois, Caleb escorregou com suas meias e foi cair justo em cima de Alex.

— Aaaaaaaaah! – Caleb gritou ao cair em cima do rapaz.

— Oooof! – Alex ofegou ao ambos os corpos se chocarem, sentiu seus pulmões esvaziarem.

— Ah, quebrei o sabugo de milho.... – Gemeu Caleb, de olhos fechados, ele foi tentar tomar seu equilíbrio novamente, cegamente colocando ambos os braços aos lados de Alex, um de frente para o outro.

— Q-quem é sabugo de milho? – Reclamou Alex.

— Oras... – Caleb enfim abriu os olhos. – Oh... Oi... Vem sempre aqui? – Sorriu.

— Moleque sem vergonha. Vamos, saia de cima. Seu gordo. – Alex riu.

— Bom... Você tem um cheiro muito bom... – Caleb disse um tanto em voz baixa, os olhos direto nos de Alex. Aqueles rostos estavam próximos demais, próximos demais. Alex pôde sentir a ponta gelada do nariz de Caleb roçar na pele de seu rosto e ele corou.

O que ouviu a seguir foi a porta abrindo-se com força.

— Alex? Está tudo bem? Ouvi um grito. – Ouviram uma voz desconhecida. – Alex? Oi? Que está acontecendo aqui?

Um rapaz alto de sobretudo e cabelos pretos entrou na sala com tudo, mal viu a cena direito quando ele quase se jogou em cima de ambos, agarrando Caleb e o levantando rapidamente.

— O que pensa que está fazendo, seu moleque? – Rugiu o homem.

— Ah...Nada aconteceu... Quem é você? – Alex, naquele movimento todo, mal viu quem era. – Que...? Jeon?

— É. Oi. Eu voltei. – Disse um adulto Jeon, com seus cabelos negros e que Alex estranhou, estava alto, estava forte. Jeon cresceu tanto assim?

Caleb ficou de cenho franzido e lutou para sair dos braços de Jeon, conseguindo e assim tropeçou para frente, caindo ao sofá, os cabelos bagunçados.

— Ei, eu te conheço! – Caleb exclamou depois de tirar a franja bagunçada da frente dos olhos. – Você é aquele cantor coreano famoso! Jeon Jung-kook!

— Como é que é? – Alex franziu o cenho não entendendo nada. – Cantor?

— Eu tenho MUITO a te contar. – Jeon sorriu. – E estou cumprindo agora a minha promessa... De voltar pra você.