Alex esperou sua mãe dormir para ir atrás de Chris, que não atendia ao telefone, ele vestiu seus surrados tênis e pulou a janela, fechando-a logo em seguida e rumou para a casa de Chris, que não ficava muito longe.

Ele acabou por parar numa casa de um dos colegas, que ficava no caminho, estava tendo uma festa lá então a balbúrdia corria solta. Aparentemente os pais desse colega estavam fora pois mesmo tendo poucos adolescentes ali... De poucos a muitos... Tinha vários jogados no gramado, uns até dormiam, bêbados e outros riam alto, festejavam e desperdiçavam a bebida alcóolica deixando-a jorrar no rosto.

— Oi! Alex! Só faltava você, mermão! – Disse alto o colega dono daquela casa que foi cambaleando até ele. – Sua outra metade ta aí dentro, tava só esperando você aparecer também, tão sempre juntos. Não é à toa que a gente sempre pensa que vocês são dois viadinhos. – Riu.

É, a cerveja realmente deixa muita gente sincera. Ele sorriu amarelo mas pelo menos teve a informação que Chris estava ali e depois de se desvencilhar da tentativa de abraço do colega bêbado, ele rumou para dentro da casa, se esgueirando entre as pessoas que dançavam ali. Olhava para todos os lados olhando Chris, até decidir subir as escadas laterais que dava para várias portas num ambiente quase quadrado.

— Oy! – Gritou um ocupante de um dos quartos ao Alex entrar do nada, preferiu não pensar no que acabou de ver. Credo.

Então ele arriscou outro quarto, abriu este, um quarto escuro que foi iluminado pela luz do hall e foi revelado Chris ali.

Ele estava deitado, nu, já dali da porta já podia sentir o cheiro de álcool, ele também se embriagara. E ao lado dele, uma garota também nua cuja cabeça repousava no peito de Chris, ambos dormindo. Aparentemente ambos acabaram de transar.

Alex sentiu-se sem chão ao ver aquilo, tanto que tremeu. Queria espancar o “amigo” até deixa-lo roxo e também atacar a garota, embora ela não tivesse culpa do ocorrido. Ele simplesmente deixou-os ali e desceu, meio cambaleando, frustrado, chocado, chateado, enojado, escada abaixo e foi embora, ignorando os chamados dos colegas bêbados para ficar se divertir.

— Com licença? – Alex ouviu uma voz um tanto fina e tentou localizar a fonte, o que não demorou. Era um garoto asiático, pequeno, provavelmente uns 7 anos. Alex olhou ao redor.

— Oi? O que está fazendo nessa rua a essa hora? – Alex perguntou. Embora estivesse com o coração quebrado, decidiu ajudar a criança. Ele olhou melhor e viu que o cabelo preto do menino tinha várias folhas de árvore. Estava escondido ou algo assim? Ele também segurava um aviãozinho de brinquedo.

— É que meu brinquedo caiu aqui. Ele tinha caído no telhado na frente da minha janela aí eu fui tentar pegar e caí. – O menino falou.

Alex olhou bem para a casa em que o menino apontava e viu a janela aberta com uma luz, provavelmente era a televisão ligada e por isso ninguém da casa ouviu o barulho. Era no segundo andar, então Alex olhou para o menino com seus pijamas azuis com estampa de foguete e chinelos pantufa.

— Você caiu... Dali... E não se machucou? – Alex perguntou, franzindo o cenho.

O garoto mexeu a cabeça fazendo sinal afirmativo.

— Certo... E... O que quer que eu faça? Não é só entrar pela porta de entrada?

— Não! Se meus pais me virem aqui fora eles vão ficar muito bravos! Por favor, me ajude! – Ele disse agarrando a borda da jaqueta de Alex e puxando um tanto.

Ele sentiu muita dó do menino então decidiu ajuda-lo, pensando em um plano, Alex viu que não era tão difícil subir ali e foi o que fez. Subiu pela árvore e em seguida se agarrou ao telhado, os galhos da árvore eram suficientemente largos e resistentes para aguentar o peso dele e conseguiu. Até entrar pela janela e procurar alguma coisa pelo quarto do rapaz. Era um quarto todo de cor azul, o carpete era um azul mais escuro, na televisão um trailer de Harry Potter e a Pedra Filosofal. A cama com a roupa de cama de estampa de nuvem forrada de brinquedos, além de vários pôsteres de animes como Pokémon e Digimon, até localizar o que procurava.

— Vou jogar aí embaixo e você coloca os pés no laço e segura bem a corda. – Alex disse, enfiando a cabeça pra fora da janela, em tom firme mas não alto. O menino fez ok com os dedos.

Alex jogou uma corda longa e com um amarro quase em uma das pontas que fazia um laço, usara uma corda de pula-corda do garoto então ao vê-lo colocar ambos os pés no laço e se agarrar firme, Alex foi puxando como um elevadorzinho até o menino aparecer na janela e segurar na beirada com as mãos após Alex pegar o brinquedo... Vai que cai de novo ali embaixo. O menino tropeçou na beirada da janela e caiu em cima de Alex.

— Ouch! – Gemeu Alex e o guri estava em cima e dando risada. – Ah, pelo menos eu te amaciei a queda, não foi? – Alex riu e se levantou depois do menino.

— Eu sou Jeon. – Disse o menino. – e você?

— Oi, Jeon, eu sou Alex. Parece que... – Ele ouviu um barulho do lado de fora do quarto. – ... Que realmente tá na hora de eu dar no pé. – Falou correndo para a janela.

— Obrigado, Alex! Apareça! – Jeon disse vendo o rapaz descendo a janela.

— Não assim, né? Pareço um ped... Digo, isso é bem perigoso. E nem de longe eu pareço o Papai Noel. – Riu Alex enquanto ele descia de volta usando a própria corda que tinha amarrado no pé da cama para descer. Jeon apareceu pela janela e deu tchau, na mesma hora em que pôde ouvir a porta abrindo e Jeon olhando para trás.

Alex se escondeu e deu pra ver Jeon falando “Estou dando tchau para os amigos esquilos, eles são doidos de dar nozes... Acho que é assim que fala”. E rumou de volta para casa, até novamente voltar a memória do que acaba de acontecer, o coração quebrado estava dormente por esses poucos minutos.

Ao chegar em casa, entrou pela janela silenciosamente e se jogou direto na cama, sem ao menos tirar os sapatos e ficou olhando para o teto até adormecer, a única carícia que tivera no momento, foi pela luz cálida do luar na grande lua cheia que se mostrava pela sua janela.